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segunda-feira, 18 de junho de 2012

ETERNOS: MIKE MIGNOLA (1960 - ...)

 

      Talentoso e versátil, ao criar o inigualável Hellboy, Mike Mignola conquistou o seu lugar no panteão dos Eternos aos quais os fãs de banda desenhada tanto devem. No entanto, nos primórdios da sua carreira, tinha um objetivo modesto: desenhar monstros.
      Nascido a 16 de setembro de 1960 (51 anos), em Berkeley, Califórnia, Michael Joseph Mignola, cedo desenvolveu uma estranha paixão por monstros, em particular pelos que figuravam nas bandas desenhadas que devorava com sofreguidão na sua infância e adolescência.  A história que mais o marcou, porém, foi "Drácula", esse clássico da literatura de terror da autoria de Bram Stroker. O qual, de resto, influenciaria fortemente as suas narrativas futuras. Depois disso, as suas escolhas literárias recaíram sobre as histórias de fantasmas e contos sobrenaturais, assim como sobre  mitos transmitidos ao longo de gerações em várias culturas do globo.
       Desde criança que Mignola acalentava o desejo de vir um dia a trabalhar na indústria dos comics. Planeava, para esse efeito, mudar-se para Nova Iorque logo que atingisse a maioridade. E, conforme explicou numa entrevista concedida anos depois, já quando o sonho se tornara realidade: "Se ia viver para a Grande Maçã, porque haveria de me dar ao trabalho de tirar a carta de condução?Há lá muitos táxis para te levarem aonde precisas ir."
        O seu objetivo de vida (desenhar monstros) parecia modesto mas Mike perseguiu-o com ardor e tenacidade.  Depois de se formar no California College of Arts and Crafts em 1982, rumou a Nova Iorque. Possuía já alguns contactos na indústria dos comics decorrentes de um pequeno trabalho realizado para a Marvel Comics. As suas primeiras tentativas de arranjar emprego foram relativamente bem sucedidas mas, ao cabo de seis meses, retornou à Califórnia, alimentando a esperança de conseguir um trabalho à distância como freelancer. Tal não se concretizou e Mike rumou novamente à Costa Leste. A sua persistência deu, finalmente, frutos e ele começou a trabalhar regularmente como ilustrador.
A arte de Mignola na minissérie Odisseia Cósmica da DC.
        No ano seguinte, Mike realizou o seu primeiro trabalho como desenhador numa minissérie em quatro volumes intitulada Rocket Racoon, lançada pela Marvel. Seguiram-se várias outras personagens da editora, entre as quais o Incrível Hulk.  Em 1988, Mignola trocou a Marvel pela arquirrival DC.  À época, depois do retumabante sucesso de Watchmen e de The Dark Knight Returns, a DC resolvera investir fortemente em séries e graphic novels vocacionadas para um público adulto. A atmosfera soturna e amiúde violenta dessas produções atraiu Mignola e não demorou muito a que este estabelecesse a sua reputação de artista notável com um estilo excitante. Entre outros trabalhos, Mike desenhou a minissérie Cosmic Odissey (Odisseia Cósmica, publicada no Brasil pela Abril Jovem em 1990) e produziu as capas para a série Batman: A Death in the Family. Um dos seus projetos na DC consistia em escrever uma história onde o Cavaleiro das Trevas enfrentava um vilão fantasmagórico.
Aquando da sua passagem pela DC, Mignola desenhou Batman.

          Até 1993, Mignola  limitara-se a ilustrar o trabalho de outros. Isso mudaria quando nesse mesmo ano foi convidado pela Dark Horse Comics (uma editora conhecida por publicar bandas desenhadas baseadas em filmes de sucesso), a participar num desses projetos. Iniciou-se assim uma parceria duradoura entre Mignola e a Dark Horse, da qual resultaria o nascimento de Hellboy.
          Há muito que Mignola desejava desenvolver uma nova personagem. "A ideia era criar um tipo de monstro com bom coração que trabalhasse como investigador do paranormal", declarou o "pai" de Hellboy quando entrevistado anos atrás. Desse projeto nasceu um demónio musculado, de pele vermelha , cornos e cauda, norteado por um enorme sentido de justiça, decorrente da educação recebida da sua família adotiva. Para criar Hellboy, Mike misturou habilmente elementos retirados das obras de mestres do terror como Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft.
           Nos anos subsequentes, Mike escreveu e ilustrou numerosas edições de Hellboy, revelando gradualmente detalhes sobre o passado da personagem. Este e outros trabalhos valeram-lhe alguns do mais prestigiantes prémios dos quadradinhos, como os  Eisner Awards e  os Harvey Awards.
           Quando, em 2004, a adaptação cinematográfica de Hellboy se tornou realidade, Mike Mignola nem queria acreditar, tantos foram os projetos anteriormente recusados pelos estúdios de Hollywood.  Mike encontrou no realizador Guillermo del Toro um parceiro criativo perfeito visto que ambos comungavam das mesmas ideias para transportar herói demoníaco ao grande ecrã. A este propósito, Mike confidenciou um dia: "Guillermo del Toro deve ser o único tipo que gosta mais do Hellboy do que eu."
           Apesar do filme ter catapultado Hellboy e o seu criador para a ribalta, este manteve-se humilde: "A grande diferença é que agora vivo num mundo em que as pessoas conhecem realmente o Hellboy", declarou dias após a estreia da película nos cinemas norte-americanos.
Hellboy é a obra-prima de Mignola.

     

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