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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

NÉMESIS: MÍSTICA




    Quem é realmente Mística, a enigmática mutante de pele azul e mil caras? Será ela uma vilã de sangue-frio ou uma vítima do preconceito? Tirem as vossas próprias conclusões lendo a sua biografia...

Nome original: Mystique
Criadores: Chris Claremont e Dave Cockrum
Licenciadora: Marvel Comics
Primeira aparição: Miss Marvel nº17 (junho de 1978)
Identidade civil: Raven Darkholme
Parentes conhecidos: Kurt Wagner (filho), Graydon Creed (filho) e Anna Marie Raven (filha adotiva)
Filiação: Irmandade dos Mutantes, X-Men, Força Federal, X-Factor, etc.
Base de operações: móvel
Poderes e habilidades: Sendo o transformismo a sua principal habilidade mutante, Mística é também imune a uma vasta gama de doenças e envelhece mais lentamente do que os humanos. Possui uma agilidade sobre-humana, fator de regeneração e elevada resistência a ataques psíquicos. É ainda uma exímia estratega e lutadora corpo-a-corpo.

    Desde muito nova, Raven Darkholme aprendeu a ter controlo sobre o seu dom mutante de transmutação, podendo manter sempre uma falsa aparência humana. De acordo com uma prequela escrita por Chuck Austen, ela teve um relacionamento secreto na Alemanha com o mutante Azazel (enquanto era casada com o barão Christian Wagner). Dessa relação nasceu  Kurt Wagner, um mutante  de pele azul e aparência demoníaca (parecido com Azazel), que mais tarde se tornaria Noturno, integrante dos X-Men. Perseguida pela ira dos habitantes locais, Raven foi obrigada a lançar a um rio o recém-nascido para salvar a sua própria vida.
    Incapaz de mostrar  o seu verdadeiro rosto com medo da discriminação, Mística  tornou-se uma mestra em manipular as pessoas e em mentir para garantir a sua sobrevivência entre os humanos. Usar os seus poderes em prol da humanidade mostrou-se sempre difícil e a cada insucesso ela ficava mais frustrada e raivosa. Em razão disso, passou a acreditar que a humanidade a odiava.
    Assim, Mística veio a atuar como mercenária, trabalhando para a organização terrorista H.I.D.R.A. Só ganhou contudo notoriedade enquanto líder da segunda formação da Irmandade dos Mutantes, grupo responsável pela tentativa de assassínio do senador Robert Kelly, um ativista antimutante. Os planos da Irmandade foram - como de resto em muitas outras ocasiões - gorados pelos X-Men.
   Mística viveu após isso um caso amoroso com a sua companheira de equipa Sina, e as duas adotaram uma jovem mutante chamada Anna Marie que mais tarde assumiria a identidade de Vampira e se juntaria aos X-Men.

Mística à frente da Irmandade dos Mutantes.

    Numa reviravolta surpreendente, Mística obteve um indulto ao vincular a Irmandade dos Mutantes ao Governo dos EUA com o nome de Força Federal. Nessa fase, executou várias missões ordenadas pelo Governo, como a prisão de Magneto (seu ex-mentor) e até mesmo dos Vingadores, que estavam a ser investigados por traição.
     Após a extinção da Força Federal, Mística saiu de circulação durante algum tempo. Viria depois a infiltrar-se na recém-formada Tropa X (liderada pelo antigo X-Man Banshee) com o propósito de desencadear uma guerra entre humanos e mutantes. Durante o ataque, matou Solar e feriu Banshee, acabando presa. Mas a sua carreira não terminou aí pois foi recrutada pelo Professor Xavier para levar a cabo arriscadas missões secretas. Acabou, todavia, por trair o mentor dos X-Men.
     No cinema, Mística marcou presença na trilogia X-Men iniciada em 2000, tendo sido representada pela atriz e ex-modelo Rebecca Romijn. Já este ano, na prequela "X-Men: First Class", coube a Jennifer Lawrence interpretar a personagem.
     Mística foi também presença assídua em várias séries de animação estreladas pelos X-Men como X-Men: Evolution e X-Men: Animated Series, entre outras. Surge também como vilã no videojogo X-Men Legends e como personagem não jogável em X-Men Legends II.

Jennifer Lawson (esq.) e Rebecca Romijn encarnaram Mística no cinema.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

DO FUNDO DO BAÚ

   
    
    Entre 1990 e 1996, foi publicada no Brasil com a chancela da Abril Jovem a série "Batman Anual". Ao contrário, porém, do que o respetivo título indica, a sua periodicidade nem sempre foi anual, daí resultando que durante os seus seis anos de existência hajam sido produzidos apenas cinco números. Acontece que entre o primeiro volume (novembro de 1990) e o segundo (janeiro de 1992), houve um interregno de mais de um ano, o mesmo sucedendo entre o lançamento do segundo e o do terceiro (novembro de 1994). Nem este nem o quarto e quinto volumes foram alguma vez publicados em Portugal.
     Tratavam-se de edições especiais inicialmente com 164 páginas (reduzidas para 100 nos três últimos números) que apresentavam histórias selecionadas e inéditas do Homem-Morcego.
     Em "Batman Anual nº3", os fãs do Cavaleiro da Trevas tiveram a oportunidade de ler duas boas histórias numa edição que tinha ainda a particularidade de possuir duas capas invertidas (o mesmo é dizer um lado A e um lado B).
     A primeira história, intitulada "Imagens", foi escrita por Denny O'Neil e ilustrada por Bret Blevins, correspondendo a Batman: Legends of the Dark Knight nº50 (1989). Nela, é revisitado o primeiro contacto do Homem-morcego com o seu eterno némesis, o Joker (ou Coringa na versão brasileira) quando este ainda era um ilustre desconhecido que se procurava afirmar no submundo do crime. Para esse efeito, o Palhaço do Crime arquiteta um ignóbil plano de extorsão e assassínio de vários membros proeminentes da sociedade de Gotham City. Face à incapacidade  de Batman - que não o reconhece no primeiro encontro de ambos, deixando-o por isso escapar-se - em detê-lo, o Joker consegue cometer vários homicídios graças a um mortífero veneno desenvolvido por Melvin Reipan, um seu pretenso primo que, apesar de genial em Química, tem a mente de uma criança.
     Fazendo uso dos seus talentos detetivescos, Batman consegue não só descobrir a antiga identidade do Joker como travar a sua ameaça antes que mais vidas sejam tiradas.


        "Votos", a segunda história do volume, narra os atribulados preparativos para o segundo casamento do Comissário Gordon sendo portanto a intriga centrada nele. Os créditos do argumento cabem novamente a Denny O'Neil e a arte é de Michael Netzer. Originalmente, a história foi publicada em Batman: Legends of the Dark Night Annual nº2 (1992)
        Quando se preparavam para comprar o vestido de noiva, Gordon e a sargento Sarah Essen ( a futura esposa) são surpreendidos em plena loja por dois bandidos. Um deles é um velho conhecido do Comissário. Trata-se de Flass, um polícia corrupto expulso da corporação graças a Gordon. Tem por isso contas a ajustar com ele e fá-lo de uma forma brutal: espancando-o e intimidando Sarah. As cenas de violência foram primorosamente ilustradas por Netzer, propiciando uma leitura dinâmica (quase como se assistíssemos a um filme).
         Não contente, Flass intima o comissário para ele eliminar as provas incriminatórias contra um juiz candidato a mayor de Gotham City. Caso contrário, o filho de Gordon, Jimmy (já antes sequestrado) será lançado ao rio conforme aconteceu na primeira ocasião.
        Gordon contudo recusa-se a ceder e envia para vários órgãos de comunicação social os documentos que incriminam o juiz. Posto isto, parte no encalço de Flass para tentar reaver o filho, apesar dos protestos da noiva. Desesperada, Sarah convoca Batman, embora reprove os seus métodos.
        O Cavaleiro das Trevas encontra e liberta o filho de Gordon que se encontra são e salvo. Entretanto, o comissário também encontrou Flass a bordo de um iate propriedade de Gleam (um maníaco viciado em oxigénio puro para quem Flass trabalhava). Com ele estava o juiz corrupto e não tarda a chegar também a sargento Essen. Vendo uma oportunidade única para eliminar provas contra si, Gleam manda explodir a embarcação, ficando o grupo encurralado no seu interior. Entre a vida e a morte, Gordon aproveita a presença do juiz para consumar o casamento com Sarah Essen. Posto isto, graças à astúcia de Gordon, todos conseguem fugir daquele que seria o seu caixão subaquático. Flass, que não sabia nadar, acaba ironicamente por ser salvo pelo comissário Gordon que prefere entregá-lo à Justiça a deixá-lo afogar-se nas águas geladas.
       Uma história repleta de ação e suspense capaz de agarrar o leitor pelo pescoço da primeira à última vinheta.
         

      
   

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

ETERNOS: LEE FALK (1911-1999)



      Pai de dois heróis clássicos - Mandrake (1934) e Fantasma (1936) - Lee Falk viu as suas personagens saltarem das tiras dos jornais para as páginas dos comics onde se tornaram ícones, abrindo caminho ao dealbar de uma nova era nas histórias aos quadradinhos.
      Nascido Leon Harrison Gross, a 28 de abril de 1911 em Saint Louis (Missouri, EUA), Falk foi também dramaturgo e produtor teatral. Várias estrelas de cinema como Marlon Brando e Paul Newman participaram nas suas peças.
      Filho de pais judeus, Leon nunca conheceu o pai, Albert Gross, que morreu quando ele ainda era bebé. Entretanto, a mãe, Eleanore Aleina, casaria com Albert Epstein que se tornou a sua figura paternal.
      Passou a infância e a adolescência em Saint Louis e, terminados os estudos universitários, Leon adotou o pseudónimo Lee Falk. Desconhece-se o que o levou a escolher "Falk" mas "Lee" era a sua alcunha desde criança.
      Quando iniciou a sua carreira como escritor de banda desenhada, a sua biografia oficial apresentava-o como um experimentado viajante que explorara o mundo e que estudara com grandes místicos do Oriente. A verdade, porém, é que inventou esses dados de modo a tornar mais credíveis as histórias de Mandrake e do Fantasma, ambos aventureiros cosmopolitas. A viagem a Nova Iorque para dar a conhecer Mandrake à editora King Features Syndicate foi, com efeito, a maior que fizera na sua vida até então. Posteriormente, viajaria à volta do mundo, em parte para evitar o embaraço de ser desmascarado por aventureiros autênticos.

Lee Falk ladeado pelas suas duas criações mais famosas.

       Falk era desde criança fascinado por mágicos e ilusionistas. Segundo ele, foram da sua autoria os primeiros esboços de Mandrake. Quando interrogado sobre as semelhanças notórias entre a personagem e ele próprio, Falk respondeu divertido: "Claro que o Mandrake é parecido comigo. Eu estava sozinho num quarto com um espelho quando o desenhei." 
     Com o sucesso de Mandrake, Lee Falk e Phil Davis criam o Fantasma (The Phantom). Publicado pela primeira vez em fevereiro de 1936, o mascarado de fantasia púrpura rapidamente ascendeu ao panteão dos grandes heróis da BD com a história de Kit Walker, o 21º de uma linhagem de combatentes do crime que começara em 1536, com a chegada de um antepassado seu, vítima de um ataque de piratas, a Bengalla, um país africano fictício. O Homem Que Não Podia Morrer não tinha nenhum superpoder, confiando apenas na sua astúcia e na reputação de imortal conseguida com a passagem do título de Fantasma de pais para filhos ao longo de 400 anos.
       O Fantasma foi inspirado no fascínio de Falk por mitos e lendas, em especial as do Rei Artur e de El Cid. Também o folclore grego e nórdico, a par de personagens como Tarzan influenciaram a criação do Espírito-que-anda. 
      Inicialmente, Falk considerou a ideia de batizar a sua criação de "Gray Ghost" mas acabou por se decidir por "The Phantom".  Numa entrevista concedida anos mais tarde, Falk revelaria que foi o visual clássico de Robin Hood (que usava collants) que serviu de base ao uniforme do Fantasma que, por seu turno, influenciaria toda a indústria dos comics. O Fantasma foi, com efeito, o primeiro vigilante mascarado na história da 9ª arte.
     Falk pensou que as tiras onde eram publicadas as suas criações durariam apenas algumas semanas. Ao invés disso, testemunhou a crescente popularidade das personagens por si imaginadas e que eram lidas diariamente por milhares de pessoas. Por conseguinte, ao longo de seis décadas, Falk continuou a escrever centenas de estórias de Mandrake e do Fantasma. 
     Apesar de escrever duas tiras diárias, Falk ainda teve tempo para ser dramaturgo, romancista e radialista. Durante a II Guerra Mundial, trabalhou como chefe de propaganda na recém-lançada rádio KMOX de Saint Louis, em colaboração com o Gabinete de Informação de Guerra norte-americano.
     Lee Falk casou três vezes e teve três filhos com as suas duas primeiras esposas. O seu terceiro matrimónio ocorreu pouco antes de escrever a história que narrava o casamento do Fantasma com Diana Palmer, a sua eterna namorada. Coincidência ou talvez não, também Mandrake desposaria pouco tempo depois a princesa Narda com quem mantinha um romance de longa data.
     Falk passou os últimos anos de vida em Nova Iorque. Já hospitalizado, retirava a máscara de oxigénio para ditar as  histórias que continuavam a florescer na sua mente. Elizabeth Moxley, a sua terceira e última esposa, era uma renomada diretora de teatro e chegou a acabar de escrever alguns dos argumentos do Fantasma após a morte do marido a 13 de março de 1999, vítima de enfarte. Depois, Fred Fredericks, que já desenhava os dois heróis imaginados por Falk, assumiu também os argumentos, juntando-os em aventuras comuns a partir de 2002.

São notórias as parecenças de Mandrake com o seu criador.