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quinta-feira, 7 de março de 2013

ETERNOS: CHRIS CLAREMONT (1950 - ...)





          Mais do que um decano, aos 62 anos Chris Claremont é um monstro sagrado da 9ª arte. Sob a sua batuta, os X-Men conheceram o seu período áureo. Nos quadradinhos ou fora deles, o seu trabalho foi quase sempre sinónimo de excelência.
 
 
Biografia: Chris Claremont nasceu em Londres a 25 de novembro de 1950. Aos três anos de idade a sua família emigrou para os EUA, radicando-se em Long Island, no estado de Nova York.
          Sem qualquer interesse pelos desportos coletivos praticados pelos outros jovens dos subúrbios, Chris preferia ler as aventuras de Dan Dare, publicadas na mítica revista britânica de quadradinhos Eagle, da qual a sua avó lhe oferecera uma assinatura. Chris considerava essas histórias mais excitantes do que as de Batman e Superman, os dois super-heróis mais populares nos anos 1950 e início da década seguinte. Era também um leitor devoto de ficção científica, bem como de outros géneros literários, sendo notórias as influências de autores como Robert Heinlein, Rudyard Kipling, entre outros na sua escrita.
           Enquanto estudava Teoria Política e Representção no Bard College (um instituto superior privado), Chris estava longe de se imaginar a fazer carreira como argumentista na indústria dos quadradinhos, a qual considerava em franco declínio, e cujo material produzido lhe parecia desinteressante. Empenhou-se, por isso, em escrever romances e novelas, na esperança de, um dia,  vir a ser escritor. A sua primeira obra publicada foi, de resto, uma história em prosa. Tentou ainda, sem grande sucesso, ser ator. Chris obteve o seu diploma no Bard College em 1972.
          Em meados dessa mesma década, Chris casou com Bonnie Wilford, a sua primeira esposa. Atualmente é casado com Beth Fleisher, prima de Dan Raspler, editor de Justice League of America durante o arco de histórias Tenth Circle, produzido em 2004 por Chris em parceria com John Byrne (reeditando assim a dupla criativa que tantas boas leituras proporcionou aos fãs dos X-Men). Chris e Beth são pais de dois gémeos.
         




Chris Claremont, 1982.“Rarely will you find among fans, comic or SF, a magnificent physical specimen of humanity,” observed Chris Claremont. “Because if you’re that good mentally or physically, you don’t need the fantasy—the reality’s good enough. It’s people who need the fantasy who indulge in it, and people who need the fantasy are usually lacking something. They’re usually a bit too smart, or they’re not Raquel Welch or Dolly Parton—any of the clone varieties of cuties you see on TV.”
Chris Claremont em 1982, no auge do seu trabalho em X-Men
 
Carreira: Oficialmente, a colaboração de Chris Claremont com a Marvel Comics principiou em agosto de 1973 quando foi destacado pelo então editor-chefe Roy Thomas para escrever Daredevil nº102. Quatro anos antes, porém, quando ainda era um estudante universitário, Chris fora contratado para as funções de assistente editorial na Casa das Ideias, tendo recebido o crédito de coargumentista de X-Men nº59, escrito pelo próprio Roy Thomas.
                 Em 1974, assumiu, em parceria com John Byrne, o título Iron Fist. Foi a segunda vez que ambos trabalharam juntos, depois de uma breve colaboração em Marvel Premiere, série onde Byrne desenhou as duas primeiras aparições do Punho de Ferro. No ano seguinte, Len Wein (sucessor de Roy Thomas no cargo de editor-chefe da Marvel), incumbiu Chris de escrever as histórias dos renovados X-Men. Esta opção decorreu do entusiasmo que Chris vinha evidenciando em relação à segunda geração dos heróis mutantes, criada por Wein e Dave Cockrum
                Chris abordou metodicamente as personagens, estudando as suas motivações, os seus desejos e as suas personalidades. Esta abordagem inovadora obteve reações muito positivas por parte dos leitores dos X-Men.
                Ao longo dos 16 anos consecutivos (1975-1991) em que esteve à frente de Uncanny X-Men, Chris Claremont escreveu ou coescreveu algumas das mais emblemáticas histórias da equipa mutante, tais como A Saga Da Fénix Negra (que serviu de inspiração a X-Men 3: O Confronto Final, no qual Chris faz um cameo) ou Dias De Um Futuro Esquecido ( a ser brevemente adaptada ao cinema). Detentor do recorde absoluto de longevidade à frente de uma série produzida pela Casa das Ideias, Chris criou várias personagens importantes que ainda hoje fazem parte do universo X: Vampira, Dentes-de-sabre, Fénix, Rainha Branca e Mística, só para citar algumas.
               O primeiro número de X-Men (1991), escrito a meias com Jim Lee, figura no Livro de Recordes do Guiness como a banda desenhada mais vendida de todos os tempos: nada mais nada menos, do que uns assombrosos 8,1 milhões de exemplares (perfazendo o não menos impressionante valor de 7 milhões de dólares).
               Paralelamente ao trabalho desenvolvido nos X-Men, Chris ajudou a promover vários produtos derivados como Os Novos Mutantes, Excalibur e Wolverine.

A Saga da Fénix Negra é considerada uma das melhores histórias dos X-Men alguma vez escrita.
 
               O dealbar da década de 1990 assinalou um ponto de viragem na carreira de Chris Claremont, que apostou na  diversificação do seu trabalho como argumentista de BD. Nesse sentido, colaborou com outras editoras que não a Marvel. Logo em 1992, escreveu a aclamada graphic novel Star Trek: Debt of Honor, ilustrada por Adam Hughes. No ano seguinte, começou a escrever a minissérie em doze volumes Aliens/Predator: Deadliest Of The Species para a Dark Horse (embora a mesma só haja sido completada em 1995). Nesse ínterim,  mudou-se de armas e bagagens, corria o ano de 1994, para a recém-criada Image Comics, a fim de escrever três números de WildC.A.T.s, o grupo de super-heróis criado por Jim Lee e Brandon Choi. Seria também o escolhido para, anos depois, relançar outra criação de Lee e Choi: Gen 13 (ver artigo anterior).  Entre 1995 e 1998, Chris narrou as histórias de Sovereign Seven (S7), uma criação sua publicada sob a égide da DC.

S7: uma criação de Chris Claremont publicada pela DC.
 
                Em 1998, sete anos após a sua saída, Chris regressou à Marvel, agora na dupla qualidade de diretor editorial e de argumentista de Fantastic Four. Dois anos depois reassumiu Uncanny X-Men, título que acumulou com X-Men, antes de ser transferido para X-Treme X-Men. Após passagens por várias outras séries mutantes como Exiles e New Excalibur, o veterano escriba escreveu em 2008 a minissérie GeNext, seguida da sequela GeNext: United (2009). Foi ainda argumentista de X-Men Forever, uma história que tem lugar numa realidade alternativa, assente na premissa de Magneto nunca ter regressado à Terra após a destruição do asteroide M, ocorrida em X-Men nº3 (dezembro de 1991).
               Fora dos quadradinhos, Chris Claremont foi coautor, entre 1995 e 1999, da trilogia Chronicles of the Shadow War, em parceria com George Lucas, a qual dava continuidade à história narrada no filme Willow (1988). Já antes, na década de 1980, Chris publicara outra trilogia literária que tinha como protagonista uma astronauta estadounidense de sua graça Nicole Shea.
 
Claremont & Byrne: uma dupla de sucesso.
Prémios e distinções: Entre os vários prémios arrecadados ao longo da sua extensa e profícua carreira, contam-se cinco Comics Buyer's Guide Fan Award para melhor escritor. Conquistou igualmente, em 1990, o CBG Fan Awards na categoria de melhor argumento, feito que repetiu dois anos depois com a novela gráfica Star Trek: Debt Of Honor.
 
Star Trek: Debt Of Honor valeu mais um prémio a Chris Claremont.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

NÉMESIS: THANOS



       O seu nome deriva de Thanatos, o deus grego da morte. A mesma pela qual é obcecado. Thanos é um dos mais poderosos, insanos e infames vilões dos quadradinhos. É ele o verdadeiro arquiteto do plano de conquista da Terra no recente filme dos Vingadores.

Nome original: Thanos
Primeira aparição: Iron Man nº55 (fevereiro de 1973)
Criador: Jim Starlin
Licenciadora: Marvel Comics
Origem: Titã (uma das luas de Saturno)
Parentes conhecidos: Mentor e Sui-San (pais), Eros/Starfox (irmão).
Base de operações: Todo o Cosmos
Filiação: Eternos
Poderes e habilidades: Mesmo quando não utiliza artefactos místicos ou cósmicos, Thanos é tremendamente poderoso dada a sua natureza semidivina. Entre as suas muitas habilidades, destacam-se a telecinésia, a capacidade de manipular e absorver energia cósmica, a transmutação de matéria, telepatia e superforça. É também portador de avançada tecnologia alienígena que lhe permite, entre outras coisas, gerar campos de força, teletransportar-se, abrir portais interdimensionais e viajar no tempo. Acresce a tudo isto o seu vasto intelecto que lhe permite planificar eficazmente de modo a obter o que deseja.
Thanos debutou no nº55 de Iron Man (1973).



Biografia: Thanos nasceu em Titã, uma das luas de Saturno. Embora tratado de igual forma pelos seu pais e restantes Eternos, Thanos cedo percebeu que era diferente. Ele possuía, com efeito, um gene mutante que o aproximava mais dos Deviantes, uma raça aparentada , porém, sua inimiga. Em resultado disso, cresceu em solidão, desenvolvendo em simultâneo uma obsessão pelo niilismo e pela morte. Em especial pela Senhora Morte, a entidade cósmica que corporiza a mortalidade. Enamorado dela, Thanos não olhou a esforços para lhe agradar.
                  Autoproclamando-se o campeão da morte, Thanos, no seu primeiro ato genocida, conduziu um bombardeamento nuclear contra o seu próprio mundo. Daí resultaram milhões de mortes que lhe valeram o epíteto de Titã Louco.
                  Anos depois, Thanos apoderou-se do Cubo Cósmico, um artefacto de poder incomensurável capaz de realizar qualquer desejo do seu portador. Satisfazendo as suas ambições divinas, Thanos usou o Cubo Cósmico para se tornar omnipotente. Pelo meio, derrotou facilmente vários heróis terrestres (entre eles os Vingadores) que o tentaram deter. Thanos cometeu, porém, um erro crasso: julgando já não necessitar do Cubo Cósmico, desembaraçou-se dele. O que permitiu ao Capitão Marvel destruir o dispositivo e neutralizar o Titã Louco. O golpe de misericórdia, porém, foi desferido pela sua amada Senhora Morte que abandonou o vilão devido ao seu fracasso.
                Ainda apaixonado pela Morte, Thanos regressou algum tempo depois com novo plano de aniquilação cósmica para se redimir junto dela. Desta feita, apoderou-se das Gemas do Infinito. Com elas, o Titã Louco dispunha de poder suficiente para obliterar metade do universo. O que muito impressionou a Morte, apostada em restaurar o equilíbrio do universo dada a existência de mais vivos do que mortos.
Thanos com as Gemas do Infinito.

                 A despeito da sua omnipotência, Thanos acabou por ser derrotado às mãos do seu arqui-inimigo Adam Warlock, depois deste lhe ter retirado as Gemas do Infinito e ter desfeito todo o mal causado pelo vilão. Para escapar, Thanos encenou a própria morte.
                Estas são, no entanto, apenas algumas das igonomínias perpetradas por Thanos. O vilão é responsável por inúmeras maquinações ora para obter poder para si mesmo, ora para impressionar a sua eterna amada. No seu vastíssimo currículo, destaca-se ainda o assassínio de Adam Warlock.
     
Adam Warlock e Thanos são arqui-inimigos.

Origem da personagem: A propósito da sua criação, Jim Starlin recorda: "Fui para a universidade entre o serviço militar e o  meu primeiro emprego nos quadradinhos.  Numa aula de Psicologia surgiu-me a ideia de criar Thanos. Apresentei o esboço a Roy Thomas (editor-chefe da Marvel à época) e ele perguntou-me se eu queria fazer uma edição de Iron Man.  Senti que essa seria a minha única oportunidade de lançar uma personagem própria, embora duvidasse na altura que a minha carreira pudesse durar mais do que algumas semanas. No início, Thanos era um vilão bem mais franzino. Roy, no entanto, sugeriu torná-lo maior. E desde então creio que não parou de crescer...".
                                         Starlin não esconde a sua admiração pela obra do mestre Jack Kirby mas nega ter-se inspirado em Darkseid para criar Thanos: "Kirby criara Os Novos Deuses, os quais eu achava sensacionais. Ele trabalhava para a DC na altura. Muitos pensam que Thanos surge como uma imitação de Darkseid, o que não é de todo verdade. Nos meus primeiros esboços, se ele se parecia com alguma personagem de Kirby era com Metron. Tinha na minha cabeça uma história que envolvia deuses e todas as coisas que eu queria fazer com eles.  Assim surgiram Thanos e os Titãs. Roy olhou para os meus esboços e ironizou: "Torna-o maior. Se vais plagiar um dos Novos Deuses, ao menos escolhe o melhor, Darkeseid."

Na sua estreia, Thanos era muito menos corpulento.
Noutros media: Ocupando o 47º lugar no ranking dos 100 Melhores Vilões dos Quadradinhos de Todos os Tempo, promovido pelo IGN, Thanos é presença assídua em séries de animação, videojogos, brinquedos e todo o tipo de merchandise produzido pela Marvel.
                           Recentemente, fez uma breve aparição no final do filme dos Vingadores, revelando ser o verdadeiro mentor do plano de conquista da Terra levado a cabo pelo seu peão Loki.
               
Nos quadradinhos e fora deles, Thanos e os Vingadores são velhos inimigos.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

HERÓIS EM AÇÃO: HULK




    Qual é a coisa qual é ela que é grande, verde e tem muito mau feitio? Não, não é o Sapo Cocas de ressaca. A resposta correta é: o incrível Hulk. E refiro-me ao original e verdadeiro, não à imitação barata (e platinada) que joga num certo clube nortenho.
     Incompreendido e solitário, o Golias Esmeralda nem sempre foi, porém, verde e já integrou várias equipas de superseres. Lê o artigo abaixo e descobre tudo o que sempre quiseste saber sobre um dos maiores ícones da mitologia Marvel.

Criadores: Stan Lee e Jack Kirby
Primeira aparição: The Incredible Hulk nº1 (maio de 1962)
Licenciador: Marvel Comics
Identidade civil: Robert Bruce Banner
Família conhecida: Brian e Rebecca Banner (pais falecidos), Elizabeth "Betty" Ross Banner (esposa falecida), Jennifer Walters (prima que, para quem não sabe, é a Mulher-Hulk sobre quem falarei em momento oportuno)
Filiação: Os Vingadores (membro fundador), Defensores, Panteão, Os Cavaleiros do Apocalipse, O Novo Quarteto Fantástico, etc.
Base de operações: móvel
Poderes e habilidades: Hulk possui força física potencialmente ilimitada e amplificada pela fúria. Além de virtualmente indestrutível, dispõe também de velocidade e resistência mental muito acima dos níveis médios humanos. A sua regeneração celular espontânea é considerada o melhor fator de cura do universo Marvel. É ainda muito resistente à magia e possui a capacidade de comunicar com formas astrais.

    Dando continuidade à revolução nos quadradinhos inciada com o lançamento do Quarteto Fantástico, a dupla maravilha Stan Lee/Jack Kirby apresentou ao mundo, em 1962, uma criatura com tanto de extraordinária como de selvática, de sua graça Hulk cujo alter-ego era um brilhante físico nuclear chamado Robert Bruce Banner. Qualquer semelhança com a história  de "O Médico e o Monstro" de Robert Louis Stevenson não é mera coincidência. Não foi porém apenas nesse clássico da literatura que os criadores de Hulk se inspiraram. Também o filme "Frankenstein", de James Whale, influenciou a origem e o aspeto da personagem, bem como o Golem da mitologia judaica.
      Depois de desenvolver uma poderosa bomba  para o exército norte-americano, o Dr. Bruce Banner foi exposto a uma elevada dose de radiação gama no dia do teste da mesma. E tudo porque um adolescente imprudente, chamado Rick Jones, invadira o campo de testes momentos antes de a bomba deflagrar no subsolo. Para o salvar, Banner atirou-o para uma vala mas foi apanhado pelas ondas de radiação decorrentes da explosão. Banner não só sobreviveu milagrosamente como também ganhou um amigo para a vida. 
      Nessa noite, porém, uma assombrosa transformação ocorreu: o franzino Banner deu lugar a uma criatura grotesca de força sobre-humana mas com o intelecto de uma criança. Com efeito, nas suas primeiras histórias, o Hulk só aparecia à noite. Mas logo a transformação passou a ocorrer sempre que Banner se irritava, libertando assim o seu lado mais selvagem.
     Com a ajuda de Rick Jones, Banner manteve a sua identidade em segredo e conseguiu escapar à perseguição dos militares que desejavam usar Hulk como arma. Esta relação hostil com os militares prolongar-se-ia durante grande parte da vida do cientista e do seu monstruoso alter-ego.
      Outra curiosidade tem a ver com a cor original do Hulk que era cinzenta e não verde. Devido a problemas de impressão (a gráfica não conseguia acertar com a tonalidade), o Hulk surgia esverdeado nas páginas dos comics e foi assim que se tornou o Golias Esmeralda. No início da década de 1990,  essa versão cinzenta ressurgiria. Mais fraco porém mais inteligente, esse Hulk cinzento recebeu o nome de Senhor Tira-Teimas(!) no Brasil quando ainda era publicado pela Abril Jovem.

Inicialmente, Hulk era cinzento.

       Selvagem e irracional, o Hulk é acima de tudo uma força da Natureza pelo que não é talhado para trabalhar em equipa. Não obstante, foi membro fundador dos Vingadores e integrou vários outros grupos de super-heróis como os Defensores ou o novo Quarteto Fantástico, ainda que fugazmente.
       A luta constante de Bruce Banner para controlar o Hulk deu os seus frutos quando o cientista conseguiu conservar o seu intelecto aquando da transformação. Após um breve período de consagração heroica, deu-se a separação de ambos e o Hulk tornou-se um monstro furioso que quase destruiu Nova York, a despeito dos esforços de vários heróis para detê-lo. Em desespero, o Doutor Estranho enviou o gigante para outra dimensão.
       Dos muitos momentos pertubadores da sua vida, a morte de Betty Ross foi talvez o mais traumático uma vez que tanto Banner como Hulk a amavam. Outro capítulo sombrio ocorreu quando o Hulk foi levado até um possível futuro totalitário onde o Golias Esmeralda era um brutal tirano chamado Maestro. Forçado a enfrentar esta versão maligna de si mesmo, Hulk acaba por matar o déspota, não sem antes ouvir a profecia de que seu destino é  tornar-se o Maestro.
       Hulk também fez muito sucesso em filmes feitos para a TV. Entre 1977-82 foi exibida a famosa série televisiva com Bill Bixby (Dr. Banner) e Lou Ferrigno (Hulk). Já antes, em 1966, o êxito de uma série animada de 13 episódios permitira o relançamento da personagem depois de a sua revista ter sido cancelada ao cabo de seis números. De ressaltar que esse facto não derivou de más vendas mas sim do desejo da Marvel de lançar um novo título do Homem-aranha, tendo para isso de cancelar outro. Isto porque, na altura, quem distribuía os títulos da editora era a arquirrival DC que impunha uma quota máxima para os mesmos.
        Já neste século,  foram produzidos dois filmes do gigante verde. Em ambos, utilizou-se um Hulk virtual, gerado por computador, mas a parte do Dr. Banner foi interpretada por atores de carne e osso: Eric Bana no primeiro filme (2003) e Edward Norton no segundo (2008). Este último já tinha expressado interesse em participar no filme de 2003, mas foi preterido. Ferrigno, por sua vez, fez uma pequena aparição no primeiro filme e emprestou a voz à criatura no segundo.
       Em 2012, Hulk (com Mark Ruffalo a representar agora Bruce Banner), alinhará ao lado do Capitão América, Thor e Homem de Ferro na longa-metragem "The Avengers".
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À falta de efeitos especiais, Lou Ferrigno era pintado de verde para
interpretar Hulk na famosa série dos anos 70/80.
Nos dois filmes do gigante verde, Hulk foi gerado por computador.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

HERÓIS EM AÇÃO: X-MEN

  
     Em plena luta pelos direitos cívicos nos EUA e com a ameaça de uma guerra nuclear a pender sobre a Humanidade qual espada de Damocles, os X-Men refletem o espírito da sua época.
    Stan  Lee, cocriador do primeiro grupo de mutantes, nunca confirmou oficialmente mas é sabido que  as suas histórias foram inspiradas no livro de 1953 de Wilmar Shiras, “Children of the atom”, que apresentava o conceito de uma escola com jovens mutantes temidos pela humanidade. Daí que a expressão "Filhos do Átomo" esteja ligada aos X-Men desde os seus primórdios.
     O conceito de mutante era, todavia, à época desconhecido do público em geral, pelo Lee desistiu da ideia de batizar a equipa de "Os Mutantes", escolhendo antes "X-Men".
Criadores: Stan Lee e Jack Kirby
Primeira aparição: X-Men nº1 (1963)
Licencidador: Marvel Comics

    Criados com o objetivo de seguir a linha do Quarteto Fantástico, cuja trajetória bem sucedida vinha desde 1961, os X-Men eram originalmente compostos por cinco jovens mutantes dotados de assombrosas habilidades que usavam para combater o Mal nas suas múltiplas formas. Assim, Scott Summers, Jean Grey, Henry McCoy, Robert Drake e Warren Worthington III eram, respetivamente, Ciclope (Cyclops), Garota Marvel (Marvel Girl), Fera (Beast), Homem de Gelo (Ice Man) e Anjo (Angel). O quinteto era tutelado pelo carismático Charles Xavier, vulgo Professor X, um genial filantropo que, secretamente, também é um mutante com poderes telepáticos, porém aprisionado numa cadeira de rodas.
     Na sua isolada mansão nos arredores de Nova York, o Professor X ensina os seus pupilos a usarem os seus poderes em favor da Humanidade que os teme e odeia.  Ao contrário do seu ex-amigo Magneto que lidera uma fação mutante radical, Xavier e os seus X-Men acreditam ser possível uma coabitação pacífica entre o homo sapiens e o homo superior.
     Na verdade, um protótipo dessa história já tinha sido publicado quatro anos antes, pela própria Marvel, num conto ilustrado chamado “The mutants and me” na revista “Tales of Suspense” n° 6. Na trama dessa historieta de 1959 (editada por Stan Lee e desenhada por Joe Sinnott), um homem tenta convencer um amigo que mutantes com superpoderes estão infiltrados entre nós.
    As histórias iniciais dos X-Men, publicadas a partir de 1963, venderam satisfatoriamente. No final da década de 1960, porém, foram perdendo fôlego, a ponto de a revista passar a ser publicada bimestralmente. Essa situação só seria invertida em 1975 com o surgimento da segunda geração de X-Men pelas mãos de John Byrne, Roy Thomas, Chris Claremont e Dave Cokrun.
     Rejuvenescido, o grupo tornou-se um fenómeno de vendas, atingindo o clímax com sagas como "Fénix Negra" e "Dias de um futuro esquecido" que fizeram as delícias dos leitores e são, ainda hoje, marcos importantes na história do universo Marvel.
     Ao longo do tempo, os X-Men tiveram várias formações, nas quais tiveram lugar alguns criminosos mutantes regenerados como Vampira (Rogue) ou o próprio Magneto. Alguns dos seus integrantes também mudaram de nome. Foi o caso da Garota Marvel que deu lugar à Fénix e mais tarde à Fénix Negra.
     Primeira formação (1963): Anjo, Garota Marvel, Fera, Ciclope e Homem de Gelo.
    Segunda formação (1975): Wolverine, Tempestade, Colossus, Noturno, Solaris, Pássaro Trovejante e Banshee. Depois da morte do Pássaro Trovejante e da saída de Solaris entraram Ciclope, Fénix e Ninfa ( Kitty Pride, posteriormente rebatizada de Lince Negra).
     Terceira formação: Wolverine, Tempestade, Colossus, Noturno, Vampira, Ciclope e Kitty Pride.
     Quarta formação: Wolverine, Tempestade, Vampira, Cristal, Longshot, Destrutor e Psylocke.
     Após o episódio do “Rei das Sombras" (visto em X-Men nº 77, publicado pela editora Abril em março de 1995), a equipa foi dividida em duas: Equipa Azul, composta por Ciclope, Wolverine, Vampira, Gambit, Psylocke, Fera e Jubileu; e Equipa Dourada, formada por Jean Grey (ex-Fénix), Tempestade, Homem de Gelo, Arcanjo, Colossus e Bishop.
    Toda a franquia dos X-Men é construída sobre questões sociopolíticas. Os mutantes são vistos frequentemente como uma metáfora para minorias étnicas ou qualquer outro grupo oprimido — incluindo especificamente a segregação de afro-americanos, a discriminação contra homossexuais, o antissemitismo e o "medo dos comunistas". Além disso, a nível individual, alguns X-Men têm nos seus poderes uma metáfora do estereótipo de "estranho".  Um bom exemplo é Noturno, o teleportador germânico que, por detrás da sua aparência demoníaca, esconde um coração puro.
     As histórias dos X-Men contam com personagens de diversas etnias sendo, talvez o título mais multicultural alguma vez publicado pela Marvel. Este aspeto foi introduzido quando o título, que havia sido cancelado, foi retomado na década de 1970. O elenco (que, até então, contava apenas com mutantes americanos) foi diversificado, adicionando-se personagens dos quatro cantos do mundo.Temas relacionados ao status das minorias, incluindo assimilação, tolerância e crenças na existência de uma "raça superior" também foram retratados em histórias subsequentes do grupo.
     Os X-Men estiveram igualmente na génese de vários outros grupos mutantes seus derivados como X-Factor, X-Force ou os Novos Mutantes, entre outros.
     Os Filhos do Átomo expandiram-se para o cinema e para a televisão, incluindo algumas das mais bem-sucedidas séries animadas com X-Men: Animated SeriesX-Men: Evolution. O ano 2000 trouxe a aguardada estreia do primeiro filme dos pupilos de Xavier, dirigido por Bryan Singer (fã confesso de super-heróis que, em 2006, realizaria também "Superman Returns"). Seguiram-se duas sequelas (X-Men 2 e X-Men 3: The Last Stand, de 2003 e 2006 respetivamente). Em 2010, foi lançado um filme de Wolverine a solo e já este ano pudemos assistir a "X-Men: First Class" onde é revisitada a origem da equipa.
Os X-Men originais: Fera, Ciclope, Garota Marvel, Homem de Gelo e Anjo.
   
A 2ª geração de X-Men: Tempestade, Colossus, Wolverine, Ciclope, Banshee, Pássaro Trovejante, Solaris e Noturno.


Cartaz promocional de "X-Men 3: The Last Stand".




  

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

HERÓIS EM AÇÃO: MULHER-ARANHA

   
     Longe da popularidade e do carisma do seu congénere masculino, a Mulher-aranha (Spider-woman) também não é uma mera versão feminina do Homem-aranha. Excetuando, com efeito, o codinome poucas são as semelhanças entre ambas as personagens. Se não vejamos:
Criadores: Archie Goodwin, Sal Buscema e Jim Mooney
Primeira aparição: Marvel Spotlight nº32 (fevereiro de 1977)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Jessica Miriam Drew
Origem: Londres
Família conhecida: Jonathan e Merriam Drew (pais)
Base de operações: móvel
Filiação: Vingadores, SHIELD
Poderes e habilidades: além de uma extraordinária agilidade, a Mulher-aranha dispõe também de força, resistência e velocidade sobre-humanas. À semelhança do Homem-aranha, consegue aderir a qualquer tipo de superfície, embora consiga igualmente planar. É virtualmente imune a todos os venenos, drogas e radiações e o seu organismo geneticamente modificado segrega hormonas capazes de atrair ou repelir os seus alvos. Pode ainda lançar pelas mãos descargas bioelétricas que afetam o sistema nervoso central das vítimas. A intensidade do seu ferrão pode ser regulada para atordoar ou mesmo matar.

      A Mulher-aranha foi criada à pressa e não tinha nenhuma relação com o famoso Homem-aranha. O objetivo foi preservar os direitos da editora Marvel para o nome da personagem, já que existiam rumores de que a produtora Filmation tinha a intenção de lançar um desenho animado de uma personagem chamada Mulher-Aranha.
    Quando Jessica Drew tinha cerca de um ano de idade, os seus pais mudaram-se de Londres para uma pequena localidade no sopé da montanha Wundagore. O seu pai, geneticista e associado do cientista que ulteriormente se tornaria o Alto Evolucionário, descobriu uma enorme quantidade de urânio na propriedade onde estavam instalados, a qual lhes forneceu os recursos financeiros necessários para a construção de um centro de pesquisas onde poderiam continuar a desenvolver os seus controversos estudos na área da evolução, genética e regeneração celular.
     Tudo corria de feição até a pequena Jessica adoecer, envenenada pela sua prolongada exposição ao urânio. Sendo um perito nas propriedades regenerativas e imunológicas dos aracnídeos, Jonathan Drew inoculou a filha com um soro experimental feito com uma mistura de sangue de várias espécies invulgares de aranhas, na esperança de deter a degeneração de tecidos e de imunizar Jessica contra o veneno radioativo que lhe corria nas veias.
     Jonathan Drew trancou então a pequena Jessica num acelerador genético de modo a acelerar o processo mas não obteve o efeito desejado. Mantida em estase durante décadas, Jessica envelheceu muito mais lentamente do que o normal e, quando acordou, tinha perdido todas as suas memórias, aventurando-se num mundo que a temia devido aos seus poderes e do qual os seus progenitores haviam misteriosamente desaparecido.
     Perfilhada pelo milionário Otto Vermis, membro destacado da organização terrorista HYDRA, Jessica foi treinada para ser a assassina perfeita. A sua primeira missão consistia em executar Nick Fury, o diretor do serviço de contraespionagem SHIELD. Jessica não só desobedeceu às suas ordens como se tornou agente da SHIELD adotando o nome de código Mulher-aranha.
      De referir ainda que, em virtude da pressa por parte da Marvel em garantir os direitos da personagem, a origem apresentada acima estava originalmente destinada, nada mais nada menos, do que a um certo mutante com mau feito que responde pelo nome de Wolverine.
      Em 1979, a cadeia televisiva ABC lançou um série animada da Mulher-aranha que também foi transmitida por cá em meados dos anos 80. Além de Jessica Drew, quatro outras mulheres assumiram já a identidade de Mulher-aranha, inclusive uma transmorfa Skrull.