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quinta-feira, 22 de março de 2012

DO FUNDO DO BAÚ

   

      Um confronto épico entre os principais heróis e vilões do universo Marvel é o sonho de qualquer fã que se preze. E ele tornou-se realidade sob a forma de uma eletrizante minissérie em doze edições chamada Secret Wars. Depois dela, nada seria como dantes.

Título: Secret Wars/ Guerras Secretas (minissérie quinzenal em 12 edições)
Data: agosto de 1986 a janeiro de 1987
Licenciadora: Marvel Comics
Editora: Abril Jovem
Argumento: Jim Shooter
Arte: Mike Zeck, Bob Layton e Marcelo Campos (a fim de encaixar os eventos narrados na série na sua cronologia, a Abril procedeu a diversas alterações no enredo e na arte, cabendo estas últimas ao ilustrador brasileiro)
Número de páginas: 36 por edição
Formato: 13,5 x 19cm, colorido com lombada agrafada
Publicada originalmente em:  Marvel Super-Heroes Secret Wars nº1 a 12 (1984/85)
Sinopse:  Uma poderosa entidade cósmica chamada Beyonder observa o nosso planeta. Fascinada com a presença de superseres e determinada a testar o seu potencial, a criatura teletransporta um lote de super-heróis e outro de supervilões para um mundo, por si criado, numa galáxia longínqua. O objetivo é promover um confronto até à morte entre ambas as fações, a troco da promessa de realização de todos os seus sonhos e desejos.
                Do lado dos heróis, contavam-se os Vingadores (Capitão América, Gavião Arqueiro, Vespa, Thor, Homem de Ferro e Mulher-Hulk), o Quarteto Fantástico (exceto a Mulher Invisível), os X-Men (Ciclope, Colossus, Noturno, Wolverine, Professor X e Tempestade), Homem-Aranha, Hulk e a nova Mulher-Aranha. Também o vilão Magneto é colocado por Beyonder junto dos heróis mas logo se distancia por ser olhado com desconfiança por eles. Os X-Men, por seu turno, optam por agir como uma terceira via, de acordo com a sua própria agenda, provocando alguns equívocos e fricções.
Secret Wars nº2: onde param o Tocha Humana, Capitã Marvel e Vespa?


          De referir que a Abril omitiu as personagens Vampira e Capitã Marvel (até então desconhecidas dos leitores brasileiros) e alterou os uniformes dos X-Men Tempestade e Wolverine que, na cronologia da editora. não haviam ainda adotado esses novos visuais.
         O motivo da pressa? A fabricante brasileira de brinquedos Gulliver queria lançar uma linha de bonecos baseada na saga (também foram comercializados em Portugal) e pressionou a Abril a lançar o material sem dar tempo de a cronologia regular chegar aos eventos narrados em Secret Wars.  Foi também por esse motivo que a editora manteve o título original da série e mutilou algumas das capas originais (ver imagens). Isto deu azo a erros grosseiros: Wolverine ora aparece com o uniforme antigo ora aparece com o novo; e Tempestade figura em algumas capas enquanto noutras é suprimida. Uma verdadeira confusão, portanto. Nada, no entanto, que na altura incomodasse os leitores ávidos de ação e aventura como eu. Até porque, como bónus, foi lançado com a minissérie um álbum de figurinhas grátis.
                O lote de vilões reunia pesos-pesados como o Doutor Destino, Galactus, Kang, o Conquistador, Encantor, Ultron e Homem-Molecular, devidamente secundados pelo Gangue da Demolição, Garra Sónica,  Homem Absorvente, Lagarto e as debutantes Titânia e Vulcana.

Secret Wars nº1: descubram as diferenças.

                A par das várias contendas entre as duas fações, ocorrem diversos episódios com repercussões futuras: desde logo, o surgimento do uniforme negro do Homem-Aranha (ignorando, à data, que se tratava de um simbionte alienígena); a aparição da nova Mulher-Aranha (Julia Carpenter); o abandono temporário do Quarteto Fantástico por parte do Coisa e a sua substituição pela Mulher-Hulk na equipa; o fim do namoro de Colossus e da sua colega Kitty Pride depois de ele se ter apaixonado por uma curandeira alienígena que sacrifica a própria vida para salvar os heróis; seria ainda revelado, anos mais tarde, que Alicia Masters, a namorada do Coisa, fora substituída por uma espia Skrull durante a ausência do herói.
              Por todos esses motivos, Secret Wars (a despeito das lacunas e incongruências da sua versão brasileira) foi um marco na história dos quadradinhos e é hoje uma das joias da minha coleção.

Os bonecos Secret Wars lançados pela Gulliver.

segunda-feira, 19 de março de 2012

HERÓIS EM AÇÃO: ARQUEIRO VERDE

  

      Um playboy órfão e milionário que se transforma numa vigilante urbano sedento de justiça. Soa familiar? Não, não se trata do Batman. Conheçam a história do Arqueiro Verde, esse Robin dos Bosques dos tempos modernos...

Nome original: Green Arrow
Primeira aparição: More Fun Comics nº73 (novembro de 1941)
Criadores: Mort Weisinger e George Papp
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Identidade civil: Oliver "Ollie" Queen
Parentes conhecidos: Roy Harper (filho adotivo), Dinah Lance (ex-esposa que atua sob o identidade de Canário Negro), Connor Hawke (filho), Robert Queen (filho), Robert e Moira Queen (pais falecidos).
Base de operações: Star City e Seattle
Filiação: Liga da Justiça da América e Os Renegados (também teve como parceiros Ricardito, Canário Negro e Lanterna Verde)
Poderes e armas: Mesmo não possuindo qualquer superpoder, o Arqueiro Verde é um adversário de respeito. Domina várias artes marciais e é um exímio espadachim. Habilidades que conjuga com a sua extraordinária destreza com o arco e flecha. As flechas que utiliza têm diversas funções: algumas são explosivas, outras lançam gás lacrimógeneo, redes ou pequenas bombas de fósforo, etc.
Arqueiro Verde e Ricardito em More Fun Comics nº91 (1943)

Biografia: Na infância, o pequeno Oliver Queen idolatrava o Robin dos Bosques e cedo se revelou um arqueiro inato. Ficou, porém, traumatizado quando, acidentalmente, matou um animal durante uma sessão de treino com o seu arco e flecha. Isso fez com que, anos depois, hesitasse em abater o leão que atacou e matou os seus pais durante um safari em África.
                Órfão, Oliver foi criado por um tio e herdou a fortuna e os negócios da família. Teve um percurso de vida errático e acabou por se tornar um playboy alcoólico e sem o menor sentido de responsabilidade. Tudo mudou depois de ter caído ao mar quando viajava sozinho no seu iate. Sobreviveu ao acidente e conseguiu nadar até uma ilha desabitada, onde, sem comida nem abrigo, teve de desenvolver as suas habilidades de caçador para se manter vivo. Essa experiência tornou-o um novo homem. O seu segundo teste surgiu sob a forma de traficantes de droga que usavam a ilha como esconderijo. Usando as suas habilidades de arqueiro, Oliver capturou e entregou às autoridades os criminosos antes de regressar à civilização.
                Convicto de ter finalmente encontrado o seu destino, uma vez em Star City (sua cidade natal) Oliver dedicou-se a combater o crime, tendo sido batizado de Arqueiro Verde pela imprensa. Como parceiro  contava com Speedy - crismado de Ricardito(!) no Brasil - um adolescente fascinado pelas suas proezas heroicas. Oliver acabaria por adotar o jovem cujo nome verdadeiro era Roy Harper.
               Nos primórdios da sua carreira de vigilante mascarado, o Arqueiro Verde não perseguia bandidos por questões morais mas sim pela adrenalina que essa atividade lhe proporcionava.
               Com efeito, nos primeiros 25 anos de publicação, o Arqueiro Verde nunca passou de uma personagem secundária no universo DC. Somente em 1969 é que, pelas mãos do escritor Denny O´Neil e do ilustrador Neal Adams, ganhou alguma relevância. Numa drástica reviravolta na sua vida, Oliver Queen perdeu a sua fortuna. Em resultado desse episódio, adquiriu uma forte consciência social e tornou-se num implacável defensor dos fracos e oprimidos. Ganhou também um novo visual.
              No ano seguinte,  o Arqueiro Verde saltou definitivamente para a ribalta, mercê de uma parceria com o Lanterna Verde. A série, embora de curta duração, foi um enorme êxito dada a abordagem descomplexada de temas sociais e políticos. Enquanto o Lanterna Verde advogava soluções legais para os mesmos, o Arqueiro Verde defendia ações diretas e mudanças radicais no sistema. Juntos, embarcaram numa descoberta da América profunda, marcada pelo racismo, corrupção e injustiça social. Foi durante este período que foi publicada, senão a melhor, pelo menos a mais famosa história do Arqueiro Verde. Nela, era revelada a dependência de drogas do seu pupilo Ricardito. Empenhado em salvar a sociedade, Oliver negligenciara, porém, o seus deveres de mentor e pai adotivo e sentia-se culpado por isso.
Lanterna Verde e Arqueiro Verde, uma dupla de sucesso nos anos 1970.

              Com o cancelamento do título Green Lantern / Green Arrow, em 1972, o Arqueiro Verde voltou a agir a solo, pontualmente coadjuvado pela Canário Negro com quem mantinha também um romance intermitente. Ambos acabariam, todavia, por casar em 2007.
               Foi preciso esperar até 1987 para o Arqueiro Verde ser resgatado do limbo para onde fora relegado pelos fãs. Nesse ano, o talentoso Mike Grell assumiu os destinos do herói e reformulou-o de modo a atrair a um público mais adulto. As histórias tornaram-se assim mais violentas e, pela primeira vez, tiveram como cenário Seattle e não Star City. Por cá, essa fase foi publicada na revista "Os Caçadores" (Abril Jovem, 1990/91).
               Já no século XXI, várias foram as tentativas de relançamento da personagem: logo em 2000, ganhou um novo título (Green Arrow vol.3) no qual foi publicado o arco de histórias "Quiver", da autoria de Kevin Smith. Nele era explicada a misteriosa ressurreição do Arqueiro Verde, após a sua morte em meados dos anos 1990 e subsequente substituição por Connor Hawke, seu filho. Em 2006, teve a sua origem oficial reescrita por Andy Diggle, que repescou muitos dos conceitos originais. Ainda nesse ano, Oliver Queen investiu parte da sua fortuna pessoal para assegurar a sua eleição como mayor de Star City, cargo político que acumulou com o de vigilante mascarado.
Parceiros e amantes, o Arqueiro Verde e a Canário Negro
viveram muitas aventuras juntos.

              Fora dos quadradinhos, o Arqueiro Verde teve a sua estreia televisiva em 1973 na série animada da DC Superfriends. Seguiram-se várias participações noutras séries do género como Justice League Unlimited, Batman: The Brave And The Bold, Young Justice, etc. A despeito dos recorrentes rumores sobre a produção de um filme baseado nas suas aventuras, o Arqueiro Verde não chegou ainda ao grande ecrã. Participou, todavia, em vários episódios da série televisiva Smallville, interpretado por Justin Hartley. Foi ainda personagem jogável em diversos videojogos inspirados no universo DC, sendo o mais recente DC Universe Online.

Em Smallville, Jason Hartley foi o Arqueiro Verde.