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sábado, 3 de outubro de 2015

DO FUNDO DO BAÚ: «MASSACRE DE MUTANTES»




   Nos túneis subterrâneos de Nova Iorque está aberta a caça aos Morlocks. Longe do olhar dos cidadãos comuns e perante a impotência dos heróis, essa comunidade de párias mutantes é o alvo primário de uma matança planificada. Que deixará também cicatrizes profundas nos sobreviventes.

Título original da saga: Mutant Massacre ou Morlock Massacre
Data de publicação: Outubro a dezembro de 1986
Licenciadora: Marvel Comics
Autores: Chris Claremont, Louise Simonson, Jon Bogdanove, Jackson Guice e Walter Simonson
Títulos abrangidos: Uncanny X-Men 210 a 213, X-Factor nº9 a 11, New Mutants nº46, Power Pack nº27 e Thor nº373 a 374
Personagens principais: X-Men, X-Factor, Senhor Sinistro, Morlocks, Carrascos, Thor, Novos Mutantes e Quarteto Futuro (Power Pack)

Capa da compilação de Mutant Massacre editada em 2001.

Edição em Português: No Brasil a saga foi publicada originalmente pela Abril entre maio e agosto de 1991, nos números 31 a 34 da primeira série de X-Men. Em julho de 2013 chegou às bancas uma compilação de Massacre de Mutantes sob os auspícios da Panini Comics.

Reedição da saga com o selo da Panini brasileira.

Desenvolvimento: Quando urdiu a trama ao longo da qual se desenrolaria a matança sistemática dos Morlocks, Chris Claremont (vide perfil já publicado neste blogue) tencionava circunscrevê-la às páginas de Uncanny X-Men. Contudo, Louise Simonson, à época argumentista de X-Factor, tinha um entendimento diferente. Na sua opinião, atendendo à magnitude e ao alcance da saga, seria preferível espraiá-la pelos títulos subsidiários dos X-Men (X-Factor e New Mutants).
  Em virtude dessa alteração de planos editoriais, os dois escritores trocaram entre si rascunhos e sinopses das suas histórias. O objetivo era encontrar pontos de contacto entre elas. Tarefa que se revelou, porém, assaz complicada. Motivando por isso uma extenuante maratona de conferências telefónicas entre os coautores de Massacre de Mutantes.
  Questionada anos mais tarde sobre o balanço que fazia da experiência de coordenar todas as linhas narrativas que formavam a tecitura da saga, Louise Simonson desabafou: "Foi horrível! Nem sei como podemos estar a pensar fazer tudo outra vez!" A escritora referia-se a Fall of the Mutants (Queda dos Mutantes), sequela não assumida de Massacre de Mutantes lançada pela Marvel Comics em 1988. A despeito das dificuldades que essa opção suscitara no passado, o enredo entroncava, uma vez mais, em vários títulos da editora.
  Walter Simonson, responsável pelos segmentos de Thor em Massacre de Mutantes, foi menos lacónico nas suas considerações sobre a saga. Nas palavras do marido de Louise, "a ideia não passava por transformar o enredo numa espécie de colar de contas que o leitor teria de desfiar uma a uma para que a história fizesse sentido". Uma solução desse tipo obrigaria à aquisição de todos os títulos abrangidos pela saga. Esforço financeiro que não estaria decerto ao alcance de todos. A alternativa passou por um modelo narrativo que fazia lembrar uma árvore em que cada um dos seus ramos fornecia ao leitor uma perspetiva geral dos eventos em curso. Claro que teria mesmo de abrir os cordões à bolsa quem quisesse ver a árvore completa.

O casal Walter e Louise Simonson. Partiu dela a ideia de interligar os vários títulos X.

Mapa para a leitura  de  Massacre de Mutantes.


Porque se escondiam os Morlocks no subsolo de Nova Iorque?


Callisto, líder dos Morlocks.

  Incapazes de passarem despercebidos no mundo da superfície devido às suas aparências grotescas, os Morlocks acoitaram-se nos esgotos e túneis subterrâneos da Cidade Que Nunca Dorme. O nome dessa comunidade de párias mutantes foi inspirado nas personagens homónimas de Time Machine, romance escrito por H.G. Wells em 1895.
  Conceito desenvolvido por Chris Claremont e Paul Smith, os Morlocks fizeram a sua primeira aparição em Uncanny X-Men nº169 (maio de 1983). Inicialmente pacífica, ao longo dos anos a comunidade acabaria no entanto por envolver-se em diversos incidentes com a sociedade da superfície.Calisto, Caliban, Masque e Talho (Sander, na versão original) foram os seus fundadores. Tanto este quarteto como os demais Morlocks foram, porém, produtos da bioengenharia executada pelo Fera Negro, a contraparte malévola do Fera proveniente da Era do Apocalipse.

Quem eram os Carrascos?

  Criação conjunta de Chris Claremont e John Romita Jr., os Carrascos (Marauders, em inglês) entraram em cena pela primeira vez em outubro de 1986, nas páginas de Uncanny X-Men nº210, precisamente no âmbito de Massacre de Mutantes. Cronologicamente, a origem da equipa remonta, no entanto, à época vitoriana, quando o Senhor Sinistro ainda respondia pelo nome Nathaniel Essex.

Senhor Sinistro, autor moral da carnificina. 

  Essa versão primitiva dos Carrascos era composta por criminosos comuns contratados por Essex para raptarem indigentes que lhe serviriam depois de cobaias nas suas tenebrosas experiências genéticas.
  Na sua encarnação moderna, o grupo reúne assassinos mutantes a soldo do Senhor Sinistro. Era este o seu elenco durante a saga:

- Maré Selvagem (Riptide): Janos Questad era capaz de girar o seu corpo a supervelocidade e arremessar shurikens em todas as direções, provocando fortes danos nos seus alvos. Foi a primeira baixa da equipa, ao ter o seu pescoço partido por um enfurecido Colossus;
- Dentes-de-Sabre (Sabretooth): Victor Creed, velho conhecido dos X-Men com poderes similares aos de Wolverine (sentidos aguçados, fator de cura acelerado, força ampliada, etc.);
- Arco Voltaico (Arclight): Philipa Sontag possui a habilidade de desencadear ondas de choque que podem assumir a forma de pequenos sismos localizados ou de vagas de água. Serviu nas fileiras do Exército americano durante a Guerra do Vietname, sendo ainda assombrada por essas memórias. Nutria um discreto interesse romântico pelo Caçador de Escalpos;
- Embaralhador (Scrambler):  benjamim do grupo, o sul-coreano Kim Il Sung consegue, através do toque, manipular poderes e sistemas, sejam eles biogenéticos, eletromagnéticos ou tecnomecânicos. É retratado como um psicopata sádico e narcisista, mais preocupado com a sua aparência do que com o sofrimento que inflige às suas vítimas ;
- Maligna (Malice): uma das lugares-tenentes do Senhor Sinistro, tinha o poder de possuir os corpos das suas vítimas, controlando-as a seu bel-prazer. Ao longo de grande parte da saga usou o corpo da  antiga X-Man Polaris como invólucro para a sua forma fantasmagórica. Devido à sua desobediência, seria aparentemente assassinada pelo seu empregador;
- Arrasa-Quarteirão (Blockbuster): Michael Baer era um gigante alemão dotado de força descomunal. Antes de se juntar aos Carrascos, colaborara com organizações terroristas no seu país natal. Apesar do seu nível de poder, foi morto por um único golpe desferido por Thor com o seu Mjolnir;
- Caçador de Escalpos (Scalphunter): John Greycrow, um cruel mercenário que é também o estratega da equipa. Reponde apenas perante Maligna ou reporta diretamente ao Senhor Sinistro. A sua habilidade mutante consiste em reconfigurar qualquer dispositivo tecnológico numa arma. Dispõe igualmente de extraordinárias capacidades regenerativas que lhe retardam o envelhecimento. Foi graças a elas que sobreviveu ao fuzilamento de que foi alvo em 1944, depois de ter chacinado e escalpado oito companheiros de armas;
- Vertigo: detém a habilidade de induzir psionicamente vertigens nos seus oponentes, deixando-os desorientados ou derrubando-os;
- Prisma (Prism): assassino altivo e frio que subestima frequentemente a fragilidade do seu corpo cristalino, o qual pode defletir a maior parte dos ataques energéticos mas não resiste a impactos físicos;
- Arpão (Harpoon): Kodiak Noatak, um jovem índio que pode carregar objetos(geralmente a arma de arremesso de onde retira o seu codinome) com bioenergia. Os efeitos causados nos seus alvos podem ir desde o simples atordoamento à eletrocussão.

Os Carrascos (pela ordem acima apresentada).


Qual a relação entre os X-Men e o X-Factor?




  Nos seus primórdios, o X-Factor (grupo idealizado por Bob Layton e Jackson Guice) agrupava o quinteto fundador dos X-Men:

- Homem de Gelo (Iceman): o irreverente Bobby Drake foi agraciado com habilidades criocinéticas que lhe permitem manipular o gelo e a neve congelando a humidade presente no meio ambiente;
- Garota Marvel (Marvel Girl): poderosa telepata dotada de telecinesia, a ressuscitada Jean Grey mantinha há muito uma relação amorosa com Ciclope;
- Ciclope (Cyclops): líder do grupo, Scott Summers nasceu com a capacidade de emitir potentes rajadas óticas;
- Fera (Beast): uma das mais prodigiosas mentes científicas do planeta, Hank McCoy possui força, agilidade e velocidade sobre-humanas. Depois de largos anos com uma aparência animalesca, Hank recuperou o seu aspeto humano;
- Anjo (Angel): herdeiro de uma das maiores fortunas dos EUA, Warren Worthington III consegue voar graças ao enorme par de asas brancas com que nasceu.
O batismo de fogo da equipa em X-Factor nº1 (fevereiro de 1986).

Enredo: Em Los Angeles, a jovem mutante chamada Tommy e o seu namorado do Clube do Inferno, Richard Salmons, são atacados pelos misteriosos Carrascos. Tommy era uma ex-Morlock que  fugira dos túneis subterrâneos nova-iorquinos na sequência da morte de alguns amigos seus às mãos de membros dessa bizarra comunidade. Resgatada por Salmons e acolhida pelo Clube do Inferno, Tommy mudou-se pouco tempo depois para a Costa Oeste
  Ameaçando matar Salmons, os Carrascos obtêm de Tommy a localização exata dos Morlocks no subsolo da Cidade Que Nunca Dorme. Na posse dessa informação, o grupo empreende uma brutal e metódica carnificina que vitima centenas de Morlocks antes da chegada separada de X-Men e X-Factor.
  Essa descoordenação das duas equipas de heróis mutantes resulta em pesadas baixas nas fileiras de ambas. Entre os X-Men, Colossus, Lince Negra e Noturno são feridos com gravidade. Do lado do X-Factor, Anjo é crucificado e deixado para morrer. Também eles encurralados pelos Carrascos, os restantes membros da equipa escapam a destino idêntico (ou pior) graças à intervenção de Thor e do Quarteto Futuro.

Anjo martirizado.

  Chegados entretanto ao palco do massacre, os Novos Mutantes são destacados pelos X-Men para uma missão de busca e  resgate de eventuais sobreviventes. Acabam, no entanto, a lutar pela própria sobrevivência no gigantesco labirinto subterrâneo.
   A fim de limpar os túneis juncados de cadáveres em putrefação, o Deus do Trovão usa o seu poder para gerar uma tempestade de fogo. Ao testemunharem o fenómeno, os X-Men assumem que o dito seria obra dos Carrascos e os que os Novos Mutantes haviam perecido nele.
  Enquanto isso, Dentes-de-Sabre e Wolverine digladiam-se violentamente, com o primeiro a seguir o segundo até à Mansão X. Agindo furtivamente, o vilão consegue destruir Cérebro, o supercomputador programado pelo Professor Xavier para detetar homo superiores. É, no entanto, impedido de retomar a caça aos Morlocks quando tem a sua mente invadida por Psylocke.

O sangrento duelo de Wolverine e Dentes-de-Sabre.
  Acuado pela chegada dos restantes X-Men à Mansão, Dentes-de-Sabre corre para uma falésia próxima, lançando-se de seguida ao mar, numa desesperada tentativa de fuga. Perseguido por Wolverine nas encrespadas águas do oceano, o vilão tem a sua mente sondada por Psylocke antes de conseguir escapulir-se. É assim que os X-Men ficam a saber quem esteve por detrás de tudo: ninguém menos do que o Senhor Sinistro.
 Vinte anos antes, o Fera Negro chegara ao nosso mundo e usara a tecnologia do Senhor Sinistro para criar os Morlocks. Ao tomar conhecimento disso, Sinistro não descansou enquanto não eliminou esse material genético não autorizado. Tendo sido, portanto, esse o seu aterrador móbil para ordenar o massacre.
  Mais aterradora é, porém, a descoberta de que um X-Man -  Gambit - fora responsável pelo recrutamento dos Carrascos.

Gambit, um mutante de passado nebuloso.

Consequências: 

* Pregado à parede por Arpão e Arrasa-Quarteirão, Anjo sofreu ferimentos gravíssimos nas suas asas,que lhe foram posteriormente amputadas devido à gangrena que nelas alastrava. Tempos depois, o herói ganharia um par de asas tecno-orgânicas, cortesia de Apocalipse que dessa forma iniciava a sua transformação num dos seus quatro cavaleiros. Desse momento em diante, Anjo daria lugar ao Arcanjo;
* Presa na sua forma imaterial enquanto salvava Vampira de Arpão, Lince Negra sofreu uma deterioração a nível molecular que colocou em risco a sua vida. Seria salva in extremis graças aos esforços combinados de Reed Richards e do Doutor Destino;
* Ferido pelos shurikens de Maré Selvagem, Colossus ficou temporariamente tetraplégico após Magneto usar os seus poderes para reparar os danos causados na couraça metálica do herói;
* Já bastante maltratado na sequência do seu duelo com Nimrod, Noturno foi deixado em coma depois de defrontar Maré Selvagem;
* Wolverine descobriu que Jean Grey estava viva após farejar o seu odor nos túneis mas decidiu não partilhar essa informação com os restantes X-Men;
* Quando estava prestes a ser executada a sangue-frio por Arpão, a Morlock Praga foi salva por Apocalipse que a escolhera para ser o seu cavaleiro da Pestilência;
* Outro Morlock, Masque, assumiu a liderança dos sobreviventes da comunidade, depois de reinstalada nos túneis subterrâneos de Nova Iorque na esteira dos eventos ocorridos em Inferno (saga já aqui revisitada). Usaria no entanto a sua habilidade mutante de manipular a derme para desfigurar todos os seus pares. Circunstância que resultou num ensandecimento coletivo;
* Gambit foi temporariamente banido dos X-Men após a revelação de que fora ele quem recrutara os Carrascos.

De cabeça perdida, Colossus tira a vida a Maré Selvagem.

Vale a pena ler?

  Embora sem o virtuosismo de outras sagas dos X-Men escritas por Chris Claremont, Massacre de Mutantes merece, sobretudo pelas suas implicações futuras, um lugar de destaque na memorabilia do grupo. A meio caminho entre o épico dramatismo da Saga da Fénix Negra (1980) e o dantesco surrealismo de Inferno (1989), Massacre de Mutantes consegue, ainda assim, ser impactante. Residindo a sua maior força, ironicamente, no fracasso dos heróis em salvarem as vítimas da matança sistemática ordenada pelo Senhor Sinistro.
 Dentre os vários elementos macabros que pautam o enredo, este é, inquestionavelmente, o mais perturbador. Em última análise, não há como negar a evidência de que, contrariando os preceitos morais subjacentes a narrativas deste jaez, os heróis saem derrotados. Não só porque se revelam incapazes de impedir a carnificina em curso, mas também em virtude das pesadas baixas que lhes são infligidas pelos seus oponentes.
   Na memória dos leitores ficará para sempre gravada a crucificação de Anjo nos esgotos nova-iorquinos. Pungente metáfora para a intrínseca maldade humana que leva a nossa espécie a martirizar símbolos de bondade e esperança.
  Outra lança espetada no flanco dos heróis foi a traição de um dos seus. Qual Judas mutante, Gambit tem expostos os seus pecados pretéritos sendo, por isso, sentenciado ao ostracismo. Colossus, por sua vez, mancha as mãos de sangue ao matar Maré Selvagem. As profundas cicatrizes deixadas pelo conflito com os Carrascos são, pois, tanto físicas como emocionais.
 Ao optar por um registo mais sombrio e violento do que o habitual, Claremont assumiu-se como precursor de uma tendência que nos anos 90 prevaleceria nos comics. Época em que prosperou o conceito do anti-herói dotado de moral enviesada e adepto de métodos brutais.
 Depois de Massacre dos Mutantes os leitores deixaram de dar por garantidos os finais felizes nas histórias dos X-Men. Intuindo ao mesmo tempo que algo de mais sinistro ganhava forma no horizonte.
 Desaconselhável para leitores sensíveis, esta é uma daquelas sagas que deleitará os que apreciam a atmosfera lúgubre que caracteriza atualmente as aventuras (e desventuras) dos super-heróis nos quadradinhos (e, sobretudo, fora deles).
 

   

sexta-feira, 6 de março de 2015

DO FUNDO DO BAÚ: «INFERNO»




  Nova Iorque infestada de demónios. Almas corrompidas. Rituais sacrificiais com recém-nascidos. Os portões do Inferno abertos de par em par numa saga dantesca com a assinatura de Chris Claremont.

Título original: Inferno
Ano: 1988/89
Licenciadora: Marvel Comics
Autores: Chris Claremont, Steve Engelhart, Gerry Conway, Ann Nocenti, Louise Simonson e David Michelinie (história); Walter Simonson, Jon Bogdanove e Terry Austin (arte)
Histórico de publicação (EUA): New Mutants #71-73; Uncanny X-Men #239-243; X-Factor #35-39; X-Terminators #1-4; Excalibur #6-7; Avengers #298-300; Daredevil #262,263 e 265; Power Pack #42-44; Cloak and Dagger (vol.3) #4; Fantastic Four #322-324; Spectacular Spider-Man #146-148; Web of Spider-Man #47-48; The Amazing Spider-Man #311-313; X-Factor Annual #4 (títulos publicados originalmente entre outubro de 1988 e agosto de 1989).

O nascimento de Nathan Summers anunciado em X-Men #241 (1989).
Histórico de publicação (Brasil): X-Men nº 46 a 49 (agosto a novembro de 1992) e Homem-Aranha nº 110 a 112 (agosto a outubro do mesmo ano). A interligação entre estes dois títulos da Abril (ambos referentes às respetivas primeiras séries lançadas pela editora) decorreu da possessão demoníaca que investiu o Duende Macabro (Hobgoblin em Inglês) de poderes sobrenaturais durante a saga. Finda a mesma, a entidade abandonaria o seu hospedeiro, transformando-se no Duende Demoníaco.

Um duende ainda mais macabro.

Equipas mutantes envolvidas:

* X-Men: À época formada por Cristal, Longshot, Destrutor, Wolverine, Vampira, Psylocke e Colossus, a equipa era liderada por Tempestade e operava a partir de uma base secreta localizada no deserto australiano. Para o mundo, os heróis mutantes estavam mortos, facto que lhes conferia uma vantagem tática;
*X-Factor: Designação adotada pelos X-Men fundadores (Ciclope, Anjo, Fera. Homem de Gelo e Garota Marvel) após o ressurgimento desta última;
*Novos Mutantes: Alunos do Instituto Xavier e potenciais X-Men do futuro, contavam nas suas fileiras com Míssil. Lupina, Mancha Solar, Miragem, Magia e Warlock. Durante a saga, a alienígena Gosamyr também colaborava com o grupo;
*Exterminadores: Rictor, Dinamite, Rusty, Skids e Taki Matsuya (ocasionalmente acompanhados por  Artie e Sanguessuga, dois pequenos mutantes)

 Novos Mutantes, uma das equipas X em destaque na saga.

Enredo: S'ym e Nastirth, dois hediondos demónios do Limbo, planeiam uma invasão em larga escala da Terra. Plano que tem em Illyana Rasputin (membro dos Novos Mutantes e irmã mais nova de Colossus) o seu principal instrumento, visto que o poder da jovem lhe permite abrir uma passagem entre o nosso mundo e a dimensão infernal.
   Durante uma curta paragem dos Novos Mutantes no Limbo, Nastirth conjura um feitiço bloqueador das habilidades de teletransporte de Illyana. Ficando assim a equipa à mercê de S'ym que, ansioso por consolidar o seu domínio sobre aquele reino dantesco, assumira o controlo das hordas demoníacas que o povoam.
  Manipulada por Nastirth, Illyana acede ao pedido deste para que liberte o seu poder demoníaco, pois somente dessa forma ela conseguirá regressar em segurança à Terra na companhia dos seus amigos. Quando a jovem abre um portal com ligação a Manhattan, Nastirth apressa-se a lançar um feitiço que o mantém aberto, permitindo assim a passagem do seu exército infernal. O que só se tornou possível graças ao supercomputador construído por Taki Matsuya (um dos Exterminadores), raptado tempos antes por Nastirth.



S'ym  (em cima) e Nastirth: duarquia infernal.

   Vingadores, Quarteto Fantástico, Quarteto Futuro, Homem-Aranha e Demolidor formam a primeira linha de defesa face à invasão, desbaratando um considerável número de demónios. Um dos quais possui o Duende Macabro, usando-o como hospedeiro e dotando-o de poderes sobrenaturais.
  Em meio ao caos e à loucura instalados, um pouco por toda a cidade objetos inanimados adquirem vida própria, atacando e devorando pessoas. Foi o que aconteceu com grande parte dos motoristas de autocarro de Manhattan, comidos pelos veículos que conduziam, ou sendo eles próprios transformados em medonhos demónios. No caso do metropolitano, todas as linhas em funcionamento passaram a ter o Inferno como destino final. Em ambos os casos, porém, os nova-iorquinos, enfeitiçados por Nastirth, continuam a usar voluntariamente esses meios de transporte no seu quotidiano.

Inferno na Terra.
   Nastirth sela entretanto um pacto com Madelyne Pryor: em troca da localização do seu filho Nathan e da morte dos Carrascos às mãos dos X-Men, o demónio reivindica a criação de uma ponte permanente entre o Limbo e a Terra. Para cumprir a sua parte no acordo, Nastirth invade e modifica o sistema informático utilizado pelos heróis mutantes, de modo a que estes o possam usar para localizar os Carrascos. De seguida, por intermédio de outro dos seus encantamentos,o demónio infunde os pupilos de Xavier de uma inaudita ferocidade, traduzida numa incontrolável sede de sangue.
  Tomando de assalto o reduto dos Carrascos, os X-Men chacinam a quase totalidade do contingente adversário. Graças à proteção conferida pelo aço orgânico que lhe recobre o corpo, apenas Colossus se mantém imune ao sortilégio que transformou os seus camaradas em assassinos de sangue frio.No entanto, ao interiorizar o que sucedeu à sua irmã, o mutante russo rapidamente conclui que a única forma de libertar os demais X-Men da perniciosa influência de Nastirth será salvá-la.
   Cumprindo a segunda parte do acordo entre ambos, Nastirth  liberta Nathan Summers do laboratório do Senhor Sinistro, onde Madelyne Pryor descobre ser, afinal, um clone de Jean Grey.
  Com o seu plano coroado de êxito, S'ym e Nastirth iniciam uma brutal disputa pelo comando das hordas demoníacas e, por inerência, pelo governo do Limbo e da Terra. Quando o primeiro estás prestes a levar a melhor, o segundo, numa jogada desesperada, permite ser infetado pelo Vírus Tecno-orgânico. Devido às alterações que este lhe induz no organismo, o demónio funde-se ao supercomputador criado por Taki Matsuya. Em consequência disso, Nastirth tem exponencialmente amplificados os seus poderes  mágicos, iniciado de seguida a construção de uma ponte permanente entre o Limbo e a Terra, sem a ajuda de Madelyne Pryor. Antes, porém, que o processo esteja terminado, Taki destrói a máquina. Reduzido a cinzas pela explosão daí resultante, Nastirth tem o seu organismo instantaneamente reconstituído pela ação do Vírus Tecno-orgânico.
  Entrementes, a muitos quilómetros de distância, Colossus encontra a sua irmã Illyana e fica horrorizado com a sua grotesca aparência. Tendo sucumbido totalmente ao seu lado demoníaco, a jovem apresenta-se agora com cornos, pés de cabra e uma cauda bífida. Envergonhada pela reação de repulsa que suscitou no irmão, Illyana voa para o Limbo disposta a pôr um ponto final no reinado infernal de S'ym e Nastirth na Terra. Bastará, para isso, que assuma o governo da dimensão maldita. É, contudo, dissuadida destes seus intentos pela sua colega de equipa, Lupina. Em vez disso, Illyana renuncia ao seu poder demoníaco, criando um gigantesco vórtice que arrasta a maior parte dos demónios (incluindo S'ym) de volta ao Limbo. De seguida,  a jovem mutante usa a sua Espada das Almas para selar o portal. Quando a poeira assenta, os Novos Mutantes encontram uma menina de sete anos dentro da armadura sobrenatural usada por Illyana.

Illyana Rasputin e a sua Espada de Almas.

  Apesar de as ações de Illyana terem resultado no banimento das hordas demoníacas para o Limbo, Nastirh permanece no nosso mundo e os objetos e pessoas possuídos não voltaram ao seu estado normal.
  Graças aos esforços combinados dos X-Men e do X-Factor, Nastirth é finalmente destruído. No entanto, Madelyne Pryor mantém ativo o feitiço conjurado pelo demónio enquanto ameaça matar o próprio filho num ritual sacrificial para reabrir o portal entre a Terra e o Limbo. Depois de ter forçado um vínculo telepático com Jean Grey, a autointitulada Rainha dos Duendes mostra à sua gémea o filme completo da sua vida, incluindo a descoberta feita no laboratório do Sr. Sinistro.
  Quando, depois de romperem as defesas místicas da Rainha dos Duendes, os X-Men e o X-Factor resgatam o pequeno Nathan, a vilã, movida pelo desejo de vingança, prepara-se para pôr termo à própria vida arrastando Jean Grey consigo. Todavia, numa amarga ironia, a centelha de poder da Força Fénix que lhe concedera vida transfere-se para o corpo de Jean, permitindo-lhe assim salvar-se. Com a morte de Madelyne, Nova-Iorque volta imediatamente à normalidade.
 Apesar disso, devido ao vínculo telepático que unira a mente de ambas, uma reminiscência da personalidade de Madelyne transfere-se para Jean, imbuindo-a de um desejo de vingança relativamente ao Sr. Sinistro, a quem culpa por todo o seu sofrimento. Aproveitando a ausência de Magneto para combater a invasão, o Sr. Sinistro apoderara-se do Instituto Xavier. Ciente da vinda dos X-Men e do X-Factor, o vilão espera que os heróis mutantes adentrem o edifício para, de seguida, detonar cargas explosivas. Embora soterradas, ambas as equipas saem ilesas. No final, Ciclope incinera o Sr. Sinistro com uma das suas devastadoras rajadas óticas. Ninguém acredita, contudo, que essa seja a última vez que terão de lidar com o vilão.
  A despeito de toda a destruição e morte causadas pelo Inferno, muitos sobreviventes humanos estão absolutamente convencidos de que tudo não passou de uma alucinação coletiva.

Mãe desnaturada.
Repercussões: Conquanto o seu escopo tenha abrangido diversas personagens do universo Marvel além dos X-Men e seus subsidiários, as consequências de Inferno refletiram-se essencialmente nos heróis mutantes envolvidos na saga. A saber:

* A revelação de que Madelyne Pryor era, de facto, um clone de Jean Grey produzido pelo Sr. Sinistro para obter o mutante perfeito através da mescla dos genomas de Ciclope e da Garota Marvel. Processo de que resultou o nascimento de Nathan Summers (o mutante futuramente notabilizado como Cable);
*A primeira evidência da real amplitude e perigosidade das maquinações do Sr. Sinistro (até então um vilão subestimado);
*O reencontro entre os X-Men e o X-Factor, afastados em virtude de um conjunto de mal-entendidos;
* A reversão de Illyana Rasputin para a idade de sete anos;
* A contaminação do Limbo pelo Vírus Tecno-orgânico;
* A dissolução dos Exterminadores, cuja maior parte dos membros transitou para os Novos Mutantes;
* A morte de Madelyne Pryor

Sequelas: Sob o título X-Infernus, entre fevereiro e maio de 2009, foi publicada nos EUA uma minissérie mensal em quatro fascículos, tendo como protagonista Magia (codinome entretanto adotado por Illyana Rasputin). Escrita por C.B. Cebulski e com esboços de Giuseppe Camuncoli, a história retrata os esforços de Colossus para resgatar a sua irmã do Limbo.
  Uma segunda sequela, Fall of the New Mutants, chegou às bancas norte-americanas um par de anos depois. Desta feita, o foco narrativo centrava-se no Projeto Purgatório, uma sigilosa operação governamental que consistia em usar mutantes recém-nascidos para abrir um portal de acesso ao Limbo. Objetivo: usar a dimensão infernal como base para um exército secreto. Uma vez mais, Illyana Rasputin foi uma peça-chave em toda a trama.

O regresso dos X-Men originais, agora como X-Factor.

Índice de boa leitura: 78%

   Em muitos aspetos, Inferno retrata os X-Men no seu pior: demasiadas personagens, demasiados enredos secundários, demasiadas pontas soltas. Mas essas são, por outro lado, algumas das idiossincrasias que tornam tão empolgantes as estórias dos Filhos do Átomo.
 Mercê do cariz burlesco da sua trama (objetos comuns transformados em demónios; demónios transformados em robôs; uma vilã seminua postada no cimo de um arranha-céus ameaçando sacrificar o seu próprio bebé), a saga converte-se a espaços ela própria numa divertida paródia  ao universo X.
 Numa análise mais aprofundada, Inferno poderá ser perspetivada como um repositório de tormentos pessoais, materializados nas consequências das escolhas e ações realizadas pelos seus principais protagonistas. Sendo o exemplo mais ilustrativo o de Madelyne Pryor, uma mulher despeitada devido ao facto de ter saído a perder do triângulo amoroso com Scott Summers e Jean Grey, formado após o regresso desta última ao mundo dos vivos. Como qualquer mulher nessa posição, Madelyne teve no desejo de vingança a sua força motriz. Todos os seus atos foram, pois, condicionados por esse sentimento tão pungentemente humano.

Um trágico triângulo amoroso.

  Qualquer empatia sentida pelos leitores relativamente à angústia de Madelyne (a par de Illyana Rasputin, uma das pedras angulares da trama) acaba, todavia, por desvanecer-se no desfecho da história, quando ela assume de bom grado os efeitos negativos decorrentes do poder de que foi imbuída.
  Vista desse ângulo, Inferno afigura-se, em certa medida, como uma sequela da Saga da Fénix Negra, escrita pelo mesmo Chris Claremont, quase uma década antes. Usando uma réplica perfeita de Jean Grey (até então sem grande importância na continuidade dos X-Men), Claremont revisita a questão de como reagiria a heroína mutante a uma súbita exposição a um poder desmesurado.
  Nesse sentido, Inferno surge quase como uma realidade alternativa onde é explorada a premissa do que aconteceria caso Jean Grey abdicasse da sua humanidade em prol do poder semidivino de que é portadora. Claremont tem, no entanto, o cuidado de não brindar os leitores com uma narrativa requentada, optando por promover o distanciamento emocional destes em relação à personagem.Que surge na trama investida da função de principal catalisador narrativo.
  Metódico como é seu apanágio, Claremont burilou a trama com a precisão e paciência de um cultivador de bonsais. As sementes para o clímax de Inferno foram sendo plantadas desde a primeira aparição de Madelyne Pryor, cerca de 80 edições antes. A colheita, essa, não podia ter sido mais auspiciosa.
 



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

GALERIA DE VILÕES: SENHOR SINISTRO



   Na Inglaterra vitoriana, um excêntrico geneticista obcecado com as teorias darwinistas aceita tornar-se acólito de Apocalipse. Surgiu assim o Senhor Sinistro, cujo grau de poder e de perversidade fazem dele um dos mais temíveis arqui-inimigos dos X-Men.

Nome original da personagem: Mister Sinister
Primeira aparição: Uncanny X-Men #221 (setembro de 1987)
Criadores: Chris Claremont (história) e Marc Silvestri (arte)
Licenciadora: Marvel Comics 
Identidade civil: Nathaniel Essex
Local de nascimento: Londres, Reino Unido
Parentes conhecidos: Mary Essex (mãe), Rebecca Essex (esposa falecida), Adam Essex (filho falecido), Claudine Renko (filha clonada), N2, Hans, Xraven e Madelyne Prior (criações)
Filiação: Ex-membro do Projeto Arma X e da Academia Real das Ciências de Londres; líder e fundador dos Carrascos; líder dos Cavaleiros de Apocalipse;
Base de operações: O Sr. Sinistro tem à sua disposição uma vasta rede de bases secretas espalhadas pelo globo
Armas, poderes e habilidades: Em consequência da bioengenharia nele operada por Apocalipse, o Sr. Sinistro possui um amplo espectro de poderes e habilidades. Ao longo dos anos, o vilão tem também usado material genético de mutantes para obter  dons adicionais aos que lhe foram concedidos pelo seu mentor. Dentre esse impressionante cardápio destacam-se os seguintes:

- controlo molecular do seu corpo (permitindo-lhe assumir qualquer forma que desejar);
- fator de cura acelerada (graças ao qual regenera, quase instantaneamente, ossos quebrados ou tecidos orgânicos danificados);
- força, velocidade, resistência e durabilidade sobre-humanas;
- telepatia (a que recorre para projetar os seus pensamentos a distâncias consideráveis, bem como para controlar mentalmente outros indivíduos, quando na sua presença);
- telecinesia (que usa para levitar e manipular psionicamente pessoas, objetos e determinados tipos de energia);
- rajadas concussivas (que tanto podem ser disparadas pelas suas mãos, olhos ou pela marca em forma de diamante que lhe adorna a testa);
- campos de força (poderosos o suficiente para, quando erguidos pelo vilão, repelirem ataques de natureza diversa);
- imortalidade (embora relativa, esta característica advém da imunidade do Sr. Sinistro a doenças e aos efeitos do envelhecimento, somada ao seu fator de regeneração acelerada)

   Complementarmente a tudo isto, o Sr. Sinistro, além de um bem treinado combatente, possui um intelecto superior. Geneticista supremo, é igualmente um exímio cirurgião e engenheiro mecânico.

Um vilão saído de um pesadelo distorcido.


Fraquezas: Residem em alguns traços da sua personalidade as maiores fraquezas do Sr. Sinistro. Desprovido de emoções ou sentimentos, não olha a meios para atingir os seus fins. Assume-se, porém, em primeiro lugar, como um cientista apostado em criar condições para que a humanidade atinja todo o seu potencial. Razão pela qual, num punhado de ocasiões, se aliou aos heróis para neutralizar qualquer ameaça que prejudicasse esse desígnio.
   Arrogante e prepotente, espera sempre total obediência às suas diretivas. O que, obviamente, nem sempre acontece. Por desprezar o trabalho sujo, Sinistro prefere manobrar a partir das sombras. Facto que acaba frequentemente por comprometer os resultados dos seus maquiavélicos planos.

Planos sinistros de uma mente diabólica.

Histórico de publicação: Cansado de usar sempre Magneto, ora sozinho ora adjuvado pela sua Irmandade de Mutantes, como principal antagonista dos X-Men,  em meados dos anos 1980, o escritor Chris Claremont decidiu conceber um novo e poderoso vilão para as histórias dos Filhos do Átomo.
   Na sequência de diversas reuniões com Dave Cockrum (desenhador e cocriador de alguns dos X-Men de segunda geração, falecido em 2006), vingou a ideia de criar um vilão cuja aparência sinistra seria por si só suscetível de infundir medo aos seus oponentes. Um passado enigmático e um elevado nível de poder foram os outros dois ingredientes da receita que serviu de base à conceção daquela que se tornaria uma personagem ímpar nos meandros do Universo Marvel.
   A primeira referência ao Senhor Sinistro foi feita por Dentes-de-Sabre em Uncanny X-Men #219 (julho de 1987). No decurso da saga Mutant Massacre (Massacre dos Mutantes, publicado na 1ª série de X-Men da Abril), o estrante vilão foi identificado como o líder dos Carrascos (Marauders no original), a quem ordenara a chacina dos Morlocks que habitavam os túneis subterrâneos de Nova Iorque. Na edição seguinte, a X-Man Psylocke captaria telepaticamente uma imagem difusa do Sr. Sinistro na mente do Dentes-de-Sabre.
  Seria, no entanto, preciso esperar mais um mês para, nas páginas de Uncanny X-Men #221, Sinistro fazer enfim a sua triunfal primeira aparição.

A estreia de Sr. Sinistro não mereceu destaque na capa de Uncanny X-Men #221 (1987).

  Ainda com poucos detalhes conhecidos acerca da sua origem, Sinistro desempenharia um papel proeminente em Inferno (saga dos X-Men publicada originalmente no biénio 1988-89). Sendo então revelado que o vilão clonara Madelyne Pryor a partir de Jean Grey, com o propósito de que ela concebesse um filho em conjunto com Ciclope. Este, por sua vez, ficaria a saber que fora manipulado desde a infância por Sinistro.  
   No culminar de uma batalha travada com os X-Men e o X-Factor, o Sr. Sinistro seria aparentemente morto por uma rajada ótica de Ciclope.
    Sem grande surpresa o vilão, reapareceria, em 1992, nas páginas de X-Factor, determinado a infernizar a equipa de heróis mutantes composta pelos X-Men originais. Quatro anos volvidos, em 1996, a sua origem seria finalmente revelada em The Further Adventures of Cyclops and Phoenix (As Aventuras de Ciclope e Fénix, minissérie editada nesse mesmo ano no Brasil pela Abril). Dentre as várias revelações bombásticas vindas então a lume, destacava-se a descoberta de que o Sr. Sinistro seria na realidade um geneticista do século XIX que fizera um pacto com o mutante Apocalipse para se tornar virtualmente imortal. Foi igualmente convencionado que Sinistro criara Nathan Summers (o viajante temporal conhecido como Cable, filho de Ciclope e Madelyne Pryor) para derrubar Apocalipse.
   Já este século, foi também finalmente revelada a ligação existente entre o Sr. Sinistro e o antigo X-Man Gambit. Durante o Massacre dos Mutantes, o mutante francês fizera parte dos Carrascos, guiando-os através dos túneis subterrâneos até ao santuário dos Morlocks. Recebendo agora do seu ex-patrono o composto químico que neutralizava a mutação genética induzida pelos Skrulls como parte do seu plano de infiltração na Terra.

Antes de se unir aos X-Men, Gambit serviu o Sr. Sinisto.
   Depois de ter escapado uma vez mais à morte, transferindo a sua consciência e poderes para uma máquina que deveria garantir a sua ressurreição -  se não fosse pela sabotagem levada a cabo por Gambit e Sebastian Shaw -, o Sr. Sinistro desapareceu sem deixar rasto. No seu lugar surgiria então uma sua versão feminina. Crismada de Senhorita Sinistra (Miss Sinister em Inglês),  tratava-se na realidade de um clone produzido pelo vilão para dar  continuidade ao seu legado. Temporariamente usada como hospedeira do seu criador, a Senhorita Sinistra acabaria imolada para que ele ressuscitasse.

A Senhorita Sinistra teve vida curta.

   Adotando o visual de um aristocrata vitoriano,  nos últimos anos o Sr. Sinistro recuperou protagonismo no Universo Marvel. Durante o arco de histórias Avengers versus X-Men (Vingadores versus X-Men, minissérie publicada pela Panini Comics no Brasil em 2013) foi revelada a existência de uma cidadela subterrânea construída pelo vilão sob São Francisco. Habitada exclusivamente por clones do próprio, bem como de outros mutantes célebres, como Dentes-de-Sabre, Ciclope ou Mística, era uma réplica quase exata da Londres do século XIX, que  Sinistro considerava o expoente máximo de civilização. Tanto a cidadela como os seus habitantes seriam. contudo, incinerados pela Força Fénix, depois de Sinistro  ter tentado capturar a entidade para usar o seu imensurável poder em proveito próprio.
 Sobrevivendo ao desastre, Sinistro ressurgiu recentemente na Latvéria (nação fictícia governada pelo Doutor Destino), apostado em assenhorar-se das amostras genéticas de Loki em posse de Victor Von Doom. Objetivo: clonar o Deus da Trapaça para o usar como servo. Veria, no entanto, os seus planos frustrados pela intervenção de uma versão púbere do próprio Loki.

Nathaniel Essex (Earth-616) from Marvel War of Heroes 001
Primus inter pares.
      
Biografia: Devido ao seu envolvimento em assuntos relacionados com os mutantes, o Senhor Sinistro é frequentemente tomado por um. Tendo inclusivamente sido classificado como mutante de Nível Alfa, grau que preside à escala de poder dos homos superior. Trata-se, todavia, de um humano geneticamente modificado por intermédio de sofisticadas técnicas de bioengenharia.
  Quando criança, ao visitar uma das zonas abastadas de Londres, Nathaniel Essex ficou fascinado com o aspeto saudável e elegante dos transeuntes que por lá passeavam. Aos seus olhos tratavam-se de exemplos de pureza genética, predestinados a contribuírem para a evolução da humanidade.
  À medida que os anos passavam, crescia a sua obsessão pelas teorias evolucionistas de Charles Darwin. O jovem Essex considerava, no entanto, que o autor de A Origem das Espécies  estava demasiado espartilhado por princípios ético-morais. Por conseguinte, em 1859, recém-doutorado em Biologia, Essex apresentou à comunidade científica as suas revolucionárias teorias genéticas. Consistindo o seu maior sonho no aprimoramento da espécie humana por via da manipulação genética.
   Embora reconhecido  por muitos dos seus pares como o maior génio científico da sua geração, as teses de Essex foram consideradas excessivas e radicais. Fazendo dele um homem perigoso aos olhos de outros. Nada que o demovesse de aprofundar a sua pesquisa. A qual ganhou novo impulso após a morte do seu filho de quatro anos, Adam Essex, em resultado de diversas malformações congénitas, mormente ossos quebradiços e hemofilia.

Nathaniel Essex 0001
 Dr. Nathaniel Essex, um evolucionista radical. 
   Ateu convicto, Essex depositava uma fé cega nos postulados de Darwin, acreditando, com fervor religioso, que a humanidade se encontra em permanente mutação devido à ação do que ele designou por Fatores Essex no genoma dos homos sapien. Sustentava também que, na descendência de certos espécimes geneticamente superiores, esses elementos serviriam, no espaço de aproximadamente um século, de catalisadores para um enorme salto evolutivo em alguns ramos da espécie humana. Teses impiedosamente ridicularizadas pelos outros membros da Academia Real das Ciências. Instituição de que Essex seria banido após a descoberta de que realizara secretamente experiências pouco ortodoxas.
   Para aumentar ainda mais o vexame do cientista caído em desgraça, o próprio Darwin sugeriu que Essex estaria transtornado em consequência do trauma causado pela morte do filho. Cáustico, Essex retorquiu que, se transformar-se num monstro seria o preço a pagar pelo progresso da Ciência, estaria mais do que disposto a tornar-se num.
  Depois de travar conhecimento com Cootie Tremble, Essex seria levado para o subsolo da capital britânica onde os Carrascos mantinham cativos indigentes, dementes e todo o tipo de párias da sociedade. Os quais serviriam doravante de cobaias aos seus experimentos científicos.
  Uma vez desperto, o mutante imortal En Sabah Nur (nome de batismo de Apocalipse) ordenou aos Carrascos que o levassem até ao Dr. Essex. Dominado como nunca pelas suas obsessões, este exumara o cadáver do seu filho a fim de usá-lo em mais uma das suas aterradoras experiências. Ao tomar conhecimento dessa macabra operação, Rebecca Essex, a  estarrecida esposa do cientista, deu-lhe a escolher entre o casamento de ambos ou a prossecução do seu trabalho. Apesar da gravidez de Rebecca, Essex hesitou na sua decisão.
   Abordado por En Sabah Nur, que lhe expressou o seu interesse nas pesquisas que vinha desenvolvendo, o Dr. Essex aceitaria aliar-se a ele. Mais tarde reconsideraria, porém, esta decisão.
  Disposto a renunciar à sua vida como cientista, Essex voltou para casa na expectativa de reconstruir a sua família. Apenas para descobrir que, durante a sua ausência, Rebecca libertara todas as suas cobaias, entrara em trabalho de parto prematuramente, agonizando agora, moribunda. Devastado, o cientista implorou pelo perdão da mulher que, contudo, lho negou antes do seu derradeiro suspiro. Momentos antes pronunciara palavras que se revelariam proféticas: Já não te reconheço. Aos meus olhos transformaste-te num ser sinistro.
    Essex voltaria então a procurar En Sabah Nur, comunicando-lhe que aceitava a sua proposta. Sem perda de tempo, o mutante egípcio ordenou-lhe que criasse uma praga que eliminasse a fraqueza existente no mundo, no que seria um prelúdio do nascimento de Pestilência, o primeiro dos quatro Cavaleiros do Apocalipse. Como recompensa pelo seu trabalho, Essex foi dolorosamente transformado por En Sabah Nur num ser imortal de aparência medonha e dotado de habilidades telecinéticas. A pedido do seu mestre, Essex renunciou à sua antiga identidade, assumindo o nome de Senhor Sinistro e tornando-se assim o lugar-tenente de Apocalipse.

Criado sob o signo do Apocalipse.
   Contudo, nas décadas que seguiram, temendo o poderio de Apocalipse, o Sr. Sinistro afadigou-se na sua demanda por um mutante poderoso o suficiente para fazer frente ao seu mestre. Isto enquanto continuava a coletar o ADN de incontáveis humanos e mutantes para a sua gigantesca base de dados genética.
  Por fim, Sinistro compreendeu que a combinação dos genes de Scott Summers e de Jean Grey daria origem ao mutante supremo capaz de levar a melhor sobre Apocalipse. À época, porém, Jean Grey servia de hospedeira à Força Fénix, o que a tornava incontrolável. Decorrente desse facto, o vilão produziria um clone da heroína mutante. O seu plano consistia em usar essa cópia genética para seduzir Ciclope (que Sinistro considerava um mutante superior) daí resultando um filho. Para seu grande desapontamento, o processo de clonagem foi, porém, malsucedido. Acabando o clone esquecido no seu tubo de incubação até, que anos depois, aquando da morte da Fénix Negra, uma faísca da Força Fénix lhe concedeu acidentalmente vida, renovando assim o interesse de Sinistro.

Madelyne Pryor como Rainha dos Duendes na saga Inferno.

  Recebendo do seu criador o nome de Madelyne Pryor e um conjunto de memórias falsas, o clone partiu em busca de Scott Summers com a missão de ser fecundada por ele. Daí resultando o nascimento de Nathan Summers (nome que Sinistro induziu Madelyne a escolher). E cujo poder era de tal ordem que a sua vinda ao mundo acordou Apocalipse da sua hibernação.
  Antes, porém, que Sinistro pudesse manipular o infante, Madelyne Pryor descobriu a sua verdadeira origem e traiu o seu criador, unindo-se ao demónio Nastirth após entregar o pequeno Nathan ao cuidados do pai e de Jean Grey (que, afinal, não morrera).
   Intuindo a ameaça que a criança poderia representar para ele, Apocalipse apressou-se a infetá-la com um vírus tecno-orgânico. Não restando a Scott Summers outra opção que não enviar o filho para o futuro onde seria curado, tornando-se o viajante temporal conhecido como Cable.

Cable, o predestinado verdugo de Apocalipse.
     
Noutros media: No Top 100 dos Melhores Vilões de Sempre dos Quadradinhos, organizado pelo IGN, o Senhor Sinistro quedou-se num respeitável 29º lugar. Em 2008, aquando da divulgação no site oficial da Marvel Comics da lista dos dez melhores antagonistas dos X-Men, o vilão classificou-se na 6ª posição.
 Com tão elevados índices de popularidade, não é de admirar que o Sr. Sinistro haja rapidamente extrapolado o circuito dos comics, passando a figurar em toda a sorte de merchandising associado à Casa das Ideias: séries animadas, jogos de vídeo, brinquedos, etc.
 A sua primeira incursão no pequeno ecrã verificou-se na série de animação X-Men: The Animated Series (1992-97). A exemplo da história original, o vilão surgia retratado como um cientista obcecado com a genética de Scott Summers e de Jean Grey.
 Depois de ter sido equacionada a produção de uma sua série animada a solo (projeto prontamente cancelado), o vilão marcaria presença num episódio de Wolverine and the X-Men (2009). Esta versão apresentava, porém, uma importante cambiante, com Sinistro a ser apresentado como um homo superiror em vez de um humano geneticamente modificado.
  Embora sem direito ainda a uma transposição para o cinema, Nathaniel Essex é um dos nomes contidos nos ficheiros do computador de Lady Letal invadido por Mística em X-Men 2 (2003). Há também a expectativa de que lhe sejam feitas referências no próximo filme dos heróis mutantes (X-Men: Age of Apocalypse, com estreia marcada para o próximo ano).