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sábado, 30 de março de 2013

HERÓIS EM AÇÃO: NOVOS TITÃS




     A formação primitiva dos Novos Titãs reunia os parceiros juvenis dos principais super-heróis seniores da DC. Seguiram-se várias reconfigurações, transformações e ressurreições da equipa, que nunca deixou de ser fiel à sua matriz.

Nota prévia: dada a plêiade de integrantes que ao longo das décadas fizeram parte dos Novos Titãs, o texto abaixo centrar-se-á apenas naquelas que, na minha opinião, foram as três fases mais importantes da história do grupo.


I- Os Titãs primordiais

Da esq. para a dir.: Ricardito, Aqualad, Kid Flash e Robin, com a Moça-Maravilha em segundo plano.

 
Nome original: Teen Titans
Primeira aparição: Brave and the Bold nº54 (julho de 1964)
Licenciadora: DC
Criadores: Bob Haney, George Kashdan e Bruno Premiani
Membros fundadores: Robin (Dick Grayson), Kid Flash (Wally West), Aqualad (Garth), Moça-Maravilha/Wonder Girl (Donna Troy) e Ricardito/Speedy (Roy Harper)
Base de operações: Torre Titã (Nova York)
Origem e histórico de publicação: Na sua primeira aventura em conjunto, Robin, Kid Flash e Aqualad - parceiros juvenis, respetivamente, de Batman, Flash e Aquaman - juntaram forças para derrotar um vilão com poderes climáticos no 54º número de Brave and the Bold (1964). Um ano e seis edições volvidas, ao triunvirato primordial juntar-se-ia a Moça-Maravilha (pretensa irmã mais nova da Mulher-Maravilha, criada especificamente para integrar o grupo), passando então a pandilha a atuar sob o nome de Turma Titã (assim crismados no Brasil pela editora EBAL). Ainda em 1965, mas em dezembro, seria a vez de Ricardito ( então sidekick do Arqueiro Verde) se juntar ao grupo nas páginas de Showcase nº59. Em fevereiro do ano seguinte, os heroicos adolescentes estreariam a sua própria série. A qual tinha como premissa transformar os Titãs numa espécie de Liga da Justiça júnior, respondendo a pedidos de ajuda provenientes dos quatro cantos do mundo.
        Claramente elegendo os adolescentes como público-alvo, temas como jovens assumindo responsabilidades e papéis de adultos eram recorrentes na série. Nesse sentido, nas primeiras histórias da equipa eram exploradas situações contemporâneas, como a contestação à guerra no Vietname ou as tensões raciais que eclodiam um pouco por todos os EUA.
       Não obstante o sucesso relativo, a série seria cancelada em 1973, sendo relançada três anos decorridos, sem contudo lograr recuperar o fulgor inicial.


Numa antevisão do que seriam os Titãs, Kid Flash, Robin e Aqualad reuniram-se pela primeira vez em Brave and the Bold nº54 (1964).
 


II- A 2ª geração de Titãs

    A 2ª geração de Titãs (no sentido dos ponteiros do relógio e com a Torre Titã em fundo): Estelar, Robin, Kid Flash, Ravena, Cyborg, Mutano e Moça-Maravilha.

Nome original: The New Teen Titans
Primeira aparição: The New Teen Titans nº1 (novembro de 1980)
Licenciadora: DC
Equipa criativa: Marv Wolfman (texto) e George Pérez (arte)
Membros: Robin/Asa Noturna, Kid Flash/Flash III, Ravena, Cyborg (Victor Stone), Mutano/Beast Boy (Garfield Logan), Moça-Maravilha/Tróia/Darkstar e Estelar (Koriander). A este elenco juntar-se-iam várias outras personagens, nomeadamente Jericó (filho do Exterminador, inimigo jurado dos Titãs), Terra, Fantasma, Pantha, Estrela Vermelha, Rapina & Columba, só para citar algumas.
Base de operações: Torre Titã (Nova York)
Origem e histórico de publicação: Em novembro de 1980, pelas mãos de Marv Wolfman e George Pérez, a segunda geração de Titãs debutou nas páginas de The New Teen Titans nº1. À formação original (exceto Ricardito), juntou-se um novo quarteto de personagens: Cyborg, meio homem, meio máquina; Mutano, um transmorfo capaz de assumir a forma de qualquer animal; Estelar, uma sensual e poderosa princesa alienígena; e Ravena, uma soturna empata filha do demónio Trigon. Foi, de resto, para frustrar os planos diabólicos de Trigon que a equipa foi reunida por Ravena. Sobrepujada a ameaça, os seus jovens integrantes decidiram manter o coletivo.
       Contrastando com o tom pueril das primeiras histórias dos Titãs, a nova safra narrativa assumia um registo mais adulto. Desde logo, as motivações dos vilões complexificaram-se, seguindo tendências que despontavam naquela época, introduzindo grande profundidade nos quadradinhos, particularmente no caso do Exterminador (vide texto anterior), um mercenário moralmente ambivalente , contratado para aniquilar o grupo, depois de o seu filho ter fracassado nessa missão. Fiel a esse desígnio, o vilão infiltraria no seio dos Titãs uma espia: Terra, uma meta-humana sua amante, com poderes geotérmicos e uma personalidade psicótica, que atraiçoaria os seus companheiros de equipa.
       Atestando o caráter mais adulto dos Novos Titãs, Robin e Kid Flash emanciparam-se dos seus respetivos tutores (Batman e Flash) e assumiram novas identidades: o primeiro seria doravante conhecido como Asa Noturna (Nightwing no original), ao passo que o segundo deixaria cair o Kid no nome, tornando-se assim a terceira encarnação do Flash (sucedendo a Barry Allen, falecido durante a Crise nas Infinitas Terras).
        A série, no entanto, experimentaria algumas confusões relacionadas com títulos e numerações quando, em 1984, no âmbito da iniciativa da DC informalmente designada hardcover/softcover (capa dura / capa mole), foi relançado um novo nº1. Juntamente com Legion of the Super-Heroes e Batman and the Outsiders, The New Teen Titans foi um dos três títulos abrangidos por esse controverso projeto editorial que consistia em publicar a mesma história duas vezes: a primeira numa edição mais cara com papel e impressão de alta qualidade distribuída exclusivamente em lojas especializadas; a segunda sendo republicada um ano depois no formato original de baixo custo e colocada à venda nas tradicionais bancas. Em resultado disso, a série foi renomeada Tales of the Teen Titans, passando a coexistir com uma outra agora publicada como The New Teen Titans (vol.2). Logo na sua primeira edição, a série causou polémica, ao mostrar Robin e Estelar deitados juntos na cama, embora já tivesse sido anteriormente estabelecido que os dois formavam um casal monogâmico, sem contudo estar unido pelo matrimónio.
        O número 50 da série foi duplamente marcante: por um lado, devido à supressão de Teen no respetivo título, na medida em que os Titãs já não eram adolescentes; por outro, a revelação da origem da Moça-Maravilha e da sua ligação com a Princesa Amazona. Ao longo dos sete anos seguintes, a The New Titans introduziu várias novas personagens (Jericó, Pantha, Estrela Vermelha, etc.), o regresso de outras (caso de Ricardito, agora respondendo pelo nome Arsenal) e transformações radicais noutras (a Moça-Maravilha deu lugar a Tróia e posteriormente a Darkstar).

 The New Teen Titans nº1 (1980) marcou o dealbar de uma nova era para a equipa.

III - Os Titãs do 3º milénio

Titãs do século 21 (no sentido dos ponteiros do relógio): Robin Vermelho, Solstício, Kid Flash II, Skitter, Moça-Maravilha II e Superboy (ao centro).


Nome orginal: Teen Titans
Primeira aparição: Teen Titans (vol. 4) nº1 (novembro de 2011)
Licenciadora: DC
Membros: Robin Vermelho/Red Robin (Tim Drake), Moça-Maravilha II/Wonder Girl (Cassie Sandsmark), Kid Flash II (Barry Allen), Bunker (Miguel Barragan), Solstício/Solstice (Kiran Singh), Skitter (Celine Patterson) e Danny the Street. Também Superboy (Kon-El) colabora ocasionalmente com o grupo, apesar de não ser oficialmente membro.
Base de operações: Nova York
Origem e histórico de publicação: Em setembro de 2011, a franquia dos Novos Titãs foi relançada nos EUA, acompanhando a revitalização da cronologia oficial do universo DC, operada através de "Os Novos 52".  No entanto, a maior novidade na mais recente encarnação da equipa radica no facto de Tim Drake nunca ter sido Robin, nem sidekick do Homem-Morcego. Atuando como Robin Vermelho, Drake, que vinha monitorizando as atividades de vários jovens meta-humanos espalhados pelo globo, reúne um grupo de heróis improváveis para enfrentar a ameaça representada pela Momentum (N.O.W.H.E.R.E. no original), uma organização secreta cujos objetivos são ainda desconhecidos. Mas que é responsável pela criação em laboratório de uma nova versão do Superboy, concebido com o propósito de ser a arma suprema ao serviço da Momentum, de molde a obliterar qualquer resistência ao seus desgínios.
           Inexperientes e impulsivos, os jovens heróis nem sempre funcionam bem em conjunto, apesar da assertiva liderança do Robin Vermelho.

O renascer de uma lenda em Teen Titans (vol. 4) nº1 (2011).

Noutros media: Data de 1967 a primeira incursão dos Titãs noutros meios de comunicação social que não os quadradinhos. Nesse ano, Ricardito, Aqualad, Moça-Maravilha e Kid Flash participaram pontualmente nalguns episódios da série de animação The Superman / Aquaman Hour Of Adventure, transmitida pela cadeia televisiva norte-americana CBS entre 1967 e 1968. Em 1983 foi a vez de  The New Teen Titans, série animada produzida pela Hanna-Barbera mas rejeitada pelo canal ABC. Seguiu-se uma longa travessia do deserto, somente interrompida em 2003 aquando do lançamento pela Cartoon Network de nova série de desenhos animados inspirada na equipa de heróis adolescentes e com notórias influências anime: Teen Titans teve cinco temporadas, ao longo das quais foram narradas algumas das histórias clássicas do grupo como "O Contrato de Judas" ou "O Reinado de Trigon".

Os Titãs em ação num episódio de The Superman/Aquaman Hour of Adventure (1967).
 Teen Titans: só em 2003 o grupo regressaria ao pequeno ecrã.



 

3 comentários:

  1. Acompanhei o "Judas contract" e as revistas da década de 80.
    Foi para mim a melhor altura dos Teen Titans, talvez seja o saudosismo a falar, mas este ultima equipa, não me convence

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    1. "Contrato de Judas" foi, sem sombra de dúvida, um dos melhores arcos de histórias dos Novos Titãs, coincidindo, de resto, com o apogeu vivido pela equipa até meados da década de 1980. Do pouco que conheço da formação mais recente da equipa, sou forçado a concordar contigo. Não creio, contudo, que se trate apenas de nostalgia...

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  2. Muito interessante. Excelente post.
    Parabéns. ;)

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