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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

DO FUNDO DO BAÚ





    Escrita por Alan Moore e por muitos considerada uma das melhores histórias do Super-Homem de todos os tempos, "O que aconteceu ao Homem de Aço?" é, acima de tudo, um tributo à longa carreira e mitologia do herói kryptoniano. Assinala ainda a despedida definitiva, ao cabo de mais de 30 anos, de Curt Swan como seu desenhador.
 
 
Título: O que aconteceu ao Homem de Aço? (publicada no Brasil em Super Powers nº21)
Data: Maio de 1991
Número de páginas: 100 (além das duas partes que compõem "O que aconteceu ao Homem de Aço?", incluía igualmente uma outra história inédita do Último Filho de Krypton, também ela da autoria de Alan Moore e com arte de Dave Gibbons)
Formato: Formatinho (13,5 cm x 19cm)
Editora: Abril Jovem
Licenciadora: DC
Argumento: Alan Moore
Arte: Curt Swan
Publicada originalmente em: Superman nº423 e Action Comics nº583 (ambos de 1986)
História de publicação: Com a conclusão de Crise Nas Infinitas Terras (saga que unificou o universo DC), a cronologia oficial da editora foi reestruturada, pondo fim à continuidade iniciada na Idade da Prata dos Quadradinhos. Entre outubro e dezembro de 1986, todos os títulos regulares do Super-Homem nos EUA foram temporariamente suspensos abrindo assim espaço à publicação da série limitada The Man of Steel, que tinha como objetivo o relançamento da personagem.
    O então editor-chefe da DC, Julius Schwartz, quis fazer crer aos leitores que os dois últimos números publicados de Superman e Action Comics haviam sido realmente os últimos.
     Inicialmente, Schwartz desejara que fosse Jerry Siegel - cocriador do Homem de Aço em 1938 - a escrever uma história que pusesse um ponto final na carreira herói kryptoniano. Devido a restrições jurídicas, porém, Siegel não pôde fazê-lo.
    O convite de Schwartz a Alan Moore - à época argumentista do Monstro do Pântano - surgiu durante uma convenção de quadradinhos. O escritor britânico aceitou o repto e, depois de estudar exaustivamente a mitologia do Homem de Aço, imaginou um corolário da mesma. Para desenhar essa aventura épica, Schwartz não hesitou em escolher Curt Swan (ver texto anterior), responsável desde 1948 pela arte do Super-Homem.
    Definida a equipa criativa - à qual se juntaria ainda George Pérez, responsável pela arte-final - Whatever Happened to the Man of Tomorrow? foi publicada em duas partes: a primeira nas páginas de Superman nº423 e a segunda em Action Comics nº583, ambas lançadas em setembro de 1986.
    A primeira parte da história teve ainda a particularidade de ser bombasticamente anunciada como sendo o último número de Superman (título posteriormente renomeado de Adventures of Superman, ainda que mantendo a numeração original).
    As mortes de Bizarro e de Krypto (o supercão) são frequentemente citadas como sendo dois dos momentos mais memoráveis na história do universo DC. Todo o enredo é, de resto, considerado como um dos melhores alguma vez idealizados por Alan Moore.
Sinopse: Na esperança de trazer alguma luz ao mistério em torno do desaparecimento, dez anos antes, do Super-Homem, o repórter do Planeta Diário, Tim Crane, entrevista Lois Lane, a última pessoa a ver o Homem de Aço com vida. Retirada da sua atividade jornalística, Lois é agora esposa e mãe a tempo inteiro. Grande parte da narração é, por isso, feita recorrendo a flashbacks.
      Ao longo da década que antecedeu o desaparecimento do herói kryptoniano, reinou uma paz relativa em Metrópolis, na medida em que parte dos seus inimigos morrera ou evaporara-se da face da terra: Brainiac fora dado como inoperacional dois anos antes; Lex Luthor vivia agora no subsolo; o Parasita e Terra-Man haviam-se matado um ao outro.
     Contudo, ao regressar de uma expedição espacial ao serviço do Governo dos EUA, o Super-Homem tem um encontro desagradável com Bizarro.
     Habitualmente inofensivo, Bizarro mudou inexplicavelmente o seu comportamento, estando agora determinado em ser uma genuína duplicata imperfeita do Homem de Aço. Nesse sentido, embarca numa fúria genocida (por oposição ao Super-Homem, para quem a vida é sagrada), exterminado o seu próprio povo, vindo de seguida para a Terra já adulto ( mais uma vez, por oposição à sua contraparte, que chegou ao nosso planeta ainda bebé) e suicidando-se através de uma exposição letal a kryptonita azul (estando a sua contraparte viva, na lógica retorcida de Bizarro, ele teria de morrer para ser a sua antítese perfeita).
 
O suicídio de Bizarro deixa o Super-Homem estarrecido.
 
      Pouco tempo transcorrido sobre este desconcertante episódio, o Homem de Aço vê a sua identidade secreta de Clark Kent ser exposta em direto num programa televisivo por dois vilões menores, o Galhofeiro e o Homem dos Brinquedos. Os dois tinham extraído essa informação a Pete Ross, amigo de infância de Clark em Smallville, que torturaram até à morte.
      Enquanto isso, numa paisagem gelada não identificada, Luthor procura os destroços de Brainiac, que supostamente fora desativado quando a sua nave orgânica se despenhara. Deparando-se com a cabeça aparentemente inerte do androide, o vilão apodera-se dela com o intuito de estudar a sua tecnologia. No entanto, Luthor reativa inadvertidamente a cabeça, a qual num ápice assume o controlo do seu corpo e funções motoras.
      Apostado em vingar-se da derrota sofrida às mãos do Homem de Aço, Brainiac apressa-se em construir uma nova nave que lhe permita confrontar o herói kryptoniano. Algures na sua jornada, o vilão resgata o Homem de Kryptonita, também ele compelido a encontrar e destruir o Super-Homem.
      Em Metrópolis, depois de salvar o staff do Planeta Diário de um ataque levado a cabo por um exército de Metallos (o cyborg com coração de kryptonita), o Super-Homem leva para a segurança da sua Fortaleza da Solidão no Ártico os seus amigos mais próximos: Lois Lane, Lana Lang, Jimmy Olsen, Perry White e a sua esposa, Alice. Mais tarde, Krypto  juntar-se-á ao grupo.
      Também a Legião dos Super-heróis do século 30 visita nessa altura a Fortaleza da Solidão a fim de entregar um presente ao Homem de Aço: um troféu representando-o a segurar o projetor da Zona Fantasma e com a inscrição "A sua hora suprema". Apesar de os jovens legionários o negarem, trata-se, obviamente , um presente de despedida. Assim termina a primeira parte da história.
 
 
Capa de Superman nº423 (com arte de Curt Swan) onde foi publicada a primeira parte da história.
 
      Confirmando os piores temores do Último Filho de Krypton, a segunda parte começa com um cerco montado à Fortaleza da Solidão movido por Brainiac e pela Legião dos Supervilões (contraparte maligna da Legião dos Super-heróis, também ela proveniente do século 30).
      A fim de evitar a interferência de outros super-heróis aliados do Homem de Aço, Brainiac ergue um campo de força em redor da Fortaleza da Solidão. No seu interior, à medida que a batalha se desenrola, Lana Lang e Jimmy Olsen encontram artefactos que em tempos lhes haviam concedido superpoderes. Determinados em ajudar o seu amigo, não hesitam em utilizá-los novamente. Lana consegue assim derrubar o Homem de Kryptonita, ao passo que Jimmy logra destruir o gerador de campo de força de Brainiac.
      Durante a refrega, Luthor consegue reassumir momentaneamente o controlo do seu corpo, suplicando a Lana que o mate. A jovem acede e parte-lhe o pescoço.
      Lana, no entanto, acabaria também ela por perecer às mãos da Legião dos Supervilões, sendo Jimmy assassinado por Brainiac. Entretanto, uma bomba nuclear lançada pelo vilão consegue finalmente abrir brechas nas paredes da Fortaleza da Solidão, permitindo deste modo a entrada do Homem de Kryptonita, tomado por um desejo insano de ver o Super-Homem morrer às suas mãos. 
     Pressentindo a ameaça que impende sobre o seu amo, Krypto atira-se ao Homem de Kryptonita, matando-o, mas acabando também ele por sofrer uma morte agonizante em resultado da exposição maciça à radiação letal.
     Enfurecido por estas mortes, o Super-Homem consegue escorraçar os atacantes. Deteta contudo a falta de um dos seus arqui-inimigos: Mxyzptlk, o infame duende da 5ª dimensão, que no passado o atormentara vezes sem conta, e que só poderia ser recambiado para o seu mundo de origem quando obrigado a pronunciar o seu nome ao contrário. Revelado o arquiteto de tão sórdido plano, Mxyzptlk revela também a sua verdadeira forma: já não um duende, mas sim um gigante de aspeto grotesco e apenas vagamente humanoide.
 
Mxyzptlk revela-se o mentor do plano para destruir o Homem de Aço.
 
     Durante a batalha que se segue, o Homem de Aço apercebe-se subitamente do verdadeiro propósito do presente que lhe foi ofertado pela Legião dos Super-heróis. Acionando o projetor da Zona Fantasma, o herói envia o seu adversário - que, para escapar, dissera entretanto o seu nome ao contrário - para um limbo interdimensional, assim provocando a morte de Mxyzptlk.
     Por ter violado o seu juramento de nunca tirar uma vida, o Super-homem autopenitencia-se e adentra numa câmara contendo amostras de kryptonita dourada (que lhe anula definitivamente os poderes). Antes de o fazer, volta-se para encarar Lois pela última vez e sorri-lhe.
     Quando, por fim, os outros heróis conseguem penetrar na semidestruída Fortaleza da Solidão, apenas encontram Lois, Perry White e a sua esposa vivos. O corpo do Homem de Aço nunca é encontrado e é assumido que, após ter perdido os seus poderes, ele terá vagueado no Ártico para morrer.
 
O último adeus do Super-Homem.
 
     Finda a entrevista com Lois Lane e após o repórter Tim Crane ter partido, é subtilmente revelado que Jordan Elliot (o marido da ex-jornalista, e cujo nome é uma referência a Jor-El, pai biológico do Super-Homem) é, na verdade, o Homem de Aço, agora levando uma pacata vida suburbana, na companhia da sua esposa e filho. Este, por sua vez, parece ter herdado os poderes do seu progenitor ao transformar um pedaço de carvão em diamante com as próprias mãos, numa das derradeiras cenas da história.

A segunda e última parte da história original foi publicada em Action Comics nº583.
  
Ramificações:
* Vários argumentistas que assumiram posteriormente as histórias do Super-Homem classificaram O que aconteceu ao Homem de Aço? como sendo uma obra-prima dos quadradinhos;
* Alan Moore revisitou muitos dos elementos da história na série Supreme (uma imitação da mitologia do Último Filho de Krypton, criada em meados dos anos 1990 por Rob Liefeld);
* Em 2009 foi a vez de outro reputado escritor britânico, Neil Gaiman, homenagear a história produzida pelo seu compatriota Alan Moore. Whatever happened to the Cape Crusader? mostrava o regresso do Batman primordial, depois de ter sido dado como morto e substituído por Dick Grayson (o primeiro Robin).
Na minha coleção desde: 1992
 
Memorial erigido ao Super-Homem em Metrópolis após a sua presumível morte.

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