clique aqui e encontre um template com a sua cara - template for blogger»

quinta-feira, 16 de maio de 2013

DO FUNDO DO BAÚ





       Num futuro opressivo, a Terra é governada com mão de ferro pelo Monarca, um tirano de imenso poder que, outrora, foi um respeitado super-herói.
       Para descobrir a sua identidade e assim contrariar os eventos que conduziram a esse futuro sombrio, um homem regressa ao passado para investigar diversos potenciais suspeitos.

Título: Armageddon 2001 (minissérie quinzenal em 8 edições)
Data: Maio a outubro de 1993
Número de páginas (por edição): 68
Formato: Formatinho (13,5 cm x 19 cm), colorido e com lombada agrafada
Licenciadora: Detective Comics
Editora: Abril Jovem
Argumento: Archie Goodwin (tomo 1), Dan Jurgens (tomo 2), Alan Grant (tomo 3 e 4), Barbara Kesel (tomo 5), Louise Simonson (tomo 6), Keith Giffen/Gerard Jones/Steve Carr (tomo 7) e Denny O'Neil (tomo 8)
Arte: Dan Jurgens (tomo 1 e 8), Dusty Abell (tomo 2), Jim Fern (tomo 3), Mike McKone (tomo 4), Kerry Gammill/Curt Swan/Gabriel Morrissette/Paris Cullins (tomo 5), Bryan Hitch (tomo 6) e Curt Swan/Keith Giffen/Marshall Rogers/Randy Elliott/John Beatty/Ty Templeton/Russell Braun (tomo 7)
Publicado originalmente em: Armageddon 2001 nº1 (tomo 1), Superman Annual nº3 (tomo 2), Batman Annual nº15 (tomo 3), L.e.g.i.o.n Annual nº2 (tomo 4), Hawk and Dove Annual nº2 (tomo 5), Adventures of Superman Annual nº3 (tomo 6), Justice League Europe Annual nº2 (tomo 7) e Armageddon 2001 nº2 (tomo 8). Nota: todos títulos originais datam de 1991.
 
Capa original de Armageddon 2001 nº1 (1991).
 
Sinopse: Em 2030 o mundo vive sob o jugo totalitário do Monarca (Monarch no original), um déspota todo-poderoso sobre o qual pouco se sabe. Exceto que, no passado, ele fora um proeminente super-herói que, em 2001, traiu e exterminou todos os seus pares. Aproveitando o seu poder, o vilão apagou da História a sua identidade primordial.
         Mattew Ryder é um cientista inconformado com o status quo e fascinado pela História do século XX. Entre as suas memórias difusas dessa época, Ryder recorda-se de ter sido salvo por um meta-humano em criança.
        Obecado em descobrir a antiga identidade do Monarca, Ryder participa num projeto científico do tirano envolvendo viagens temporais e com o suposto intuito de regressar ao passado para eliminar quaisquer pontas soltas que possam pôr em xeque o seu regime de terror.
       Como Tempus (Waverider), Ryder viaja até 1991 para investigar (em alguns casos mais do que um vez) os futuros mais prováveis de diversos super-heróis, fortes candidatos a transformarem-se no Monarca. Tempus acalenta a esperança de, entre eles, encontrar o traidor para o matar e assim impedir os eventos que conduziriam ao seu futuro opressivo.
 


Quem será, afinal, o misterioso Monarca?

 
      Super-homem, Batman, Liga da Justiça e L.E.G.I.Ã.O. são alguns dos heróis investigados por Tempus. Ao visitar o Capitão Átomo, este liberta uma enorme quantidade de energia quântica, abrindo uma passagem no fluxo temporal que permite ao Monarca regressar ao passado e confrontar os seus antigos companheiros.
      Porém, antes da batalha final, o Monarca rapta Rapina e Columba, assassinando esta e deixando-se matar pelo primeiro. É nesse momento que Rapina descobre ser uma versão mais velha de si mesmo que se esconde sob a armadura do Monarca.
       Resolvendo dar continuidade aos planos do seu eu futuro, Rapina enfrenta novamente os heróis, mas acaba transportado para a pré-História em conjunto com o Capitão Átomo depois de este, durante o duelo entre ambos, ter libertado outra enorme quantidade de energia quântica.
      Aparentemente, apenas o Capitão Átomo sobreviveu à refrega e subsequente viagem no tempo.
 
Rapina foi a segunda escolha para ser o Monarca.
                    
História de publicação: Cavalgando o sucesso, menos de dois antes, da saga Invasão! (Invasion! no original), em 1991 a DC apostou forte num novo de arco de histórias que partia de uma boa premissa e que prometia agitar o universo da editora.
      A ideia era pegar num dos seus heróis mais emblemáticos e transformá-lo num vilão. Mas não num vilão qualquer. Após trair os seus pares, ele seria o responsável pela morte de todos os outros heróis e governaria a Terra com mão de ferro. Assim nasceu o Monarca. O secretismo em torno da sua verdadeira identidade era, de resto, o grande atrativo da saga.
     Porém, nem tudo correu como previsto e Armageddon 2001 acabou por não corresponder às expectativas criadas. Em grande medida porque, malgrado a DC haver guardado a sete chaves a identidade do herói renegado que se transformaria no Monarca, essa informação (mesmo sem a ajuda da Internet) transpirou e a editora viu-se forçada a acionar um plano B.
     Inicialmente, o Capitão Átomo (que liderara a Resistência humana durante a saga Invasão!) fora o eleito para se tornar o Monarca. Quando essa informação se tornou do conhecimento público antes mesmo da conclusão da saga, à DC não restou outro remédio se não substituí-lo à pressa por outro herói.
 
O Capitão Átomo foi originalmente eleito para ser o Monarca, mas acabaria substituído pelo Rapina.
 
     O felizardo - para grande desapontamento dos leitores que contavam com um nome mais sonante -  foi o Rapina (cujo nome original é Hawk). O que desde logo levantou várias questões: além de não ser uma personagem de charneira, não dispunha do nível de poder do Capitão Átomo que lhe permitisse ter dizimado os restantes meta-humanos.
     Incongruências à parte, muitos se interrogaram porque havia então recaído a escolha sobre o pobre Rapina? Muito simples: tratava-se de uma personagem descartável. O seu título próprio tinha acabado de ser cancelado nos EUA e ele nunca esteve entre as personagens mais populares da DC. Por outras palavras, ninguém sentiria a sua falta. Mais: a DC chegara à conclusão que o efeito surpresa causado pela revelação final estava arruinado, pelo que não valia a pena sacrificar outro peso-pesado do universo DC para tentar salvar uma série condenada à partida.
     É caso para dizer que foi pior a emenda do que o soneto. A forma displicente como a DC resolveu a embrulhada causada pela revelação precoce da verdadeira identidade do Monarca, fez com que os leitores reagissem com indiferença à escolha do Rapina. Pior foram as várias pontas soltas decorrentes das alterações introduzidas à pressa na narrativa: no quinto volume da minissérie publicada no Brasil pela Abril, Tempus chega a investigar a Rapina e Columba, história em que ambos surgem a enfrentar o Monarca. Entre todas as personagens que foram alvo do escrutínio de Tempus, apenas estas duas não poderiam ser o vilão futurista, porquanto o mesmo não apareceu em nenhuma das outras histórias.
      Outra incongruência prendeu-se com o facto de, já antes da conclusão de Armageddon 2001, o Capitão Átomo, através dos seus comportamentos crescentemente violentos e do seu distanciamento em relação aos outros membros da Liga da Justiça, apresentar indícios da sua iminente transformação no Monarca.
      Em última análise, Armageddon 2001 só não foi um completo fiasco devido à qualidade de algumas histórias que apresentavam futuros possíveis de cada herói. Destaque para o futuro sombrio da L.E.G.I.Ã.O. (retratado no tomo 4 da minissérie da Abril) ou da história que apresenta Batman no corredor da morte, apresentada no terceiro volume da mesma. Muito bem conseguida também a versão futurista do Super-homem no segundo número da edição brasileira, na qual o Homem de Aço empreendia a uma desnuclearização planetária (história com vários pontos de contacto com o guião de Superman IV- Em Busca da Paz).
 
Tempus regressa ao passado para salvar o futuro da humanidade.
 
Curiosidades:
* O Monarca sobrevive à viagem no tempo junto com o Capitão Átomo. Os dois acabam lutando lado a lado, para evitar uma invasão alienígena na saga Armageddon: The Alien Agenda (ainda inédita em Português). Ambos viajam pelo tempo para lutar contra os alienígenas. E durante a Segunda Guerra Mundial conseguem impedir a invasão. Após um teste nuclear americano, o Capitão Átomo consegue ser lançado de volta ao futuro e o Monarca desaparece. Mais tarde ele reaparece como Extemporâneo na saga Zero Hora, que serviu para, literalmente, pôr tudo a zeros (uma vez mais) na cronologia do universo DC;
* Depois de muitos anos, finalmente a DC conseguiu fazer com que o Capitão Átomo assumisse a identidade do Monarca. Primeiro foi revelado que o Capitão era na verdade um clone quântico de Nathaniel Adam. Então o verdadeiro voltou usando uma armadura muito similar à do Monarca e derrotou o clone. E mais recentemente, o Capitão foi ferido gravemente e teve que usar uma armadura igual à do Monarca, para conter a radiação que estava a vazar do seu corpo;
* Durante a saga A Noite Mais Densa Hank Hall (identidade civil do Rapina) ressuscita como Lanterna Negro;
* Nem todos os capítulos da saga original foram publicados pela Abril no Brasil. Entre essas histórias inéditas, uma apresentava o confronto final de Batman com Ra's Al Ghul e a sua filha, Talia.
Na minha coleção desde: 2013
 
Algumas das capas da versão brasileira de Armageddon 2001.