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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

DO FUNDO DO BAÚ: «A MORTE DO CAPITÃO MARVEL»





      Depois de desbravar as maravilhas do Universo e de triunfar sobre adversários de poder inimaginável, o Capitão Marvel sucumbiu à mais insidiosa das doenças. Um épico dramático com a assinatura de Jim Starlin.
 
Título original: Marvel Graphic Novel #1 - The Death of Captain Marvel
Licenciadora: Marvel Comics
Argumento e arte: Jim Starlin
Data: Fevereiro de 1982
Número de páginas: 68
Formato:  21 x 27,5 cm, colorido com lombada agrafada
 

A tétrica capa da primeira novela gráfica publicada pela Marvel.
 
 
Edição em Português: Graphic Novel nº3 - A Morte do Capitão Marvel
Editora: Abril Jovem (Brasil)
Data: 1988
Enredo: Em busca do corpo petrificado de Thanos (vítima do seu amor não correspondido pela Morte), Eros, Mentor e o Capitão Marvel realizam uma longa jornada nas estrelas. Focados na sua missão, os dois primeiros não deixam contudo de ficar intrigados perante o súbito interesse do seu companheiro de viagem em registar o seu legado.
       Na sequência de uma emboscada montada por um grupo de devotos de Thanos que procuravam impedir o resgate do corpo do Titã insano, Eros e Mentor assistem mortificados ao quase colapso do Capitão Marvel. Perante a insistência destes, o herói kree aquiesce em submeter-se a uma bateria de exames médicos, com vista a obter um diagnóstico sobre as causas da sua debilidade física.
       Graças à sua consciência cósmica, o Capitão Marvel já conhece, todavia, o mal de que padece,  não ficando portanto surpreendido quando os computadores de Mentor lhe diagnosticam um cancro em fase terminal. Consternado, Mentor informa o herói de que lhe restarão, no máximo, três meses de vida. Prognóstico que, embora terrível, Mar-Vell aceita com resignação. Tanto mais que ele sabe a origem da doença: a inalação de um gás venenoso aquando do seu confronto, meses atrás,  com um vilão chamado Nitro. O herói está até ao corrente do estado avançado do cancro que lhe mina o organismo, não obstante a sua evolução haver sido retardada pelos poderes das suas braceletes -sem as quais, ele provavelmente já teria sucumbido.


 
       Confirmado o terrível prognóstico, o Capitão Marvel apressa-se a tratar de alguns assuntos inacabados. Começa por informar a sua amada Elysius da sua condição e do tempo de vida que lhe resta. Retoma depois o registo de mais alguns episódios importantes da sua vida. Segue-se, por fim, uma viagem à Terra para visitar Rick Jones ( velho amigo e uma espécie de alter ego temporário durante uma época em que o herói cósmico esteve confinado na Zona Negativa).
       Rick reage com fúria e revolta à notícia, especialmente quando o amigo assume a sua impotência e resignação em relação à própria mortalidade. De nada adiantam as explicações de Mar-Vell de que os tratamentos a que tem vindo a ser sujeito se têm revelado ineficazes, mercê da sua fisiologia alienígena.  Além de que, devido ao seu estatuto de exilado, não poderá recorrer à medicina do seu mundo natal.
       Regressado a Titã (uma das luas de Saturno) e à companhia de Elysius, o Capitão Marvel medita sobre a sua morte iminente. Malgrado o seu conhecimento cósmico, não tem como compreender o que o espera após o término da sua vida.


A emotiva despedida de Mar-Vell e da sua amada Elysius.
 
       Enquanto, na Terra, Rick Jones lança um desesperado apelo aos Vingadores para que encontrem uma cura para a doença do Capitão Marvel, a notícia da sua morte anunciada espalha-se rapidamente pelo Universo suscitando reações díspares entre os compatriotas, os aliados e os inimigos jurados do herói.
       Para espanto geral, de vários quadrantes da galáxia chegam curandeiros e elixires enviados por uma miríade de povos alienígenas. Nenhum deles é, porém, compatível com a biologia kree do Capitão Marvel. Outra cruel ironia radica no facto de que as mesmas braceletes que lhe prolongaram a vida, são as mesmas que agora bloqueiam alguns destes tratamentos. Resta-lhe assim pedir a Eros que cuide de Elysius após a sua morte e prosseguir o registo das suas memórias.
       Longe dos olhares indiscretos, porém, Mar-Vell revolta-se contra o que considera uma traição do próprio corpo. Depois de ter levado a melhor sobre adversários de enorme poder e de ter salvado inúmeras vidas um pouco por todo o Universo, vê-se na iminência de perder a sua derradeira batalha contra o mais insidioso dos inimigos que alguma vez enfrentou.
       Com efeito, nem mesmo a combinação dos avançados conhecimentos científicos do Senhor Fantástico, do Fera e do Homem Ferro com a magia arcana do Doutor Estranho consegue reverter os efeitos nocivos da doença no organismo de Mar-Vell. Vítima da sua degradação celular, o herói finalmente colapsa, restando-lhe o consolo de não estar só na sua derradeira hora que inexoravelmente se aproxima.
       Do Homem-Aranha aos X-Men, passando pelo Quarteto Fantástico e Vingadores,quase todos os super-heróis da Terra marcam presença junto ao leito de morte do Capitão Marvel. Todos querem render a sua sentida homenagem a um homem de excecional coragem e altruísmo.

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Até os inimigos jurados dos Kree renderam homenagem ao Capitão Marvel.

       Porém, os seus amigos e aliados não os únicos a quererem prestar-lhe um derradeiro tributo. Um emissário oficial do Império Skrull (inimigos figadais dos Kree) comparece para entregar pessoalmente uma condecoração àquele que o seu povo considera ter sido um valoroso guerreiro.
       Instantes depois, Mar-Vell mergulha num coma profundo. Todavia, sem que os seus amigos o saibam, a sua mente permanece ativa. No que aparenta ser um sonho, o Capitão Marvel depara-se com um revivido Thanos que o desafia para uma última batalha, com vista a conceder-lhe o privilégio de morrer como um guerreiro. O herói enfrenta então os fantasmas dos seus arqui-inimigos, acreditando poder sair vitorioso dessa peleja.
      Quando finalmente percebe que tudo não passa de uma ilusão, Mar-Vell desiste de lutar e aceita o beijo da Morte. Thanos, por seu lado, declara que a Morte lhes irá mostrar a ambos que aquilo não será o fim, apenas um novo começo.

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O crepúsculo de um herói.

Na minha coleção desde: 1988



Notas finais: Tinha onze anos quando li pela primeira vez A Morte do Capitão Marvel, uma das primeiras coqueluches da minha coleção que, em 1988, se encontrava nos seus primórdios. Malgrado a minha imaturidade enquanto leitor, pelo seu registo pungente e dramático, logo percebi estar em presença de uma história a vários títulos marcante.
      Desde então, já a reli várias vezes (e também a dei a ler a um punhado de pessoas especiais). De cada vez que o faço, fico impressionado pelo arrebatador humanismo que lhe subjaz. Embora sempre tenha sido um fã incondicional das grandes sagas cósmicas produzidas por Jim Starlin (ver texto anterior), foi com A Morte do Capitão Marvel que definitivamente o elegi como um dos meus autores de BD prediletos. 
    Verdadeiramente notável a abordagem adulta que Starlin faz nesta narrativa ao conceito de mortalidade. A um só tempo, a luta do herói cósmico para aceitar a sua finitude é comovente e assustadora. Tanto mais que a única batalha que ele trava ao longo de toda a história tem lugar no seu subconsciente. Facto que reforça ainda mais o caráter ímpar e maravilhoso da trama, por contraponto às habituais mortes heroicas causadas por explosões, acidentes ou monstruosidades enfurecidas. A despeito dos seus poderes e habilidades, o Capitão Marvel sucumbe, a exemplo de qualquer comum mortal, a um cancro, numa cruel ironia que serve também para enfatizar a sua própria humanidade.
     Trata-se, em última análise, de um épico dos tempos modernos que, entre outros méritos, serviu como referencial para subsequentes novelas gráficas produzidas pela Marvel e pela DC. 32 anos volvidos, A Morte do Capitão Marvel continua a ser A graphic novel e uma das mais sólidas histórias da Idade do Bronze dos Quadradinhos, que muito me orgulho de possuir no meu acervo.

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In Memoriam Capitão Marvel.