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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

BD CINE APRESENTA: «QUARTETO FANTÁSTICO E O SURFISTA PRATEADO»



 
      Ligeiramente mais bem conseguida do que o primeiro filme, a sequela de Quarteto Fantástico, de tão insossa, esteve contudo longe de convencer a crítica e os fãs, ficando assim a franquia irremediavelmente comprometida.
 

Título original:  Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer
Ano: 2007
País: EUA
Género: Ação/Aventura/Fantasia
Duração: 92 minutos
Estúdio: 20th Century Fox e Marvel Studios
Realização: Tim Story
Argumento: Don Payne e Mark Frost
Elenco: Ioan Gruffudd (Reed Richards/Senhor Fantástico); Jessica Alba (Susan Storm/Mulher Invisível); Chris Evans (Johnny Storm/Tocha Humana); Michael Chiklis (Ben Grimm/O Coisa); Doug Jones (Norrin Radd/Surfista Prateado); Laurence Fishburne (voz do Surfista Prateado) e Julian MacMahon (Victor Von Doom/Doutor Destino)
Orçamento: 130 milhões de dólares
Receitas: 289 milhões de dólares

O premiado cartaz promocional de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado.
 
Produção: Em 2005, a primeira longa-metragem oficial do Quarteto Fantástico rendeu 300 milhões de dólares a nível mundial. Razão mais do que suficiente para, nesse mesmo ano, o cineasta Tim Story e o argumentista Mark Frost se sentarem à mesa para trocarem ideias sobre uma sequela. A eles juntou-se um segundo argumentista, Don Payne.  Os três deliberaram então que a história seria baseada na primeira aparição de Galactus nas páginas de Fantastic Four, bem como no arco de histórias em o Dr. Destino rouba os poderes ao Surfista Prateado. Outra referência para a conceção do argumento foi a série limitada Ultimate Extinction, integrada no Universo Marvel Ultimate.
       Provisoriamente intitulada Fantastic Four 2, era ponto assente que a sequela mostraria o famoso Fantastic-Car e daria maior destaque à personagem Alicia Masters. Já o anúncio da participação do Surfista Prateado na dupla qualidade herói/vilão, só foi feito em meados de 2006. A sua conceção resultou da combinação da interpretação de Doug Jones envergando um traje especial de cor prateada, com imagens geradas através de um sofisticado programa de computador.
       Em agosto de 2006, o projeto foi oficialmente renomeado de Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer, tendo as filmagens arrancado no final desse mês em Vancouver, no Canadá. Foi igualmente definida a data de lançamento: 15 de junho de 2007.

Dois anos após a estreia do primeiro filme, o Quarteto Fantástico voltou ao cinema em 2007.
 
Enredo:  Enquanto Reed Richards e Susan Storm se afadigam nos preparativos para o seu casamento, um misterioso corpo celeste prateado penetra na atmosfera da Terra, abrindo uma enorme cratera ao atingir o solo. Na sequência desse evento, o  Exército norte-americano pede a Reed para identificar e monitorizar os movimentos do citado objeto. Perante o desagrado da noiva, que o acusa de negligenciar os preparativos do casamento em prol do trabalho, o líder do Quarteto Fantástico recusa inicialmente o pedido feito pelos militares. No entanto, constrói em segredo um radar que lhe permite rastrear o objeto.
        Em plena cerimónia do casamento, o dispositivo criado por Reed deteta a rápida aproximação do fenómeno em direção a Nova Iorque. Devido aos pulsos eletromagnéticos por ele emitidos, ocorre um blackout que deixa a Grande Maçã mergulhada na escuridão.

Reed e Susan veem o seu casamento interrompido pela chegada do Surfista Prateado.
 
        Johnny Storm - o Tocha Humana - voa em perseguição do objeto e descobre, para seu assombro, tratar-se de um humanoide montado numa prancha de surf. Ao tentar intercetar o Surfista Prateado, Johnny é arrastado por este até à estratosfera e deixado cair de seguida. Sem oxigénio para alimentar as suas labaredas, o Tocha Humana despenca desamparado em direção ao solo, conseguindo, contudo, inflamar-se no derradeiro instante, escapando assim a uma morte certa.
        Horas depois, Ben e Johnny trocam de poderes, o que leva Reed a deduzir que a exposição à radiação cósmica emanada pelo Surfista Prateado modificou a estrutura molecular do Tocha Humana, permitindo-lhe, por meio do toque, absorver as habilidades dos seus colegas de equipa.
        Rastreando os resíduos de energia cósmica deixados pelo Surfista Prateado, Reed constata que uma série de planetas visitados pela criatura foram destruídos.
        À medida que o Surfista Prateado abre gigantescas crateras em redor do globo, Reed calcula que Londres será o próximo alvo do alienígena. O Quarteto Fantástico ruma à capital britânica, mas não chega a tempo de evitar que o rio Tamisa seja drenado pela enorme cratera entretanto criada.

Surfista Prateado: herói ou vilão?

        Frustrados, Reed e Susan consideram desistir das identidades de Senhor Fantástico e Mulher Invisível para constituírem uma família e viverem uma vida normal.  O Surfista Prateado, entretanto, chega à Latvéria e, inadvertidamente, liberta Victor Von Doom do sarcófago metálico onde permanecera aprisionado nos últimos dois anos.  O Dr. Destino propõe então uma aliança ao alienígena, mas este rejeita-a. Após uma breve refrega entre ambos, o Surfista parte, deixando para trás o vilão cujo corpo mutilado foi miraculosamente curado pela exposição ao seu poder cósmico.
        O Dr. Destino oferece então os seus préstimos ao Exército americano, com quem firma um acordo. O Quarteto Fantástico vê-se dessa forma obrigado a trabalhar em conjunto com o seu arqui-inimigo. Concluindo que a prancha usada pelo Surfista Prateado é a sua fonte de poder, Reed concebe um pulso energético capaz de separar os dois. Enquanto isso, o Dr. Destino constrói uma máquina cujo propósito se recusa a revelar.
O Dr. Destino volta a aprontar no segundo filme do Quarteto.

        Algures na Floresta Negra alemã, a Mulher Invisível estabelece diálogo com o Surfista Prateado, acabando este por confidenciar-lhe o seu remorso pela destruição por ele causada, na sua condição de servo de uma entidade cósmica de incomensurável poder chamada Galactus. Aproveitando a distração da criatura, os militares abrem fogo e o Senhor Fantástico dispara o seu pulso energético. Separado da sua prancha, o Surfista é facilmente capturado e levado para um complexo militar secreto na Sibéria, onde é torturado pelos seus captores que tentam assim  obter informações sobre os desígnios de Galactus.
        Usando o dispositivo por ele criado, o Dr. Destino rouba a prancha do Surfista Prateado. Depois de este ser libertado pelo Quarteto Fantástico, os cinco confrontam o vilão em Xangai. No decurso da batalha, a Mulher Invisível é mortalmente ferida. Com o arauto de Galactus ainda enfraquecido, o Tocha Humana absorve os poderes dos companheiros para enfrentar um Dr. Destino agora dotado de poder cósmico.
        O Dr. Destino é derrotado e o Surfista reavê a sua prancha. Porém, Galactus chega à Terra e Susan morre nos braços do marido.

A ameaça de Galactus, o Devorador de Mundos.
         Com o seu poder restaurado, o Surfista Prateado ressuscita a Mulher Invisível e escolhe defender o nosso mundo do cruel destino que lhe foi traçado pelo seu mestre. A batalha que se segue culmina numa enorme explosão de energia que engolfa ambos. Quando o clarão se dissipa, Galactus e o seu arauto desapareceram sem deixar rasto.
        Dias depois, Reed e Susan casam no Japão. Johnny, após estar em contacto com a prancha do Surfista, recuperou a sua estabilidade molecular. A meio dos festejos, surge a notícia de que Veneza se está afundar no Adriático. A equipa parta de imediato para Itália.
        Numa cena após os créditos finais, o corpo inerte do Surfista Prateado flutua no vácuo espacial, aparentemente sem vida. Subitamente, os seus olhos abrem-se e a sua prancha voa ao seu encontro.
     
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=q1QYHMMX_v4
 
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Curiosidades:
* Na primeira versão do argumento, estava prevista a participação de Nick Fury (o diretor da agência governamental secreta S.H.I.E.L.D.), personagem entretanto substituída pelo General Hager;
* No filme, Susan Storm receia ter um filho que será alvo da curiosidade pública. Na banda desenhada original, ela e Reed têm um filho, Franklin Richards, dotado de poderes mutantes cuja verdadeira amplitude ainda está por descobrir;
* Para melhorar o desempenho de Michael Chiklis no papel de Coisa, foi produzido um novo conjunto de próteses. Estas não só eram mais fáceis de usar e remover, como lhe providenciavam melhor ventilação. Os modelos protéticos utilizados no primeiro filme demoravam seis horas a aplicar e eram extremamente desconfortáveis;
 

 
* Jessica Alba usou uma peruca loira, depois de o seu cabelo ter ficado maltratado com a coloração aplicada no primeiro filme;
* Já com as filmagens em curso, os produtores  estavam ainda indecisos quanto a dotar ou não o Surfista Prateado de voz. Entre os vários nomes cogitados para emprestar a voz ao herói cósmico estiveram os atores Gary Sinise e Timothy Olyphant. A escolha, porém, recaiu em Laurence Fishburne que, inicialmente, fora pensado para dar voz a Galactus;
* Por terem detestado a caracterização do Dr. Destino no primeiro filme, os produtores exigiram que ele ficasse oculto sob uma túnica com capuz em todas as cenas da sequela em que figurasse;
* Em tempos, o realizador Tim Story afirmara que jamais teria robôs gigantes nos seus filmes. Não será portanto alheia a este facto a opção de Galactus - normalmente retratado como um ser robótico de proporções colossais - surgir sob a forma de uma imensa nuvem cósmica.
 

Prémios e nomeações: Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado ganhou dois prémios em 2008: um Gold Trailer Award para o melhor cartaz promocional e um Kids Choice Award para melhor atriz atribuído a Jessica Alba. O filme recebeu ainda duas nomeações para os Razzie Awards (uma espécie de anti-Óscares que distinguem o que de pior se faz em Hollywood): uma na categoria de pior atriz (Jessica Alba) e outra na de pior casal (Ioan Gruffudd e Jessica Alba), não tendo contudo saído vencedor em nenhuma delas.
 

Veredito: 35%

       Depois de ver Quarteto Fantástico, em 2005, interrompi de imediato os meus esforços no sentido de tentar encontrar na internet a versão integral do filme maldito de 1994 (aquele que a Marvel se arrependeu de ter autorizado e depois fez de conta que o mesmo nunca existiu). Ora, se uma adaptação oficial ao grande ecrã era atroz, nem queria imaginar quão má seria a oficiosa. Como não sou dado a esse tipo de exercícios masoquistas, escusei-me a descobrir.
        Em virtude desses dois antecedentes negativos, foi pois com baixíssimas expectativas que recebi este segundo filme do Quarteto. O que me poupou a maiores dissabores. Isto porque, apesar de estar uns furinhos acima do seu predecessor, Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado tem desde logo  o demérito de arruinar uma das sagas mais emblemáticas e intemporais do Universo Marvel. 
        Aparentemente, o realizador Tim Story discordava desta minha apreciação. Motivo pelo qual pegou na história original - escrita pelo próprio Stan Lee - e decidiu adulterá-la (embora acreditasse porventura estar a melhorá-la), alterando a essência e os poderes de algumas personagens.
        Não sendo eu um "purista", daqueles que zurzem um filme que não retrata fielmente cada pormenor da banda desenhada em que se baseia, há limites para as alterações a introduzir. A meu ver, não encontro justificação para o facto de, na sua versão cinematográfica, o Surfista Prateado retirar o seu poder da sua prancha. Para quem não sabe (ou para os mais distraídos), nos quadradinhos o ex-arauto de Galactus pode voar e usar o seu poder cósmico mesmo quando separado da sua prancha. Esta serve apenas para lhe poupar o dispêndio extra de energia que voar implica. Para terem uma ideia do absurdo, seria como fazerem um filme do Super-Homem em que os seus poderes derivassem da capa.
        Não obstante estas nuances ridículas - a que se soma a ausência da componente filosófica que sempre caracterizou as histórias de um homem que imolou a própria liberdade para salvar o seu mundo - o Surfista Prateado é o que de melhor a película tem para oferecer. Cada movimento seu no ecrã é hipnotizante. Absolutamente delicioso também o pormenor de o seu corpo parecer pulsar de energia cósmica. Parece, no entanto, que orçamento para os efeitos especiais se terá esgotado na conceção desta personagem porque, por outro lado, a elasticidade do Sr. Fantástico afigura-se ainda mais inverosímel do que no primeiro filme. O mesmo se passando com os campos de força da Mulher Invisível e as labaredas do Tocha Humana (poupo-me a fazer qualquer referência à ignóbil caracterização do Coisa).
        Desagradou-me igualmente o registo cómico. Se o humor é fundamental neste género de filmes, quando em excesso, torna-se contraproducente e pode mesmo pôr em xeque a credibilidade da história.
         Outro dos aspetos negativos de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado é a total ausência de química entre o casal de protagonistas (Ioan Gruffudd e Jessica Alba), fazendo lembrar dois adolescentes tímidos a quem arranjaram um encontro às cegas. Pior só mesmo o insípido Julian MacMahon como Dr. Destino. Um inegável erro de casting, indigno de dar vida a um dos mais carismáticos vilões da banda desenhada.
        Resumindo, não sendo intragável Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado consegue entreter  sem contudo deslumbrar. Pouco ou nada acrescenta em relação ao seu predecessor. Diz o povo que à terceira é de vez mas, neste caso, esse aforismo não se concretizou. Na verdade, desperdiçou-se nova oportunidade de promover junto do grande público uma das melhores equipas de super-heróis dos comics. Acredito que, tal como eu, muitos fãs do Quarteto continuem a preferir as velhinhas séries animadas do grupo. Venha de lá o reboot!
 
       

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