Mostrar mensagens com a etiqueta lanterna verde. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta lanterna verde. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 13 de junho de 2019

GALERIA DE VILÕES: SINESTRO


  Antes de cair em desgraça foi o Lanterna Verde supremo e teve o igualmente lendário Hal Jordan como discípulo. À frente da sua Tropa Amarela, desfraldou a bandeira do medo sobre o Universo que sonha moldar à sua imagem.

Denominação original: Sinestro
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Criadores: John Broome (história) e Gil Kane (arte conceptual)
Estreia: Green Lantern Vol.2 nº7 (agosto de 1961)
Identidade civil: Thaal Sinestro
Espécie: Korugariano 
Local de nascimento: Korugar City (capital do planeta Korugar, no Setor Espacial 1417)
Parentes conhecidos: Arin Sur (esposa, falecida), Soranik Natu (filha), Abin Sur (cunhado, falecido) e Amon Sur (sobrinho)
Ocupação: Ex-arqueólogo, ex-Lanterna Verde e ex-ditador, é como líder da Tropa Sinestro (vulgo Lanternas Amarelos) que dá agora prossecução às suas atividades de terrorista intergaláctico. 
Base operacional: Durante o seu tempo ao serviço da Tropa dos Lanternas Verdes, Sinestro encontrava-se aquartelado no planeta Oa, lar dos Guardiões do Universo, e tinha a seu cargo o policiamento do Setor Espacial 1417. Desde o fim do seu exílio em Qward, no Universo de Antimatéria, tem privilegiado a itinerância. Num passado recente, a gigantesca estação de combate conhecida como Mundo Bélico (anteriormente controlada por Mongul) serviu-lhe de base móvel.
Afiliações: Ex-membro da Tropa dos Lanternas Verdes, da Sociedade Secreta de Supervilões e da Liga da Injustiça, é líder e fundador da Tropa Sinestro.
Némesis: Lanterna Verde Hal Jordan (e, por extensão, toda a Tropa Esmeralda) 
Poderes e parafernália: Extremamente inteligente e astuto, mesmo desprovido do seu anel Sinestro é um adversário de respeito. Não só porque é um líder nato e um estrategista brilhante, mas porque aparenta possuir o dom natural de intuir o medo alheio, o qual usa para vergar os seus oponentes. É também esse dom que parece explicar a sua capacidade para estabelecer uma espécie de vínculo psíquico com os seus correlegionários da Tropa Sinestro.
Mais impressionante ainda é a sua vontade inquebrantável, sem paralelo em qualquer outra criatura senciente no Universo. Diagnóstico feito pelo próprio Ion, o avatar da Força de Vontade no Espectro Emocional (ver Miscelânea) e fonte de poder dos Lanternas Verdes.
É, porém, no seu anel energético - duplicata perfeita daqueles que são usados pelos Lanternas Verdes - que Sinestro tem a sua mais formidável arma. Graças a ele consegue, entre muitas outras coisas, gerar campos de força, projetar e absorver energia ou criar construtos de luz sólida cuja forma e funcionalidades dependem apenas da sua imaginação.
O anel permite-lhe, ademais, sobreviver em qualquer atmosfera, voar à velocidade da luz, curar-se e até viajar no tempo. Acresce ainda o facto de a sua luz amarela anular o poder dos anéis dos Lanternas Verdes.
Todas essas habilidades são potenciadas quando Sinestro serve de hospedeiro a Parallax, a entidade que incorpora o Medo. Quando isso acontece, Sinestro raia a transcendência, adicionando a manipulação da realidade ao seu índice de poderes.

Imagem relacionada
Graças à sua desmesurada força de vontade,
Sinestro consegue criar os anéis energéticos que apetrecham a tropa com o seu nome.
Fraquezas: Estribado na sua superioridade moral, Sinestro está convicto da benevolência das suas ações e despreza quem as contesta. A húbris é, de resto, a sua principal fraqueza e foi à conta dela que averbou múltiplas derrotas no passado. 
No entanto, também o seu anel energético possui limitações. Desde logo a necessidade de recarregamento a cada 24 horas ou sempre que a sua energia se esgota. Ao que se soma a sua ineficácia contra os portadores da luz azul que, no Espectro Emocional, representa a Esperança. Os Lanternas Azuis (atualmente resta apenas um, o Santo Andarilho) conseguem expurgar as emoções negativas, como o medo ou a ira, desabilitando dessa forma os anéis que por elas são energizados.

Segredos sinistros

Com os leitores rendidos à gesta intergaláctica do novíssimo Lanterna Verde, demorou precisamente um ano para o herói ser apresentado àquele que seria doravante o seu némesis. Com a assinatura de John Broome e Gil Kane - criadores do Gladiador Esmeralda - Sinestro fez a sua estreia em agosto de 1961, nas páginas de Green Lantern Vol.2 nº7. E logo tratou de mostrar ao que vinha.
Com efeito, Sinestro era ele próprio um Lanterna Verde renegado com desejos de vingança em relação aos seus antigos mestres, os Guardiões do Universo.
Cinéfilo assumido, John Broome sugeriu a Gil Kane que usasse o ator britânico David Niven (celebrizado, entre outros, pelo seu papel no primeiro filme da Pantera Cor de Rosa) como modelo para a aparência do vilão.
Originalmente, Sinestro era já um Lanterna Verde caído em desgraça e portador de um anel de luz amarela quando pela primeira vez cruzou o caminho de Hal Jordan. Esse e outros elementos (como a existência de uma irmã) tornar-se-iam apócrifos após Crise nas Infinitas Terras. Foi, pois, com recurso à continuidade retroativa que Sinestro se tornou mentor de Hal Jordan na Tropa dos Lanternas Verdes. À parte essas nuances, a origem do Mestre do Medo permaneceu praticamente inalterada até aos nossos dias.

Sinestro teve como modelo David Niven (em baixo) e debutou em
Green Lantern Vol.2 nº7 (1961).

Resultado de imagem para david niven




Nascido no longínquo planeta Korugar, no Setor Espacial 1417, à medida que crescia Sinestro desenvolveu uma obsessão pelo passado. A mesma que, na juventude, o levou a estudar ardorosamente Arqueologia.
Certo dia, quando se encontrava a reconstruir umas antigas ruínas, Sinestro testemunhou a queda de uma espaçonave. Chegado ao local do despenhamento, deparou-se com um alienígena gravemente ferido entre os destroços do veículo acidentado.
A criatura, de nome Prohl Gosgotha, explicou que fazia parte da força policial intergaláctica conhecida como Tropa dos Lanternas Verdes antes de repassar o seu anel a Sinestro, para que este pudesse enfrentar o seu atacante.
Antes que Sinestro conseguisse processar toda aquela informação, uma segunda personagem entrou em cena: um Armeiro de Qward. Originários do Universo de Antimatéria (negativo da nossa realidade), a cultura dos Armeiros, povo de cientistas e soldados, é totalmente baseada na guerra. O que faz deles inimigos jurados da Tropa dos Lanternas Verdes.
Ao enfiar instintivamente o anel no seu dedo, Sinestro teve a sua indumentária transformada num elegante uniforme verde. Sinestro intuiu rapidamente o modo de funcionamento da bijutaria e, dando mostras de uma extraordinária força de vontade, usou-a para neutralizar o Armeiro.
Quando, porém, o agonizante Prohl Gosgotha lhe pediu o anel de volta para cicatrizar os seus ferimentos, Sinestro recusou fazê-lo. Fascinado pelas potencialidades daquela que percebeu ser uma das mais poderosas armas do Universo, assistiu impávido à morte do seu antigo usuário, para assim poder tomar o seu lugar.
Sinestro seria pouco tempo depois contactado por Abin Sur, que o escoltou ao planeta Oa, lar dos Guardiões do Universo e quartel-general da Tropa dos Lanternas Verdes. Abin Sur tinha por missão policiar o Setor Espacial 2814 (ao qual pertence a Terra) e os dois rapidamente ficaram amigos. Uma amizade que se transformaria em laços familiares quando Sinestro desposou a irmã de Abin Sur. Escusado será dizer que tanto o cunhado como os Guardiões do Universo ignoravam as circunstâncias em que Sinestro se apropriara do anel.
Após jurar fidelidade aos preceitos da Tropa Esmeralda, Sinestro foi oficialmente designado Lanterna Verde do Setor Espacial 1417, substituindo o malogrado Prohl Gosgotha na proteção de Korugar. A sua coragem e eficiência depressa fizeram dele o melhor dos Lanternas Verdes, idolatrado pelos seus camaradas na exata medida em que era temido pelos seus inimigos.

Imagem relacionada
Criadores da Tropa dos Lanternas Verdes,
 os Guardiões do Universo ignoravam os pecados de Sinestro.
Sinestro usou então o quase ilimitado poder do seu anel para transformar o seu mundo natal num paraíso. Um paraíso livre de crime e desordem, mas de onde a própria liberdade foi aos poucos sendo expulsa. Embora se visse a si mesmo como um messias, aos olhos do seu povo Sinestro era um odioso tirano.
Cada vez mais crítico dos métodos obsoletos da Tropa dos Lanternas Verdes, Sinestro começou a incutir a sua filosofia totalitária aos novos recrutas. Quando, em consequência da morte de Abin Sur, Hal Jordan se tornou no primeiro terráqueo a ingressar nas fileiras da Tropa Esmeralda, os Guardiões do Universo incumbiram Sinestro de treiná-lo.
À semelhança do que acontecera com Abin Sur, Sinestro depressa travou amizade com Hal Jordan, em quem descortinava grande potencial. Tanto assim que o convidou a visitar Korugar, onde, segundo dizia, era reverenciado pelo seu povo. A verdade viria, contudo, a revelar-se muito diferente.
Em Korugar, Hal Jordan ficou aterrado com o nível de medo e opressão impostos por Sinestro aos seus compatriotas. Destapava-se enfim o poço de morte e corrupção onde jaziam os cadáveres e os pecados da sangrenta demanda de Sinestro.
Incapaz de persuadir Sinestro da iniquidade das suas ações, a Hal Jordan não restou outra alternativa senão denunciá-lo aos Guardiões do Universo.
Julgado em Oa pelos seus crimes, Sinestro foi expropriado do seu anel energético e banido para o Universo de Antimatéria. Para a sua condenação foi crucial o depoimento de Hal Jordan, uma "traição" que o Mestre do Medo nunca perdoaria.

Resultado de imagem para green lantern sinestro and the guardians of the universe
Sinestro foi instrutor de Hal Jordan,
 o primeiro humano admitido na Tropa dos Lanternas Verdes.
O exílio de Sinestro no Universo de Antimatéria não surtiu, todavia, o efeito desejado. Contra todas as expectativas, o antigo Lanterna Verde firmou uma aliança com os Armeiros de Qward, tirando proveito do ressentimento mútuo em relação aos Guardiões do Universo.
Apostados em fazer de Sinestro o seu instrumento de vingança, os Armeiros de Qward forjaram-lhe um novo anel energético energizado pelo Medo. Nascia assim o primeiro Lanterna Amarelo do Universo.
De regresso ao nosso Universo, Sinestro depressa se tornou o maior adversário da Tropa dos Lanternas Verdes. Sucedendo-se os duelos com o seu antigo pupilo, Hal Jordan, dos quais o Mestre do Medo saiu invariavelmente derrotado.

Resultado de imagem para weaponers of qward

Nos Armeiros de Qward (cima),
Sinestro encontrou aliados improváveis, e em Hal Jordan o seu eterno rival.
Dado como morto incontáveis vezes, numa dessas ocasiões Sinestro logrou transferir a sua essência para o interior da Bateria Central de onde provém a energia dos anéis dos Lanternas Verdes. E que servia também de prisão a Parallax, a entidade cósmica que incorpora o Medo. Voluntariando-se para servir-lhe de hospedeiro, Sinestro usou o formidável poder da criatura para dizimar boa parte da Tropa Esmeralda antes de ser novamente detido por Hal Jordan.
Percebendo que nem mesmo ele conseguiria derrotar a Tropa dos Lanternas Verdes sozinho, cuidou então de formar o seu próprio exército composto por alguns dos mais implacáveis guerreiros do Universo.
Sob o estandarte do Medo, os Lanternas Amarelos propõem-se impor a ordem por todos os meios necessários - incluindo a força letal. Tão temida quanto admirada, a Tropa Sinestro não mais cessou de disputar à sua congénere esmeralda a hegemonia no policiamento do Cosmos.
Em lados opostos da barricada, Sinestro e Hal Jordan continuam a defender aquilo em que acreditam, sem nunca esquecer a amizade que, em tempos, os uniu.

Imagem relacionada
A Tropa Sinestro usa o medo na sua cruzada pela ordem universal.

Miscelânea

*Apesar de ter sido introduzido na Idade de Prata e de ser um dos mais célebres supervilões dos quadradinhos, só em 2010 foi revelado o nome completo de Sinestro. Durante a saga A Noite Mais Densa (Blackest Night), Sinestro fundiu-se com a Entidade (personificação senciente da Vida), para combater Nekron, avatar da Morte e fonte do poder dos Lanternas Negros. Em resultado desse processo, Sinestro tornou-se o primeiro Lanterna Branco, cujo anel energético o identificou da seguinte forma: "Thaal Sinestro de Korugar, o Destino espera-te.";

thaal sinestro

sinestro white lantern
A revelação do nome completo de Sinestro
 e a sua transformação no primeiro Lanterna Branco.
*Dada a proximidade fonética do seu nome com "sinister" (palavra latina para "esquerdino"), Sinestro é habitualmente retratado como  canhoto - característica conotada, na época medieval, com profanidade;
*Entre junho de 2014 e julho de 2016, Sinestro estrelou o seu próprio título mensal em terras do Tio Sam. Nesse ínterim protagonizou igualmente dois volumes especiais: Sinestro: Futures End (2014) e Sinestro Annual nº1 (2015). Lançadas no âmbito de Os Novos 52, essas iniciativas editoriais objetivaram apresentá-lo como um anti-herói;
*Em algumas histórias, o antecessor de Sinestro na Tropa dos Lanternas Verdes surge identificado, não como Prohl Gosgotha, mas como Jewelius Blak. Curiosamente, a criação deste último precedeu em onze anos (1988 e 1999, respetivamente) a do primeiro;
*Malgrado as suas apregoadas boas intenções, Sinestro é reputado de tirano e assassino mesmo nos setores espaciais mais recônditos do Universo conhecido, o que lhe valeu ser cognominado de Maligno (Wicked no original);
*Antes da sua expulsão da Tropa dos Lanternas Verdes, Sinestro autoproclamara-se ditador vitalício de Korugar;
*O símbolo da Tropa Sinestro representa a bocarra escancarada de Parallax pronta a devorar todos aqueles que sucumbem ao medo que corporiza;
*O Espectro Emocional que rege o Universo DC é composto pelas sete cores do arco-íris, representando outras tantas emoções. Assim, ao azul corresponde a Esperança, ao verde a Força de Vontade, ao amarelo o Medo, ao laranja a Cobiça, ao violeta o Amor, ao vermelho a Ira e ao índigo a Compaixão. A elas somam-se ainda o branco (Vida) e o preto (Morte), sendo cada cor regida por uma entidade que incorpora a respetiva emoção e a representa fisicamente. Entidades essas que são tão antigas como o próprio Universo;

Imagem relacionada



No Espectro Emocional, o amarelo representa o Medo, incorporado por Parallax (cima).
*"No dia mais sombrio, na noite mais brilhante / Sente os teus medos tornarem-se luz cortante. / Todo aquele que a ordem tentar perturbar / Arderá em chamas quando o poder de Sinestro enfrentar". É este o juramento solene que os Lanternas Amarelos têm de recitar quando recebem os seus anéis, ou de cada vez que têm de recarregá-los;
*Surpreendentemente, apesar da eterna rivalidade que acalentam e das incontáveis vezes que se defrontaram em batalhas potencialmente fatais, Sinestro continua a considerar Hal Jordan um amigo. Desconhece-se, porém, se a recíproca é verdadeira, ainda que alguns indícios apontem nesse sentido. Uma relação muito semelhante àquela que é mantida pelo Professor X e Magneto, na Marvel;
*É possível traçar vários paralelismo entre a origem de Sinestro e a de Lúcifer, o Anjo Caído. Ambos foram outrora os favoritos dos seus criadores, caíram em desgraça devido à sua rebeldia, preferem governar a servir, comandam os seus próprios exércitos e sonham moldar o Universo à sua imagem;
*Entalado entre Adão Negro (DC) e Caveira Vermelha (Marvel), Sinestro ocupa desde 2009 o 15º lugar na lista dos cem melhores vilões de banda desenhada organizada pelo site IGN.

Será Sinestro uma alegoria luciferina? 

Noutros media

Desde 1978 que Sinestro, ao abrigo do seu duplo estatuto de arqui-inimigo de Hal Jordan e da Tropa dos Lanternas Verdes, vem sendo presença assídua no segmento audiovisual. Nesse ano o vilão exorbitou pela primeira vez os quadradinhos, estreando-se em Challenge of the Super Friends, série de animação baseada na Liga da Justiça e produzida pelos estúdios Hanna-Barbera. Tal como na banda desenhada, Sinestro detinha a capacidade viajar a seu bel-prazer para o Universo de Antimatéria.
Em 1979, Sinestro participou pela primeira vez numa produção em ação real. Em Legends of the Superheroes, minissérie televisiva em dois episódios, o vilão foi interpretado pelo ator cómico Charlie Callas.
Antagonista recorrente num sortido de animações baseadas no Universo DC, foi naquelas que tiveram o Lanterna Verde como protagonista - Green Lanterna: First Flight (2009) e Green Lantern: Emerald Knights (2011) - que Sinestro teve,  naturalmente, maior destaque.
Ao cinema Sinestro chegaria em 2011, ano em que foi lançada a primeira - e, até à data, única - longa-metragem do Lanterna Verde. Interpretado pelo britânico Mark Strong numa trama decalcada da origem clássica do herói, Sinestro surge ainda como um arrogante, porém eficiente, oficial da Tropa Esmeralda descrente nas capacidades de Hal Jordan e no discernimento dos Guardiões do Universo para fazer face às ameaças rondam o Cosmos.

Imagem relacionada

Resultado de imagem para green lantern movie 2011 sinestro
Sinestro em Challenge of the Super Friends (cima)
e interpretado por Mark Strong no filme do

Lanterna Verde de 2011.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

ETERNOS: BILL FINGER (1914-1974)


  Sem o seu contributo o Batman seria muito diferente ou poderia nem existir. Sempre na sombra de Bob Kane, foi arquiteto e obreiro da mitologia daquele que é um dos mais icónicos super-heróis de todos os tempos. Nem a morte lhe escancarou, porém, os portões do Olimpo da 9ª Arte.

Enquanto o Sol se punha devagar numa praia deserta do Oregon, na Costa Oeste dos EUA, uma figura solitária executava um estranho ritual. Na areia molhada onde momentos antes espalhara cuidadosamente o montículo de cinzas transportado numa simples caixa de sapatos, desenhava agora, com dedos trémulos, a forma de um morcego. Em seguida, envolta num silêncio solene e de olhos fixos no horizonte incandescente, aguardou que o oceano reclamasse aquela pequena oferenda. Estava cumprida a derradeira vontade de Bill Finger, o autor secreto do Batman.
Quem naquele frio final de tarde por ali passasse, jamais imaginaria serem os restos mortais de um gigante da banda desenhada que as fortes correntes do Pacífico levavam para longe. Ou que a criação do Cavaleiro das Trevas configura uma das maiores traições à verdade inscritas na história da 9ª Arte.
Quando, há precisamente 80 anos, em maio de 1939, o Batman fez a sua primeira aparição em Detective Comics nº27, Bob Kane foi o único autor creditado, apesar de não o ser.
De fora ficou Bill Finger, velho amigo e fiel colaborador de Bob Kane desde os alvores da Idade de Ouro dos quadradinhos. E cujos contributos foram fundamentais para fazer do Cavaleiro das Trevas (cognome também cunhado por Finger) aquilo que ele é hoje: um dos três pilares do Universo DC (juntamente com o Super-Homem e a Mulher-Maravilha), um ícone cultural à escala planetária e, por inerência, um filão virtualmente inesgotável para os detentores dos seus direitos. Como, de resto, testifica a miríade de bandas desenhadas, filmes, séries televisivas e videojogos nele baseados.

Imagem relacionada
Detective Comics nº27 (1939) apresentou Batman ao mundo
 e Bob Kane (em baixo) como seu único autor.

Imagem relacionada

A despeito de o verdadeiro papel de Bill Finger na conceção do Batman e no desenvolvimento da sua mitologia ser um dos maiores segredos de Polichinelo da indústria dos quadradinhos, a verdade só este século começou a ser reposta. Finger continua, ainda assim, a ser um ilustre desconhecido para muitos fãs do taciturno guardião de Gotham City, que ignoram por completo a dimensão e a importância da sua obra.
Como se perceberá, Finger, conquanto inextrincavelmente ligado ao imaginário do Homem-Morcego, enriqueceu de diferentes formas o panteão da Editora das Lendas. No qual tem também lugar cativo desde que, em 1985, o seu nome foi incluído em Fifty Who Made DC Great, o livro de ouro lançado pela DC por ocasião do seu 50º aniversário, e que imortalizava as cinquenta personalidades que mais contribuíram para o sucesso da companhia.
Mas quem era, afinal, esse segundo homem por detrás da criação do Batman? E como foi possível ter permanecido na obscuridade durante tanto tempo? Era Bob Kane um oportunista sem ética ou limitou-se, ao invés, a tirar partido das regras viciadas de uma indústria particularmente iníqua?
No mês em que o Batman, fenómeno de popularidade e de longevidade (vem sendo ininterruptamente publicado desde 1939), ingressa no restrito escol de super-heróis octogenários, importa verter alguma luz sobre os segredos da sua criação e assegurar um módico de justiça ao seu criador secreto.
Um dos mais prolíficos - e menosprezados - escribas da sua geração, Milton "Bill" Finger nasceu a 8 de fevereiro de 1914, em Denver (Colorado), a jovem casal judaico de raízes humildes. Louis Finger, o pai, trocara, ainda adolescente, a sua Áustria natal pelos EUA, na senda do Sonho Americano que a Grande Depressão haveria de reduzir a pó. Foi, pois, em terras do Tio Sam que conheceu Tessie, a discreta nova-iorquina que haveria de desposar logo depois. Do enlace resultaram, além de Bill, duas filhas, Emily e Gilda. Em 1933, a família rumaria a Nova Iorque, depois de a míngua de fregueses ter ditado o encerramento da alfaiataria de que Louis retirava o sustento de todos.
Na Grande Maçã, o clã Finger assentou arraiais no Bronx. Foi nas ruas desse pitoresco bairro nova-iorquino que Bill Finger se fez homem enquanto frequentava o DeWitt Clinton, o mesmo liceu onde, num daqueles obséquios do acaso, Bob Kane estudava também. Kane era apenas um ano mais velho do que Finger e os passos de ambos acabaram inevitavelmente por cruzar-se nos corredores da escola. Apesar das personalidades dissonantes (Kane era conhecido pela sua lábia; Finger pela sua timidez), floresceu uma amizade entre ambos. Terminados os estudos, os dois seguiram, porém, caminhos muito diferentes.

Bill Finger na juventude.
Enquanto Bill Finger, um aspirante a escritor, trabalhava a tempo parcial numa sapataria, Bob Kane optou por ganhar dinheiro a fazer aquilo de que mais gostava: desenhar. Os dois mantiveram contacto e, em 1938, Bob Kane convidou o amigo a trocar a sapataria pelo seu recém-fundado estúdio. Cansado de um emprego que mal lhe permitia pagar as contas, Finger aceitou de bom grado o convite e a sua primeira colaboração consistiu em escrever Clip Carson e Rusty and his pals, tiras vendidas por Bob Kane à National Comics (uma das antecessoras da DC). Apesar de Kane não ter escrito uma só palavra das que acompanhavam as suas ilustrações, apenas a sua assinatura surgia nas tiras. Finger tornava-se assim o primeiro de uma legião de escritores-fantasma que no rolar das décadas coadjuvariam secretamente Kane.

Imagem relacionada
Bill Finger foi o escritor-fantasma de Bob Kane em Rusty and his pals.
Após o estrepitoso sucesso do Super-Homem no ano anterior, em 1939 a National Comics, na pessoa do seu editor-chefe Vin Sullivan, incumbiu Bob Kane de criar um novo herói fantasiado capaz de fazer disparar ainda mais as vendas da companhia. Era véspera de fim de semana e Kane comprometeu-se a apresentar o seu protótipo na segunda-feira seguinte. Essa seria, aliás, uma das poucas promessas que honraria em toda a sua vida.
Durante o fim de semana, Kane afadigou-se na criação da nova personagem, que batizou de Bat-Man (era esta a grafia original) antes de submetê-la à apreciação de Bill Finger. Este ficou agradado com o nome mas propôs várias modificações ao visual, conforme recordaria em diferentes entrevistas concedidas em vida: "Bob mostrou-me alguns esboços do seu Bat-Man. Gostei do conceito, mas a aparência fazia lembrar demasiado a do Super-Homem. Recordo-me que vestia um uniforme vermelho, sem luvas e com um par de asas rígidas acopladas nas costas. Tinha a face parcialmente coberta por uma mascarilha e baloiçava-se numa corda suspensa. Sugeri a Bob que fizesse algumas alterações e ele acolheu as minhas ideias."
As alterações propostas por Bill Finger deixaram quase irreconhecível o conceito original. Num ápice, o uniforme do Batman adquiriu tonalidades escuras, as asas deram lugar a uma capa e a mascarilha foi substituída por um capuz. A influência de Finger repercutiu-se igualmente na têmpera do herói.
Kane não tinha ainda definido a identidade secreta do Batman, e partiu de Finger a ideia de lhe atribuir um insuspeito playboy milionário como alter ego. Foi também ele quem o crismou de Bruce Wayne, combinação dos nomes de duas figuras históricas: Robert the Bruce (rei dos escoceses que, no século XIV, liderou o seu povo na primeira guerra pela independência face a Inglaterra) e Anthony Wayne, general notabilizado pelas suas façanhas militares durante a Revolução Americana. Anos mais tarde, o próprio Kane reconheceria ter concebido o Batman para ser um vigilante mascarado, tendo sido Finger a transformá-lo numa espécie de detetive científico notoriamente inspirado em Sherlock Holmes.

Imagem relacionada
O Bat-Man de Bob Kane.
Alheio a tudo isto, Vin Sullivan, o mandachuva da National, apressou-se a adquirir os direitos da personagem que Bob Kane, como prometido, lhe apresentou em tempo recorde. Sem nunca mencionar Bill Finger, Kane, entre outras contrapartidas, exigiu ser creditado como o único autor de Batman em todas as histórias e adaptações vindouras. Cláusula contratual inédita que destoava daquela que era então a prática consagrada na incipiente indústria dos comics. Raramente os criadores eram creditados ou conservavam os direitos das sua criações. Sendo o caso mais dramático o de Jerry Siegel e Joe Shuster, os desafortunados autores do Super-Homem cujos perfis se encontram disponíveis neste blogue.
Porquanto era o nome de Bob Kane o único que figurava no contrato celebrado com a National, somente ele receberia os futuros proventos do negócio. Apesar de Kane se ter comprometido informalmente a dividi-los com Finger, a verdade é que este nunca recebeu um cêntimo dos milhões de dólares gerados pelo Homem-Morcego nos diferentes segmentos culturais.
Não obstante, foi da pena de Finger que saiu a primeira história do Batman publicada em Detective Comics nº27, ficando a arte a cargo de Bob Kane. Mas apenas este foi creditado nessa edição e em todas as que foram dadas à estampa nas duas décadas subsequentes. Coincidindo esse período com a expansão da mitologia do Homem-Morcego.
Sempre na sombra de Kane, da imaginação de Finger saíram personagens-chave, como o mordomo Alfred Pennyworth, o Comissário James Gordon, a Mulher-Gato ou o Charada. Finger participou ainda na criação de Joker e Robin (respetivamente, némesis mortal e fiel escudeiro do Cavaleiro das Trevas), e deu nome à opressiva metrópole (Gotham City) que servia de habitat a toda esta exótica fauna. A Bat-Caverna e o Bat-Móvel foram outros dos conceitos icónicos introduzidos por Finger, normalizando dessa forma a aplicação do prefixo "Bat" a todo e qualquer acessório utilizado pelo herói que escolheu o morcego como símbolo.
Outra das marcas distintivas de Finger enquanto argumentista do Batman era a utilização recorrente de adereços gigantes - por norma, objetos do quotidiano como máquinas de costura ou de escrever. Um bom exemplo dessa tendência é a moeda gigante guardada na sala de troféus da Bat-Caverna, e que reporta originalmente a uma história da Idade de Ouro da autoria de Finger.

Imagem relacionada

Resultado de imagem para batman giant penny
Mulher-Gato e a moeda gigante com a efígie de Abraham Lincoln:
duas criações icónicas de Bill Finger na Idade de Ouro.
Arte-finalista das primeiras histórias do Batman, o saudoso George Roussos assinalava a minúcia de Finger como uma das suas características mais ambivalentes. Segundo ele, Finger facilitava consideravelmente o trabalho dos desenhistas ao fornecer-lhes referências fotográficas (normalmente retiradas da National Geographic) de prédios ou infraestruturas, como fábricas ou estações ferroviárias. Essas pesquisas exaustivas atrasavam, porém, o processo de escrita. Finger sentia sempre grande dificuldade em cumprir prazos, contingência que, em meados dos anos 1940, ditou a sua substituição temporária por Gardner Fox. Não sem antes ter assinado a história de origem do Homem-Morcego que, a despeito das múltiplas revisitações, se mantém praticamente inalterada até hoje.
Com o tempo Bill Finger começou a trabalhar diretamente para a DC. Superman e Superboy foram dois títulos em que deixou marca. Foi ele quem, por exemplo, incorporou a kryptonita (conceito apresentado anos antes num folhetim radiofónico) no cânone do Homem de Aço. Já o Superboy foi presenteado com um interesse amoroso: ninguém menos do que Lana Lang. Pelo meio, Finger foi creditado como coautor do primeiro Lanterna Verde e do Pantera (Wildcat, no original). No caso do Gladiador Esmeralda esse reconhecimento decorreu do simples facto de ter escrito a primeira história do herói, para cuja conceção em nada contribuiu.
Numa época marcada pela itinerância dos profissionais da 9ª Arte, Bill Finger colaborou igualmente com editoras concorrentes da DC. Quality Comics, Fawcett Comics e Timely Comics foram algumas das que requisitaram os seus préstimos. Para esta última, em 1946, ajudou a criar, em resposta ao êxito da Sociedade da Justiça da América (DC), o Esquadrão Vitorioso (All-Winners Squad), a primeira equipa de super-heróis dessa antepassada da Marvel.

Imagem relacionada
Resultado de imagem para dc comics classic lana lang
Alan Scott, o primeiro Lanterna Verde, e Lana Lang.
Outras das criações emblemáticas de Bill Finger.
Em 1961, numa conjuntura de renascimento dos super-heróis, Bill Finger abandonou quase por completo a indústria dos quadradinhos para abraçar uma nova carreira como argumentista no cinema e na TV. Foi nessa qualidade que, cinco anos depois, escreveu dois episódios da série televisiva do Batman estrelada por Adam West. Tendo sido essa a primeira vez que recebeu crédito por uma história do herói que ajudara a criar. Algo que certamente não terá agradado a Bob Kane.
Por essa altura a relação entre ambos já se deteriora em consequência de uma controvérsia relacionada, precisamente, com a criação do Homem-Morcego. Em 1965, na edição inaugural da Comic Con de Nova Iorque, Bill Finger participou num painel composto por autores de banda desenhada. Questionado sobre o seu papel na criação do Batman, Finger revelou a verdadeira dimensão do seu contributo para a definição do herói.
A resposta de Bob Kane não se fez esperar e foi tudo menos polida. Numa contundente missiva publicada no fanzine Batmania, apelidou de fraude o seu ex-associado, sonegando-lhe uma vez mais o direito a ser reconhecido como coautor do Cavaleiro das Trevas.
No que poderá ser interpretado como uma expressão de atroz cinismo ou um tardio rebate de consciência, na sua autobiografia lançada em 1989 (na verdade, um panegírico escrito a meias com Tom Andrea), Bob Kane escreveu: "Agora que o meu velho amigo Bill Finger nos deixou, devo admitir que ele nunca obteve a fama e o reconhecimento merecidos. Ele foi a força motriz do desenvolvimento do Batman. Foi um herói anónimo." Diga-se, no entanto, que Kane tudo fez para garantir esse anonimato.
Traído pelo seu coração, Bill Finger foi encontrado morto no seu apartamento num condomínio de Manhattan a poucos dias de completar 60 anos, e quando o movimento pela defesa dos direitos autorais ainda gatinhava. Corria o ano de 1974 e durante muito tempo especulou-se que o seu corpo teria sido sepultado numa campa anónima. A verdade, porém, é que foi cremado e as suas cinzas espalhadas pelo seu único filho, Frederick (era ele a misteriosa figura no início do texto), numa praia do Oregon. E esse poderia ter sido o epílogo desta apaixonante história se, em 2012, Marc Tyler Nobleman, um estudioso da 9ª Arte, não tivesse lançado Bill the Boy Wonder (Bill, o Menino-Prodígio), uma biografia ilustrada que exumou verdades incómodas.

Resultado de imagem para bill the boy wonder
Em 2012, a biografia ilustrada de Bill Finger
 abriu caminho para o seu reconhecimento público.
A aturada investigação levada a cabo por Nobleman possibilitou a descoberta da única herdeira viva de Bill Finger: a sua neta Athena, nascida dois anos após a morte do avô. No corolário de uma árdua disputa judicial travada por Athena, em 2015 a DC consagrou por fim Bill Finger como cocriador do Batman. Mesmo a tempo da estreia do filme Batman versus Superman: O Despertar da Justiça. Pela primeira vez surgiu no grande ecrã a inscrição "Batman criado por Bob Kane com Bill Finger".
Num mundo perfeito, ler-se-ia "Batman criado por Bob Kane e Bill Finger". Num mundo perfeito, Bill Finger, há muito reconhecido pelos seus pares que até criaram um prémio com o seu nome, teria reclamado em vida o lugar no Olimpo da 9º Arte que é seu por direito. Mas este não é um mundo perfeito e nem sempre a amizade prevalece.
Desde dezembro de 2017 que uma esquina do Bronx tem o nome de Bill Finger. Uma homenagem toponímica que nada teve de aleatória. A esquina em questão dista poucos metros do Poe Park, local onde tantas vezes dois jovens amigos se encontraram para trocar ideias sobre a personagem que os haveria de imortalizar, mas também separar.

moviescreen-grab.jpg
Em Batman vs Superman, Bill Finger foi creditado
 pela primeira vez como coautor do Cavaleiro das Trevas.
Athena Finger na inauguração da esquina com o nome do avô:
 uma via para a eternidade.


Um grande bem-haja ao meu bom amigo Emerson Andrade que, com a sua proverbial solicitude, efetuou a montagem que serve de ilustração principal a este artigo. A ele deixo aqui um abraço do tamanho do oceano que nos separa.


terça-feira, 30 de outubro de 2018

CLÁSSICOS REVISITADOS: «CRISE DE IDENTIDADE»


   O misterioso assassinato da cara-metade de um membro da Liga da Justiça traz à tona um tenebroso segredo que macula a história do grupo. Cientes dos perigos que as suas vidas duplas representam para as pessoas que mais amam, até onde estarão os heróis dispostos a ir para protegê-las?

Título original: Identity Crisis
Licenciadora: Detective Comics (DC)
País:  EUA
Autores: Brad Meltzer (argumento), Rags Morales (ilustrações) e Michael Blair (arte-final)
Data de publicação: Agosto de 2004 a fevereiro de 2005 
Categoria: Minissérie em sete edições mensais
Protagonistas: Aquaman, Átomo, Batman, Canário Negro, Homem-Elástico, Arqueiro Verde, Lanterna Verde (Kyle Rayner), Flash (Wally West), Caçador de Marte, Super-Homem. Mulher-Maravilha e Zatanna
Coadjuvantes: Sue Dibny, Jean Loring, Doutor Meia-Noite, Senhor Incrível, Águia Flamejante, Doutor Luz, Exterminador, Capitão Bumerangue, Calculador, Jack Drake, Nuclear e Lois Lane
Cenários: Torre de Vigilância da Liga da Justiça, Gotham City, Metrópolis, Nova Iorque, Ivy Town, Central City, Opal City e Smallville 


Resultado de imagem para dc comics identity crisis #2
Um pacto de silêncio
une antigos membros da LJA.

Edições em português 

Seguindo o modelo original, entre setembro de 2005 e março de 2006, a Panini brasileira começou por lançar Crise de Identidade no formato de uma minissérie em sete fascículos. No ano seguinte chegariam em simultâneo às bancas dois encadernados da série - um de capa dura, outro de capa mole. Ainda por Terras Tupiniquins, no mês passado foi a vez de a Eaglemoss reeditar a saga em dois volumes insertos na sua Coleção de Graphic Novels: Sagas Definitivas.
Deste lado do Atlântico, foi sob os auspícios da Levoir que, em 2013, Crise de Identidade teve direito à sua primeira edição em português europeu, com a história a ser dividida em dois volumes de capa dura.

Resultado de imagem para panini comics crise de identidade


Imagem relacionada
A minissérie original da Panini (cima)
 e os dois volumes encadernados lançados em Portugal pela Levoir.

Segredos dos bastidores

Ao apresentar uma visão dessacralizadora de alguns dos principais expoentes heroicos da Editora das Lendas, Crise de Identidade decretou em definitivo o fim da inocência no Universo DC. Consequentemente, a saga - depressa alcandorada a clássico da 9ª Arte - não deixou ninguém indiferente e ainda hoje divide opiniões. Entre aqueles que escarnecem o seu pretenso registo sensacionalista e os que aplaudem a humanização dos seus ídolos (pedra-de-toque da Marvel), o debate segue aceso.
Até poucos meses atrás, pouco se sabia porém sobre os bastidores de uma saga com extensas ramificações na cronologia da Editora das Lendas. Em agosto último, por ocasião do 18º aniversário de Crise de Identidade, Valerie D'Orazio, ex-editora-assistente da DC, usou a sua conta pessoal na rede social Twitter para divulgar alguns pormenores sumarentos.
A acreditar no relato de D'Orazio - que esteve diretamente envolvida na conceção da série -, as linhas-mestras de Crise de Identidade foram definidas exclusivamente pelo departamento editorial sem que Brad Meltzer tenha tido voto na matéria.

Resultado de imagem para valerie d'orazio
Valerie D'Orazio esteve ao serviço
 da DC entre 2000 e 2005.
D'Orazio explica que a ideia consistia em produzir uma história com notas sombrias e violentas, por forma a deixar o Universo DC mais apelativo para uma audiência madura. Segundo ela, o então vice-presidente da DC, Dan DiDio, tinha como intenção declarada "tirar o sorriso dos quadradinhos".
Estas revelações - não desmentidas até ao momento - ilibam Brad Meltzer, vilipendiado ao longo dos anos pelos leitores mais conservadores. Os mesmos que ficaram ultrajados com a cena da violação de Sue Dibny e pelo nível geral de violência presente na narrativa, e que nunca perdoaram a inclusão destas temáticas adultas numa história da Liga da Justiça.

Resultado de imagem para brad meltzer
Brad Meltzer e Rags Morales (baixo) assinaram
 um dos primeiros clássicos bedéfilos deste século.
Resultado de imagem para rags morales

D'Orazio explica ainda que a escolha de Sue Dibny para vítima de tão inomináveis crimes decorreu do facto de ela ser pura de coração e acarinhada por todos os membros da Liga. Os editores consideravam, ademais, que o Homem-Elástico era uma piada e que a morte da esposa o deixaria mais soturno.Revelando-se muito crítica relativamente às opções editoriais tomadas, D'Orazio sublinha que o que o que fez a Marvel ser mais bem-sucedida do que a DC antes de Crise de Identidade não foi a tonalidade obscura das suas histórias, mas sim a qualidade destas. E carrega nas tintas ao assumir que, por causa do seu registo violento, Crise de Identidade foi um projeto perturbador do qual não guarda saudades.
Apesar da controvérsia que desencadeou - ou por conta desta - Crise de Identidade foi uma das sagas mais vendáveis de sempre. Em agosto de 2004, o primeiro número da série, com uma circulação superior a 163 mil exemplares, liderou as vendas de quadradinhos nos EUA.
A saga teve também fortes repercussões na continuidade da DC, lançando as sementes para Crise Infinita no ano seguinte e restaurando o estatuto de membro fundador da Liga da Justiça da Mulher-Maravilha, do qual a Princesa Amazona fora expropriada após Crise nas Infinitas Terras.

Preâmbulo

Numa história clássica da Liga da Justiça, dada à estampa em 1979 nos números 166, 167 e 168 de Justice League of America, a Sociedade Secreta de Supervilões capturou alguns dos membros da equipa, trocando de corpos com eles. Graças a este ardil, os vilões apreenderam as identidades secretas dos heróis. Na conclusão do arco, a situação seria revertida depois de Zatanna usar a sua magia para lobotomizar os inimigos da Liga da Justiça, apagando todas as suas memórias relacionadas com o incidente.

Imagem relacionada
A história clássica da LJA que serviu de mote a Crise de Identidade.
Em reconhecimento pelo meritório trabalho desenvolvido por Sue Dibny na embaixada europeia da Liga da Justiça Internacional, foi-lhe outorgado pelo Capitão Átomo (líder da referida secção) o título de membro honorário da equipa. Mercê desse estatuto - extensível apenas a um punhado de indivíduos - Sue beneficiava de várias prerrogativas, mormente o livre acesso ao quartel-general da Liga e a informação confidencial acerca dos membros e atividades da organização.
Casada com Ralph Dibny, o Homem-Elástico, Sue era muito benquista pelos restantes membros da Liga da Justiça, que tinham nela uma amiga e confidente. Sue seria também protagonista involuntária de um episódio traumático que colocou os heróis perante um excruciante dilema moral  Dividido num primeiro momento, o grupo acabaria por cerrar fileiras em redor de um terrível segredo. Que, como todos os segredos, voltou para assombrá-los.

Enredo

Ao mesmo tempo que o Homem-Elástico participa com Águia Flamejante numa rotineira operação de vigilância, Sue Dibny é assassinada no apartamento do casal, sucumbindo, aparentemente, às graves queimaduras que lhe são infligidas pelo atacante.
Na ressaca deste trágico acontecimento, a comunidade super-heroica - particularmente, a Liga da Justiça da América - mobiliza-se em peso para descobrir a identidade do assassino. Com a lista de suspeitos a ser encabeçada por um velho conhecido: o Doutor Luz.
Imagem relacionada
Sue Dibny e o Homem-Elástico:
só a morte separou aquele que era um dos casais
 mais felizes dos quadradinhos.
Enquanto os heróis se lançam numa febril caça ao homem, o Arqueiro Verde revela ao Lanterna Verde e ao Flash que certa vez o Doutor Luz, a fim de recuperar a sua arma, havia invadido o Satélite da Liga (antiga base orbital do grupo) e violado Sue quando esta se encontrava sozinha a bordo.
Objetivando garantir que um episódio dessa natureza não mais se repetiria com Sue ou qualquer outro ente querido da Liga, os membros da época, após renhida votação, permitiram que Zatanna conjurasse um feitiço que, de uma assentada, lobotomizou o Doutor Luz e lhe alterou a personalidade, convertendo-o num bufão inofensivo.
Nas entrelinhas do relato feito pelo Arqueiro Verde fica, ademais, implícito que o grupo terá recorrido reiteradas vezes a esse expediente para salvaguardar a segurança dos seus membros e dos que lhes são próximos.
Os heróis localizam finalmente o Doutor Luz mas este, sabendo ter a cabeça a prémio, havia contratado o Exterminador como guarda-costas. Durante a encarniçada refrega que se segue, o vilão recupera a memória do incidente e, enfurecido pela sevícia de que foi vítima, usa os seus poderes para escapar.

Doctor Light (Arthur Light) – This Day In Comics
Doutor Luz, velho inimigo da Liga, torna-se
 o principal suspeito da morte de Sue Dibny.

Questionado diretamente pelo Super-Homem, Flash prefere proteger o inquietante segredo que lhe foi confiado pelo Arqueiro Verde.
Longe dali, em Ivy Town, Ray Palmer (o Átomo) encontra a sua ex-mulher, Jean Loring, pendurada numa porta, amarrada e vendada. Prestes a morrer estrangulada, Jean é salva no último instante pelo ex-marido, mas é incapaz de fornecer uma descrição do agressor.
Dias depois, Lois Lane, cara-metade do Super-Homem, recebe uma ameaça de morte que deixa o casal apreensivo.
Em Gotham City, Jack Drake, pai de Tim Drake (o terceiro Robin), recebe por sua vez uma nota anónima a avisá-lo para a iminência de um atentado contra a sua vida. A nota vem acompanhada com uma arma que Jack usa para se defender quando é atacado pelo Capitão Bumerangue, que havia sido contratado pelo Calculador para matá-lo. Após uma troca de tiros, ambos acabam mortalmente feridos.
Chegado ao local do crime, Robin é confortado por Batman que se apressa a confiscar o bilhete antes que a polícia e a imprensa tomem conhecimento da sua existência.

plano critico funeral de sue dibny plano critico crise de identidade
A comunidade heroica compareceu em peso ao funeral de Sue Dibny.

À medida que a investigação prossegue, Nuclear tem o peito trespassado pela espada do Cavaleiro Brilhante empunhada pelo Ladrão das Sombras, a quem interrogava. Ao atingir a sua massa crítica, o herói atómico explode na atmosfera.
Enquanto a comunidade heroica chora a perda de um dos seus,  o Arqueiro Verde, confrontado pelo Flash, confessa que o método de Zatanna não foi aplicado somente a criminosos. Após a captura do Doutor Luz, Batman abandonara o satélite da Liga mas, por algum motivo, regressou pouco depois, surpreendendo os seus companheiros de equipa a lobotomizar o vilão.
Perante a firme oposição do Homem-Morcego a este ato, aos heróis não restou alternativa senão varrer aquele episódio da mente do seu colega.

Resultado de imagem para dc comics identity crisis
Batman tem a sua memória apagada por Zatanna. 
O mesmo Batman que invade entretanto o esconderijo deserto do Calculador. Apesar da fuga antecipada do vilão, o Cavaleiro das Trevas encontra pistas que lhe permitem deduzir que ele servira de testa de ferro ao verdadeiro mandante do ataque que vitimou Jack Drake.
Realizada pelo Doutor Meia-Noite e pelo Senhor Incrível, da Sociedade da Justiça da América, a autópsia de Sue Dibny conclui ter sido um acidente vascular cerebral a verdadeira causa de morte. Um exame microscópico ao cérebro de Sue deteta a presença de duas minúsculas pegadas. Ficando assim claro que estas pertenciam a alguém com acesso à tecnologia do Átomo, que lhe possibilita reduzir-se ao tamanho subatómico.
Antes que os heróis consigam averiguar se o assassino foi o próprio Átomo ou alguém que se apropriou indevidamente da sua invenção, o pequeno herói faz uma descoberta chocante. Em conversa com a sua ex-mulher, Ray Palmer percebe que, a despeito de essa informação ter sido mantida secreta, Jean está ao corrente da nota anónima enviada a Jack Drake, deduzindo ser ela a assassina de Sue Dibny.
File:Sue Dibny Autopsy.jpg
A autópsia de Sue Dibny descobre pistas
 acerca da verdadeira identidade do seu assassino.
Jean Loring havia encontrado o traje encolhedor do marido e tinha-o vestido enquanto falava ao telefone com Sue Dibny, viajando através dos cabos telefónicos até penetrar no cérebro da sua interlocutora. A presença microscópica de Jean acabaria por induzir um AVC fatal em Sue.
Ao retomar o seu tamanho normal, Jean apercebera-se do que fizera e, para encobrir o seu crime, usara uma pistola de raios para queimar parte do cadáver de Sue.
A morte de Sue fez Jean perceber que os heróis fazem tudo ao seu alcance para proteger as pessoas que mais amam. Simulara, por isso, um atentado contra si mesma com o intuito de atrair Ray Palmer. Porque, no fundo, tudo se resumira a um demencial plano para reconstruir o casamento desfeito de ambos.

Imagem relacionada
Jean Loring, 
a ex-mulher de Ray Palmer.
Ao longo da sua confissão Jean não evidencia remorsos e afirma não ter tido intenção de matar quem quer que fosse. Declarada mentalmente insana, a ex-mulher de Ray Palmer é internada no Asilo Arkham, sendo mantida sob forte medicação. Átomo, envergonhado pelas ações da mulher que em tempos amara, resolve afastar-se por uns tempos.
Na cena final, Flash mostra-se desconfortável na presença do Batman, o que leva o Cavaleiro das Trevas a suspeitar do comportamento do seu companheiro de equipa. No ar paira a dúvida se Batman se recordará ou não do sucedido com o Doutor Luz e com ele próprio...

Requiem pela inocência.

Apontamentos

*Sue Dibny seria brevemente ressuscitada na saga Blackest Night (A Noite Mais Densa). Após um anel energético ter assumido o controlo do seu cadáver, a saudosa esposa do Homem-Elástico viu-se transformada num dos Lanternas Negros arregimentados por Nekron para disseminar o caos no Universo. Tal como os restantes membros da legião de desmortos, Sue seria destruída pela Tropa Índigo, podendo dessa forma voltar a descansar em paz;
*Dada a circunstância de Sue Dibny ter sido encontrada sem vida e horrivelmente queimada no interior do seu apartamento sem sinais de arrombamento, a lista de suspeitos da sua morte incluía vários criminosos com poderes incandescentes (casos do Doutor Fósforo e Onda Térmica), assim como diversos teleportadores, entre os quais Mestre dos Espelhos e Penumbra;
*Jack Drake ficara a saber da vida dupla do seu filho como escudeiro do Batman pouco tempo antes de ser assassinado;
*Embora o Nuclear original (Ronald Raymond) tenha morrido no decurso da saga para dar lugar a Jason Rusch, a ideia inicial era eliminar Átomo ou o Caçador de Marte. Brad Meltzer teve influência direta na decisão editorial de poupar estas duas personagens ao destino fatídico que lhes fora reservado;

Resultado de imagem para dc comics identity crisis firestorm
Nuclear não sobreviveu a Crise de Identidade.
*No início da história são referenciadas outras mortes de membros da Liga da Justiça. A saber: Flash (Barry Allen), Arqueiro Verde, Lanterna Verde (Hal Jordan) e Super-Homem. Curiosamente, todos os defuntos enumerados acabaram por regressar do Além e mantêm-se no ativo;
*Após Crise nas Infinitas Terras, convencionou-se que somente um número muito restrito de pessoas teria conhecimento das verdadeiras identidades dos membros da Liga da Justiça. Conceito que foi, contudo, abandonado em Crise de Identidade, com os heróis não raro a tratarem-se informalmente pelos seus nomes civis;
*Vilões como o Doutor Destino (não confundir com o seu homónimo da Marvel) ou Onda Mental que, com recurso às suas habilidades psíquicas, poderiam facilmente descortinar os alter egos de cada um dos integrantes da Liga da Justiça não conseguiram, aparentemente, fazê-lo. Não porque tal nunca lhes tenha ocorrido, mas porque Zatanna apagou magicamente as suas memórias quando foram bem-sucedidos nessa tarefa. Confirmando, assim, que essa era há muito uma prática consagrada para salvaguardar as identidades e os  entes queridos dos heróis;
*Originalmente centrado nas suas insanáveis divergências políticas, o antagonismo mútuo entre o Arqueiro Verde (defensor de causas conotadas com a extrema-esquerda) e o Gavião Negro (com posições próximas da ultradireita) resultava afinal também das suas opiniões opostas sobre o que deveria ter sido feito ao Doutor Luz após o episódio da violação de Sue Dibny;

Resultado de imagem para dc comics identity crisis green arrow
Nunca foi pacífica a relação
 entre o Arqueiro Verde e o Gavião Negro.
*Numa aparente inconsistência narrativa, Guy Gardner - expulso há anos da Tropa Esmeralda, reinventara-se como Guerreiro - participa nas exéquias de Sue Dibny envergando o seu uniforme de Lanterna Verde. É, no entanto, verosímil que, dada a solenidade da ocasião, Guy tenha escolhido aprumar-se com aquela que era a sua farda de gala;
*A consecutivas gerações de leitores lusófonos, Átomo (tradução literal da nomenclatura original) foi apresentado como Eléktron. Assim rebatizado nos anos 1960 pela brasileira EBAL, por forma a diferenciá-lo da sua contraparte da Idade do Ouro, era ainda por essa alcunha que o liliputiano herói atendia nas edições da Panini lançadas em terras de Vera Cruz. Registe-se, a este propósito, que o Átomo original não partilhava com o seu sucessor a capacidade de se miniaturizar;

Resultado de imagem para dc comics identity crisis atom
Átomo, o Pequeno Polegar da DC
 que os leitores lusófonos conhecem como Eléktron.

Vale a pena ler?

Brad Meltzer é um espécime exótico na fauna de literatos contemporâneos. A despeito de o seu nome ter figurado repetidas vezes na lista de best-sellers do New York Times por conta de obras como The Millionaires e The Book of Fate, este advogado nova-iorquino que cresceu entre o Brooklyn e Miami só se aventurou na literatura graças à sua assolapada paixão pela banda desenhada.
Certa vez Meltzer disse, em entrevista, que podia não saber os nome de todos os estados que compõem a União, mas sabe de cor e salteado o nome de todos os membros da Liga da Justiça, bem como a ordem pela qual entraram ou saíram do grupo. Esse seu conhecimento enciclopédico do Universo DC e de cada uma das engrenagens que movimentam as suas personagens está patente em Crise de Identidade, obra de referência na memorabilia da DC e que lançou um novo olhar sobre alguns dos seus maiores ícones.
Invocando os contos policiais de antanho, Crise de Identidade serve ao leitor um mistério no melhor estilo "quem é o culpado?". De caminho, Meltzer, iconoclasta involuntário,  fornece um nova dimensão aos confrontos entre super-heróis e supervilões que ele cresceu a ler. Mostrando que, mesmo neste mundo de fantasia, não sobra lugar para maniqueísmos absolutos.
A história tem ainda a particularidade de não possuir um protagonista que se sobreponha aos restantes, na medida em que todas as personagens são vitais para o desenrolar da trama. É no entanto concedida uma atenção especial àqueles que, habitualmente, são os membros de segunda linha da Liga da Justiça.
Com efeito, Crise de Identidade explora diversos núcleos do Universo DC, retratados com um realismo quase sem paralelo nas histórias dentro da continuidade principal da editora. Meltzer não se satisfaz em mostrar-nos as relações dos heróis com os seu pares e com os seus entes queridos. Leva-nos também para dentro do mundo dos vilões, dando-lhes personalidades e motivações únicas. Há, de resto, todo um carinho dispensado àquelas personagens habitualmente relegadas para segundo plano, que passam a ser vistas sob um prisma diferente.
Referenciando sempre os romances policiais, a narrativa chega a declarar que apresentar personagens secundárias, fazer com o que o público se identifique com elas para, logo em seguida, matá-las é um chavão literário. Meltzer explora esse e outros clichés do género, mas são as respetivas consequências aquilo que realmente lhe interessa. A morte de Sue Dibny serve, pois, o duplo propósito de esmiuçar as motivações de cada personagem e de pôr à prova a amizade que une os heróis.
Mortes impactantes e revelações surpreendentes aguardam o leitor ao virar de cada página. Sem que Meltzer, em momento algum, nos insulte a inteligência com piruetas rebuscadas, pois cada momento é orquestrado com a precisão de um ourives. Nisso, a importância de Rags Morales é crucial. Morales pode não ter o mais deslumbrante dos traços mas o seu estilo de narrativa visual casa muito bem com a proposta de Meltzer.
O que os autores de Crise de Identidade nos mostram não é uma aventura do Super-Homem, do Batman ou da Mulher-Maravilha, mas um suspense de cortar a respiração que nos revela mais sobre a intimidade de Clark Kent, Bruce Wayne, Diana e tantos outros que abrilhantam o panteão da DC, removendo-os do pedestal e trazendo-os para junto do comum dos mortais. Recomendo.

Sob as máscaras coloridas 
escondem-se homens e mulheres imperfeitos.











sábado, 1 de abril de 2017

GALERIA DE VILÕES: VANDAL SAVAGE



  Através de incontáveis eras este tirano imortal, quase tão antigo como a própria Humanidade, usou vários nomes e fez colapsar civilizações inteiras. Arqui-inimigo da Sociedade da Justiça da América, continua a ter nela o principal obstáculo aos seus planos de dominação mundial. Entretanto, vai conquistando protagonismo mediático por via das suas participações nas séries televisivas da DC.

Licenciadora: Detective Comics (DC)
Criadores: Alfred Bester (história) e Martin Nodell (arte conceptual) 
Primeira aparição: Green Lantern Vol.1 nº10 (dezembro de 1943)
Identidade civil: Vandar Adg II
Alter egos: Na sua existência multissecular, foram inúmeras as figuras históricas alegadamente encarnadas por Vandal Savage. Com destaque para Caim (filho de Adão e Eva, irmão de Abel e o primeiro dos homicidas); Khafra (Faraó egípcio); Genghis Khan (conquistador mongol); Alexandre, o Grande (Imperador macedónio); Vlad, o Empalador (príncipe romeno que inspirou a criação do Conde Drácula); Barba Negra (pirata inglês do século XVIII) e Jack, o Estripador (assassino em série que aterrorizou a Londres vitoriana).
Local de nascimento: Terra-2, ano 50.000 A.C.
Parentes conhecidos: Vandar Adg (pai, falecido), Imperador Júlio César (pai adotivo, falecido), Scandal Savage (filha), Grendel (filho), Kassandra Sage (filha), Roy e Lian Harper (descendentes)
Base de operações: Móvel
Afiliações: Ex-líder da Tribo do Sangue (Blood Tribe); membro fundador dos Illuminati e da Sociedade da Injustiça (Injustice Society); ex-líder do Tartarus; atual membro dos Cavaleiros do Demónio (Demon Knights)
Armas, poderes e habilidades: Exposto, 50 mil anos atrás, à radiação de um misterioso meteorito que havia despencado na Terra, Vandal Savage não só adquiriu imortalidade como teve toda a sua fisiologia incrementada.
À sua força, velocidade e resistência sobre-humanas, acresce um fator de cura acelerada. Cuja ação se caracteriza no entanto pela intermitência. Ora lhe permite recuperar quase instantaneamente de quaisquer ferimentos assestados ora lhe garante apenas proteção contra aqueles que lhe poderão ser fatais. A imunidade aos efeitos do envelhecimento contrasta, por exemplo, com a não inibição dos efeitos do álcool no seu organismo. Circunstância que permite a Vandal Savage embriagar-se a seu bel-prazer como qualquer reles mortal.
Embora conserve a sensibilidade à dor, ao longo do tempo Vandal Savage desenvolveu-lhe uma extraordinária resistência. A qual lhe permite suportar aquelas que esporadicamente o fustigam e que têm origem nas células cancerígenas presentes no seu corpo.
Histórias recentes revelaram que, aquando da sua exposição ao meteorito irradiado, Vandal padecia de cancro. À semelhança dos tecidos saudáveis, as células deterioradas constituem, portanto, parte integrante do seu corpo. Logo, não podem ser removidas sem que o seu fator de cura as restaure.
Em complemento ao aprimoramento físico de que foi alvo, Vandal Savage teve também as suas funções cognitivas amplificadas. Daí resultando um assombroso salto evolutivo do seu cérebro primitivo de Cro-Magnon para o de Homo sapiens. Dito de outro modo, passou de homem das cavernas a homem moderno num abrir e fechar de olhos.

A selvajaria da Tribo do Sangue chefiada por Vandal Savage.
Na continuidade emanada de Os Novos 52 ficou estabelecido que o meteorito irradiado que transformou Vandal Savage era, afinal, de origem kryptoniana. A fim de prevenir o impacto catastrófico de um cometa com Krypton, Im-El, um remoto antepassado de Kal-El, desviara a sua trajetória para a Terra (então um mundo recém-formado e, supõe-se, desabitado). Sendo portanto o referido meteorito um fragmento desse corpo celeste que quase causou a destruição do planeta natal do Super-Homem milhares de anos antes do seu nascimento.
A longevidade de Vandal Savage através dos séculos possibilitou-lhe, por outro lado, acumular vasto conhecimento nas mais diversas áreas. Desde a política à literatura, passando pela medicina ou por qualquer outra que ele considere útil ao seu projeto pessoal de poder. Aprendeu igualmente incontáveis línguas (algumas das quais, como o latim, há muito extintas), inscrevendo o poliglotismo no seu catálogo de valências.
Da sua convivência com grandes lideres mundiais, como Júlio César ou Napoleão Bonaparte, resultou também uma profunda aprendizagem nos campos da tática militar e da geoestratégia. Ensinamentos que ele vem usando habilmente nos seus desígnios de conquista mundial.
Aquilo que, no entanto, torna Vandal Savage uma séria ameaça para a Humanidade são as suas conexões com organizações e personalidades detentoras de enorme poder e influência. Com a assistência delas, o vilão pode facilmente ascender a qualquer posição política ou financeira que lhe permita condicionar a ação de governos ou de coletivos heroicos por eles patrocinados (caso, por exemplo, do Esquadrão Suicida).
Conjetura-se ainda que Vandal Savage será capaz de viajar através de dimensões paralelas, ou seja, entre as várias Terras que compõem o atual Multiverso DC. A possuir de facto tal talento, ignora-se se este advirá dos seus próprios recursos ou de algum artefacto místico ou aparato tecnológico por ele utilizado. E este poderá até nem ser o seu único poder oculto no capítulo das viagens temporais e interdimensionais. Permanecendo, contudo, inexplorado devido ao receio do vilão de que daí resulte algum tipo de paradoxo que faça perigar a sua existência.
Lutador exímio e implacável, Vandal Savage é proficiente em diversas artes marciais e no manejo de todo o tipo de armas. Sentindo-se portanto à vontade no campo de batalha onde sobressai sempre a sua brutalidade cavernícola. Evita, contudo, sempre que possível, o confronto direto com o seu oponentes. Preferindo, ao invés, o recurso a manobras táticas mais elaboradas para os sobrepujar.
Em qualquer época ou lugar, Vandal Savage é sempre um inimigo formidável que já mediu forças com vários pesos-pesados do Universo DC, como o Super-Homem ou a Sociedade da Justiça da América.

De homem das cavernas a conquistador imortal.
Fraquezas: Vandal Savage necessita consumir o seu próprio ADN para se recuperar de uma grande quantidade de danos externos. Para esse efeito, tem de canibalizar os seus clones e os seus descendentes, sob pena de sucumbir aos ferimentos.
Por vezes, a renovação dos seus poderes requer igualmente que ele beba o sangue ou devore os órgãos vitais dos seus inimigos. Evidências arqueológicas sugerem, aliás, que Vandal Savage terá sido o primeiro canibal da História.
Desde que, num passado recente, foi aprisionado num asteroide, a sua imortalidade também aparenta ter ficado debilitada.

Savage devora o coração de Solomon Grundy
para repor os seus poderes.
Origem e histórico de publicação: Conceito desenvolvido por Alfred Bester e Martin Nodell, Vandal Savage entrou pela primeira vez em cena em dezembro de 1943, nas páginas de Green Lantern nº10. E não foi por acaso. Três anos antes, Nodell apresentara ao mundo Alan Scott*, o primeiro dos Lanternas Verdes. Numa época em que o Gladiador Esmeralda ainda lidava apenas com delinquentes comuns, Savage foi o primeiro supervilão com que o herói se deparou.

Na sua estreia em Green Lantern nº10 (1943),
Vandal Savage era apresentado como "O homem que queria o mundo".
Depois do Lanterna Verde, e ao longo de toda a Idade do Ouro, Savage tornar-se-ia um dos mais proeminentes antagonistas da Sociedade da Justiça da América (SJA). Cuja existência futura lhe fora revelada, vários séculos antes, por um poderoso mago. E que ele sabia estar predestinado a batalhar.
A história de Vandal Savage confunde-se com a da própria Humanidade. 50 mil anos atrás, quando era ainda Vandar Adg, líder da cruel Tribo do Sangue, foi banhado pela radiação de um misterioso meteorito que lhe aumentou a inteligência e o tornou imortal. Caminha desde então sobre a Terra, usando diferentes nomes, mas sempre com o mesmo obejtivo: conquistar o mundo.
No Multiverso da DC pré-Crise nas Infinitas Terras, Vandal Savage era originário da Terra-2. Contudo, a existência dos mundos paralelos - e, em particular, da Terra-1 - foi-lhe revelada nos primórdios da sua jornada milenar pelo mesmo mago que antecipara o surgimento da SJA.
A primeira marca deixada na História por Vandal Savage foi a destruição da Atlântida. Acolitado por um grupo de pessoas que ficaria conhecido por Illuminati (organização que lidera até hoje), Vandal minou as fundações da sociedade atlante, provocando o seu colapso.
A Atlântida não terá sido, porém, a única vítima de Vandal Savage. Que se vangloria de ter governado centenas de outras civilizações e impérios no decurso dos séculos. Genghis Khan ou Alexandre, o Grande foram algumas das personas por ele usadas para estender o seu domínio a vastas áreas do globo.
A SJA curvada a um Vandal Savage triunfante.
Com o tempo percebeu, no entanto, que tal proeminência lhe poderia ser fatal, preferindo daí em em diante trabalhar nos bastidores da História. Ora como confidente ora como conselheiro, mas respondendo sempre por diferentes nomes, Savage influenciaria as decisões de grandes líderes mundiais, como Napoleão Bonaparte ou Otto von Bismarck (a quem terá auxiliado a planear a invasão da França). Ainda por terras gaulesas, aproveitou as suas funções de médico da Corte, no reinado de Francisco I, para usar a família real como cobaias para as suas experiências secretas com sífilis.
Escusado será dizer que ao longo de tão extenso percurso Vandal Savage foi colecionando inimigos, muitos dos quais poderosos. Nenhum no entanto o arreliou tanto como o Homem Imortal (ver O némesis). E nem mesmo depois de ele ter apagado a própria existência para salvar o mundo dos efeitos da Crise das Infinitas Terras, Vandal pôde respirar de alívio. No seu lugar surgiu Ressurreição (Resurrection Man), personagem com poderes similares aos do Homem Imortal e que, tal como o seu antecessor, não mais deu descanso ao vilão.
Na realidade de Os Novos 52, Vandal Savage é um dos Cavaleiros do Demónio que, na Idade Média, mantêm o mundo a salvo de ameaças místicas e sobrenaturais.  Nesta sua encarnação medieval, o vilão é retratado como um boémio que viaja pelo mundo interessado apenas em desfrutar dos prazeres que este tem para oferecer.
Resta, pois, saber que papel lhe estará reservado em Renascimento, a mais recente revitalização do Universo DC. Recuperará Vandal o estatuto de vilão de referência? Agirá sozinho ou em grupo? Respostas que só o tempo trará.

Vandal Savage lutando ao lado de Etrigan,
outro dos Cavaleiros do Demónio.
* Prontuário disponível em http://bdmarveldc.blogspot.pt/2017/01/herois-em-acao-lanterna-verde.html

Personalidade: Fruto das muitas vidas que viveu em diferentes épocas, Vandal Savage tem dado provas de enorme inteligência e resiliência ao conseguir adaptar-se ao caleidoscópio de contextos históricos em que se movimenta. Fê-lo ora assumindo-se como figura dominante no seio de determinada sociedade ora influenciando certos acontecimentos-chave.
Nem sempre os seus métodos primam, contudo, pela subtileza. Não raro, recorre à violência mais primária para atingir os seus objetivos. Esse é, aliás, um dos aspetos mais interessantes da sua singular psicologia. A despeito da sua sofisticação intelectual, o comportamento do vilão emula frequentemente o de um qualquer macho alfa.
À imagem e semelhança do que tantas vezes acontecia no período pré-histórico, quando uma tribo de primatas atacava outra para se apossar do seus recursos, das investidas de Vandal Savage resultam invariavelmente banhos de sangue que não poupam ninguém. Nem mesmo mulheres e crianças.
Ficando assim demonstrado que, por detrás da sua fachada polida de homem culto e cosmopolita, se esconde um selvagem de perturbadora ferocidade. Nesse estado de irracionalidade, que contrasta com o seu perfil habitualmente frio e calculista, o vilão torna-se presa fácil para alguns dos seus adversários mais astutos, que não hesitam em tirar proveito da sua ausência de discernimento para sobre ele levarem a melhor.
Vandal Savage recusa, no entanto, o rótulo de selvagem, definido-se, ao invés, como um visionário que faz uso do seu conhecimento e influência para moldar o curso da História de acordo com a sua conveniência.
Egoísta e avaro, o vilão aparenta ser destituído de qualquer vestígio de empatia ou compaixão pelos seus semelhantes. Sendo a sua filha dileta e herdeira designada (ver texto seguinte) a única exceção ao profundo desprezo que ele nutre pela Humanidade, aos seus olhos enfraquecida pela pusilanimidade dos seus líderes.

Um janota troglodita ou um troglodita janota?

A herdeira: A imortalidade de Vandal Savage não o impediu de procriar. Embora a sua prole conhecida seja composta por Scandal Savage (uma assassina de gabarito mundial que se presume ter herdado a imortalidade do seu progenitor), Grendel (o demónio de Beowulf*) e Kassandra Sage (uma agente do FBI introduzida na continuidade de Os Novos 52), ele apenas reconhece a primeira como sua legítima herdeira. De mãe brasileira não identificada, Scandal vem, por isso, sendo preparada desde a infância pelo pai para lhe suceder. Algo que, considerando o forte apego de Vandal ao poder, não deverá acontecer tão cedo.

A herdeira de Vandal Savage é
E(Scandal)osamente parecida com X-23.
* Poema épico inglês de autor desconhecido que os especialistas estimam ter sido escrito algures entre os séculos VIII e XI.

O némesis: O mesmo meteorito irradiado que concedeu a imortalidade a Vandal Savage foi também a fonte de poder do seu maior inimigo. Além de talentos psiónicos, o Homem Imortal (Immortal Man) detinha a capacidade de reencarnar numa pessoa diferente de cada vez que morria.
Antes da transformação, era Klan Arg, um bravo guerreiro da Tribo do Urso, arquirrival da Tribo do Sangue liderada por Vandar Adg. A quem perseguiu ao longo dos séculos, sem que contudo tenha alguma vez saído um vencedor claro dos incontáveis confrontos travados pelos dois.

Os muitos rostos do Homem Imortal.

Apontamentos:

*Savage reclama para si os créditos pela invenção da faca de trinchar, 34 mil anos atrás. Ainda segundo ele, terá ajudado Moisés a comandar a fuga dos judeus do Egito e sobrevivido à destruição da biblioteca de Alexandria ocorrida há 1600 anos;
*Na Terra-2 que lhe serviu de berço no período pré-Crise nas Infinitas Terras, Savage foi o Barba Negra, e Edward Thatch (o homem que, no mundo real, foi o lendário pirata), aparentemente, nunca teria existido. No entanto, em algumas dimensões paralelas do Multiverso original (Terra-1, Terra-S, etc.), Thatch não só existia como se notabilizou como Barba Negra;
*Especula-se que Vandal Savage poderá vir a conhecer o seu fim no ano 85271 D.C., quando ele for enviado para a Montevideu do século XX segundos antes de a capital uruguaia ser dizimada por uma detonação termonuclear. Ação, ironicamente, ordenada pelo próprio vilão. Ressalve-se, todavia, que este cenário corresponde tão-só a um possível futuro;
*Conquanto Vandal Savage tenha sido introduzido na cronologia prévia a Crise nas Infinitas Terras, a sua existência após esses eventos manteve-se intacta. Alguns dos elementos dessa fase pregressa poderão, porém, ter sido removidos e/ou alterados na nova continuidade da DC, pelo que deverão ser desconsiderados para efeitos canónicos;

Vandal Savage espalhando o terror como Barba Negra.
Noutros segmentos culturais: Na lista dos cem melhores vilões dos quadradinhos de todos os tempos, organizada em 2009 pela IGN (plataforma digital dedicada às diversas áreas do entretenimento), Vandal Savage ocupa um honroso 36º lugar. À frente, por exemplo de outros grandes expoentes do Mal como Thanos (Marvel) ou Anti-Monitor (DC).
Ainda sem espaço no Universo Cinemático DC, desde o início do século que Vandal Savage vem sendo um habitué nas produções televisivas baseadas na mitologia da Editora das Lendas. Com efeito, a sua estreia no pequeno ecrã ocorreu em Justice League, série animada de grande sucesso, no ar entre 2001 e 2004, e na qual ele participou em vários episódios. Com uma origem praticamente idêntica à da sua contraparte da banda desenhada, o vilão imortal teve, porém, revista a sua data de nascimento. Em vez de ter vindo ao mundo 50 mil anos atrás, nesta versão ele atormentava a Humanidade há "apenas" metade do tempo.

Vandal Savage ao serviço do 3ª Reich
em Justice League.
Ainda pelo campo da animação com o selo da DC, Vandal Savage foi o antagonista principal na série Young Justice (2010-2013) e no filme Justice League: Doom (2012). Neste último, ele funda a infame Legião do Mal para tentar neutralizar a Liga da Justiça, o maior obstáculo aos seus desígnios megalómanos e genocidas.
Atendendo pelo nome de Curtis Knox e interpretado por Dean Cain (o Homem de Aço de Lois & Clark: The New Adventures of Superman), Vandal Savage fez o seu debute em séries de ação real em 2007, num episódio da sétima temporada de Smallville, intitulado Cure. Embora no guião original a personagem surgisse identificada pelo seu verdadeiro nome, os produtores foram informados pelo estúdio de que não dispunham de autorização para o utilizar. Ficando, contudo, implícito que o Dr. Curtis Knox era um alter ego de Vandal Savage. Noção, de resto, reforçada quando, anos depois, o vilão reciclou essa persona num episódio de Legends of Tomorrow (em exibição desde 2016).

Dean Cain foi o primeiro ator
a dar vida a Vandal Savage em Smallville.
Antes, porém, Vandal Savage foi o vilão escolhido para apadrinhar o crossover entre as séries do Flash e do Arqueiro Verde. Agora interpretado por Casper Crump, esta segunda encarnação televisiva da personagem correspondia, de facto, a uma mescla com Hath-Set, um malévolo sacerdote nascido há 4 mil anos no Antigo Egito.
Com Casper Crump a repetir um papel que lhe assenta como uma luva, Vandal Savage esteve em grande plano na primeira temporada de Legends of Tomorrow. Responsável por um futuro opressivo e pela morte da família de Rip Hunter, é ele que motiva a formação do heterodoxo coletivo composto por heróis, mercenários e criminosos em processo de regeneração destinados a tornarem-se lendas do Amanhã.

Casper Crum como Vandal Savage
 no crossover Arrow/Flash.