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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

ETERNOS: GIL KANE (1926-2000)



      Viveu as Idades do Ouro e da Prata dos Quadradinhos. O seu traço distinto fez escola na Marvel e na DC. Criou personagens emblemáticas para ambas as editoras. Sempre a coberto de pseudónimos.
 
 
Biografia e carreira: Gil Kane foi o pseudónimo mais famoso de Eli Katz, nascido na Letónia, no seio de uma família a judaica, a 6 de abril de 1926.  Scott Edward, Gil Stack, Stack Til, Pen Star e Phil Martell foram outros dos pseudónimos que usou ao longo da sua extensa carreira como ilustrador.
      Em 1929 a família de Gil Kane emigrou para os EUA, assentando arraiais em Brooklyn, Nova Iorque. Filho de um modesto comerciante de carne de aves, Kane frequentou a School of Industrial Art, em Manhattan, mas abandonou os estudos no último ano, quando surgiu a oportunidade de trabalhar na MLJ Comics (antecessora da Archie Comics). Corria o ano de 1942 e Kane tinha acabado de completar 16 anos.
      A sua passagem pela editora seria, contudo, efémera. Ao fim de apenas três semanas, Kane foi dispensado. Durante esse breve período, o seu trabalho consistiu, quase exclusivamente, em fazer a balonagem de algumas histórias aos quadradinhos, embora, pontualmente, tenha arte-finalizado algumas delas.
      Pouco tempo depois, foi convidado por Jack Binder a trabalhar na sua agência. Esta, no entanto, resumia-se a um apartamento situado na Quinta Avenida, que Gil Kane descreveria mais tarde como uma espécie de campo de trabalhos forçados. Dentro daquele espaço amontoavam-se entre 50 a 60 ilustradores, trabalhando afincadamente diante dos seus estiradores. Dados os parcos recursos da agência, até o papel era racionado.
     Foi todavia lá que Kane se profissionalizou como desenhador. Mas o resultado do seu trabalho não entusiasmou Jack Binder e o seu emprego na agência ficou em xeque.
     Inesperadamente, passadas três semanas, a MLJ Comics resolveu não só readmiti-lo, como também atribuir-lhe novas funções e um aumento salarial. De um dia para o outro, Kane assumiu um dos títulos principais da editora, ao mesmo tempo que colaborava como freelancer com outros estúdios.
     Em 1944 realizou o seu primeiro trabalho para a Timely Comics (antepassada da Marvel), sendo um dos dois coloristas que colaboraram numa história de 28 páginas dos Young Allies (um grupo de heróis adolescentes criado com motivos patrióticos durante a II Guerra Mundial). Nesse mesmo ano arte-finalizou o trabalho do mestre Jack Kirby numa história de Sandman, não figurando, porém, o seu nome nos créditos da mesma (o que, na gíria da indústria dos comics, se designa por "artista fantasma").
     Ainda em 1944, foi incorporado no Exército estadounidense, sendo posteriormente destacado para o teatro de operações do Pacífico. Ao cabo de 19 meses de serviço millitar, regressou a casa, em dezembro de 1945. Dois anos depois, em 1947, foi contratado por Sheldon Mayer, o editor-chefe da All-American Publications, para um projeto que duraria um semestre.
     Pelo meio, e sempre sob pseudónimos, trabalhou como ilustrador e colorista em projetos de diversas editoras, chegando também a desenhar alguns guiões televisivos.
     Em 1949 Gil Kane iniciou uma longa relação profissional com Julius Schwartz, um dos editores da National Comics (atual DC).
    Ao longo da década de 1950, Gil Kane viveu por dentro a eferverscência criativa da denominada Idade da Prata dos Quadradinhos. Em conjunto com o argumentista John Broome, foi cocriador da versão moderna do Lanterna Verde, assim como da Tropa dos Lanternas Verdes.
 
O Lanterna Verde da Idade da Prata pelo traço de Gil Kane.
 
    Ao serviço da DC, desenhou também, nos anos 1960, várias histórias de Os Novos Titãs, bem como de Rapina e Columba. Paralelamente, ilustrou um punhado de histórias do Hulk, sob o pseudónimo Scott Edward, para a arquirrival Marvel.
    Renegando esse pseudónimo, Gil Kane colaborou com a Tower Comics e a Harvey Comics, antes de se mudar de armas e bagagens para a Marvel, onde, nos primeiros anos da década de 70 do século passado, sucedeu a John Romita Sr. como responsável artístico do título The Amazing Spider-Man. Muito apreciado pelo seu traço ímpar, logo se tornou no mais proeminente artista de capas da Casa das Ideias.
    Em parceria com o escritor/editor Stan Lee, Kane produziu um arco de histórias em três capítulos, publicado nos números 96, 97 e 98 de The Amazing Spider-Man em 1971, que assinalou o primeiro grande desafio à autorregulação da indústria dos quadradinhos desde a introdução, em 1954, do Comics Code Authority. Essa espécie de código de ética proibia expressamente qualquer referência ao uso de drogas nos comics, mesmo num contexto negativo. Fazendo tábua rasa dessa interdição, Lee e Kane, sob os auspícios do Departamento Federal de Saúde, Educação e Bem-estar, lançaram uma história do Escalador de Paredes, que alertava para os malefícios do consumo de estupefacientes, mesmo sem a aprovação do Comics Code Authority.
     O resultado não podia ter sido melhor: além de aclamada pela crítica, a história foi um enorme sucesso de vendas. Em consequência disso, a indústria rejeitou a censura autoimposta, abrindo assim caminho para a revisão do seu código de ética.
     Com o escritor Roy Thomas, Gil Kane reformulou o Capitão Marvel e relançou Adam Warlock, dois heróis cósmicos do universo Marvel caídos no oblívio. Esta dupla seria também responsável pela criação do Punho de Ferro e do vampiro Morbius.
 
Homem-Aranha e Punho de Ferro foram dois dos heróis Marvel desenhados por Gil Kane.

     Em concomitância com este afã criativo na Casa das Ideias, Kane desenvolveu vários projetos a título individual. Agora sob o pseudónimo Robert Franklin, ele concebeu, ilustrou e coescreveu duas novelas gráficas: His name is... Savage (publicada em 1968 pela Adventure House Press) e Blackmark (Bantam Books, 1971).
 
Com Blackmark, Kane inaugurou a tendência das novelas gráficas.
 
     Nos anos 1970 e 1980, Kane revitalizou diversas personagens das séries animadas da Hanna-Barbera e da Ruby-Spears. Em 1977, em parceria com o escritor Ron Goulart, lançou uma bem-sucedida série de tiras diárias num jornal, a que deu o título de Star Hawks. Depois de, no princípio dos anos 1980, se ter revezado com Curt Swan na arte das histórias do Homem de Aço, em 1989, Gil Kane  ilustrou uma adaptação aos quadradinhos da ópera épica de Richard Wagner, O Anel dos Nibelungos.
     Na década seguinte, Kane diversificou as suas colaborações, tendo ilustrado minisséries e edições especiais para a Topp Comics, a Malibu Comics e Awesome Entertainment.
      O seu último trabalho publicado em vida teria, contudo, a chancela da Dark Horse Comics: uma página ilustrada em Sin City: Hell and Back nº4 (outubro de 1999). Postumamente, em junho de 2000, foi lançada a história em duas partes reunindo o Lanterna Verde e Eléktron (outro herói da DC de que foi cocriador) por si desenhada.
     Até ao seu falecimento, em 31 de janeiro de 2000 em Miami (Florida), devido a um linfoma, Gil Kane manteve-se ativo enquanto artista. Deixou viúva a sua segunda esposa, Elaine, e órfão o filho Scott.
 
Gil Kane inscreveu o seu nome nos anais da história da banda desenhada.
 
Prémios e distinções: Distinguido diversas vezes ao longo da sua carreira, Gil Kane arrecadou em três ocasiões (1971,1972 e 1975) o prémio para melhor desenhador atribuído pela National Cartoonists Society. Em 1977 Star Hawks foi eleita a melhor tira diária pela mesma instituição. Recebeu ainda um SHAZAM Award, em 1971, pela graphic novel Blackmark, sendo igualmente nomeado para o Eisner Award Hall of Fame e para o Harvey Award Jack Kirby Hall of Fame em 1997. Antes, em 1995, o seu trabalho fez parte da exibição KAPOW: A Showcase of Superheroes, realizada no Centro Cultural Muckenthaler, em Fullerton (Califórnia).
      No entanto, o mais importante prémio da sua carreira foi, sem dúvida, o reconhecimento de uma legião de fãs que cresceram a apreciar o seu traço inconfundível.
 
Star Hawks, uma das obras-primas de Gil Kane.
 


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