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sábado, 9 de março de 2019

GALERIA DE VILÃS: MÍSTICA


  Terrorista sanguinária ou combatente da liberdade? Rebelde com causa ou fanática sem coração? Num mundo pintado a preto e branco mas repleto de zonas cinzentas, a mutante das mil caras é tudo isso e muito mais. Ou não fossem as suas motivações tão camaleónicas quanto a sua aparência.

Denominação original: Mystique
Licenciadora: Marvel Comics
Criadores: Dave Cockrum (conceito), Chris Claremont (história) e Jim Mooney (arte)
Estreia: Ms. Marvel nº16 (abril de 1978)
Identidade civil: Raven Darkholme 
Espécie: Homo Superior (nomenclatura científica para a subespécie humana com poderes inatos, vulgarmente conhecida como mutantes)
Local de nascimento: Presumivelmente, algures na Áustria
Parentes conhecidos: Barão Christian Wagner (marido, falecido), Ralph Brickman (marido, falecido), Charles Xavier (marido), Irene Adler / Sina (companheira, falecida), Graydon Creed (filho, falecido),  Kurt Wagner / Noturno (filho), Gloria Brickman (filha) e Anna Marie / Vampira (filha adotiva)
Ocupação: Terrorista internacional, mercenária, aventureira e ex-agente secreta ao serviço dos governos norte-americano e germânico.
Base operacional: À natureza clandestina das suas atividades está associada a itinerância. Nunca permanecendo muito tempo no mesmo local, já esteve sediada em latitudes e longitudes  tão diversas como a Terra Selvagem, Washington D.C. ou a ilha de Alcatraz, ao largo da baía de São Francisco. 
Afiliações: Ex-líder da Irmandade de Mutantes e da Força Federal, ex-membro do X-Factor, do Tentáculo e do Departamento de Defesa dos EUA, aderiu recentemente ao Clube do Inferno, embora prefira agir por conta própria.
Némesis: X-Men e qualquer inimigo declarado da raça mutante
Poderes e parafernália: Mutante metamórfica, Mística detém a incrível habilidade de induzir psionicamente a reconfiguração das suas células biológicas. Consequentemente, consegue imitar na perfeição a aparência de qualquer ser humano ou humanoide, ao ponto de replicar com precisão retinas, padrões vocais e impressões digitais. Expediente que lhe permite, entre outras coisas, ludibriar eficazmente sistemas de segurança baseados no reconhecimento dessas características únicas de cada indivíduo.
As suas transformações fisionómicas não se restringem, todavia, a matrizes orgânicas. Mística possui a não menos assombrosa capacidade de reproduzir peças de vestuário e outro tipo de acessórios fabricados a partir de diferentes materiais, como óculos, brincos ou carteiras. Uma vez que os seus poderes lhe permitem criar a indumentária mais adequada às circunstâncias, Mística nunca veste roupa verdadeira - o mesmo é dizer que, tecnicamente, anda sempre desnuda.
Apesar da provecta idade (especula-se que terá nascido há mais de um século), Mística conserva um aspeto jovem. O segredo reside no facto de os seus poderes retardarem os efeitos degenerativos do envelhecimento celular, expandindo-lhe desse modo a longevidade. Para a qual muito contribui também a sua imunidade a um amplo espectro de toxinas e venenos desenvolvida sempre que é exposta a substâncias desse tipo.
O aprimoramento dos poderes de Mística decorreu da sua exposição a níveis perigosos de radiação quando tentava salvar Sapo, seu colega de equipa na Irmandade de Mutantes. Graças às novas propriedades regenerativas adquiridas no processo, a vilã consegue agora cicatrizar muito mais depressa do que um ser humano normal, sendo também menos suscetível a doenças e infeções. O seu fator de cura não é , porém, comparável ao de outros mutantes, nomeadamente ao de Wolverine.
Ainda mais extraordinária é a sua capacidade de mudar de posição os seus órgãos vitais, por forma a sobreviver a disparos, esfaqueamentos e outros ataques potencialmente fatais. Em razão disso, a mente de Mística é virtualmente inexpugnável a intrusões telepáticas. Nem mesmo o Professor X consegue capturar-lhe a mente, ou sequer ler-lhe os pensamentos.

Bela e perigosa,
Mística é uma assassina de classe mundial.
Especialista em operações de infiltração e sabotagem, Mística possui notáveis dotes de representação, domina como poucos as tecnologias de informação e é fluente em, pelo menos, onze línguas, entre as quais o português. É também uma brilhante estrategista e as suas competências em combate desarmado ombreiam com as da Viúva Negra.
Após quase um século a fazer-se passar por outras pessoas, Mística desenvolveu a peculiar capacidade de detetar disfarces através da leitura da linguagem corporal de quem os usa. Aprendeu também a camuflar o seu odor corporal, o que a torna irrastreável tanto para cães pisteiros como para detentores de sentidos aguçados, como Wolverine ou Dentes-de-Sabre.
Sempre que a missão o justifica, Mística utiliza um arsenal diversificado, dando primazia às armas de fogo, visto tratar-se de uma atiradora exímia. Por vezes faz-se transportar num sofisticado avião equipado com a mais avançada tecnologia furtiva e dispõe de dezenas de esconderijos espalhados pelos quatro cantos do mundo. Recursos financiados pela colossal fortuna de B. Byron Biggs, um dos seus incontáveis alter egos.
Conotada com dezenas de atentados terroristas um pouco por todo o mundo e com um número indeterminado de assassinatos no currículo, Mística foi em tempos descrita por Nick Fury, ex-diretor da SHIELD, como uma ameaça à segurança internacional e uma das mulheres mais perigosas do planeta. Reputação perfeitamente merecida e que muito diverte a mutante das mil caras.

Fraquezas: Originalmente, Mística conseguia apenas imitar a aparência de outros seres humanos, não conseguindo, porém, editar o seu próprio código genético. Em virtude dessa condicionante, continua a ser-lhe de todo impossível adquirir eventuais poderes ou habilidades das pessoas em quem se transforma. Ao mimetizar, por exemplo, o seu filho Noturno, Mística não pode teleportar-se. Do mesmo modo que, antes de ter os seus poderes aprimorados, revertia à sua verdadeira forma se inconsciente.
Outra limitação aos formidáveis poderes de Mística decorre da sua incapacidade de reajustar a própria massa corporal. Qualquer transformação em pessoas de maior estatura física requer da sua parte um enorme esforço. Quanto maior for a diferença de peso e de altura em relação ao indivíduo replicado maior será a dificuldade de Mística em manter a forma assumida.
Por outro lado, as constantes alterações fisionómicas de Mística afetam subtilmente o seu tecido cerebral sob a forma de esquizofrenia. Distúrbio mental que imprime volatilidade à sua personalidade, tornando-a imprevisível e, por vezes, errática na sua tomada de decisões.

Raven Darkholme turns into Mystique
Camaleão humano.
Rapsódia azul

Principalmente como antagonista - embora, também, como ocasional aliada -, Mística é uma velha conhecida dos X-Men. Foi, no entanto, nas histórias de uma outra ilustre moradora da Casa das Ideias que fez a sua estreia.
Tudo começou quando o artista Dave Cockrum mostrou a Chris Claremont - com quem trabalhara em Uncanny X-Men - os esboços da sua nova personagem: uma escultural transmorfa de pele azulada. Claremont batizou-a de Mística e, com o beneplácito do colega, introduziu-a como vilã da Miss Marvel (Carol Danvers, atualmente conhecida como Capitã Marvel). Com Mística a apresentar as suas credenciais  em Ms. Marvel nº16, edição datada de maio de 1978.
No entanto, nesta sua primeira aparição, Mística não exibia a sua verdadeira forma, uma vez que operava sob disfarce. Isso só aconteceria dois meses depois, em Ms. Marvel nº18, com ambas as histórias a serem desenhadas por Jim Mooney, que  acabou assim creditado como coautor da personagem.
Nos seus primórdios, Mística nutria um profundo rancor pela Miss Marvel, pese embora a origem desse sentimento não tenha sido devidamente explicitada. A série da heroína foi cancelada antes que as reais motivações da sua inimiga fossem conhecidas.
Chris Claremont revelaria mais tarde que a ideia era ligar Miss Marvel a uma perturbadora visão de Sina (mutante precognitiva íntima de Mística) em relação ao futuro. Um futuro no qual a heroína causaria grande sofrimento a Vampira, a filha adotiva de Mística. Levando dessa forma a vilã a procurar por todos os meios impedir a concretização da profecia.

Ms. Marvel Vol 1 16
Foi nesta edição de Ms. Marvel
  
que Mística fez a sua estreia.


Mística revela enfim a sua verdadeira forma
 mas não as razões do seu ódio pela Miss Marvel. 

Ironicamente, as ações de Mística tiveram como consequência, anos mais tarde,  a absorção dos poderes da Miss Marvel por parte de Vampira. O que, efetivamente, causou grande sofrimento emocional à jovem e ditaria o afastamento de mãe e filha. Com ambas a demonstrarem desde então sentimentos contraditórios em relação uma à outra.
Claremont revelaria ainda que pretendia estabelecer Mística e Sina como pais biológicos do X-Man Noturno (com a primeira a transformar-se em homem para o ato de conceção). Proposta prontamente vetada pela Marvel, ao abrigo do rígido regulamento moral imposto pela Comics Code Authority. Que, entre outros constrangimentos, à época proibia o uso de personagens declaradamente homossexuais ou bissexuais. Por conseguinte, só muito tempo depois Mística passaria a ser explicitamente retratada como fazendo parte desta segunda categoria, vivendo maritalmente com Sina até à morte desta.
Mas quem é, afinal, Raven Darkholme, essa rapsódia em tons de azul que adotou Mística como nome de guerra?
Apesar dos vários exercícios de continuidade retroativa realizados ao longo dos anos, o passado de Mística permanece envolto na obscuridade, fazendo dela um enigma tão fascinante quanto indecifrável.
Uma vez que não é conhecida a sua filiação, ignora-se se Mística terá sido concebida por humanos, mutantes ou uma mistura de ambos. Outra incógnita é a sua data de nascimento, embora se presuma que terá vindo ao mundo cerca de cem anos atrás - provavelmente, numa qualquer localidade austríaca. Nada se sabe também acerca da sua infância, exceto que os seus poderes terão despontado por volta dos doze anos de idade.
Numa das suas primeiras missões sob disfarce no estrangeiro, no auge da Guerra Fria, Mística teve um brevíssimo affair com Victor Creed, o assassino mutante conhecido como Dentes-de-Sabre. Uma relação que teria sido inconsequente para ambos se dela não tivesse resultado um filho. Para perplexidade e desgosto de Mística, o seu bebé nasceu humano. O que a levou a dá-lo para adoção tão logo se restabeleceu do parto. O nome do menino era Graydon Creed.
Ao descobrir a verdade sobre o seu passado, Graydon passou a odiar os mutantes. Já adulto, lançaria uma feroz campanha política contra eles antes de ser assassinado por uma versão futura da própria mãe.
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Graydon Creed num comício antimutante.
Antes desses eventos, Mística foi casada com o Barão Christian Wagner, um influente membro da aristocracia germânica, e daria à luz um segundo filho. Kurt Wagner foi fruto da relação extraconjugal mantida pela sua mãe com o demónio Azazel, tendo por isso nascido com a aparência de um demónio de olhos amarelos e pele azulada. Prestes a ser linchada pelos aldeões, e já depois de ter assassinado o marido na vã tentativa de encobrir a sua infidelidade, Mística atirou o bebé ao rio. O pequeno Kurt seria, no entanto, resgatado por uma cigana que o perfilharia. Só muitos anos mais tarde ficaria a conhecer a identidade da sua verdadeira mãe, com quem continua a manter uma relação distante.
Ao lado de Sina, o grande amor da sua vida, Mística encontraria relativa estabilidade emocional, sem nunca renunciar à sua luta pela libertação dos mutantes, que considerava oprimidos pela Humanidade. Do desejo da parelha de constituir família resultou a adoção de Vampira, uma jovem proscrita nascida com a habilidade de absorver poderes e memórias alheios.
Foi também nessa fase da sua vida que Mística fundou e liderou a terceira encarnação da Irmandade de Mutantes, organização terrorista que se batia pela supremacia dos Homo Superior. Após o atentado falhado contra o Senador Robert Kelly orquestrado pelo grupo, o sentimento antimutante exacerbou-se ainda mais entre a população humana. Levando o Governo norte-americano a criar uma força-tarefa especial para dar caça a mutantes fora da lei.
Temendo pela vida, Mística e alguns dos seus apaniguados da Irmandade de Mutantes aceitaram integrar a Força Federal (Freedom Force, no original), a troco de um indulto presidencial para os seus muitos crimes passados. Quando a Força Federal foi dissolvida e substituída pelo X-Factor, Mística colaborou brevemente com o grupo.
Mas depressa voltaria a trilhar o seu próprio caminho. Sempre com os inimigos da sua espécie na mira e com uma guerra racial no horizonte.  Uma guerra que estava convicta que poderia apenas ter como desfecho a vitória dos Homo Superior. Mas que também em vários momentos ajudou a evitar. Chegando assim ao presente enleada nas agrugras e doçuras desse infindável túnel de contradições que é a sua vida.

Mystique in Uncanny X-Men
Mística à frente da sua Irmandade de Mutantes, da qual também fazia parte Sina,
 sua amante e companheira de longa data.
Miscelânea

*Diferente do que vem sendo mostrado no cinema (e, também, em algumas séries animadas dos X-Men), Mística não é o braço-direito de Magneto na Irmandade de Mutantes. Na banda desenhada rareiam, com efeito, os encontros entre ambos, conhecendo-se por isso apenas de raspão. Acresce ainda o facto de Mística ser dona de uma personalidade muito forte e independente, nada compatível com funções subalternas;
*Mística não suporta a própria aparência, pelo que evita sempre observar o seu reflexo no espelho. Assume, porém, com alguma frequência a sua verdadeira forma antes de iniciar duelos. Presume-se que este subterfúgio objetivará surpreender e confundir os seus adversários;
*Apesar de não lhe agradar tirar a vida a outros membros da sua espécie, fá-lo-á sem pestanejar se os considerar irremediavelmente perdidos para a causa mutante ou se estiverem a trabalhar para o inimigo;
*Desconhecendo-se a sua exata data de nascimento, supõe-se que Mística terá vindo ao mundo em setembro de um qualquer ano no dealbar do século XX. Quando, certa vez, foi presenteada com um colar de safiras (pedra preciosa tradicionalmente associada a quem nasce em setembro), Mística perguntou ao seu benfeitor como sabia o seu mês de nascimento;
*Num exercício de continuidade retroativa influenciado pela proximidade existente entre as versões cinematográficas das duas personagens, num passado recente o escritor Brian Michael Bendis alterou drasticamente a relação entre Mística e o Professor Xavier no universo canónico dos X-Men. Algum tempo após a morte do seu mentor, os Filhos do Átomo ficaram em choque com a última vontade inscrita no testamento de Xavier: que todo o seu património revertesse a favor da sua esposa (ninguém menos do que Mística). Um casamento de que nenhum dos cônjuges teria, aparentemente, conhecimento, e que terá resultado da ação de um misterioso viajante do tempo;
*Reflexo da notoriedade alcançada por via da sua participação na franquia cinematográfica dos X-Men iniciada na viragem do século, desde 2009 que Mística ocupa a 18ª posição na lista dos cem melhores vilões de todos os tempos organizada pelo site IGN. À frente, por exemplo, de grandes expoentes de malignidade como Thanos (também da Marvel) ou General Zod, da rival DC. Mística é também considerada uma das personagens femininas mais sensuais dos quadradinhos, o que explica em boa medida o seu sucesso dentro e fora deles.

Mutante das mil caras.

Noutros media

Fora dos quadradinhos, Mística começou por ser antagonista recorrente dos pupilos do Professor Xavier em X-Men: Animated Series, no ar entre 1992 e 1997. Nesta sua primeira versão animada, a vilã comandava a Irmandade de Mutantes e agia frequentemente em conluio com o Senhor Sinistro, Magneto e Apocalipse. Caracterização que conheceria ligeiras nuances em produções subsequentes. Em Wolverine and the X-Men, por exemplo, Mística mantinha um relacionamento amoroso com Logan ao mesmo tempo que conspirava com o Mestre do Magnetismo contra a Humanidade.

Mística em X-Men: Animated Series.
No cinema, Mística foi originalmente interpretada pela ex-modelo Rebecca Romijn na primeira trilogia dos X-Men produzida entre 2000 e 2006. Após o reboot da franquia, desde 2011 que uma sua versão mais jovem vem sendo representada pela oscarizada Jennifer Lawrence. Com a particularidade de a personagem ser agora retratada mais como uma anti-heroína do que como uma vilã.
Apesar da sua versatilidade, o  futuro de Mística  no grande ecrã é incerto, dado o cansaço já manifestado por Lawrence relativamente às exigências do papel, designadamente as longas horas despendidas com a respetiva caracterização.
Mesmo que venha a confirmar-se a saída de Jennifer Lawrence, isso em nada comprometeria a participação de Mística numa franquia onde vem sendo figura-chave. Dada a multiplicidade de formas assumidas pela mutante das mil caras, qualquer outra atriz poderia ser escalada para o papel. Certo é que Mística regressará ao grande ecrã já no próximo mês de junho, quando Dark Phoenix chegar às salas de cinema norte-americanas.
Imagem relacionada
Jennifer Lawrence (esq.) e Rebecca Romijn encarnaram Mística no cinema.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

RETROSPETIVA: «X-MEN - DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO»


 Mutantes de duas épocas entrelaçadas procuram desesperadamente reescrever a História a fim de prevenir um distópico porvir. Missão, ainda assim, menos complicada do que o reajustamento da cronologia de uma franquia que faz gala dos seus paradoxos. Mesmo tendo falhado esse objetivo, o filme - vagamente inspirado no clássico epónimo e o primeiro dos X-Men indicado para um Óscar - arrebatou a crítica e os fãs.

Título original: X-Men: Days of Future Past
Ano: 2014
País: EUA
Duração: 131 minutos
Género: Ação/Fantasia/Super-heróis
Produção: 20th Century Fox, Marvel Entertainment e The Donners' Company
Realização: Bryan Singer
Argumento: Simon Kinberg (baseado na obra homónima de Chris Claremont e John Byrne)
Distribuição: 20th Century Fox
Elenco: Hugh Jackman (Logan/Wolverine); James McAvoy e Patrick Stewart (Professor Charles Xavier), Michael Fassbender e Ian McKellen (Erik Lehnsherr/Magneto); Jennifer Lawrence (Raven Darkholme/Mística);  Nicholas Hoult e Kelsey Gremmer (Dr. Hank McCoy/Fera); Halle Berry (Ororo Munroe/Tempestade); Ellen Page (Kitty Pryde/Lince Negro); Shawn Ashmore (Bobby Drake/Homem de Gelo); Peter Dinklage (Bolivar Trask); Evan Peters (Peter Maximoff/Mercúrio); Josh Helman (Major William Stryker); Omar Sy (Bishop); Daniel Cudmore (Piotr Rasputin/Colossus); Fan Bingbing (Blink); Adan Canto (Mancha Solar); Booboo Stewart (Apache); Anna Paquin (Marie/Vampira); Famke Janssen (Jean Grey) e James Marsden (Scott Summers/Ciclope)
Orçamento: 200 milhões de dólares
Receitas globais: 747,9 milhões de dólares


Pré- produção e desenvolvimento

Face aos resultados dececionantes de X-Men 3: The Final Stand (2006), a 20th Century Fox , mesmo sem o assumir publicamente, perspetivou X-Men: First Class (2011) como o capítulo inaugural de uma nova trilogia baseada nos heróis mutantes criados em 1963 por Stan Lee e Jack Kirby.
As primeiras informações veiculadas apontavam para os regressos de Matthew Vaughn e Bryan Singer. Ao primeiro, que dirigira X-Men: First Class, ficaria novamente reservada a cadeira de realizador. Ao passo que Singer, realizador de X-Men e X-Men 2, vestiria agora a pele de produtor.
Simon Kinberg, coargumentista de X-Men 3 e coprodutor de X-Men: First Class, foi contratado, em novembro de 2011, para escrever o enredo do novo filme. Tendo, para esse efeito, estudado vários clássicos da 7ª Arte que abordavam as viagens no tempo. Casos, por exemplo, de The Terminator ou Back to the Future.
Quando, em outubro de 2012, Vaughn trocou a direção do projeto pela de Kingsman, Singer perfilou-se como a escolha natural para o substituir.


Dança de cadeiras:
Bryan Singer substituiu Matthew Vaughn (cima) na direção do projeto.
Já depois de ter anunciado a data de estreia da película, em agosto de 2012 a Fox confirmou oficialmente o respetivo título: X-Men: Days of Future Past.
Com um orçamento de 200 milhões de dólares, Days of Future Past começou a ser rodado em abril de 2013. Cumprindo o cronograma estipulado, as filmagens ficaram concluídas cinco meses depois, em setembro do mesmo ano. A Cité du Cinema e outras localizações da cidade canadiana de Montreal - como o seu icónico Estado Olímpico - serviram de cenário às gravações. Chris Claremont, coautor da saga original, foi contratado como consultor.
Além de ter sido a segunda produção mais dispendiosa da Fox depois de Avatar (2009), Days of Future Past foi também a primeira longa-metragem dos X-Men filmada em 3D.
A 10 de maio de 2014, o Centro de Convenções Jacob Javits, em Nova Iorque, foi o palco escolhido para acolher a antestreia mundial de X-Men: Days of Future Past. Onze dias depois o filme chegaria às salas de cinema de todo o mundo.

Caça aos mutantes.

Enredo: Em 2023, robôs Sentinelas são programados para identificar e exterminar mutantes e seus aliados humanos. Durante um raide na Rússia que praticamente erradica a população local de Homo superiores, Kitty Pryde faz a consciência de Bishop retroceder alguns meses de modo a prevenir a chacina. Apesar de bem-sucedido, o expediente tem eficácia e alcance limitados devido ao seu impacto na fisiologia do viajante temporal.
Após ser contactada telepaticamente pelo Professor Xavier, Kitty reúne-se aos mutantes sobreviventes acantonados num remoto templo chinês. É lá que fica a conhecer a origem dos Sentinelas. Projetados por Bolivar Trask - assassinado por Mística em 1973 - os robôs tornaram-se virtualmente invencíveis graças a uma amostra do ADN da mutante.

Num futuro não muito distante,
 os Homo superiores encaram a ameaça de extinção.
Kitty sugere usar a sua habilidade para enviar alguém ao passado por forma a impedir o assassinato de Trask e, desse modo, alterar o curso da História. Xavier pondera ser ele a viajar no tempo, mas Wolverine voluntaria-se, alegando que o seu fator de cura lhe garantiria maiores hipóteses de sobreviver ao processo.
Logo depois de ter acordado em 1973, Wolverine visita a Mansão X, onde quase já não existem vestígios da Escola para Jovens Sobredotados fundada por Charles Xavier. É lá também que o herói canadiano encontra o seu antigo mentor, com notórios sintomas de alcoolismo e depressão.
Graças a um soro especial desenvolvido pelo Dr. Henry McCoy (o Fera), Xavier recuperou a capacidade de andar. Em contrapartida, os seus poderes psíquicos foram desabilitados pela substância.
Na esperança de que isso lhe permita reencontrar Mística, Xavier concorda em auxiliar Wolverine a resgatar Magneto da prisão especial localizada no subsolo do Pentágono. O que, contudo, só é possível graças à supervelocidade de Mercúrio, o jovem mutante entretanto recrutado para a operação.

Magneto prestes a ser resgatado da prisão especial
onde passara os últimos meses.
Mística descobre que Trask tem vindo a usar mutantes como cobaias para as suas sinistras experiências científicas e resolve matá-lo durante a cerimónia dos Acordos de Paz de Paris que serviriam para  pôr fim à Guerra do Vietname. Sendo, no entanto, impedida de consumar os seus desígnios por Xavier e Magneto. Este resolve matar a ex-amante por forma a certificar-se que o futuro apocalíptico descrito por Wolverine jamais terá lugar.
Ao intervir para salvar a vida de Mística, o Fera acaba por expor-se a si e aos seus companheiros como mutantes.
Tirando proveito da histeria anti-mutante potenciada pelo incidente, Trask consegue persuadir o Presidente Nixon a autorizar o Programa Sentinela. Entretanto, Magneto assume em segredo o controlo dos Sentinelas já construídos.

"Mutantes são o inimigo", clama um cartaz das Indústrias Trask.
Novamente confinado a uma cadeira de rodas depois de abandonar o soro que suprimia os seus talentos psíquicos, Xavier socorre-se deles para comunicar com o seu eu mais velho. Que o inspira a manter vivo o seu sonho de uma coexistência harmoniosa entre humanos e mutantes.
Depois de usar Cérebro (o supercomputador que permite a deteção remota de portadores do gene X) para localizar Mística, Xavier e seus aliados rumam a Washington D.C. com o propósito de fazerem abortar os planos da mutante transmorfa para assassinar Trask.
Enquanto Nixon apresenta, com pompa e circunstância, os Sentinelas, Xavier, Fera e Wolverine procuram Mística. Que, disfarçada de agente dos Serviços Secretos, se encontra perigosamente perto do Presidente e de Bolivar Trask.
Antes que Mística consiga agir, Magneto entra em cena controlando os Sentinelas e fazendo levitar um estádio de basebol acima da Casa Branca. Wolverine ataca o mestre do magnetismo mas é prontamente rechaçado, acabando atirado para as águas do rio Potomac.
No meio da confusão instalada, Nixon, Trask e Mística (ainda disfarçada de agente dos Serviços Secretos) procuram abrigo num bunker subterrâneo instalado sob a Sala Oval. O qual é arrancado por Magneto para fora da Casa Branca com a intenção de matar todos os seus ocupantes.


A cerimónia de apresentação dos Sentinelas presidida por Nixon.
No futuro, os Sentinelas invadem o templo que dá guarida aos mutantes, matando vários deles, incluindo Tempestade. Também Magneto é gravemente ferido durante o ataque e a capitulação parece iminente.
Entretanto, no passado, Mística impede Magneto de assassinar Nixon mas não desiste da sua intenção de liquidar Trask. No último instante Xavier consegue demovê-la de o fazer, explicando-lhe que isso apagará os Sentinelas da existência, poupando assim muitas vidas inocentes.
Mística parte com Magneto e Trask é posto atrás das grades por ter tentado vender segredos militares norte-americanos a dignitários vietnamitas.
No presente, Wolverine desperta na Mansão X e encontra todos os outros X-Men vivos e de boa saúde. Sendo, contudo, o único a estar ciente das alterações ocorridas na História.
Numa cena pós-créditos, uma multidão em transe venera com os seus cânticos En Sabah Nur (nome de batismo de Apocalipse) enquanto este faz flutuar pelo ar enormes blocos de pedra que servem para construir uma antiga pirâmide egípcia. Proeza testemunhada à distância pelos seus quatro Cavaleiros.

Trailer:



Versão alternativa

A 14 de julho de 2015, data em que a franquia dos X-Men cumpria o seu 15º aniversário, a 20th Century Fox Home lançou uma versão alternativa de Days of Future Past. Sob o título genérico The Rogue Cut, incluía 17 minutos de cenas cortadas e uma subtrama envolvendo Vampira (Rogue, no original), cuja participação no filme, recorde-se, se resumira a um brevíssimo cameo de poucos segundos.
Em Rogue Cut a narrativa é mais complexa e o papel desempenhado nela por Vampira menos inconsequente. Quando, devido à ação de William Stryker, a consciência de Wolverine balança entre o passado e o futuro - levando-o a ferir acidentalmente Kitty Pryde com as suas garras - o Professor X chama a atenção para a necessidade de Logan dispor de mais tempo no passado. O Homem de Gelo propõe então invadir a antiga Escola Xavier para Jovens Sobredotados, onde Vampira se encontra confinada sob a apertada vigilância dos Sentinelas.
Levada a cabo pelo Professor X, Magneto e Homem de Gelo, a operação de resgate é coroada de êxito, mas apenas os dois primeiros escapam com vida.
A partir do baluarte da resistência mutante, Vampira, embora devastada pela perda do namorado, assume o lugar de Kitty Pryde durante o tempo necessário para que, em 1973, Wolverine consiga alterar o curso da História.

Em Rogue Cut, é Vampira a assegurar
 o sucesso da missão de Wolverine.
Os Sentinelas conseguem, porém, encontrar o esconderijo dos mutantes graças a um dispositivo de localização que um dos robôs havia conseguido colocar no Pássaro Negro (o sofisticado jato dos X-Men) no momento da fuga do comando mutante da Mansão X.
A versão alternativa inclui ainda duas outras cenas: a primeira mostra Mística a visitar a Mansão X enquanto Xavier e Logan dormiam o sono dos justos. Após uma tórrida noite de amor com o Fera, Mística sai furtivamente antes do alvorecer, não sem antes sabotar Cérebro, de modo a evitar que Xavier lhe siga o rasto. Já a segunda mostra como a prisão especial do Pentágono está a ser reparada enquanto recebe um novo recluso. Ninguém menos do que Bolivar Trask.

Fera e Mística: paixão em tons de azul.

Prémios e nomeações

Além da inédita indicação para um Óscar na categoria de Melhores Efeitos Visuais, Days of Future Past recebeu nomeações para dezenas de outros prémios. Arrecadaria, no entanto, apenas quatro. A saber: um Empire Award para Melhor Filme de Ficção Científica, um Saturn Award para Melhor Edição Especial em DVD e dois Visual Effects Society Awards para Melhor Fotografia e Melhores Efeitos Especiais.

Curiosidades

*Quando Wolverine acorda em 1973, a mulher deitada ao seu lado na cama chama-lhe Jimmy. Algumas revisitações recentes da origem do mutante canadiano estabeleceram James Howlett como seu nome de batismo. Logan, por seu turno, corresponde ao apelido herdado do seu pai biológico, Thomas Logan. Originalmente, nessa mesma cena, Logan deveria usar boxers ao sair da cama. Alegando que, na sua Austrália natal, nenhum homem a sério acorda vestido ao lado de uma mulher bonita, Hugh Jackman vetou essa diretriz e brindou a plateia com uma visão do seu traseiro desnudo;
*Halle Berry teve o seu papel como Tempestade substancialmente reduzido em consequência da sua gravidez. Não obstante, o seu nome surge em destaque nos créditos do filme;
*Com o intuito de assegurar a verosimilhança e a exequibilidade do conceito de viagens no tempo na película cuja direção assumiu após a saída de Matthew Vaughn, Bryan Singer discutiu durante duas horas com James Cameron (Exterminador Implacável, Avatar) alguns teoremas da física quântica, mormente a complexa Teoria das Cordas. Singer resumiu desta forma aquela que é a pedra angular do enredo de Days of Future Past: "Até um objeto ser observado, ele é inexistente. Ao viajante do tempo, cuja consciência retrocede até a uma determinada época, eu chamo, portanto, Observador. Enquanto o Observador não regressar ao seu ponto de partida, esse futuro será apenas um cenário em aberto. É por isso que, em teoria, seria possível alterá-lo. No filme, Wolverine é o Observador a quem compete reescrever cirurgicamente o passado para precaver um Amanhã de pesadelo.";
*Na sua audiência no Senado norte-americano, Bolivar Trask lê em voz alta alguns excertos de uma dissertação académica que explica como a emergência do Homo sapiens induziu a extinção do Homem de Neandertal, seu antepassado na escala evolutiva. A referida dissertação fora elaborada por Charles Xavier que, em X-Men: First Class, também lera as mesmas passagens a Mística. Len Wein (cocriador de Wolverine, recentemente falecido) e Chris Claremont (o autor da saga original) são dois dos congressistas que assistem à preleção de Trask;
*Desde The Dark Knight Rises (2012) que nenhum filme de super-heróis reunia um elenco tão sumptuoso. Além de três atrizes oscarizadas (Anna Paquin, Halle Berry e Jennifer Lawrence), Days of Future Past contabilizou ainda cinco nomeados pela Academia de Hollywood: Hugh Jackman, Michael Fassbender, Ellen Page, Michael Lerner e Ian McKellen;

Um elenco que era uma verdadeira constelação.
*Quando aos comandos do projeto estava ainda Matthew Vaughn, caberia ao Fanático a missão de resgatar Magneto da prisão. Escalado para o papel que, em X-Men 3: The Final Stand (2006), pertencera ao britânico Vinnie Jones, Josh Helman acabaria por encarnar o jovem William Stryker depois de Bryan Singer ter decidido colocar Mercúrio no lugar do Fanático. Troca que, curiosamente, só se verificou após a confirmação de que o filho de Magneto também marcaria presença em Vingadores: Era de Ultron (2015). Especula-se que esse poderá ter sido o estratagema encontrado pela Fox para salvaguardar os seus os direitos sobre a personagem;
*Enquanto Magneto faz levitar um estádio inteiro sobre Washington D.C., é possível ver uma pequena Jean Grey de olhos postos no céu, indiferente à multidão espavorida que a rodeia.

Uma Jean Grey de palmo e meio
assiste às proezas de Magneto.

Diferenças em relação à BD

Obra capital no repertório dos Filhos do Átomo, Days of Future Past granjeou há muito o estatuto de clássico da 9ª Arte de leitura obrigatória para qualquer "bedéfilo".
Publicada originalmente em janeiro e fevereiro de 1981, nos números 141 e 142 de The Uncanny X-Men, a história teve o cunho de Chris Claremont* e John Byrne**, o binómio criativo responsável  por aquela que é quase unanimemente considerada a fase áurea dos heróis mutantes.
Antes da sua transposição ao grande ecrã, Days of Future Past tivera já direito a duas adaptações televisivas em outras tantas séries animadas dos X-Men: X-Men (1992-97) e Wolverine and the X-Men (2009).
No entanto, se essas adaptações prévias tiveram na fidelidade ao conceito original o seu eixo comum, o mesmo não se poderá dizer da sua versão cinematográfica.
Tantas são, de facto, as discrepâncias relativamente à saga original que, quanto muito, poderá considerar-se que o filme é vagamente inspirado nela.
De tão extensa que é a lista, limito-me, por isso, a identificar apenas algumas das diferenças fundamentais relacionadas com o protagonista, a trama e o desfecho desta.

A capa de Uncanny X-Men nº141 (1981)
 ocupa lugar de relevo na iconografia da 9ª Arte.
Comecemos então pelo protagonista. Na história original, esse posto cabe a Kitty Pryde. É a sua consciência que é enviada para o passado com a missão de alertar os X-Men para o lúgubre futuro que os espera. O facto de ela ser, à época, a novata da equipa foi preponderante para a escolha de Kitty. Ademais, a ausência de bloqueios mentais facilitaria a leitura dos seus pensamentos por parte do Professor X, fornecendo ao líder dos X-Men uma visão mais nítida do porvir.
No filme, como sabemos, é Wolverine a viajar ao passado. E há uma boa razão para isso: o seu fator de cura torna-o o único capaz de suportar os danos cerebrais decorrentes de passar longos períodos de tempo com a consciência numa época diferente.
No que à trama diz respeito, na história original Kitty Pryde regressa aos anos 1980 (e não a 1973) para prevenir os X-Men para as consequências catastróficas do assassinato do Senador Robert Kelly, o promotor político de uma virulenta campanha anti-mutante.  Crime cometido por Sina, da Irmandade de Mutantes, e que motivaria o Governo dos EUA a autorizar a produção em massa dos Sentinelas, já velhos conhecidos dos X-Men.
Apesar da premissa comum, no filme é a morte do Major William Stryker às mãos de Mística  a pôr em marcha essa trágica cadeia de eventos.
Também o tratamento aplicado pelos Sentinelas aos mutantes é um aspeto pouco explorado na película. Na BD os robôs de Trask promovem uma segregação entre humanos que podem procriar, humanos portadores do gene X latente (proibidos de se reproduzirem) e Homo superiores. A estes últimos restam duas opções: o extermínio ou o confinamento em campos de concentração onde são obrigados a usar colares inibidores de poder. Sendo este o único elemento presente no filme, no qual pouco mais é revelado acerca do destino dado aos mutantes capturados.

Lápides com os nomes de X-Men
 testemunham o genocídio mutante na saga original.
Previsivelmente, todas estas divergências conduzem a desfechos distintos para as duas versões da mesma história. Enquanto na BD os X-Men chegam a tempo de evitar o assassinato do Senador Kelly - daí resultando um acirrado conflito com a Irmandade de Mutantes - no filme é Mística quem, ironicamente, impede Magneto de cometer uma chacina.
Todas estas licenças poéticas não deturpam, ainda assim, a essência e o escopo da saga que serviu de base ao enredo da película. Algo que por si só é digno de louvor, atendendo ao ror de adaptações que, de tão heterodoxas, deixam irreconhecíveis as respetivas matrizes.

*http://bdmarveldc.blogspot.pt/search?q=chris+claremont
**http://bdmarveldc.blogspot.pt/2015/01/eternos-john-byrne-1950.html

Veredito: 70%

Ironia das ironias: Days of Future Past foi escolhido pelos mandachuvas da Fox porque a história permitiria atar as muitas pontas soltas na cronologia de uma franquia que, recorde-se, além dos X-Men integra também Wolverine e Deadpool.
Ora, o filme não só falhou redondamente em resolver este ponto problemático como ainda acrescentou mais uns quantos fios emaranhados a um novelo que poucos se atreverão a tentar desembaraçar. Alguns exemplos: além de ficar intangível, Kitty Pryde parece ter descoberto da noite para o dia possuir a habilidade de enviar consciências alheias de volta no tempo; o Professor X regressou do além-túmulo depois de ter sido assassinado por Jean Grey em X-Men 3; e também Wolverine recuperou as suas garras de adamantium perdidas no seu segundo filme a solo.
Para nenhuma destas inconsistências é aventada qualquer justificação. O que não deixa de causar estranheza se consideramos que o enredo de Days of Future Past ambicionava conectar a trilogia original dos X-Men, os dois filmes de Wolverine e ainda X-Men: First Class.
Se fizermos vista grossa a estes pecadilhos cronológicos e nos focarmos na trama, o núcleo futurista é uma das suas mais-valias. O peso dramático de um mundo pós-apocalíptico é sentido perfeitamente pelo espectador e as cenas de combate com os Sentinelas são soberbas.
Perante essa atmosfera sufocante, é mais do que bem-vindo o alívio cómico proporcionado pelas sequências protagonizadas por Mercúrio. Sendo, de resto, muito interessante a forma como as duas perceções - do próprio e dos outros - da sua supervelocidade foram mostradas. Curioso notar, a este propósito, como Evan Peters emprestou o seu carisma a uma personagem que nunca o possuiu na BD.

O impagável Mercúrio em ação.
Apesar do natural destaque concedido a Wolverine na trama, ele é um falso protagonista. Pela primeira vez na franquia, Charles Xavier é o coração e a alma da história. E o resultado é sensacional, muito por conta da magistral representação de James McAvoy.
Quase sempre retratado como um rochedo inabalável nas suas convicções, desta feita o mentor dos X-Men debate-se com uma crise de fé. Ficando bem patente o quanto esse seu estado de alma se reflete na comunidade Homo superior e, por irradiação, no mundo inteiro.
Outro ponto positivo do filme é, aliás, a ausência de maniqueísmo: as retaliações de humanos e mutantes afiguram-se justificáveis e inevitáveis porque, no fundo, todos estão errados. Cabendo dessa forma a Charles Xavier a ingrata missão de se assumir como o fiel de uma balança que pende cada vez mais para o ódio inter-espécies.
Boa parte desses e de outros méritos da produção devem ser atribuídos a Bryan Singer, cineasta que já deu sobejas provas do seu amor ao género super-heroico e do seu profundo conhecimento do universo dos X-Men.
De facto, mais importante do que a estética ou a cronologia, é o conteúdo social, moral e filosófico que sempre esteve no cerne das melhores histórias dos Filhos do Átomo. E é por isso que as imperfeições de Days of Future Past merecem ser perdoadas.






terça-feira, 26 de maio de 2015

HEROÍNAS EM AÇÃO: VAMPIRA


   Mutante de passado obscuro e vincado pela tragédia, foi perfilhada por Mística antes de se unir aos X-Men. Impedida, apesar da sua bela aparência, de levar uma vida normal, viu sempre mais como uma maldição do que como uma bênção o  seu poder de absorver as habilidades e as memórias de qualquer pessoa cuja pele toque.

Nome original da personagem: Rogue (palavra inglesa para patife ou canalha)
Licenciadora: Marvel Comics
Criadores: Chris Claremont (história) e Michael Golden (arte)
Primeira aparição: Avengers Annual nº10 (novembro de 1981)
Identidade civil: Anna Marie (apelido verdadeiro desconhecido)
Local de nascimento: Caldecott County, Mississipi
Parentes conhecidos: Owen e Priscilla (pais biológicos), Carrie (tia materna), Raven Darkholme/Mística (mãe adotiva), Irene Adler/Sina (idem), Kurt Wagner/Noturno e Graydon Creed (irmãos adotivos, o segundo já falecido)
Afiliação: Ex-integrante da Irmandade dos Mutantes, ex-aluna da Escola Xavier para Jovens Sobredotados, atualmente membro ativo dos X-Men
Base de operações: móvel
Armas, poderes e habilidades: Através do contacto físico, Vampira rouba a energia vital, as recordações e as habilidades físicas e mentais - normais ou especiais - que a sua vítima possua. Assimilando dessa forma não só eventuais superpoderes, mas também alguns dos seus traços de personalidade. Normalmente, este processo ocasiona perda de consciência e de memória no alvo. Sendo o efeito da transferência temporário: uma vez escoadas as características absorvidas, a vítima volta ao normal. Contactos prolongados podem, no entanto, causar o dreno permanente ou até a morte da pessoa vampirizada.
   Circunstâncias que explicam como conseguiu Vampira conservar durante vários anos os poderes da Miss Marvel (superforça, voo e invulnerabilidade). Além destes, a heroína mutante já demonstrou a capacidade de manifestar aleatoriamente dons anteriormente absorvidos, sem a ocorrência de novo contacto com os seus legítimos detentores. Casos, por exemplo, do fator de cura de Wolverine ou das habilidades flamejantes de Solaris.
 Hoje em dia, porém, Vampira dispõe apenas do seu poder original de absorção. Com a diferença de, ao invés do que se verificou na maior parte da sua vida, conseguir agora de forma consciente ativá-lo, desativá-lo ou direcioná-lo para o que quer drenar especificamente, podendo igualmente decidir se o seu toque causará ou não dano ao visado.
  Em consequência do exigente treino a que foi submetida na Sala do Perigo da Escola Xavier, Vampira é também proficiente em diversas técnicas de combate e autodefesa.
 
De vilã a heroína: a evolução visual de Vampira.


Histórico de publicação: A introdução de Vampira na continuidade da Casa das Ideias deveria ter ocorrido em 1979, nas páginas de Miss Marvel nº25. Contudo, o súbito cancelamento do título (numa altura em que metade da arte da história já fora finalizada) adiou a sua estreia por um  par de anos. Assim, a primeira aparição oficial da personagem verificou-se em 1981, no décimo número de Avengers Annual. No ano seguinte, a  mutante surgiu pela primeira vez numa série regular dos Filhos do Átomo: Uncanny X-Men nº158. Com a sua adesão ao grupo a ter lugar em Uncanny X-Men nº171, datado de 1983.

Avengers Annual nº10 (1981) assinalou a estreia oficial de Vampira, então integrada na Irmandade dos Mutantes.

  Não obstante tudo isso, a origem e nome verdadeiro da Vampira apenas seriam revelados mais de uma vintena de anos depois. Até setembro de 2004, data da publicação de uma história escrita por Robert Rodi no efémero título mensal Rogue, o passado da personagem permanecia envolto num denso mistério.
 Apesar da intenção clarificadora da citada narrativa, alguma da informação nela apresentada era inconsistente com dados que haviam sido divulgados ao longo da década anterior. Com efeito, dez anos antes, em X-Men Unlimited vol.1 nº4, numa história com a assinatura de Scott Lobdell, haviam sido veiculados alguns factos até aí ignorados sobre o passado familiar de Vampira.

Em X-Men Unlimited nº4 (1994) foi apresenta a primeira versão da origem de Vampira, entretanto revista.

 Era explicitado, por exemplo, que ela fugira do seu pai depois de os seus poderes mutantes se manifestarem. Em clara contradição, portanto, com a versão de Rodi, em que a jovem assume nunca ter conhecido o pai por ele a ter abandonado antes mesmo do seu nascimento, tendo sido adotada por Mística e Sina antes da eclosão das suas capacidades mutantes.
 Continua, assim, por desvendar o enigmático passado de Vampira, essa eterna inadaptada.


File:Rogue.jpg
Beleza sulista que não pode ser tocada, apenas vista.
Biografia: Criada pela sua severa tia materna depois da tragédia se ter abatido sobre os seus pais, a pequena Anna Marie fugiu de casa, tendo sido acolhida por Raven Darkholme (Mística) e Irene Adler (Sina).
  Anos antes, na sequência de um ritual místico fracassado levado a cabo na comunidade hippie onde vivia com a filha e o marido, a mãe de Anna Marie, Priscilla, desaparecera sem deixar rasto. Ficando, assim, a menina entregue aos cuidados da sua irmã, Carrie. Educada por ela nos preceitos da educação tradicional sulista, Anna Marie cedo se tornou fluente em inglês e francês. Sempre se pautando, porém, pela rebeldia e irreverência.
  No princípio da adolescência, os  poderes mutantes de Anna Marie manifestaram-se pela primeira vez, quando ela beijou um rapaz chamado Cody Robbins. Em consequência disso, ela teve a mente preenchida pelas memórias do namorado, com este a cair num coma permanente.
 Amargurada pela impossibilidade de levar uma vida normal, Anna Marie começou a participar nas atividades criminosas da sua mãe adotiva, entrando pela mão de Mística na Irmandade dos Mutantes.
  Logo na sua primeira missão integrada no grupo, a inexperiente Vampira chocou de frente com a Miss Marvel. Daí resultando a absorção permanente das recordações e habilidades meta-humanas da heroína: invulnerabilidade, voo e superforça.

O exato momento em que Vampira absorve os poderes da Miss Marvel.

  Perturbada pela falta de controlo sobre os seus poderes, Vampira procurou a ajuda dos maiores inimigos da Irmandade dos Mutantes, os X-Men. Apesar da renitência dos seus pupilos em aceitá-la no seio da equipa, o Professor Xavier acreditou na sinceridade da filha adotiva de Mística. No entanto, apenas depois de arriscar a própria vida para salvar a noiva de Wolverine, Mariko Yashida, é que Vampira mereceu a confiança dos seus pares.
  Mesmo sabendo que nunca poderia consumar devidamente o seu amor por Gambit, Vampira apaixonou-se pelo seu colega de equipa. Algum tempo depois, os dois  iniciaram uma demanda pelos diários de Sina, cujos poderes precognitivos lhe haviam permitido vislumbrar o futuro dos homo superior. Durante essa jornada conjunta, o casal viu-se despojado das suas habilidades mutantes, aproveitando a oportunidade para viver uma vida normal e anónima numa pacata comunidade californiana.

Vampira e Gambit: amor mutante.

  Esse quotidiano idílico seria, contudo, sol de pouca dura. Depois de recorrerem à ajuda dos X-Men para derrotarem um caçador de mutantes chamado Elias Bogan, Vampira e Gambit reingressaram na equipa.
 Readquirindo o seu poder de absorção graças à habilidade mutante do seu colega de equipa Sage, Vampira partiu numa jornada à descoberta do seu passado. Entre outras peças que lhe permitiram completar um pouco mais o seu puzzle familiar, a jovem descobriu que os seus pais haviam dedicado grande parte das suas vidas à busca pelos Bancos Distantes, uma dimensão onírica cujo acesso apenas era possível a quem atingia um elevado grau de consciência.
  Com a ajuda de Campbell - outro enigmático mutante - Vampira localizou os seus progenitores. Após a emoção do reencontro, a jovem convenceu a mãe a preservar a barreira que separava os Bancos Distantes do nosso mundo. Priscilla aquiesceu, mas foi traída pelo marido, obcecado com a  abertura de um portal entre as duas realidades. Perante estas circunstâncias, a mão de Vampira imolou-se a fim de impedir que outras pessoas mal intencionadas conseguissem futuramente aceder aos Bancos Distantes.
  De seguida, foi a vez de a própria Vampira adentrar esse mundo de sonhos, conseguindo por fim fazer as pazes com o espírito da sua mãe.
  Regressada à Mansão X, Vampira reencontrou Gambit e os dois iniciaram uma terapia telepática ministrada por Emma Frost na esperança de encontrarem uma solução para a impossibilidade de contacto físico entre o casal. As sessões redundaram, contudo, em fracasso.
  Entretanto, uma aluna de Gambit chamada Foxx tentou seduzi-lo. Falhado o ardil, a mulher revelou a sua verdadeira identidade: Mística. A mãe adotiva de Vampira tentara dessa forma apartar o casal, para que a filha pudesse tentar ter um relacionamento amoroso normal com alguém menos problemático.
  Apesar das maquinações de Mística, Vampira e Gambit permaneceram juntos, até ele ser transformado por Apocalipse em Morte, um dos seus quatro cavaleiros. Recusando-se a acreditar na corrupção da alma do seu amado, a heroína mutante quase foi morta por ele em diversas ocasiões.

Vampira encontrou em Mística uma segunda mãe.

  Quando finalmente interiorizou o facto de que o homem que amava não mais existia, Vampira aliou-se a Ciclope e a Emma Frost para resgatar mutantes de uma clínica onde estavam prestes a ser submetidos a horríficas experiências médicas. Recuperando, daí em diante, o estatuto de membro de pleno direito dos X-Men, ao lado dos quais viveu incontáveis peripécias.
   Mais recentemente, na esteira dos eventos mostrados na saga Vingadores versus X-Men (conflito em que começou por ser neutral, acabando, porém, por tomar partido da fação encabeçada por Ciclope), Vampira foi uma das escolhidas para fazer parte da Divisão Unidade dos Vingadores (DUV), força conjunta que reúne humanos e mutantes com o objetivo de promover a coexistência pacífica entre ambas as espécies.
  Culpando a Feiticeira Escarlate pela morte do Professor Xavier, a coabitação entre Vampira e a filha de Magneto na DUV foi sempre pautada por uma enorme tensão. Após assimilar os poderes de Wolverine, e convicta de que a sua colega de equipa seria uma traidora à própria espécie, Vampira assassinou a Feiticeira Escarlate. Apenas para ser logo de seguida morta pelo Ceifador.
  Meses atrás, porém, Vampira foi ressuscitada, tendo-lhe sido confiada a liderança da renovada DUV. Mais madura e determinada do que nunca, ela é hoje uma das mais formidáveis mutantes da Terra.

A morte da Feiticeira Escarlate às mãos de Vampira.

O enigma de um nome: Na trilogia cinemática dos X-Men (2000-2006), Vampira é identificada simplesmente como Marie. Nos quadradinhos, porém, ela já usou vários nomes. Um dos mais notórios e duradouros foi Anna Raven (adotando como apelido o nome próprio de Mística, sua precetora). Chris Claremont, por seu turno, crismou-a de Anna Marie Raven em X-Men Forever. De facto, só em 2004 o seu nome de batismo foi finalmente estabelecido: Anna Marie. Vampira interiorizou-o graças às memórias que absorvera da sua tia que a criara após o desparecimento da mãe. E é esse o nome que consta no prontuário da personagem no Official Handbook of the Marvel Universe (espécie de "quem é quem" da editora). Quanto ao seu apelido verdadeiro, talvez um dia venha a ser revelado...

Vampira fez parte de diversas formações dos X-Men.
Romances de alto risco: Devido à sua habilidade mutante de absorver poderes, energia e memórias alheias com um simples toque, Vampira nunca conseguiu ter um relacionamento amoroso normal. Após o trágico episódio com o seu primeiro namorado (Cody Robbins, que ficou em coma depois de ambos terem trocado o primeiro beijo), a jovem evitou ao máximo o contacto com outras pessoas de modo a evitar incidentes semelhantes. Razão pela qual nutriu durante algum tempo uma paixão platónica pelo seu ex-companheiro de equipa, Longshot. Ficando intimamente devastada quando este se envolveu romanticamente com Cristal.
 O grande amor de Vampira foi, porém, Remy LeBeau, o garboso mutante francês conhecido como Gambit. O que não a impediu de viver também uma intensa paixão com Magneto. Ironicamente, a icónica madeixa branca de Anna Marie foi resultado da sua tentativa de absorção dos poderes do Mestre do Magnetismo, vários anos antes.

Mutante de coração dividido.

Noutros media: Um dos mais carismáticos e proeminentes membros dos X-Men desde meados dos anos 1980, a notoriedade de Vampira há muito transcendeu os quadradinhos. Fora deles, a sua estreia deu-se em 1992, na série animada X-Men. Ainda no campo da animação, a filha adotiva de Mística foi figura de destaque em X-Men: Evolution (2000) e Wolverine and the X-Men (2008).
  No cinema, vem há 15 anos sendo interpretada pela oscarizada Anna Paquin, tendo marcado presença em quatro das cinco longas-metragens dos X-Men (a exceção foi X-Men: Origins). Com a particularidade de Vampira não ter qualquer ligação afetiva com Mística nesta sua versão cinematográfica.
 Em 2008, Vampira ganhou a eleição online promovida pela Comic Book Resources para escolher o melhor X-Men de sempre. Quedando-se, no ano seguinte, na 10º posição da lista das 100 Personagens Femininas Mais Sexys Dos Quadradinhos elaborada pelo Comics Buyer's Guide. Títulos que ratificam de forma incontestável a sua enorme popularidade no seio da comunidade nerd.

Anna Paquin como Vampira em X-Men 3: O Confronto Final (2006).