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segunda-feira, 23 de setembro de 2019

GALERIA DE VILÕES: DOUTOR DESTINO


  Déspota esclarecido de rosto e alma desfigurados, acredita ser seu destino manifesto conquistar o mundo. Enquanto esse dia não chega, governa com pulso férreo a sua Latvéria natal e sonha com a destruição do Quarteto Fantástico. 

Denominação original: Doctor Doom
Editora: Marvel Comics
Criadores: Stan Lee (história) e Jack Kirby (arte conceptual)
Estreia: Fantastic Four nº5 (julho de 1962)
Identidade civil: Victor von Doom
Espécie: Humano
Local de nascimento: Um acampamento cigano nos arredores de Hassenstadt, capital da Latvéria.
Parentes conhecidos: Werner e Cynthia von Doom (pais, falecidos); Boris (pai adotivo e tutor); Krystoff Vernard (filho adotivo); Caroline le Fay (filha); Alexander Flynn (presumível filho).
Ocupação: Cientista, feiticeiro, inventor, monarca da Latvéria e aspirante a conquistador mundial.
Base operacional: Castelo do Destino (Latvéria) e Embaixada da Latvéria nos EUA (Nova Iorque).
Afiliações: Ex-líder do Clã Zéfiro; ex-membro da Cabala, dos Cavaleiros da Távola Redonda Atómica e da Fundação Futuro.
Némesis: Quarteto Fantástico (particularmente, o seu líder Reed Richards).
Poderes e parafernália: A despeito de todo o poderio bélico da sua armadura, a arma mais poderosa do Doutor Destino é a sua mente prodigiosa. Polímato e génio científico, Victor von Doom é, indubitavelmente, um dos homens mais inteligentes à face da Terra. Física, Robótica e Bioquímica são algumas das áreas em que é proficiente.
Uma das maiores façanhas científicas do Doutor Destino consistiu em reverter Ben Grimm (o Coisa, do Quarteto Fantástico) à forma humana - algo que Reed Richards apenas lograra fazer temporariamente.
Ao longo da sua carreira vilanesca, o Doutor Destino inventou uma panóplia de dispositivos, incluindo espaçonaves, uma máquina do tempo (a única funcional em todo o mundo) e uma vasta gama de robôs. De entre estes, os mais formidáveis são os Destinobôs (Doombots, no original), exatas réplicas mecânicas do seu criador equipadas com uma sofisticadíssima inteligência artificial. É a eles que o vilão recorre quando não pode estar presente num determinado local, ou quando deseja salvaguardar a sua integridade física. Muitas das aparentes ressurreições do Doutor Destino ficaram na verdade a dever-se ao uso destes seus sósias robóticos.
Além dos Destinobôs, Victor von Doom criou também os Servo-guardas, autómatos dotados de grande poder de fogo  responsáveis pela manutenção da lei e da ordem em território latveriano. E que, não raro, são usados pelo seu criador para reprimir focos de rebelião.

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A plataforma temporal do Dr. Destino
 é a coqueluche das suas invenções.
Fazendo a síntese perfeita entre Ciência e Magia, o Doutor Destino é também um poderoso feiticeiro. Autodidata nas artes arcanas, expandiu os seus poderes místicos enquanto discípulo e amante de Morgana le Fay. Teletransporte, manipulação elemental, absorção de energia e convocação de demónios fazem parte do seu extenso índice de habilidades. Quando o Doutor Estranho renunciou temporariamente ao cargo de Mago Supremo, considerou Victor von Doom como um dos mais fortes candidatos a suceder-lhe.
Por intermédio do simples contacto visual, o Doutor Destino consegue transferir a sua consciência para qualquer indivíduo. Talento apreendido durante o cativeiro que lhe foi imposto pela raça alienígena conhecida como Ovoides, e que lhe tem servido amiúde para escapar de todo o tipo de armadilhas e prisões.

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Destino e os seus Destinobôs.
Confecionada com titânio e alimentada por um minirreator nuclear, a armadura do Doutor Destino incrementa a sua força e resistência a níveis sobre-humanos. Embora, por regra, o vilão prefira evitar o confronto direto com adversários de maior poderio físico, o exoesqueleto de von Doom já resistiu aos brutais golpes do Coisa e do Incrível Hulk. Conferindo-lhe também proteção eficaz  contra ataques psiónicos e manipulação da matéria.
A armadura do Doutor Destino incorpora ainda um extenso arsenal hi-tech, designadamente um gerador interno de campos de força e luvas que disparam lasers e rajadas concussivas. Equipado com um sistema de reciclagem de ar, água, energia e alimentos, o traje é autossuficiente. Permitindo, dessa forma, ao seu usuário sobreviver no espaço sideral ou em ambiente subaquático durante consideráveis períodos de tempo.
Mesmo quando privado da sua armadura, o Doutor Destino é um exímio lutador, mestre em diferentes artes marciais. Numa ocasião, matou com as próprias mãos um leão de uma espécie protegida apenas porque desejava testar as suas capacidades no combate desarmado.
Enquanto monarca absoluto da Latvéria, o Doutor Destino detém o controlo total sobre os recursos naturais do país, bem como sobre a sua indústria e forças armadas. Quem o desafia terá, pois, de estar preparado para enfrentar não apenas um homem mas toda uma nação.

Fraquezas: É na arrogância do Doutor Destino que reside a sua principal fraqueza. Em última análise, o vilão é incapaz de admitir os próprios erros, preferindo, ao invés, culpar terceiros pelos seus fracassos.
Ainda que a elevada consideração em que tem a sua pessoa seja justificada, Victor von Doom recusa-se sistematicamente a aceitar que outrem possa ter maior clarividência do que ele em relação a determinada situação. O seu ego insuflado torna-o, pois, permeável a manipulações por parte de quem consegue tirar proveito da empáfia que o caracteriza.
Certa vez, o Homem-Aranha obteve a assistência do Doutor Destino na reparação de tecnologia alienígena, invocando simplesmente a suposta inépcia de Reed Richards para fazê-lo. A velha rivalidade pessoal com o líder do Quarteto Fantástico assenta, com efeito, numa disputa do foro intelectual. Com von Doom a não olhar a meios para demonstrar a sua superioridade no campo científico - algo que, até hoje, não conseguiu fazer.
O pacto faustiano que Destino celebrou em tempos com Mefisto tem servido, outrossim, para expor as limitações do soberano da Latvéria no que à feitiçaria diz respeito. Todos os anos von Doom convoca o Príncipe das Trevas, que, respeitando o previamente estipulado, lhe concede a oportunidade de resgatar a alma da sua falecida mãe das profundezas do Inferno. E todos os anos Destino fracassa miseravelmente. A cada novo fracasso diminuindo a deferência dos seus súbditos para com ele.

Duelo entre duas mentes brilhantes que não dispensam
 a força dos punhos para fazer valer os seus argumentos.

Retrato de um déspota

Como tantas outras personagens icónicas surgidas durante a Idade de Prata da banda desenhada, o Doutor Destino teve a assinatura de Stan Lee e Jack Kirby, os demiurgos da Casa das Ideias.. Com a série mensal do Quarteto Fantástico em alta, era chegado o momento de introduzir um antagonista capaz de testar os limites do grupo.
Devido à sua eloquente simplicidade e à terrífica ameaça implícita, Doctor Doom (também traduzível como Doutor Fatal) foi o nome escolhido por Stan Lee para crismar o novo vilão. Para cuja conceção visual Jack Kirby usou a tradicional representação da Morte como modelo. Foi, pois, essa a razão para a inclusão de um manto com capuz no respetivo figurino. A ideia era acentuar a natureza tétrica e desumana do Doutor Destino,  de modo a que a simples menção do seu nome bastasse para instilar medo nos corações dos seus inimigos.
Com o seu passado e motivações envoltos em mistério, o Doutor Destino fez a sua estreia em julho de 1962, nas páginas de Fantastic Four nº5. Nessa sua primeira aparição, o vilão capturou a Mulher Invisível, usando-a como refém para obrigar o Quarteto Fantástico a embarcar numa viagem ao passado. O objetivo era roubar o tesouro encantado do pirata Barba Negra, que o ajudaria a conquistar o mundo. Esse seria, de resto, o seu mais recorrente desígnio, porém nunca alcançado.

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O Quarteto Fantástico à mercê do Dr. Destino em Fantastic Four nº5 (1962).
Após esse primeiro embate com o Quarteto Fantástico, o Doutor Destino tornou-se presença assídua nas histórias do grupo, sendo rapidamente elevado ao estatuto de seu arqui-inimigo. Facto a que não foi alheia a predileção de Stan Lee pela personagem. Entre a multidão de supervilões criados pelo saudoso Papa da Marvel, Destino era assumidamente o seu favorito.
No entanto, apenas dois anos após o debute do Doutor Destino a sua origem seria finalmente revelada. Em Fantastic Four Annual nº2 (setembro de 1964), os leitores ficaram a conhecer um pouco melhor o homem por detrás da máscara de ferro.
Dono de uma personalidade complexa e multifacetada, não é claro se o Doutor Destino é intrinsecamente cruel, ou se essa crueldade é fruto de uma vida marcada pela tragédia e solidão. Tal como o seu rosto, também a sua alma foi desfigurada.
Apesar disso, o vilão pauta sempre as suas ações por um estrito código de honra. Ao abrigo dele, Destino já poupou a vida a adversários que respeita, por estes se encontrarem enfraquecidos ou em enorme desvantagem. No seu entendimento, uma vitória obtida nessas circunstâncias seria desprovida de significado. Chegando mesmo ao ponto de interceder a favor do Quarteto Fantástico quando este se encontrava à mercê de um qualquer inimigo mais poderoso. Não por compaixão (embora também a demonstre ocasionalmente), mas pela sua obstinação de ser ele o carrasco da equipa liderada pelo seu velho rival.



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A Morte inspirou o visual do Dr. Destino.
Líder carismático, o Doutor Destino absorve a admiração de todos os que o rodeiam, mesmo dos seus adversários. Avesso a alianças, nas raras ocasiões em que se associou a terceiros fê-lo apenas para obter ganhos pessoais, ou para enfrentar ameaças que o transcendiam.
Apesar da sua reputação de implacável, o Doutor Destino preocupa-se genuinamente com o bem-estar dos seus súbditos, contanto que estes o reverenciem incondicionalmente. Certa vez submeteu-se voluntariamente ao julgamento de Bas, a Deusa Pantera de Wakanda, que confirmou o seu desejo de conduzir a Humanidade a um futuro utópico de paz e prosperidade. Escusado será dizer que tal desígnio só estaria ao alcance de um déspota esclarecido como ele próprio.

Destino manifesto

Um pequeno reino eremita encravado no coração dos Balcãs, a Latvéria serviu de berço ao Doutor Destino, que hoje a governa com mão de ferro.
Victor von Doom veio ao mundo num acampamento cigano nos subúrbios de Hassenstadt, a capital latveriana. A sua mãe, Cynthia von Doom, era uma feiticeira que invocou Mefisto para obter poder e conhecimento. Victor era apenas um menino quando a mãe morreu às mãos do Príncipe das Trevas.
O pai de Victor, Werner von Doom, era o líder do Clã Zéfiro - uma tribo de ciganos nómadas - e um médico conceituado. Pouco tempo após a morte da esposa, Werner foi convocado ao castelo do Rei Vladimir para tratar a Rainha. A mulher padecia, porém, de um cancro incurável e acabaria por sucumbir.
O Rei Vladimir culpou Werner pela tragédia e ordenou a sua execução imediata. Tomado pelo desespero, Werner colocou-se em fuga acompanhado pelo pequeno Victor. Escondidos na encosta de uma montanha coberta de neve, Werner cobriu o filho com o seu capote, protegendo-o do frio intenso enquanto ele morria enregelado.
Victor sobreviveu e, ao regressar ao acampamento, encontrou os livros e artefactos místicos da sua mãe. Nos anos que se seguiram estudou com afinco as artes arcanas, sonhando com o dia em que se vingaria do Rei Vladimir.

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Antes da ascensão do Dr. Destino ao trono, a Latvéria era um pais arcaico.
Combinando tecnologia com feitiçaria, Victor von Doom criou vários aparatos para proteger o seu povo da opressão. As suas invenções atraíram a atenção do reitor da Universidade Empire State, que lhe ofereceu uma generosa bolsa de estudo. Perante a possibilidade de estudar numa das mais prestigiadas academias norte-americanas, Victor abandonou a sua terra natal e Valeria, a única mulher que, além da sua mãe, amou em toda a vida.
Foi na Universidade Empire State que os caminhos de Victor von Doom e Reed Richards se cruzaram pela primeira vez. Reed começou por ser colega de quarto de Victor mas este antipatizou com ele e exigiu-lhe que saísse.
Algum tempo depois, Victor construiu uma máquina que permitia comunicar com os mortos, especificamente com a sua mãe. Apesar dos avisos de Reed acerca dos seus cálculos errados, Victor prosseguiu a sua experiência com resultados desastrosos.
Tal como Reed previra, a máquina de Victor explodiu logo após ser acionada, desfigurando-lhe a face. Foi esse o momento definidor que o empurrou de vez para a vilania.

Uma simples cicatriz mudou para sempre a vida de Victor von Doom.
Expulso da universidade após o acidente, Victor viajou pelo mundo até ser salvo de uma morte certa por monges tibetanos.
Num monastério oculto algures nos Himalaias, Victor aprendeu a disciplina dos monges que o haviam resgatado. Foram também eles que o ajudaram a forjar uma sinistra armadura metálica que lhe serviria de segunda pele. Assim nasceu o Doutor Destino, a Besta dos Balcãs.
De volta à Latvéria, o Doutor Destino usurpou o trono após assassinar o Rei Vladimir. Sob os seus auspícios, o feudalismo deu lugar a uma economia moderna e pujante. Num país onde prosperidade não rima com liberdade, o novo regente demonstrou sempre especial preocupação com o bem-estar da minoria romani, à qual pertence.

Um usurpador no trono da Latvéria.

Miscelânea

*Victor von Doom alega ter desenvolvido autoconsciência quando se encontrava ainda no útero da sua mãe. Proeza bizarra que ele atribui ao recorrente contacto da sua progenitora com demónios e outros entes sobrenaturais;
*Victor von Doom assumiu a liderança do clã Zéfiro quando tinha apenas 16 anos. A mesma idade com que cometeu o seu primeiro assassinato. Apesar de ter agido em legítima defesa (estrangulou um soldado latveriano que o havia capturado), a experiência deixou-o profundamente traumatizado;
*Num exercício de continuidade retroativa, é sugerido que Ben Grimm poderá ter sido o verdadeiro responsável pelo acidente que desfigurou a face de Victor von Doom. Ressentido com os constantes desaforos de von Doom, Ben terá, presumivelmente, sabotado a máquina que ele construíra para comunicar com os mortos;
*O Amaldiçoado, o Grande Destruidor e a Besta dos Balcãs são alguns dos cognomes que espelham a tenebrosa natureza do Doutor Destino;
*Sugerindo uma hipotética viagem no tempo, o Doutor Destino alega ter sido discípulo de Abraham van Helsing, o arqui-inimigo do Conde Drácula - título nobiliárquico que, aliás, von Doom não reconhece;
*Apesar de ter sido expulso da Universidade Empire State antes de concluir a sua formação, Victor von Doom faz gala das suas insígnias académicas, alegando possuir vários doutoramentos em diferentes áreas;
*Decorrente do culto de personalidade instituído pelo Doutor Destino, um feriado com o seu nome é anualmente celebrado na Latvéria, com grande pompa e circunstância. Além das paradas militares, as comemorações incluem manifestações populares de apoio - mais ou menos espontâneo - ao monarca. Também a capital do país foi renomeada Doomstadt em sua homenagem;
*Originalmente, o Doutor Destino trazia à ilharga uma pistola que usava para alvejar traidores e outros adversários por ele considerados indignos;
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Na mira do Destino.
*Na sua qualidade de líder de um Estado soberano, o Doutor Destino beneficia de imunidade diplomática. Significando isto que qualquer tentativa de capturá-lo ou matá-lo em território estrangeiro resultaria num grave incidente internacional. Foi ao abrigo desse privilégio que, numa das suas visitas aos EUA,  Victor von Doom teve o Capitão América como seu guarda-costas pessoal;
*Grande apreciador de arte conhecido pelo seus gostos sofisticados, Victor von Doom ordenou a destruição de uma pintura de Renoir da sua coleção privada por considerá-la desagradável à vista;
*O Doutor Destino foi um dos vilões a figurar na coleção de selos postais lançada pela Marvel em 1975;
*No Universo 2099 da Marvel (linha temporal ambientada nesse ano), o Doutor Destino é o maior herói da Humanidade. Por contraste com os restantes justiceiros fantasiados dessa época, o seu manto continua, porém, a pertencer ao verdadeiro Victor von Doom. Há muito dado como morto, o Doutor Destino ressurgiu nesse futuro distante e, horrorizado com o estado do mundo, decidiu salvá-lo da única forma que se lhe afigurava eficaz: conquistando-o;
*Atestando a sua enorme notoriedade e importância nos quadradinhos, o Doutor Destino encerra o pódio na lista dos cem melhores vilões de todos os tempos elaborada pelo site IGN. A mesma plataforma classifica-o como o melhor vilão da Marvel;

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Em 2099, o Dr. Destino tem finalmente o mundo a seus pés.

Noutros media

Extensão natural da sua influência e notoriedade na banda desenhada, o Doutor Destino possui uma forte pegada mediática. A sua transição para o segmento audiovisual registou-se em 1966, por via da sua participação avulsa num episódio da série animada The Marvel Super Heroes, em que, curiosamente, enfrentava o Príncipe Submarino (com quem, nos quadradinhos, chegou a unir forças contra o Quarteto Fantástico).
Presença habitual em dezenas de outras séries do mesmo género baseadas no Universo Marvel, foi naquelas que tiveram o Quarteto Fantástico como protagonista que o Doutor Destino mais se destacou. Ao longo dos anos, surgiu frequentemente como personagem jogável em diversos jogos de vídeo e inspirou até uma diversão - Doctor Doom Freefall - na Islands of Adventure, um parque temático instalado em Orlando, Florida.

As múltiplas versões do Dr. Destino nas animações da Marvel.
Foi, porém, através do cinema que o Doutor Destino alcançou uma audiência mais abrangente. Embora, tecnicamente, o seu advento ao grande ecrã tenha ocorrido apenas em 2005, em Fantastic Four, fora ele, em 1994, o vilão de serviço no filme homónimo dirigido por Roger Corman, porém nunca lançado.
Nessa sua primeira versão em ação real, o Doutor Destino foi interpretado por Joseph Culp e, em linha com a sua origem clássica, apresentado como o antigo colega de quarto de Reed Richards nos tempos de faculdade.
Já na longa-metragem de 2005, realizada por Tim Story e a primeira com estatuto oficial, o Doutor Destino, agora encarnado por Julian McMahon (que, volvidos dois anos, repetiria o papel em Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer), era um magnata tecnológico que disputava a Reed Richards os afetos de Susan Storm.

Julian McMahon como Doutor Destino em Fantastic Four (2005).
Na sua última passagem pelo grande ecrã, datada de 2015, o Doutor Destino - como, de resto, o próprio Quarteto Fantástico - surgiu praticamente irreconhecível. Agora interpretado por Toby Kebbell, antes da sua metamorfose o vilão era um cientista e programador informático com tanto de genial como de antissocial ao serviço da Fundação Baxter.
Durante a San Diego Comic Con de 2017, o produtor televisivo Noah Hawley anunciou que estaria em desenvolvimento um filme a solo do Doutor Destino. Semanas depois, seria a vez do ator dinamarquês Mads Mikkelsen - que já havia sido equacionado para o papel em 2015 - expressar o seu interesse em dar vida à personagem.
À data em que escrevo estas linhas, nada do anunciado se concretizou. Porém, com a compra da Sony por parte da Disney, é expectável que o Doutor Destino chegue num futuro próximo ao Universo Cinematográfico da Marvel. A dúvida é se isso acontecerá por conta própria ou num filme do Quarteto...

Que papel estará reservado ao Dr. Destino no futuro do MCU?



quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

HERÓIS EM AÇÃO: SURFISTA PRATEADO





    Para salvar o seu mundo da aniquilação, um homem sacrificou a própria liberdade. Com um coração puro e uma alma atormentada, o Surfista Prateado singra desde então pelo Cosmos como um arauto da justiça e da esperança.
 
 
Nome original: Silver Surfer
Primeira aparição: The Fantastic Four nº48 (março de 1966)
Criadores: Stan Lee (história) e Jack Kirby (história e arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Norrin Radd
Local de nascimento: Planeta Zenn-La
Parentes conhecidos: Jartran e Elmar Radd (pais falecidos), Fennan Radd (meio-irmão presumivelmente falecido)
Filiação: Ex-arauto de Galactus, ex-membro do Trio Titânico, dos Defensores, dos Defensores Secretos e dos Mestres das Estrelas
Base de operações: Todo o Universo conhecido
Armas, poderes e habilidades: Um dos mais poderosos (e trágicos) seres do Universo, o Surfista Prateado possui força, velocidade e resistência sobre-humanas, bem como a capacidade de absorver e manipular vários tipos de energia. Com a ajuda da sua prancha - que mesmo quando fisicamente separada do seu usuário, obedece aos seus comandos telepáticos- o herói consegue viajar no hiperespaço e até no fluxo temporal.
       Dotado de perceção cósmica, o Surfista Prateado, que também já ocasionalmente evidenciou habilidades telepáticas, consegue detetar objetos e fenómenos energéticos a anos-luz de distância. Da mesma forma que uma só rajada do seu poder cósmico pode obliterar planetas inteiros, o ex-arauto de Galactus pode usar esse poder para curar organismos vivos à escala planetária (sem contudo conseguir reviver os mortos).
       Somam-se a estas fabulosas habilidades o seu conhecimento da avançada tecnologia de Zenn-La, uma vez que Norrin Radd era um promissor cientista no seu mundo natal.

O Surfista Prateado é um dos seres mais poderosos do Universo.
 
História de publicação: Em março de 1966, no 48º número do título Fantastic Four, o Surfista Prateado foi apresentado ao mundo de forma quase fortuita. Stan Lee (argumentista e editor da Casa das Ideias) e Jack Kirby (cuja arte era uma das principais referências da editora) haviam desenvolvido em conjunto o chamado Método Marvel. Este consistia em discutir ideias para histórias, cabendo depois a Kirby desenhar uma sinopse das mesmas. Finda esta etapa, Stan incluiria os diálogos e restante texto. Sucede que, contrariando os preceitos da referida metodologia, Kirby, à revelia do seu parceiro criativo, resolveu adicionar uma nova personagem ao argumento previamente aprovado por ambos.


Fantastic Four nº48 (1966) foi onde debutou o Surfista Prateado, na sua qualidade de arauto de Galactus.

       A este propósito, Stan Lee declarou o seguinte em 1995: "Para minha grande surpresa, a meio de uma história que tínhamos discutido detalhadamente, surgia um louco montado numa prancha voadora. Pensei para os meus botões que o Jack fora longe demais dessa vez." Kirby explicou então que incluíra a misteriosa personagem por considerar que o antagonista principal - Galactus - precisaria de uma espécie de arauto que anunciasse o seu advento aos planetas que escolhera devorar, e também porque, segundo ele, estava cansado de desenhar naves espaciais.
       Sensibilizado pelo caráter nobre da neófita personagem - que se rebelou contra o seu mestre a fim de defender a Terra - Stan Lee conferiu-lhe maior densidade emocional e psicológica, tornando-a dessa forma um elemento-chave nos capítulos subsequentes do enredo.
       Após a primeira aparição do Surfista Prateado - e face à reação positiva dos leitores -, Lee e Kirby acordaram em conceder-lhe o estatuto de coadjuvante nas histórias do Quarteto Fantástico. Facto que conduziria, em 1968, à sua estreia numa história a solo em Fantastic Four Annual nº5.
       No ano seguinte, a Marvel lançou o novíssimo título The Silver Surfer, com os argumentos ainda a cargo de Stan Lee e com John Buscema a assumir a respetiva arte nos dezassete primeiros números (Jack Kirby desenharia o 18º e derradeiro número da série). Com o cancelamento de Silver Surfer, o herói cósmico passou a fazer aparições pontuais noutros títulos da editora, como Thor, The Defenders e, claro, Fantastic Four.

Em 1969, o Surfista Prateado ganhou um título próprio.
 
      Na esteira de um arco de histórias produzido por John Byrne em 1982, o Surfista Prateado recuperou alguma da relevância perdida. Só voltaria, ainda assim, a dispor de um título próprio volvidos cinco anos.
      Já neste século, mais precisamente em 2007, o herói cósmico estrelou uma muito elogiada minissérie em quatro volumes -  Silver Surfer: Requiem - escrita por J. Michael Straczynski e com arte de Esad Ribic. O primeiro número foi lançado em 30 de maio de 2007, de molde a coincidir com a primeira aparição cinematográfica da personagem em Fantastic Four: The Rise of The Silver Surfer. Na história, o Surfista Prateado descobria estar a morrer em virtude da deterioração da camada prateada que reveste o seu corpo.
      No âmbito da arrojada revolução editorial levada a cabo recentemente pela Casa das Ideias, foi anunciado o lançamento, com data prevista para março deste ano, de uma nova série protagonizada pelo ex-arauto de Galactus. Escrita por Dan Slott e ilustrada por Mike Allred, constituirá uma das mais fortes apostas do projeto All-New Marvel NOW! (batizado Nova Marvel pela Panini brasileira).

2014 marcará o regresso do Surfista Prateado à ribalta graças ao projeto editorial Nova Marvel.

Biografia: No utópico planeta Zenn-La, localizado no sistema estelar Deneb na orla da Via Láctea, florescia uma civilização próspera e pacífica. Norrin Radd era um jovem e promissor cientista inconformado com a letargia em que mergulhara o seu povo, que  outrora explorara os confins do Cosmos.
      A vida de Norrin mudaria para sempre no dia em que ele e os seus compatriotas testemunharam a chegada de Galactus, O Devorador de Mundos ao seu planeta. Perante a ameaça de aniquilação de Zenn-La, Norrin persuadiu o Conselho Científico a providenciar-lhe uma nave que o levasse ao encontro do gigantesco invasor. Intrépido, Norrin confrontou Galactus e propôs-lhe uma troca: se o Devorador de Mundos poupasse Zenn-La e seus habitantes, ele aceitaria ser seu arauto e comprometer-se-ia a buscar outros mundos para servirem de alimento a Galactus. Este aceita a proposta de Norrin e banha-o com uma ínfima porção do seu poder cósmico, transformando-o no Surfista Prateado.

Para salvar o seu povo, Norrin Radd sacrificou a sua liberdade e aceitou servir Galactus.

      Norrin tencionava conduzir o seu novo mestre apenas a planetas desabitados, mas, prevenindo essa situação, Galactus manipulou a alma do seu arauto. Por um período indeterminado de tempo, o Surfista Prateado serviu lealmente o Devorador de Mundos. Até ao dia em que descobriu a Terra, onde travou conhecimento com o Quarteto Fantástico e com Alicia Masters, a escultora cega namorada do Coisa. Sensibilizado pela nobreza de caráter deles, Norrin rebelou-se contra Galactus. Este acabou por ser repelido para longe da Terra, não sem antes criar uma barreira invisível em redor do nosso planeta para assim confinar o seu ex-servo, como castigo pela sua traição. A citada barreira tinha ainda a particularidade de afetar apenas o Surfista.
      Ao longo do seu exílio entre os humanos, o Surfista Prateado defrontou diversos supervilões, com o Doutor Destino - que cobiçava o poder cósmico do herói - a presidir à extensa lista. Nela figurava também Mefisto, que desejava a alma do ex-arauto de Galactus.
      Reunindo-se ocasionalmente ao Hulk e ao Príncipe Submarino, o Surfista Prateado atuou em conjunto com este heróis num grupo inicialmente denominado Titans Three  (Trio Titânico), ao qual se juntaria depois o Doutor Estranho, dando assim origem aos Defensores.

O Surfista Prateado em ação com os Defensores.

      Com o auxílio de Reed Richards, o amargurado herói logrou finalmente romper a barreira invisível de Galactus e deixar a Terra rumo às estrelas. Apenas para descobrir que Zenn-La fora devastado pelo Devorador de Mundos e que a sua amada Shalla-Bal fora feita prisioneira por Mefisto e levada para a Terra.
      Mesmo sabendo que isso significaria ficar novamente aprisionado no nosso planeta, Norrin regressou à Terra para resgatar das garras do demónio a mulher que amava. Pressentindo a derrota iminente, Mefisto enviou Shalla-Bal de volta a Zenn-La, onde o herói cósmico não a poderia alcançar. No entanto, o Surfista Prateado conseguiu, in extremis, transmitir uma parcela do seu poder cósmico à jovem, para que esta a usasse para revitalizar o seu mundo natal.

De volta à Terra, o Surfista Prateado enfrentou Mefisto para resgatar a sua amada Shalla-Bal.

       Após ajudar o Quarteto Fantástico a derrotar o mais recente arauto de Galactus - o terrível Terrax - o Surfista Prateado conseguiu por fim atravessar a barreira invisível que o impedia de regressar às estrelas, seguindo a sugestão do Coisa de o fazer a bordo de uma espaçonave em vez de usar a sua prancha. Conseguiu também obter o perdão do seu antigo mestre ao salvar a vida de Nova, outra das arautas ao serviço do Devorador de Mundos.
       Terminado o seu longo exílio, logo o herói alienígena singrou a vastidão sideral até Zenn-La. Mas, uma vez mais, o destino pregou-lhe uma cruel partida: na sua ausência, Shalla-Bal fora coroada Imperadora, pelo que seria impossível reatarem o seu romance.
       De coração partido, o Surfista Prateado passo a vaguear pelo Universo, enfrentando ameaças cósmicas como Thanos, Ego, O Planeta Vivo, Nebula e muitos outros seres de enorme poder e ainda maior perversidade. De tempos a tempos viaja até à Terra onde encontra consolo nos braços de Alicia Masters.

 
 
 
Noutros media: Em 2011, o site IGN colocou o Surfista Prateado no 41º lugar da sua lista dos 100 Melhores Heróis dos Quadradinhos. Na televisão, a sua estreia ocorreu num episódio da série animada produzida pela Hanna-Barbera, Fantastic Four (cuja vintena de episódios foi exibida pelo canal norte-americano ABC entre 1967 e 1970). A que se seguiram várias participações noutras séries animadas da Marvel, como The Marvel Action Hour (1994). Em 1998 chegou mesmo a estrelar uma série própria transmitida pela Fox e com a particularidade de recuperar a estética introduzida décadas antes por Jack Kirby.
 
São notórias as influências de Jack Kirby na estética da série animada Silver Surfer (1998).
 
        Ao grande ecrã, o herói cósmico chegou em 2007 com Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer, o segundo filme do Quarteto Fantástico. Laurence Fishburne emprestou a voz à personagem cabendo a Doug Jones dar-lhe corpo nas cenas em que não era reproduzida digitalmente. Nesse mesmo ano, J. Michael Straczynski foi contratado pela Fox para escrever o guião de um spin-off. Straczynski adiantou que se trataria de uma sequela que abordaria também as origens do Surfista Prateado. O projeto, porém, nunca veria a luz do dia.
 
Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007) marcou a estreia cinematográfica do herói cósmico.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

NÉMESIS: MEFISTO





      Soberano absoluto das profundezas infernais, príncipe das trapaças, colecionador compulsivo de almas, Mefisto é o Mal encarnado. Às mãos do demónio já penaram heróis e vilões, deuses e mortais.
 
Nome original: Mephisto
Primeira aparição: Silver Surfer nº3 (dezembro de 1968)
Criadores: Stan Lee (texto) e John Buscema (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Local de nascimento: Desconhecido
Base de operações:  Inferno (também designado por Hades)
Parentes conhecidos: Mefista (filha), Blackheart (filho), presumível grau de parentesco com Satanna e Daimon Hellstorm.
Filiação: Senhores Infernais
Poderes e habilidades: Na sua qualidade de poderosa entidade sobrenatural, Mefisto dispõe de uma vasta panóplia de habilidades místicas: projeção astral, manipulação do tempo e da matéria, levitação, criação de portais interdimensionais, transmorfismo ( a sua verdadeira forma é desconhecida) e emissão de rajadas de energia com elevado potencial destrutivo são apenas algumas delas. Sendo um demónio de ordem superior, o senhor do Hades é imortal. Mefisto pode capturar as almas de recém-falecidos, embora habitualmente prefira negociar as ditas com os vivos. Pode também facilmente aprisionar seres vivos nos seus domínios infernais. Contudo, não tem poder para libertá-los e, mesmo que o tivesse, dificilmente o faria. Tudo indica que uma parcela do seu poder advém do número de almas aprisionadas no Hades, pelo que longas ausências enfraquecem o demónio.

Mefisto debutou nas páginas de Silver Surfer nº3 em 1968.
 
Biografia: Um dos Senhores Infernais, Mefisto governa um reino incandescente, ao qual se refere ora como Inferno, ora como Hades. A verdade, porém, é que nenhuma das designações é correta. Príncipe da trapaça, o demónio diverte-se ao ser confundido com o Satanás bíblico.
                  Num passado remoto, Mefisto envolveu-se com a amante de um dos seus antigos esbirros. De seguida, induziu-a a assassinar o seu ex-amante, dando assim origem a Darklove, uma entidade maligna condenada a corromper o amor.
                  Entre as atrações turísticas do seu reino, destaca-se a Arena das Almas Corrompidas, na qual estas são forçadas a combater entre si durante toda a eternidade.
                  Fortalecido pelas almas dos condenados que vai recolhendo, Mefisto diverte-se a fazer pactos com os vivos que, invariavelmente, acabam ludibriados por ele. O Senhor do Hades tem uma especial predileção pelas almas de seres extremamente poderosos e de execional pureza de coração. Não admira, portanto, que entre  as mais cobiçadas estejam as  de Thor e do Surfista Prateado, dois heróis com quem o demónio tem um longo historial de confrontos.
                  Muito tempo atrás, Mefisto tornou-se rival do demónio Zarathos. Para o derrotar, o Senhor do Hades firmou uma aliança com um príncipe mortal que, posteriormente, se transformaria em Centurious, o Homem Sem Alma. Juntos, Mefisto e Centurious derrubaram Zarathos. Não satisfeito, Mefisto atormentou longamente o seu inimigo, banindo-o para o mundo dos mortais.
                  Sabendo que Zarathos possuía um vínculo ancestral com os Espíritos da Vingança, Mefisto ficou obcecado em controlar o Medalhão do Poder, um talismã místico que continha as essências dessas entidades. Isto levou o Senhor do Hades à família Kale, a qual albergava fragmentos do medalhão nas suas almas. No século XVIII, Mefisto negociou com o pastor Kale, um fanático religioso, na esperança de adquirir a alma do filho deste. Ficou assim aberto o caminho à criação do Motoqueiro Fantasma (vide Heróis em Ação: Motoqueiro Fantasma).

Desconhece-se a verdadeira forma de Mefisto.

                  Com efeito, ao longo da História, Mefisto tem explorado de forma perversa a deriva espiritual de muitos homens e mulheres. Na Europa, por exemplo, ele prometeu a dádiva da imortalidade a um grupo de místicos em troca das suas almas. Também corrompeu o capitão Joost Van Straaten, que se tornaria o infame Holandês Voador. Em vésperas da II Guerra Mundial, o demónio persuadiu uma equipa de cientistas alemães da existência, num passado remoto, de uma raça perfeita (os Vril) que governara a Terra muito antes do surgimento da humanidade, e que fora banida para outra dimensão. Nesse sentido, os cientistas criaram um portal interdimensional que permitisse o regresso dos Vril ao nosso mundo. O projeto foi, no entanto, encerrado no final do conflito, gnorando-se os reais propósitos de Mefisto.
                   Mais recentemente, tem crescido o fascínio de Mefisto pelos superseres que habitam a Terra. Entre estes, é o Surfista Prateado que, em virtude da pureza da sua alma, mais atenção tem despertado ao Senhor do Hades. Em várias ocasiões, Mefisto tentou, em vão, o herói cósmico com ofertas de poder e de prazer. Mesmo quando o demónio lhe prometeu devolver à vida a sua amada Shalla-Bal, o Surfista resistiu. Enfurecido por este fracasso, o demónio atormentou repetidas vezes outros heróis do universo Marvel, como Thor ou o Demolidor.

Mefisto tem atormentado o Surfista Prateado ao longo dos anos.

                   Quando Naomi Kale, descendente do pastor Kale, tentou desfazer a maldição familiar, ofereceu a sua alma a Mefisto. Em contrapartida, o demónio teria de prometer que o primogénito de Naomi não se tornaria o Motoqueiro Fantasma. Mefisto cumpriu parte da promessa. Quando, anos mais tarde, Johnny Blaze se virou para o Oculto, numa tentativa desesperada de salvar a vida do seu pai adotivo, Mefisto fez-se passar por Satanás para clamar a sua alma e fundir o humano com o demónio Zarathos, criando assim o novo Motoqueiro Fantasma.
                   Tendo na sua posse a alma da mãe de Victor Von Doom (o Doutor Destino), Mefisto travou diversos combates com o monarca da Latvéria, os quais tinham lugar anualmente a cada Halloween.
                   Outra das suas querelas envolveu Hela, a deusa nórdica da morte, que havia roubado várias almas que o demónio reclamava como suas. Engendrando um intrincado esquema visando forçar Thor a enfrentar Hela, Mefisto apoderou-se das almas da Mulher Invisível, de Jean Grey e da Vampira, antes de por fim clamar aquela que realmente cobiçava: a alma do Deus do Trovão. Após uma série de recontros com o Quarteto Fantástico, os X-Men, o X-Factor e os Vingadores, Mefisto acabou por libertar a alma de Thor.
                  Noutra ocasião, Mefisto apoderou-se da alma do próprio Odin enquanto este hibernava. Loki, o ignóbil meio-irmão de Thor, possuiu o corpo do soberano de Asgard. No entanto, Odin conseguiu reaver o seu corpo e Mefisto tomou a alma de Loki, sendo esse o seu verdadeiro objetivo desde o início.
                  Aproveitando-se do desespero do Homem-Aranha em salvar a vida da sua tia May, mortalmente ferida por um sniper,  Mefisto propôs-lhe que sacrificasse o seu casamento com Mary Jane Watson. Em troca, o demónio restauraria a saúde da idosa. Para grande regozijo de Mefisto, que assim destruiu uma união alicerçada no mais genuíno amor, o casal anuiu e ele alterou o tempo. Nessa nova realidade, Peter Parker e Mary Jane nunca foram unidos pelos sagrados laços do matrimónio. Ainda como parte do acordo, foram eliminadas por Mefisto todas as memórias coletivas relacionadas com a revelação pública da verdadeira identidade do Homem-Aranha durante a saga Guerra Civil.
         
Noutros mediaUm dos vilões mais infames mas também mais populares dos quadradinhos, Mefisto participou ao longo dos anos em várias séries de animação produzidas pela Marvel . Na segunda temporada de Silver Surfer, teve uma fugaz aparição com a sua forma demoníaca suavizada, de modo a não assustar o público infantil a que a série se destinava.
                              No cinema, foi interpretado em 2007 por Peter Fonda no primeiro filme do Motoqueiro Fantasma. Na sequela, coube a Ciarán Hinds vestir a pele do demónio, que agora responde pelo nome de Roarke.

Peter Fonda foi Mefisto em Ghost Rider (2007).

                              

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

HERÓIS EM AÇÃO: MOTOQUEIRO FANTASMA



     Poderá um homem fazer um pacto com o Diabo, transformar-se no Espírito da Vingança e, ainda assim, ser um herói? A poucos dias da estreia nos cinemas nacionais de Ghost Rider 2:Spirit of Vengeance, conheçam a trágica história de Johnny Blaze, o Motoqueiro Fantasma.

Nome original: Ghost Rider
Primeira aparição: Marvel Spotlight nº5 (agosto de 1972)
Criadores: Mike Ploog e Gary Friedrich
Licenciador: Marvel Comics
Identidade civil: Johnathon "Johnny" Blaze
Parentes conhecidos:  Barton Blaze (pai), Naomi Kale (mãe),Roxanne Simpson (esposa e irmã adotiva), Crash e Mona Simpson (pais adotivos), Danny e Barbara Ketch (irmãos).
Filiação: Os Campeões, Filhos da Meia-noite, Legião dos Monstros
Poderes e habilidades: O Motoqueiro Fantasma tem poderes de origem sobrenatural, decorrentes da sua condição demoníaca. Entre eles, destacam-se  força sobre-humana, regeneração espontânea, invulnerabilidade ao fogo e ao calor e o temível Olhar de Penitência (inflige à vítima igual sofrimento ao que ela causou a outros).  A par desses poderes, o Motoqueiro consegue deslocar-se em todos os tipos de superfície e até viajar entre dimensões com a sua mota de rodas flamejantes. Na sua versão mais recente, dispõe ainda de uma corrente mística.

Biografia: Os pais de Johnny Blaze, Barton e Naomi, ganhavam a vida a fazer acrobacias em duas rodas em Quentin Carnival. Foi nesse ambiente de risco e multidões ululantes que Johnny nasceu e passou os primeiros anos de vida. A família seria contudo desfeita quando Naomi abandonou Barton, levando consigo os seus dois filhos mais novos (Danny e Barbara). Na origem desta decisão, esteve a maldição que Naomi acreditava pender sobre a sua família desde o século XVIII. Nesse época, o demónio Mefisto tentara corromper Noble Kale, antepassado de Naomi e detentor de um fragmento do Medalhão do Poder que encerrava em si a essência primordial do Espírito da Vingança. Mefisto fracassara na sua missão mas manteve-se vigilante à linhagem Kale e surgia sempre que nascia novo primogénito por ser este a reencarnação de Noble. O demónio teria assim, a cada geração, uma nova oportunidade de conseguir os seus intentos.
                A dor causada pela perda abrupta da mãe, fez com que o pequeno Johnny reprimisse grande parte das memórias da progenitora e dos irmãos. Quando o pai sofreu um acidente mortal durante um espetáculo de acrobacias, o casal Crash e Mona Simpson (ex-sócios de Barton Blaze) adotaram o petiz. Para atenuar o sofrimento de Johnny, os seus novos pais fabricaram-lhe um passado, levando-o a acreditar que a sua mãe verdadeira era uma mulher de nome Clara Blaze, há muito falecida.
               Johnny passou assim a integrar o clã Simpson, tornando-se inseparável da filha biológica do casal, Roxanne. À medida que ambos cresciam, a amizade deu lugar a uma paixão proibida.

A estreia do Motoqueiro Fantasma em agosto de 1972.

              Entretanto, Naomi regressara para observar em segredo o filho. Receando que ele sucumbisse à maldição familiar, a mãe de Johnny negociou com Mefisto de modo a que este poupasse o filho. O demónio, porém, traiu-a e jurou que, mesmo que Johnny não viesse a ser o verdadeiro Espírito da Vingança, ele seria uma das suas encarnações.
              Alheio a tudo isto, Johnny, agora um adolescente, tinha em Crash Simpson uma referência paterna e este, por sua vez, treinava-o para lhe suceder como cabeça-de-cartaz do seu espetáculo acrobático. Com apenas 15 anos, Johnny quase morreu num acidente enquanto ensaiava uma perigosa manobra em conjunto com a mãe adotiva, que não resistiu aos ferimentos. Moribunda, Mona pediu a Johnny que lhe prometesse que desistiria daquela vida. Johnny aquiesceu e, nos anos seguintes, recusou-se a voltar a participar nos espetáculos organizados por Crash, o que deteriorou a relação entre ambos. A coberto da noite, contudo, Johnny continuou a praticar as acrobacias de mota até superar o seu mestre. Guardava ainda outro segredo: ele e Roxanne eram amantes.
              Quando Crash anunciou que padecia de cancro, Johnny voltou-se para o Oculto em busca de respostas. Acabaria por, acidentalmente, invocar Mefisto, desconhecendo que o demónio há muito o procurava e que fora responsável pela morte da sua mãe biológica. Em troca da  lealdade de de Johnny, Mefisto comprometeu-se a curar o cancro de Crash. Desesperado, Johnny acedeu mas viu o pai adotivo morrer pouco tempo volvido quando tentava saltar de mota sobre 22 carros. Nessa mesma noite, Johnny Blaze transformou-se pela primeira vez numa criatura esquelética e com uma caveira flamejante. Esta fusão com uma entidade demoníaca chamada Motoqueiro Fantasma, agradou muito a Mefisto que sonhava usá-lo como um peão na concretização dos seus maquiavélicos planos.
              Ludibriado por Mefisto, Johnny tentou, em vão, reaver a sua alma. O demónio recusou devolver-lha alegando que havia cumprido a sua promessa de curar o cancro de Crash Simpson. Seria assim Roxanne a salvar a alma do seu amado através da pureza dos seus sentimentos que afastaram (ainda que temporariamente) Mefisto das suas vidas.
             Num ato de vingança, porém, Mefisto uniu a alma de Johnny ao demónio Zarathos, seu ex-rival. Só muito tempo depois, quando capturado pelo vilão Pesadelo, é que Johnny descobriu a terrível verdade. Iniciou-se assim uma aguerrida disputa entre Johnny e Zarathos pelo controlo do Motoqueiro Fantasma.
             Perante qualquer manifestação do Mal, o Motoqueiro Fantasma surgia para o combater e punir. Mas o sinistro herói também salvava inocentes devido ao controlo parcial exercido por Johnny Blaze.
            Anos mais tarde, Johnny seria temporariamente substituído por Danny Ketch (seu irmão mais novo) como hospedeiro do Espírito da Vingança. Mas essa é uma história para contar noutra altura...
            Em 2007, Nicholas Cage cumpriu o seu velho sonho de encarnar um super-herói no cinema, dando vida ao Motoqueiro Fantasma no filme Ghost Rider. Longe de ter sido um êxito de bilheteira, o filme teve, ainda assim, direito a uma sequela  em 3D com estreia prevista para o próximo dia 23 de fevereiro nas salas de cinema portuguesas.
              
Poster promocional de Ghost Rider (2007).