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segunda-feira, 23 de abril de 2012

ETERNOS: GARDNER FOX (1911-1986)


       Com umas impressionantes quatro mil histórias no currículo, Gardner Fox foi, sem dúvida, um dos mais profícuos e versáteis escritores de banda desenhada de sempre. Ao serviço da DC por mais de três décadas, criou uma miríade de personagens para a editora. O primeiro Flash, Gavião Negro, Batgirl e a Sociedade da Justiça da América foram apenas algumas delas. Permanece, ainda assim, um ilustre desconhecido para as atuais gerações de leitores.
       Gardner Francis Cooper Fox, nasceu no Brooklyn (Nova Iorque) no dia 20 de maio de 1911, no seio de um família católica. Desde tenra idade se interessou por temas ligados ao fantástico, sendo um leitor compulsivo de literatura de ficção científica. Duas histórias em particular o marcaram, franqueando-lhe a porta para um novo mundo que, até aí, desconhecia: The Gods of MarsThe Warlord of Mars. Ambas da autoria de Edgar Rice Burroughs ("pai" de Tarzan) cuja obra muito influenciou Fox.
        Licenciado em Direito pelo St. John´s College, Gardner Fox começou a exercer advocacia em 1935. Dois anos volvidos, em plena Grande Depressão, desistiu da sua incipiente carreira de causídico para ingressar na Detective Comics (DC) pela mão do então editor-chefe Vin Sullivan. A sua estreia como argumentista deu-se nas páginas de Detective Comics, embora tenha colaborado esporadicamente em quase todos os restantes títulos da editora.
Sandman, uma das primeiras criações de Gardner Fox.
          Dotado de uma cultura geral acima da média, Gardner Fox (para quem a aquisição de conhecimento, era, nas suas próprias palavras, uma espécie de hobby), matizou as suas histórias com referências históricas, mitológicas e científicas. Numa carta enviada a um fã em 1971, revelou possuir dois gabinetes e um sótão atulhados de livros, revistas e todo o tipo de material relacionado com ciência, natureza e factos invulgares que amiúde consultava para escrever as histórias aos quadradinhos e não só pois, ao longo da sua carreira, Gardner Fox produziu igualmente dezenas de contos e romances sob outros tantos pseudónimos, tanto masculinos como femininos. Entre 1944 e 1982, escreveu pelo menos um romance por ano (1950, 1951 e 1971 foram as exeções). A média anual era, todavia de três. E só em 1974 publicou doze (!) romances.
          Durante a II Guerra Mundial, Gardner Fox assumiu várias personagens e histórias de colegas mobilizados para o conflito, tendo inclusivamente trabalhado para a Timely Comics, precursora da Marvel. Com a perda de popularidade dos super-heróis no período pós-guerra, Gardner aventurou-se noutros géneros, designadamente, western, humor e ficção científica.
          Antes, porém, em 1939, fora cocriador de Sandman, um combatente do crime que usava chapéu e uma máscara antigás. Nesse mesmo ano, em julho (apenas dois meses após a estreia de Batman), começou a colaborar, em conjunto com Bob Kane e Bill Finger, nas estórias do Homem-Morcego. Foi dele a ideia de Batman usar o seu lendário cinto de utilidades onde pontuavam, entre outros utensílios, o batarangue e as cápsulas de gás.
          No ano seguinte, Gardner Fox escreveu três das primeiras seis aventuras de Jay Garrick, o Flash da Idade do Ouro. Ainda em 1940, criou a primeira versão do herói alado conhecido entre nós como Gavião Negro (Hawkman).
O Gavião Negro da Idade do Ouro.
           Muitas vezes escrevendo mais de seis estórias em cinco títulos mensais da DC, Gardner Fox conseguia, ainda assim, criar novas personagens. Foi o caso do Senhor Destino (Doctor Fate) e da Sociedade da Justiça da América (Justice Society of America).
           Pese embora tenha construído a maior parte da sua carreira ao serviço da DC, Gardner Fox trabalhou igualmente para outras editoras. Durante aproximadamente três anos (1947-1950), produziu diverso material para a EC Comics, especialmente contos de terror.  No final da década de 1940 e início dos anos 1950, Gardner Fox colaborou com a Magazine Enterprises e a Avon Comics (sem qualquer relação com a famosa marca de cosméticos norte-americana).
          Regressaria nos primeiros anos da década de 1950 à DC onde viveria a chamada Idade da Prata. Este período, marcado pela reformulação de várias personagens clássicas da editora, principiou com o surgimento do Código de Autoridade dos Comics (Comics Code Authority), uma espécie de código de conduta que deveria nortear doravante as histórias aos quadradinhos e que muitos profissionais da área classificaram de censura. Na origem desta situação esteve o subcomité do Senado para a delinquência juvenil que, nas suas audições, alertou para os perigos da banda desenhada. Para que o negócio pudesse sobreviver, não restou portanto outra alternativa senão a reinvenção de muitos dos super-heróis da Idade do Ouro. Sob a batuta criativa de Gardner Fox e do editor-chefe da DC à época, Julius Scharwtz, personagens como o Lanterna Verde, Flash e Gavião Negro ganharam novos visuais e novas identidades.
            A década de 1960 foi especialmente profícua para Gardner Fox e para a DC: logo em 1960 criou a Liga da Justiça; no ano seguinte introduziu o conceito do multiverso (composto por realidades paralelas onde coexistiam diferentes versões de algumas de principais personagens da editora); e em 1964 retomou as histórias de Batman onde reintroduziu os vilões Charada e Espantalho, além de criar a Batgirl (1967).

Em 1967, a Batgirl juntou-se ao Duo Dinâmico no combate ao crime.
           Fox abandonou a DC em 1968, em resultado da recusa desta em conceder seguro de saúde e outros benefícios aos seus colaboradores mais antigos. Chegava assim ao fim uma longa e produtiva parceria entre o escritor e a editora. Durante os anos seguintes, Gardner Fox dedicou-se em exclusivo à literatura. No início da década de 1970 foi convido pela Marvel a escrever alguns argumentos para o Doutor Estranho e Drácula. Em 1985, ano anterior ao da sua morte, Fox teve uma fugaz passagem pela Eclipse Comics que praticamente se resumiu à produção de uma antologia de ficção científica intitulada Alien Encounters.
            Membro de várias agremiações literárias como a Authors Guild e a Science Fiction Writers of America, foi distinguido com vários prémios, alguns a título póstumo. Foi o caso do Harvey Award e da sua entrada no Jack Kirby Hall of Fame em 1998.
           Na véspera de Natal de 1986, aos 75 anos de idade, Gardner Fox faleceu devido a causas naturais. Como parte do seu legado, deixou à Universidade do Oregon um precioso espólio composto por livros, guiões e cartas de fãs.
A SJA reunia vários heróis da Idade do Ouro.
            

1 comentário:

  1. Gardner Fox era uma máquina de fazer histórias.
    Sem dúvida um excelente post, parabéns.

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