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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

GALERIA DE VILÕES: KRAVEN, O CAÇADOR




    Criado no seio de uma aristocracia decadente, Sergei Kravinoff procurou recuperar a nobreza perdida tornando-se um dos melhores caçadores do planeta. Não foi, contudo, na savana, mas sim na selva de betão, que encontrou a sua presa de eleição. No Homem-Aranha encontrou um desafio à sua altura.

Nome original da personagem: Kraven, the Hunter
Primeira aparição: The Amazing Spider-Man nº15 (agosto de 1964)
Criadores: Stan Lee (história) e Steve Ditko (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Sergei Nikolaevich Kravinoff (originalmente, o apelido era Kravinov)
Local de nascimento: Volgogrado (antiga Estalinegrado), Rússia
Parentes conhecidos: Nikolai Kravinoff (pai falecido), Ana Kravinoff (mãe) Dmitri Smerdyakov (o vilão conhecido como Camaleão, seu meio-irmão), Sasha Kravinoff (esposa falecida), Alyosha Kravinoff (filho), Ana Tatiana Kravinoff (filha), Ned Tannengarden (filho falecido), Gog (filho adotivo) e Xraven (clone)
Afiliação: Ex-membro do Sexteto Sinistro e dos Vingadores (grupo ativo na década de 1950, sem qualquer conotação com a atual equipa); ex-aliado do Camaleão e de Calypso
Base de operações: Móvel
Armas, poderes e habilidades: Graças à ingestão regular de poções produzidas a partir de misteriosas ervas colhidas nas profundezas das selvas africanas, Kraven adquire capacidades físicas (como força, velocidade e resistência sobre-humanas) que lhe permitem rivalizar com oponentes mais poderosos. Também os seus sentidos são amplificados pela ação das referidas poções herbáceas, aumentando dessa forma as suas já impressionantes habilidades de rastreamento.
     Como efeito colateral das supracitadas poções, Kraven teve o seu processo natural de envelhecimento profundamente retardado. Apesar de ser já septuagenário, o vilão não aparenta ter mais de trinta anos.
    Mesmo despojado de habilidades sobre-humanas, Kraven é um atleta de nível olímpico, um estrategista brilhante e um exímio lutador corpo a corpo. É ainda um profundo conhecedor da anatomia humana e de muitos animais, estando por isso familiarizado com os pontos de pressão que, quando tocados com precisão, lhe permitem facilmente neutralizar os seus adversários.
   Avesso ao uso de armas de fogo, nas suas caçadas Kraven opta frequentemente pela utilização de armadilhas, redes, lanças e dardos embebidos em venenos ou tranquilizantes naturais. 
    Poucos são os animais que Kraven não consegue domar e/ou treinar no sentido de obedecerem quase na perfeição aos seus comandos. Muitos especulam que este facto se deverá a algum tipo de controlo mental exercido pelo vilão sobre as feras, o que nunca ficou demonstrado.

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Kraven sonha adicionar o Homem-Aranha à sua coleção de troféus de caça.
 
Histórico de publicação:  Há precisamente meio século, em agosto de 1964, Kraven, o Caçador debutava nas páginas de The Amazing Spider-Man nº15. Conquanto, nos anos subsequentes, tenha ocasionalmente marcado presença em títulos de outras personagens do Universo Marvel, notabilizou-se como antagonista do Homem-Aranha.

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Kraven fez a sua primeira aparição em Amazing Spider-Man nº15 (1964), numa edição que contava ainda com participação especial de outro dos antagonistas clássicos do herói aracnídeo: o Camaleão.

    Conforme mostrado no texto anterior, o vilão suicidou-se no final da saga Kraven's Last Hunt (1987), da autoria de J.M. DeMatteis e Mike Zeck. Também como vimos anteriormente, sendo quase unanimamente considerada a história suprema da personagem, Kraven acabou por ser uma segunda escolha do argumentista, que idealizara outro némesis para o Escalador de Paredes.
    A este propósito, DeMatteis recorda: "Estava pronto para começar a trabalhar na história. Estava sentado meu escritório e dei comigo a folhear o «Marvel Universe Official Handbook». Por nenhuma razão especial, li a entrada referente a Kraven, o Caçador. Desconhecia em absoluto que a personagem tinha nacionalidade russa. Aos olhos de um indefetível de Dostoiévski como eu, isso tornou-a logo mais interessante. Ocorreu-me que Kraven, a exemplo de muitas personagens de Dostoiévski, poderia ser dono de uma alma torturada. Adquiri subitamente um entendimento totalmente novo da sua quintessência. Considerei interessante a possibilidade de explorar as motivações de Kraven para ser quem era. Foi uma verdadeira epifania, visto que a personagem em questão nunca me suscitara o menor interesse. Honestamente, sempre o considerei um dos mais ridículos inimigos do Homem-Aranha. Porém, a partir daquele momento, passei a percecioná-lo de uma forma completamente diversa".
   Não obstante tratar-se de um dos mais antigos oponentes do herói aracnídeo, DeMatteis afirma que nenhum dos mandachuvas da Marvel levantou objeções à morte de Kraven no final da história em questão. No entanto, o vilão - ainda que numa forma espectral - seria ulteriormente devolvido ao mundo dos vivos na novela gráfica Soul of the Hunter, produzida em 1992 pelos mesmos autores de Kraven's Last Hunt. DeMatteis escreveu ainda Kraven's First Hunt, espécie de prequela publicada em The Sensational Spider-Man Annual '96. Entre outras coisas, na história eram abordados pormenores do passado de Kraven, nomeadamente as sevícias por ele infligidas ao seu meio-irmão (Dmitri Smerdyakov, o Camaleão).


Sozinho ou integrado no Sexteto Sinistro, Kraven é um dos mais antigos oponentes do Homem-Aranha.

Biografia: Sergei Kravinoff é filho de um aristocrata russo obrigado a exilar-se com a sua família em terras do Tio Sam na sequência da Revolução Bolchevique e da consequente queda do regime do Czar Nicolau II em 1917.
   Procurando recuperar o prestígio perdido, Sergei procurou os serviços de um misterioso mercenário  conhecido apenas como Gregor, que o treinou para ser um dos melhores caçadores do mundo. Celebrizado internacionalmente como Kraven, o Caçador, Sergei rapidamente se entediou por conta da escassez de desafios à sua altura. Por sugestão do seu associado, Dmitri Smerdyakov (futuro Camaleão), Kraven elegeu o Homem-Aranha como o seu supremo troféu de caça.
   No entanto, ao invés da maioria dos seus congéneres, Kraven desdenha o uso de armas de fogo (bem como de arcos e de flechas), preferindo subjugar animais ferozes e de grande porte com as próprias mãos ou recorrendo a sofisticadas armadilhas. Rege-se igualmente por um estrito código de honra que o leva a tratar com respeito as suas presas. Em Kraven's Last Hunt abriu, contudo, uma exceção no que tange à utilização de armas de fogo. Ainda que não tenha disparado munição real, mas sim dardos tranquilizantes que deixaram o Escalador de Paredes em estado comatoso.
   Graças às infusões e poções confecionadas pela sua amante Calypso (uma sacerdotisa vudu) a partir de extratos de plantas exóticas trazidas das selvas mais profundas, Kraven adquire capacidades acima da média, que o tornam um caçador ainda mais eficiente.
   Embora coadjuvado pelo Camaleão, Kraven foi malsucedido na sua primeira tentativa de caçar o Homem-Aranha e acabou deportado dos EUA. Regressaria pouco tempo depois ao país, para integrar o Sexteto Sinistro (coletivo vilanesco que, na sua primeira formação, contava também com o Dr. Octopus, Mysterio, Abutre, Electro e Homem-Areia). Ele e os seus comparsas acabariam, todavia, derrotados pelo herói aracnídeo.

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Formação original do Sexteto Sinistro, com Kraven em primeiro plano.

    Por sempre ter subestimado o Escalador de Paredes, Kraven foi sucessivamente sobrepujado por ele. Após anos a acumular frustração e rancor, o vilão empreendeu, como vimos, a sua derradeira caçada ao Homem-Aranha. Derrotado uma vez mais pelo herói, colocou aparentemente termo à vida.
   Na esteira desses eventos, Dmitri Smerdyakov - tido até então como um mero serviçal de Kraven - revelou o grau de parentesco existente entre os dois (meios-irmãos) e denunciou os maus-tratos de que foi continuadamente vítima por parte do falecido.
    Mercê do seu suicídio, a alma de Kraven foi condenada ao purgatório, sendo-lhe interdito o perpétuo descanso. Ciente disso, a sua esposa Sasha, adjuvada pela prole do casal Kravinoff (Ana, Vladimir e Alyosha), levou a cabo um ritual de ressurreição no qual foi pretensamente utilizado sangue do Homem-Aranha. Mas alguma coisa correu mal. Devolvido à vida, Kraven revelou-se mais psicótico e violento do que nunca.
     Após ter espancado Alyosha e Ana, foi esfaqueado por esta. Sasha constatou então que o sangue usado no ritual não pertencia ao Homem-Aranha, mas sim a Kaine, o seu clone corrompido. O que explicava os comportamentos erráticos do marido
   Depois de o clã ser desbaratado pelo verdadeiro Escalador de Paredes, todos os seus elementos escaparam para a Terra Selvagem. Kraven decidiu então caçá-los um por um, a fim de confirmar se eles eram dignos de ostentarem o seu apelido. Em consequência disso, Sasha foi morta pelo marido, Vladimir foi eutanasiado pelo pai, Alyosha fugiu e Ana implorou ao progenitor que lhe concedesse a oportunidade de ser treinada por ele, para assim poder reconstituir o clã Kravinoff. Kraven aquiesceu a troco da promessa feita por Ana de que iria caçar o irmão foragido.

O caçador supremo.
      
Legado: Durante o período em que Kraven foi dado como morto, e mesmo após o seu regresso ao mundo dos vivos, vários descendentes seus tentaram honrar o seu legado. O primeiro a assumir essa responsabilidade foi o seu filho Vladimir que moveu caça tanto ao Homem-Aranha como a alguns dos seus inimigos, acabando assassinado por Kaine, o clone insano do Escalador de Paredes. Seria posteriormente ressuscitado por Sasha Kravinoff através de um ritual envolvendo sacrifícios humanos. O redivivo Vladimir, no entanto, regressou sob a forma de uma leão humanoide. Numa expressão de respeito pelos mortos, Kraven eutanasiou o filho durante a estada do clã Kravinoff na Terra Selvagem.
     Pouco tempo após a morte do seu meio-irmão, foi a vez de Alyosha assumir, durante um breve período, a identidade de Kraven. A qual abandonou para se mudar de armas e bagagens para Hollywood.
    Houve ainda um terceiro filho, Ned Tannengarden, que tentou matar Alyosha, acabando ele próprio por ser morto pelo Camaleão, cujo grau de insanidade o levava a acreditar ser ele o verdadeiro Kraven.
    Mais tarde foi a vez de Ana Kravinoff seguir as pisadas do pai. Pelo meio houve ainda Gog, um ser extraterrestre perfilhado por Kraven depois de ter sido resgatado por ele da sua espaçonave despenhada.
    Em 2009, no crossover X-Men/Spider-Man, foi revelada a existência de Xraven, um clone produzido pelo Senhor Sinistro a partir  do ADN de Kraven combinado com o dos X-Men originais. Facto que lhe conferia as habilidades do quinteto de heróis mutantes.

Ana Kravinoff: quem sai aos seus não degenera.

Noutros media: No seu ranking de 2009 dos Melhores Vilões de Sempre dos Quadradinhos, o site IGN atribuiu a Kraven a 59ª posição. No pequeno ecrã, a sua estreia ocorreu na série animada de 1966 The Marvel Super-Heroes - curiosamente no segmento estrelado pelo Homem de Ferro. Em 1981, Kraven participou pela primeira vez numa série similar  - Spider-Man - tendo o Homem-Aranha como protagonista. Antes, numa produção homónima datada de 1967, uma personagem decalcada de Kraven (um caçador australiano chamado Harley Clivington) havia marcado presença num episódio intitulado The One-Eyed Idol. Remonta a 2012, na série de animação Ultimate Spider-Man, a  mais recente incursão televisiva do vilão.
   Marc Webb, realizador das duas últimas aventuras cinematográficas do Escalador de Paredes, já manifestou o seu interesse em incluir Kraven no terceiro capítulo da nova saga, muito provavelmente com o vilão a surgir integrado no Sexteto Sinistro.

Kraven em Spider-Man: The Animated Series (1994-1998).

terça-feira, 19 de agosto de 2014

DO FUNDO DO BAÚ: «A ÚLTIMA CAÇADA DE KRAVEN»




    Numa perturbadora aventura em tons condizentes com o uniforme negro que então usava, o Homem-Aranha vê-se na pele da presa de um caçador obstinado em fazer dele o seu troféu supremo. Levado ao limite pelo seu algoz, o herói aracnídeo terá de superar-se como nunca para sobreviver a tamanha provação.

Título original da saga: Kraven's Last Hunt (também conhecida como Fearful Simmetry)
Publicada originalmente em: Web of Spider-Man nº31, The Amazing Spider-Man nº293, Peter Parker, The Spectacular Spider-Man nº131, Web of Spider-Man nº32, The Amazing Spider-Man nº294 e Peter Parker, The Spectacular Spider-Man nº132 (títulos lançados nos EUA entre outubro e novembro de 1987)
Argumento: J.M. DeMatteis
Arte: Mike Zeck
Licenciadora: Marvel Comics

Capa de The Amazing Spider-Man nº294, onde foi publicado o quinto capítulo da saga.

Edição brasileira

Título: Homem-Aranha - A Última Caçada de Kraven (subintitulada Terrível Simetria)
Data: Maio de 1991
Editora: Abril Jovem  (em dezembro de 1991 a mesma editora lançou o volume encadernado da minissérie, a qual voltaria às bancas nesse formato em 2002 e em 2013, com a chancela da Panini e da Salvat, respetivamente)
Categoria: Minissérie em três edições
Número de páginas: 36 por edição
Formato: Americano (17 x 26 cm), colorido, com lombada agrafada
Na minha coleção desde: 1991 (edição encadernada da Abril)

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A sombra do caçador.

Histórico de publicação: Em meados da década de 1980, o argumentista J.M. DeMatteis propôs um arco de histórias em que Wonder Man (conhecido entre o público lusófono como Magnum), após um duelo com o seu meio-irmão Grim Reaper (o Ceifador), seria enterrado vivo, emergindo mais tarde do seu túmulo. Tom DeFalco, à data editor-chefe da Marvel, rejeitou a ideia.
   Anos depois, numa história de Batman que explorava a hipótese de o Cruzado Encapuzado ser assassinado pelo Joker, DeMatteis recuperou o conceito de um herói a erguer-se da própria sepultura.  Na sinopse fornecida aos responsáveis da DC, DeMatteis sustentava que seria essa a cura para a insanidade mental do Palhaço do Crime. O projeto não foi, contudo, aprovado, dadas as suas semelhanças com uma outra história de Batman que estava então a ser desenvolvida: nada mais nada menos do que a aclamada novela gráfica, da autoria de Alan Moore e Brian Bolland, Batman: The Killing Joke (A Piada Mortal).
 
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J.M. DeMatteis.
  
    Não se dando por vencido, DeMatteis introduziu algumas alterações na trama original. Tendo a principal consistido na substituição do Joker pelo Professor Hugo Strange (outro ilustre integrante da vasta e pitoresca galeria de vilões do Cavaleiro das Trevas).  Nada que impressionasse, porém, os editores da DC que voltaram a não dar luz verde à ideia.
    Inabalável nas suas convicções apesar das consecutivas recusas, DeMatteis voltou a trabalhar a história e apresentou a nova versão à Marvel. Agora com o Homem-Aranha como protagonista e com um novo vilão criado propositadamente para o efeito, o projeto recebeu finalmente o aval por parte dos editores da Casa das Ideias.
    Vários elementos importantes foram sendo acrescentados ao enredo, à medida que DeMatteis trabalhava nele. Com Peter Parker e Mary Jane recém-casados, o escritor optou por colocar o enfoque emocional da sua narrativa no casal. Já a ideia de usar Kraven, o Caçador como antagonista surgiu após DeMatteis ter lido o seu prontuário em The Official Handbook of the Marvel Universe (espécie de "quem é quem" da editora).
   Tendo Mike Zeck sido o eleito para assumir a arte da história, DeMatteis considerou que seria interessante incluir uma personagem criada por ambos. E, assim, o repulsivo Rattus (Vermin, no original) ganhou um lugar de destaque na saga, cuja publicação integral estava inicialmente prevista para Peter Parker: The Spectacular Spider-Man. Todavia, o editor Jim Salicrup deliberou que a publicação deveria ser transversal a todos os títulos do Escalador de Paredes, argumentando que o impacto da morte do herói seria atenuado se, em simultâneo, houvesse outras histórias suas a serem lançadas.

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Vermin/Rattus foi criado por J.M.DeMatteis e Mike Zeck em 1982.

     Enquanto limava as derradeiras arestas da trama, DeMatteis comentou: "Não estou a olhar para além destas seis edições. Esta história não se encaixa na continuidade dos restantes títulos do Homem-Aranha. Na verdade, creio que uma minissérie ou uma edição especial seriam formatos mais apropriados para a sua publicação".
     Ainda segundo o autor, a sua intenção era explorar a personalidade do herói aracnídeo e a forma como os outros - em especial os seus inimigos - o veem. DeMatteis explica: "O que Kraven planeia fazer é matar o Homem-Aranha e tomar o seu lugar, para assim provar que consegue ser melhor do que ele. Claro que aquilo em que ele se transforma não é o Homem-Aranha, mas sim a sua perceção dele. Kraven está, pois, longe de imaginar que Peter Parker não se limita a colocar uma máscara para caçar criminosos. O Homem-Aranha não é a sombria e violenta criatura notívaga interpretada pelo seu algoz. Não importa a cor do traje que veste, não importa o que ele faz, Peter Parker será sempre um sujeito com boa índole e um caráter íntegro. Características fundamentais da sua personalidade que o diferenciam muito de Kraven".
    Com a versão final do argumento em mãos, Mike Zeck optou por desenhar as seis capas antes de ilustrar a história. De acordo com o próprio, a icónica capa de Web of Spider-Man nº32 (título onde foi publicado originalmente o quarto capítulo da saga intitulado Resurrection) foi a primeira a ser produzida. Todas as outras derivaram dela.

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Mike Zeck.
    A título de curiosidade, refira-se que, na esteira do enorme sucesso comercial de Kraven's Last Hunt, em 1994 a DC autorizou finalmente a publicação da história apresentada cerca de uma década antes por DeMatteis, na qual o Joker aparentemente executava Batman. Sob o título Going Sane, a narrativa em quatro partes  foi apresentada aos leitores da Editora das Lendas nas páginas de Batman: Legends of the Dark Knight nº65- 68.

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Há um novo Homem-Aranha na cidade.

Enredo: Houve um tempo em que o mundo admirava a sua pujança física. Uma época debruada a ouro em que a sua coragem inspirava reverência  e as suas façanhas eram lendárias. Uma época em que ele era considerado o melhor caçador do mundo. Mas isso foi antes de os ambientalistas e os ativistas dos direitos dos animais arruinarem a sua reputação. Antes de conhecer o Homem-Aranha.
    Sergei Kravinov - celebrizado nesse passado glorioso como Kraven, o Caçador -  está ciente que a morte se aproxima. Pressente a sua presença nas sombras e quase consegue perscrutar o seu semblante tétrico. Mas ele não está preparado para morrer. Não sem antes recuperar a honra e dignidade perdidas. Não sem antes saciar o seu orgulho e provar a sua superioridade.E isso só será possível derrotando o Homem-Aranha.
     Reunido as forças que ainda lhe restam, Kraven empreende, assim, a sua derradeira caçada.
    Conquanto seja ainda ágil como uma pantera e forte como um tigre, Kraven sabe que está longe do seu ápice físico de outrora. No entanto, ele acredita que nunca descansará em paz se não vergar o Homem-Aranha. Tomando poções e infusões de ervas trazidas das selvas mais profundas para amplificar os seus sentidos e a sua força, Kraven concebe um macabro plano: enterrar o seu rival com centenas de aranhas.
    Recém-regressado da sua lua de mel com Mary Jane e meditando sobre a morte à sua volta durante o funeral de um meliante, o Homem-Aranha sente necessidade de dar um passeio noturno. Absorto em divagações enquanto se balança nas suas teias, o herói é subitamente atacado, drogado e capturado por Kraven.
    Quando Kraven se acerca dele, o Homem-Aranha está prestes a perder os sentidos. Contudo, tem ainda tempo de ver a espingarda e o olhar sinistro do seu verdugo enquanto este se prepara para o executar a sangue frio. Balbuciando sobre a restauração da sua honra, Kraven aponta a arma à cabeça do Escalador de Paredes e dispara à queima-roupa, bem no meio dos olhos.

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O momento que antecede a presumível execução do Homem-Aranha.

   Transportando o corpo inerte da sua presa para o seu covil, Kraven coloca-o num ataúde repleto de aranhas  e enterra-o em local desconhecido. Não era, todavia, suficiente para o vilão chacinar o seu rival. Era imperativo demonstrar a sua superioridade sobre ele. Razão pela qual Kraven usurpa a identidade do Escalador de Paredes. Envergando uma cópia do traje do herói, Kraven começa a patrulhar a  cidade de Nova Iorque, aplicando o seu distorcido conceito de justiça.
    Ao invés do original, este falso Homem-Aranha não se inibe de liquidar alguns dos criminosos que tiveram a infelicidade de lhe cruzarem o caminho.
   Kraven, em dado momento, chega a salvar Mary Jane de um grupo de assaltantes, mas ela de imediato percebe estar na presença de um impostor.

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Epitáfio de um herói.

   Entretanto, Rattus - um híbrido de homem e rato - começa a semear o medo nas ruas de Nova Iorque por via dos seus sanguinolentos ataques a transeuntes. Dotada de força e sentidos sobre-humanos, a criatura atrai a atenção do falso Homem-Aranha que lhe move uma feroz perseguição através da rede subterrânea de esgotos. Quando finalmente encontra Rattus, Kraven espanca-o brutalmente, captura-o e leva-o para o seu esconderijo.
   Enquanto Kraven se regozija  com mais este seu triunfo, o verdadeiro Homem-Aranha desperta do coma e soergue-se da sua sepultura. Tinha, afinal, sido drogado e enterrado vivo pelo seu algoz.
   Duas semanas se haviam passado. Desesperado por rever a sua esposa, o herói aracnídeo vai ao encontro de Mary Jane. Após certificar-se de que ela está sã e salva, o Homem-Aranha parte na peugada de Kraven. E não demora a localizar o seu covil.
    Recorrendo a toda sorte de sevícias, Kraven subjugara Rattus. O vilão mantivera a criatura em cativeiro porque queria perceber se o Homem-Aranha seria capaz de fazer o mesmo. Mas o Escalador de Paredes nada tinha a provar nem qualquer desejo de infligir dor a Rattus. O monstro, porém, não hesitou em atacar o compassivo herói. Sendo, contudo, prontamente detido por Kraven, que não estava disposto a conceder a quem quer que fosse o privilégio de matar o seu rival. Confuso, Rattus aproveita o ensejo para escapar.
    Cego de raiva, o herói aracnídeo ataca Kraven sem dó nem piedade. Este, porém, nem se dá ao trabalho de revidar. Limita-se a encaixar os golpes desferidos pelo seu adversário enquanto sorri. Apesar de tudo, ele vencera. Permitira que a sua presa vivesse quando podia facilmente tê-la matado. Dessa forma provara a si mesmo a sua superioridade relativamente ao rival que o ensombrava.
  Cumprido o seu desígnio, Kraven permite que o Homem-Aranha parta no encalço de Rattus. Suicidando-se de seguida.

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Do ponto de vista de Kraven, a vitória final pertenceu-lhe.

Vale a pena ler?
   
    Esta é, obviamente, uma pergunta meramente retórica, já que A Última Caçada de Kraven é leitura obrigatória para qualquer fã de BD que se preze - e não apenas para os entusiastas do Escalador de Paredes. A par de Watchmen e de Batman, O Cavaleiro das Trevas, trata-se de uma das melhores histórias aos quadradinhos alguma vez produzidas. Ilustrando todas elas a importância e o imenso potencial criativo da nona arte.
     Aquando da sua publicação nos EUA, A Última Caçada de Kraven mereceu os mais rasgados elogios por parte da crítica e dos fãs. Mais recentemente, em 2012, foi eleita  pelos leitores de Comic Book Resources como a melhor história de sempre do Homem-Aranha. Mesmo sendo este título discutível, não há dúvidas de que estamos em presença de uma das mais magistrais e memoráveis sagas do aranhiço.
    Dirigindo-se, pela sua maturidade narrativa, a um público mais sofisticado, A Última Caçada de Kraven alia a dinâmica dos comics a elementos extraídos de clássicos da literatura. Ao longos das suas páginas, Kraven recita vários excertos do poema The Tyger, da autoria de William Blake. Isto enquanto a arte de Mike Zeck imprime um realismo fotográfico a uma trama que tem na elaborada caracterização psicológica dos seus protagonistas e na superior qualidade dos diálogos os seus principais pontos fortes.
    Embora a história seja, toda ela, uma alegoria para o perpétuo conflito entre presas e predadores, adquire susbstrato emocional ao colocar um enfoque especial no neófito casamento de Peter Parker e Mary Jane. Algumas das suas passagens mais intensas exploram, de facto, a forma como MJ lida com o desaparecimento do marido e como reagiria ela à sua hipotética morte em ação. Uma abordagem que não só acrescenta camadas emotivas à trama, como desvela o lado mais humano do herói aracnídeo cujos primeiros pensamentos, quando desperta do coma, são dirigidos à mulher que ama.

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Uma imagem que enriqueceu a iconografia da 9ª arte.
  
   Ao brilhantismo da escrita de J.M. DeMatteis, soma-se, pois, o traço soturno de Mike Zeck. Dessa sinergia nasce uma estética lúgubre onde pontifica o simbolismo imagético. Desde o primeiro relance de Kraven na primeira página da saga (envolto em fumo e numa luz escarlate a fazer lembrar o sangue), até ao momento climático em que o Homem-Aranha emerge do seu túmulo, passando pelas sequências tendo como cenário os esgotos subterrâneos (que, de tão densas, o leitor quase lhes consegue sentir o fedor), a arte de Zeck é inebriante do princípio ao fim.
   Mais do uma simples banda desenhada, A Última Caçada de Kraven é uma espécie de recriação contemporânea de mitos ancestrais. A trama, as personagens e o simbolismo são épicos - na aceção homérica do termo. Tornando o produto final capaz de satisfazer o palato do leitor mais exigente.
    DeMatteis e Zeck criaram uma fórmula de sucesso que tem sido replicada por diversos autores ao longo dos anos, dando assim origem a alguns sucedâneos que, todavia, não se comparam ao original.
     Dito isto, o meu veredito não podia ser outro: Imperdível!

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Os heróis não se abatem.

sábado, 19 de outubro de 2013

GALERIA DE VILÃS: GATA NEGRA



     Quem sai aos seus não degenera. Filha de um afamado gatuno, a Gata Negra só podia seguir as pisadas do pai. Fazendo jus ao nome, dá azar a quem com ela se cruza. Que o diga um certo herói aracnídeo.
 
Nome original: Black Cat
Primeira aparição: Amazing Spider-Man nº194 (1979)
Criadores: Marv Wolfman (história) e Keith Pollard (desenhos)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Felicia Hardy
Local de nascimento: Flushing, Nova Iorque
Parentes conhecidos: Walter Hardy (pai falecido) e Lydia Hardy (mãe)
Filiação: Ex-parceira do Homem-Aranha, ex-proprietária da agência de detetives Investigações Olho de Gato e atualmente membro dos Heróis de Aluguer
Base de operações: Nova Iorque
Armas, poderes e habilidades: Como qualquer ladrão que se preze, a Gata Negra dispõe de uma considerável parafernáfila de gadgets essenciais ao desenvolvimento do seu ofício. A saber:
* garras retráteis escondidas sob as luvas (que lhe permitem escalar paredes ou serem usadas como armas de ataque ou defesa);
* lentes de contacto infravermelhas (para visão noturna);
*ganchos e cabos metálicos;
* brincos especialmente desenhados para aumentarem a sua aerodinâmica e lhe permitirem, a exemplo do animal em que se inspirou, aterrar sempre de pé.
      Devido ao intenso treino a que foi sujeita, Felicia Hardy tornou-se uma acrobata de exceção, dotada de agilidade e reflexos felinos. Domina também várias artes marciais e técnicas de luta corpo a corpo.
      Sedutora nata, uma das suas armas mais eficazes é o seu charme irresistível.

Uma ladra cheia de recursos.
 
História de publicação: Em 1979, Marv Wolfman, estava empenhado na criação de uma nova antagonista para as histórias da Mulher-Aranha. Tomando como referência a personagem animada idealizada por Tex Avery, Bad Luck Blackie (um gato preto que trazia azar a quem dele se aproximava), Wolfman desenvolveu o conceito da Gata Negra, cabendo a Dave Cockrum desenhar o respetivo uniforme.
     A estreia da Gata Negra estava prevista para o primeiro número de Spider-Woman. Contudo, Marv Wolfman foi designado para assumir o título Amazing Spider-Man, e fez questão de levar consigo a nova personagem. A qual seria, porém, reformulada, permanecendo somente o nome e as habilidades da versão primitiva.
    Por esse motivo, na secção de leitores da edição original de Amazing Spider-Man nº194 foram publicadas reproduções miniaturizadas da capa projetada para Spider-Woman nº9 e de uma versão rejeitada da capa de Amazing Spider-Man nº194.
    Em virtude das notórias semelhanças entre ambas, a Gata Negra é frequentemente confundida com a Mulher-Gato/Catwoman, da concorrente DC. Em comum, além das habilidades felinas, estas amigas do alheio têm  o facto de ambas terem sido interesses românticos do Homem-Aranha e do Batman, respetivamente. A sua ambiguidade moral, por outro lado, aproxima-as mais do modelo de anti-heroínas do que do de vilãs.

A primeira vez que a Gata Negra cruzou o caminho do Escalador de Paredes foi em Amazing Spider-Man nº194 (1979).
 
Biografia: Felicia Hardy cresceu a idolatrar o pai. Quando este desapareceu repentinamente sem deixar rasto, a mãe da jovem construiu uma narrativa para ocultar o verdadeiro motivo do seu desaparecimento. Durante anos, Felicia acreditou que o pai morrera num acidente de aviação, quando na realidade se encontrava a cumprir pena pelos incontáveis furtos que perpetrara.
     Quando por fim descobriu a verdade, ao invés de se sentir dececionada com o seu progenitor, Felicia decidiu seguir-lhe as pisadas. Seria, todavia, um episódio mais traumático a redirecionar a sua vida: no seu ano de caloira na Universidade Empire State, Felicia foi violada pelo seu namorado, Ryan.
     Transformando a sua dor e a sua vergonha em raiva, Felicia intensificou o seu treino em artes marciais, ao mesmo tempo que aprimorava a sua forma física. Como combustível, tinha o seu enorme desejo de vingança. A qual, no entanto, lhe acabaria por ser negada quando Ryan, conduzindo alcoolizado, perdeu a vida num acidente de automóvel.
     Aprendendo sofisticadas técnicas de arrombamento de cofres e fechaduras, começou a roubar pertences de outros à laia de compensação psicológica pelo que lhe tinha, segundo ela acreditava, sido roubado. Na primeira ocasião em que assumiu a identidade de Gata Negra, Felicia, numa audaciosa incursão noturna, procurou libertar o seu pai da prisão, antes que ele, velho e doente, morresse. Viu, todavia, os seus planos frustrados pela intervenção do Homem-Aranha.
     Nos primórdios da sua carreira criminosa, os "acidentes" que aconteciam a quem se cruzava com a Gata Negra - e que eram atribuídos à sua habilidade de causar azar - não passavam de truques e armadilhas cuidadosamente preparados pela vilã. Esta, no entanto, alimentou a suspeita de que se tratava de um poder mutante.
     Após a morte do seu pai, a Gata Negra empenhou-se em dar continuidade ao seu legado como a mais reputada ladra de Nova Iorque. Nada que a impedisse de manter alguns flirts com o Homem-Aranha, os quais, com o tempo, evoluíram para um romance entre ambos. Enamorada pelo herói, a Gata Negra comprometeu-se a abandonar as suas atividades ilícitas. Durante algum tempo, chegaram mesmo a ser parceiros no combate ao crime.
 
Homem-Aranha e Gata Negra: uma relação conturbada.
 
     No entanto, era pelo Homem-Aranha  que a Gata Negra estava fascinada, não pelo desconhecido por detrás da máscara. Por esse motivo, ela relutou sempre em conhecer a verdadeira identidade do seu amante e parceiro de aventuras, apesar da insistência deste. Quando o Homem-Aranha, no modesto apartamento do seu alter ego Peter Parker, finalmente lhe mostrou o seu verdadeiro rosto, a Gata Negra ficou desapontada. Para ela, aquela revelação acabava com a excitação decorrente do mistério em torno da identidade do amante.
      A separação de ambos foi todavia motivada pelo facto de a Gata Negra quase ter morrido às mãos do Doutor Octopus e do Coruja. Por se considerar um estorvo para o seu companheiro, afastou-se dele. Um decisão dolorosa porquanto nunca deixou de amá-lo.
 
De inimigos a amantes; de amantes a aliados.
 
      Durante a ausência do Homem-Aranha devido à sua participação nas Guerras Secretas, a Gata Negra firmou um pacto com o Rei do Crime para adquirir um superpoder (uma genuína aura de azar). Não tardou, porém, a perceber que o pacto não passara de um logro, pois nem mesmo o Homem-Aranha (de quem se reaproximara após o regresso deste à Terra) era imune à sua recém-adquirida habilidade. O que ia de encontro aos desejos do Rei do Crime que, aproveitando a proximidade entre ambos, pretendia dessa forma neutralizar o herói.
      Furioso com o pacto feita pela ex-amante com o Rei do Crime e frustrado por ela não amar Peter Parker, o Homem-Aranha tomou a decisão de pôr um ponto final à relação entre ambos, que já estava por um fio. Um alívio para a Gata Negra que tencionava, ela própria, decretar a rutura definitiva por recear voltar a fazer perigar a vida do homem que amava.
      O Homem-Aranha recorreu então à ajuda do Dr. Estranho para anular o feitiço que estivera na origem da aura de azar concedida pelo Rei do Crime à Gata Negra. No processo, ela ganhou novas habilidades felinas.
      Separada do Escalador de Paredes e dotada de novos poderes, a Gata Negra procurou trilhar o seu próprio caminho, esforçando-se ao mesmo tempo por preservar a amizade com o ex-namorado. 
      Quando teve conhecimento do casamento de Peter com Mary Jane Watson, a Gata Negra, sentido-se despeitada, ameaçou a sua rival. Como Felicia Hardy, também namorou por um breve período com Flash Thompson, velho amigo de Peter. Apenas uma manobra na sua estratégia com vista a provocar ciúmes a Peter. Constatando que a mesma não dera o resultado esperado, Felicia abandonou Flash que, por estar apaixonado por ela e se sentir usado, ficou devastado.
      Com a aprovação no Congresso da Lei do Registo Meta-humano, Felicia optou por se registar, passando a operar como uma super-heroína com reconhecimento oficial. Pouco tempo depois, juntou-se aos Heróis de Aluguer de Misty Knight e Colleen Wing, uma equipa que, em colaboração com as autoridades federais, persegue e captura heróis e vilões não registados. Os seus companheiros, porém, creem que a sua única e verdadeira motivação é o dinheiro.


A Gata Negra entre os restantes membros dos Heróis de Aluguer.
 
Noutros media: Apenas dois anos após a sua estreia na banda desenhada, a Gata Negra marcou presença, em 1981, num episódio da série de animação Spider-Man. Já em Spider-Man: The Animated Series (1994-98), Felicia Hardy foi apresentada como o primeiro interesse amoroso de Peter Parker, acabando contudo por ser substituída por Mary Jane Watson. Mais recentemente, em The Spectacular Spider-Man (2008-09), a Gata Negra é retratada como uma ladra vulgar, sem quaisquer poderes, cujo pai fora o responsável pela morte de Ben Parker, tio de Peter.

Gata Negra e Homem-Aranha lado a lado em Spider-Man: The Animated Series.
      Num primeiro rascunho do argumento do filme Homem-Aranha 2 (2004), Felicia Hardy teria como função convencer o Escalador de Paredes a desistir de ser Peter Parker, por contraponto ao subtexto em que Peter equaciona a hipótese de pôr um ponto final à sua carreira heroica. Felicia seria contudo cortada na versão final da história.
      Caso o quarto capítulo da saga cinematográfica do Homem-Aranha, realizada por Sam Raimi, tivesse sido produzido, a Gata Negra teria lugar assegurado nele, cabendo a Anne Hathaway (curiosamente, a atriz escolhida para encarnar Catwoman em Batman - O Cavaleiro das Trevas Renasce) dar vida à charmosa vilã.
 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

GALERIA DE VILÕES: ELECTRO





    Vilão clássico das histórias do Homem-Aranha, Electro será o principal antagonista do herói aracnídeo no seu próximo filme, The Amazing Spider-Man 2. Conheçam a sua eletrizante origem.
 
Nome original: Electro
Primeira aparição: The Amazing Spider-Man nº9 (fevereiro de 1964)
Criadores: Stan Lee (história) e Steve Ditko (arte)
Licenciadora:  Marvel Comics
Identidade civil: Maxwell "Max" Dillon
Local de nascimento: Endicott, Nova Iorque
Parentes conhecidos: Jonathan e Anita Dillon (pais falecidos), Norma Lynn Dillon (ex-esposa)
Filiação: Exterminadores, Sexteto Sinistro, os Sete Sinistros, Os Doze Sinistros, Emissários do Mal
Base de operações: Nova Iorque
Poderes e habilidades: Max Dillon é um gerador elétrico humano, constantemente energizado pela contração dos músculos ultrafinos que habitualmente servem para regular a temperatura corporal. Em resultado disso consegue gerar energia eletroestática a cerca de mil volts por minuto, bem como acumular até um milhão de volts no seu organismo. Quando isto sucede, ele adquire força e velocidade sobre-humanas. Também pode emitir rajadas elétricas pelas mãos, de potência variável.
      Acresce ainda a habilidade de sobrecarregar dispositivos eletrónicos, os quais também consegue por vezes controlar mentalmente. Para infortúnio de um certo Escalador de Paredes, a energia eletroestática de Electro consegue anular a sua capacidade de aderir a qualquer tipo de superfície.
      Electro já manifestou pontualmente poderes de magnetismo, pese embora limitados. Mas que, ainda assim, lhe permitem manipular campos magnéticos e mover objetos metálicos, ao estilo do mutante Magneto.
Fraqueza: Quando sobrecarregado de energia, Electro torna-se extremamente sensível a tudo o que possa causar-lhe um curto-circuito, principalmente água.
 
A eletrizante estreia de Electro ocorreu em The Amazing Spider-Man nº9 (1964).
 
Biografia: Pertence à mesma dupla que criou o Homem-Aranha em 1962 - Stan Lee e Steve Ditko - a "paternidade" de Electro, que em 2009 foi considerado o 87º Melhor Vilão De Todos Os Tempos no ranking do site IGN. Sendo um dos arqui-inimigos mais antigos do Escalador de Paredes, Electro já marcou presença em incontáveis histórias do herói, não só nos quadradinhos mas também fora deles, nomeadamente em séries animadas e jogos de vídeo. No próximo ano ganhará vida pela primeira vez no grande ecrã em O Fantástico Homem-Aranha 2 (The Amazing Spider-Man 2), interpretado pelo ator Jamie Foxx ((Django Libertado).
     Criado pela sua superprotetora mãe depois de o pai os ter abandonado a ambos, na sua juventude Max Dillon ambicionava tornar-se um engenheiro eletrotécnico. Persuadido pela progenitora de que não era suficientemente inteligente para abraçar uma carreira desse tipo, Max resignou-se a trabalhar como técnico de alta tensão numa empresa do ramo.
     Certo dia, enquanto reparava uma cabo elétrico ainda ligado à respetiva bobine, Max foi atingido por um relâmpago. Em vez de matá-lo, o insólito acidente provocou uma transformação mutagénica no seu sistema nervoso, permitindo-lhe doravante gerar e controlar elevadas quantidades de energia eletroestática.
     Passando então  a usar um uniforme de cores berrantes, Max adotou o codinome Electro e dedicou-se a cometer pequenos delitos, particularmente assaltos a bancos. Visto que, inicialmente, os seus poderes eram mais limitados do que no presente, tinha por vezes de roubar equipamento elétrico para se recarregar.
 
Apesar das suas fantásticas habilidades, Electro parece condenado ao estatuto de vilão de 2ª categoria.
 
     Não obstante, as habilidades de Electro atraíram a atenção de Magneto que tentou em vão recrutá-lo para as fileiras da Irmandade dos Mutantes. Prosseguindo com a sua incipiente carreira criminosa a solo, o vilão, após assaltar J.J. Jamenson - o irascível diretor do Clarim Diário -, enfrentou pela primeira vez o Homem-Aranha, tendo derrotado o herói graças à corrente elétrica gerada pelo seu corpo e que apanhou o Escalador de Paredes desprevenido. No segundo round desse combate, o Homem-Aranha muniu-se de luvas de borracha e de uma boca de incêndio para levar de vencida o vilão.
      Pouco tempo depois, Electro veria outro justiceiro uniformizado a cruzar-lhe o caminho, desta feita o Demolidor. Novamente derrotado e enviado para a cadeia, Electro resolveu juntar-se à formação de malfeitores conhecida como Sexteto Sinistro, composta por outros inimigos jurados do Homem-Aranha: Kraven, o Caçador, Doutor Octopus, Abutre, Mysterio e Homem-Areia. No entanto, ao invés de unirem forças contra o adversário comum, os seis vilões optaram por uma espécie de competição entre si para ver qual deles era bem-sucedido em derrotar o Escalador de Paredes. Resultado: acabaram derrotados um a um pelo herói.
 
Electro foi incontáveis vezes derrotado pelo Homem-Aranha, mas também por outros super-heróis.
     Numa tentativa de conquistar o respeito e a glória que lhe julgava merecidos, Electro retomou a sua carreira a solo, tendo arquitetado um audacioso plano para controlar a rede elétrica de Nova Iorque. Uma vez mais acabaria, porém, por ser detido pelo Homem-Aranha, que logrou convencê-lo a abandonar o crime. Decisão contudo apenas temporária...
     Quando, algum tempo volvido, Kaine  - o clone insano do Homem-Aranha - começou a exterminar os inimigos do Escalador de Paredes um por um, Electro temeu pela vida e juntou-se durante um breve período aos Sete Sinistros, grupo de malfeitores reunido e liderado por Mysterio. Com o desaparecimento de Kaine, a pandilha desfez-se e Electro retomou a sua reforma.  A qual seria novamente interrompida pelo Rosa, sucessor do Rei do Crime na chefia do submundo nova-iorquino. Aliciado com a possibilidade de ter os seus poderes ampliados através de uma experiência científica, Electro concordou em prestar os seus serviços ao Rosa. Secretamente, porém, planeava usar as recém-adquiridas habilidades para retomar o seu plano de controlar a rede elétrica da Grande Maçã.
    Quando pôs em prática esse seu plano, o vilão foi novamente derrotado pelo Homem-Aranha. Frustrado, Electro atirou-se às águas do rio Hudson, num aparente suicídio.
     Todavia, o vilão voltaria a dar um ar da sua graça como membro das sucessivas encarnações do Sexteto Sinistro que, invariavelmente, acabavam derrotadas devido às recorrentes traições dos seus integrantes.
     Apenas por uma vez Electro e os seus comparsas estiveram perto de alcançar o seu objetivo de eliminar o Homem-Aranha: foi quando o Duende Verde reuniu os Doze Sinistros. Para derrotá-los foi necessária a força combinada do Capitão América, Quarteto Fantástico, Demolidor, Jaqueta Amarela e Homem de Ferro.
    Mais recentemente, Electro foi inadvertidamente responsável pela formação dos Novos Vingadores. Contratado para libertar Karl Lykos da Balsa - prisão de máxima segurança para meta-humanos - ele provocou uma fuga em massa no presídio, tendo as suas ações levado à intervenção de diversos super-heróis, incluindo o Capitão América, Homem de Ferro, Luke Cage, Mulher-Aranha, Demolidor, Sentinela e o inevitável Homem-Aranha. Controlada a situação, todos eles - exceto o Demolidor - se reuniram nos Novos Vingadores.
    Electro ainda tentou escapar na companhia da sua namorada, mas acabaria capturado pela nova superequipa que ele próprio ajudara a fundar.
 
 
 
Noutros media: A primeira aparição televisiva de Electro foi um cameo num episódio da série animada The Marvel Super Heroes (1966), curiosamente no segmento do Príncipe Submarino. Ainda na década de 1960 participou em três ocasiões na série de animação Spider-Man (1967-1970). Após o que marcou presença - com maior ou menor preponderância - em todas as séries animadas estreladas pelo herói aracnídeo. Na mais recente, Ultimate Spider-Man (2012), teve direito pela primeira vez a um episódio titulado com o seu nome.
 
O visual de Electro em Ultimate Spider-Man.
     
    No cinema aguarda-se com grande expectativa a performance de Jamie Foxx como Electro no segundo capítulo da nova vida do Escalador de Paredes no grande ecrã: The Amazing Spider-Man 2 (com estreia prevista para meados do próximo ano e onde o vilão surgirá com um visual renovado, muito diferente do da banda desenhada).
 
Em O Fantástico Homem-Aranha 2, Jamie Foxx encarnará um Electro muito diferente do da BD, porém com muitas semelhanças com a versão do vilão na série animada Ultimate Spider-Man.
 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

GALERIA DE VILÕES: MORBIUS





     Na sua desesperada busca por uma cura para a rara doença sanguínea de que é portador, Michael Morbius transformou-se num vampiro vivo. Entre ele e as suas vítimas, costuma intrometer-se um certo escalador de paredes.

Nome original: Morbius, The Living Vampire
Primeira aparição: Amazing Spider-Man nº101 (outubro de 1971)
Criadores: Roy Thomas (história) e Gil Kane (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade Civil: Michael Morbius
Nacionalidade: grega
Parentes conhecidos: Makarioa Morbius (pai)
Base de operações: Móvel
Filiação: Filhos da Meia Noite, Legião dos Monstros e A.R.M.O.R.
Poderes e armas: Em resultado de a sua transformação ter uma origem científica ao invés de mística, Morbius é considerado um pseudo vampiro. Ainda assim, ele possui um conjunto de habilidades meta-humanas características da espécie vampírica. A saber:

* força, velocidade, resistência e reflexos sobre-humanos;
* sentidos hiperaguçados;
* fator de cura acelerada;
* presas e garras;
* capacidade de planar;
* hipnotismo;
*criação vampírica (à semelhança dos vampiros genuínos, Morbius consegue converter indivíduos em vampiros através de uma simples mordedura);
* imunidade à maior parte das vulnerabilidades dos vampiros (tratando-se de um pseudo vampiro, Morbius não é afetado por ícones religiosos, nem é incinerado quando exposto à luz solar)

Fraquezas: Enquanto pseudo vampiro, a principal fraqueza de Morbius reside na sua necessidade de se alimentar regularmente com sangue fresco para assim manter a sua vitalidade física e mental. Pode, no entanto, abster-se de o fazer durante largos períodos de tempo, bastando para isso dispor da força de vontade necessária. Essa prolongada privação de alimento conduz a uma fraqueza crescente, inversamente proporcional ao seu autocontrolo. Por outro lado, embora a exposição solar não lhe seja letal, os seus olhos e a sua pele são muitos sensíveis à radiação emanada do astro-rei.

O primeiro confronto entre Morbius e o Homem-Aranha ocorreu nas páginas de The Amazing Spider-Man nº101.

Biografia e história de publicação:  A personagem Morbius foi criada na sequência do levantamento da autocensura imposta na indústria norte-americana de quadradinhos, consubstanciada na Comics Code Authority. A qual, anteriormente, banira das páginas desse tipo de publicações todo o tipo de monstros e criaturas sobrenaturais como vampiros, lobisomens e quejandos.
           Instruída a evitar todo e qualquer elemento gótico nas suas histórias, a dupla criativa composta pelo argumentista Roy Thomas e pelo desenhador Gil Kane, optou por conferir um visual mais sóbrio ao novel vilão do universo Marvel. Nesse sentido, foram escolhidas duas cores primárias (azul e vermelho, em linha com os uniformes do Homem-Aranha e do Capitão América) para o seu traje. Com o propósito de se demarcar dos clichés vampíricos, a origem de Morbius não era mística, mas antes científica.
          Com efeito, o Doutor Michael Morbius antes de sofrer a sua macabra transformação, era um brilhante bioquímico grego, laureado com um prémio Nobel e especialista em doenças sanguíneas. Quando descobriu que ele próprio era portador de uma rara patologia, tornou-se obcecado na busca de uma cura e começou a estudar morcegos vampiros.  Um acidente durante uma experiência envolvendo esses animais e eletrochoques converteu-o numa criatura em tudo semelhante a um vampiro, com uma desmesurada sede de sangue. Para a saciar, Morbius jurou matar apenas criminosos. Não obstante, os seus atos colocaram-no em rota de colisão com vários super-heróis, designadamente o Homem-Aranha.
          Tiveram pouco sucesso as várias tentativas de cura de Morbius ao longo dos anos. Numa das ocasiões em que conseguiu curar-se temporariamente da sua condição depois de ser atingido por um relâmpago, Michael Morbius foi julgado pelos seus crimes, tendo a sua defesa ficado a cargo da advogada Jennifer Walters (também conhecida como Mulher-Hulk).
 
        Aquando da aprovação da polémica lei que determinava o registo obrigatório de todos os meta-humanos, Morbius acedeu a fazê-lo, passando a colaborar com a agência governamental de contraespionagem SHIELD. Numa das primeiras missões para que foi designado, caçou Blade. O qual, em tempos, também lhe havia movido uma perseguição sem tréguas.
        Mais recentemente, Morbius tornou-se um operacional da A.R.M.O.R., uma organização responsável pela monitorização da atividade extra-dimensional ocorrida no nosso planeta. Nessa qualidade, desempenhou um papel preponderante durante uma crise em larga escala, provocada por um epidemia de zombies provenientes de outra dimensão.
        Na sequência desses eventos, Morbius abandonou a A.R.M.O.R. para ingressar nos Laboratórios Horizonte, onde, em colaboração com o Senhor Fantástico,  desenvolveu um antídoto para um vírus mortal, ao mesmo tempo que leva a cabo pesquisas no sentido de encontrar uma cura para a sua própria doença.
                                               
Noutros media: Morbius participou em vários episódios de Spider-Man: The Animated Series (1994-98), a partir da respetiva segunda temporada. Ainda que com algumas nuances em relação à história original, o vampiro evidencia também neste contexto a sua proverbial ambivalência moral: ora combatendo o Homem-Aranha e seus aliados, ora lutando ao lado deles.
 
Morbius em Spider-Man: The Animated Series.
 
          Nos extras do dvd Blade é apresentado um final alternativo para o filme, no qual Morbius é introduzido como o vilão de serviço na sequela. O que acabou por não se verificar, tendo sido, como é sabido, preterido em favor de Reaper. Morbius continua assim à espera de uma oportunidade para debutar no grande ecrã.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

NÉMESIS: DOUTOR OCTOPUS





      Outrora um cientista reputado, devido a um terrível acidente o Doutor Octopus passou a agir à margem da lei. De caminho tornou-se um dos mais temíveis arqui-inimigos do Homem-Aranha.
Nome original: Doctor Octopus
Primeira aparição: Amazing Spider-Man nº3 (julho de 1963)
Criadores: Stan Lee (texto) e Steve Ditko (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Otto Gunther Octavius
Local de nascimento: Nova York
Parentes conhecidos: Torbert e Mary Lavinia Octavius (pais falecidos), Thomas Hargrove (primo) e Karl Octavius (tio).
Base de operações: Nova York
Filiação: Sexteto Sinistro (membro fundador e ex-líder) e Mestres do Terror.
Poderes e habilidades: Em resultado da sua exposição a radiação atómica, o Dr. Octopus adquiriu a capacidade de controlar mentalmente os seus tentáculos feitos de uma liga de titânio e aço. Os quatro apêndices mecânicos encontram-se acoplados ao dorso do vilão por um arnês metálico e conseguem levantar várias toneladas de peso, sendo telescópicos e preênseis. Os tentáculos permitem igualmente que Octopus se mova rapidamente em qualquer terreno ou escale superfícies verticais com tremenda facilidade. Graças às suas habilidades psicocinéticas latentes, Octopus consegue manipular os seus tentáculos à distância, focando a sua ação em múltiplos oponentes em simultâneo ou em apenas um.
      O formidável intelecto de Otto Octavius é, no entanto, a sua maior arma. Autoridade mundial em radiação atómica e nos seus efeitos na fisiologia humana, o Dr. Octopus é ainda um brilhante inventor e um exímio estratega.
      Não raras vezes, a sua idade e o porte pouco atlético levaram os seus adversários a subestimá-lo em combate. O que se revelou um erro potencialmente fatal.        
O Dr. Octopus debutou no terceiro número de The Amazing Spider-Man (1963).
                          
Biografia: Filho de uma mãe prepotente e de um pai violento, Otto Octavius teve uma infância difícil. Em casa era frequentemente espancado pelo pai, um rude operário fabril. Na escola, sua timidez e brilhantismo, valeram-lhe o epíteto de "mascote dos professores", tornando-o assim num alvo da chacota e das agressões dos colegas. Irritado com essa situação,Torbert Octavius incentivou o filho a revidar na mesma moeda. Já a mãe acreditava que o pequeno Otto fora agraciado com uma mente superior que lhe permitiria resolver os seus problemas sem ter de recorrer à violência física.
                  Seguindo os conselhos maternos, Otto devotou a sua adolescência aos estudos, distinguindo-se pelas notas excelentes. Facto que lhe valeu uma bolsa universitária. Depois de se diplomar, Otto conseguiu emprego num empresa de engenharia.
                  Com o passar dos anos, Otto especializou-se em física nuclear, granjeando prestígio entre o seus pares. Para manipular substâncias radioativas a uma distância segura, construiu quatro tentáculos mecânicos, controlados através de uma interface computorizada e acoplados ao seu dorso por um arnês metálico. Invenção que lhe valeu a alcunha de Doutor Octopus ("polvo" em Inglês) por parte dos seus colegas de trabalho, com quem mantinha uma relação hostil. A única exceção era uma jovem cientista chamada Mary Alice, a quem Otto muito impressionou com sua a genialidade.
                  Quando anunciou a sua intenção de desposar Mary Alice, a mãe de Otto não aprovou a relação por considerar que mulher alguma estaria à altura do intelecto do filho. Para lhe agradar, Otto terminou o noivado com Mary Alice. Apenas para descobrir, pouco tempo depois, o namoro clandestino da sua mãe com um bibliotecário. Durante a acesa discussão que se seguiu, Mary Lavinia acabou por sucumbir a um fulminante enfarte.
                  Com o falecimento da mãe e com Mary Alice fora da sua vida, Otto tornou-se ainda mais amargo e passou a negligenciar as precauções de segurança no seu trabalho. Daí resultando uma fuga acidental de radiação que fundiu o aparato inventado por Otto ao corpo deste. Aparentemente, o acidente também parece ter danificado a sua mente, levando-o a enveredar por uma vida criminosa. Míope desde criança, a sensibilidade dos olhos de Otto à luz aumentou consideravelmente, obrigando-o doravante a usar óculos com lentes polarizadas.
O visual clássico do Dr. Octopus pelo traço de Jonh Romita.

                   No seu primeiro encontro com o Homem-Aranha, o neófito Doutor Octopus sobrepujou facilmente o herói aracnídeo. Depois disso, tomou de assalto um laboratório de pesquisa nuclear, seguindo-se nova peleja com o Escalador de Paredes. Desta feita, porém, o vilão saiu derrotado.
                   Ao longo dos anos, o Dr. Octopus tornou-se um dos nomes mais famosos da vasta galeria de vilões que atormentam o Homem-Aranha. Fundou também o Sexteto Sinistro, uma agremiação de inimigos do Escalador de Paredes e assumiu a identidade de Mestre Planificador para organizar um esquema de roubo de equipamento nuclear.
                  Num estranho capricho do destino, Otto Octavius viria a ser inquilino de May Parker, a bondosa tia de Peter Parker (o Homem-Aranha). Os dois chegaram a ficar noivos, para desespero do jovem. Ainda que indiretamente, o Dr. Octopus esteve envolvido na morte do capitão George Stacy, pai de Gwen Stacy, o primeiro grande amor de Peter.
                 Anos atrás, Octopus foi assassinado por Kaine, o clone insano do Escalador de Paredes. Carolyn Trainer, sua ex-aluna, tornou-se a nova dona dos tentáculos até à ressurreição de Otto, operada por um culto místico.
                Mais recentemente, o Dr. Octopus empenhou-se na criação de uma assassina perfeita, sob a forma da entidade mutante por ele batizada de Mulher-Aranha (sem qualquer relação com a heroína homónima).  Também tentou, sem sucesso, reativar o Sexteto Sinistro durante os eventos da saga Guerra Civil, tendo, todavia, o grupo sido sumariamente derrotado pelos Vingadores Secretos.
      
Um dos muitos duelos entre Octupus e o Homem-Aranha.
         
Noutros media: Foi na série animada Spider-Man (1967-1970) que o Dr. Octopus se estreou no pequeno ecrã. Seguir-se-iam ao longo dos anos várias participações noutras séries do género protagonizadas pelo seu eterno némesis. Pelo meio, marcou presença num episódio de The Incredible Hulk (1982), na qualidade de vilão convidado.
                         No universo dos videojogos, Octopus tem sido também presença assídua, muitas vezes como antagonista principal do herói aracnídeo. A sua influência fora dos quadradinhos estende-se também a várias linhas de brinquedos e colecionáveis lançados por marcas como a Hasbro e a Mattel, entre outras.
                        Foi, porém, no cinema que o vilão alcançou maior notoriedade junto do grande público. Em 2004, o ator britânico Alfred Molina foi o escolhido para dar vida ao Dr. Octopus em Spider-Man 2. A sua inclusão no primeiro filme do Escalador de Paredes fora, de resto, equacionada, tendo o realizador Sam Raimi descartado a ideia por considerar não haver lugar no enredo para a apresentação de uma terceira origem.

Alfred Molina como Dr. Octopus em Homem-Aranha 2.


segunda-feira, 9 de julho de 2012

ETERNOS: TODD MCFARLANE (1961 - ...)




      Depois de ter passado pela Marvel e pela DC (onde reformulou algumas das mais importantes personagens dessas editoras), Todd McFarlane foi, em 1992, um dos cofundadores da Image Comics. Pelo meio, criou Spawn, um dos mais carismáticos anti-heróis dos quadradinhos, e é hoje um dos homens mais influentes do ramo.
      McFarlane nasceu a 16 de março de 1961 em Calgary, na província canadiana de Alberta. Aos 17 anos descobriu os quadradinhos. Era fã do trabalho do seu compatriota John Byrne, assim como de outros desenhadores consagrados como George Pérez , Jack Kirby e Frank Miller. Apreciava igualmente o trabalho do conceituado argumentista britânico Alan Moore (Watchmen). Era, porém, a arte atípica de Michael Golden (Micronautas) e do criador da manga Akira, Katsuhiro Õtomo que lhe enchiam as medidas.
      No início dos anos 80, após concluir o liceu, McFarlane ingressou na Eastern Washington University com uma bolsa de estudo obtida graças ao basebol (outra das suas paixões) e estudou artes gráficas. Ambicionava vir a ser jogador profissional da modalidade após a conclusão dos estudos superiores. Porém, uma grave lesão no tornozelo, sofrida durante o seu primeiro ano, deitou por terra esse sonho. Passou então a trabalhar numa loja de banda desenhada em Spokane, Washington. Alguns desenhos que fez de várias personagens da Marvel e da DC foram vendidos nessa e noutras lojas da especialidade.
       Coyote, da editora Epic Comics, foi o seu primeiro trabalho publicado quando corria o ano de 1984. Não tardaria, porém, a começar a trabalhar em simultâneo para as arquirrivais Marvel e DC. Foi nesta última que ganhou maior projeção mercê do trabalho desenvolvido no título Infinity, Inc. (conhecido entre nós como Corporação Infinito) entre 1985 e 1987. Nesse mesmo ano ilustrou várias edições de Batman: Year Two. Daí passaria para a Marvel a fim de desenhar Incredible Hulk (1987-88).
Coyote nº13 (1985) contava com a arte de McFarlane no interior.


Capa de Batman nº423 (1988) ilustrada por McFarlane.
       Em parceria com o argumentista David Michelinie, McFarlane assumiu, em 1988, o título Amazing Spider-Man, a partir do número 298. E logo revolucionou o herói aracnídeo. Entre outras alterações introduzidas, destacou-se a forma como passou a desenhar as teias do Escalador de Paredes: o modelo clássico foi substituído pelo que ficaria conhecido como "teia esparguete". Coube-lhe igualmente a honra de ser o primeiro artista a desenhar Eddie Brock, o alter ego original do popular vilão Venom. Embora lhe tenham sido atribuídos os créditos de cocriador da personagem, essa decisão nunca foi consensual e tem sido motivo de discussão no seio da indústria dos comics.
        Seja como for, o trabalho de McFarlane em Amazing Spider-Man converteu-o numa superestrela dos quadradinhos. Pela conceção da capa do número 313 desse título, McFarlane recebeu, em 1989, uns módicos 700 dólares. Em 2010, essa mesma capa seria vendida por 71,2 mil dólares. Talvez por isso, em 1990, depois de ter coproduzido 28 edições de Amazing Spider-Man, McFarlane anunciou ao seu editor a sua intenção de abandonar a série devido à sua saturação de desenhar as histórias de outrem. Tentando demovê-lo dessa decisão, Jim Salicrup ofereceu-lhe um novo título mensal do Escalador de Paredes que McFarlane escreveria e desenharia, gozando de ampla liberdade criativa. Batizada simplesmente Spider-Man, a nova série do herói aracnídeo foi um retumbante sucesso (tendo o primeiro número vendido uns impressionantes 2,5 milhões de exemplares). Ao cabo de 16 edições, onde os leitores foram brindados com vários crossovers do Homem-Aranha com outros heróis da editora como Wolverine, Motoqueiro Fantasma ou X-Force, McFarlane,  em rota de colisão com o novo editor, abandonou o projeto, sendo substituído por Erik Larsen - outro dos futuros cofundadores da Image.

Capa alternativa de Spider-Man nº1(1990).
        Depois da sua saída da Marvel, McFarlane, juntamente com seis outros ilustradores e argumentistas descontentes, fundou a Image Comics (vide Fábrica de Mitos: Image Comics). Dispondo de um estúdio independente, McFarlane deu a conhecer ao mundo a sua maior criação: Spawn, O Soldado Infernal (vide Heróis em Ação: Spawn), cujo número de estreia, em 1992, vendeu 1,7 milhões de exemplares. Um recorde de vendas absoluto para uma editora independente. Dois anos volvidos, McFarlane lançou uma linha de brinquedos própria - a McFarlane Toys. Em virtude desta nova aposta de mercado, delegou a produção criativa de Spawn, limitando-se doravante a participações esporádicas nos títulos da personagem. Além de estatuetas minuciosamente detalhadas do Soldado do Inferno e respetivos coadjuvantes, McFarlane obteve ainda licença para produzir action figures de atletas populares de modalidades como basebol, basquetebol, hóquei e futebol americano. Também lançou bonecos inspirados em estrelas do rock (Jim Morrison, Kiss, etc) e em filmes de culto (Terminator, Matrix, etc.).
Spawn nº1 (1992) vendeu 1,7 milhões de exemplares.
          Em 1996 criou um estúdio de cinema e animação chamado McFarlane Entertainment. Em colaboração com a New Line Cinema, produziu, no ano seguinte, o filme Spawn cujas modestas receitas de bilheteira inviabilizaram uma sequela.
          Fanático por basebol, McFarlane é um ávido colecionador de artigos relacionados com esse desporto e não olha a despesas para obtê-los. Ao longo dos anos tem adquirido várias bolas com que algumas estrelas da modalidade fizeram home runs. Por uma delas desembolsou 3 milhões de dólares...
         Como não há bela sem senão, McFarlane já esteve  envolvido em várias disputas judiciais. Na primeira, que remonta a 1997, foi processado pelo jogador de basebol Anthony Twist por apropriação indevida do seu nome para batizar um dos coadjuvantes das histórias de Spawn (Tony Twist). Condenado, em primeira instância, a pagar uma indemnização no valor de 24,5 milhões de dólares, McFarlane veria o veredicto ser anulado pelo Supremo Tribunal do Missouri em 2003. Um ano antes, novo processo movido contra si, desta vez pelo escritor e argumentista Neil Gaiman. Acusação: violação de direitos autorais e não pagamento de royalties referentes à personagem Miracle Man. McFarlane foi obrigado a pagar 45 mil dólares a Gaiman, assim como todas as custas judiciais, montante que o escritor doou a um fundo para a defesa legal de criadores de comics.
         Polémicas à parte, Todd McFarlane é hoje um dos nomes mais influentes na indústria dos quadradinhos, gerindo negócios que movimentam anualmente milhões de dólares.
Stan Lee e Todd McFarlane: duas lendas vivas dos quadradinhos.