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sábado, 9 de março de 2019

GALERIA DE VILÃS: MÍSTICA


  Terrorista sanguinária ou combatente da liberdade? Rebelde com causa ou fanática sem coração? Num mundo pintado a preto e branco mas repleto de zonas cinzentas, a mutante das mil caras é tudo isso e muito mais. Ou não fossem as suas motivações tão camaleónicas quanto a sua aparência.

Denominação original: Mystique
Licenciadora: Marvel Comics
Criadores: Dave Cockrum (conceito), Chris Claremont (história) e Jim Mooney (arte)
Estreia: Ms. Marvel nº16 (abril de 1978)
Identidade civil: Raven Darkholme 
Espécie: Homo Superior (nomenclatura científica para a subespécie humana com poderes inatos, vulgarmente conhecida como mutantes)
Local de nascimento: Presumivelmente, algures na Áustria
Parentes conhecidos: Barão Christian Wagner (marido, falecido), Ralph Brickman (marido, falecido), Charles Xavier (marido), Irene Adler / Sina (companheira, falecida), Graydon Creed (filho, falecido),  Kurt Wagner / Noturno (filho), Gloria Brickman (filha) e Anna Marie / Vampira (filha adotiva)
Ocupação: Terrorista internacional, mercenária, aventureira e ex-agente secreta ao serviço dos governos norte-americano e germânico.
Base operacional: À natureza clandestina das suas atividades está associada a itinerância. Nunca permanecendo muito tempo no mesmo local, já esteve sediada em latitudes e longitudes  tão diversas como a Terra Selvagem, Washington D.C. ou a ilha de Alcatraz, ao largo da baía de São Francisco. 
Afiliações: Ex-líder da Irmandade de Mutantes e da Força Federal, ex-membro do X-Factor, do Tentáculo e do Departamento de Defesa dos EUA, aderiu recentemente ao Clube do Inferno, embora prefira agir por conta própria.
Némesis: X-Men e qualquer inimigo declarado da raça mutante
Poderes e parafernália: Mutante metamórfica, Mística detém a incrível habilidade de induzir psionicamente a reconfiguração das suas células biológicas. Consequentemente, consegue imitar na perfeição a aparência de qualquer ser humano ou humanoide, ao ponto de replicar com precisão retinas, padrões vocais e impressões digitais. Expediente que lhe permite, entre outras coisas, ludibriar eficazmente sistemas de segurança baseados no reconhecimento dessas características únicas de cada indivíduo.
As suas transformações fisionómicas não se restringem, todavia, a matrizes orgânicas. Mística possui a não menos assombrosa capacidade de reproduzir peças de vestuário e outro tipo de acessórios fabricados a partir de diferentes materiais, como óculos, brincos ou carteiras. Uma vez que os seus poderes lhe permitem criar a indumentária mais adequada às circunstâncias, Mística nunca veste roupa verdadeira - o mesmo é dizer que, tecnicamente, anda sempre desnuda.
Apesar da provecta idade (especula-se que terá nascido há mais de um século), Mística conserva um aspeto jovem. O segredo reside no facto de os seus poderes retardarem os efeitos degenerativos do envelhecimento celular, expandindo-lhe desse modo a longevidade. Para a qual muito contribui também a sua imunidade a um amplo espectro de toxinas e venenos desenvolvida sempre que é exposta a substâncias desse tipo.
O aprimoramento dos poderes de Mística decorreu da sua exposição a níveis perigosos de radiação quando tentava salvar Sapo, seu colega de equipa na Irmandade de Mutantes. Graças às novas propriedades regenerativas adquiridas no processo, a vilã consegue agora cicatrizar muito mais depressa do que um ser humano normal, sendo também menos suscetível a doenças e infeções. O seu fator de cura não é , porém, comparável ao de outros mutantes, nomeadamente ao de Wolverine.
Ainda mais extraordinária é a sua capacidade de mudar de posição os seus órgãos vitais, por forma a sobreviver a disparos, esfaqueamentos e outros ataques potencialmente fatais. Em razão disso, a mente de Mística é virtualmente inexpugnável a intrusões telepáticas. Nem mesmo o Professor X consegue capturar-lhe a mente, ou sequer ler-lhe os pensamentos.

Bela e perigosa,
Mística é uma assassina de classe mundial.
Especialista em operações de infiltração e sabotagem, Mística possui notáveis dotes de representação, domina como poucos as tecnologias de informação e é fluente em, pelo menos, onze línguas, entre as quais o português. É também uma brilhante estrategista e as suas competências em combate desarmado ombreiam com as da Viúva Negra.
Após quase um século a fazer-se passar por outras pessoas, Mística desenvolveu a peculiar capacidade de detetar disfarces através da leitura da linguagem corporal de quem os usa. Aprendeu também a camuflar o seu odor corporal, o que a torna irrastreável tanto para cães pisteiros como para detentores de sentidos aguçados, como Wolverine ou Dentes-de-Sabre.
Sempre que a missão o justifica, Mística utiliza um arsenal diversificado, dando primazia às armas de fogo, visto tratar-se de uma atiradora exímia. Por vezes faz-se transportar num sofisticado avião equipado com a mais avançada tecnologia furtiva e dispõe de dezenas de esconderijos espalhados pelos quatro cantos do mundo. Recursos financiados pela colossal fortuna de B. Byron Biggs, um dos seus incontáveis alter egos.
Conotada com dezenas de atentados terroristas um pouco por todo o mundo e com um número indeterminado de assassinatos no currículo, Mística foi em tempos descrita por Nick Fury, ex-diretor da SHIELD, como uma ameaça à segurança internacional e uma das mulheres mais perigosas do planeta. Reputação perfeitamente merecida e que muito diverte a mutante das mil caras.

Fraquezas: Originalmente, Mística conseguia apenas imitar a aparência de outros seres humanos, não conseguindo, porém, editar o seu próprio código genético. Em virtude dessa condicionante, continua a ser-lhe de todo impossível adquirir eventuais poderes ou habilidades das pessoas em quem se transforma. Ao mimetizar, por exemplo, o seu filho Noturno, Mística não pode teleportar-se. Do mesmo modo que, antes de ter os seus poderes aprimorados, revertia à sua verdadeira forma se inconsciente.
Outra limitação aos formidáveis poderes de Mística decorre da sua incapacidade de reajustar a própria massa corporal. Qualquer transformação em pessoas de maior estatura física requer da sua parte um enorme esforço. Quanto maior for a diferença de peso e de altura em relação ao indivíduo replicado maior será a dificuldade de Mística em manter a forma assumida.
Por outro lado, as constantes alterações fisionómicas de Mística afetam subtilmente o seu tecido cerebral sob a forma de esquizofrenia. Distúrbio mental que imprime volatilidade à sua personalidade, tornando-a imprevisível e, por vezes, errática na sua tomada de decisões.

Raven Darkholme turns into Mystique
Camaleão humano.
Rapsódia azul

Principalmente como antagonista - embora, também, como ocasional aliada -, Mística é uma velha conhecida dos X-Men. Foi, no entanto, nas histórias de uma outra ilustre moradora da Casa das Ideias que fez a sua estreia.
Tudo começou quando o artista Dave Cockrum mostrou a Chris Claremont - com quem trabalhara em Uncanny X-Men - os esboços da sua nova personagem: uma escultural transmorfa de pele azulada. Claremont batizou-a de Mística e, com o beneplácito do colega, introduziu-a como vilã da Miss Marvel (Carol Danvers, atualmente conhecida como Capitã Marvel). Com Mística a apresentar as suas credenciais  em Ms. Marvel nº16, edição datada de maio de 1978.
No entanto, nesta sua primeira aparição, Mística não exibia a sua verdadeira forma, uma vez que operava sob disfarce. Isso só aconteceria dois meses depois, em Ms. Marvel nº18, com ambas as histórias a serem desenhadas por Jim Mooney, que  acabou assim creditado como coautor da personagem.
Nos seus primórdios, Mística nutria um profundo rancor pela Miss Marvel, pese embora a origem desse sentimento não tenha sido devidamente explicitada. A série da heroína foi cancelada antes que as reais motivações da sua inimiga fossem conhecidas.
Chris Claremont revelaria mais tarde que a ideia era ligar Miss Marvel a uma perturbadora visão de Sina (mutante precognitiva íntima de Mística) em relação ao futuro. Um futuro no qual a heroína causaria grande sofrimento a Vampira, a filha adotiva de Mística. Levando dessa forma a vilã a procurar por todos os meios impedir a concretização da profecia.

Ms. Marvel Vol 1 16
Foi nesta edição de Ms. Marvel
  
que Mística fez a sua estreia.


Mística revela enfim a sua verdadeira forma
 mas não as razões do seu ódio pela Miss Marvel. 

Ironicamente, as ações de Mística tiveram como consequência, anos mais tarde,  a absorção dos poderes da Miss Marvel por parte de Vampira. O que, efetivamente, causou grande sofrimento emocional à jovem e ditaria o afastamento de mãe e filha. Com ambas a demonstrarem desde então sentimentos contraditórios em relação uma à outra.
Claremont revelaria ainda que pretendia estabelecer Mística e Sina como pais biológicos do X-Man Noturno (com a primeira a transformar-se em homem para o ato de conceção). Proposta prontamente vetada pela Marvel, ao abrigo do rígido regulamento moral imposto pela Comics Code Authority. Que, entre outros constrangimentos, à época proibia o uso de personagens declaradamente homossexuais ou bissexuais. Por conseguinte, só muito tempo depois Mística passaria a ser explicitamente retratada como fazendo parte desta segunda categoria, vivendo maritalmente com Sina até à morte desta.
Mas quem é, afinal, Raven Darkholme, essa rapsódia em tons de azul que adotou Mística como nome de guerra?
Apesar dos vários exercícios de continuidade retroativa realizados ao longo dos anos, o passado de Mística permanece envolto na obscuridade, fazendo dela um enigma tão fascinante quanto indecifrável.
Uma vez que não é conhecida a sua filiação, ignora-se se Mística terá sido concebida por humanos, mutantes ou uma mistura de ambos. Outra incógnita é a sua data de nascimento, embora se presuma que terá vindo ao mundo cerca de cem anos atrás - provavelmente, numa qualquer localidade austríaca. Nada se sabe também acerca da sua infância, exceto que os seus poderes terão despontado por volta dos doze anos de idade.
Numa das suas primeiras missões sob disfarce no estrangeiro, no auge da Guerra Fria, Mística teve um brevíssimo affair com Victor Creed, o assassino mutante conhecido como Dentes-de-Sabre. Uma relação que teria sido inconsequente para ambos se dela não tivesse resultado um filho. Para perplexidade e desgosto de Mística, o seu bebé nasceu humano. O que a levou a dá-lo para adoção tão logo se restabeleceu do parto. O nome do menino era Graydon Creed.
Ao descobrir a verdade sobre o seu passado, Graydon passou a odiar os mutantes. Já adulto, lançaria uma feroz campanha política contra eles antes de ser assassinado por uma versão futura da própria mãe.
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Graydon Creed num comício antimutante.
Antes desses eventos, Mística foi casada com o Barão Christian Wagner, um influente membro da aristocracia germânica, e daria à luz um segundo filho. Kurt Wagner foi fruto da relação extraconjugal mantida pela sua mãe com o demónio Azazel, tendo por isso nascido com a aparência de um demónio de olhos amarelos e pele azulada. Prestes a ser linchada pelos aldeões, e já depois de ter assassinado o marido na vã tentativa de encobrir a sua infidelidade, Mística atirou o bebé ao rio. O pequeno Kurt seria, no entanto, resgatado por uma cigana que o perfilharia. Só muitos anos mais tarde ficaria a conhecer a identidade da sua verdadeira mãe, com quem continua a manter uma relação distante.
Ao lado de Sina, o grande amor da sua vida, Mística encontraria relativa estabilidade emocional, sem nunca renunciar à sua luta pela libertação dos mutantes, que considerava oprimidos pela Humanidade. Do desejo da parelha de constituir família resultou a adoção de Vampira, uma jovem proscrita nascida com a habilidade de absorver poderes e memórias alheios.
Foi também nessa fase da sua vida que Mística fundou e liderou a terceira encarnação da Irmandade de Mutantes, organização terrorista que se batia pela supremacia dos Homo Superior. Após o atentado falhado contra o Senador Robert Kelly orquestrado pelo grupo, o sentimento antimutante exacerbou-se ainda mais entre a população humana. Levando o Governo norte-americano a criar uma força-tarefa especial para dar caça a mutantes fora da lei.
Temendo pela vida, Mística e alguns dos seus apaniguados da Irmandade de Mutantes aceitaram integrar a Força Federal (Freedom Force, no original), a troco de um indulto presidencial para os seus muitos crimes passados. Quando a Força Federal foi dissolvida e substituída pelo X-Factor, Mística colaborou brevemente com o grupo.
Mas depressa voltaria a trilhar o seu próprio caminho. Sempre com os inimigos da sua espécie na mira e com uma guerra racial no horizonte.  Uma guerra que estava convicta que poderia apenas ter como desfecho a vitória dos Homo Superior. Mas que também em vários momentos ajudou a evitar. Chegando assim ao presente enleada nas agrugras e doçuras desse infindável túnel de contradições que é a sua vida.

Mystique in Uncanny X-Men
Mística à frente da sua Irmandade de Mutantes, da qual também fazia parte Sina,
 sua amante e companheira de longa data.
Miscelânea

*Diferente do que vem sendo mostrado no cinema (e, também, em algumas séries animadas dos X-Men), Mística não é o braço-direito de Magneto na Irmandade de Mutantes. Na banda desenhada rareiam, com efeito, os encontros entre ambos, conhecendo-se por isso apenas de raspão. Acresce ainda o facto de Mística ser dona de uma personalidade muito forte e independente, nada compatível com funções subalternas;
*Mística não suporta a própria aparência, pelo que evita sempre observar o seu reflexo no espelho. Assume, porém, com alguma frequência a sua verdadeira forma antes de iniciar duelos. Presume-se que este subterfúgio objetivará surpreender e confundir os seus adversários;
*Apesar de não lhe agradar tirar a vida a outros membros da sua espécie, fá-lo-á sem pestanejar se os considerar irremediavelmente perdidos para a causa mutante ou se estiverem a trabalhar para o inimigo;
*Desconhecendo-se a sua exata data de nascimento, supõe-se que Mística terá vindo ao mundo em setembro de um qualquer ano no dealbar do século XX. Quando, certa vez, foi presenteada com um colar de safiras (pedra preciosa tradicionalmente associada a quem nasce em setembro), Mística perguntou ao seu benfeitor como sabia o seu mês de nascimento;
*Num exercício de continuidade retroativa influenciado pela proximidade existente entre as versões cinematográficas das duas personagens, num passado recente o escritor Brian Michael Bendis alterou drasticamente a relação entre Mística e o Professor Xavier no universo canónico dos X-Men. Algum tempo após a morte do seu mentor, os Filhos do Átomo ficaram em choque com a última vontade inscrita no testamento de Xavier: que todo o seu património revertesse a favor da sua esposa (ninguém menos do que Mística). Um casamento de que nenhum dos cônjuges teria, aparentemente, conhecimento, e que terá resultado da ação de um misterioso viajante do tempo;
*Reflexo da notoriedade alcançada por via da sua participação na franquia cinematográfica dos X-Men iniciada na viragem do século, desde 2009 que Mística ocupa a 18ª posição na lista dos cem melhores vilões de todos os tempos organizada pelo site IGN. À frente, por exemplo, de grandes expoentes de malignidade como Thanos (também da Marvel) ou General Zod, da rival DC. Mística é também considerada uma das personagens femininas mais sensuais dos quadradinhos, o que explica em boa medida o seu sucesso dentro e fora deles.

Mutante das mil caras.

Noutros media

Fora dos quadradinhos, Mística começou por ser antagonista recorrente dos pupilos do Professor Xavier em X-Men: Animated Series, no ar entre 1992 e 1997. Nesta sua primeira versão animada, a vilã comandava a Irmandade de Mutantes e agia frequentemente em conluio com o Senhor Sinistro, Magneto e Apocalipse. Caracterização que conheceria ligeiras nuances em produções subsequentes. Em Wolverine and the X-Men, por exemplo, Mística mantinha um relacionamento amoroso com Logan ao mesmo tempo que conspirava com o Mestre do Magnetismo contra a Humanidade.

Mística em X-Men: Animated Series.
No cinema, Mística foi originalmente interpretada pela ex-modelo Rebecca Romijn na primeira trilogia dos X-Men produzida entre 2000 e 2006. Após o reboot da franquia, desde 2011 que uma sua versão mais jovem vem sendo representada pela oscarizada Jennifer Lawrence. Com a particularidade de a personagem ser agora retratada mais como uma anti-heroína do que como uma vilã.
Apesar da sua versatilidade, o  futuro de Mística  no grande ecrã é incerto, dado o cansaço já manifestado por Lawrence relativamente às exigências do papel, designadamente as longas horas despendidas com a respetiva caracterização.
Mesmo que venha a confirmar-se a saída de Jennifer Lawrence, isso em nada comprometeria a participação de Mística numa franquia onde vem sendo figura-chave. Dada a multiplicidade de formas assumidas pela mutante das mil caras, qualquer outra atriz poderia ser escalada para o papel. Certo é que Mística regressará ao grande ecrã já no próximo mês de junho, quando Dark Phoenix chegar às salas de cinema norte-americanas.
Imagem relacionada
Jennifer Lawrence (esq.) e Rebecca Romijn encarnaram Mística no cinema.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

ETERNOS: LEN WEIN (1948 - ...)




  Monstro do Pântano, Wolverine e Noturno são apenas parte da memorabilia criativa deste veterano escritor e editor, que desde muito cedo percebeu ser um predestinado da 9ª arte. A sua influência exorbitou, contudo, o universo dos quadradinhos, estendendo-se a outros meios de comunicação, designadamente à televisão.

Biografia: Leonard Norman Wein nasceu a 12 de junho de 1948, na cidade de Nova Iorque. Numa entrevista concedida em 2003, recordava: "Em criança tive diversos problemas de saúde. Passei, por isso, largas temporadas no hospital. Durante uma dessas ocasiões, quando tinha sete anos, o meu pai comprou-me uma pilha de bandas desenhadas para eu matar o tempo. Foi assim que fiquei viciado nesse tipo de material. Anos depois, quando andava no liceu, um dos meus professores de Arte disse-me que eu tinha um talento artístico inato que deveria explorar. A partir daí, resolvi não me poupar a esforços para realizar o meu sonho de vir, um dia, a trabalhar na indústria dos comics".
  Ainda na puberdade, Len e o seu inseparável amigo Marv Wolfman (vide biografia já publicada neste blogue) participavam, pelo menos uma vez por mês, nas visitas guiadas aos escritórios da DC Comics. Wolfman era um já um elemento ativo na subcultura dos fanzines. Len, que por esses dias estava mais interessado em tornar-se desenhador do que escritor, ajudou o amigo a produzir algumas histórias com super-heróis. Com ambos a submetê-las, de seguida, à apreciação dos editores da DC.
   A perseverança de Len e Marv acabaria por dar frutos: os dois foram convidados por Joe Orlando (à época editor-chefe da DC) para se tornarem escritores freelancers. Len estreou-se nessa qualidade com Eye of the Beholder, história dada à estampa em dezembro de 1968 no 18º número de Teen Titans. Mantendo a parceria criativa com Wolfman, os dois criaram em conjunto, especificamente para essa aventura dos Titãs, o Estrela Vermelha. Sendo este o primeiro super-herói soviético a ser incorporado na mitologia da Editora das Lendas.

A estreia de Len Wein como escritor profissional verificou-se em Teen Titans nº18 (1968).

  Pouco tempo depois, Neal Adams (outro Eterno já dado a conhecer neste blogue) foi encarregue de reescrever e de redesenhar uma outra história dos Titãs escrita por Len Wein e Marv Wolfman. Intitulada Titans Fit the Battle of Jericho!, caso não tivesse sido vetada, a história em questão introduziria no Universo DC o seu primeiro super-herói africano. Carmine Infantino ( então editor de Teen Titans, e cujo perfil já foi igualmente traçado neste blogue) foi o responsável por essa decisão.
  Em meados de 1969, Len Wein trabalhava simultaneamente para a Marvel e para a DC. Escrevendo contos de mistério e suspense para, respetivamente, Tower of Shadows e The House of Secrets. Ainda antes do final desse ano, Len tornou-se argumentista de Secret Hearts, título da DC com um forte cunho romântico, muito popular entre o público feminino. 
  Escriba incansável e versátil, Len passou por várias outras séries regulares da Editora das Lendas abarcando géneros tão diversos como terror sobrenatural, westerns e ficção científica. Dentro desta última categoria, há a destacar o trabalho por ele desenvolvido nos títulos Star Trek e The Twilight Zone,  baseados nas cultuadas séries televisivas homónimas .
  Mesmo sem nunca ter conseguido realizar a sua ambição de ganhar a vida a desenhar, numa outra entrevista, datada de 2008, Len declarou: "O meu estudo no sentido de me tornar um artista dotou-me da capacidade de descrever detalhadamente aos ilustradores com quem trabalhei as ideias e as imagens que trazia na cabeça. Especialmente durante a minha primeira passagem pela DC, era comum alguns artistas pedirem ao editor-chefe (Julius Schwartz) para desenharem as minhas histórias. Segundo eles, os meus guiões eram muito gráficos, o que lhes facilitava imenso o trabalho".
  Corria o ano de 1971 quando, em colaboração com o artista Bernie Wrightson, Len Wein concebeu o Monstro do Pântano (Swamp Thing). Personagem que debutaria em julho desse ano, nas páginas de The House of Secrets nº91. E que, no decurso das décadas seguintes, protagonizaria um amplo cardápio de títulos e minisséries com a chancela da DC, além de dois filmes e uma série televisiva. Curiosamente, mais ou menos por esta altura, Wein escreveu também a segunda história do Homem-Coisa (Man-Thing), personagem da Marvel que emulava diversos aspetos do Monstro do Pântano (ou vice-versa, dependendo do ponto de vista).
   Já na qualidade de editor de Saga of the Swamp Thing, em meados dos anos 80 Wein supervisionou o trabalho nela desenvolvido pelo escritor britânico Alan Moore (vide biografia já publicada neste blogue).

Monstro do Pântano, a desconcertante personagem que notabilizou Len Wein.


  Em 1972, após uma memorável passagem por Justice League of America, Wein foi, com Carmine Infantino, o cocriador da segunda encarnação do Alvo Humano (Human Target). Um audaz detetive privado e guarda-costas que assumia a identidade dos seus clientes marcados para morrer às mãos de assassinos contratados. O enorme êxito da personagem abriu caminho para a sua transposição ao pequeno ecrã por via de duas séries televisivas datadas de 1992 e 2010.

Alvo Humano, outra das cocriações bem-sucedidas de Len Wein.

  Nos anos seguintes, Wein escreveu vários títulos icónicos da Marvel. A saber, The Amazing Spider-Man, Thor, Fantastic Four, Marvel Team-Up e The Incredible Hulk. Foi, aliás, aquando da sua passagem por este último que participou ativamente na conceção daquela que se viria a tornar numa das personagens de charneira da Casa das Ideias: Wolverine.
  O carismático mutante canadiano seria, de resto, uma das coqueluches da nova encarnação dos X-Men, introduzida em maio de 1975 por Len Wein e Dave Cockrum. Entre as personagens criadas pela dupla nesse contexto sobressaíram Tempestade (Storm), Noturno (Nightcrawler), Colossus e Pássaro Trovejante (Thunderbird). Exceção feita a este último, os restantes tornar-se-iam peças-chave nas sagas vindouras dos Filhos do Átomo.
  A este propósito, em 2009 Chris Claremont (com John Byrne, um dos artífices daquela que é quase unanimamente considerada a melhor fase da história dos X-Men), teceu as seguintes considerações: "A história moderna dos quadradinhos seria muito diferente sem o contributo de Len Wein. É, portanto, lastimável que ele nem sempre seja reconhecido como devia ser. Particularmente os fãs dos X-Men têm um enorme débito de gratidão para com Len Wein e Dave Cockrum, cujo trabalho desenvolvido com a equipa foi, visto sob qualquer prisma, extraordinário".


O visual  primitivo de Wolverine desenhado por Dave Cockrum.


 Algures a meio da década de 70, Len Wein assumiu, durante aproximadamente um ano, o cargo de editor-chefe da Marvel, sucedendo assim ao lendário Roy Thomas e sendo depois sucedido pelo seu velho amigo Marv Wolfman.
  Quando nada o fazia prever, o casamento de Len Wein com a Marvel chegou ao fim. Ainda por cima, de forma litigiosa e envolvido em polémica. Facto que ditou o seu regresso à DC, na dupla qualidade escritor e editor. Além de assumir as histórias do Cavaleiro das Trevas em Batman, Wein colaborou igualmente em Green Lantern. Já depois de ter cocriado a terceira versão do vilão Cara-de-Barro (Clayface), escreveu, em 1980, a primeira minissérie do Homem-Morcego, The Untold Legend of the Batman.
  Como editor, Len Wein trabalhou numa mão cheia de séries bem-sucedidas: Camelot 3000, New Teen Titans, Batman and the Outsiders, além da aclamada saga Watchmen.
  No período pós-Crise, Len Wein foi incumbido de revitalizar o Besouro Azul (Blue Beetle) e trabalhou em estreita articulação com George Pérez em Wonder Woman.
  No início dos anos 90, Len Wein mudou-se para a Costa Oeste dos EUA. Assumindo então o cargo de editor-chefe da Disney Comics. Terminada essa experiência, dedicou-se a produzir e a editar guiões para séries de animação, como Batman, X-Men, Godzilla ou War Planets: Shadow Riders.
  Seria preciso esperar até 2012 para Len Wein fazer o seu regresso à 9ª arte. E fê-lo pela porta grande. No âmbito do projeto Before Watchmen, escreveu a minissérie Ozymandias, cuja coletânea figurou durante várias semanas na lista de best-sellers do New York Times.

O primeiro volume de Ozymandias, prequela de Watchmen que trouxe Len Wein de volta à ribalta.

 De ascendência judaica, Len Wein é atualmente casado em segundas núpcias com Christine Valada, advogada e fotógrafa. A residir na Califórnia há cerca de duas décadas, o casal viu a sua casa ser consumida pelas chamas em abril de 2009. Episódio de consequências trágicas, já que no incêndio morreu o cão da família e foram destruídos os Shazam Awards de Wein.
  Meses depois, porém, Christine amealhou 60 mil dólares na sua participação num concurso televisivo. Pecúlio que ela se comprometeu a investir na recuperação e/ou substituição dos livros e outros bens culturais que o casal perdeu no referido sinistro.
 Já este ano, Len Wein foi submetido a uma cirurgia cardíaca para a colocação de um bypass triplo, depois de sentir fortes dores no peito. Completou 68 anos no mês passado e tem ainda muito para dar à 9ª arte. E nós, leitores agradecidos, cá estaremos para fazer uma respeitosa vénia ao seu admirável legado que perdurará nos anais da história da BD.
 
Um grande senhor da 9ª arte.

Prémios e distinções: Sem surpresa, ao longo da sua longeva e prolífica carreira, Len Wein foi contemplado com diversos galardões. A abrilhantar o seu currículo, os dois Shazam Awards conquistados em 1972, nas categorias de Melhor Escritor Dramático (Swamp Thing) e de Melhor História Individual (Dark Genesis em Swamp Thing nº1). No ano seguinte, dividiria com Bernie Wrightson um terceiro Shazam Award, desta feita para Melhor Série Regular (novamente com Swamp Thing).
  Ainda na década de 70, mais precisamente em 1977, Wein foi distinguido com um Inkpot Award para Melhor Escritor. Cinco anos depois, em 1982, foi a vez de o Comics Buyer's Guide lhe atribuir o seu prémio para Melhor Editor.
  Pela sua história The Dreaming: Trial and Error, publicada na linha Vertigo da DC Comics, em 1998 Len Wein foi nomeado para o Bram Stoker Award, atribuído pela Associação Americana de Escritores de Terror. Já este século, em 2008, foi nomeado para o prestigiadíssimo Will Eisner Comics Book Hall of Fame.
   Um palmarés impressionante, condizente com toda uma vida dedicada à sua paixão pelos quadradinhos.

     

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

HERÓIS EM AÇÃO: NOTURNO







       Filho de um demónio e de uma mutante, Noturno é muitas vezes confundido com uma criatura infernal. Na verdade, este X-Man é profundamente devoto a Deus e tem um coração de ouro, sendo muito acarinhado pelos seus companheiros de equipa.
 
Nome original: Nightcrawler
Primeira aparição: Giant Size X-Men nº1 (maio de 1975)
Criadores: Len Wein e Dave Cockrum
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Kurt Wagner
Local de nascimento: Castelo do barão Christian Wagner, Baviera (Alemanha).
Base de operações: móvel
Parentes conhecidos: Azazel (pai), Mística (mãe), barão Christian Wagner (padrasto falecido), Margali Szardos (mãe adotiva),  Dentes-de-sabre (meio-irmão), Talia Wagner/Noturna (filha  de uma realidade alternativa).
Filiação: X-Men e Excalibur (membro fundador).
Poderes e habilidades: A principal habilidade mutante de Noturno é o teletransporte. Sempre que o faz, deixa atrás de si uma nuvem com um intenso cheiro a enxofre. Quanto maior for a distância percorrida, maior é o esforço dispendido. Para evitar materializar-se no interior de objetos sólidos ou em qualquer outro lugar que coloque em risco a sua integridade física, Noturno dispõe de uma perceção espacial extrassensorial, ainda que limitada.
                                    Entre as várias características invulgares da sua fisionomia mutante, destaca-se a sua cauda preênsil (que lhe permite suportar o seu próprio peso e agarrar ou lançar objetos), a visão infravermelha, a estrutura óssea flexível e os micro-discos de sucção nas mãos e nos pés (que lhe permitem aderir a quase todo o tipo de superfícies).
                                    Acrobata exímio, Noturno possui agilidade e reflexos sobre-humanos que  fazem dele também um excelente lutador corpo a corpo.
 
A estreia de Noturno ocorreu em 1975, nas páginas de Giant Size X-Men nº1.
 
Biografia: Perfilhado por uma feiticeira cigana chamada Margali Szardos, Noturno só muitos anos mais tarde descobriria a verdadeira identidade dos seus pais. Estes eram, nada mais nada menos, do que a mutante transmorfa Mística (ver Némesis: Mística) e o demónio Azazel.
                  Para evitar que o filho recém-nascido fosse linchado por uma turba enfurecida e amedrontada pelo seu aspeto demoníaco, Mística lançou-o para dentro de um poço. O que teria custado a vida ao bebé, não fosse pela intervenção de Azazel que, de seguida, o entregou aos cuidados de Margali Szardos. 
                  Kurt foi então levado para o circo onde Margali trabalhava como vidente, e lá cresceu feliz. Acarinhado por todos os membros do circo (que não eram preconceituosos em relação aos mutantes), os seus amigos mais próximos eram os filhos biológicos de Margali, Stefan e Jimaine. Aos olhos destes, Kurt era um irmão, pese embora o facto de Margali nunca o ter adotado oficialmente.
                   Muito antes de o seu poder de teletransporte se manifestar na puberdade, Kurt, em resultado da sua agilidade sobre-humana, tornou-se a principal atração do circo. O público que se extasiava com as suas assombrosas acrobacias acreditava, contudo, tratar-se de um rapaz comum fantasiado de demónio.
                  Anos depois, Arnos Jardine, um milionário texano, proprietário de um circo na Flórida, comprou o circo onde Kurt trabalhava. Jardine determinou que os melhores artistas passariam a atuar nos EUA e que Kurt passaria a integrar um circo de aberrações. No entanto, o jovem mutante foi ajudado a escapar por outro da sua espécie e partiu ao encontro de Stefan, um dos seus irmãos adotivos. O reencontro de ambos, porém, não aconteceu como Kurt esperava: Stefan enlouquecera e chacinara várias crianças num pequeno vilarejo germânico. Tentando detê-lo, Kurt acabou por, acidentalmente, quebrar o pescoço do irmão.
                  Assumindo que Kurt era um demónio e que fora ele o responsável pela morte das crianças, os aldeões tentaram linchá-lo. E estavam prestes a consegui-lo quando foram telepaticamente paralisados pelo Professor Charles Xavier, mentor dos X-Men. Depois de lhe ter salvo a vida, Xavier convidou Kurt a juntar-se à sua renovada equipa de heróis mutantes. Kurt anuiu e passou a atuar sob a identidade de Noturno, ao lado de Ciclope, Wolverine, Tempestade, entre outros.

Noturno fez parte da segunda geração de X-Men.
 
                   Julgando mortos os restantes X-Men durante uma missão fracassada em Dallas, Noturno e Lince Negra (os membros remanescentes da equipa), uniram esforços com o Capitão Britânia para expulsar um grupo de mercenários interdimensionais que ameaçavam o Reino Unido. O trio trabalhou tão bem em conjunto que, no final dessa aventura, resolveram formar um novo coletivo super-heroico crismado de  Excalibur.
                    Embora inicialmente o Capitão Britânia tenha assumido a liderança do Excalibur, vicissitudes várias ditaram que essa responsabilidade coubesse posteriormente a Noturno. Quando o grupo foi dissolvido, na sequência do casamento do Capitão Britânia, Noturno, Lince Negra e Colossus (que entretanto também se juntara ao Excalibur), reingressaram nos X-Men, não obstante a mágoa que todos partilhavam pelo facto de os seus antigos companheiros de equipa não os terem informado que a sua morte não passara, afinal, de uma encenação.

Com Lince Negra, Capitão Britânia, Fénix II e Meggan, Noturno fundou o Excalibur.

                   Durante um curto ínterim, Noturno, católico devoto, abandonou os X-Men para ingressar num seminário e assim realizar o seu sonho de ser padre. A sua ordenação, porém, nunca se concretizou e ele desistiu do sacerdócio. Regressado aos X-Men, assumiu-se como uma espécie de consciência moral da equipa, questionando muitas vezes, os seus métodos beligerantes.

Curiosidades: Dave Cockrum, cocriador de Noturno, concebeu originalmente a personagem com vista a integrá-la num grupo de super-heróis renegados chamado The Outsiders. A ideia foi rejeitada pela DC, que considerou o visual de Noturno demasiado sinistro. Quando Dave se transferiu para a arquirrival Marvel, levou consigo o conceito que, desta feita, foi prontamente aprovado.

Noturno é um acrobata exímio.
 
Noutros media: Fora dos quadradinhos, a estreia de Noturno deu-se num episódio intitulado The X-Men Adventure da série animada Spider-Man And His Amazing Friends (1981-83). Seguiu-se a sua participação, em 1989, no episódio-piloto da série de animação Pryde of the X-Men, a qual acabaria por nunca ser produzida.
                           Foi, com efeito, preciso esperar até 1992 para ver o herói mutante em pleno no pequeno ecrã em X-Men, outra série animada produzida pela Marvel e emitida pelo canal norte-americano Fox Kids.
                           Teve também papel de destaque em X-Men: Evolution (2000-2003) e aparições pontuais em Wolverine and the X-Men (2009).
                           No cinema, tornou-se conhecido junto do público em geral graças a X-Men 2 (ver texto anterior), onde foi interpretado por Alan Cumming. Dada a indisponibilidade do ator para repetir o papel no terceiro filme dos pupilos de Charles Xavier, o afastamento de Noturno foi justificado pela sua discordância relativamente aos métodos beligerantes da equipa.

Alan Cumming como Noturno em X-Men 2.
 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

BD CINE APRESENTA: X-MEN 2






           Um atentado à vida do presidente norte-americano, perpetrado por um mutante, abre a temporada de caça aos portadores do gene X. Apanhados no fogo cruzado, os X-Men tornam-se alvos a abater.
 
 
Título original: X-Men 2 (nos EUA foi promovido como X2: X-Men United ou simplesmente X2)
Ano: 2003
País: EUA
Duração: 133 minutos
Realização: Bryan Singer
Argumento: Bryan Singer, Dan Harris, Zak Penn, David Hayter e Michael Dougherty
Elenco: Patrick Stewart (Professor Charles Xavier), Hugh Jackman (Wolverine), Halle Berry (Tempestade), Ian McKellen (Magneto), Famke Janssen (Jean Grey), James Marsden (Ciclope), Rebecca Romijn-Stamos (Mística), Brian Cox (William Stryker), Anna Paquin (Vampira), Alan Cumming (Noturno) e Bruce Davison (senador Kelly).
Orçamento: 110 milhões de dólares
Receitas: 408 milhões de dólares
Sinopse: Vários meses se passaram desde que os pupilos do Professor Xavier derrotaram e aprisionaram Magneto numa aparentemente inexpugnável cela de plástico. Humanos e mutantes coabitam pacificamente. Até ao dia em que um mutante de aspeto demoníaco invade a Casa Branca, tentando assassinar o presidente dos EUA. Mesmo sem conseguir o seu objetivo, o ataque desencadeia uma violenta cruzada antimutante, encabeçada por William Stryker.
                 Enquanto isso, muito longe dali, Wolverine procura descobrir mais pormenores do seu passado nebuloso.
                 Pressionado pela opinião pública, o governo norte-americano aprova o registo obrigatório de todos os mutantes a residir no país. Stryker descobre a verdadeira natureza da escola para jovens sobredotados do Professor Xavier e ordena um ataque à mesma, com o propósito de se apoderar de Cérebro, o supercomputador capaz de localizar portadores do gene X em qualquer ponto do globo.
                Mística liberta Magneto da prisão e este forja uma aliança temporária com os X-Men que escaparam ao ataque das forças de Stryker à mansão X. Juntos, tentarão libertar Xavier e deter Stryker.


Para enfrentarem uma ameaça comum, os mutantes têm de unir forças.
 
Curiosidades:
 
* Antes de ser filmada a cena em que Noturno é descoberto numa igreja por Jean Grey e Tempestade, o ator Alan Cumming foi maquilhado durante dez horas;
* O combate entre Wolverine e Lady Letal demorou três semanas a ser gravado;
* O monólogo final de Jean Grey é o mesmo do Professor Xavier no início do primeiro filme dos X-Men;
* Foram escritos 27 rascunhos do guião;
* A réplica da secretária do Presidente na Sala Oval era tão detalhada que demorou dois meses a construir;
* A mansão usada como cenário para a academia de mutantes do Professor Xavier é a mesma que serve de lar a Lex Luthor na série Smallville;
* Gambit e Fera foram equacionados como novas personagens a introduzir, mas nenhum deles possuía a aparência demoníaca de Noturno;
* Na base do guião de X-Men 2 esteve a aclamada graphic novel "God Loves, Man Kills", escrita por Chris Claremont (vide post anterior);
* Na cena final do filme, à medida que a câmara desliza sobre a água, vislumbra-se uma grande sombra em forma de ave, numa referência à futura ressurreição de Jean Grey como Fénix.

Noturno, o mutante alemão com poderes de teletransporte, é interpretado por Alan Cummings.
 
Minha avaliação:  71%
            Comparado com X-Men 2 (para mim a adaptação ao cinema dos heróis mutantes mais bem conseguida até à data), o filme original parece um simples prólogo aos eventos narrados nesta sequela.
                Bryan Singer manteve todas as personagens do primeiro filme e adicionou mais umas quantas para manter as coisas interessantes e piscar o olho aos fãs dos X-Men. Desde logo, a introdução de um formidável vilão como William Stryker representa uma mais-valia para uma história muito mais sólida e dinâmica do que a que foi apresentada no primeiro filme.
               Outro aspeto positivo prende-se com o facto de vermos o enigmático passado de Wolverine ser esmiuçado, depois de em X-Men ter sido apenas aflorado.
               Fica assim a sensação de que o primeiro filme foi uma espécie de ensaio geral quer para o realizador, quer para o elenco, quer para a equipa de produção. Todos surgem agora mais confiantes. Com mais dinheiro e tempo disponíveis, X-Men 2 resulta numa película mais sofisticada e credível. Singer também foi bem sucedido no seu propósito de imprimir algum humor e romantismo numa história com contornos sombrios.
              X-Men 2 apenas perde para o seu antecessor pela falta do elemento surpresa.

William Stryker (Brian Cox) está apostado em exterminar os portadores do gene X.