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quinta-feira, 17 de outubro de 2019

CLÁSSICOS REVISITADOS: «O QUE ACONTECEU AO HOMEM DE AÇO?»


  Dez anos após o misterioso desaparecimento do Super-Homem, o mundo não esqueceu o seu maior herói. Sob a lenda jaz, porém, um filão de segredos por desvendar. Poderá Lois Lane, única testemunha ocular da hora suprema do ex-campeão de Metrópolis, ser a chave do enigma?

Título original: Whatever Happened to the Man of Tomorrow?
Editora: Detective Comics (DC)
País: Estados Unidos da América
Autores: Alan Moore (argumento), Curt Swan (esboços), George Pérez & Kurt Schaffenberger (arte-final)
Publicado em: Superman nº423 e Action Comics nº583 ( ambos lançados em setembro de 1986)
Personagens: Super-Homem; Lois Lane; Lex Luthor; Bizarro; Brainiac; Homem-Kryptonita; Metallo; Mister Mxyzptlk; Legião dos Super-Heróis; Legião dos Supervilões; Krypto; Homem dos Brinquedos; Galhofeiro; Jimmy Olsen; Lana Lang; Perry White; Alice White; Supergirl 
Cenários: Metrópolis e Fortaleza da Solidão


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Iniciada em Superman nº423, 
a história seria concluída em Action Comics nº583.

Edições em Português

Sob os auspícios da Abril, à época detentora dos direitos do Universo DC em Terras Tupiniquins, a primeira versão em língua portuguesa desta história clássica do Homem de Aço encerrava o alinhamento de Super Powers nº21. Edição em formatinho datada de maio de 1991, inteiramente dedicada a Alan Moore, e que incluía ainda o conto (já aqui dissecado) Para o Homem Que Tem Tudo.
Em 2003, seria a vez da Opera Graphica republicar a história sob o título Super-Homem - O Adeus, numa muito criticada edição a preto e branco que ignorava a colorização digital que lhe fora recentemente aplicada nos EUA. Lapso emendado três anos depois pela Panini Comics, ao inserir essa versão retocada no nono volume da sua coleção Grandes Clássicos DC.
A despeito da sua grada importância na memorabilia do Super-Homem, O Que Aconteceu Ao Homem De Aço? - à semelhança de tantas outras obras capitais da Editora das Lendas - segue inédita em terras lusitanas, onde apenas a edição da Abril desembarcou.

A versão retocada da história foi inserta
 em Grandes Clássicos DC nº9, da Panini Comics.

O fim de uma era

Em junho de 1938, chegava às bancas americanas uma edição histórica. Lançada pela National Allied Publications (antepassada da DC Comics), Action Comics nº1 marcou o início da publicação do Super-Homem.
Mais popular do que qualquer outra das publicações da National, Action Comics devia o seu sucesso ao herói superpoderoso criado por Jerry Siegel e Joe Shuster. Tanto assim que, num movimento sem precedentes, a editora resolveu apostar num título próprio do Homem de Aço. Precisamente um ano após o lançamento de Action Comics, foi colocado à venda o primeiro número de Superman.
Mesmo em dose dupla, o Super-Homem continuava a entusiasmar os leitores e as vendas mantiveram-se nos píncaros durante os anos 1940. Mas nem o Homem de Aço ficou imune às profundas transformações sociais do pós-guerra.

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Action Comics nº1 marcou o início da Idade de Ouro dos super-heróis.
No decorrer das décadas seguintes, a personagem passaria por significativas mudanças, assistindo-se também a uma evolução das suas tramas. Se nas suas primeiras aparições o Super-Homem enfrentava bandidos comuns e políticos corruptos, com o tempo as suas histórias foram ganhando um viés mais fantástico. Sobretudo após o surgimento dos primeiros supervilões.
Em 1954, o Comics Code Authority impôs um conjunto de regras visando impedir que as histórias aos quadradinhos exercessem influência negativa nas crianças e jovens. Surgindo desse modo a necessidade de criar tramas mais ligeiras, enfatizando de caminho a respetiva moralidade.
No caso específico do Homem de Aço, isso passou por realçar o seu heroísmo e virtuosismo. Características que se tornariam o seu cartão de visita, valendo-lhe a alcunha de "Super-Escuteiro".
Destas mudanças resultaram inevitavelmente inconsistências em relação ao conceito original. Sendo uma das mais flagrantes a participação do Super-Homem em duas organizações heroicas que atuavam em contextos históricos diferenciados. Com efeito, ele era simultaneamente membro honorário da Sociedade da Justiça da América e membro ativo da Liga da Justiça da América (herdeira direta da primeira).
Este conflito seria resolvido em Flash nº123. Nessa edição de setembro de 1961, foi apresentada a história Flash of Two Worlds (Flash De Dois Mundos), que lançou as bases do Multiverso DC. A partir desse momento, ficou estabelecida a existência de dimensões paralelas habitadas por personagens de diferentes épocas. Aquelas que haviam surgido durante a Idade de Ouro (1938-1955), assim como as respetivas histórias, pertenceriam à Terra-2. Ao passo que a Terra-1 acomodaria as histórias e personagens publicadas desde 1956 (ano inaugural da Idade de Prata).

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A história Flash De Dois Mundos mudaria para sempre o Universo DC.
Como as histórias do Super-Homem vinham sendo publicada sem interrupções, era preciso esclarecer quais as que pertenciam ao cânone. A separação das águas ocorreria em 1969. Nesse ano, a DC estipulou que a personagem apresentada em Action Comics nº1 era Kal-L, e que este deveria ser relegado para a Terra-2. Por conseguinte, apenas as histórias do Homem de Aço publicadas a partir de 1961 seriam ambientadas na Terra-1.
Embora fascinante, o conceito de Multiverso acabaria, contudo, por se revelar demasiado confuso. Inúmeros mundos paralelos foram pipocando nos anos seguintes, na mesma proporção em que os leitores se iam afastando.
Face ao declínio das vendas, a DC decidiu juntar todas as suas personagens e publicações num universo compartilhado. Para que isso fosse possível, era necessário encerrar todos os títulos ativos.
Aproveitando as celebrações do seu 50º aniversário, em 1985 a Editora das Lendas lançou Crisis on Infinite Earths, minissérie em 12 edições que culminou com a destruição pura e simples de todas as dimensões paralelas, estabelecendo uma única e renovada realidade.

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Crise nas Infinitas Terras ditou o fim do Multiverso DC.
Com a conclusão do evento, a continuidade ficcional iniciada na década de 1960 seria definitivamente encerrada. Assim, entre outubro e dezembro de 1986, o único título protagonizado pelo Super-Homem foi a minissérie Man of Steel (já aqui esmiuçada), com assinatura de John Byrne. Além de uma nova origem para o Último Filho de Krypton, a história de Byrne estabelecia um novo cânone.
Em consequência disso, Julius Schwartz, editor dos títulos do Super-Homem, deixaria a função que vinha desempenhando desde 1971. Ocorreu-lhe então a ideia de apresentar a última história do Super-Homem, aquela que marcaria o fim de uma era e o princípio de uma lenda. Para reforçar este simbolismo, Schwartz escolheu inicialmente Jerry Siegel para escrevê-la. Apesar de honrado, o cocriador do Homem de Aço foi obrigado a recusar o convite, devido a impedimentos legais.

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Julius Schwartz (1915-2004) foi
 um dos mais influentes editores do Homem de Aço.
Quando tomou conhecimento da intenção de Julius Schwartz, o britânico Alan Moore -por aqueles dia, uma estrela em ascensão devido ao seu trabalho em Swamp Thing - colocou de imediato a sua pena à disposição. Grande admirador do Homem de Aço, Moore não desperdiçou a oportunidade de homenageá-lo e fez questão de incluir na história elementos fundamentais da mitologia do herói. Reunindo assim todos os ingredientes para a produção da aventura final do Super-Homem clássico.
Por muitos considerado o artista definitivo do Homem de Aço, Curt Swan apresentou-se a Julius Schwartz como a escolha natural para desenhar a despedida do mito que o seu lápis ajudou a esculpir durante anos a fio.
Desta soma de vontades nasceria um épico que engrandeceria ainda mais o seu protagonista, encerrando tudo o que sobre ele fora previamente escrito. Chegava ao fim uma era e nada voltaria a ser igual.

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Nenhum outro artista desenhou
 tantas histórias do Super-Homem como Curt Swan (1920-1996).

A sua hora suprema

Corre o ano de 1997. Passou uma década desde a última vez que o Super-Homem foi avistado. Muitos acreditam que ele morreu; outros que ele deixou a Terra; e há também aqueles convencidos que ele ainda vive entre nós sob novo disfarce.
Tim Crane, um repórter do Daily Planet, visita a agora ex-jornalista Lois Lane-Elliot, na expectativa de que a única testemunha ocular dos momentos finais do herói possa verter alguma luz sobre o seu misterioso sumiço.
Perante o indisfarçável enfado do seu marido, um mecânico de automóveis chamado Jordan Elliot, Lois aceita revisitar os últimos dias do homem que em tempos foi dono do seu coração.
Dez anos atrás, após incontáveis crises e conflitos, a paz reinava finalmente em Metrópolis. Quatro dos mais perigosos inimigos do Super-Homem haviam sido neutralizados: Terra-Man e Parasita tinham-se destruído mutuamente; Lex Luthor estava desaparecido há anos; e Brainiac - agora um ser robótico - fora danificado além do reparável.
Parecendo não haver mais contra quem lutar, o Homem de Aço dedicara-se à exploração espacial, passando longas temporadas ausente da Terra.
Ao regressar de mais uma dessas missões nos confins da galáxia, o herói deparou-se com o primeiro incidente: Metrópolis parcialmente arrasada por Bizarro e centenas de baixas civis. Até aí um aleijão bem-intencionado cujo raciocínio invertido o impelia porém a fazer o exato oposto do que pretendia, Bizarro passara repentinamente a agir como um monstro sanguinário.
Derrotado pelo Homem de Aço, o moribundo Bizarro confessou que era tudo parte de um plano para o seu autodesenvolvimento. A ideia era afirmar-se, em todos os sentidos, como a duplicata imperfeita do herói.
Se o Super-Homem salvava vidas, Bizarro tirava-as; já que Krypton fora destruído por causas naturais e o Super-Homem chegou à Terra ainda bebé, Bizarro obliterou o seu mundo e veio para o nosso em adulto; por fim, Bizarro cometeu suicídio com recurso a uma amostra de kryptonita azul (ver Apontamentos), porque, se o Super-Homem, estava vivo, então ele tinha de morrer.

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O suicídio de Bizarro deixou o Super-Homem aturdido.
Ainda abalado por este perturbador episódio, dias depois o Homem de Aço teve o seu maior segredo exposto em horário nobre. Galhofeiro e Homem dos Brinquedos, dois criminosos de segunda categoria, foram os autores da proeza.
Às instalações da WGBS (estação televisiva onde Clark Kent trabalhava como pivô) haviam chegado duas caixas, minutos antes de o principal noticiário ir para o ar. Clark estava a postos para o início da emissão quando de uma das caixas saíram brinquedos automatizados que começaram a bombardear tudo à sua volta.
Enquanto os seus colegas procuravam abrigo, Clark foi atingido em cheio por diversos disparos. Apesar de protegido pela sua invulnerabilidade, o ataque destruiu-lhe as roupas civis, revelando o uniforme azul e vermelho que trazia vestido sob elas. Momento captado e transmitido em direto pelas câmaras de TV para milhões de telespectadores.

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    O Super-Homem teve o seu maior segredo
     exposto em horário nobre.

Através de um dos bonecos,  o Galhofeiro e o Homem dos Brinquedos revelaram como haviam conseguido extorquir a informação sobre a verdadeira identidade do Super-Homem: torturando até à morte Pete Ross, um amigo de infância de Clark Kent em Smallville. Era seu o cadáver que estava dentro da segunda caixa.
Rastreando as ondas de rádio da transmissão, o Homem de Aço localizou rapidamente a parelha de assassinos, mas começou a temer o pior. Se os incómodos do passado viraram assassinos, o que esperar quando reaparecerem os assassinos de sangue frio?
Ao mesmo tempo que, em Metrópolis, o Super-Homem lidava com as ondas de choque da bombástica revelação da sua identidade, algures no Círculo Polar Ártico Lex Luthor encontrava a cabeça inerte de Brainiac. Esta ficou, porém, subitamente ativa e, num piscar de olhos, conseguiu dominar mentalmente Luthor, passando a controlar-lhe o corpo como se de uma marioneta humana se tratasse.

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Luthor e Brainiac tornam-se um só.
Após construir uma nave para o transportar até à Cidade do Amanhã, o híbrido Luthor-Brainiac recrutou o Homem-Kryptonita. Também ele se sentia estranhamente compelido a destruir o Super-Homem.
Em Metrópolis, um grupo de Metallos atacou a redação do Daily Planet, semeando o caos. Após dirimir a ameaça, o Homem de Aço, temendo pela vida dos seus entes queridos, levou Lois Lane, Lana Lang, Jimmy Olsen e o casal Perry e Alice White para a sua Fortaleza da Solidão. Por essa altura já era claro para todos que os ataques em curso não eram aleatórios, e que outros se lhes seguiriam em breve.
À Fortaleza da Solidão chegou também Krypto. Após uma prolongada ausência, o Super-Cão, porventura pressentindo o perigo que rondava o dono, ajudou-o a proteger os seus hóspedes.
Entretanto, os preparativos do Super-Homem para um cerco foram interrompidos pela inesperada visita da Legião dos Super-Heróis, do século XXX. Mais surpreendente ainda foi a presença da Supergirl na comitiva, uma vez que ela estava morta no presente.
Não menos desconcertante foi o presente que o Homem de Aço recebeu dos legionários: uma estatueta sua segurando o projetor da Zona Fantasma e com a frase "A sua hora suprema." inscrita na base.

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Super-Homem é surpreendido pela visita
 da Legião dos Super-Heróis e da Supergirl.
Após a partida da Legião, o significado da oferenda tornou-se claro para o Super-Homem: os heróis do futuro visitaram-no naquela data específica para lhe renderem a sua derradeira homenagem. A sós com Krypto, um Homem de Aço fragilizado chorou ao imaginar a sua morte iminente.
Na manhã seguinte, os temores do Super-Homem começaram a concretizar-se. A Legião dos Supervilões - igualmente oriunda do século XXX e composta por Rei Cósmico, Rainha Satúrnia e Lorde Trovão - viajou para o passado para testemunhar o confronto final do Homem de Aço com o seu maior inimigo. Segundo as lendas, seria esse o ocaso do herói.
Com o Super-Homem e os seus amigos barricados no interior da Fortaleza da Solidão, o híbrido Luthor-Brainiac ergueu um campo de força em redor da estrutura para impedir a entrada dos outros heróis que tentavam acudir-lhes.

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Luthor-Brainiac e a Legião dos Supervilões
 preparam o assalto à Fortaleza da Solidão.
À noite, Jimmy Olsen e Lana Lang usaram artefactos expostos na Sala de Troféus da fortaleza para adquirirem superpoderes. Num misto de coragem e imprudência, decidiriam atacar os vilões antes que eles conseguissem invadir o local. Lana subjugou o Homem-Kryptonita, dando tempo a Jimmy para desligar o gerador do campo de força.
Durante a refrega, Luthor conseguiu anular momentaneamente a influência de Brainiac, implorando a Lana para que pusesse fim à sua agonia. Lana partiu-lhe o pescoço, mas teve os seus poderes eliminados pelo Rei Cósmico. Ato contínuo, Lorde Trovão eletrocutou a jovem, impregnando o ar com um intenso cheiro a carne queimada.
Cego pela raiva, Jimmy Olsen investiu sobre os assassinos, mas acabou também ele morto por Brainiac, que ainda conservava o controlo sobre o corpo sem vida de Luthor. Em seguida, o vilão detonou uma ogiva nuclear, derrubando finalmente as paredes da Fortaleza da Solidão.
Era chegado o momento da ofensiva final e o Homem-Kryptonita tomou a dianteira. A sua intenção era envenenar o Super-Homem, mas foi morto por Krypto. Que, por sua vez, também sucumbiu aos efeitos da kryptonita.

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Fiel até ao fim, Krypto morre a proteger o seu amo.
Ao deparar-se com o cadáver calcinado de Lana, o Super-Homem quase incinerou o Lorde Trovão com a sua visão de calor. Provocando, assim, a debandada da Legião do Supervilões. O grupo mantinha-se, porém, convicto da inevitabilidade da vitória de Brainiac.
Contudo, o híbrido Luthor-Brainiac tombou pesadamente por terra, quando o rigor mortis tomou conta do corpo de Luthor.
Perante aquela reviravolta, o Super-Homem deduziu quem era, afinal, o verdadeiro responsável pelos ataques:  Senhor Mxyzptlk, o duende da Quinta Dimensão.
Mxyzptlk revelou por fim a sua presença, já não como um duende com chapéu de coco, mas como um gigante quadrimensional vagamente humanoide. Após dois mil anos a realizar pequenas travessuras, a criatura ficara entediada e pretendia iniciar uma nova fase na sua existência imortal na pele de um diabólico vilão.
Com a ajuda de Lois, o Super-Homem percebeu finalmente o verdadeiro significado do presente ofertado pela Legião dos Super-Heróis. O projetor da Zona Fantasma era a chave para derrotar Mxyzptlk.

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Lois descobre a chave para derrotar o diabólico Mxyzptlk.
Na mira do Homem de Aço, Mxyzptlk apressou-se a dizer o seu nome ao contrário, para assim regressar à Quinta Dimensão. Nesse mesmo instante, o Super-Homem acionou o projetor da Zona Fantasma. Despedaçado entre as duas dimensões, Mxyzptlk soltou um grito aterrador antes de morrer.
Como penitência por ter violado o seu juramento de nunca matar, o Homem de Aço, perante o olhar atónito de Lois, adentrou num compartimento onde mantinha guardadas amostras de kryptonita dourada. Despojado dos seus poderes, o herói encaminhou-se depois para o exterior da Fortaleza da Solidão para nunca mais ser visto.
Quando os restantes heróis conseguiram finalmente penetrar na fortaleza, encontraram apenas três sobreviventes: Lois Lane e o casal White. Do corpo do Super-Homem nem sinal. Todos assumiram que havia sucumbido aos rigores do Ártico. Era o fim do maior campeão da Justiça..
Lois Lane conclui a entrevista dizendo que, apesar de o corpo do herói nunca ter sido encontrado, ela sabia que o Super-Homem havia morrido naquele dia.

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O fulgor dourado da despedida do maior herói de todos os tempos.
Após a partida do repórter, Lois conversa animadamente com o marido acerca dos prazeres de uma vida normal. Ambos estão aliviados e esperam ser deixados em paz por mais uma década. Sem que nenhum deles se aperceba, Jonathan, o filho bebé do casal, esmaga com a mão um pedaço de carvão, transformando-o num reluzente diamante.
Antes de fechar a porta do quarto do pequeno Jonathan, Jordan Elliot brinda os leitores com uma piscadela de olho. Gesto que confirma que ele é na verdade o Homem de Aço disfarçado.

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Segredos familiares.

Apontamentos

*O título original da história é uma referência a Whatever Happened to...?, série de pequenos contos que, a partir de meados dos anos 1970,  revisitavam personagens da Idade de Prata há muito caídas no esquecimento. Essas histórias eram publicadas em DC Comics Presents, título que também tinha Julius Schwartz como editor;
*O termo Homem do Amanhã (Man of Tomorrow, em inglês) é um dos cognomes do Super-Homem e remete ao conceito de "Übermensch" citado em Assim Falou Zaratrusta. Alguns estudiosos da 9ª Arte acreditam que essa obra do filósofo germânico Friedrich Nietzsche terá influenciado a criação do herói;
*Na capa original de Action Comics nº583, Jenette Khan (na altura, presidente-executiva da DC), Curt Swan e Julius Schwartz encabeçavam a pequena multidão que, no topo do edifício do Daily Planet, se despedia do campeão de Metrópolis;
*Jordan Elliot, a nova identidade civil do Super-Homem, presta homenagem a Jor-El, o pai kryptoniano do herói. Também o nome do seu filho bebé, Jonathan, é uma clara referência a Jonathan Kent, o pai adotivo de Clark Kent;
*Ocasionalmente traduzida no Brasil como Super-Mulher, a Superwoman surge em dois momentos distintos da narrativa: no primeiro, integra o contingente de heróis que tentam atravessar a barreira erguida por Brainiac em redor da Fortaleza da Solidão; no segundo, já no interior da estrutura semidestruída, examina os restos mortais dos amigos e inimigos do Super-Homem. A sua presença indicia que a história não tem lugar na Terra-1, uma vez que nessa realidade a Superwoman é Kristin Wells, uma descendente de Jimmy Olsen do século 29. Com efeito, em 2006, a edição definitiva de Crisis on Infinite Earths, estabeleceu que O que Aconteceu ao Homem de Aço? era ambientada na Terra-423;

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Kristin Wells, uma das mulheres
 que assumiram o manto da Superwoman.
*Mesmo tendo apenas arte-finalizado os esboços de Curt Swan, George Pérez considerou a sua participação no projeto um dos momentos mais gratificantes da sua carreira;
*Insatisfeito com a simplificação da mitologia do Super-Homem decorrente do protocolo modificativo de John Byrne após Crise nas Infinitas Terras, Alan Moore revisitou muitos dos temas das histórias clássicas do herói durante a sua passagem, nos anos 90, por Supreme - pastiche do Homem de Aço criado por Rob Liefeld e originalmente publicado pela Image Comics. Do ponto de vista de Moore, o revisionismo de Byrne descaracterizara por completo o Super-Homem, transformando-o numa personagem diferente;
*Em 2009, o britânico Neil Gaiman escreveu Whatever Happened to the Caped Crusader? (O Que Aconteceu ao Cruzado Encapuzado?), explorando premissas similares às da história final do Homem de Aço, da autoria do seu compatriota e arquirrival. Numa altura em que Gaiman vinha reincorporando diversos elementos da Idade de Prata na mitologia moderna do Homem-Morcego, a trama descrevia as repercussões da aparente morte de Bruce Wayne e da subsequente assunção do manto do Batman por Dick Grayson. Apesar das reações maioritariamente positivas da crítica e dos fãs, a história de Gaiman perde na comparação com a de Alan Moore;

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Também o Batman teve direito à sua aventura final.

*Uma eleição promovida entre os visitantes da plataforma Comic Book Resources atribuiu a O Que Aconteceu ao Homem de Aço? o 25º lugar na lista das 100 melhores histórias de super-heróis de todos os tempos;
*Elemento fundamental da mitologia do Homem de Aço - e sua principal fraqueza -, a kryptonita foi introduzida pela primeira vez em junho de 1943, num episódio do programa radiofónico The Adventures of Superman. Seis anos depois, ganharia estatuto canónico através de uma história publicada em Superman nº61. Embora a kryptonita verde seja a mais comum, a Idade de Prata popularizou outras variedades multicoloridas dessa substância radioativa potencialmente letal para os kryptonianos. Correspondendo a cada uma delas efeitos diferenciados: a vermelha afetava, de forma temporária e imprevisível, a personalidade do Super-Homem; a dourada removia-lhe definitivamente os poderes (ainda que o processo tenha sido revertido por mais que uma vez); a branca era mortal para a flora de qualquer planeta; a azul (manufaturada pelo próprio Homem de Aço) era apenas prejudicial para os habitantes do Mundo Bizarro;
*Criação de Jerry Siegel e  Ira Yarbrough, Mister Mxyztplk, um endiabrado duende da Quinta Dimensão dotado de poderes místicos, debutou em setembro de 1944, nas páginas de Superman nº30. Seria, contudo, durante a Idade de Prata que o pequeno vilão de nome impronunciável se tornaria um habitué nas histórias do Homem de Aço. Tirando proveito da suscetibilidade do herói kryptoniano à magia, Mxyztplk dava largas às suas travessuras, deixando o Super-Homem com os nervos em franja. A única maneira de devolvê-lo à Quinta Dimensão consistia em obrigá-lo a pronunciar o próprio nome às avessas. Mxyztplk era, no entanto, praticamente inofensivo, por contraste com a sua sinistra versão retratada em O Que Aconteceu Ao Homem de Aço?;

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O visual clássico do Sr. Mxyzptlk (esq.)
 e a sua versão da Idade de Ouro.
Vale a pena ler?

Não é por acaso que O Que Aconteceu ao Homem de Aço? é tantas vezes citada como uma das melhores histórias do Super-Homem. Desde logo por apresentar algumas das cenas mais memoráveis do herói. Como aquela em que, ao tomar aguda consciência da sua finitude, ele chora com Krypto deitado aos seus pés. Igualmente delicioso é o epílogo, quando o segredo de Jordan Elliot é subtilmente compartilhado com os leitores. Uma simples piscadela de olho vale por mil palavras.
Qual artífice do verbo que labuta no cadinho da imaginação, Alan Moore serviu-nos uma história ora tocante, ora assombrosa, ora divertida. Mas sempre uma leitura estimulante tanto para fervorosos admiradores do Homem de Aço como para leitores casuais com conhecimentos rudimentares da sua mitologia.
Curt Swan, por seu turno, faz jus ao título de artista definitivo do Super-Homem, desenhando toda a história como uma aventura íntima. O seu traço clássico casa na perfeição com o registo nostálgico e elegíaco da trama, permeada por um toque de modernidade.
Em vez de uma despedida melodramática, O Que Aconteceu ao Homem de Aço? é um raio de esperança e um trampolim para a lenda. Cercado pela noite que ameaçava toldar-lhe os últimos dias de fulgor, o Super-Homem logrou escapar da escuridão e encontrar de novo o Sol. E sob ele consumou o seu desejo de viver com um comum mortal.
Mesmo despojado dos seus poderes semidivinos, o Super-Homem continua a ser uma personagem luminosa, positiva e gentil. É essa a sua essência e Moore soube retratá-la de forma magistral.

Um Super-Homem também chora.










segunda-feira, 1 de julho de 2019

CLÁSSICOS REVISITADOS: «PARA O HOMEM QUE TEM TUDO»


  No dia do seu aniversário, o Último Filho de Krypton recebe um presente envenenado de um velho inimigo. Preso num transe fatal, Kal-El vive aquele que é o seu mais íntimo desejo. Apenas para descobrir que a fantasia pode ser ainda mais cruel do que a realidade.

Título original: For the Man Who Has Everything...
Editora: Detective Comics (DC)
País: EUA
Autores: Alan Moore (argumento) e Dave Gibbons (arte)
Publicado em: Superman Annual Vol.1 nº11 (agosto de 1985)*
Protagonistas: Super-Homem / Kal-El
Coadjuvantes: Batman, Robin (Jason Todd), Mulher-Maravilha, Mongul, Jor-El, Lyra Ler-Rol, Allura In-Ze, Kara Zor-El, Van-El e Orna Kal-El
Cenários: Fortaleza da Solidão e Krypton (na fantasia do Super-Homem)

*Sucessivamente reeditada ao longo dos anos, em 2006 a história foi selecionada para integrar o volume antológico DC Universe: The Stories of Alan Moore, que compilava alguns dos melhores trabalhos do escritor britânico ao serviço da Editora das Lendas.

Edições em Português 

Sob o título "O Homem que Tinha Tudo", a história foi pela primeira vez apresentada ao público lusófono em maio de 1991, nas páginas de Super Powers nº21, cuja capa era um fac-símile da original. Ainda por terras de Vera Cruz, desde o início deste século vem sendo sucessivamente republicada sob a chancela de diferentes editoras.
A primeira a fazê-lo, logo em 2002, foi a Opera Graphica, numa controversa edição em formato americano mas a preto e branco. Seguiu-se a Panini Comics que, entre 2006 e 2013, a incluiu em três antologias, entre as quais DC 75 anos, coleção lançada no âmbito das comemorações das bodas de diamante da Editora das Lendas e que reunia algumas das suas histórias mais emblemáticas. Por fim, em 2018, a história foi inserta no 63º volume da Coleção DC Comics Graphic Novels, da Eaglemoss.


A edição original (cima) e a controversa republicação
 a preto branco da brasileira Opera Graphica.

Irreverência britânica

Coincidindo com o aumento de popularidade dos super-heróis em terras de Sua Majestade, desde a viragem da década de 1980 que Alan Moore era uma estrela em ascensão na indústria de quadradinhos britânica. Tanto a divisão local da Marvel Comics como a Quality Communications e a Fleetway requisitavam regularmente os seus serviços de argumentista para alguns dos seus principais títulos. Para esta última, por exemplo, Moore escreveu durante essa fase mais de meia centena de histórias publicadas em 2000 A.D., magazine de ficção científica no qual, em 1977, o Juiz Dredd fizera a sua estreia.
Em várias dessas ocasiões, as tramas de Moore haviam sido ilustradas pelo seu compatriota David Gibbons. Ambos faziam uma avaliação deveras positiva dessas colaborações, mas o talento de Gibbons foi o primeiro a chamar a atenção do outro lado do Atlântico. Logo em 1982, a DC Comics, na pessoa de Len Wein (à data, editor e argumentista de Green Lantern) contratou-o para desenhar a série mensal do Gladiador Esmeralda.
No ano seguinte, seria a vez de Moore, novamente por intermédio de Len Wein, ser cooptado para assumir os argumentos de Swamp Thing, cujas vendas vinham afundando a pique. Recebendo carta de alforria para levar a cabo as alterações que julgasse necessárias para reverter a situação, Moore não só fez disparar as vendas da série do Monstro do Pântano como, a par de artistas como Rick Veitch, reinventou a personagem, introduzindo temáticas inéditas nas suas tramas. Ao abordar, de forma experimental, questões sociais e ecológicas, Swamp Thing depressa concitou a atenção do público e da crítica, transformando o que parecia ser um caso perdido na nova coqueluche da Editora das Lendas.
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Alan Moore (esq.) e Dave Gibbons celebrando
 o lançamento de Watchmen,a obra que os imortalizou na história da Nona Arte.
Mesmo durante a fase em que assinava as histórias do Monstro do Pântano, Moore submeteu aos seus editores diversas propostas envolvendo personagens como o Caçador de Marte (consta que seria ele o protagonista original de For the Man Who Has Everything...) e os Desafiadores do Desconhecido (conceito desenvolvido por Jack Kirby após a sua zanga com a Marvel). Propostas essas que, invariavelmente, acabaram rejeitadas dada a circunstância de outros escritores estarem já a desenvolver projetos com as personagens cobiçadas por Moore.
Quando, no início de 1985, o Editor-Executivo e Vice-Presidente da DC, Dick Giordano, aprovou por fim o projeto que viria a ser consubstanciado na ovacionada minissérie Watchmen, Moore e Gibbons (autores da ideia) começaram de pronto a trabalhar na planificação das histórias.
Pouco depois, Julius Schwartz, o então todo-poderoso editor dos títulos do Homem de Aço, sondou Gibbons sobre a sua disponibilidade para desenhar uma história do herói. Gibbons declarou-se disponível, mas quis saber qual o escritor com quem iria trabalhar. Quando Schwartz lhe disse que poderia escolher o seu parceiro criativo, Gibbons imediatamente sugeriu Alan Moore.
Sem delongas, a Dupla Dinâmica da Velha Albion deitou mãos à obra e For the Man Who Has Everything... começou a ganhar forma. Levando em consideração duas importantes mudanças ocorridas na continuidade então estabelecida: 1) Em agosto de 1979, mais de duas décadas após a sua inclusão na mitologia do Super-Homem, Kandor - cidade kryptoniana miniaturizada por Brainiac antes da implosão do planeta- havia finalmente revertido ao tamanho normal, em Superman nº338; 2) Em março de 1983, Jason Todd, um órfão com passado de delinquência juvenil, sucedera a Dick Grayson como Robin, sendo agora ele quem acolitava o Cavaleiro das Trevas.
De referir ainda que os sucessivos êxitos de Moore e Gibbons impeliram a DC a contratar outros escribas britânicos para produzirem histórias de apelo similar. Grant Morrison, Neil Gaiman e Peter Milligan fizeram parte dessa armada britânica que, nos anos imediatos, aportaria na ex-colónia para revolucionar a forma de escrever banda desenhada. E que, no início dos anos 90, constituiriam o núcleo duro de Vertigo, a linha adulta da Editora das Lendas entretanto encerrada.

Enredo

No exterior da Fortaleza da Solidão, algures no Círculo Polar Ártico, a Mulher-Maravilha reúne-se à Dupla Dinâmica. É o aniversário do Super-Homem e os seus amigos trouxeram-lhe presentes especiais. Ao adentrar na estrutura kryptoniana, o trio depara-se, porém, com o anfitrião em estado catatónico e envolvido pelos tentáculos de uma grande planta alienígena presa ao seu peito.
Batman analisa rapidamente a situação e deduz que o presente envenenado terá chegado pelo canal de teletransporte, enviado por um dos muitos mundos agradecidos pela ajuda do Super-Homem, e que ignorava os efeitos nocivos da planta. Nesse instante, Mongul entra em cena e revela ter sido ele o responsável pelo envio da Clemência Negra. Assim se chama a misteriosa planta que, na realidade, é um organismo simbiótico. Uma vez acoplada ao seu hospedeiro, a Clemência Negra consome-lhe a força vital ao mesmo tempo que o infunde num sonho vívido baseado no seu desejo mais íntimo.
Durante a sua breve explanação, e perante a estupefação dos seus interlocutores, Mongul usa um par de gigantescas manoplas para tocar na Clemência Negra sem ser afetado por ela.

Os amigos do Super-Homem deparam-se com uma cena perturbadora
antes de serem surpreendidos por Mongul (baixo).
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Paralelamente, é mostrado o que se desenrola no subconsciente do Homem de Aço: um simples homem de família, Kal-El vive feliz em Krypton, que nunca foi destruído. Casado com a ex-atriz Lyla Ler-Rol e pai de dois filhos, Van e Orna, Kal trabalha no Instituto de Geologia de Kryptonopolis, a capital do planeta e sua cidade natal.
De volta à Fortaleza da Solidão, a Mulher-Maravilha investe sobre Mongul - cujo poder excede o seu - enquanto Batman e Robin procuram desesperadamente libertar o Homem de Aço. Devido a essa interferência, a sua fantasia começa a adquirir tons mais sombrios.
Ao regressar a casa no dia do seu aniversário, Kal-El tem um festa-surpresa à sua espera. Nela estão presentes quase todos os seus entes queridos. Todos menos um: o seu pai, Jor-El.
Depois de as suas previsões catastrofistas acerca da iminente destruição de Krypton se terem revelado infundadas, Jor-El fora expulso do Conselho Científico e caíra em desgraça junto da opinião pública. E ainda mais isolado e amargurado ficara após a morte da sua esposa, Lara (mãe de Kal), vítima de uma moléstia incurável. Nem mesmo o recente falecimento do seu irmão, Zor-El, tinha servido para reconciliar Jor-El com a sua cunhada, Allura, e com a sua sobrinha, Kara.
No dia seguinte, Kal desloca-se ao laboratório do pai e encontra-o reunido com duas eminências pardas de Krypton: Lor-Em, líder de uma seita religiosa autodenominada Espada de Rao, e Dax-Ar, oficial de elevada patente do exército kryptoniano. Os três conspiram com vista à instauração de uma teocracia em Krypton, encabeçada por Lor-Em.

Kal-El não aprova as novas companhias do pai.

Após a saída dos comparsas de Jor-El, Kal tem uma acesa discussão com o pai. Que se insurge contra o que considera ser a deterioração dos valores da sociedade kryptoniana, a braços com a xenofobia e o tráfico de estupefacientes em larga escala. De nada adiantando Kal fazer notar ao pai que a sua associação com extremistas servirá somente para desbaratar o pouco prestígio que ainda lhe resta.
A altercação entre ambos metaforiza, aliás, a polarização da sociedade kryptoniana cujas bases vêm sendo sacudidas pela crescente convulsão política e social. Vive-se um clima de pré-guerra civil e um dos pomos da discórdia é a Zona Fantasma, a prisão extradimensional projetada por Jor-El para acomodar, a título perpétuo, criminosos irrecuperáveis.
Considerada um sistema desumano, a Zona Fantasma enfrentava uma onda de contestação, contribuindo sobremaneira para a impopularidade da Casa de El. Em consequência dessa animosidade para com os seus representantes, Kara Zor-El é brutalmente agredida por um grupo de manifestantes que usam Jax-Ur, um dos mais perigosos prisioneiros da Zona Fantasma, como mártir e símbolo.
Com a prima a lutar pela vida numa cama de hospital, Kal. temendo pela segurança da sua família, decide abandonar Kryptonopolis. Antes de partir, tem ainda tempo para testemunhar as escaramuças entre membros da Espada de Rao e manifestantes anti-Zona Fantasma nas ruas da cidade.
De visita à cratera de Kandor, Kal, cada vez mais consciente de que algo está errado, expressa o seu amor ao filho momentos antes de este se desvanecer como uma miragem nos seus braços. Esta dolorosa revelação coincide com o momento em que Batman consegue, por fim, arrancar a Clemência Negra do torso do Super-Homem. Ato contínuo, a planta atraca-se ao Homem-Morcego, submergindo-o num devaneio que dá forma ao seu mais profundo desejo.
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Kal-El despede-se do filho que nunca teve..
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Batman vive também o seu maior desejo.
Na fantasia de Batman, Thomas Wayne consegue desarmar o assaltante que cortara o caminho à sua família no Beco do Crime naquela fatídica noite em que o pequeno Bruce ficara órfão. Graças ao afeto e orientação dos pais, Bruce leva uma vida normal, chegando mesmo a casar e a ter uma filha.
Entretanto, dá-se o violento despertar do Super-Homem. Enfurecido pelo ataque da Clemência Negra e pela perda da sua família imaginária, ataca selvaticamente Mongul, que estava prestes a matar a Mulher-Maravilha tombada a seus pés.
Enquanto Super-Homem e Mongul se digladiam, destruindo secções inteiras da Fortaleza da Solidão e interferindo com os sismógrafos, Robin enfia as manoplas esquecidas pelo vilão e remove, a custo, a Clemência Negra do peito de Batman.

O violento despertar do Homem de Aço.
Prestes a desferir um golpe fatal no seu oponente, o Homem de Aço distrai-se momentaneamente ao entrever as estátuas dos seus pais kryptonianos. Mongul aproveita o ensejo para contra-atacar com ferocidade, deixando o herói à sua mercê. Antes que possa, no entanto, assestar a estocada final, o vilão é surpreendido pela presença de Robin.
Através de um buraco no teto, o Menino-Prodígio deixa cair a Clemência Negra sobre Mongul. Imediatamente capturado pela planta, o vilão extasia-se com o seu maior sonho: após assassinar o Super-Homem e vários outros heróis, conquista a Terra e, em seguida, todo o Universo.
Com os seus aliados ainda a recomporem-se, o Super-Homem informa-os do seu plano para se desenvencilhar de Mongul. Um plano que consiste em soltar a criatura no âmago de um buraco negro do outro lado da galáxia.
Chegado o momento de desembrulhar os presentes, o Homem de Aço agradece gentilmente a réplica de Kandor fabricada pelas joalheiras da Ilha Paraíso e ofertada pela Mulher-Maravilha. Sem que ninguém se aperceba, o herói voa a supervelocidade para esconder a sua própria réplica da Cidade Engarrafada guardada numa divisão adjacente, poupando assim a amiga ao embaraço.
Batman, por sua vez, pretendia presenteá-lo com uma nova espécie de rosa criada em laboratório e batizada de Krypton. A flor havia sido, porém, destruída durante a refrega com Mongul. Fleumático, o Super-Homem reconhece que talvez tenha sido melhor assim, antes de pedir que alguém prepare café enquanto ele arruma a casa.

Super-Homem usa a sua supervelocidade para esconder a sua réplica de Kandor
antes de receber a oferenda da Princesa Amazona.

Apontamentos 

*Superman Annual nº11 foi o penúltimo fascículo da primeira série desse título icónico do Homem de Aço, publicado de forma interpolada entre 1960 e 1986. Ao contrário do que o título sugere, a série teve periodicidade variável: de quadrimestral em 1961 passou a semestral em 1962 e novamente a anual no ano seguinte;
*Aclamada pelos leitores e pela crítica, em 1986 For the Man Who Has Everything... foi nomeada para o Kirby Award na categoria de Melhor História Individual e ocupa a 4ª posição na lista das cem melhores histórias de todos os tempos elaborada pela revista Wizard;
*Apesar de ser um dos melhores contos do Super-Homem e uma obra representativa da chamada Idade de Bronze (1970-1986), For the Man Who Has Everything... foi desconsiderada na continuidade pós-Crise nas Infinitas Terras. O que não impediu o escritor Geoff Johns de, já este século, recuperar a Clemência Negra para as histórias do Lanterna Verde;
*A par de Reign of the Supermen (O Regresso do Super-Homem, arco de histórias já aqui esmiuçado), For the Man Who Has Everything... alcandorou Mongul a arqui-inimigo do Homem de Aço; um dos poucos a conseguirem bater-se de igual para igual com o kryptoniano. Até então, Mongul (prontuário disponível neste blogue) era apenas mais um vilão intergaláctico com sonhos de conquista;

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Mongul é um dos mais formidáveis inimigos do Super-Homem.
*A história inclui também aquela que, com elevada quota de probabilidade, terá sido a primeira referência explícita à data de aniversário do Homem de Aço. Especula-se que a escolha de 29 de fevereiro terá sido uma brincadeira de Alan Moore para explicar a jovialidade do herói, que apenas celebraria o seu aniversário a cada quatro anos. Certo é que essa data seria consagrada pela DC, por altura das comemorações dos 50 anos do Super-Homem;
*Uma das mais belas e famosas atrizes de Krypton, Lyla Ler-Rol fizera a sua única aparição em Superman nº141 (novembro de 1960). Numa história típica da Idade de Prata (1956-1970), o Homem de Aço, com recurso à viagem no tempo, revisitava o seu planeta natal semanas antes da sua destruição. Tempo suficiente para Kal-El se enamorar e ficar noivo de Lyla. O casamento acabaria, contudo, por não se consumar. Lyla é também uma das várias coadjuvantes do Homem de Aço com as inicias LL;

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Super-Homem e Lyla Ler-Rol no primeiro encontro de ambos.
*Asa Noturna e Pássaro Flamejante (Nightwing e Flamebird no original) são outros dos elementos da Idade de Prata referenciados na trama. Tratam-se das identidades heroicas assumidas, respetivamente, por Super-Homem e Jimmy Olsen aquando das suas regulares visitas à cidade engarrafada de Kandor durante esse período editorial; 
*No seu ensaio Alan Moore´s Writing for Comics (Avatar Press, 2003), o polémico escriba britânico revelou que pretendia incluir a Supergirl na história, mas teve de substituí-la pela Mulher-Maravilha após ter sido informado da morte iminente da Última Prima de Krypton em Crise nas Infinitas Terras;
*O beijo trocado por Super-Homem e Mulher-Maravilha na ponta final da história sugere que, mesmo antes do romance vivido por ambos em Os Novos 52, a sua relação exorbitava a amizade platónica;
*Em 2004, quase vinte anos após a sua primeira publicação, For the Man Who Has Everything... serviu de mote a um episódio homónimo da primeira temporada de Justice League Unlimited, série animada da Liga da Justiça. A despeito das muitas licenças poéticas (como a omissão de Robin e de alguns trechos mais sombrios), Alan Moore, contrariamente ao que vem sendo seu apanágio, aprovou a adaptação. Mais recentemente, em 2016, um episódio da temporada inaugural de Supergirl (For the Girl Who Has Everything) foi também vagamente inspirado na história saída da pena de Moore.
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Kal-El à mercê de Mongul e da Clemência Negra em Justice League Unlimited.
Vale a pena ler?

Um dos melhores contos do Super-Homem alguma vez escritos, For the Man Who Has Everything... é, outrossim, uma obra-prima da 9ª Arte. O facto de ter sido produzida no período pré-Crise nas Infinitas Terras comprova ainda que as boas ideias não estavam esgotadas; eram os autores que tinham perdido o arrojo de outros tempos. Nesse sentido, a pirotecnia verbal de Alan Moore, polemista consagrado que continua a polarizar opiniões, foi uma pedrada no charco em que o Homem de Aço chapinhava há já um bom tempo.
De todas as histórias já escritas do Último Filho de Krypton, esta será, porventura, aquela que melhor aborda o conflito interno que o atormenta. Se o seu planeta natal não tivesse sido destruído e ele não tivesse sido enviado ainda bebé para um lugar aonde nunca iria, a sua vida teria sido totalmente diferente. Não teria assumido o papel de maior campeão do seu mundo adotivo e, por conseguinte, não teria enfrentado tantos e tão poderosos inimigos. Dito de outro modo, sobre os seus ombros não recairia o destino da Humanidade.
Escrita com mestria, a história conta com personagens bem definidas e maravilhosas referências à Idade de Prata, da qual Moore é um confesso nostálgico. Com a arte de Gibbons a torná-la ainda mais impactante ao retratar eficazmente a raiva do protagonista (algo raramente conseguido até então). Uma das sequências mais memoráveis é, precisamente, aquela em que o Super-Homem tenta incinerar Mongul com a sua visão de calor. Não por acaso, é ainda hoje considerada uma das mais intensas na história da banda desenhada.
For the Man Who Has Everything... é também um bom exemplo de como uma equipa criativa competente pode impor um registo adulto a uma história de super-heróis sem diminuir o glamour e a grandeza das personagens.
Com um final surpreendente, desenhos de excelente caracterização e expressionismo, ação e detalhismo em cada quadro, esta é, inquestionavelmente, uma obra capital no vastíssimo repertório do Homem de Aço. E que encerra uma pungente lição de humanismo: até o homem que tem tudo precisa de amigos, porquanto são eles o seu maior tesouro.

A fúria do último escuteiro.




quinta-feira, 28 de junho de 2018

HERÓIS EM AÇÃO: SUPER-HOMEM


  Ao fazer da Terra o seu lar, um órfão das estrelas tornou-se filho de dois mundos sem realmente pertencer a qualquer um deles. A par da sua incessante luta pela Verdade e pela Justiça, aprender o significado de ser humano foi desde sempre o maior desafio deste estranho visitante, que apenas quer ser um de nós. 


Nota prévia: É altamente recomendável a leitura do artigo precedente, por forma a obter uma melhor compreensão da génese do Super-Homem, da sua importância enquanto precursor da Idade de Ouro da banda desenhada e do contencioso judicial desencadeado pelos respetivos direitos autorais.

Denominação original: Superman 
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Criadores: Jerry Siegel (história) e Joe Shuster (arte conceitual)
Estreia: Action Comics nº1 (junho de 1938)
Nome verdadeiro: Kal-El (originalmente Kal-L)
Identidade civil: Clark Joseph Kent
Espécie: Alienígena 
Local de nascimento: Kryptonopolis ( cidade elevada a capital do planeta Krypton na sequência da abdução de Kandor perpetrada por Brainiac) 
Parentes conhecidos: Jor-El e Lara Lor-Van (pais biológicos, falecidos); Jonathan e Martha Kent (pais adotivos, falecidos); Zor-El e Alura In-Ze (tios, falecidos); Kara Zor-El/Supergirl (prima); Lois Lane (esposa) e Jonathan Samuel Kent (filho)
Profissão: Ex-agricultor, repórter e aventureiro
Afiliações: Membro fundador da Liga da Justiça e líder da Super-Família 
Base operacional: Metrópolis, Torre de Vigilância (satélite da Liga em órbita geoestacionária) e Fortaleza da Solidão (localizada algures no Ártico) 
Armas, poderes e habilidades: "Mais rápido do que uma bala! Mais forte do que uma locomotiva! Capaz de galgar prédios altos de um só salto!". Empregue pela primeira vez na série animada produzida pelos Irmãos Fleischer nos anos 1940 (ver Noutros media), esta descrição tradicional dos poderes do Super-Homem tornar-se-ia icónica mitologia do herói e na cultura popular do último século.
Contudo, o catálogo de poderes e habilidades do Último Filho de Krypton, bem como a respetiva magnitude, variou consideravelmente ao longo dos anos.
Na sua conceção original, e tal como descrito nas suas primeiras histórias, os poderes do Super-Homem eram limitados. Consistindo os mesmos em força sobre-humana - que lhe permitia, por exemplo, erguer um automóvel sobre a cabeça - correr a velocidades incríveis e pular grandes distâncias. A sua relativa invulnerabilidade era explicada pelo facto de possuir uma pele muito resistente, que nem balas ou outros projéteis conseguiam trespassar.
Quando os Irmãos Fleischer criaram aquela que seria a primeira série animada do Super-Homem, os constantes saltos do herói revelaram-se inconvenientes para o projeto, pelo que foi pedido à DC que os substituísse pela capacidade de voar.
Durante a Idade da Prata, os escritores que passaram pelas histórias do Homem de Aço incrementaram gradualmente os seus poderes para níveis cada vez mais elevados. Do seu arsenal clássico de poderes faziam parte, então, o voo, a superforça, a invulnerabilidade, os super-sentidos, a supervelocidade, o sopro congelante e uma gama de poderes óticos onde pontificava a visão de raios-X, térmica, microscópica e telescópica.
A este verdadeiro índice de superpoderes, foram ainda acrescentadas algumas habilidades insólitas. A saber, o super-ventriloquismo, o super-hipnotismo, gritos sónicos com mais de um milhão de decibéis e um super-beijo indutor de amnésia - o mesmo que, no filme Superman II, o herói usou para apagar as memórias de Lois Lane acerca da sua identidade secreta.
Era também comum, nesse mesmo período histórico, o Super-Homem voar através de galáxias ou deslocar planetas das suas órbitas. Como resultado, era tarefa cada vez mais complicada para os escritores das suas histórias desencantarem desafios credíveis para um herói que resvalava alegremente para a omnipotência.
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Não havia limites para as proezas do Super-Homem da Idade da Prata.
Até mesmo rebocar planetas  era uma tarefa corriqueira.
Houve então a necessidade de diminuir o poderio do Super-Homem, Várias tentativas foram ensaiadas ao longo dos anos, mas seria John Byrne a solucionar o problema em 1986. Na aclamada saga Man of Steel (já aqui esmiuçada), o escriba canadiano estabeleceu uma série de obstáculos intransponíveis para as habilidades do Super-Homem.
De há uns anos a esta parte, os níveis de poder do Homem de Aço têm vindo, porém, a aumentar novamente. Nas suas encarnações mais recentes, o herói consegue sobreviver a detonações nucleares ou viajar no espaço sideral sem oxigénio.
A fonte dos poderes do Super-Homem também nem sempre foi a mesma. Aquando do seu debute em Action Comics nº1, foi explicado que as suas capacidades sobre-humanas advinham da sua herança kryptoniana, que o tornava fisicamente mais evoluído do que os humanos. Mais tarde seria, contudo, estabelecido que a sua fisiologia kryptoniana lhe permitia, afinal, absorver a energia de estrelas amarelas como o nosso Sol. De acordo com esta explicação - tornada canónica- o organismo do Super-Homem funciona como uma espécie de bateria solar que absorve e armazena constantemente a energia emanada pelo Astro-Rei.
Não são, no entanto, apenas os seus assombrosos poderes que fazem do Super-Homem primus inter pares. O seu carisma e idealismo inspiram muitas vezes aqueles que o rodeiam e a sua vontade inquebrantável impele-o sempre a lutar por aquilo em que acredita. Além disso, o Homem de Aço é também um exímio lutador corpo a corpo e possui um quociente de inteligência difícil de quantificar numa escala humana. Dispondo, ademais, do acesso à mais sofisticada tecnologia kryptoniana na sua Fortaleza da Solidão.

Super-Homem desenhado por Joe Shuster, seu cocriador.

Vulnerabilidades: A despeito do seu enorme poderio e da sua virtual indestrutibilidade, o Homem de Aço é mortal e pode ser ferido. Desde logo por qualquer forma de magia ou feitiçaria, às quais é tão suscetível como qualquer pessoa comum.
O chumbo, por outro, lado bloqueia a sua visão de raios-X e demais poderes óticos. Ironicamente, esse é também o único material na Terra capaz de proteger o Super-Homem dos devastadores efeitos que a kryptonita surte no seu organismo.
Na sua variante mais comum - a verde, embora exista kryptonita de cores e efeitos diversos - esses detritos radioativos do seu planeta natal enfraquecem o Homem de Aço, causando-lhe náuseas e dores lancinantes. Uma exposição prolongada à kryptonita poderá mesmo ser-lhe fatal ou, no caso da sua variante dourada, resultar na perda definitiva dos seus poderes.
Sendo, como vimos, o sol amarelo da Terra a fonte dos poderes do Super-Homem, o herói é enfraquecido quando privado de luz solar durante longos períodos de tempo. O mesmo sucede quando é exposto à radiação - natural ou artificial - de um sol vermelho igual ao que aquecia e alumiava Krypton.

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Kryptonita, um presente envenenado para o Homem de Aço. 

Origem

Apesar de, ao longo dos anos, ter sido objeto de sucessivas revisitações, a origem do Super-Homem manteve-se, na sua essência, inalterada. Sendo, também por isso, do conhecimento geral, mesmo entre aqueles para quem o conceito de super-heróis é pouco ou nada apelativo.
Filho de Jor-El e Lara, o bebé Kal-El foi enviado para a Terra a bordo de uma nave construída pelo seu pai, instantes antes da explosão de Krypton. Chegado ao nosso planeta, foi adotado por Jonathan e Martha Kent, um simpático casal de agricultores do Kansas que o batizaram de Clark Kent.
Após passar a infância e a adolescência em Smallville - como Superboy, em algumas versões da história - , já adulto Clark mudou-se de armas e bagagens para Metrópolis. Na Cidade do Amanhã arranjou emprego como repórter do Daily Planet, onde travou amizade com o fotógrafo Jimmy Olsen e se perdeu de amores por Lois Lane, sua colega de profissão.
Secretamente, porém, Clark Kent usava os seus fabulosos poderes para lutar pela Verdade e Justiça ao melhor estilo americano como Super-Homem.
Clara alegoria dos imigrantes em busca do Sonho Americano, na origem do Super-Homem é possível identificar também diversos elementos religiosos. Desde logo o paralelismo existente entre a jornada do pequeno Kal-El e a de Moisés, o principal profeta do Judaísmo. Ambos foram salvos pelos seus progenitores de uma morte certa e ambos adotaram como sua uma cultura estrangeira que ajudaram a prosperar.

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Jor-El prestes a enviar o seu único filho para o nosso mundo.
Com uma sonoridade tipicamente hebraica, invocando outros dos grandes profetas do Judaísmo como Daniel ou Samuel, Kal-El - o nome kryptoniano do Super-Homem - pode ser traduzido como "A Voz de Deus". O sufixo El significa de facto "deus", ao passo que a grafia de Kal é muito semelhante à da palavra hebraica para "voz" ou "vaso". A despeito de terem dado à sua criação uma identidade eminentemente cristã, por forma a tornar o Homem de Aço mais apelativo ao público em geral, importa recordar que Jerry Siegel e Joe Shuster possuíam raízes judaicas.
Contudo, temáticas retiradas da mitologia cristã estão também ocasionalmente presentes na origem do Último Filho de Krypton. Um bom exemplo disso é a forma como ela foi apresentada em Superman, the Movie (ver Noutros media). No filme, a jornada de Kal-El  paraboliza o advento de Jesus Cristo à Terra, não faltando sequer uma nave a fazer lembrar a Estrela de Belém. Também a missão messiânica de liderar a Humanidade para um futuro radioso que lhe é confiada pelo pai não deixa grande margem para dúvidas.

Super-Homem sob o traço de Wayne Boring, o sucessor de Joe Shuster.

.Influências visuais

Conforme referido no artigo anterior dedicado aos autores do Super-Homem, nos seus verdes anos Jerry Siegel e Joe Shuster nutriam um grande fascínio por heróis viris e eram leitores vorazes de estórias de ficção científica. Muitas das quais apresentavam personagens dotadas de poderes extraordinários, como telepatia, invisibilidade ou força sobre-humana.
Assim, uma das principais influências na conceção do Homem de Aço foi John Carter de Marte, herói saído em 1917 da imaginação de Edgar Rice Burroughs - o criador de Tarzan, outro dos ídolos de juventude da dupla Siegel/Shuster.
Enviado acidentalmente para o Planeta Vermelho, John Carter, apesar da sua condição de simples humano, adquiria superforça e a capacidade de saltar grandes distâncias graças aos efeitos da baixa gravidade marciana. Qualquer semelhança com a versão primitiva do Super-Homem será, pois, mais do que uma singela coincidência.
Apesar de ser comummente aceite que a novela Gladiator (escrita em 1930 por Philip Wylie, e cujo protagonista detinha habilidades similares às do Super-Homem) terá influenciado sobremaneira o processo criativo de Siegel e Shuster, esse tese foi perentoriamente refutada pelo primeiro.
Certo é que Jerry Siegel e Joe Shuster eram grandes apreciadores de filmes, sendo notória a influência cinematográfica nas aventuras iniciais do Super-Homem. Shuster, em particular, era fã incondicional de Douglas Fairbanks - ator que interpretou Zorro e Robin Hood no grande ecrã - e foi na sua postura desafiante que se inspirou para desenhar a pose heroica do Homem de Aço.
Já a Clark Kent serviu como modelo o comediante Harold Lloyd, cuja principal personagem era um homem gentil que era acossado por rufias até ao dia em que perdia por fim as estribeiras e revidava com violência. Por ele próprio usar óculos e se rever na pacatez da personagem de Lloyd, Joe Shuster considerava-a passível de gerar identificação com muitos leitores.


Douglas Fairbanks (cima) e Harold Lloyd
 influenciaram, respetivamente, o visual do Super-Homem
 e de Clark Kent.
Shuster era também um grande fã daquilo a que hoje chamamos cultura fitness. Colecionava várias publicações a ela dedicadas e usavas as respetivas fotografias como referências visuais para a sua arte.
A conceção visual do Super-Homem foi, com efeito, fortemente influenciada pela temática desportiva. Começando pelo seu uniforme, que emulava as fatiotas justas e de cores garridas que recobriam os corpos musculados de halterofilistas e homens fortes circenses. A bem do pundonor imposto pelos rígidos padrões morais da época, era comum uns e outros usarem uma espécie de calção para resguardarem a respetiva genitália de olhares indiscretos. Explicando-se, assim, a inclusão desse adereço nos paramentos do Super-Homem. Ou seja, o Homem de Aço nunca usou a roupa interior por fora, como alguns brincalhões gostam de sugerir...
Não foi também por acaso que Shuster começou por desenhar o Super-Homem com sandálias entrelaçadas em vez das icónicas botas vermelhas. Tratava-se do tipo de calçado habitualmente usado tanto pelos halterofilistas do início do século XX como por heróis mitológicos como Sansão.
Por sua vez, a insígnia peitoral do Super-Homem (cujo S estilizado se tornaria com o tempo um símbolo mundialmente reconhecível) poderá muito bem ter sido inspirada nos emblemas costurados nos uniformes dos atletas de alta competição.

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Halterofilista do início do século XX.

Outros dos seus elementos mais distintivos, a capa do Super-Homem foi uma ideia retirada da literatura pulp onde era comum os espadachins usarem esse adereço. Uma opção estética que ficaria para sempre associada ao arquétipo super-heroico, conquanto as capas sejam hoje consideradas demodé.
Quanto à fisionomia apolínea do Homem de Aço, foi decalcada de John Weissmuller, o ex-nadador olímpico celebrizado pelo papel de Tarzan nos anos 30 e 40 do último século. Misturada, também, com os traços cartunescos de Dick Tracy, o famoso detetive de gabardina amarela.
Shuster definiu a estética do Super-Homem e durante várias décadas os artistas que lhe sucederam eram obrigados a conformar o seu traço a esse estilo predefinido. O que não obstou a uma constante evolução visual da personagem ao sabor tanto das tendências da época como do talento dos seus ilustradores. São também eles os homenageados neste artigo.

Super-Homem por Curt Swan,
 o artista que mais tempo desenhou
as histórias do herói kryptoniano.


Personalidade

Contrastando com a bonomia que hoje caracteriza o Super-Homem, nas suas primeiras histórias assinadas por Jerry Siegel e Joe Shuster, o herói era rude e agressivo. Sempre que interferia em algum crime, fazia-o com recurso a métodos extremamente violentos, mercê de um código de conduta menos estrito do que aquele que segue atualmente.
Ainda que não fosse tão desapiedado como o Batman era por aqueles dias, nos seus alvores o Homem de Aço não se preocupava com os danos que o seu uso desproporcionado da força poderia causar.  Vale a pena lembrar, a este propósito, que, no início da sua carreira, o Super-Homem enfrentava quase exclusivamente bandidos comuns. Pessoas de carne e osso a quem, com perturbadora frequência, o herói não hesitava em tirar a vida. Embora, por norma, essas mortes não fossem mostradas de forma explícita, de modo a evitar ferir a sensibilidade dos jovens leitores.

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Impensável nos dias de hoje, nos seus primórdios o Super-Homem não tinha pejo em matar os seus adversários.
 Se preciso fosse, com recurso a armas de fogo.

Esta vaga de violência desmedida terminaria em 1940, quando Whitney Ellsworth, o novo editor das histórias do Super-Homem, instituiu um código de conduta obrigatório para as suas personagens. Ficando, o Super-Homem, a partir desse momento, proibido de matar.
Alguns dos escribas que renderam Jerry Siegel cuidaram de vincar ainda mais esse traço no caráter do Super-Homem, incutindo-lhe um senso de idealismo e uma moral inabalável. Donde resultou o juramento solene do herói de nunca tomar uma vida humana. Juramento que seria, contudo, violado por mais do que uma vez, em diferentes segmentos culturais. Quem não se lembra, por exemplo, do pescoço partido do General Zod, no filme Homem de Aço?
Muitas vezes atribuído aos valores tradicionais do Centro-Oeste americano que lhe foram transmitidos pelos seus pais adotivos, o compromisso do Super-Homem em operar em estrita obediência da lei, tem constituído um exemplo para muitos heróis. Mas também criou ressentimentos noutros. São esses que se lhe referem pejorativamente como "o grande escuteiro azul". 
Com efeito, a intransigência moral do Homem de Aço tem suscitado ocasionalmente atritos no seio da comunidade super-heroica, visto que nem todos os seus pares se reveem nesse ethos.
Devido à destruição do seu planeta natal e consequente perda da sua família biológica, o Super-Homem denota uma natureza superprotetora em relação à Terra, especialmente no que aos seus entes queridos diz respeito.
Essa perda, combinada com a pressão para fazer um uso responsável dos seus poderes, provoca no Super-Homem um profundo sentimento de solidão, que nem a sua esposa e amigos conseguem por vezes aplacar. Momentos que servem como um doloroso lembrete da sua origem extraterrestre, e nos quais Kal-El compreende o real significado do sábio ensinamento do seu pai biológico: "Parecer-te-ás com eles, mas nunca serás um deles."

No período pós-Crise nas Infinitas Terras, 
John Byrne humanizou o Super-Homem.

Um rosto na multidão

Ridículo aos olhos de alguns e genial aos olhos de outros, o disfarce de Clark Kent usado pelo Super-Homem para se camuflar na paisagem humana de uma grande cidade como Metrópolis é mais elaborado do que à primeira vista parece.
Ao passo que muitos dos seus congéneres usam máscaras ou sofrem algum tipo de transformação física quando assumem as respetivas identidades heroicas, o Super-Homem exibe constantemente o seu rosto sorridente à luz do dia.
Por mais paradoxal que isso possa soar, reside precisamente neste facto o segredo para o anonimato do herói. Que, ao expor publicamente a sua face, transmite a ideia de nada ter a esconder.
Afinal de contas, por que motivo haveria um ser tão poderoso como o Super-Homem querer levar uma vida normal entre aqueles que protege?
Existe, assim, entre as pessoas comuns a crença de que o Homem de Aço é apenas um estranho visitante de outro mundo que dispensa mundanidades como ter um emprego ou uma identidade secreta. Poucos são aqueles que imaginam ser possível cruzarem-se com ele no elevador ou numa rua apinhada. Mais a mais porque o seu disfarce corresponde, de facto, a uma minuciosa encenação.

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Clark Kent serve de disfarce ao Homem de Aço ou vice.-versa?

Senão vejamos: para se fazer passar por um de nós, o Super-Homem cria um alter ego que, de tão medíocre, se torna invisível mesmo aos olhos dos que com ele convivem. Basta atentar na forma como a própria Lois Lane costumava suspirar pelo Homem de Aço ao mesmo tempo que desprezava Clark Kent. E se a frase anterior está conjugada no pretérito imperfeito do modo indicativo é porque, hoje em dia, Lois e Clark são marido e mulher, não havendo, por isso, lugar para segredos entre eles.
De todo o modo não são os óculos o adereço principal do disfarce do Super-Homem, contrariamente ao que muitos, erradamente, sustentam. Há toda uma complexa composição por detrás da personagem Clark Kent. Consistindo a mesma na simulação de gaguez, na postura atrofiada e no comportamento desastrado. Características que, somadas, fazem do repórter do Daily Planet a perfeita antítese do Super-Homem. Que, dessa forma, logra a proeza de se esconder à vista de todos. Apenas mais um rosto entre a multidão anónima que diariamente circula pelas ruas de Metrópolis.



De cima para baixo:
Dan Jurgens matou o Super-Homem,
Jim Lee modernizou-o
García-López iconizou-o.

Trivialidades

*Além de Homem de Aço e Último Filho de Krypton, Maravilha de Metrópolis, Grande Escuteiro Azul e Homem do Amanhã são outras das alcunhas normalmente associadas ao Super-Homem;
*Lois Lane, Lana Lang, Lara Lor-Van e Lex Luthor são apenas alguns dos muitos nomes com as iniciais LL inscritos na mitologia do Homem de Aço. Apesar da multitude de teses aventadas ao longo dos anos, permanece por clarificar o verdadeiro motivo por detrás desta profusão aliterativa;
*Embora tenha tido desde sempre em Lois Lane o seu principal interesse amoroso, ao longo dos anos o Super-Homem manteve romances com outras mulheres. Lana Lang, Loris Lemaris (uma sereia descendente de atlantes surgida durante a Idade da Prata) e mais recentemente, nos Novos 52, a Mulher-Maravilha foram, em algum momento, donas do coração do herói;

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O estranho amor entre um kryptoniano e uma sereia.
*Os kryptonianos prestavam culto religioso a Rao, o sol vermelho orbitado pelo seu planeta. Na versão clássica da origem do Super-Homem foi a implosão de Rao a provocar a destruição de Krypton;
*Clark Kent resulta da combinação dos nomes próprios dos atores Clark Gable e Kent Taylor;
*Toronto, cidade natal de Joe Shuster, serviu de modelo arquitetónico a Metrópolis, cujo nome, por sua vez, foi retirado do filme homónimo realizado em 1927 pelo germânico Fritz Lang;
*Em novembro de 2011, um exemplar de Action Comics nº1 foi vendido online por mais de 2 milhões dólares. Especula-se que poderá tratar-se de uma das edições roubadas da coleção privada do ator Nicholas Cage onze anos antes;
*O famoso mantra "pela Verdade e Justiça ao estilo americano" é na verdade uma declinação daquele que servia de introdução a cada episódio do primeiro folhetim radiofónico baseado no Super-Homem. A sua versão original estabelecia que o herói lutava pela "Verdade, Honestidade e Justiça". A substituição de "honestidade" por "ao estilo americano" visava apaziguar o sentimento anticomunista fortemente arraigado na cultura popular dos EUA durante os anos do macarthismo; 
*A opção de transformar Clark Kent num repórter sobreveio do facto de, na sua juventude, Jerry Siegel ter ambicionado uma carreira jornalística. Essa foi também a forma encontrada pelo Super-Homem de estar sempre em cima do acontecimento, possibilitando-lhe uma atuação mais eficiente. Apesar de tradicionalmente ligado à imprensa escrita, nos anos 1970 Clark Kent trocou o Daily Planet (originalmente trabalhava no Daily Star) pela Rede Galáxia, onde se tornaria pivô de telejornal;
*Em tempos, ao Super-Homem foi concedido o estatuto de cidadão honorário de todos os países membros das Nações Unidas. Já este século, numa história controversa, o herói renunciou à nacionalidade estadunidense;
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Super-Homem torna-se cidadão honorário das Nações Unidas.
*O Super-Homem ocupa o primeiro lugar no Top 100 dos super-heróis organizado pelo IGN e foi eleito pela revista Empire como a melhor personagem de banda desenhada de todos os tempos;
*Muitos fãs acreditam na existência da chamada "Maldição do Super-Homem". Na origem desta macabra superstição, a tragédia e o infortúnio que se abateram sobre vários dos atores que deram vida ao herói (vide texto seguinte): George Reeves morreu em circunstâncias nebulosas, Christopher Reeve (falecido em 2004) ficou tetraplégico ao cair de um cavalo, ao passo que Kirk Alyn, Dean Cain e Brandon Routh tiveram as suas carreiras estagnadas. Será Henry Cavill a próxima vítima dessa suposta malapata?
*Clark Kent não fuma, não ingere bebidas alcoólicas e, num passado recente, assumiu-se temporariamente como vegetariano; 
*A primeira aparição do Homem de Aço em Terras Tupiniquins remonta a dezembro de 1938, no número 445 de A Gazetinha, suplemento infanto-juvenil distribuído à época com o jornal A Gazeta. O seu advento a Portugal seria mais tardio, tendo ocorrido em meados de 1952 num fascículo não especificado de Mundo de Aventuras, almanaque de banda desenhada publicado entre 1949 e 1987 sob os auspícios da extinta Agência Portuguesa de Revistas.

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Em Portugal, as aventuras do Homem de Aço
 começaram por ser publicadas em Mundo de Aventuras.

Noutros media

Há muito consagrado como um portento mediático e um ídolo de multidões, foi à boleia da sua popularidades nos comics que o Super-Homem partiu à conquista de outros segmentos culturais. Logo em 1940, foi para o ar The Adventures of Superman, um folhetim radiofónico que só abandonaria as ondas hertzianas 11 anos depois, e que sinalizou a estreia do herói kryptoniano noutro meio de comunicação.
No ano seguinte, ao mesmo tempo que da pena de George Lowther saíam várias novelas dedicadas ao Homem de Aço ilustradas por Joe Shuster, o herói chegava pela primeira vez ao cinema por intermédio de uma série animada produzida pelos Irmãos Fleischer, e simplesmente intitulada Superman.

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O Homem de Aço salva uma donzela em apuro
s na sua primeira série animada.

Ainda nessa década, seguiu-se, em 1948, o lançamento de Superman, a primeira série cinematográfica em ação real estrelada por Kirk Alyn. Aquele que foi o primeiro ator a dar vida ao Homem de Aço, repetiria o papel dois anos depois em Atom Man versus Superman, espécie de segunda temporada da série original.
Em 1951, o Super-Homem teve direito à sua primeira longa-metragem. Em Superman and the Mole Men, George Reeves surgiu como o herdeiro do manto sagrado que Kirk Alyn recusara continuar a ostentar. O filme serviu, na prática, como episódio-piloto de Adventures of Superman, a primeira série televisiva baseada no Super-Homem, exibida sem interrupções entre 1952 e 1958. O seu cancelamento seria, de resto, precipitado pelo aparente suicídio de Reeves - não faltando, todavia, quem acredite que o ator tenha sido vítima de homícidio.
Ao longo da década de 1960, o Super-Homem foi cabeça de cartaz de um par de séries animadas da DC e até de um musical da Broadway sugestivamente intitulado It's a bird... It's a plane... It's Superman.
Seria, contudo, em 1978, com a estreia de Superman, The Movie, no qual coube a Christopher Reeve representar o Último Filho de Krypton, que o herói conquistou toda uma nova audiência. Ovacionado pelo público e pela crítica, o filme foi um verdadeiro divisor de águas e inspirou quatro sequelas. A última das quais, Superman Returns,  aterrou nos cinemas de todo o mundo em 2006, com Brandon Routh a fazer as vezes do saudoso Christopher Reeve.

De Kirk Alyn a Henry Cavill:
os muitos rostos do Super-Homem no cinema e na TV.

Em 2013, o polémico Man of Steel inaugurou uma nova franquia cinematográfica da DC e teve a particularidade de, pela primeira vez, vermos um ator não-americano - Henry Cavill é britânico - a interpretar o Super-Homem.
No pequeno ecrã, Lois and Clark: The New Adventures of Superman (1993-97) e Smallville (2001-2011) foram as duas últimas séries de ação real do Homem de Aço a serem produzidas e estreladas, respetivamente, por Dean Cain e Tom Welling.
Além de personagem de jogos de vídeo e de ter inspirado vários parques temáticos nos EUA, o Homem de Aço foi também retratado em dois quadros da autoria de Andy Warhol. Confirmando,dessa forma, o seu estatuto de ícone da cultura mundial.


O Homem de Aço sob o traço do meu bom amigo Emerson Andrade,
 a quem agradeço mais este generoso contributo para o meu blogue.