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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

BD CINE APRESENTA: «BATMAN PARA SEMPRE»





       Insatisfeitos com as receitas e o registo lúgubre do segundo filme do Cavaleiro das Trevas dirigido por Tim Burton, os produtores resolveram substituí-lo por Joel Schumacher. No papel principal, Val Kilmer sucedeu a Michael Keaton. As mudanças não ficaram por aí mas o resultado final, esse, esteve longe agradar aos fãs.
 
 
Título original: Batman Forever
Ano: 1995
Duração: 121 minutos
Género:  Ação/Aventura/Fantasia
País: EUA
Estúdio: Warner Bros e Tim Burton Productions
Realização: Joel Schumacher
Argumento: Lee Batchler, Janet Scott-Batchler e Akiva Goldsman
Elenco: Val Kilmer (Batman/Bruce Wayne); Jim Carrey (Edward Nygma/Charada); Tommy Lee Jones (Duas-Caras); Nicole Kidman (Drª. Chase Meridian) e Chris O'Donnell (Dick Grayson/Robin)
Orçamento: 100 milhões de dólares
Receita: 336,5 milhões de dólares

Batman regressou ao grande ecrã em 1995.
 
Produção: Apesar de Batman Regressa (1992) ter sido um sucesso financeiro, a Warner Bros sentiu que o filme deveria ter feito mais dinheiro e decidiu apostar numa fórmula diferente para o terceiro capítulo da saga. Tim Burton, que dirigira as duas películas anteriores, foi relegado ao papel de produtor, vendo Joel Schumacher suceder-lhe na cadeira de realizador. Este, por sua vez, afirmou que originalmente tinha em mente uma adaptação da saga Batman: Year One, de Frank Miller. O estúdio, porém, rejeitou a ideia, já que os produtores queriam uma sequela, não uma prequela. Ainda assim, Schumacher incluiu alguns flashbacks sobre o passado de Bruce Wayne em Batman Para Sempre.
       Para assumir o guião, Schumacher contratou Lee e Janet Scott-Batchler.  Na versão primitiva da história, figurava um Charada psicótico com um rato de estimação que o acompanhava para todo  o lado. Elementos que seriam posteriormente eliminados na segunda versão do argumento, da responsabilidade de Akiva Goldsman, com quem Schumacher já havia trabalhado em O Cliente (1994).
      A produção desenvolveu-se em ritmo acelerado, com Rene Russo no elenco como Drª. Chase Meridian. Michael Keaton, por seu lado, decidiu não repetir o seu papel como Batman, por não lhe ter agradado a nova orientação da franquia. Receando também ficar, a exemplo de Christopher Reeve com o Super-Homem,  permanentemente associado à sua interpretação do Cavaleiro das Trevas, o ator exigiu um cachet de 15 milhões de dólares para reassumir o manto do herói. Face à maquia exorbitante reclamada por Keaton, Val Kilmer foi escalado dias depois. Rene Russo foi assim considerada  velha demais para contracenar com o sucessor de Keaton, sendo substituída por Nicole Kidman. 
      Schumacher ficou interessado em Kilmer como Batman, após vê-lo em Tombstone. Já  o ator aceitou o papel sem sequer ler o argumento ou saber quem era o novo realizador.
 
Val Kilmer foi uma escolha pessoal de Joel Schumacher.
 
      Selecionado o elenco e aprovado o argumento, as filmagens arrancaram em setembro de 1994. Schumacher desejava demarcar-se do estilo imprimido por Burton aos dois filmes anteriores. Com esse propósito em vista, inspirou-se nas bandas desenhadas do Batman dos anos 40 e 50 do século passado. Também a estética de Gotham City foi reformulada, resultando agora de uma arrojada combinação da arquitetura de Nova Iorque da década de 1930  com a Tóquio moderna, patente de resto no maior número de estátuas e no tom feérico conferido pelos néones. E nem o Batmóvel escapou à onda de mudanças, tendo sido construído um novo modelo do emblemático veículo do Homem-Morcego.
       As filmagens não ficaram contudo isentas de alguns atritos: depois de Schumacher ter repreendido Val Kilmer pelo seu comportamento "infantil", o ator recusou-se a falar com ele durante duas semanas. Também entre Jim Carrey e Tommy Lee Jones houve fricções que levaram o realizador a intervir.
 
Capa da banda sonora original de Batman Para Sempre.
 
Enredo: Em Gotham City, Batman intervém numa situação de reféns durante um assalto a um banco perpetrado pelo Duas-Caras, o alter ego desfigurado do antigo promotor público Harvey Dent. Este mantém um segurança sob a ameaça de uma arma de fogo e quando o Homem-Morcego procura salvar o guarda , o vilão prende os dois num cofre, que é arrastado para fora do prédio pendurado num helicóptero por uma corrente.
     Enquanto a bizarra cena decorre nos céus de Gotham, o cofre começa a encher-se de ácido. Batman, porém, usa o aparelho auditivo do segurança para destrancar a trava do cofre. Dentro do helicóptero, Duas-Caras vê o herói a escapar e atira nele acabando por matar o piloto. Com o aparelho desgovernado, Dent  salta de paraquedas. Também Batman pula para fora pouco antes do helicóptero colidir com uma réplica da  Estátua da Liberdade e explodir.
     No dia seguinte, Edward Nygma, um investigador das Indústrias Wayne que vem desenvolvendo um dispositivo de transmissão de sinais televisivos  diretamente ao cérebro humano, apresenta a sua invenção a Bruce Wayne (por quem é obcecado).  O milionário, no entanto, rejeita o projeto e a parceria proposta pelo seu colaborador. Nessa noite, Nygma usa o seu chefe como cobaia para testar a sua invenção, depois de este ter ordenado o imediato encerramento do projeto. Após voltar do transe induzido pela máquina, o chefe demite Nygma e ameaça processá-lo, mas este lança-o pela janela simulando um suicídio. De seguida apresenta o seu pedido de demissão, fingido-se traumatizado pelo ocorrido. Antes porém de abandonar as instalações das Indústrias Wayne, Nygma deixa lá um quebra-cabeças.
     Após  uma reunião com a psiquiatra Drª. Chase Meridian, Bruce Wayne convida-a para um espetáculo circense. O qual é arruinado pelo Duas-Caras e os seus capangas. Numa tentativa de descobrir a identidade secreta de Batman, o vilão ameaça fazer explodir uma bomba e matar todos os presentes. No processo, uma família de acrobatas chamada Os Graysons Voadores são assassinados, caindo mortalmente quando os seus trapézios são cortados.  Dick, o benjamim, sobrevive e atira a bomba do Duas-Caras ao rio. Bruce assume a tutela do jovem órfão e oferece-lhe guarida  na Mansão Wayne. Dick anuncia então a  sua intenção de matar o Duas-Caras e vingar o assassinato da sua família, apesar das tentativas de Bruce para o demover.

Depois de Vicky Vale e da Mulher Gato, a Drª. Meridian foi a senhora que se seguiu no coração do herói.
 
      Quando o rapaz descobre que o seu tutor é o Batman, insiste em tornar-se seu parceiro. Temendo pela vida de Dick, Bruce recusa vigorosamente a proposta.
     Enquanto isso, Nygma torna-se um criminoso fantasiado conhecido como o Charada (ver texto anterior) e alia-se ao Duas-Caras, prometendo-lhe descobrir a identidade de Batman.  Para esse efeito, usará  o dispositivo por ele inventado - a Caixa -  o qual lhe permite ler e controlar as mentes dos telespectadores, ao mesmo tempo que lhe aumenta o quociente de inteligência.
      Pouco tempo depois, numa festa de angariação de fundos, Nygma descobre por acaso que Bruce Wayne e Batman são uma só pessoa. Segue-se um ataque do Duas-Caras ao evento, que quase culmina com a morte do Cavaleiro das Trevas, salvo in extremis por Robin.

Duas-Caras e Charada conspirando contra Batman.
 
      Simultaneamente,  o Duas-Caras e o Charada invadem e destroem a batcaverna. Não satisfeitos, os dois malfeitores sequestram a Drª. Meridian. Igual a si próprio, o Charada não resiste a deixar um enigma contendo pistas sobre a localização do seu esconderijo. Ao decifrá-lo, Batman ruma ao covil do vilão, numa ilha ao largo de Gotham City. Chegado lá, o Duo Dinâmico separa-se. Robin encontra o Duas-Caras e espanco-o mas percebe que a vingança que procura não trará de volta os seus entes queridos nem a paz de espírito perdida. Acaba por se compadecer do vilão e este aproveita para o capturar.
      Ao penetrar no covil do Charada, Batman depara-se com o seu parceiro e a sua amante engaiolados e à mercê da dupla criminosa. O Charada insta o herói a escolher qual dos dois quer salvar, mas o Homem-Morcego encontra um expediente para salvar ambos. De caminho, destrói o dispositivo de recolha de ondas cerebrais que alimenta o intelecto do Charada, causando-lhe um colapso mental. Já o Duas-Caras despenca de uma ravina durante a refrega e é dado como morto.
      Enviado para o Asilo Arkham, o Charada é monitorizado pela Drª. Chase Meridian (a quem Bruce Wayne revelara entretanto o seu segredo). Certo dia, ele afirma conhecer a verdadeira identidade do Batman e prontifica-se a revelar-lha. Interrogado pela médica, assume ser ele mesmo o Homem-Morcego. Com o seu segredo a salvo, Batman e Robin podem prosseguir o seu trabalho de guardiões de Gotham City.

O Duo Dinâmico em grande estilo.
 
 
O Menino Prodígio surge pela primeira vez num filme do Batman.

Curiosidades:
 
* Numa das cenas do filme, o Duas-Caras atira ao ar a sua moeda até obter o resultado desejado. Na banda desenhada, pelo contrário, uma das regras autoimpostas pelo vilão consiste em jamais questionar a sorte ditada pelo lançamento aleatório da moeda, cujas faces refletem a sua personalidade bipolar;
* A ideia original de Jim Carrey de desenhar um ponto de interrogação no seu escalpe foi descartada devido à necessidade do ator de comparecer em tribunal no âmbito do seu processo de divórcio;
* A primeira parte do filme foi exaustivamente editada por forma a começar com uma sequência de ação. Na subsequente edição em DVD é apresentada a cena original mostrando a fuga do Duas-Caras do Asilo Arkham;
* Insistindo em tornar-se parceiro do Homem-Morcego na sua cruzada contra o crime, além de Batboy, Dick Grayson sugere Nightwing (Asa Noturna) como codinome a adotar. Trata-se da identidade assumida nos quadradinhos pelo primeiro Robin, assinalando assim a sua emancipação relativamente ao antigo tutor;
* As cores (vermelho, verde e amarelo) e o estilo dos trajes envergados pelos Graysons Voadores no circo onde atuavam são uma homenagem ao uniforme clássico usado pelos dois primeiros Robins na BD (Dick Grayson e Jason Todd). Já o fato que surge no filme é inspirado no utilizado, a partir de 1990, pelo terceiro Menino Prodígio (Tim Drake). Consta que foi idealizado pelo próprio Tim Burton e pesava 18,6 kg;
*Antes da escolha para assumir o manto do morcego recair sobre Val Kilmer, William Baldwin, Kurt Russell e Daniel Day-Lewis foram algumas das opções equacionadas;

À esquerda, o cartaz promocional original do filme, com o primeiro elenco escolhido.
 
* A decisão de Joel Schumacher de colocar mamilos nos uniformes de borracha usados pelo Duo Dinâmico no filme e um brinco na orelha de Robin gerou controvérsia, deixando desagradado o próprio Bob Kane (criador de Batman em 1939). O realizador justificou-se dizendo que a ideia era  aumentar a definição anatómica dos trajes e dar um visual mais cool ao Menino Prodígio;
* Igualmente controversa foi a hipótese de Marlon Wayans (ator negro celebrizado sobretudo pela franquia Scary Movie) vir a dar vida a Robin no grande ecrã, quando Tim Burton ainda estava à frente do projeto;
* A caracterização de Tommy Lee Jones como Duas-Caras demorava quatro horas. O ator foi a primeira escolha de Schumacher para o papel depois de terem trabalhado juntos em O Cliente (1994);
* Batman Para Sempre sinaliza a primeira aparição do Asilo Arkham (instituição psiquiátrica para criminosos insanos) no cinema;
* Foram produzidos mais de uma centena de fatos do Duo Dinâmico, para serem utilizados não só pelos atores, mas também pelos vários duplos em cenas de luta ou envolvendo água e fogo.
 
 
Prémios e nomeações: Nos Óscares de 1996, Batman Para Sempre foi nomeado para as categorias de Melhor Fotografia e Melhor Sonoplastia, não tendo contudo vencido em nenhuma delas. Já nos Saturn Awards do mesmo ano, o filme foi indicado para as categorias de Melhor Filme de Fantasia, Melhor Caracterização e Figurino e Melhores Efeitos Especiais, tendo voltado a perder em todas elas. O mesmo sucedendo em relação à meia-dúzia de nomeações recebidas nos MTV Awards, na sua edição de 1996.

A caracterização do Duas-Caras valeu uma nomeação nessa categoria a Batman Para Sempre.
 
Veredito: 44%

       À imagem do que acontecera com a franquia Superman anos antes, depois de dois filmes extraordinários do Homem-Morcego ambientados numa atmosfera lúgubre tão ao gosto de Tim Burton e onde pontificaram vilões credíveis (um Joker sádico e um Pinguim perverso com uma sedutora Mulher-Gato de permeio), seguiram-se duas sequelas horripilantes. Pese embora o facto de este Batman Para Sempre, a despeito dos seus muitos defeitos, ser uma pérola da 7ª arte quando comparado com o inenarrável Batman & Robin que se lhe seguiu, volvidos dois anos.
        Aos olhos dos fãs da mitologia do Homem-Morcego, o hiato entre o universo soturno de Burton e o registo psicadélico de Schumacher é inconcebível. É como se, de repente, fossemos transportados para um qualquer episódio da série televisiva do Homem-Morcego, que, de tão kitsch, se tornou um fenómeno de culto em finais dos anos 60 do século XX. E, com isso, toda a credibilidade granjeada por Burton em Batman e Batman Returns é deitada pelo ralo abaixo por Schumacher e companhia.
       Se, nos dois primeiros filmes, um dos pontos fortes foram os vilões, em Batman Para Sempre temos um Duas-Caras apatetado e um Charada alucinado, reforçando assim o registo histriónico de uma película que parece apostada em ridicularizar o Cavaleiro das Trevas. O que de resto está bem patente na insólita colocação de mamilos nos trajes usados pelo Duo Dinâmico e na quase total ausência de suspense num enredo delirante.
       Não obstante o próprio Bob Kane ter elogiado a prestação de Val Kilmer como Batman, não considero que tenha sido uma escolha feliz para o papel. Kilmer está longe de possuir o carisma e o charme psicótico que caracterizavam Michael Keaton e que - sem desprimor para a douta opinião do criador do Homem-Morcego - na minha opinião fizeram dele o melhor Batman cinematográfico até à data.
       Resumindo, há uma diferença - que Joel Schumacher, a julgar pelo que fez nos dois filmes de Batman que dirigiu, não aprendeu - entre prestar tributo a uma banda desenhada e transformar um filme numa banda desenhada. Pura e simplesmente não funciona, conforme atestam outros projetos similares (como The Spirit ou Hulk).
       Batman Para Sempre foi somente um mau augúrio para o que viria depois...
 
 



2 comentários:

  1. Excelente.

    Talvez um dia este filme e o seguinte (Batman & Robin) vinguem pelo seu componente kitsch e apenas só por isto.

    E sem dúvida que o Keaton continua a ser o melhor Batman de sempre, muito superior ao monocórdico Bale que também cumpre mas é só.

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