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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

DO FUNDO DO BAÚ

Capa de Graphic Novel nº5.


      Escolhi hoje uma obra-prima das histórias aos quadradinhos que há muito faz parte do meu espólio, para demonstrar quão errados estão todos aqueles que consideram a leitura desse género de material um exercício infantil de adultos com a Síndrome de Peter Pan.
       Da autoria de Alan Moore (texto) e  Brian Bolland (arte), "Batman: The Killing Joke" (A Piada Mortal), é considerada umas das melhores histórias de super-heróis alguma vez escritas. Trata-se de uma novela gráfica de 1988 que apresenta uma possível origem do Joker (ler perfil publicado abaixo). A primeira edição em Português ficou a cargo da editora Abril Jovem nesse mesmo ano, no quinto número da coleção "Graphic Novel". Nela acompanhamos, através de flashbacks, a origem do sinistro Palhaço do Crime.
   Após fugir do Asilo Arkham, o Joker decide provar ao Batman que basta apenas um momento de intensa pressão psicológica para que um indivíduo escolha a loucura como meio de subjugar uma realidade de atroz sofrimento. Para isso, ele e os seus comparsas invadem a casa do Comissário Gordon para sequestrá-lo. Não satisfeito, o Joker dispara sobre a filha do Comissário, Barbara Gordon (Batgirl), deixando-a incapacitada. Em seguida ele viola-a (sugerido pelos autores), registando tudo fotograficamente. Posteriormente o Joker leva o Comissário Gordon a um parque de diversões macabro e coloca-o numa montanha-russa que circula entre projeções de fotos da sua filha sendo violentada. Com isso ele tenta provar a sua tese, deixando Gordon louco.
    Batman intervém, salvando Gordon e prendendo o Joker. A tese deste não é provada conclusivamente, pois vê-se que Gordon não enlouqueceu, apesar de toda a tortura psicológica a que fora submetido. Isso levanta a questão: Por que será que alguns escolhem a loucura como refúgio de uma realidade massacrante (como o Joker e o próprio Batman) e outros não?
    O inquietante final da história, dá-se com uma piada contada pelo Joker ao Batman:" Havia dois tipos num manicómio... Uma noite eles decidiram que não queriam continuar lá... e resolveram escapar para nunca mais voltar. Foram então até ao telhado e viram, ao lado, o telhado de um outro prédio apontando para a lua... apontando para a liberdade! Então um dos sujeitos saltou sem problemas para o  telhado vizinho, mas o amigo dele acobardou-se...  Tinha medo de cair. Então o primeiro teve uma ideia e disse:
    -Ei! Tenho aqui a minha lanterna. Vou acendê-la pelos vãos dos prédios e tu atravessas sobre o facho de luz!
   Mas o outro sacudiu a cabeça e disse:
  - Pensas que sou maluco? E se apagares a luz quando eu estiver a meio do caminho?!"
   Nisto, o Joker começa a rir. De repente, o Batman esboça um sorriso e depois solta uma gargalhada  com seu arqui-inimigo. Afinal, quem está certo nesta história? O Joker que quer provar a todos sobre a loucura? Ou o Batman que tenta mostrar o lado correto da justiça?

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