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terça-feira, 3 de abril de 2012

DO FUNDO DO BAÚ



      E um belo dia aconteceu. O maior herói da DC frente a frente com o maior herói da Marvel. Super-homem e Homem-aranha juntos na mesma história. A batalha do século! Um épico dos tempos modernos! O sonho de qualquer fã tornado realidade.
      Estávamos em 1986. Eu tinha apenas nove anos de idade. Não era sequer um colecionador de BD. Tão só um leitor esporádico que vibrava com as aventuras de super-heróis. Mas lembro-me como se fosse hoje. Era uma manhã soalheira de domingo. Tinha, como habitualmente, acompanhado o meu pai na sua visita diária ao quiosque para comprar o jornal. Nem queria acreditar no que os meus olhos viam. A capa daquela edição histórica refulgia sob o sol invernal. Seria uma miragem? Estaria a sonhar? Só tive a certeza que não estava quando tomei nas minhas mãos aquela pequena preciosidade.
      Chegado a casa, corri para o sótão. Não queria ser perturbado. Aninhei-me a um canto e devorei sofregamente cada uma das cem páginas que compunham o primeiro encontro entre o Homem de Aço e o Escalador de Paredes. Senti-me nas nuvens. Nessa mesma noite, voltei a ler a história com igual prazer. Sem imaginar que se tratava, afinal, de uma reedição em formatinho lançada pela Abril Jovem. Dez anos depois de a EBAL a ter publicado no Brasil num álbum raro em formato gigante. O mesmo que ainda não consegui adicionar ao meu acervo. Ainda assim,  "Super-homem contra Homem-Aranha nº1" ( em 1989 seria lançada uma sequela, novamente pela Abril) é uma das coqueluches da minha coleção. E hoje compartilho-a convosco.


Título: Super-homem contra Homem-aranha nº1
Data: Janeiro de 1986
Licenciadora: DC/Marvel
Editora: Abril Jovem
Argumento: Gerry Conway
Arte: Ross Andru, Neal Adams e John Romita
Número de páginas: 100
Formato: 13,5 cm x 19cm, colorido com lombada quadrada
Publicada originalmente em: Superman versus The Amazing Spider-Man (1976)
Sinopse: Enquanto em Metrópolis, Lex Luthor usa um robô gigante para destruir a cidade, em Nova Iorque, o Doutor Octopus tenta assaltar o Museu Metropolitano. Ambos acabam, porém, sendo detidos pelo Super-homem e pelo Homem-aranha, respetivamente. Um acaso do destino leva a que os dois génios do crime se cruzem na prisão e unam esforços para escapar. Sedentos de vingança, roubam um raio desintegrador do quartel-general da Liga da Justiça. A arma, com um elevado potencial destrutivo, é usada para chantagear os governos mundiais. A menos que recebam dez biliões de dólares, Luthor e o seu aliado destruirão a Terra.
               Entretanto,  o repórter Clark Kent e o fotojornalista Peter Parker (acompanhados das suas respetivas caras-metades Lois Lane e Mary Jane Watson) fazem a cobertura de um evento da NASA. Disfarçado de Super-Homem, Luthor rapta as donzelas. Clark e Peter apressam-se a trocar de roupa e encontram-se (já como os seus alter egos heroicos) nos céus de Nova Iorque.  Enquanto ambos discutem, Luthor irradia o Homem-aranha com radiação de sol vermelho (que anula os poderes do Homem de Aço). De cabeça perdida, o aranhiço esmurra violentamente o kriptoniano que, apanhado desprevenido, quase fica KO. A radiação, porém, dissipa-se e o Super-homem, descontrolado, resolve revidar. Apercebendo-se de que o seu golpe seria fatal para o seu adversário, o Homem de Aço sustém-no a tempo. Ainda assim, a mera deslocação de ar provocada pelo golpe do Último Filho de Krypton bastou para projetar o Homem-aranha à distância. Por fim, ambos acabam por perceber que estavam a ser manipulados e unem forças contra os seus verdadeiros inimigos.

               Segue-se uma intensa busca por Lois Lane e Mary Jane que os conduz ao Monte Kilimajaro no Quénia. Lá, enfrentam um guerreiro Masai energizado por Luthor. É necessária a combinação de esforços da dupla maravilha para derrotar a criatura. Findo o combate, Super-homem e Homem-aranha partem no encalço de Luthor e Octopus, refugiados num satélite em órbita da Terra. É lá também que estão as namoradas do heróis.
               Derrotados os vilões e resgatadas as donzelas, cabe ao Homem de Aço impedir que um vagalhão de 300 quilómetros, causado pela ação do raio desintegrador, varra a costa atlântica dos EUA.
               A história termina com um encontro conjunto dos dois casais.

Curiosidades: No início da década 1970, foi sugerida aos editores da Marvel e da DC (Stan Lee e Carmine Infantino, respetivamente) a produção de um filme que mostrasse um encontro entre o Super-homem e o Homem-aranha. O projeto, contudo, nunca saiu da gaveta por se encontrarem em pré-produção um filme do Homem de Aço e uma série televisiva do aranhiço.
                      A ideia seria retomada em 1975, após as duas editoras terem colaborado na adaptação de "O Feiticeiro de Oz" aos quadradinhos. Ficou então acordado que o primeiro encontro entre os dois heróis teria lugar numa edição especial produzida por Gerry Conway (argumento) e Ross Andru (arte). Ambos já haviam trabalhado com as personagens e conheciam bem os seus universos. Os ilustradores Neal Adams e John Romita Sr. também colaboraram no projeto sem, todavia, serem creditados. A edição foi um sucesso retumbante, o que possibilitou um segundo encontro entre o Homem de Aço e o Escalador de Paredes, assim como vários outros crossovers Marvel/DC.
                    

4 comentários:

  1. Interessante o crossovers Marvel/DC e logo com o Spider-Man e o Superman.
    Tenho que ler.
    Excelente post.

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  2. Gosto mais do 2 muito mais bem feito e com melhor história,esse li muitos anos depois de devorar a sequela.

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    Respostas
    1. Pessoalmente, prefiro o primeiro ao segundo encontro entre o Super-homem e o Homem-aranha. Nesse segundo round do combate do século, os heróis voltam a unir-se para, desta feita, enfrentar o Parasita e o Doutor Destino. A história conta ainda com as participações especiais da Mulher-Maravilha e do Hulk. Na minha opinião, porém, está muitos furos abaixo da original. Prometo, ainda assim, escrever sobre ela brevemente. ;)

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  3. Eu tive essa revista no formato grande. Quando vi nas bancas, lá em meados da década de setenta, não quis mais nada. Meu irmão idem! Meu pai até quis convencê-lo a escolher outra para não repetir o preço salgado, mas não teve jeito! Ele esperneou e só queria da mesma. Resultado: esse dia ficou conhecido como "pelou papai", porque ele ficou sem um tostão após sairmos da banca. Velhos tempos, belos dias...
    Antes que Dunamis pergunte: infelizmente não as temos mais. :(

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