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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

ETERNOS: JOE KUBERT (1926-2012)




  
       Com a provecta idade de 85 anos, Joe Kubert, um dos decanos dos quadradinhos, faleceu no pretérito dia 12 de agosto. Além de uma vasta obra produzida ao longo de mais de seis décadas, deixa como legado a sua escola para ilustradores e dois filhos, também eles talentosos desenhistas.
       Presto-lhe aqui a minha humilde homenagem com esta breve resenha biográfica daquele que foi um dos mestres da 9ª arte, que assim fica mais pobre com a sua perda.
        Joe Kubert nasceu a 18 de setembro de 1926 no seio de uma família judia radicada no sudeste da Polónia. Quando tinha apenas dois meses, os seus pais emigraram para os Estados Unidos, levando consigo o pequeno Joe e a sua irmã mais velha Ida.
        Criado na zona leste da cidade de Nova Iorque, Joe Kubert desde cedo começou a desenhar, encorajado pelos seus pais.
        Na introdução à sua graphic novel Yossel, escreveu: "Recebi o meu primeiro ordenado como desenhador quando tinha cerca de doze anos. Cinco dólares por página. Em 1938, era muito dinheiro." De acordo com outras fontes, nesse mesmo ano um seu colega de escola, próximo de um dos mandachuvas dos Estúdios MLJ (futuramente conhecidos como Archie Comics), incentivou-o a visitar a companhia. Joe anuiu e começou a trabalhar, não oficialmente,  como aprendiz. Ao longo dos anos, porém, Joe Kubert relatou diferentes versões dos primórdios da sua carreira. Embora refira o ano de 1938 como o ponto de partida da sua entrada na indústria dos comics, a verdade é que só no ano seguinte os Estúdios MLJ começaram a produzir material. Joe teria então treze anos.
        Anos depois, Joe Kubert ingressou na High School of Music and Arts, localizada em Manhattan. Durante esse período ele e o seu colega (e futuro colaborador) Norman Maurer faltavam por vezes às aulas para se encontrarem com editores. Entretanto, Kubert aprimorava o seu traço graças ao trabalho que desenvolvia no Chester Studio, um dos muitos estúdios independentes que, à época, forneciam material às editoras de quadradinhos.
Tor foi uma mais bem-sucedidas criações de Joe Kubert.
        Em 1942, Kubert viu publicado nas páginas de Catman Comics nº8 (da editora Holyoke Publishing) o seu primeiro trabalho profissional. Tratava-se de uma história de seis páginas protagonizada por Volton, que Joe desenhou e coloriu. Não tardaria a executar serviço idêntico para a Fox Comics e para a Quality Comics. Seria, no entanto, ao serviço da Detective Comics (DC) que alcançaria maior notoriedade e produziria alguns dos seus trabalhos mais notáveis. A sua colaboração com esse colosso da indústria dos quadradinhos principiou em 1943 com Joe a ser contratado para ilustrar e colorir uma história de 50 páginas dos Sete Soldados da Vitória, publicada em Leading Comics nº8.
O Gavião Negro com a arte de Joe Kubert.

          No decurso da década de 1940, a arte de Kubert pôde ser vista em vários títulos da Fiction House, Avon e Harvey Comics. Não tardaria, contudo, a que começasse a trabalhar em exclusivo para a DC. Com efeito, a partir de 1945, iniciou-se uma longa ligação de Kubert com a personagem Gavião Negro (Hawkman).
          Na sua qualidade de editor da St. John Publications, nos anos de 1950, Kubert, em parceria com o seu ex-colega Norman Maurer e o irmão deste, começaram a produzir as primeiras bandas desenhadas em três dimensões. A primeira das quais data de setembro de 1953, tinha como personagem principal Mighty Mouse e  vendeu uns impressionantes 1,2 milhões de exemplares. Ainda durante a passagem de Kubert pela St. John Publications - e de novo em colaboração com Norman Maurer - criou a personagem Tor, um aventureiro pré-histórico sem qualquer relação com o seu quase homónimo da Marvel. A personagem debutou nas páginas de 3-D Comics, tendo logo de seguida migrado para um título próprio no tradicional 2D, totalmente da autoria de Kubert. Tor foi, com efeito, uma das criações mais bem-sucedidas e duradouras de Kubert. Até ao início da década de 1990, o herói pré-histórico surgiu em diversas séries lançadas por editoras como a Eclipse Comics, a Marvel Comics Epic e a DC.
           1955 marca o regresso de Kubert à DC, uma casa que tão bem conhecia. Entre outros, desenhou histórias do Gavião Negro e do Sargento Rock. Trabalhos que lhe trouxeram a consagração definitiva.
Durante muito tempo o Sargento Rock teve as suas aventuras ilustradas por Kubert.


           Entre 1967 e 1976 Kubert desempenhou as funções de diretor de publicações na DC. Período durante o qual apostou no lançamento de títulos baseados na obra de Edgar Rice Burroughs, nomeadamente Tarzan e Korak. Em simultâneo, Kubert supervisionava a produção do material de Sargento Rock e de Weird Worlds, sem nunca deixa de desenhar.
           Depois de se ter mudado com a família para Dover (Nova Jérsia), Kubert fundou em 1976 a Joe Kubert School of Cartoon and Graphic Art (coloquialmente conhecida como The Kubert School), uma escola técnica onde os candidatos a desenhadores podiam aprender, num curso de três anos, os princípios básicos da arte sequencial, bem como as particularidades da ilustração comercial e dos comics. Ao mesmo tempo que criava, em conjunto com a sua esposa, os cinco filhos do casal. Dois deles, Adam e Andy Kubert, seguiriam as pisadas do pai e são hoje dois conceituados desenhadores, muito requisitados quer pela Marvel que pela DC.

Kubert trouxe Tarzan de volta à ribalta.
            Joe Kubert voltaria a escrever e a desenhar em 1991 com a graphic novel Country Mouse, City Rat, lançada pela Malibu Comics. Também regressaria à Epic Comics dois anos depois com a produção de uma nova minissérie em 4 edições de Tor. Já neste século, produziria duas aclamadas graphic novels: Yossel: April 19, 1943 (2003) e Jew Gangster (2005), ambas para a Ibooks. Entre 2003 e 2006, colaborou em duas minisséries de outra das suas personagens favoritas, o Sargento Rock.
           Entre os seus últimos trabalhos, destaca-se a série limitada de seis edições Tor: A Prehistoric Odissey (2008) e uma história inédita do Sargento Rock, escrita em 2009 pelo seu filho Adam.
           Ao longo da sua carreira, Joe Kubert foi agraciado com vários prémios e nomeado para outros tantos. O primeiro foi o Alley Award para a Melhor Ilustração de Capa e remonta a 1962. O último foi-lhe atribuído em 2010. Trata-se de um prémio de carreira conferido pela National Cartoonists Society.
           Vítima de cancro, Joe Kubert faleceu a 12 de agosto último, um mês antes de completar o seu 86º aniversário. O homem partiu mas a obra perdurará no tempo. Assim nasceu uma lenda com lugar reservado no panteão dos deuses eternos da 9ª arte.

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