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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

FÁBRICAS DE MITOS: MARVEL COMICS

       
        Quem não conhece o Super-homem, o Homem-aranha, o Batman ou os X-Men? Mas e quanto às editoras que os publicam? Será que sabes o suficiente?
       Nesta nova rubrica, darei a conhecer a história, a evolução e as personagens de charneira das principais licenciadoras de comics norte-americanas. As mesmas que deram a conhecer ao mundo uma míriade de heróis, vilões e anti-heróis que fizeram as delícias de sucessivas gerações de leitores. E descobrirás que essas verdadeiras fábricas de mitos não se resumem às gigantes Marvel Comics e Detective Comics.
       Apelidada de "Casa das Ideias", cabem à Marvel Comics as honras de estreia da presente rubrica. Sabe agora como tudo começou e prepara-te para muitas surpresas.
        Fundada em 1939 por Martin Goodman, a Timely Comics é uma antepassada da atual Marvel Comics e sediada em plena 5ª Avenida (Nova Iorque). Publicava revistas de banda desenhada de vários géneros: terror, policial, ficção científica, etc. A verdadeira expansão no mercado emergente dos comics deu-se, porém, com o lançamento do título Marvel Comics que, logo no primeiro número (outubro de 1939), apresentou Namor, o Príncipe Submarino (The Sub-Mariner) e o primeiro Tocha Humana (The Human Torch). A nova revista foi um sucesso imediato, o que obrigou a Timely a lançar uma segunda edição da mesma. Em conjunto, ambas as edições venderam 900 mil exemplares. Estava assim descoberto o filão dos super-heróis que a arquirrival DC (e não só) já começara a explorar. 
O logótipo da Timely Comics, antecessora da Marvel.

       O primeiro editor da empresa foi o recentemente falecido Joe Simon que, em parceria com Jack Kirby, criou várias novas personagens que foram sucessos de vendas. Entre elas, destacou-se o Capitão América (Captain America) que se estreou em março de 1941.
       Paralelamente, a Timely publicava também títulos infantis e humorísticos como Powerhouse Pepper e Ziggy Pig and Silly Seal.
       Entretanto, Martin Goodman contratou um primo da sua esposa que adotou o pseudónimo Stan Lee e que revolucionaria para sempre o universo super-heroico.
        Após a II Guerra Mundial, os super-heróis entraram em declínio. Isso levou a uma reorientação da estratégia editorial da Timely que consistiu em alargar o leque de géneros publicados. Apostando forte na espionagem, nas estórias de guerra, no romance, etc, surgiu a Atlas News Company em 1951. Em vez de inovar, a Atlas preferiu investir em temas popularizados no cinema e na TV mas fracassou em ressuscitar o género super-heroico.
       No início da década de 1960, porém, tudo mudaria. Seguindo o exemplo da concorrente DC que relançara os super-heróis, logo em 1961 foi apresentado o Quarteto Fantástico (The Fantastic Four). Começava assim uma nova era, comandada, entre outros, pelo espírito criativo de Stan Lee, entretanto promovido a editor-chefe da recém-fundada Marvel Comics. Face ao êxito obtido pelo Quarteto, seguiram-se o Homem-aranha, os X-Men, o Hulk, os Vingadores e muitos outros.

Fantastic Four nº1 (1961).

       Nas suas fileiras, a Marvel Comics contava com lendas vivas como Jack Kirby, Steve Ditko ou John Romita. Estava encontrada a fórmula do sucesso e, em 1968, a empresa vendia 50 milhões de revistas por ano.
       Uma década depois, coube a Jim Shooter assumir o cargo de editor-chefe da Marvel. A despeito da sua personalidade controversa, Shooter pôs ordem na casa e curou alguns males de que a editora padecia, designadamente, o não cumprimento de prazos de entrega de material. Foi também durante o seu consulado (que durou 9 anos) que algumas das personagens emblemáticas da Marvel foram relançadas: os X-Men conheceram a sua época áurea com a dupla Chris Claremont/John Byrne e o Demolidor ganhou nova vida com Frank Miller.
       Em 1986, a Marvel Entertainment Group foi vendida à New World Entertainment que, três anos volvidos, a venderia à MacAndrews and Forbes, detida por um executivo da Revlon. A empresa prosperou ao longo da década de 1990, em resultado de um novo boom das estórias com super-heróis. Ainda assim, em 1996, a Marvel encontrava-se à beira da bancarrota. Seria salva no ano seguinte graças à intervenção da Toy Biz e da MEG. Surgia assim a Marvel Enterprises.
       Com o novo milénio, a Marvel voltou a diversificar a sua oferta e, logo em 2001, retirou-se da Comics Code Autohority (entidade que classifica o conteúdo das publicações e que, não raras vezes, as censura) e criou o seu próprio sistema de classificação.  Algumas das suas personagens tiveram direito a  lucrativas adaptações cinematográficas como a franquia X-Men iniciada em 2000.
       31 de agosto de 2009 é uma data marcante na história da Marvel pois foi nesse dia que a empresa foi adquirida pela The Walt Disney Company por uns módicos 4 biliões de dólares.
       Além das histórias aos quadradinhos, a chancela da Marvel pode ser encontrada numa panóplia de produtos que vão de videojogos a brinquedos e até mesmo parques temáticos como o Universal Orlando Resort´s Islands of Adventure na Florida.
       No Brasil, o universo Marvel foi publicado por diferentes editoras a partir de 1940: RGE, Abril Jovem, Bloch,etc. Atualmente, é a Panini Comics que detém os direitos de publicação no mercado lusófono que inclui o nosso país, onde, ao longo dos anos, se assistiram a várias tentativas falhadas de publicação por parte de editoras como a Agência Portuguesa de Revistas, a Palirex e a Abril/Controljornal. Contudo, exceção feita à Devir (a última a aventurar-se), todas se caracterizaram por um confrangedor amadorismo e por um gritante desrespeito pelos leitores e colecionadores. Entre outras ignomínias, alteraram as respetivas numerações e cancelaram vários títulos sem apelo nem agravo, desfigurando algumas das minhas coleções.
       
A estreia do Homem-aranha em Amazing Fantasy nº15 (1962).
   

2 comentários:

  1. Para variar estava à nora nesta matéria. Normalmente só nos interessamos pela historia, pela personagem, as editoras ficam à margem.
    Estamos sempre a aprender

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  2. Eu próprio tenho ampliado a minha cultura super-heroica desde que principiei este blogue. Obrigado por continuares a ser uma fiel seguidora do mesmo.

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