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terça-feira, 8 de outubro de 2013

BD CINE APRESENTA: SUPER-HOMEM, O REGRESSO





      Após um interregno de quase décadas, ainda ao som da música de John Williams mas já sem Christopher Reeve, o Super-Homem voltou ao cinema em 2006, num filme de rara beleza visual mas que, pelo seu tom melancólico, desiludiu alguns fãs do herói kryptoniano.
 
 
Título original: Superman Returns
Ano: 2006
País: EUA
Duração: 154 minutos
Realização: Bryan Singer
Argumento: Bryan Singer, Michael Dougherty e Dan Harris
Estúdio: Legendary Pictures/ DC Comics
Elenco: Brandon Routh (Clark Kent/Superman), Kate Bosworth (Lois Lane), Kevin Spacey (Lex Luthor), James Marsden (Richard White) e Frank Langella (Perry White)
Orçamento: 204 milhões de dólares
Receitas: 391 milhões de dólares
Sinopse: Depois de ter derrotado o triunvirato kryptoniano liderado pelo General Zod, que aterrorizou a Terra em Superman II (1980), o Homem de Aço parte para o espaço em busca do seu planeta natal e de outros possíveis sobreviventes, baseado na suposta descoberta da localização de Krypton por parte de astrónomos terrestres. Tudo o que descobre, no entanto, são vestígios fantasmagóricos de um mundo morto há muito tempo, regressando então ao seu planeta adotivo. Apenas para descobrir que Lois Lane é agora casada com um sobrinho de Perry White, do qual tem um filho. E Lois parece não ter sido a única a seguir com a sua vida; também Metrópolis e a Terra parecem ter deixado de precisar do seu salvador.
       Lex Luthor, por seu turno, também se encontra novamente em liberdade, dispondo agora de vastíssimos recursos depois de ter desposado uma velhota milionária em fase terminal. Sedento de vingança por ter visto frustrados, pelo seu némesis, os seus planos de destruição da Califórnia, o vilão engendra um maquiavélico plano: usando a tecnologia kryptoniana baseada nos cristais de pedra solar, Luthor pretende gerar um novo continente que provocará a destruição da América do Norte e a consequente morte de milhões de inocentes.
       Incrustrados na nova estrutura, os cristais de kryponita (fragmentos radioativos do mundo natal do Super-Homem que são letais para ele) revelam-se uma armadilha mortal para o Homem de Aço. Este terá contudo de, numa corrida contra o tempo e apesar do coração partido, encontrar uma forma de deter os desígnios insanos de Luthor.
 
Luthor continua empenhado em vingar-se do seu arqui-inimigo.
Curiosidades:
* Na confeção do novo traje do Super-Homem foi utilizado um material especial que, com o uso, engelhava rapidamente. Decorrente desse facto, foram produzidos 80 uniformes, 100 capas, 30 botas e 90 cintos. Embora o preço unitário dos fatos nunca tenha sido divulgado, Bryan Singer gracejou numa entrevista que sempre que um deles se estragava, era como espatifar um Ferrari;
*O papel de Lex Luthor esteve sempre reservado para Kevin Spacey. Por conseguinte, o cronograma da produção foi ajustado à disponibilidade do ator que, à época, era também diretor do teatro Old Vic, em Londres;
*Brandon Routh, Kevin Spacey e Kate Bosworth aceitaram os respetivos papéis no filme antes sequer de lerem o guião;
* Foram necessários doze anos e três realizadores diferentes (entre os quais Tim Burton, o primeiro a assumi-lo em 1993) para que o projeto de fazer regressar o Último Filho de Krypton ao grande ecrã chegasse a bom porto;
* O filme foi rodado na Austrália (com Sydney a fazer as vezes de Metrópolis) e nos estúdios da Fox;
* Durante os castings, Henry Cavill e Amy Adams chegaram realizar audições para os papéis de Super-Homem e Lois Lane, respetivamente. Os mesmos que desempenham em Homem de Aço, o reboot que chegou este ano às salas de cinema de todo o mundo;
* Para a escolha de Brandon Routh foi preponderante a opinião favorável de Dana Reeve - viúva de Christopher Reeve - que viu nele uma enorme parecença física e vocal com o seu malogrado marido;
 
É um pássaro? É um avião? É o Christopher Reeve? Não, mas quase.
 
* Ao longo do filme, são várias as referências à banda desenhada: ao segurar um automóvel sobre a cabeça, o Super-Homem recria a icónica capa de Action Comics nº1 (onde o herói kryptoniano fez a sua estreia no já longínquo ano de 1938); já a sequência do salvamento do avião que transportava Lois Lane é decalcada da minissérie Homem de Aço, produzida em 1986 por John Byrne;
* Ao invés de contratar um ator para dar vida a Jor-El (pai biológico do Super-Homem), Bryan Singer optou por utilizar imagens de Marlon Brando, originalmente captadas para Superman e Superman II;
* Fazendo tábua rasa de Superman III e Superman IV - Em Busca da Paz, o enredo retoma a ação a partir dos eventos mostrados em Superman II. Ironicamente, porém, a última linha do quarto (e último filme) protagonizado por Christopher Reeve é "Vemo-nos dentro de vinte anos". Considerando que a cena em questão foi gravada em 1986, a frase assume contornos premonitórios;
* Entre as várias cenas cortadas durante a edição do filme (dedicado ao casal Christopher e Dana Reeve, ambos já falecidos), destaca-se uma, de aproximadamente seis minutos, mostrando a viagem exploratória do Super-Homem ao seu planeta natal, a qual, segundo é explicado, motivara a sua ausência da Terra durante cinco anos. Podem vê-la aqui:http://www.youtube.com/watch?v=sF44PEypDQs
 
Foram precisos quase 20 anos para o Super-Homem voltar a voar nos cinemas.
 
Veredito: 78%
 
      Este Super-Homem, O Regresso é, a vários títulos, especial para mim. Desde logo porque foi o primeiro filme do herói kryptoniano que pude ver no cinema, dada a minha tenra idade aquando do lançamento da quadrilogia original com o inigualável Christopher Reeve. Lembro-me bem da emoção pueril que senti ao escutar os primeiros acordes da magistral banda sonora de John Williams enquanto voavam no grande ecrã os créditos de abertura. Uma experiência extática que, até aí, só tinha podido vivenciar no recato do meu lar e nas reduzidas dimensões do meu televisor.
      Por outro lado, Super-Homem, O Regresso marcava o início da era pós-Christopher Reeve. Aos olhos de muitos fãs do Homem de Aço - eu incluído - Reeve foi - e, sem desprimor para os seus sucessores, provavelmente sempre será - O Super-Homem. A Brandon Routh cabia, portanto, a difícil tarefa de substituí-lo. Num esforço meritório, o jovem ator, ao invés de uma interpretação própria da personagem, optou por representar Christopher Reeve a fazer de Super-Homem. E convenhamos que foi bem-sucedido nessa tarefa. Muitas das expressões e maneirismos de Reeve foram mimetizados quase na perfeição por Routh que, tal como o seu antecessor, era  um ilustre desconhecido antes de assumir o manto do Último Filho de Krypton.
      Quanto à película em si, sob a batuta competente de Bryan Singer (um admirador confesso de super-heróis e, em particular, do Super-Homem), resulta numa verdadeira elegia aos dois primeiros filmes da série, realizados por Richard Donner. A prová-lo, o facto de Singer pura e simplesmente ter ignorado os inefáveis Superman III (1983) e Superman IV (1987). Ambos haviam redundado em estrondosos fracassos de bilheteira comprometendo a credibilidade da personagem e o futuro da franquia. Não surpreende, portanto, que o regresso do Super-Homem ao grande ecrã tenha levado quase duas décadas, com diversos projetos abortados pelo meio (e, nalguns casos, devemos todos ficar gratos por isso...).
      No entanto, uma tão prolongada espera criou uma grande ansiedade, e ainda maiores expectativas, nos fãs do herói. Ciente disso, Singer, a par do tributo a Superman e Superman II, empenhou-se em realizar um épico dos tempos modernos. Seguramente para se certificar que não mais o seu ídolo de infância voltaria a estar durante tanto tempo arredado do grande público.
 
Lois Lane e Super-Homem: um amargo reencontro.


        A despeito de toda a sua devoção e reverência, Singer não alcançou plenamente os seus objetivos. Pela sua intensa carga emocional e registo melancólico - inusual em produções do género e para o qual contribuiu igualmente o figurino retro - Super-Homem, O Regresso defraudou as expectativas de alguns fãs, que certamente desejavam ver  mais ação física. Com efeito, o verdadeiro vilão da história não é Lex Luthor (e muito menos a dispensável kryptonita). Esse papel coube a Lois Lane, a verdadeira causadora do sofrimento do herói, ao partir-lhe o coração (uma proeza, visto tratar-se do Homem de Aço) e ao sonegar-lhe a paternidade. Super-Homem, O Regresso é, pois, em última análise, uma história de amor. Entre o Último Filho de Krypton e a sua eterna namorada, por um lado, e entre Bryan Singer e os filmes clássicos de Richard Donner, por outro.
        De uma rara beleza visual, algumas cenas de Super-Homem, O Regresso tornaram-se icónicas (a cena em que o herói flutua em órbita da Terra é simplesmente sublime). As sumptuosas sequências de voo são muito mais convincentes dos que as mostradas recentemente em Homem de Aço. Kevin Spacey infunde de cinismo e perversidade a sua versão de Lex Luthor (por contraponto ao registo mais histriónico de Gene Hackman) e, malgrado alguma falta de carisma, Kate Bosworth é uma Lois Lane muito mais bonita do que era Margot Kidder. Ainda uma palavra para o novo uniforme, que tanta controvérsia causou mal foram divulgadas as primeiras imagens: A-D-O-R-E-I! A troca do tradicional encarnado por um grená torna o fato mais telegénico e, considerando a sua origem alienígena, faz todo o sentido que o símbolo no peito seja tridimensional. E até as cuecas por fora parecem menos ridículas agora.
 
Reprodução de uma das mais belas sequência do filme.
 
       Agora os aspetos negativos: a essência da trama é decalcada do filme original de 1978 enfermando, por isso, de um défice de suspense (apenas atenuado pela quase morte do Super-Homem decorrente da sobre-exposição à kryptonita). Qualquer fã do herói sabe, no entanto, que ele dispõe de um considerável naipe de némesis à altura, pelo que não se percebe a insistência nas pedras radioativas como principal ameaça.
      Nada, porém, que torne menos refrescante este remake não assumido de Superman, The Movie, devidamente aprimorado pelas tecnologias modernas. Estamos, portanto, em presença de uma aventura clássica de um herói intemporal.
 
 


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