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sexta-feira, 30 de maio de 2014

BD CINE APRESENTA: «X-MEN 3 - O CONFRONTO FINAL»



       Já sem Bryan Singer na cadeira de realizador, o apoteótico terceiro capítulo da saga cinematográfica dos X-Men mostra-nos a espécie mutante mais dividida do que nunca enquanto enfrenta a ameaça de extinção. Em meio à luta pela sobrevivência, ambas as fações envolvidas disputam o imenso poder da Fénix. Poderá haver vencedores nesta guerra fratricida?

Título original: X-Men 3: The Last Stand
Ano: 2006
País: EUA/Reino Unido
Duração: 104 minutos
Género: Ação/Aventura/Fantasia
Realização: Brett Ratner
Argumento: Simon Kinberg e Zak Penn
Distribuidora: 20th Century Fox
Elenco: Hugh Jackman (Logan/Wolverine), Patrick Stewart (Professor Charles Xavier), Ian McKellen (Magneto), Halle Berry (Tempestade), Famke Janssen (Jean Grey/ Fénix), Anna Paquin (Vampira), Rebecca Romijn (Mística), Kelsey Grammer (Dr. Henry McCoy/Fera),  Shawn Ashmore (Homem de Gelo), Ellen Page (Kitty Pryde), James Marsden (Ciclope), Ben Foster (Anjo), Daniel Cudmore (Colossus) Vinnie Jones (Fanático) e  Aaron Stanford (Pyro)
Orçamento: 210 milhões de dólares
Receitas: 459 milhões de dólares

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Produção: Em julho de 2004, Bryan Singer, realizador das duas anteriores longas-metragens dos pupilos do Professor Xavier, abandonou a produção do terceiro capítulo da saga, para assumir a direção de Superman Returns. O cineasta justificou esta decisão com o facto de não ter uma ideia completamente formada na sua cabeça sobre o próximo filme dos X-Men.
      Aquando da sua partida, Singer apenas tinha, com efeito, produzido, em conjunto com os argumentistas Dan Harris e Michael Dougherty (que o acompanhariam na transferência para o projeto da concorrência), um pequeno rascunho do enredo, o qual era exclusivamente baseado na saga da Fénix Negra.
     Nessa versão primitiva do argumento, a ressuscitada Jean Grey regressaria ao mundo dos vivos com uma personalidade mais destrutiva chamada Fénix. Mercê do seu enorme poder, Jean seria manipulada telepaticamente pela Rainha Branca (Sigourney Weaver chegou a ser sondada para o papel) para que se juntasse ao Clube do Inferno. Facto que levaria a uma disputa tripartida entre o Clube do Inferno (que ambicionava dominar o mundo), os X-Men (que desejavam salvar a sua camarada) e a Irmandade de Mutantes (que pretendia fazer uso do poder da Fénix para sobrepujar a humanidade). No final, para salvar toda a gente, Jean suicidar-se-ia. Porém, o seu espírito sobreviveria e converter-se-ia num ser divino que Singer comparou ao Filho das Estrelas de 2001, Odisseia no Espaço;
     Vários realizadores foram então contactados pela Fox para assumir o lugar vago deixado por Bryan Singer. Darren Aronofsky (Cisne Negro), Joss Whedon (Os Vingadores) e Zack Snyder (Homem de Aço) foram alguns dos nomes sondados, mas todos declinaram o convite em virtude dos compromissos que à data tinham em mãos. Assim, a escolha acabou por recair sobre Mattew Vaughn (que, cinco anos depois, dirigiria X-Men: First Class).
       Antes de ser forçado a abandonar o projeto devido a problemas familiares, Vaughn ainda teve tempo de selecionar os atores Kelsey Grammer, Vinnie Jones e Dania Ramirez para darem vida, respetivamente, ao Fera, ao Fanático e a Callisto.
       Com a data de estreia definida pela Fox a coincidir com o fim de semana do Memorial Day (importante feriado nacional nos EUA que recorda os mortos em combate), não havia tempo a perder e o senhor que se seguiu foi Brett Ratner. Curiosamente, o mesmo Ratner já havia sido cogitado, em 1996, para assumir a realização da primeira aventura dos X-Men no grande ecrã, acabando contudo preterido em relação a Bryan Singer.

http://latimesblogs.latimes.com/.a/6a00d8341c630a53ef015392eb7d81970b-600wi
Brett Ratner sucedeu a Bryan Singer na realização.

      Assumindo-se como pouco conhecedor da mitologia dos X-Men, Ratner confiou nos seus argumentistas (Zak Penn e Simon Kinberg) para desenvolverem uma história fiel à BD original. Kinberg (argumentista de outras duas adaptações da Marvel ao cinema, Elektra e Quarteto Fantástico) queria que os elementos extraídos da saga da Fénix Negra constituíssem a essência da película, mas teve de enfrentar as reservas dos produtores da Fox, que consideravam a narrativa demasiado sombria para um blockbuster de verão.
      A solução encontrada passou por engendrar uma trama que incluísse também elementos da saga Gifted (escrita em 2004 por Joss Whedon e publicada em Astonishing X-Men), designadamente a "cura" dos mutantes. O forte pendor político que lhe subjaz agradou aos produtores. Aprovada esta nova versão do argumento, as filmagens arrancaram em agosto de 2005, no Canadá. Além dos Vancouver Film Studios (os mesmos utilizados para a rodagem de X-Men 2), serviram de cenário o Parque Nacional de Hatley e a Universidade de Royal Roads (a fazer as vezes da Escola para Jovens Sobredotados do Professor Xavier).
     Com um orçamento de 210 milhões de dólares, X-Men 3: O Confronto Final foi, à data, o filme mais caro alguma vez produzido. Seria contudo destronado meses depois por Pirata das Caraíbas 2 (uns módicos 225 milhões de dólares).



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Enredo: Vinte anos atrás, o Professor Charles Xavier e o seu amigo Erik Lensherr visitaram a família de uma rapariguinha chamada Jean Grey, com o fito de a consciencializarem das suas formidáveis habilidades telecinéticas.
   Dez anos depois, o poderoso industrial Warren Worthington II descobre que o seu filho é um mutante. Envergonhado, o rapaz tenta cortar as asas que entretanto se haviam desenvolvido nas suas costas.
   No presente, os Laboratórios Worthington anunciam a criação de um soro que suprime o gene X responsável pelas mutações que conferem talentos extraordinários aos seus portadores. Essa "cura" foi desenvolvida a partir do genoma de um jovem mutante chamado Jimmy, que vive isolado nas instalações dos Laboratórios Worthington, localizadas na Ilha de Alcatraz, ao largo da baía de São Francisco. E é agora oferecida a todos os que desejarem levar uma vida comum, igual à de qualquer humano.
     Estarrecido com o anúncio do que considera ser um plano de extermínio dos seus semelhantes, Erik Lensherr - agora conhecido como Magneto - refunda a sua Irmandade de Mutantes com elementos que se opõem à "cura".

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É no genoma de Jimmy (à esq. a personagem original) que reside a "cura" para a espécie mutante.
 
      Ainda emocionalmente devastado pela perda de Jean Grey, Ciclope dirige-se ao Lago Alkali. Sem acreditar no seus próprios olhos, vê Jean aparecer diante dele. No entanto, quando os dois se beijam, Ciclope é desintegrado.
      Longe dali, na sua escola para jovens sobredotados, o Professor Xavier pressente telepaticamente o perigo e envia Wolverine e Tempestade ao Lago  Alkali para investigar. Chegados ao local, os dois X-Men deparam-se com pedras que flutuam em pleno ar e com Jean Grey inanimada. De Ciclope o único vestígio encontrado são os seus óculos de quartzo rubi.
     Quando Tempestade e Wolverine regressam à escola com o corpo inerte de Jean Grey, Xavier explica-lhes que quando ela se sacrificou para salvar a vida dos seus companheiros, libertou a sombria personalidade da Fénix, que o Professor, temendo o seu potencial destrutivo, havia reprimido telepaticamente anos antes.
     Wolverine mostra-se incomodado com estas revelações por parte do seu mentor, mas quando Jean desperta, ele logo percebe que ela matara Ciclope e que se trata agora de uma pessoa completamente diferente da que ele e os outros X-Men conheceram. Porém, é tarde de mais: Jean, depois de quase matar Logan, foge do sítio que um dia chamou de lar para se refugiar na sua antiga casa de família.

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Wolverine comanda os X-Men no confronto final com a Irmandade de Mutantes.
      Através da sua apaniguada Callisto, Magneto toma conhecimento do ressurgimento e localização de Jean Grey e resolve ir ao seu encontro na esperança de a conseguir recrutar para a sua causa. Assim, a Irmandade de Mutantes e os X-Men chegam ao mesmo tempo à casa onde Jean viveu a sua infância. Xavier e Magneto disputam então a lealdade da antiga X-Man até que a Fénix irrompe e, num piscar de olhos, pulveriza o seu antigo mentor antes de partir com o Mestre do Magnetismo.
      O próximo passo da Irmandade de Mutantes consiste em atacar os Laboratórios Worthington, com Magneto a usar os seus poderes para deslocar no ar a ponte Golden Gate, por forma a ligar a Ilha de Alcatraz ao continente e assim facilitar a ofensiva. Os X-Men, por seu lado, após reagruparem-se e mau grado a sua desvantagem numérica, procuram travar o ataque da Irmandade. Contam, todavia, com o apoio de um contingente militar equipado com armas que disparam dardos contendo o soro que neutraliza o gene X.
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Magneto e a sua Irmandade contam com o poder da Fénix Negra para saírem vitoriosos.

       Durante a batalha, o Fera inocula Magneto com o soro, anulando-lhe os poderes. Enquanto isso, Kitty Pryde usa a sua habilidade de desmaterialização para salvar Jimmy da fúria assassina do Fanático. Reforços militares chegam ao local e atacam a Fénix, que revida com violência, obliterando as tropas.
      Enquanto o poder da Fénix destrói tanto as estruturas da ilha como os mutantes de ambos os lados, Wolverine apercebe-se de que, graças ao seu fator de cura, é o único capaz de se aproximar dela. Por breves instantes, Jean assume o controlo da Fénix e implora a Wolverine que a mate. Acaba assim trespassada pelas garras de adamantium do homem que a amava.
      Algum tempo depois, a escola de Xavier reabre as portas, agora dirigida por Tempestade. Fera é nomeado embaixador na ONU pelo presidente dos EUA. Num parque em São Francisco, Magneto joga xadrez sozinho movendo as peças metálicas sem lhes tocar, sugerindo dessa forma que os seus poderes estão a regressar.
       Numa cena após os créditos finais, a Dra. Moira MacTaggert examina um paciente comatoso que a saúda telepaticamente com a voz de Charles Xavier.
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=_yM5h9Cbwzg

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O poder devastador da Fénix Negra.

Curiosidades:

* Para tornar mais convincente o seu duplo papel de Jean Grey e Fénix, Famke Janssen estudou exaustivamente material sobre transtornos de personalidade;
* Com a participação do Fera (que já tinha figurado no filme anterior) e do Anjo, ficou reunida pela primeira vez a formação primitiva dos X-Men: Professor X, Ciclope, Garota Marvel, Anjo, Fera e Homem de Gelo;
* Ciclope surge no filme por uns breves 4 minutos e 40 segundos, em resultado dos compromissos do ator que o interpreta (James Marsden) na rodagem de Superman Returns (onde reencontrou Bryan Singer). Na saga original, Ciclope era um dos protagonistas;
* Halle Berry dispensou duplos em quase todas as cenas de ação. Decorrente desse facto, durante a gravação de uma cena em que tinha de rodopiar no ar ficou tão nauseada que acabou por vomitar no set. Após esse incidente, o staff certificou-se de que havia sempre baldes por perto quando a atriz tinha de gravar cenas similares;
* Neste filme, Bolivar Trask é o Secretário da Segurança Nacional. Na BD (tal como é mostrado no recente X-Men: Dias de um Futuro Esquecido) foi o inventor responsável pela criação dos Sentinelas;
* Numa sequência que tem lugar na Sala do Perigo, os X-Men enfrentam durante uma sessão de treino os Sentinelas num cenário pós-apocalíptico baseado no arco de histórias Dias de um Futuro Esquecido;
* Stan Lee (criador dos X-Men em 1963) e Chris Claremont (argumentista da saga da Fénix Negra), surgem no início do filme como vizinhos da família Grey.

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Prémios e nomeações: Nomeado em categorias tão diversas como Melhores Efeitos Especiais, Melhor Banda Sonora ou Melhor Filme de Fantasia, X-Men 3: O Confronto Final apenas arrecadaria, no entanto, três prémios: um Satellite Award para Melhor Edição, um Saturn Award para Melhor Atriz Secundária (Famke Janssen) e um People's Choice Award para Melhor Atriz de Ação (Halle Berry).

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Mística (aqui ainda interpretada por Rebecca Romijn) faz o pleno nos filmes dos X-Men.

Veredito: 61% 

      Não sendo o melhor filme dos X-Men, está longe também de ser o pior. Se é verdade que este terceiro capítulo da série perde na comparação com o segundo, não é menos verdade que supera a todos os níveis  o primeiro.
      X-Men 3: O Confronto Final confirma desde logo a dificuldade em adaptar a mitologia dos Filhos do Átomo ao grande ecrã, tão grande é a quantidade de personagens e tão complexas são as suas sagas. Inevitavelmente - como, de resto, sucede com quase todas as personagens que saltam dos quadradinhos para a tela - o resultado final fica sempre aquém das expectativas dos fãs mais puristas.
     Entre os seus pontos positivos, o filme extasia o espectador com a magia dos efeitos especiais (a cena em que Magneto ergue no ar a ponte Golden Gate é simplesmente assombrosa) ao mesmo tempo que o entretém com fantásticas sequências de ação. Proporciona ainda a oportunidade de vermos pela primeira ganhar vida um vasto leque de personagens emblemáticas da BD original, como o Fanático, o Anjo e, claro, a Fénix Negra.
    Entre os ponto negativos, destaca-se a leviandade com que os argumentistas mataram personagens importantes (Professor Xavier e Ciclope) como se de meros figurantes se tratassem. É, aliás, no pouco enfoque dado por Bretner à interação entre as personagens principais que reside um dos aspetos que mais deixa a desejar no filme. Faltam umas pitadinhas de emoção e um subtexto político menos incipiente.
      Ainda assim, dentro do género, é uma película ambiciosa que cumpre com distinção a sua função de entretenimento.

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5 comentários:

  1. Concordo. :) Gosto muito do filme.
    Excelente post. ;)

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  2. Não é tão mau como o pintam.

    O excesso de personagens e a sua coordenação é que foi (muito) mal gerido.

    Precisava de mais 40 minutos de filme pelo menos e não as paupérrimas 1h,40m que teve para caracterizar melhor os personagens.

    Má mesmo foi a prestação da Fénix Negra via Famke Jansen, andava por ali a flutuar como um dirigível obtuso na 2ª metade do filme.

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    Respostas
    1. Não podia estar mais de acordo contigo, Pedro.
      Este "X-Men 3" é, provavelmente, o filme mais mal-amado de uma franquia que já leva 14 anos e que, além das 5 longas-metragens dos Filhos do Átomo já produzidas, inclui os 2 "spin-offs" do Wolverine. Trata-se, no entanto, na minha opinião, de um filme subestimado, porquanto também possui vários aspetos positivos, alguns dos quais ressaltei na minha crítica.
      No que diz respeito à abordagem feita por Famke Janssen à sua personagem, acredito que a ideia seria explorar o conceito de possessão (afinal, na BD original, Jean Grey serve de hospedeira à Fénix), daí resultando o seu comportamento errático ao longo do filme.

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  3. Referia-me à maneira como a fizeram flutuar, parecia pendurada num cabide.

    Claro que não espera um animismo par com a Dark Phoenix Saga mas teria sido bom se ela se comportásse de maneira mais teatral nas suas poses e gestos, mais agressiva nas situações em que a entidade Fénix assume o comando, em suma esperava mais grandiosidade, aqui parece uma bruxa ou um emulo da Feiticeira Escarlate, que também é um tipo de bruxa mas pronto... muito parada.

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  4. Este filme é certamente um divisor de opiniões. Vejo um ponto muito positivo ver pela primeira vez nas telas a formação original dos X-Men com Professor X, Ciclope, Jean Grey, fera, Anjo e Gelo, assim como você também mencionou.
    Porém, o excesso de personagens ficou visível, e alguns como o Fanático ficou relegado a apenas um destruidor de paredes sem cérebro. O filme tem uma boa fluência, mas um mal desenvolvimento de seus personagens em minha humilde opinião.

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