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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

ETERNOS: JIM STARLIN (1949 - ...)




     Especializado na produção de grandes sagas cósmicas, notabilizou-se também através da revitalização de personagens como Capitão Marvel ou Adam Warlock. Pelo seu talento, versatilidade e veterania, aos 65 anos, Jim Starlin continua a ser uma referência incontornável na indústria dos quadradinhos.


Biografia e carreira: Nascido a 9 de outubro de 1949 em Detroit (no estado norte-americano do Michigan), James P. "Jim" Starlin começou por escrever e desenhar histórias aos quadradinhos em vários fanzines afetos à 9º arte. Em 1972, estreou-se como profissional trabalhando lado a lado na Marvel Comics com um par de nomes sonantes: John Romita e Roy Thomas.
      Trazido para a Casa das Ideias pelo seu velho amigo Rick Buckler, Starlin faz parte da geração de argumentistas e ilustradores que cresceram com a Idade da Prata da Marvel. A este propósito, numa conferência dedicada a Steve Ditko (cocriador do Homem-Aranha em 1962), no âmbito da edição de 2008 da Comic-Con International, Starlin declarou: "Tudo o que sei sobre o processo narrativo devo-o a Steve Ditko e a Jack Kirby. A arte de ambos é insuperável."
      O primeiro trabalho profissional de Starlin ao serviço da Marvel consistiu em arte-finalizar algumas páginas do título The Amazing Spider-Man. Assumiu depois a arte de três números de Iron Man, ao longo dos quais foram introduzidas duas novas personagens por si idealizadas: Thanos e Drax, o Destruidor.
      Agradados com a qualidade do seu trabalho enquanto ilustrador de Captain Marvel nº25, os seus editores ofereceram-lhe a oportunidade de mostrar o seu valor como argumentista, convidando-o a escrever a história da edição seguinte. Sem hesitar, Starlin começou a desenvolver uma elaborada saga centrada no vilão cósmico Thanos, a qual logo se estendeu a outros títulos da editora. Starlin acabaria contudo por abandonar o título do herói kree antes de concluir o épico que ficou conhecido como A saga de Thanos.
Da esq. para a dir.: Adam Warlock, Surfista Prateado e Capitão Marvel. Jim Starlin sempre teve uma predileção por heróis cósmicos.
 
      Concumitantemente, em meados da década de 70 do século passado, Starlin produziu uma série de histórias para a antologia de ficção científica Star Reach, um projeto editorial independente. Nele desenvolveu as suas ideias acerca de Deus, Morte e Infinito (um tríptico omnipresente nas sagas cósmicas que produziu ao longo dos anos), liberto das restrições impostas pela autocensura vigente na indústria mainstream dos comics (sujeita aos ditames da Comics Code Authority).
       Após a sua passagem por Captain Marvel, Starlin e o argumentista Steve Englehart criaram Shang-Chi, o Mestre do Kung Fu, apesar de só terem produzido os primeiros números da respetiva série. Isto porque Starlin foi destacado para assumir Warlock, um título em declínio, centrado num herói geneticamente modificado, criado nos anos 1960 por Stan Lee e Jack Kirby, e reinventado por Roy Thomas e Gil Kane na década seguinte, tendo como inspiração Jesus Cristo. Perspetivando a personagem como alguém filosófica e existencialmente torturado, Starlin concebeu sozinho uma intrincada saga cósmica com uma forte componente psicológica e teológica. Com efeito, Warlock procurava contrariar os desígnios da Igreja da Verdade Universal, que almejava evangelizar todo o Cosmos e que, na verdade, fora fundada e liderada por uma versão maligna do próprio Warlock, autodenominada Magnus (numa clara referência às figuras de Cristo e do Anti-Cristo).
       Starlin teve assim o condão de pegar em dois títulos decadentes - Captain Marvel e Warlock - e transformá-los em séries de culto, arregimentando uma vasta legião de fãs.
 
Thanos foi uma das mais bem-sucedidas criações de Jim Starlin.
 
       Já com os seus créditos firmados no seio da indústria dos quadradinhos, em 1978 Jim Starlin associou-se a Howard Chaykin, Walt Simonson e Val Mayerik na fundação do Upstart Associates, uma espécie de estúdio partilhado com sede em Nova Iorque e cujo staff foi variando ao longo do tempo.
       Por essa altura, Starlin começou a trabalhar ocasionalmente para a DC. Além de desenhar algumas histórias de Batman publicadas em Detective Comics, passou por Legion of the Super Heroes. Em novembro de 1980, em parceria com o argumentista Len Wein, criou o vilão Mongul em DC Comics Presents nº27.
       Na sua constante demanda por  novos desafios, Starlin concebeu a saga Metamorphosis Odyssey, que apresentou ao mundo a personagem Vanth Dreadstar, em Epic Illustrated nº3. Originalmente, a história foi produzida a preto e branco, acabando, no entanto, por ganhar uma versão final colorida. Face ao sucesso da saga, primeiro a Epic Comics e depois a First Comics, publicaram a série regular Dreadstar.
 

Dreadstar foi um dos expoentes máximos do trabalho de Jim Starlin.
 
       Ciente do fascínio de Starlin em relação à morte, a Marvel concedeu-lhe entretanto a oportunidade de conceber uma história que retrataria o ocaso de uma das suas personagens de charneira. The Death of Captain Marvel (1982) tornou-se assim a primeira novela gráfica publicada sob a égide da Casa das Ideias.
       Em 1985, Starlin e Bernie Wrightson  (ilustrador celebrizado pelos seus trabalhos na BD de terror) produziram Heroes for Hope, uma edição especial com a chancela da Marvel, que serviu para angariar fundos para o combate à fome em África. Iniciativa à qual se associaram  outros notáveis sem qualquer ligação aos comics, como o escritor Stephen King.
       No ano seguinte, agora sob os auspícios da DC, Starlin voltou a colaborar num projeto beneficente com propósito idêntico: Heroes Against Unger (edição estrelada por Batman e Super-Homem). Na sequência deste seu trabalho, foi convidado para escrever as histórias do Cavaleiro das Trevas. Entre elas destacam-se Ten Nights of the Beast e Batman: A Death in the Family, esta última narrando a morte do segundo Robin.
 
The Ten Nights of the Beast foi uma das produções mais notáveis de Starlin ao serviço da DC.
 
       Regressado à Casa das Ideias, em meados da década de 1990, Starlin começou por revitalizar a série Silver Surfer. Como se tornara norma na sua colaboração com a Marvel, introduziu Thanos na narrativa, a qual desaguaria  na aclamada minissérie Infinity Gaunlet (Desafio Infinito). A história trouxe de volta Adam Warlock, morto pelo próprio Starlin em 1977. O êxito de Infinity Gaunlet abriu caminho para duas sequelas (ambas escritas por Starlin): Infinity War (Guerra Infinita) e Infinity Cruzade (Cruzada Infinita).
        Em 2003, Starlin escreveu e desenhou Marvel: The End, saga novamente estrelada por Thanos e que incluía uma miríade de personagens da editora. Nos anos que seguiram, Starlin colaborou com editoras independentes como a Devil's Due e a Dynamite Entertainment.
        De novo ao serviço da DC, entre 2007 e 2008, Starlin escreveu e desenhou The Death of the New Gods, reformulando de passagem a origem do Gavião Negro. Em 2013, assumiu a responsabilidade pelos argumentos de Stormwatch, a partir do 19º número da série lançada no âmbito de Os Novos 52!.
         Fora dos quadradinhos, Starlin - casado há 24 anos com a colorista Daina Graziunas - escreveu quatro novelas a meias com a sua esposa. A primeira - Pawns - data de 1989 e a última - Thinning the Predators - foi publicada em 1996.
         Em 2010, a IDW/Desperado publicou uma retrospetiva de 312 páginas da carreira do autor, sob o título The Art of Jim Starlin. Escrita pelo próprio, foi também lançada uma série numerada e assinada da obra, composta por 250 exemplares.
 
Stormwatch trouxe Jim Starlin de volta à ribalta.

Prémios e distinções: Desde os primórdios da sua extensa carreira artística que Jim Starlin começou a colecionar prémios e nomeações. Logo em 1973, arrecadou um Shazam Award na categoria de Assombroso Novo Talento, a meias com Walt Simonson. Em 1986, viu reconhecido o seu trabalho em Dreadstar ao ser-lhe atribuído um Haxtur Award para a melhor saga. Distinção que acumulou, nesse mesmo ano, com o Bob Clampett Humanitarian Award (cujos louros repartiu com Bernie Wrightson por Heroes for Hope). Já este século, em 2005, recebeu novo Haxtur Award, desta feita na categoria de Melhor Autor. A estes prémios soma-se um vasto rol de nomeações e distinções em segmentos tão diversificados como Melhor Argumento, Melhor Capa, Melhor Ilustrador, entre muitos outros.
 
Jim Starlin: um autor de sucesso, dentro e fora da BD.
 
 
 
  
   

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