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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

DO FUNDO DO BAÚ: A MORTE DE ROBIN

 



       Mal-amado pelos leitores, Jason Todd (o segundo Menino Prodígio) foi sentenciado à morte por meio de uma polémica votação telefónica, cujos resultados poderão ter sido falseados.

Título original: Batman: A Death in the Family
Licenciadora: DC
Publicado em: Batman nº426, 427, 428 e 429 (dezembro de 1988 e janeiro de 1989)
Argumento: Jim Starlin
Arte: Jim Aparo e Mike Mignola (capas)

Capa de Batman nº427 com a inconfundível arte de Mike Mignola.


Edição em Português: DC Especial 1 - A Morte de Robin
Data: novembro de 1989
Editora: Abril Jovem
Número de páginas: 132
Formato: formatinho (13,5 x 19cm), colorido e com lombada colada
Na minha coleção desde: 2007

DC Especial 1 compilava o arco de histórias Batman: A Death in the Family.

História de publicação: Cientes da impopularidade de Jason Todd entre os leitores, a DC e Dennis O'Neil, editor à época dos títulos do Homem-Morcego, tomaram a decisão de eliminar a personagem. Restava contudo a dúvida de como isso seria feito. Procurando uma forma inovadora de interagirem com os fãs - e, muito provavelmente, influenciados pelas referências à morte de Jason Todd no futuro alternativo retratado na minissérie Batman, O Cavaleiro das Trevas - a editora teve a ideia de criar dois números telefónicos através dos quais os leitores poderiam votar contra ou a favor da morte do segundo Menino Prodígio. O escrutínio teve início após a publicação do capítulo da história em que Jason Todd e a sua mãe ficavam encurralados num armazém.
       Foram recebidos mais de dez mil telefonemas numa votação renhida, que culminou, porém, com um resultado favorável à morte de Jason Todd (5343 votos contra 5271 em sentido contrário). A DC publicou então, sob grande alarido mediático, o terceiro dos quatro capítulos da saga Batman: A Death in the Family, o qual mostrava o momento que em Batman encontrava o corpo sem vida do seu pupilo.
       Dez anos volvidos sobre estes factos, numa entrevista concedida à Newsarama, Dennis O'Neil declarou: " Ouvi dizer que houve um tipo que programou o seu computador para marcar a cada 90 segundos - e durante oito horas - o número a favor da morte de Jason Todd. A ser verdade, obviamente que isso terá falseado o resultado final da votação.".
      Mesmo carecendo de comprovação, esse rumor reforça as dúvidas quanto à fiabilidade da votação telefónica e, por conseguinte, se a maioria dos leitores desejaria efetivamente o fim de Jason Todd. No entanto, a despeito de toda a polémica que antecedeu e seguiu a sua publicação, Batman: A Death in the Family foi um sucesso de vendas, ocupando a 15ª posição na lista das 25 melhores sagas do Cavaleiro das Trevas publicada no site IGN.
 
Capas das 4 edições onde a saga foi originalmente publicada, acompanhadas de algumas reações mediáticas.
 
Enredo: Jason Todd, o segundo Robin, encontra-se num momento difícil na sua relação com Batman. As suas lutas contra os criminosos são cada vez mais descuidadas e suicidas, como se tudo não passasse de um jogo. À medida que a tensão cresce no seio do Duo Dinâmico, o Homem-Morcego questiona-se se não se terá precipitado ao permitir que o jovem assumisse o lugar deixado vago por Dick Grayson (ver texto anterior). Ciente de que Jason ainda não superara a morte dos pais, Batman procura em vão conversar com ele sobre esse assunto.
      Algum tempo depois, ao passear pela sua antiga vizinhança, Jason encontra  uma velha amiga da sua família desaparecida, que lhe dá fotos e documentos que foram dos seus pais. Ao ler a sua certidão de nascimento, Jason percebe que o nome da sua mãe está rasurado mas a inicial é um "S" e não o "C" de Catherine Todd, a mulher que ele pensava ser sua progenitora.
     O rapaz conclui assim que Catherine era na verdade sua madrasta e resolve investigar a identidade da sua mãe biológica. Na agenda que pertencera ao seu pai ele encontra os nomes de três mulheres, todos começados por "S" e usa o Batcomputador para descobrir o paradeiro atual delas. Todas estão fora dos Estados Unidos, vivendo no Médio Oriente e em África. Jason foge de casa com o propósito de localizar as três candidatas.
 
Antes de ser assassinado pelo Joker, Robin vinha assumindo comportamentos imprudentes.
 
      Entretanto, evadido uma vez mais do Asilo Arkham, o Joker deixa um rasto de morte atrás de si antes de deixar os EUA. Batman descobre que o seu eterno némesis conseguiu um dispositivo nuclear e que tenciona vendê-lo a terroristas. Viaja, por isso,  para o Líbano, país onde Jason já se encontra, seguindo as pistas que o conduziram a Sharmin Rosen, uma agente da Mossad (os serviços secretos de Israel). Questionada por Jason, a mulher nega que algum dia tivesse dado à luz em Gotham City.
      De seguida, Jason vai no encalço da segunda possível mãe. Trata-se de Lady Shiva, uma velha inimiga de Batman, presentemente instalada num campo de treino de terroristas. Ajudado pelo Homem-Morcego, Jason derrota os asseclas da vilã, a quem  administra depois uma dose de soro da verdade. Descobre dessa forma que Shiva também não é a sua mãe.
      Por fim, Jason vai até à Etiópia, onde se encontra com Sheila Haywood, uma enfermeira ao serviço de uma ONG. Ela prova ser a mãe do rapaz e o encontro entre ambos é emocionante. Sem que, porém, Batman e Robin o soubessem , Sheila estava a ser chantageada pelo Joker, pois este último descobrira que ela praticara abortos ilegais em adolescentes de Gotham. Na sequência da morte de uma dessas raparigas, ela fora proibida de exercer medicina em território norte-americano. Munido dessa informação, o Joker forçou Sheila a fornecer-lhe medicamentos contrabandeados, que guarda num armazém secreto. O vilão pretendia substituir o conteúdo dos remédios pelo seu mortífero gás hilariante e dessa forma matar milhares de pessoas.
      Ao descobrir que Jason é Robin, Sheila entrega-o ao Joker. O vilão espanca o garoto com um pé-de-cabra e  prende-o juntamente com a mãe num armazém com uma bomba-relógio. Batman chega tarde demais e depara-se com os cadáveres de ambos.
 
A sequência que mostra o brutal espancamento de Robin com um pé-de-cabra.
 
O momento em que Batman encontra o corpo sem vida de Jason Todd.
 
      Os corpos são enviados para Gotham City para serem sepultados. Apenas Bruce Wayne e três amigos - o mordomo Alfred Pennyworth, o Comissário Gordon e a sua filha paraplégica Barbara -comparecem à cerimónia fúnebre.
     Recriminando-se pela morte do seu pupilo, Batman prossegue sozinho a sua cruzada contra o crime. Mais taciturno do que nunca, recusa a sugestão de Alfred de reatar a sua parceria com Dick Grayson, o primeiro Menino Prodígio, a operar agora como Asa Noturna.
     A milhares de quilómetros dali, no Irão, o Joker é recebido pessoalmente pelo aiatola Khomeini que lhe promete um cargo no governo do seu país. De seguida, o Palhaço do Crime, na sua nova condição de embaixador da República Islâmica, ruma a Nova Iorque, mais precisamente ao edifício-sede das Nações Unidas. Enquanto espera no exterior do edifício, Batman é interpelado pelo Super-Homem, enviado pelo Departamento de Estado norte-americano. O Homem de Aço tenta dissuadir o Cavaleiro das Trevas de atentar contra o Joker, desencadeando assim um incidente diplomático de consequências imprevisíveis. Perante a recusa do amigo em responder às suas perguntas, Batman esmurra o queixo do Super-Homem, quase partindo a mão. Isto no preciso momento em que o Joker chega às Nações Unidas onde é esperado para discursar diante da Assembleia Geral.
     Assumindo a sua identidade de Bruce Wayne e socorrendo-se dos seus contactos ao mais alto nível, Batman consegue estar presente na reunião magna da ONU sob o estatuto de observador não oficial.
     No seu discurso, o Joker proclama que tanto ele como a nação que agora representa têm sido desrespeitados pela comunidade internacional. Dito isto, anuncia a sua intenção de matar todos os delegados e espectadores presentes na Assembleia Geral, lançando uma dose letal do seu gás hilariante. Subitamente, porém, um segurança intervém, desarmando o vilão e inalando todo o gás entretanto libertado. Na verdade trata-se do Super-Homem disfarçado.
 
Joker discursando na ONU como novo embaixador iraniano.
 
     Enquanto o herói kryptoniano voa para fora do edifício em busca de um lugar seguro para libertar o gás, Batman e Joker confrontam-se. O vilão acaba no entanto por conseguir escapar a bordo de um helicóptero enviado pelo seus patronos. Quando percebe que Batman está agarrado ao aparelho, um dos homens de Joker abre fogo com uma metralhadora. Voam balas em todas as direções, atingindo o próprio Palhaço do Crime e o piloto, levando assim à queda desgovernada da aeronave no mar.
      Salvo pelo Super-Homem, Batman exige-lhe que procure o corpo do Joker. Apesar dos esforços do herói de aço, o corpo do vilão não é encontrado. Batman lamenta que tudo entre ele e o seu arqui-inimigo fique sempre por resolver.
 
 
Curiosidades:

*Além de mostrar um Batman mais violento do que nunca, a narrativa aflora diversos temas sociais e políticos que marcavam a atualidade em finais do anos 80 do século passado. Destacam-se entre eles a guerra civil libanesa, o conflito israelo-arábe, a fome na Etiópia e a ameaça à segurança internacional representada por Estados-párias;
* Quando viaja para o Líbano, Bruce Wayne usa um passaporte falso da Irlanda do Norte, território que era sinónimo de terrorismo à época;
* Apesar de, na altura, parecer pouco verosímil um criminoso como o Joker ter acesso a uma ogiva nuclear, o contrabando desse tipo de armas tornou-se uma enorme preocupação nos últimos anos;
* São feitas na história referências explícitas ao escândalo Irão-Contras, que manchou a presidência de Ronald Reagan. Um bom exemplo é a venda de um míssil de cruzeiro por parte do Joker a milícias árabes inimigas de Israel;
* O Joker atribui a sua precária condição financeira às políticas económicas implementadas pela Administração Reagan;
* Em várias passagens da história é sugerido que o Joker conhece a verdadeira identidade de Batman. Quando Jason Todd revela à mãe ser o parceiro do herói, o Palhaço do Crime estava suficientemente próximo para o ouvir.  Mais tarde ele diria a Batman que "até um louco consegue somar 2 mais 2".

Uma história com uma violência pouco comum nos comics.
Repercussões:
 
      Mostrando um Batman prestes a perder o autocontrolo e a morte de uma personagem emblemática da DC decidida por meio de uma votação telefónica, Batman: A Death in the Family tornou-se naturalmente um marco na história dos quadradinhos norte-americanos, com repercussões que se prolongaram no tempo. Com efeito, a morte de Jason Todd assumiu na vida do Homem-Morcego uma importância apenas superada pelo assassínio dos seus pais. Por outro lado, acentuou o caráter pessoal da inimizade entre o herói e o Joker.
      Anos depois, exposto à toxina do medo do Espantalho, o Cavaleiro das Trevas alucina com a morte do seu antigo protegido. Em vez de, como esperado, reagir com tristeza, explode num fúria quase homicida. Julgando estar a espancar o Palhaço do Crime, ele grita incessantemente o nome de Jason Todd.
      Depois do fim trágico do segundo Menino Prodígio, Batman relutou durante muito tempo em admitir novos parceiros juvenis que o coadjuvassem na sua cruzada contra o crime. Para preservar a memória de Jason Todd, conserva numa redoma de vidro colocada na Batcaverna uma réplica do uniforme de Robin usado pelo seu malogrado pupilo. Na base da referida redoma pode ler-se o epitáfio "Um bom soldado".
 



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