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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ETERNOS: WILLIAM MOULTON MARSTON (1893-1947)



      Psicólogo, inventor, escritor, feminista. A personalidade de William Moulton Marston tinha tanto de multifacetada como de excêntrica. Como legado, deixou duas invenções mundialmente famosas: o polígrafo (vulgarmente conhecido como "detetor de mentiras") e a mais icónica das super-heroínas: a Mulher-Maravilha.
      Também conhecido pelo pseudónimo Charles Moulton,  William Marston nasceu a 9 de maio de 1893 em Saugus, no estado norte-americano do Massachusetts. Estudou na prestigiada universidade de Harvard onde se doutorou em Psicologia no ano de 1921. Após lecionar nas universidades de Washington D.C. e de Tufts, mudou-se para a Califórnia em 1929 para trabalhar como diretor dos Serviços Públicos dos estúdios da Universal.
      É-lhe atribuída a invenção do teste de pressão sanguínea sistólica, usado para detetar mentiras e que se tornaria um componente fundamental no desenvolvimento do polígrafo. Embora não surja referenciada como colaboradora no estudo, julga-se que a sua esposa, Elizabeth Holloway Marston, foi quem sugeriu que iniciasse uma pesquisa nesse sentido. Especula-se igualmente quanto à existência de uma correlação entre a invenção do polígrafo por parte de William Marston e o laço mágico usado pela Mulher-Maravilha que obriga quem nele for envolvido a dizer a verdade. Confirmada é, porém, a influência da esposa e de outra mulher com quem o casal mantinha uma relação polígama, Olive Byrne, na criação do conceito original da Mulher-Maravilha.

Originalmente, a Mulher-Maravilha usava saia.

     Feminista militante, William Marston acreditava também no enorme potencial pedagógico da banda desenhada. Na sequência de uma entrevista onde defendeu essa tese, chamou a atenção de um dos editores da National Periodicals e da All-American Publications (duas das companhias que se fundiriam para dar origem à atual Detective Comics) que o contratou para consultor educacional.
      No início dos anos 1940. o panorama editorial dos comics era dominado por super-heróis masculinos como o Lanterna Verde, o Batman e, claro, o mais popular de todos: o Super-Homem. Terá por isso partido da esposa do doutor Marston a ideia de criar uma heroína superpoderosa capaz de ombrear com os seus congéneres masculinos. Já famoso pela invenção do polígrafo, Marston usou a própria esposa -que considerava um raro exemplo da mulher emancipada -  como modelo para a criação da Mulher-Maravilha (Wonder Woman).
William Marston (à esq.) com editores da National Periodicals.

       Marston pretendia criar um novo arquétipo feminino que deitasse por terra a imagem sexista de uma mulher submissa e dominada pelas emoções. Batizando originalmente a nova personagem de Suprema, Marston conjugou a força e o poder do Super-homem com a beleza e a ternura femininas. Para tal, inspirou-se na aparência da sua parceira amorosa Olive Byrne.
       Aprovada a ideia, o editor Sheldon Mayer rebatizou a nova super-heroína de Mulher-Maravilha antes da sua estreia na série All Star Comics nº8 (dezembro de 1941). As histórias eram inicialmente escritas pelo próprio Marston e ilustradas por Harry Peter, um artista com vasta experiência em desenhar tiras para jornais. Com efeito, ao longo da sua vida, Marston escreveu diversos artigos e livros sobre Psicologia mas os seus últimos seis anos de vida foram dedicados à produção de histórias aos quadradinhos. Além da Mulher-Maravilha, Marston criou várias outras personagens, quase todas femininas: Artémis, Giganta, Máscara, etc.
       As aventuras da Mulher-Maravilha escritas por Marston, não raro, versavam sobre temas associados ao bondage. Eram pois frequentes as situações em que as personagens surgiam amarradas e subjugadas. Esses elementos fetichistas foram posteriormente amenizados pelos argumentistas que lhe sucederam. A este propósito, Marston diria um dia: "Deem aos homens uma mulher deslumbrante e mais forte do que eles e ele terão todo o prazer em serem seus escravos".
         William Moulton Marston faleceria de cancro a 9 de maio de 1947, em Rye (Nova Iorque), exatamente uma semana antes de completar 54 anos. Depois da sua morte, Elizabeth e Olive continuaram a viver juntas. Em 1985, Marston seria distinguido postumamente pela DC como um dos 50 grandes criadores da editora.
Passado e presente da Mulher-Maravilha.


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