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sexta-feira, 1 de junho de 2012

ETERNOS: JERRY SIEGEL & JOE SHUSTER




        Amigos de longa data, Jerry Siegel e Joe Shuster imortalizaram os seus nomes na história da banda desenhada e da cultura popular ao criarem o Super-homem. Tiveram, porém, de batalhar muito para que lhes fosse reconhecida a "paternidade" do Homem de Aço. O tempo e os leitores encarregaram-se de fazer justiça a esta dupla maravilha que deu ao mundo o seu maior herói.
       Como as vidas de Siegel e Shuster estão tão entrelaçadas, optei por apresentar as biografias de ambos num só texto.
       Joe Shuster nasceu a 10 de julho de 1914 na cidade canadiana de Toronto. Quatro meses antes do nascimento de Jerry Siegel em Cleveland (Ohio) a 17 de outubro do mesmo ano.
       Jerry cresceu a ler histórias de ficção científica e desde muito cedo manifestou o seu desejo de, no futuro, se tornar um escritor do género. Anos mais tarde, remeteria algumas estórias da sua autoria às revistas Amazing Stories e Science Wonder Stories. O material foi rejeitado mas Jerry não desistiu do seu sonho. Em 1929, lançou o seu próprio fanzine, Cosmic Stories, no qual publicou as suas histórias. Cosmic Stories é atualmente considerado o primeiro fanzine  de ficção científica.
        A família de Joe Shuster mudou-se para Cleveland quando ele tinha nove anos. Quis o destino que, em 1931, travasse conhecimento e amizade com Jerry Siegel. Frequentavam o mesmo liceu e partilhavam da mesma paixão pelas aventuras de ficção científica. Entre as suas personagens prediletas estavam, entre outras, Tarzan, Flash Gordon, John Carter e o Agente X-9. Eram também cinéfilos compulsivos.
        Pouco depois de se terem conhecido, Jerry e Joe começaram a trabalhar em conjunto. Dessa parceria resultaria outro fanzine de ficção científica chamado simplesmente Science Fiction. A arte ficou a cargo de Joe e os textos eram escritos por Jerry. Outra futura celebridade colaborou também no projeto dos dois amigos. Nada mais nada menos do que Forrest J. Ackerman, o criador de Vampirella.
         Na terceira edição do fanzine, Siegel (sob o pseudónimo Herbert S. Fine) escreveu uma estória intitulada "The Reign of the Superman" que apresentava um vilão com poderes telepáticos cujo nome, anos mais tarde, se tornaria uma lenda.

Originalmente, o Super-homem era um vilão com poderes mentais.

          Depois de ler um livro intitulado "Gladiator", de Philip Wylie, e que tinha como protagonista um homem com força sobre-humana e em cujo peito as balas ricocheteavam, começou a germinar uma ideia na mente de Jerry. Em conjunto com Doc Savage, Hércules e Sansão, esta foi uma das principais influências na criação do Homem de Aço.
          Jerry e Joe tentaram vender a sua nova personagem em 1933. Para esse efeito, produziram histórias aos quadradinhos em vários formatos.  O material despertou o interesse de um editor de Chicago mas o negócio acabaria por não se concretizar. Isso deixou Joe Shuster destroçado e levou-o a queimar todas os esboços e pranchas do Super-homem. Desse material original restou apenas a capa, guardada por Jerry Siegel.  Durante esse período difícil, Joe teve de trabalhar em part-time como moço de recados numa mercearia e como vendedor ambulante de gelados.
           Durante uma noite de insónia no verão de 1934, Jerry não conseguia parar de pensar em como aperfeiçoar o Super-homem. Rabiscou algumas ideias em folhas de papel e, mal o dia raiou, correu até casa de Joe para lhe apresentar a nova versão do Homem de Aço.  Embora tivesse jurado não voltar a desenhar a personagem, Joe foi contagiado pelo entusiasmo do amigo e ambos começaram de imediato a trabalhar no visual do herói.
            Nesta versão revista, o Super-homem seria um extraterrestre, oriundo de um planeta moribundo e enviado numa nave espacial para a Terra. Chegado ao nosso mundo, seria encontrado por um automobilista que o entregaria a um orfanato. Com uma estrutura física muito superior à dos humanos, o bebé teria superforça e, uma vez adulto, tornar-se-ia o Super-homem. Uma origem que seria reformulada ao longo dos anos.
            O Super-homem teria também uma identidade secreta: Clark Kent. Jerry confessou ter-se projetado no alter ego do Homem de Aço pois, tal como este, também ele era tímido e introvertido, além de também usar óculos. Joe também se identificou com estes traços de personalidade da personagem. A fim de trazer algum romance à narrativa, Jerry decidiu introduzir uma bela e intrépida repórter de sua graça Lois Lane. Ela apaixonar-se-ia pelo Super-homem mas ignoraria Clark Kent.
            Enquanto Joe desenhava o uniforme do Super-homem, Jerry sugeriu que fosse acrescentada um capa de modo a criar um efeito visual mais dinâmico quando o herói corresse, pulasse ou lutasse contra os seu adversários. Também foi sua a ideia de colocar um "S" dentro de um triângulo no peito do Homem de Aço.
             Finalizado o trabalho criativo, os dois amigos tentaram novamene vender a sua personagem. E uma vez mais receberam sucessivas rejeições. Mas eles não estavam preocupados. Tinham-se tornado profissionais da banda desenhada, produzindo várias tiras para a editora de Major Malcolm Wheeler Nicholson (o futuro fundador da Detective Comics). Este estava interessado em publicar o Super-homem mas Jerry e Joe declinaram a proposta por considerarem que a sua criação merecia uma licenciadora mais prestigiada.
              Nos anos que antecederam a estreia do Super-homem nas páginas de Action Comics nº1, Jerry e Joe trabalharam em conjunto em diversos títulos dos mais variados géneros. Em 1935 criaram o Doutor Oculto, uma mágico com um Bastão de Gravidade que lhe permitia proezas espetaculares.
               Foi preciso esperar mais três anos até, por fim, lhes ser concedida a oportunidade de publicarem a sua obra-prima tantas vezes menosprezada pelas editoras. Uma delas, a Detective Comics, planeava lançar uma nova linha de títulos económicos. Não dispondo, todavia, de material suficiente, Max Gaines, editor-chefe à época, resolveu arriscar a publicação de uma história de treze páginas do Super-homem no número inaugural da série Action Comics. Pelo seu trabalho e pelos direitos da personagem, Jerry e Joe receberam 130 dólares (10 dólares por página). Devido à falta de espaço na revista, o início da história foi cortado. A versão integral só seria publicada um ano depois.
Action Comics nº1 (junho de 1938).

               Desconhecendo o filão que tinha em mãos, a DC removeu o Super-homem das capas de Action Comics, apesar de as suas histórias continuarem a ser publicadas nela. Com efeito, só a partir do nº19 é que o Homem de Aço voltou a aparecer regularmente na capa da revista. Num abrir e fechar de olhos, as vendas de Action Comics duplicaram (de 250 mil exemplares para 500 mil). No entanto, Jerry Siegel e Joe Shuster recebiam apenas 500 dólares por cada edição produzida.
                À medida que o Super-homem se tornava mais e mais popular (chegando a estrelar três títulos diferentes) e a DC lucrava milhões de dólares com a personagem, os seus criadores reclamavam um quinhão maior. Sucede que, no âmbito de uma prática muito comum à época, eles haviam vendido os seus direitos autorais à editora. O que não os impediu de a processarem. Mais: após cumprirem serviço militar, Jerry e Joe foram surpreendidos com a publicação de Superboy em More Fun Comics sem, todavia, terem direito a qualquer compensação.
                No desfecho de uma longa disputa judical em que Jerry e Joe gastaram todas as suas poupanças, foram-lhe atribuídos em 1948 200 mil dólares referentes aos royalties de Superboy. Em contrapartida, os dois amigos tiveram de desistir definitivamente de reclamar quaisquer direitos de propriedade do Super-homem ou de qualquer outra personagem relacionada. Os seus nomes figurariam nos filmes, séries de animação e de TV mas não nas bandas desenhadas. Uma vitória pírrica já que, no seguimento deste processo, ambos perderam os seus empregos.
                 Jerry continuou a escrever histórias para outras editoras mas Joe desistiu da sua carreira como ilustrador.
                  Em 1958 Jerry Siegel, cuja família passara sérias dificuldades financeiras, foi readmitido pela DC, depois da sua esposa ter ameaçado o então editor-chefe Jack Liebowitz de denunciar na imprensa a penúria em que o marido e ela viviam. A condição para o regresso de Jerry à editora foi a de este não receber quaisquer créditos pelo trabalho produzido. Quando, em 1964, Jerry exigiu ser tratado condignamente foi imediatamente despedido.
                 Numa última e desesperada tentativa para que lhe fosse feita justiça,, os "pais" do Último Filho de Krypton regressaram aos tribunais em 1975 a fim de lhe serem reconhecidos os créditos pela criação da personagem. Graças ao apoio do novo editor-chefe da DC, Carmine Infantino, e de outros nomes sonantes da indústria dos comics, a DC concordou pagar-lhes uma pensão anual vitalícia de 35 mil dólares e reconheceu os créditos criativos da dupla sobre o Super-homem. Apesar de legalmente não ser obrigada a fazê-lo, A DC dispendeu apenas uma pequena soma quando comparada com os milhões de dólares arrecadados com os filmes, séries e merchandise do Homem de Aço ao longo dos anos.
                 Joe Shuster acabaria por falecer em 1992, escassos dias antes do seu 78º aniversário.  Com a provecta idade de 82 anos, Jerry Siegel morreu em 1996 em Los Angeles. Hoje em dia, a DC reconhece-lhes a "paternidade" do Super-homem e os seus nomes surgem nas histórias da personagens. Através da sua criação, estes dois homens extraordinários perduram no tempo e escapam ao oblívio.
Jerry Siegel e Joe Shuster, dois Eternos a quem muito devem todos os fãs de super-heróis.


2 comentários:

  1. Respostas
    1. Felizmente fez-se justiça a estes dois génios que deram ao mundo o seu maior herói.

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