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quinta-feira, 11 de maio de 2017

ETERNOS NICK CARDY (1920-2013)


   As raízes plebeias não o impediram de ser um príncipe da 9ª Arte, cuja magnífica obra continua a ser reverenciada pelos seus pares. Versátil e perfecionista, gostava de chamar a si todo o processo de criação artística, fazendo dele um caso ímpar na sua época. Tão glamorosas como as capas que produziu em série para a DC eram as musas e ninfetas esculpidas pelo seu lápis.

Biografia: Nova-iorquino de gema, Nick Cardy nasceu Nicholas Viscanti a 20 de outubro de 1920, no Lower East Side, pitoresco bairro de Manhattan que, antes da especulação imobiliária dos últimos anos, acolhia tradicionalmente as classes menos endinheiradas. Filho de um casal de modestos imigrantes italianos - o pai operário, a mãe costureira, nenhum deles falando mais do que algumas palavras de inglês - cedo começou a dar sinais de ser um talento precoce e um predestinado das artes.
Para embevecimento dos seus progenitores, com apenas 6 anos de idade o pequeno Nick já desenhava, esculpia e fazia entalhes em madeira. Aos 14, alguns dos murais que pintara para embelezar a comunidade onde cresceu foram fotografados pelo New York Herald Tribune e pela Literacy Digest, o que lhe valeu os seus primeiros minutos de fama.
Nada que, no entanto, lhe subisse à cabeça. Apesar de todo o prestígio que granjearia ao longo da sua exemplar carreira como ilustrador e arte-finalista, a humildade seria um traço indelével da sua personalidade.
Chegado ao secundário, foi pois sem surpresa que, em vez de um liceu convencional, Nick optou por matricular-se na recém-fundada School of Industrial Art. Instituição que, como o próprio nome sugere, se propunha a desenvolver as aptidões artísticas dos seus alunos com vista ao seu ingresso no mercado de trabalho.
Ao longo dos anos que por lá andou, o talento de Nick não passou despercebido nem a colegas nem a professores. Tendo mesmo o seu trabalho artístico sido distinguido com vários prémios e honrarias. Não obstante todo esse reconhecimento, sabia que tinha ainda uma longa aprendizagem pela frente. Passando por isso a frequentar em simultâneo aulas de arte nas filiais nova-iorquinas do Boys Club of America e da Art Students League, duas organizações filantrópicas que, a troco de propinas quase simbólicas, proporcionavam essas e outras atividades extracurriculares a jovens carenciados.
Depois de dizer adeus aos bancos da escola - e sem se poder dar ao luxo de os trocar por os de uma qualquer universidade -, Nick trabalhou durante um curto período de tempo como aprendiz numa agência publicitária antes de ser contratado para o Eisner & Iger.
Corria o ano de 1939, o espectro negro da guerra pairava sobre a Europa, e foi nesse lendário estúdio fundado por Will Eisner e Jerry Iger, dois iconoclastas, que ele deu os primeiros passos na turbulenta indústria dos comics. Que, por esses dias, em contraste com os tempos de chumbo que se aproximavam, vivia a sua época áurea.
Ao mesmo tempo que, na sua qualidade de avençado, desenhava títulos como Fight Comics ou Jungle Comics para a Fiction House (editora extinta nos anos 50 que teve em Sheena, a Rainha das Selvas o seu maior êxito), Nick assinava com o pseudónimo Ford Davis as tiras de Lady Luck publicadas no suplemento dominical do mesmo jornal em que eram também apresentadas as aventuras de The Spirit.

Fight Comics foi um dos títulos da Fiction House
desenhados por Nick Cardy.
Ambas as personagens haviam saído da imaginação de Will Eisner em 1940, motivando meses antes a dissolução da sua sociedade com Jerry Iger. Para o qual Nick continuou no entanto a trabalhar durante mais algum tempo.
Reconhecendo as enormes potencialidades de Nick, Eisner tornou-se seu mentor e confiou-lhe a arte de Lady Luck, para assim se poder dedicar por inteiro àquela que seria a sua criação suprema: The Spirit. Ao que consta, apesar do pseudónimo Ford Davis, o jovem pupilo de Eisner encontrava sempre maneira de inscrever subtilmente as suas verdadeiras iniciais (NV) em pontos estratégicos dos painéis por si ilustrados.
Em qualquer caso, a experiência foi-lhe de grande valia na medida em que, além do próprio Eisner, ela permitiu-lhe trabalhar de perto com outros grandes vultos da 9ª Arte, como Lou Fine, Bob Powell ou George Tuska. Unânimes em reputar Nick como um virtuoso da ilustração cuja humildade só encontrava paralelo na pertinácia que patenteava na constante sublimação do seu traço, caracterizado pela abordagem clássica à anatomia humana aliada a uma inesgotável criatividade.

Will Eisner confiou a sua Lady Luck a Nick Cardy.
Foi também apadrinhado por Eisner que, a partir de finais de 1940, Nick teve oportunidade de trabalhar na Quality Comics (outra das mais proeminentes editoras da Idade do Ouro de onde saiu, entre outros, Plastic Man). Ao serviço da qual foi autorizado pela primeira vez a usar o seu nome de batismo. Optou, todavia, por abreviá-lo - ou americanizá-lo, diriam alguns - como Cardy, apelido com que ficaria imortalizado na história da banda desenhada.
Ao cabo de um par de anos a perfumar com o seu talento alguns dos títulos mais emblemáticos da Quality, Nick Cardy foi contratado pela Fiction House, cujo contingente de artistas residentes reforçaria até ser chamado a vestir a farda do Exército norte-americano em 1943.

Ao serviço da Quality Comics, Nick Cardy pôde usar pela primeira vez
  o seu nome verdadeiro.
Crack Comics foi um dos títulos por onde passou.
Poucos saberão, de resto, que Nick Cardy foi um herói de guerra, condecorado não com um mas com dois Corações Púrpura* correspondentes a outros tantos ferimentos sofridos em combate. É difícil imaginar algo assim com alguém mais habituado a ter lápis e pincéis como armas. E, com efeito, Cardy documentou minuciosamente a sua epopeia de G.I. Joe através de dezenas de esboços e aguarelas.
Nada fazia prever, de facto, grandes atos de bravura por parte do soldado raso Nick Cardy. Inicialmente incorporado na 66ª Divisão de Infantaria dos EUA, passaria a trabalhar como mecânico nas oficinas do quartel-general da unidade após ter vencido um concurso para a conceção da respetiva insígnia. Era essa a única vaga disponível quando um general admirador do seu trabalho resolveu puxar uns cordelinhos para manter Cardy o mais afastado possível da linha da frente. Aonde acabaria mesmo por ir parar quando, nos primeiros meses de 1944, recebeu ordem para se juntar à 3ª Divisão Blindada, então estacionada na Velha Albion.


66th Infantry Division shoulder sleeve insignia.jpg
Em cima: Nick Cardy em pose de galã de cinema;
Em baixo: o logótipo por ele concebido para a 66ª Divisão de Infantaria dos EUA.
Aos comandos de um tanque, Cardy acabaria dessa forma por participar ativamente na invasão da Normandia, operação militar que ditaria em larga medida a vitória aliada na 2ª Guerra Mundial.
Ferido duas vezes em combate, terminaria a sua comissão de serviço em França, num confortável gabinete do Departamento de Informação e Educação do Exército dos EUA.
De regresso à vida civil e à Grande Maçã, o primeiro emprego que Nick Cardy conseguiu foi como freelancer da Fiction House e ilustrador de revistas de palavras cruzadas. Era esse o seu ganha-pão quando, em 1946, conheceu e desposou Ruth Houghty, mãe do seu único filho (falecido em 2001), e com quem se manteria casado até 1969.
Após uma fugaz passagem pelas tiras a preto e branco de Tarzan, em 1950 Nick Cardy iniciou a sua longa colaboração de mais de um quarto de século com a DC. Na Editora das Lendas começou por desenhar duas séries de curta duração - The Legends of Daniel Boone e Congo Bill -, bem como historietas avulsas para House of Mystery e Gang Busters.
Numa época em que era comum os artistas desdobrarem-se entre diferentes géneros, Cardy emprestou também o seu traço a uma panóplia de séries de terror e romance da Standard Comics. Menos comum era um desenhador arte-finalizar o próprio trabalho. Algo que fazia de Nick Cardy se não caso único, pelo menos, uma das poucas exceções à regra.
Em resposta ao novo impulso dado pela Marvel Comics aos super-heróis no princípio dos anos 1960, a DC investiu fortemente nas suas publicações estreladas por essas figuras coloridas que haviam entrado em decadência no pós-guerra. A títulos consagrados como Action Comics, Showcase ou Detective Comics somaram-se assim alguns inéditos, incluindo Aquaman. Que, muito por conta da soberba arte de Nick Cardy, se revelaria uma aposta ganha. Exímio a desenhar criaturas marinhas e correntes marítimas, a fluidez do seu traço criava uma atmosfera subaquática visualmente cativante para dentro da qual os leitores se sentiam transportados.
Vale a pena lembrar que desde a sua estreia, em 1941, nunca o Soberano dos Mares dispusera de uma série própria. Sendo, portanto, justo reconhecer a Nick Cardy o mérito de tê-lo convertido numa das personagens de charneira do Universo DC, após década a viver na sombra de Superman e companhia.

Uma das mais glamorosas capas de Aquaman desenhadas por Nick Cardy.
Beneficiando de uma dinâmica particularmente favorável - especialmente quando Carmine Infantino** foi nomeado editor-chefe da DC - Nick Cardy iniciou uma fase seminal que se prolongaria até ao início da década seguinte. Entre 1962 e 1968 desenhou mais de 40 edições de Aquaman, continuando no entanto como seu capista até ao cancelamento da série em 1971.
Com cada trabalho seu a superar o anterior, algumas das capas que produziu durante esse período tornar-se-iam icónicas. Adjetivo que também se poderia aplicar a Mera, a curvilínea namorada de Aquaman que Cardy ajudara a criar logo em 1963. E que, à imagem e semelhança de tantas outras figuras femininas esculpidas pelo seu lápis, se tornaria uma musa cujas formas voluptuosas pareciam quase tridimensionais. Cardy notabilizou-se de facto por desenhar algumas das mais belas mulheres dos quadradinhos, dotando-as de curvas e não de ângulos.
Além de Mera, Nick Cardy foi também cocriador do Mestre dos Oceanos (Ocean Master, no original), ainda hoje um dos principais antagonistas do Soberano dos Mares.

Mera, a cara-metade de Aquaman, pelo traço de Nick Cardy.
A segunda série da Editora da Lendas para cujo sucesso Nick Cardy deu um importante contributo foi Teen Titans. Ficando a sua passagem por ela marcada por uma estreia e por uma polémica. Esta última suscitada pelo veto de Carmine Infantino a uma história dos Novos Titãs ilustrada por Cardy e que, se não fosse por essa interferência, teria introduzido o primeiro herói negro da história da DC. Já a estreia referia-se ao novo visual da Moça-Maravilha (Wonder Girl).
Objetivando sinalizar a maturidade da antiga adjunta juvenil da Mulher-Maravilha, Cardy substituiu-lhe o velho uniforme - essencialmente um pastiche do da sua precetora - por um modelo mais moderno e arrojado, que se tornaria a imagem de marca da personagem ao longo de mais de duas décadas.

Graças a Nick Cardy, Moça-Maravilha surgiu
de look renovado em Teen Titans #23 (1969).
Fazendo jus à sua reputação de trabalhador incansável, em paralelo a Teen Titans (de que desenhou os 42 primeiros números e outras tantas capas), entre os últimos meses de 1968 e os primeiros de 1969, Nick Cardy assumiu também a arte de Bat Lash. Ambientada no Velho Oeste e protagonizada por um carismático anti-herói muito diferente dos truculentos cowboys, esta série de curtíssimo prazo de validade (expirou ao fim de apenas 7 volumes) procurava reinventar o western, obliterando muitos dos seus clichés ao mesmo tempo que piscava o olho à contracultura que parecia ganhar mais adeptos a cada dia que passava. A combinação de tramas inteligentes, mulheres bonitas e vilões caricaturais tornou-a objeto de culto até aos dias de hoje.
Mesmo tendo fracassado na sua missão primordial de reviver um género moribundo, Bat Lash é por muitos considerada a piéce de résistance de Nick Cardy. Então com 48 anos, o artista viu cimentada a sua posição de importante intérprete da arte sequencial ao escrever também o seu segundo número.
Bat Lash #7 p. 3 (2)
A arte de Nick Cardy atingiu o seu ápice em Bat Lash.
Quando deixou finalmente as histórias dos Novos Titãs, em meados de 1973, Nick Cardy encontrou guarida na Casa das Ideias, onde fez parte da equipa criativa de Marvel Comics' Crazy Magazine, publicação humorística que satirizava elementos da cultura pop, incluindo os super-heróis. Manteve no entanto o seu estatuto de capista de referência da DC, assinando dezenas de capas de Superman, Batman, The Brave and the Bold, entre outros.
No final de 1974, Nick Cardy deixou os fãs em choque ao anunciar a sua retirada dos quadradinhos. Na origem desta inesperada decisão terão estado, dependendo das fontes consultadas, disputas relacionadas com direitos autorais ou a simples necessidade de mudar de ares ao fim de mais de três décadas ao serviço da indústria dos comics.
Certo é que quando trocou os quadradinhos pela arte comercial, passou a assinar como Nick Cardi as suas novas empreitadas. Que, além de ilustrações publicitárias, incluíam também cartazes promocionais de filmes. Sendo o mais icónico do seu portefólio aquele que concebeu para Apocalipse Now, a odisseia bélica dirigida em 1979 por Francis Ford Coppola.
1996 marcaria o regresso, ainda que interino, de Nick Cardy aos quadradinhos e à DC, casa que tão bem conhecia. Nesse ano foi um dos desenhadores convidados a participarem em Superman: Wedding Album, volume especial lançado para assinalar o casamento do Homem de Aço com o seu amor de sempre, Lois Lane. A sua despedida definitiva aconteceria em março de 2001, quando desenhou duas páginas de Titans #25, herdeiro do título que, quatro décadas antes, Cardy ajudara a catapultar para a ribalta.

A última capa desenhada por Nick Cardy para a DC, em 2000,
homenageava os Titãs originais,
Apesar das alterações de estilo ao longo dos anos, a arte de Nick Cardy primou sempre pela elevada qualidade. Dotando-o de um incomparável dom narrativo que lhe permitia contar histórias quase sem necessidade de suporte textual E se ele é menos conhecido entre os fãs atuais do que alguns dos seus contemporâneos isso deve-se ao facto de ele não ter tido oportunidade de desenhar com maior regularidade os principais ícones da DC, começando pela Trindade (Batman, Superman e Mulher-Maravilha). O que não obstou a que sua obra continue a ser admirada pelos seus pares, aos quais ainda hoje serve de referência.
Falecido em novembro de 2013, aos 93 anos, em resultado de problemas cardíacos, Nick Cardy viveu tempo suficiente para ver o seu trabalho reconhecido. Depois de, em 1998, ter sido galardoado com um Inkpot Award (prémio anual que, desde 1974, distingue os melhores profissionais do entretenimento), em 2005 foi um dos quatro nomes indicados pela indústria dos quadradinhos para o Will Eisner Comic Book Hall of Fame. Sendo também, a partir de hoje, um dos Eternos da 9ª Arte a abrilhantar este blogue com a sua solene presença. Dado o desconhecimento geral das novas safras de leitores relativamente à obra de Nick Cardy, penso que divulgá-la será a melhor das homenagens a prestar-lhe.

Uma das últimas fotografias de Nick Cardy, tirada em sua casa
pouco tempo antes de o artista se despedir do mundo dos vivos.

*Purple Heart (ou Coração Púrpura) é uma comenda militar atribuída pelo Presidente dos EUA aos veteranos de guerra feridos no campo de batalha;
** Perfil disponível em http://bdmarveldc.blogspot.pt/2013/06/eternos-carmine-infantino-1925-2013.html

Galeria de capas: 


The Brave and the Bold #94 (DC Comics, março de 1971)


Bat Lash #1 (DC Comics, novembro de 1968)

Aquaman #1 (DC Comics, fevereiro de 1962)

Congo Bill #1 (DC Comics, setembro de 1954)

DC Special #3 (DC Comics, Abril de 1969)
Falling in Love #119 (DC Comics, novembro de 1970)

Crazy Magazine #15 (Marvel Comics, janeiro de 1976)

The Deadly Hands of Kung Fu #18 (Marvel Comics, novembro de 1975)


















sexta-feira, 4 de março de 2016

HEROÍNAS EM AÇÃO: ESTELAR




   Fez parte do fabuloso naipe de personagens propositadamente criadas pela dupla Wolfman/Pérez para impulsionar os Novos Titãs, em cujas fileiras conheceu o amor da sua vida. Princesa de um mundo paradisíaco, escolheu a Terra como lar adotivo, assim poupando o seu povo a um fatídico destino.

Nome original: Starfire
Licenciadora: DC Comics
Criadores: Marv Wolfman (história) e George Pérez (arte conceitual)
Primeira aparição: DC Comics Presents nº26 (outubro de 1980)
Identidade civil: Koriander (também conhecida, na Terra, como Kory Anders)
Espécie: Alienígena humanoide
Local de nascimento: Planeta Tamaran
Parentes conhecidos: Rei Myander (pai), Rainha Luander (mãe), Komander (irmã), Ryander (irmão), Príncipe Karras (marido falecido) e General Ph'yzzon ( segundo marido, também falecido)
Afiliação: Ex-integrante dos Novos Titãs, dos Renegados e da Liga da Justiça da América
Base de operações: Ao serviço dos Novos Titãs, Estelar operou a partir da Torre Titã (Nova Iorque) e da Ilha Titã (ao largo da costa de São Francisco). Atualmente, não dispõe de uma base de operações fixa.
Armas, poderes e habilidades: Como todos os nativos de Tamaran, a fisiologia de Koriander foi concebida para absorver a radiação ultravioleta e convertê-la em pura energia, permitindo-lhe dessa forma voar a velocidades supersónicas. Originalmente, ela conseguia usar esse poder para deslocar-se no espaço sideral. No entanto, a sua versão moderna, saída de Os Novos 52, é incapaz de fazê-lo sem os efeitos da gravidade.
   Além da capacidade de voo, o seu poder atávico confere-lhe igualmente força e resistência sobre-humanas que a habilitam a rivalizar com pesos-pesados do Universo DC, como a Mulher-Maravilha.
   Depois de ter sido submetida a experiências de bioengenharia conduzidas pelos Psions, Estelar adquiriu a capacidade de canalizar a radiação ultravioleta absorvida pelo seu organismo sob a forma de poderosas rajadas energéticas. Recentemente, já demonstrou, também, ser capaz de libertar de uma só vez toda a energia acumulada numa espécie de pequena explosão solar que a deixa completamente exaurida.
  Treinada pelos mestres guerreiros de Okaara, Estelar é uma exímia combatente, proficiente em diversas artes marciais. Dispõe ainda de outro talento inato na sua espécie: o de assimilar instantaneamente outros idiomas por via do contacto físico com os respetivos falantes. Tratando-se de representantes do sexo masculino, ela prefere desencadear o processo através de um beijo - por ser mais divertido.
Fraquezas: Emocionalmente instável, Estelar, habitualmente dócil e altruísta, tende a reagir violentamente quando se sente de alguma forma ameaçada. Na época em que fazia parte dos Novos Titãs, esses ocasionais acessos de fúria deixavam um rasto de destruição à sua volta e só eram aplacados por Dick Grayson.


Após a sua estreia em DC Comics Presents Nº26 (1980),
Estelar teve a sua origem revelada em Tales of  the New Teen Titans nº4 (1982).

Conceção: Admitindo ter empregado elementos de personagens preexistentes na conceção do visual de Estelar, George Pérez (perfil já publicado neste blogue) recorda como tudo se processou: "Baseando-me na descrição de Estelar que me foi fornecida por Marv Wolfman, deduzi que ele teria em mente uma espécie de versão espacial de Red Sonja (personagem detida pela Marvel Comics). Usei, por isso, a guerreira ruiva como principal modelo. Certo dia, porém, enquanto trabalhava nos esboços da Estelar, Joe Orlando (outro ilustrador ao serviço da DC), espreitou por cima do meu ombro e comentou que ela deveria ter o cabelo mais comprido. Achei uma excelente ideia e tratei logo de desenhá-la com uma farta juba, cujo efeito em voo foi inspirado no rasto colorido deixado pelo Mighty Mouse (personagem animada também conhecida como Super Mouse). Desta curiosa miscelânea de influências resultou uma das mais carismáticas heroínas da nona arte. .
  Importa ainda sublinhar que Estelar foi uma das três personagens propositadamente criadas pela dupla Wolfman/Pérez para lançar a nova geração de Titãs. Cyborg e Ravena foram as outras duas, ao passo que Mutano (Changeling, no original) transitou da Patrulha do Destino (Doom Patrol) para os Novos Titãs, completando assim o contingente de debutantes na rediviva série.


Red Sonja (em cima) e Mighty Mouse foram
 as duas principais inspirações para o visual de Estelar

Biografia: Localizado no longínquo sistema estelar Vegan, Tamaran é um idílico planeta governado pelas emoções. Todos os seus habitantes nascem com a capacidade de voar graças à absorção de energia solar.
  Filha do meio dos monarcas Myander e Luander, a princesa Koriander cresceu feliz e despreocupada. Tudo mudou, porém, quando foi chamada a substituir a sua irmã mais velha na linha de sucessão ao trono. Por causa de uma rara deficiência contraída na infância, Komander (vulgo Estrela Negra) perdeu a capacidade de voar, sendo, por isso, preterida no seu direito dinástico. Contrariedade que acirrou nela um profundo rancor em relação a Koriander.
   Quando as duas irmãs foram enviadas para treinar técnicas de combate corpo a corpo sob os auspícios dos mestres guerreiros de Okaara, Komander aproveitou um dos exercícios para tentar matar Koriander. Infâmia que teve como consequência a sua expulsão de Tamaran. Antes, porém, da sua partida para o exílio, Komander jurou vingança.

Komander, a malévola irmã de Koriander, 
também conhecida como Estrela Negra.

    Promessa que ganharia expressão pouco tempo depois, quando Komander forneceu informações detalhadas acerca do sistema de defesa de Tamaran aos seus arqui-inimigos da Cidadela.
   Após a capitulação de Tamaran, a princesa Koriander foi entregue pela sua irmã mais velha como escrava, servindo assim de moeda de troca para impedir a destruição do planeta. No armistício que o Rei Myander foi obrigado a celebrar com a Cidadela, incluía-se uma cláusula que proibia o regresso de Koriander a Tamaran, sob pena de desencadear novo conflito entre os dois mundos.
   Tratada como uma mercadoria, Koriander passou por vários pontos da galáxia ao longo dos anos seguintes. Anos marcados pela servidão e por todo o tipo de abusos que a mudariam para sempre.
   Quando Koriander tirou a vida a um dos seus algozes, Komander resolveu executá-la pessoalmente. No entanto, ambas foram atacadas e sequestradas pelos Psions, uma raça alienígena de cientistas sádicos, especializados em bioengenharia.
  Submetidas a sinistros experimentos científicos, as duas irmãs conseguiram escapar devido à distração causada pelo ataque das forças de Komander à base dos Psions. Usando a sua recém-adquirida capacidade de disparar rajadas energéticas, Koriander libertou Komander, que ainda estava a absorver energia. Gesto compassivo que a vilã retribuiu usando as suas novas habilidades (idênticas às de Koriander, porém mais potentes) para subjugar a irmã.
   O calvário da princesa só chegaria ao fim quando conseguiu escapar do seu cativeiro a bordo de uma espaçonave roubada. Perseguida por caças da Cidadela, Koriander entrou na órbita da Terra, onde foi recapturada. Sendo, porém, prontamente libertada graças à intervenção dos Titãs, equipa de jovens super-heróis liderada por Robin (Dick Grayson). Por quem Koriander se enamorou desde o primeiro momento em que o viu, embora essa paixão assolapada tenha demorado a ser correspondida pelo antigo Menino-Prodígio.

Jogos mortais entre irmãs nas páginas de The New Teen Titans nº23 (1982).

  Verdadeira refugiada das estrelas, impedida de regressar ao seu mundo natal, Koriander fez da Terra o seu lar adotivo e, sob o codinome Estelar, juntou-se aos Novos Titãs. Ao lado dos quais viveu inúmeras aventuras e desventuras, encontrando em Donna Troy (a Moça-Maravilha) uma irmã afetiva.
  Por conta dos seus impressionantes atributos físicos, Koriander chegou a trabalhar algum tempo como modelo fotográfico, usando o pseudónimo Kory Anders, ao mesmo tempo que dividia um apartamento com Ravena e Donna Troy.

Com os Novos Titãs, Estelar viveu dias felizes na Terra.

   À semelhança da maioria das personagens que compõem o Universo DC, Estelar teve a sua história reescrita em Os Novos 52. Na nova versão da sua origem, as manas Koriander e Komander eram inseparáveis até ao dia em que viram os seus pais serem mortos e o seu planeta devastado pela Cidadela. Entronizada com apenas 14 anos, Komander teve de vender Koriander como escrava para manter a paz com os seus inimigos.
   Após vários anos de escravidão, Koriander conseguiu escapar e regressou a Tamaran. Com a ajuda de alguns antigos companheiros de cativeiro, libertou o seu mundo natal do jugo da Cidadela. Incapaz de perdoar a irmã pelas agruras sofridas, Koriander ofereceu-se para ser embaixadora do seu povo. Missão que serviu apenas de pretexto para uma solitária peregrinação sua pelos rincões da galáxia. Jornada interrompida quando a nave em que seguia se despenhou na Terra.
  Agora conhecida como Estelar (e com um visual remodelado), Koriander envolveu-se romanticamente com Dick Grayson. Quando, por motivos ainda por explicar, o casal se separou, Estelar isolou-se numa ilha tropical. Foi lá que conheceu Jason Todd (o Capuz Vermelho), com quem fundaria os Renegados. Aparentemente, as suas memórias dos Novos Titãs foram totalmente apagadas.

O novo figurino de Estelar em Os Novos 52.
 

Relacionamentos amorosos: Enquanto membro dos Novos Titãs, Koriander viveu um tórrido romance com o líder da equipa (Dick Grayson, o Asa Noturna), de quem chegou a ficar noiva. Quando os dois pombinhos resolveram dar o nó, tiveram a cerimónia de casamento arruinada por Ravena, que matou o padre antes que este pudesse declará-los marido e mulher.
   No entanto, Koriander já foi casada duas vezes, ambas em Tamaran. O primeiro enlace (com o Príncipe Karras) precedeu a sua vinda para a Terra e serviu para selar um tratado de paz. Karras morreria pouco tempo depois em combate, deixando Koriander precocemente viúva.
   Anos depois, após a sua separação de Dick Grayson, a heroína alienígena foi obrigada a desposar o impiedoso General Phy'zzon. União sem amor que terminou abruptamente com a morte de Phy'zzon às mãos do Devorador de Sóis.
   Em tempos mais recentes, Estelar teve um affair inconsequente com o Capitão Cometa, cujos  fortes sentimentos por ela nunca foram correspondidos.

Asa Noturna e Estelar: amor interespécies.

Nota adicional: Pese embora a inclusão de Estelar nos cânones da DC remonte ao período que precedeu Crise nas Infinitas Terras, a sua existência permaneceu intacta na nova continuidade da editora. Não obstante, alguns elementos da história da personagem foram alterados ou removidos, devendo, por isso, ser considerados apócrifos.

Estelar, princesa e guerreira de um mundo distante.

Noutros media: Na lista dos 25 maiores heróis do Universo DC, elaborada em 2013 pelo IGN, Estelar ocupava a 21ª posição. Nesse mesmo ano, a curvilínea princesa de Tamaran foi eleita pelo Comics Buyer's Guide como a vigésima mulher mais sensual dos quadradinhos, num universo de cem candidatas.
  Ainda com reduzida expressão no panorama audiovisual, a estreia televisiva de Estelar verificou-se em 2003, ano em que foi para o ar a primeira de cinco temporadas da série animada Teen Titans. Sempre com papel de relevo, a heroína marcaria depois presença em New Teen Titans (2011-14) e em Teen Titans Go! (2013-15).
  Após várias participações irrisórias em filmes de animação baseados na mitologia da DC, Estelar estará finalmente em primeiro plano em Justice League versus Teen Titans, com data de lançamento prevista para 29 deste mês. Segundo consta, Koriander será retratada como o membro mais velho dos Novos Titãs e líder do grupo.

Longe da sensualidade que sempre foi a sua imagem de marca,
 Estelar surgiu assim retratada em Teen Titans.



sábado, 30 de março de 2013

HERÓIS EM AÇÃO: NOVOS TITÃS




     A formação primitiva dos Novos Titãs reunia os parceiros juvenis dos principais super-heróis seniores da DC. Seguiram-se várias reconfigurações, transformações e ressurreições da equipa, que nunca deixou de ser fiel à sua matriz.

Nota prévia: dada a plêiade de integrantes que ao longo das décadas fizeram parte dos Novos Titãs, o texto abaixo centrar-se-á apenas naquelas que, na minha opinião, foram as três fases mais importantes da história do grupo.


I- Os Titãs primordiais

Da esq. para a dir.: Ricardito, Aqualad, Kid Flash e Robin, com a Moça-Maravilha em segundo plano.

 
Nome original: Teen Titans
Primeira aparição: Brave and the Bold nº54 (julho de 1964)
Licenciadora: DC
Criadores: Bob Haney, George Kashdan e Bruno Premiani
Membros fundadores: Robin (Dick Grayson), Kid Flash (Wally West), Aqualad (Garth), Moça-Maravilha/Wonder Girl (Donna Troy) e Ricardito/Speedy (Roy Harper)
Base de operações: Torre Titã (Nova York)
Origem e histórico de publicação: Na sua primeira aventura em conjunto, Robin, Kid Flash e Aqualad - parceiros juvenis, respetivamente, de Batman, Flash e Aquaman - juntaram forças para derrotar um vilão com poderes climáticos no 54º número de Brave and the Bold (1964). Um ano e seis edições volvidas, ao triunvirato primordial juntar-se-ia a Moça-Maravilha (pretensa irmã mais nova da Mulher-Maravilha, criada especificamente para integrar o grupo), passando então a pandilha a atuar sob o nome de Turma Titã (assim crismados no Brasil pela editora EBAL). Ainda em 1965, mas em dezembro, seria a vez de Ricardito ( então sidekick do Arqueiro Verde) se juntar ao grupo nas páginas de Showcase nº59. Em fevereiro do ano seguinte, os heroicos adolescentes estreariam a sua própria série. A qual tinha como premissa transformar os Titãs numa espécie de Liga da Justiça júnior, respondendo a pedidos de ajuda provenientes dos quatro cantos do mundo.
        Claramente elegendo os adolescentes como público-alvo, temas como jovens assumindo responsabilidades e papéis de adultos eram recorrentes na série. Nesse sentido, nas primeiras histórias da equipa eram exploradas situações contemporâneas, como a contestação à guerra no Vietname ou as tensões raciais que eclodiam um pouco por todos os EUA.
       Não obstante o sucesso relativo, a série seria cancelada em 1973, sendo relançada três anos decorridos, sem contudo lograr recuperar o fulgor inicial.


Numa antevisão do que seriam os Titãs, Kid Flash, Robin e Aqualad reuniram-se pela primeira vez em Brave and the Bold nº54 (1964).
 


II- A 2ª geração de Titãs

    A 2ª geração de Titãs (no sentido dos ponteiros do relógio e com a Torre Titã em fundo): Estelar, Robin, Kid Flash, Ravena, Cyborg, Mutano e Moça-Maravilha.

Nome original: The New Teen Titans
Primeira aparição: The New Teen Titans nº1 (novembro de 1980)
Licenciadora: DC
Equipa criativa: Marv Wolfman (texto) e George Pérez (arte)
Membros: Robin/Asa Noturna, Kid Flash/Flash III, Ravena, Cyborg (Victor Stone), Mutano/Beast Boy (Garfield Logan), Moça-Maravilha/Tróia/Darkstar e Estelar (Koriander). A este elenco juntar-se-iam várias outras personagens, nomeadamente Jericó (filho do Exterminador, inimigo jurado dos Titãs), Terra, Fantasma, Pantha, Estrela Vermelha, Rapina & Columba, só para citar algumas.
Base de operações: Torre Titã (Nova York)
Origem e histórico de publicação: Em novembro de 1980, pelas mãos de Marv Wolfman e George Pérez, a segunda geração de Titãs debutou nas páginas de The New Teen Titans nº1. À formação original (exceto Ricardito), juntou-se um novo quarteto de personagens: Cyborg, meio homem, meio máquina; Mutano, um transmorfo capaz de assumir a forma de qualquer animal; Estelar, uma sensual e poderosa princesa alienígena; e Ravena, uma soturna empata filha do demónio Trigon. Foi, de resto, para frustrar os planos diabólicos de Trigon que a equipa foi reunida por Ravena. Sobrepujada a ameaça, os seus jovens integrantes decidiram manter o coletivo.
       Contrastando com o tom pueril das primeiras histórias dos Titãs, a nova safra narrativa assumia um registo mais adulto. Desde logo, as motivações dos vilões complexificaram-se, seguindo tendências que despontavam naquela época, introduzindo grande profundidade nos quadradinhos, particularmente no caso do Exterminador (vide texto anterior), um mercenário moralmente ambivalente , contratado para aniquilar o grupo, depois de o seu filho ter fracassado nessa missão. Fiel a esse desígnio, o vilão infiltraria no seio dos Titãs uma espia: Terra, uma meta-humana sua amante, com poderes geotérmicos e uma personalidade psicótica, que atraiçoaria os seus companheiros de equipa.
       Atestando o caráter mais adulto dos Novos Titãs, Robin e Kid Flash emanciparam-se dos seus respetivos tutores (Batman e Flash) e assumiram novas identidades: o primeiro seria doravante conhecido como Asa Noturna (Nightwing no original), ao passo que o segundo deixaria cair o Kid no nome, tornando-se assim a terceira encarnação do Flash (sucedendo a Barry Allen, falecido durante a Crise nas Infinitas Terras).
        A série, no entanto, experimentaria algumas confusões relacionadas com títulos e numerações quando, em 1984, no âmbito da iniciativa da DC informalmente designada hardcover/softcover (capa dura / capa mole), foi relançado um novo nº1. Juntamente com Legion of the Super-Heroes e Batman and the Outsiders, The New Teen Titans foi um dos três títulos abrangidos por esse controverso projeto editorial que consistia em publicar a mesma história duas vezes: a primeira numa edição mais cara com papel e impressão de alta qualidade distribuída exclusivamente em lojas especializadas; a segunda sendo republicada um ano depois no formato original de baixo custo e colocada à venda nas tradicionais bancas. Em resultado disso, a série foi renomeada Tales of the Teen Titans, passando a coexistir com uma outra agora publicada como The New Teen Titans (vol.2). Logo na sua primeira edição, a série causou polémica, ao mostrar Robin e Estelar deitados juntos na cama, embora já tivesse sido anteriormente estabelecido que os dois formavam um casal monogâmico, sem contudo estar unido pelo matrimónio.
        O número 50 da série foi duplamente marcante: por um lado, devido à supressão de Teen no respetivo título, na medida em que os Titãs já não eram adolescentes; por outro, a revelação da origem da Moça-Maravilha e da sua ligação com a Princesa Amazona. Ao longo dos sete anos seguintes, a The New Titans introduziu várias novas personagens (Jericó, Pantha, Estrela Vermelha, etc.), o regresso de outras (caso de Ricardito, agora respondendo pelo nome Arsenal) e transformações radicais noutras (a Moça-Maravilha deu lugar a Tróia e posteriormente a Darkstar).

 The New Teen Titans nº1 (1980) marcou o dealbar de uma nova era para a equipa.

III - Os Titãs do 3º milénio

Titãs do século 21 (no sentido dos ponteiros do relógio): Robin Vermelho, Solstício, Kid Flash II, Skitter, Moça-Maravilha II e Superboy (ao centro).


Nome orginal: Teen Titans
Primeira aparição: Teen Titans (vol. 4) nº1 (novembro de 2011)
Licenciadora: DC
Membros: Robin Vermelho/Red Robin (Tim Drake), Moça-Maravilha II/Wonder Girl (Cassie Sandsmark), Kid Flash II (Barry Allen), Bunker (Miguel Barragan), Solstício/Solstice (Kiran Singh), Skitter (Celine Patterson) e Danny the Street. Também Superboy (Kon-El) colabora ocasionalmente com o grupo, apesar de não ser oficialmente membro.
Base de operações: Nova York
Origem e histórico de publicação: Em setembro de 2011, a franquia dos Novos Titãs foi relançada nos EUA, acompanhando a revitalização da cronologia oficial do universo DC, operada através de "Os Novos 52".  No entanto, a maior novidade na mais recente encarnação da equipa radica no facto de Tim Drake nunca ter sido Robin, nem sidekick do Homem-Morcego. Atuando como Robin Vermelho, Drake, que vinha monitorizando as atividades de vários jovens meta-humanos espalhados pelo globo, reúne um grupo de heróis improváveis para enfrentar a ameaça representada pela Momentum (N.O.W.H.E.R.E. no original), uma organização secreta cujos objetivos são ainda desconhecidos. Mas que é responsável pela criação em laboratório de uma nova versão do Superboy, concebido com o propósito de ser a arma suprema ao serviço da Momentum, de molde a obliterar qualquer resistência ao seus desgínios.
           Inexperientes e impulsivos, os jovens heróis nem sempre funcionam bem em conjunto, apesar da assertiva liderança do Robin Vermelho.

O renascer de uma lenda em Teen Titans (vol. 4) nº1 (2011).

Noutros media: Data de 1967 a primeira incursão dos Titãs noutros meios de comunicação social que não os quadradinhos. Nesse ano, Ricardito, Aqualad, Moça-Maravilha e Kid Flash participaram pontualmente nalguns episódios da série de animação The Superman / Aquaman Hour Of Adventure, transmitida pela cadeia televisiva norte-americana CBS entre 1967 e 1968. Em 1983 foi a vez de  The New Teen Titans, série animada produzida pela Hanna-Barbera mas rejeitada pelo canal ABC. Seguiu-se uma longa travessia do deserto, somente interrompida em 2003 aquando do lançamento pela Cartoon Network de nova série de desenhos animados inspirada na equipa de heróis adolescentes e com notórias influências anime: Teen Titans teve cinco temporadas, ao longo das quais foram narradas algumas das histórias clássicas do grupo como "O Contrato de Judas" ou "O Reinado de Trigon".

Os Titãs em ação num episódio de The Superman/Aquaman Hour of Adventure (1967).
 Teen Titans: só em 2003 o grupo regressaria ao pequeno ecrã.



 

segunda-feira, 25 de março de 2013

GALERIA DE VILÕES: EXTERMINADOR





      Geneticamente aprimorado e regido por uma ética muito própria, o Exterminador é uma máquina assassina com tanto de eficiente como de imprevisível.
 
 
Nome original: Deathstroke, the Terminator
Primeira aparição: The New Teen Titans (vol.1) nº2 (dezembro de 1980)
Criadores: Marv Wolfman e George Pérez
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Identidade civil: Slade Joseph Wilson
Parentes conhecidos: Nathaniel Wilson (pai), Adeline Kane (ex-esposa falecida), Grant Wilson/Ravager I (filho falecido), Joseph Wilson/Jericó (filho) e Rose Wilson/ Ravager V (filha)
Filiação: Exército dos EUA, Sociedade Secreta de Supervilões, Liga da Injustiça, Team 7, Xeque-mate e Titãs.
Base de operações: móvel
Habilidades e armas:
 
*Intelecto sobredotado: em resultado do experimento científico a que foi submetido, o Exterminador tornou-se capaz de usar 90% da capacidade do seu cérebro (em contraste com os 10% de um ser humano médio);
* Fator de cura acelerado: permite-lhe regenerar tecidos danificados e cicatrizar feridas potencialmente fatais;
* Imunidade: associada às suas capacidades regenerativas, o Exterminador desenvolveu igualmente ao longo dos anos imunidade a um largo espectro de doenças e venenos;
* Envelhecimento retardado: embora exiba sinais de envelhecimento, Slade Wilson é, na verdade, muito mais velho do que aparenta;
* Força, resistência, reflexos e velocidade amplificados;
* Sentidos hiperaguçados;
* Análise tática: estratego exímio e profundamente calculista, o Exterminador antecipa, quase sempre com precisão, os movimentos dos seus adversários;
* Técnicas avançadas de combate corpo a corpo: domina várias artes marciais, entre as quais ninjitsu, boxe e karaté. Acresce ainda a sua extraordinária destreza no manejo de espadas;
* Entre a sua vasta parafernália de combate, destaca-se a sua armadura (atualmente feita de metal Enésimo, cuja resistência é superior à do titânio), uma lança energética, uma espada de metal Promethium e uma superbomba atordoante (capaz, entre outras coisas, de incapacitar temporariamente toda a Liga da Justiça).
Fraquezas: Sendo zarolho, o Exterminador nem por isso se sente menos confiante ao enfrentar qualquer oponente. A prová-lo, o facto de usar uma máscara que expõe a sua deficiência, em vez de dissimulá-la.
 
Camuflado nas sombras, o Exterminador fez a sua primeira aparição em The New Teen Titans nº2 (1980).
 
Biografia e histórico de publicação: Embora a estreia do Exterminador nos quadradinhos preceda em quatro anos a do filme Exterminador Implacável de James Cameron, nos EUA o vilão passou a ser designado simplesmente por Deathstroke.   
      Na sua primeira aparição nas páginas de The New Teen Titans nº2, o Exterminador foi apresentado como um mercenário empenhado em concluir um contrato deixado a meio pelo seu filho, o primeiro Ravager . Não tardou, porém, a converter-se num dos principais antagonistas dos Titãs com os quais, ao longo dos anos, também firmou algumas alianças pontuais.
       Em resultado da sua tremenda popularidade entre os fãs, em 1991 o Exterminador passou a estrelar uma série própria: inicialmente intitulada Deathstroke, the Terminator, seria rebatizada de Deathstroke, the Hunted a partir do número 46, e simplesmente de Deathstroke, já na reta final da série, que seria cancelada ao cabo de 60 números. A estes somam-se ainda quatro edições anuais protagonizadas pelo mercenário de ética dúbia.
       Com apenas 16 anos, e depois de mentir acerca da sua idade, Slade Wilson alistou-se no exército norte-americano. Teve a sua primeira experiência de combate na Guerra da Coreia, sendo posteriormente transferido para Camp Washington e promovido a major.
        Nos primeiros anos da década de 1960 conheceu a capitã Adeline Kane (sua futura esposa), a qual fora incumbida de treinar recrutas em novas formas de combate, antecipando a guerra que se desenhava no Vietname. A jovem oficial ficou impressionada com as habilidades guerreiras de Wilson, bem como com a sua fácil adaptação às neófitas convenções de combate. Completamente enamorada pelo seu pupilo, Adeline ofereceu-se para um treino privado em técnicas de guerrilha. Rapidamente se tornando notório para ela que estava em presença de um soldado dotado de um extraordinário potencial. Em menos de um ano, Wilson dominava com mestria todas as técnicas de combate em que fora iniciado, não tardando a ser promovido a tenente-coronel. Seis meses depois, ele e a sua antiga instrutora casaram, daí resultando a primeira gravidez do casal. Com a escalada do conflito no Vietname, Wilson foi destacado para o teatro de operações. Durante a sua presença nele, a unidade a que pertencia chacinou uma aldeia habitada por camponeses, atrocidade que repugnou Wilson. Nos EUA, a sua esposa dava entretanto à luz o primeiro filho de ambos, Grant Wilson.
        Regressado aos EUA, Wilson foi selecionado para participar num experimento militar ultrassecreto que tinha como objetivo criar supersoldados para o exército estadounidense. Com as suas capacidades físicas e mentais aprimoradas pela bioengenharia, Wilson tornou-se um mercenário pouco tempo depois ao desobedecer a ordens superiores indo resgatar um antigo camarada de armas, enviado numa missão suicida. Contudo, Wilson manteve em segredo junto da família essa sua nova atividade.
           Quando um vilão de nome Chacal raptou o filho mais novo de Wilson para assim o obrigar a revelar o nome de um cliente que contratara os seus serviços de sicário, ele recusou fazê-lo em nome do seu código de conduta profissional. Decisão que custou as cordas vocais do seu filho, cortadas pelo Chacal em retaliação.
           Ao tomar conhecimento do dramático episódio e da vida dupla do marido, Adeline tentou matá-lo. O disparo, porém, apenas conseguiu deixá-lo cego do olho direito.
           O Exterminador tem um extenso historial de contendas com os Novos Titãs (vide texto seguinte), equipa a que pertenceu, até revelar ser um traidor, o seu filho mais novo, Joseph Wilson, que atuava sob o codinome Jericó. Nada que  impedisse o Exterminador de  em várias ocasiões  lutar ao lado dos seus jovens némesis.
           No renovado Universo DC, o Exterminador é um mercenário de topo, famoso internacionalmente. Recentemente tentou, por iniciativa própria, matar o Batman, tarefa em que não foi bem-sucedido.
      
Visual clássico do Exterminador que, em tempos, teve uma série própria.

         
Noutros media: Na quarta e última temporada da série televisiva Lois & Clark: The New Adventures of Superman,  um assassino internacional que respondia pelo nome Deathstroke surgiu num episódio, quase nada tendo, porém, em comum esta versão com o original.
             O ator Ron Perlman (o Hellboy cinematográfico) emprestou a voz ao Extermiandor nas duas primeiras temporadas da série de animação Teen Titans. Nela o vilão era somente identificado pelo nome próprio, Slade.
            Na décima temporada de Smallville, coube a Michael Hogan vestir a pele do Exterminador, agora apresentado como sendo o tenente-general Slade Wilson que, manipulado secretamente por Darkseid, propugnava a aprovação de legislação anti-super-heróis.
            O Exterminador também já figurou em vários videojogos com a chancela da DC, com especial destaque para o Mortal Kombat versus DC Universe.
 
 
Enfrentando Robin na série animada Teen Titans.