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sexta-feira, 4 de março de 2016

HEROÍNAS EM AÇÃO: ESTELAR




   Fez parte do fabuloso naipe de personagens propositadamente criadas pela dupla Wolfman/Pérez para impulsionar os Novos Titãs, em cujas fileiras conheceu o amor da sua vida. Princesa de um mundo paradisíaco, escolheu a Terra como lar adotivo, assim poupando o seu povo a um fatídico destino.

Nome original: Starfire
Licenciadora: DC Comics
Criadores: Marv Wolfman (história) e George Pérez (arte conceitual)
Primeira aparição: DC Comics Presents nº26 (outubro de 1980)
Identidade civil: Koriander (também conhecida, na Terra, como Kory Anders)
Espécie: Alienígena humanoide
Local de nascimento: Planeta Tamaran
Parentes conhecidos: Rei Myander (pai), Rainha Luander (mãe), Komander (irmã), Ryander (irmão), Príncipe Karras (marido falecido) e General Ph'yzzon ( segundo marido, também falecido)
Afiliação: Ex-integrante dos Novos Titãs, dos Renegados e da Liga da Justiça da América
Base de operações: Ao serviço dos Novos Titãs, Estelar operou a partir da Torre Titã (Nova Iorque) e da Ilha Titã (ao largo da costa de São Francisco). Atualmente, não dispõe de uma base de operações fixa.
Armas, poderes e habilidades: Como todos os nativos de Tamaran, a fisiologia de Koriander foi concebida para absorver a radiação ultravioleta e convertê-la em pura energia, permitindo-lhe dessa forma voar a velocidades supersónicas. Originalmente, ela conseguia usar esse poder para deslocar-se no espaço sideral. No entanto, a sua versão moderna, saída de Os Novos 52, é incapaz de fazê-lo sem os efeitos da gravidade.
   Além da capacidade de voo, o seu poder atávico confere-lhe igualmente força e resistência sobre-humanas que a habilitam a rivalizar com pesos-pesados do Universo DC, como a Mulher-Maravilha.
   Depois de ter sido submetida a experiências de bioengenharia conduzidas pelos Psions, Estelar adquiriu a capacidade de canalizar a radiação ultravioleta absorvida pelo seu organismo sob a forma de poderosas rajadas energéticas. Recentemente, já demonstrou, também, ser capaz de libertar de uma só vez toda a energia acumulada numa espécie de pequena explosão solar que a deixa completamente exaurida.
  Treinada pelos mestres guerreiros de Okaara, Estelar é uma exímia combatente, proficiente em diversas artes marciais. Dispõe ainda de outro talento inato na sua espécie: o de assimilar instantaneamente outros idiomas por via do contacto físico com os respetivos falantes. Tratando-se de representantes do sexo masculino, ela prefere desencadear o processo através de um beijo - por ser mais divertido.
Fraquezas: Emocionalmente instável, Estelar, habitualmente dócil e altruísta, tende a reagir violentamente quando se sente de alguma forma ameaçada. Na época em que fazia parte dos Novos Titãs, esses ocasionais acessos de fúria deixavam um rasto de destruição à sua volta e só eram aplacados por Dick Grayson.


Após a sua estreia em DC Comics Presents Nº26 (1980),
Estelar teve a sua origem revelada em Tales of  the New Teen Titans nº4 (1982).

Conceção: Admitindo ter empregado elementos de personagens preexistentes na conceção do visual de Estelar, George Pérez (perfil já publicado neste blogue) recorda como tudo se processou: "Baseando-me na descrição de Estelar que me foi fornecida por Marv Wolfman, deduzi que ele teria em mente uma espécie de versão espacial de Red Sonja (personagem detida pela Marvel Comics). Usei, por isso, a guerreira ruiva como principal modelo. Certo dia, porém, enquanto trabalhava nos esboços da Estelar, Joe Orlando (outro ilustrador ao serviço da DC), espreitou por cima do meu ombro e comentou que ela deveria ter o cabelo mais comprido. Achei uma excelente ideia e tratei logo de desenhá-la com uma farta juba, cujo efeito em voo foi inspirado no rasto colorido deixado pelo Mighty Mouse (personagem animada também conhecida como Super Mouse). Desta curiosa miscelânea de influências resultou uma das mais carismáticas heroínas da nona arte. .
  Importa ainda sublinhar que Estelar foi uma das três personagens propositadamente criadas pela dupla Wolfman/Pérez para lançar a nova geração de Titãs. Cyborg e Ravena foram as outras duas, ao passo que Mutano (Changeling, no original) transitou da Patrulha do Destino (Doom Patrol) para os Novos Titãs, completando assim o contingente de debutantes na rediviva série.


Red Sonja (em cima) e Mighty Mouse foram
 as duas principais inspirações para o visual de Estelar

Biografia: Localizado no longínquo sistema estelar Vegan, Tamaran é um idílico planeta governado pelas emoções. Todos os seus habitantes nascem com a capacidade de voar graças à absorção de energia solar.
  Filha do meio dos monarcas Myander e Luander, a princesa Koriander cresceu feliz e despreocupada. Tudo mudou, porém, quando foi chamada a substituir a sua irmã mais velha na linha de sucessão ao trono. Por causa de uma rara deficiência contraída na infância, Komander (vulgo Estrela Negra) perdeu a capacidade de voar, sendo, por isso, preterida no seu direito dinástico. Contrariedade que acirrou nela um profundo rancor em relação a Koriander.
   Quando as duas irmãs foram enviadas para treinar técnicas de combate corpo a corpo sob os auspícios dos mestres guerreiros de Okaara, Komander aproveitou um dos exercícios para tentar matar Koriander. Infâmia que teve como consequência a sua expulsão de Tamaran. Antes, porém, da sua partida para o exílio, Komander jurou vingança.

Komander, a malévola irmã de Koriander, 
também conhecida como Estrela Negra.

    Promessa que ganharia expressão pouco tempo depois, quando Komander forneceu informações detalhadas acerca do sistema de defesa de Tamaran aos seus arqui-inimigos da Cidadela.
   Após a capitulação de Tamaran, a princesa Koriander foi entregue pela sua irmã mais velha como escrava, servindo assim de moeda de troca para impedir a destruição do planeta. No armistício que o Rei Myander foi obrigado a celebrar com a Cidadela, incluía-se uma cláusula que proibia o regresso de Koriander a Tamaran, sob pena de desencadear novo conflito entre os dois mundos.
   Tratada como uma mercadoria, Koriander passou por vários pontos da galáxia ao longo dos anos seguintes. Anos marcados pela servidão e por todo o tipo de abusos que a mudariam para sempre.
   Quando Koriander tirou a vida a um dos seus algozes, Komander resolveu executá-la pessoalmente. No entanto, ambas foram atacadas e sequestradas pelos Psions, uma raça alienígena de cientistas sádicos, especializados em bioengenharia.
  Submetidas a sinistros experimentos científicos, as duas irmãs conseguiram escapar devido à distração causada pelo ataque das forças de Komander à base dos Psions. Usando a sua recém-adquirida capacidade de disparar rajadas energéticas, Koriander libertou Komander, que ainda estava a absorver energia. Gesto compassivo que a vilã retribuiu usando as suas novas habilidades (idênticas às de Koriander, porém mais potentes) para subjugar a irmã.
   O calvário da princesa só chegaria ao fim quando conseguiu escapar do seu cativeiro a bordo de uma espaçonave roubada. Perseguida por caças da Cidadela, Koriander entrou na órbita da Terra, onde foi recapturada. Sendo, porém, prontamente libertada graças à intervenção dos Titãs, equipa de jovens super-heróis liderada por Robin (Dick Grayson). Por quem Koriander se enamorou desde o primeiro momento em que o viu, embora essa paixão assolapada tenha demorado a ser correspondida pelo antigo Menino-Prodígio.

Jogos mortais entre irmãs nas páginas de The New Teen Titans nº23 (1982).

  Verdadeira refugiada das estrelas, impedida de regressar ao seu mundo natal, Koriander fez da Terra o seu lar adotivo e, sob o codinome Estelar, juntou-se aos Novos Titãs. Ao lado dos quais viveu inúmeras aventuras e desventuras, encontrando em Donna Troy (a Moça-Maravilha) uma irmã afetiva.
  Por conta dos seus impressionantes atributos físicos, Koriander chegou a trabalhar algum tempo como modelo fotográfico, usando o pseudónimo Kory Anders, ao mesmo tempo que dividia um apartamento com Ravena e Donna Troy.

Com os Novos Titãs, Estelar viveu dias felizes na Terra.

   À semelhança da maioria das personagens que compõem o Universo DC, Estelar teve a sua história reescrita em Os Novos 52. Na nova versão da sua origem, as manas Koriander e Komander eram inseparáveis até ao dia em que viram os seus pais serem mortos e o seu planeta devastado pela Cidadela. Entronizada com apenas 14 anos, Komander teve de vender Koriander como escrava para manter a paz com os seus inimigos.
   Após vários anos de escravidão, Koriander conseguiu escapar e regressou a Tamaran. Com a ajuda de alguns antigos companheiros de cativeiro, libertou o seu mundo natal do jugo da Cidadela. Incapaz de perdoar a irmã pelas agruras sofridas, Koriander ofereceu-se para ser embaixadora do seu povo. Missão que serviu apenas de pretexto para uma solitária peregrinação sua pelos rincões da galáxia. Jornada interrompida quando a nave em que seguia se despenhou na Terra.
  Agora conhecida como Estelar (e com um visual remodelado), Koriander envolveu-se romanticamente com Dick Grayson. Quando, por motivos ainda por explicar, o casal se separou, Estelar isolou-se numa ilha tropical. Foi lá que conheceu Jason Todd (o Capuz Vermelho), com quem fundaria os Renegados. Aparentemente, as suas memórias dos Novos Titãs foram totalmente apagadas.

O novo figurino de Estelar em Os Novos 52.
 

Relacionamentos amorosos: Enquanto membro dos Novos Titãs, Koriander viveu um tórrido romance com o líder da equipa (Dick Grayson, o Asa Noturna), de quem chegou a ficar noiva. Quando os dois pombinhos resolveram dar o nó, tiveram a cerimónia de casamento arruinada por Ravena, que matou o padre antes que este pudesse declará-los marido e mulher.
   No entanto, Koriander já foi casada duas vezes, ambas em Tamaran. O primeiro enlace (com o Príncipe Karras) precedeu a sua vinda para a Terra e serviu para selar um tratado de paz. Karras morreria pouco tempo depois em combate, deixando Koriander precocemente viúva.
   Anos depois, após a sua separação de Dick Grayson, a heroína alienígena foi obrigada a desposar o impiedoso General Phy'zzon. União sem amor que terminou abruptamente com a morte de Phy'zzon às mãos do Devorador de Sóis.
   Em tempos mais recentes, Estelar teve um affair inconsequente com o Capitão Cometa, cujos  fortes sentimentos por ela nunca foram correspondidos.

Asa Noturna e Estelar: amor interespécies.

Nota adicional: Pese embora a inclusão de Estelar nos cânones da DC remonte ao período que precedeu Crise nas Infinitas Terras, a sua existência permaneceu intacta na nova continuidade da editora. Não obstante, alguns elementos da história da personagem foram alterados ou removidos, devendo, por isso, ser considerados apócrifos.

Estelar, princesa e guerreira de um mundo distante.

Noutros media: Na lista dos 25 maiores heróis do Universo DC, elaborada em 2013 pelo IGN, Estelar ocupava a 21ª posição. Nesse mesmo ano, a curvilínea princesa de Tamaran foi eleita pelo Comics Buyer's Guide como a vigésima mulher mais sensual dos quadradinhos, num universo de cem candidatas.
  Ainda com reduzida expressão no panorama audiovisual, a estreia televisiva de Estelar verificou-se em 2003, ano em que foi para o ar a primeira de cinco temporadas da série animada Teen Titans. Sempre com papel de relevo, a heroína marcaria depois presença em New Teen Titans (2011-14) e em Teen Titans Go! (2013-15).
  Após várias participações irrisórias em filmes de animação baseados na mitologia da DC, Estelar estará finalmente em primeiro plano em Justice League versus Teen Titans, com data de lançamento prevista para 29 deste mês. Segundo consta, Koriander será retratada como o membro mais velho dos Novos Titãs e líder do grupo.

Longe da sensualidade que sempre foi a sua imagem de marca,
 Estelar surgiu assim retratada em Teen Titans.



sábado, 27 de setembro de 2014

ETERNOS: MARV WOLFMAN (1946 - ...)




     Consagrado através do trabalho desenvolvido com os Novos Titãs na década de 1980, Marv Wolfman teve em Crise Nas Infinitas Terras um dos maiores desafios da sua multifacetada e multipremiada carreira. Criador de personagens carismáticas, como Blade, Nova ou Tim Drake (Robin III), tornou-se ele próprio um herói acidental na defesa dos direitos autorais dos argumentistas.

Biografia e carreira: Segundo filho (tem uma irmã 12 anos mais velha) de um modesto casal composto por um polícia e uma doméstica, Marvin "Marv" Arthur Wolfman nasceu a 13 de maio de 1946 no Brooklyn, sendo portanto um nova-iorquino de gema. Aos 13 anos, mudou-se com a sua família para Queens, passando a frequentar o liceu local. Na esperança de vir a ser um cartunista, transferiu-se, anos depois, para o High School of Art and Design, em Manhattan.
     Sempre com esse objetivo em vista, durante os anos que se seguiram manteve-se muito ativo no circuito amador da 9ª arte, colaborando em diversos fanzines. Wolfman foi, de resto, o primeiro a publicar Stephen King nas páginas de um desses seus projetos editoriais: em 1965 deu à estampa Stories of Suspense #2 -um fanzine de terror da sua autoria - contendo um conto do mestre do suspense, intitulado In A Half-World Of Terror.
   A profissionalização como argumentista chegaria três depois, em 1968, ao serviço da DC Comics. Blackhawk #242 (datado de agosto/setembro desse ano) assinalou a primeira publicação oficial de material produzido por Wolfman (sem que, contudo, o mesmo lhe tivesse sido creditado). Meses depois, ele e o seu velho amigo Len Wein criaram em conjunto a personagem Jonny Double, cuja primeira aparição ocorreu em Showcase #78, ficando a história a cargo de Wolfman. Ainda nesse ano, em dezembro, os dois escreveram a meias Eye of the Beholder para Teen Titans #18. Com a particularidade de ter sido essa a primeira vez que Len Wein teve direito a figurar nos créditos da revista.

Uma das primeiras criações de Marv Wolfman.

    Em meados de 1969, Neal Adams foi chamado para reescrever e redesenhar uma história dos Titãs originalmente concebida por Wolfman e Wein. A qual - se não tivesse sido vetada pelo editor Carmine Infantino-  teria introduzido na mitologia da DC o primeiro super-herói afro-americano. Apesar desse revés, Wolfman - agora em parceria com Gil Kane - deu a conhecer em Teen Titans nº22 (julho/agosto de 1969) a origem inédita da Moça-Maravilha, sendo igualmente apresentado nessa edição o novo uniforme da personagem.
    Em 1972, já depois de ter criado com Bernie Wrightson a personagem Destiny (reciclada anos depois por Neil Gaiman), Marv Wolfman, na qualidade de protegido do editor-chefe da Marvel Roy Thomas, mudou-se de armas e bagagens para a Casa das Ideias. Quando Thomas abandonou o cargo, Wolfman assumiu o seu lugar, desempenhando inicialmente as funções de editor dos títulos a preto e branco publicados pela Marvel Comics, daí transitando para a linha de séries coloridas. Wolfman confidenciaria quase uma década depois que " a Marvel nunca se comprometeu completamente com a sua linha de títulos a preto e branco. Tão-pouco assumiu o menor compromisso com os profissionais que nela trabalhavam. Coube-me a mim selecionar e formar um novo painel de argumentistas e ilustradores". Não obstante, Wolfman renunciou ao cargo de editor-chefe de molde a dispor de mais tempo para se dedicar àquilo que mais gostava de fazer: escrever.
     Pouco tempo após tomar esta decisão, Wolfman foi convidado a assumir os argumentos de The Tomb of Dracula, série de terror (publicada entre 1972 e 1979) que se tornou um fenómeno de culto entre os leitores, sendo também muito aclamada pela crítica. Durante este período, Wolfman - em conjunto com Gene Colan - criou Blade, o caçador de vampiros celebrizado décadas depois no cinema através de uma sensacional trilogia protagonizada por Wesley Snipes.

A estreia de Blade em Tomb of Dracula #10 (1972).

    Até 1980 (ano em que, em litígio com a Marvel, regressou à DC), Wolfman imprimiu o seu cunho numa panóplia de títulos da Casa das Ideias, como Marvel Two-in-One, Spider-Woman, Spider-Man e Fantastic Four. Pelo meio, trabalhou em projetos paralelos como uma tira diária de Howard, the Duck e criou ou reinventou diversas personagens: Nova, Gata Negra e Mercenário (Bullseye, no original) são apenas alguns exemplos dessa sua efervescência  criativa.
  Novamente ao serviço da Editora das Lendas, Wolfman formou com George Pérez a dupla criativa incumbida de revitalizar o título regular dos Titãs. Adicionando ao elenco original da equipa novas e carismáticas personagens -  Cyborg, Starfire (Estelar), Raven (Ravena) e Changeling (Mutano) - os dois conseguiram não só dar um novo elã à série, como torná-la o primeiro grande êxito da DC em vários anos. Não surpreendendo por isso que, em 1984, Wolfman e Pérez tenham sido novamente cooptados para assumir os destinos de uma segunda série de The New Teen Titans.

The Judas Contract (O Contrato de Judas) foi uma das melhores sagas produzidas pela dupla Wolfman/Pérez naquela que é considerada a fase áurea dos Novos Titãs.

   Mais surpreendente foi o ovacionado Chris Claremont (à época uma das superestrelas da Marvel) ter sido, presumivelmente, sondado por um executivo da DC numa festa natalícia em 1986, para assumir as histórias dos Novos Titãs. Proposta prontamente declinada por Claremont, que se apressou a transmitir o sucedido a Wolfman. Quando este confrontou os mandachuvas da editora, eles alegaram que tudo não passara de uma brincadeira. A despeito deste desmentido, Claremont sustentou sempre que, na sua opinião, se tratara de uma oferta genuína de trabalho.
   O episódio acima relatado verificou-se já depois de George Pérez ter abandonado The New Teen Titans. Wolfman, por seu turno, manteve-se responsável pelos enredos da série durante mais alguns anos, colaborando nesse períodos com outros artistas consagrados, como Tom Grummett, Eduardo Barreto ou José Luis García-López.
   A dupla-maravilha Wolfman/Pérez reunir-se-ia, contudo, para produzir uma ambiciosa saga em doze capítulos intitulada Crisis on Infinite Earths (Crise nas Infinitas Terras). Corria o ano de 1985 e, para assinalar o seu meio século de existência, a DC resolveu arrumar a casa. O mesmo é dizer que a Wolfman e Pérez coube a ciclópica missão de reestruturar uma cronologia velha de 50 anos, na qual pontificava uma miríade de personagens espalhadas por um intrincado multiverso.
    Sob a batuta de Wolfman, dezenas de personagens foram eliminadas enquanto algumas provenientes de outras editoras foram incorporadas na depurada cronologia da DC. Findo esse megaprojeto, seguiu-se outro de idêntica envergadura: sempre em colaboração com Pérez, Wolfman escreveu History of the DC Universe, espécie de compêndio que sumarizava a renovada história da Editora das Lendas.

Capa do primeiro volume de Crisis on Infinite Earths, a saga que revolucionou para sempre o Universo DC.

    Antes de se envolver numa disputa pública com a DC tendo como base o sistema de classificação dos conteúdos publicados pela editora, Wolfman teve ainda tempo para dar o seu contributo no relançamento do Super-Homem, reinventado o seu eterno némesis (Lex Luthor) e introduzindo nas histórias do herói kryptoniano personagens como o Professor Emil Hamilton e a repórter social Cat Grant.
    Na sequência da disputa supracitada, Wolfman seria destituído das suas funções editoriais na DC, que não lhe perdoou o facto de ter tornado públicas as suas críticas ao sistema de classificação de conteúdos por ela implementado. Algum tempo depois, contudo, os responsáveis da empresa reconsideram a sua decisão e apresentaram um pedido de desculpas a Wolfman, acompanhado de um convite para que ele voltasse à DC. Wolfman aceitou o primeiro, tendo porém recusado o segundo.
     As pazes só seriam feitas no início da década de 1990, altura em que Wolfman, regressado à Editora das Lendas, teve uma breve passagem por Batman, a qual se saldou na criação de Tim Drake (o terceiro Menino Prodígio). Antes de reassumir os enredos de The New Teen Titans (desta feita em parceria com Tom Grummett), foi o responsável pela adaptação da primeira história de sempre do Homem-Morcego, publicada a par de outras duas adaptações e da original numa iniciativa inserida nas comemorações das bodas de ouro do herói.
     Apesar desses ponto altos, o regresso de Wolfman à DC ficou aquém das expectativas. A isto não terá sido alheio o facto de, em meados dos anos 90, ele ter abraçado, em paralelo, vários projetos televisivos e de animação. Com efeito, por essa altura, Wolfman assentou arraiais na Disney Comics, onde produziu vários arcos de histórias para algumas das figuras de proa da editora, como o Rato Mickey e o Tio Patinhas. Funções que acumulou com as de editor da revista Disney Adventures.
     Em finais da década de 1990, Wolfman foi um dos obreiros da série televisiva Beast Machines, baseada nos Transformers e muito elogiada pela consistência dos seus argumentos. Esse projeto decorreu de uma sua anterior colaboração, remontando aos anos 80, na terceira temporada da série animada Transformers. Wolfman foi o autor da história que marcou o regresso de Optimus Prime.
    No alvor deste século, Marv Wolfman regressou à indústria dos comics. O seu primeiro projeto nesta nova fase da sua carreira consistiu em escrever as histórias de Defex, personagem de charneira da Devil's Due Productions. Diversificando o escopo do seu trabalho, foi também consultor de Geoff Johns em várias edições de The Teen Titans, responsável pela novelização de Crise nas Infinitas Terras e do filme Superman Returns, além de coargumentista em Condor, filme de animação produzido pela Pow Entertainment (propriedade de Stan Lee) e lançado diretamente em DVD.

Defex marcou o regresso de Marv Wolfman aos quadradinhos.

   Em  2006, Marv Wolfman assumiu as funções de diretor editorial da Impact Comics, licenciadora de material didático inspirado no género mangá e direcionado para os estudantes estadunidenses a frequentarem o ensino secundário. Nesse mesmo ano, tornou-se argumentista da série Nightwing.
    Após escrever uma minissérie estrelada por Ravena, voltou a colaborar com George Pérez. Desta feita na produção de uma película de animação baseada na ovacionada saga dos Novos Titãs, Judas Contract (O Contrato de Judas).
     De então para cá, Wolfman e o seu eterno parceiro criativo concluíram, em 2011, a novela gráfica New Teen Titans: Games, projeto que haviam começado a desenvolver nos anos 80 do século passado. No ano seguinte, Wolfman, secundado pelo artista Tom Mandrake, reviveu a série Night Force. Prestou também consultoria na elaboração do enredo do jogo de vídeo Epic Mickey 2: The Power of Two, trabalho pelo qual foi nomeado para o Writers Guild of America Award, na categoria de Videojogo Com Melhor Argumento. E este, como fica patente na listagem abaixo, não foi o único galardão que recebeu ao longo da sua fulgurante carreira. Marcada, ainda assim, por algumas polémicas.

A graphic novel que assinalou a reedição da dupla-maravilha Wolfman/Pérez.

    Começando pela sua decisão de, em vésperas da estreia do filme Blade (1998) nos cinemas de todo o mundo, intentar um processo judicial contra a Marvel Comics, assente numa suposta violação dos seus direitos autorais. Em 2000, porém, um tribunal norte-americano deu razão à Casa das Ideias, sendo o acórdão essencialmente fundamentado no argumento de que, conquanto Blade tenha sido uma criação de Marv Wolfman em 1972, o subsequente uso da personagem por parte da editora foi substancialmente diverso do conceito original.
Marv Wolfman (dir.) conversa com Wesley Snipes numa pausa nas filmagens de Blade.

    Outra polémica, remontando aos primórdios da sua carreira, envolveu a Comics Code Authority (espécie de censor prévio dos conteúdos publicados pela indústria dos quadradinhos nos EUA). Numa época em que raros eram os autores a receberem os créditos nas publicações em que colaboravam, Marv Wolfman foi uma dessas exceções, quando ainda escrevia histórias para séries de terror e mistério editadas pela DC. Na origem do problema esteve o apelido do escritor (Wolfman significa Homem-Lobo em inglês). Uma vez que o Comics Code Authority (CCA) não permitia referências a lobisomens, exigiu que o seu nome fosse removido da ficha técnica das revistas em questão, julgando tratar-se de um pseudónimo.
   Porém, depois de a DC ter informado o organismo supervisor de que Wolfman era um apelido verdadeiro, a CCA insistiu que o nome constasse dos créditos das publicações. Abrindo dessa forma um precedente que motivou outros autores a reivindicarem igual direito. Pouco tempo depois, essa tornou-se uma prática corrente na indústria. Wolfman tornou-se, pois, inadvertidamente, um precursor na defesa dos direitos autorais dos seus pares.
     Casado em segundas núpcias e pai de uma filha, Marv Wolfman conta atualmente 68 anos, mas mantém-se no ativo. No seu site pessoal ( www.marvwolfman.com), pode ler-se:
  "Comecei a escrever por causa da minha paixão pela banda desenhada. É por isso muito gratificante ver muitas das personagens por mim criadas ganharem vida na TV e no cinema. Na verdade, só Stan Lee conseguiu ver mais criações suas transpostas para esses media do que eu. E sinto que ainda tenho muito para dar".
     E nós, fãs de ontem, hoje e amanhã, cá estaremos para nos deleitarmos com as suas fascinantes estórias.


Marv Wolfman  formou com George Pérez (dir.) uma das mais formidáveis duplas criativas da nona arte.

Principais criações e cocriações: 

* Nightwing/Asa Noturna (a identidade, não o conceito original, foi uma criação conjunta com George Pérez);
* Tim Drake (Robin III);
* Trigon;
* Brother Blood/Irmão Sangue;
* Terra;
* Destiny;
*Nova;
*Blade;
* Deathstroke/Exterminador; Cyborg; Raven/Ravena; Starfire/Estelar (cocriações com George Pérez);
* Bullseye/Mercenário;
* Terrax;
*Gata Negra;
*Monitor;
*Anti-Monitor;
* Jonny Double (cocriação com Len Wein);
* Omega Men;
* E muitos, muitos mais...


Mercenário.

Prémios e distinções: 

* 1 Shazam Award para melhor escritor humorístico em 1973;
* 1 Eagle Award na categoria de melhor nova série em 1982;
* 2 Eagle Awards (1984 e 1985) na categoria de melhor grupo de super-heróis (Novos Titãs);
* 2 Jack Kirby Awards (1985 e 1986) para melhor saga (Crise nas Infinitas Terras), distinção dividida com George Pérez);
* 1 Scribe Award conquistado em 2007 pela sua novelização de Superman Returns;
* 1 National Jewish Book Award pela sua obra de não ficção Homeland, The Illustrated History of the State of Israel;
* Além destes galardões, outras distinções abrilhantam o seu impressionante currículo. Destacando-se entre elas o facto de, em 1985 (ano em que se celebrou o 50º aniversário da DC), o seu nome ter figurado no quadro de honra da Editora das Lendas. Marv Wolfman foi uma das 50 personalidades homenageadas nessa data histórica.

Simplesmente Marv.


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

HERÓIS EM AÇÃO: ASA NOTURNA




    Chegado o momento de se emancipar do seu taciturno mentor, Dick Grayson trocou a identidade de Robin pela de Asa Noturna. Não foi, porém, o primeiro a usar esse nome. Tão-pouco deixou de ser um dos principais aliados de Batman, a quem substituiu em algumas ocasiões.

Nome original da personagem: Nightwing
Primeira aparição (como Asa Noturna): Tales of the Teen Titans nº44 (julho de 1984)
Criadores: Marv Wolfman (história) e George Pérez (arte)
Licenciadora: DC Comics
Identidade civil: Richard John "Dick" Grayson
Parentes conhecidos: John e Mary Grayson (pais falecidos); Bruce Wayne (pai adotivo); Damian Wayne, Jason Todd, Tim Drake e Cassandra Cain (irmãos adotivos que, tal como ele, assumiram no passado o manto de Robin)
Afiliação: Ex-líder dos Novos Titãs; ex-membro dos Graysons Voadores, dos Renegados e da Liga da Justiça (como Batman); membro ativo da Corporação Batman
Base de operações: Gotham City e Chicago (onde passou a operar já depois do início de Os Novos 52!)
Armas, poderes e habilidades: Mesmo antes de ser treinado pelo Cavaleiro das Trevas, Dick Grayson era já um atleta e acrobata prodigioso ao serviço dos Graysons Voadores. Às suas extraordinárias aptidões físicas acresce o domínio de diversas artes marciais: boxe, capoeira, aikido, ninjitsu, esgrima, etc.
    Dono de um quociente de inteligência superior à média, Asa Noturna possui elevadas capacidades de análise e dedução, apenas superadas pelas do seu antigo precetor.  É também um mestre da estratégia, do disfarce e do escapismo, além de um líder nato e experimentado. Fascinado pela informática, com o tempo desenvolveu as suas competências nesse campo ao ponto de se tornar um  hacker genial. Decorrendo da refinada educação que lhe foi proporcionada por Bruce Wayne, Dick Grayson é fluente em vários idiomas: inglês, francês, espanhol, russo, mandarim, japonês, entre outros.
     Dentre o equipamento que habitualmente utiliza no combate ao crime, destaca-se o seu traje à prova de bala e de fogo. Confecionado com várias camadas de kevlar e nomex, o uniforme do Asa Noturna já teve três versões: originalmente era azul escuro com luvas e botas azuis claras, sobressaindo uns motivos dourados no peito e ombros; no segundo, mais elaborado, continuou a predominar o azul escuro, mas o azul claro das botas e das luvas foi substituído pelo dourado; na sua terceira variante, a cor predominante passou a ser o preto com uma asa estilizada em azul claro (cor que deu lugar ao vermelho em  Os Novos 52!) espraiando-se pelo peito, ombros e braços do herói.
     Shurikens em forma de asas e bastões de esgrima feitos de um polímero virtualmente inquebrável são as armas de eleição de Asa Noturna. Como meios de transporte, a preferência do ex-pupilo de Batman vai tanto para uma variante do célebre Batmóvel equipada com tecnologia ultrassofisticada como para o Wingcycle (motociclo com características especiais e sidecar acoplado).

http://3.bp.blogspot.com/-xYONwCUaUkk/Uh1_SbTma-I/AAAAAAAADuw/K81X02n-8Cs/s1600/New_Teen_Titans_Vol_1_44.jpg
Tales of the Teen Titans #44 (1984) assinalou a estreia de Asa Noturna.

Predecessores: Em janeiro de 1963, nas páginas de Superman Vol.1 #158, numa história intitulada Superman in Kandor, foi introduzida uma nova personagem denominada Asa Noturna. Tratava-se, com efeito, de um alter ego usado pelo Homem de Aço nas suas ocasionais visitas à cidade engarrafada de Kandor (metrópole sobrevivente à destruição de Krypton). Despojado dos seus superpoderes sob o sol vermelho artificial de Kandor, o herói ( acompanhado por Jimmy Olsen) é confundido com um fora de lei. Inspirando-se nos seus encontros com o Duo Dinâmico, resolve então criar disfarces que lhe permitiriam a ele e ao seu parceiro manterem as suas identidades secretas enquanto atuavam como vigilantes mascarados. A escolha dos respetivos nomes - Asa Noturna e Pássaro Flamejante (Nightwing e Flamebird, na versão original) - derivou de duas espécies de aves kryptonianas.
     Com a ajuda do seu velho amigo Nor-Van, Kal-El converteu o laboratório subterrâneo e o veículo deste em réplicas, respetivamente, da Batcaverna e do Batmóvel.
   Anos depois, em Superman Family #183 (maio/junho de 1977), foi a vez de Van-Zee (um primo distante de Kal-El) e o seu amigo Ak-Var assumirem as identidades de Asa Noturna e Pássaro Flamejante, dando assim continuidade ao legado de Super-Homem e Jimmy Olsen.
     Antes, porém, fora publicada em World's Finest #143 (agosto de 1964), uma história que reunia ambos os Duos Dinâmicos, a qual marcou para sempre o Menino Prodígio. Quando este decidiu sair da sombra de Batman, adotou o nome Asa Noturna em homenagem à personagem original.

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Asa Noturna (Super-Homem) e Pássaro Flamejante (Jimmy Olsen) foram o Duo Dinâmico de Kandor na cronologia DC pré-Crise nas Infinitas Terras.
    No entanto, após Crise nas Infinitas Terras, foi convencionado que o Super-Homem não estaria ciente da existência de Kandor e, portanto, jamais teria operado como Asa Noturna. Este adquiriu o estatuto de personagem mitológica. Nesta nova versão, Asa Noturna teria sido um indivíduo que, num passado remoto, perdera a sua família e, em consequência desse facto, empreendera uma vida devotada à proteção dos fracos e oprimidos. Depois de ter ouvido esta narrativa da boca do Homem de Aço, Dick Grayson ficou fascinado por ela e decidiu tomar o nome para si quando saiu da sombra de Batman.

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Saindo de baixo da asa do morcego.

Biografia: Órfão na sequência de um ato de sabotagem ordenado por um mafioso que pretendia extorquir dinheiro ao proprietário do circo onde atuavam os Graysons Voadores, Dick Grayson foi perfilhado pelo multimilionário Bruce Wayne. Vendo no garoto um reflexo de si mesmo, Bruce revela-lhe o seu maior segredo (ele e Batman são a mesma pessoa) e convida-o a juntar-se a ele na sua cruzada contra o crime. Nascia assim Robin, o Menino Prodígio*.
    Aos 17 anos, Robin (num sinistro prenúncio para a tragédia envolvendo, anos depois, o seu sucessor) foi baleado no ombro pelo Joker. Temendo pela vida do seu pupilo, Batman afasta-o das suas atividades de combate ao crime, procurando dessa forma resguardá-lo dos perigos. Frustrado pela situação, ao fim de um único semestre, Dick abandona a faculdade. Decisão que merece forte reprovação por parte do seu tutor.
    Entretanto, a antiga Turma Titã (coletivo que reunia originalmente os parceiros juvenis de diversos heróis seniores) foi refundada e renomeada como Novos Titãs**. Robin assume a liderança do grupo sediado em Nova Iorque, sobrando assim ainda menos espaço e tempo para os seus compromissos para com o Cavaleiro das Trevas e Gotham City.
   Ao lado dos Titãs, Dick recuperou a sua autoestima, ao mesmo tempo que aumentava o fosso que o separava de Batman. Por fim, este comunicou-lhe que, caso não desejasse continuar a ser seu parceiro, teria  de renunciar ao uniforme de Robin.
    Perante esta exigência do seu mentor, Dick desiste de ser o Menino Prodígio e também da liderança dos Titãs (a qual transita para a Moça-Maravilha). Já depois de abandonar a Mansão Wayne, Dick equaciona a hipótese de pôr um ponto final na sua carreira super-heroica.
    Nesta fase conturbada da sua vida, Dick encontrou respaldo emocional em Estelar, à data sua namorada e uma das novas integrantes dos Titãs.
   Durante uma conversa com o Super-Homem, este dá-lhe a conhecer uma antiga lenda do seu mundo natal: um proscrito que se converteu num herói chamado Asa Noturna. Inspirado pela narrativa, Dick decide adotar o nome da personagem para o seu novo alter ego.
   Quando todos os outros Titãs são capturados pelo Exterminador e entregues à organização criminosa C.O.L.M.E.I.A. (eventos ocorridos na saga O Contrato de Judas), Dick debuta como Asa Noturna e, com a ajuda do seu novo aliado Jericó, consegue resgatá-los.
    Nem tudo, porém, foram rosas. Se, por um lado, Dick logrou emancipar-se de Batman, a sua liderança dos Titãs logo seria posta à prova quando ele foi submetido a uma lavagem cerebral pelo Irmão Sangue. Ficaria também em xeque a sua relação com Estelar, quando a princesa alienígena foi forçada a casar-se com um compatriota por motivos políticos. Seria, contudo, a trágica morte de Jason Todd (o segundo Robin) às mãos do Joker a deixá-lo profundamente abalado.

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O visual original de Asa Noturna...
...e a sua versão mais recente.
 
   Estando ainda por sanar antigas feridas na relação entre Dick Grayson e Bruce Wayne, a rutura entre ambos consumar-se-ia na sequência da descoberta por parte do primeiro de que o homem responsável pela morte dos seus pais, ao contrário do que o segundo o levara a crer, estava afinal vivo, embora em coma.
   Algum tempo depois, Dick foi abordado por Tim Drake, um adolescente que afirmava saber as identidades secretas dele e de Bruce Wayne.  Tim exortou Dick a reassumir o manto de Robin, porquanto a morte de Jason Todd mergulhara Batman numa vertiginosa espiral de vingança e autodestruição. Dick recusa-se a fazê-lo, mas convence Bruce a treinar Tim para ser o próximo Menino Prodígio.
    Seguiram-se tempos tumultuosos ao lado dos Titãs, marcados por um frenético vaivém de membros e pela quase capitulação da equipa perante a infame Sociedade Gnu.Uma vez mais, a liderança de Asa Noturna foi testada, tendo o herói demonstrado estar à altura dos desafios.
    No campo sentimental, num impulso para tentar salvar a sua fragilizada relação com Estelar, Dick pediu-a em casamento. A cerimónia seria, porém, interrompida por Ravena (outra Titã, dada como morta tempos atrás), agora renascida como um avatar do seu maligno pai, o demónio Trigon. Em resultado do ataque místico empreendido por Ravena, Estelar teve implantada nela uma semente demoníaca que a obrigou a abandonar a Terra para uma longa jornada espiritual. Ela e Dick foram-se distanciando progressivamente um do outro, culminando com o regresso da princesa alienígena a Tamaran (o seu mundo natal).

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Antes de se lançar numa carreira a solo, Asa Noturna viveu assombrosas aventuras ao lado dos Novos Titãs.

    Após a Queda do Morcego (quando Bane deixou Batman paralítico), Asa Noturna regressou a Gotham para assumir temporariamente o manto do seu antigo mentor. As muitas mágoas e divergências mútuas vieram, contudo, à superfície. Ambos conseguiram, não obstante, reconstruir a relação de quase pai e filho que os unira no passado. Paralelamente, a ausência do seu líder precipitou a dissolução dos Novos Titãs. Facto que abriria caminho a uma carreira a solo de Asa Noturna nos anos subsequentes.
   Nessa nova etapa da sua vida, Dick desenvolve um relacionamento sério com Barbara Gordon (ex-Batgirl). O casal chega a anunciar o noivado. O qual é, no entanto,desfeito quando Dick resolve acompanhar Bruce Wayne numa jornada de conhecimento (eventos ocorridos na minissérie 52).
    Na sequência da sua fugaz aliança com os Renegados, Asa Noturna refunda os Titãs, novamente como líder. Esta nova encarnação da equipa, congregando vários dos seus membros originais, não sobrevive contudo à morte de Donna Troy (ex-Moça-Maravilha). Em seu lugar surge uma nova formação de Titãs que inclui antigos elementos da Justiça Jovem. Asa Noturna escolhe, porém, não participar nela.
    Entretanto, Bruce Wayne decide adotar legalmente Richard Grayson como seu filho e herdeiro legítimo. Uma macabra coincidência considerando que, não muito tempo volvido, Batman seria dado como morto. Com a criminalidade em Gotham a disparar para níveis estratosféricos, Alfred e Robin (Tim Drake) pressionam Dick a assumir o manto do morcego. O que ele, inicialmente, se recusa a fazer. O ponto de viragem ocorre quando Dick descobre que o novo e sanguinário vigilante a operar nas ruas da cidade é, na verdade, Jason Todd. Ultrajado pela mácula que o antigo Robin está a verter sobre o legado de Batman, Dick põe de lado as suas hesitações e transforma-se no novo Cavaleiro das Trevas. Substituindo Tim Drake por Damian Wayne (filho biológico de Bruce) no papel de Robin, Dick devolve alguma paz e segurança a Gotham City.
    Regressado ao presente após uma longa deriva pelo fluxo temporal, Bruce Wayne canaliza os seus vastos recursos financeiros para a criação de um projeto global denominado Corporação Batman. O objetivo consiste em recrutar outros Homens-Morcegos por todo o planeta, que poderiam dar continuidade ao legado do Cavaleiro das Trevas caso este morresse. Dick, entretanto, continua a atuar como Batman em Gotham City e passa a fazer parte da Liga da Justiça.
    No âmbito das alterações introduzidas no Universo DC por Os Novos 52!, os eventos que levaram Dick Grayson a tornar-se o Robin foram exatamente os mesmos, com a diferença de que isso aconteceu quando ele tinha quinze anos de idade, envergando agora uma versão mais moderna do seu icónico uniforme. A transformação em Asa Noturna ocorreria um pouco mais tarde do que na versão primitiva: aos vinte anos, Dick resolve tentar uma carreira independente, muda-se para um modesto apartamento num bairro problemático de Gotham e passa a operar sob o codinome Asa Noturna. O seu uniforme é agora preto e vermelho, denotando o seu comportamento uma maior agressividade.

* Informação detalhada sobre Robin em  http://bdmarveldc.blogspot.pt/2013/12/herois-em-acao-robin.html
** Mais pormenores sobre os Novos Titãs em http://bdmarveldc.blogspot.pt/2013/03/herois-em-acao-novos-titas_30.html

Longe vão os tempos do traje colorido de Menino Prodígio.

Notas:
* Em fevereiro de 1984, Dick Grayson fez a sua derradeira aparição como Robin em The New Teen Titans #39 (o mesmo sucedendo com Wally West como Kid Flash);
* No arco de histórias Year 3, os leitores ficaram a saber que Dick conheceu Tim Drake (o terceiro Robin) quando ainda fazia parte dos Graysons Voadores. O pequeno Tim era um grande fã da malograda família de acrobatas circenses e idolatrava Dick (com quem, de resto, fez questão de ser fotografado). Esse facto levaria Tim, anos mais tarde, a deduzir as verdadeiras identidades do Duo Dinâmico;
* Dick Grayson herdou um fundo de investimento após a morte dos pais. Graças às aplicações financeiras feitas por Lucius Fox (associado de Bruce Wayne), o referido fundo converteu-se numa pequena fortuna. Embora esta seja incomparavelmente inferior à do seus antigo tutor, permite-lhe financiar não só as suas atividades como Asa Noturna como também lhe possibilitou a aquisição dos direitos do Circo Haly (onde cresceu), que enfrentava o risco de penhora devido ao acúmulo de dívidas, além do prédio de apartamentos onde reside, em Gotham City;
* Aparentemente, Dick tem um fraquinho por ruivas, tendo em conta que as suas duas grandes paixões (Estelar e Barbara Gordon) tinham essa cor de cabelo.

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O fim de uma era em The New Teen Titans #39 (1984).
 
Noutros media: Em 2013, Asa Noturna quedou-se num notável quinto lugar no Top 25 Heroes of DC Comics elaborado pelo site IGN. Um episódio da série animada The New Batman Adventures (1997-99), intitulado Sins of the Father, assinalou a estreia da personagem no pequeno ecrã. Com maior ou menor preponderância, participou em anos recentes em diversas outras produções do género, entre as quais se destacam Young Justice: Invasion (2012) e no filme de animação com lançamento direto em DVD Batman: Under the Red Hood (2010).
    São feitas referências a Asa Noturna em três filmes do Homem-Morcego:  em Batman Para Sempre (1995),  Dick Grayson (Chris O'Donnell) sugere esse nome no momento de escolher uma identidade secreta para adjuvar o Homem-Morcego no combate ao crime. Já em Batman & Robin (1997), saltam à vista as semelhanças entre o uniforme usado por Robin (ainda interpretado por O'Donnell) e o de Asa Noturna nos comics.
   Por fim, em O Cavaleiro das Trevas Renasce (2012), o detetive John Blake (encarnado por Joseph Gordon-Levitt) exibe um distintivo policial onde é claramente visível a asa estilizada que serve de símbolo ao Asa Noturna.
   Circulam atualmente rumores acerca de planos para a produção de uma série televisiva baseada no ex-líder dos Titãs.

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Asa Noturna em The New Batman Adventures.