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terça-feira, 10 de abril de 2018

ETERNOS: ROY THOMAS (1940 - ...)


Stan Lee confiou-lhe a chave da Casa das Ideias e ele, não mais despindo a pele de guardião do templo, salvou-a da ruína iminente. Da sua incansável pena saíram histórias e personagens emblemáticas, pelas quais nem sempre foi reconhecido. Fascinado pela mitologia da Idade do Ouro, na DC - onde deu os primeiros passos e que quis rebatizar - cumpriu o sonho de trabalhar com os seus ídolos de infância.

De seu nome completo Roy William Thomas, Jr., aquele que, aos ombros de um gigante da 9ª Arte, entraria para os anais da Marvel Comics como seu segundo editor-chefe veio ao mundo a 22 de novembro de 1940 em Jackson, pitoresca cidade impregnada do charme sulista do Missouri.
Leitor voraz de banda desenhada desde que aprendera a juntar as primeiras letras, era ainda pessoa de palmo e meio quando começou a produzir as suas próprias historietas aos quadradinhos. Entre esses projetos editoriais dos seus verdes anos, recorda com especial carinho All-Giant Comics, título totalmente da sua autoria que tinha Elephant Giant (Elefante Gigante) como cabeça de cartaz.
Coincidindo com a (re)fundação da Marvel Comics, em 1961 Roy Thomas diplomou-se em Ciências Educativas (com dupla especialização em História e Literatura Americana) através da Southeast Missouri University, instituição pública com extensos pergaminhos na área da formação pedagógica.
Nesses idos de 60 era ainda intenso o fulgor da Idade da Prata, período em que se assistiu ao recrudescimento do género super-heroico após o declínio registado no pós-guerra. Fiel à sua paixão de sempre, Roy Thomas, recém-chegado à idade adulta, era, por aqueles dias, um dos mais dinâmicos membros da comunidade de fãs. Que tinha em Jerry Bails o seu fundador e mais venerado guru.
Doutorado em Física, Bails foi pioneiro no estudo do impacto cultural dos super-heróis, tendo sido também o primeiro a reconhecer-lhes valor académico. Instado pelo à época editor-chefe da DC, Julius Schwartz, em 1961 o bom doutor lançaria  Alter Ego, um fanzine que, malgrado o seu grafismo tosco, depressa se converteria no evangelho dos seus cada vez mais numerosos apóstolos.

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O primeiro número de Alter Ego foi lançado em 1961.
Entre aqueles que, com fervor religioso, alimentavam essa borbulhante subcultura ia sobressaindo um jovem professor de Inglês do Missouri chamado Roy Thomas. Em comum, ele e Bails possuíam ainda um profundo fascínio pela Idade do Ouro, mormente pelo respetivo panteão heroico.
Por meio de doutas análises e dissertações, Roy Thomas colaborou em Alter Ego desde o primeiro número, tornando-se dessa forma o braço-direito de Jerry Bails. Isto ao mesmo tempo que via serem publicadas várias cartas da sua lavra nas secções de correspondência da Marvel e da DC, onde granjeara o estatuto de habitué. Afirmando-se, sem embargo, como uma das vozes mais respeitadas no fandom norte-americano.
Quando, em 1964, Jerry Bails abandonou o fanzine para se dedicar a outros projetos, foi com naturalidade que passou o testemunho a Roy Thomas. Facto que poderá por alguns ser percecionado como um curioso prenúncio do seu percurso ascendente na Casa das Ideias ao longo da segunda metade desse decénio.
A despeito da sua determinação em não deixar Alter Ego definhar, privando desse modo os fãs de uma inestimável fonte de informação numa época em que a Internet pertencia ao domínio da mais delirante ficção científica, em 1965 Roy Thomas recebeu uma proposta irrecusável. A convite de Mort Weisinger, o temperamental editor das séries periódicas do Superman, Thomas abalou para Nova Iorque, para trabalhar como seu assistente.
Segundo contaria o próprio Roy Thomas, em entrevista datada de 2005, o surpreendente convite de Weisinger (com quem trocara apenas uma ou duas cartas) surgiu poucos dias depois de lhe ter sido concedida uma bolsa académica para financiar os seus estudos em Relações Internacionais na George Washington University, na capital federal dos EUA.
A esta escolha não deverá, contudo, ter sido alheia a circunstância de, poucos meses antes, Roy Thomas ter assinado uma história de Jimmy Olsen. Tal como Lois Lane, o fotógrafo do Daily Planet amigo do Homem de Aço dispunha na altura de série mensal em nome próprio.

Cover
A história de Roy Thomas
 publicada neste número da Superman's Pal Jimmy Olsen
rendeu-lhe um convite para trabalhar na DC.
Radiante com o se lhe prefigurava um emprego de sonho, Roy Thomas não pensou duas vezes antes de aceitar o convite de Weisinger. Este não era, no entanto, conhecido pelo seu trato fácil e logo despontaram as primeiras fricções entre ambos.
Ao fim de um dia de trabalho particularmente tenso, Roy Thomas, prestes a desmoronar emocionalmente, sentiu uma premente necessidade de extravasar as suas frustrações. Ocorreu-lhe fazê-lo através da escrita. A partir do seu minúsculo quarto de hotel em Manhattan, redigiu uma carta endereçada a ninguém menos do que Stan Lee. Essas singelas linhas mudariam para sempre a sua vida.
Thomas era um profundo admirador do trabalho que Lee vinha desenvolvendo no posto de editor-chefe da Marvel, e disso mesmo lhe deu conta na missiva que lhe enviou. Na esperança de que o mestre-de-cerimónias da Casa das Ideias se lembrasse dele do tempo em que colaborara no fanzine Alter Ego, Thomas convidou o seu ilustre interlocutor para uma bebida e dois dedos de prosa.
Tratou-se, todavia, de um gesto de simples cortesia. Conforme Roy Thomas reiterou em diversas ocasiões, apesar da sua insatisfação laboral, não tinha em mente candidatar-se a um emprego na concorrente que mordia os calcanhares à companhia para a qual trabalhava na altura.
A resposta de Stan Lee surgiu logo no dia seguinte sob a forma de um telefonema. O Papa da Marvel lembrava-se bem de Roy Thomas e desafiou-o a realizar o teste de escrita a que a editora submetia os aspirantes a roteiristas.
Embora constrangido, Roy Thomas resolveu de todo o modo juntar o útil ao agradável. Com o referido teste a consistir, tão-somente, na inserção de diálogos em quatro páginas a preto e branco de Fantastic Four Annual nº2 desenhadas por Jack Kirby. Seria, de resto, uma das últimas vezes em que esse método de seleção de candidatos foi aplicado na Casa das Ideias.
No dia seguinte, quando trabalhava no seu cubículo no quartel-general da DC, Roy Thomas recebeu o telefonema de um funcionário da Marvel que lhe transmitiu o convite de Stan Lee para que almoçassem juntos naquele mesmo dia.
Durante o repasto partilhado num modesto restaurante na baixa de Manhattan, Stan Lee propôs a Thomas que trocasse a DC pela Marvel. Proposta que o segundo, embora aturdido, aceitou de bom grado.
Regressado à Editora das Lendas, Roy Thomas logo cuidou de informar Mort Weisinger da sua decisão de ir trabalhar em breve para a arquirrival. Com a rispidez que o caracterizava, Weisinger ordenou-lhe, porém, que limpasse de pronto a sua secretária.
Apenas oito dias após ter sido contratado pela DC - e menos de uma hora depois de ter aceitado o convite de Stan Lee -, Roy Thomas mudou-se de armas e bagagens para a Casa das Ideias. Onde tinha já à sua espera a sua primeira empreitada literária: uma história para Modeling With Millie (decana das séries humorísticas da Marvel) que, em virtude do prazo apertado, escreveu contrarrelógio. E pela qual, devido a um alegado lapso editorial, não chegaria a ser creditado.

Modeling with Millie #52
A primeira história de Roy Thomas para a Marvel
 foi publicada nesta série humorística.
Roy Thomas recorda assim esses seus frenéticos primeiros dias na Casa das Ideias: «A minha primeira categoria profissional na Marvel Comics foi "escritor de apoio". O meu trabalho consistia em datilografar manuscritos 40 horas por semana com o gerente de produção Sol Brodsky e a sua secretária. Toda a gente que aparecia no escritório passava por mim e os telefones não paravam de tocar. Como se isso não perturbasse suficientemente a minha concentração, Stan Lee, seguindo uma prática consagrada, verificava pessoalmente cada uma das histórias finalizadas, trocando impressões com Brodsky a pouco passos da minha secretária. Era também comum Stan pedir-me para fazer outras coisas, ou perguntar-me em que edição tivera lugar determinada história, dado o meu sólido conhecimento da continuidade da Marvel naquela altura. Depressa, porém, ficou claro para todos que aquilo não estava a funcionar e Stan promoveu-me a redator assistente.»
Naqueles dias de glória em que das suas paredes a imaginação escorria em cascata, a Casa das Ideias tinha em Stan Lee e no seu irmão, Larry Lieber, os seus principais escribas. Recolhendo, numa primeira fase, as sobras das tramas planeadas por Lee, Roy Thomas, para despeito de alguns escritores veteranos ao serviço da editora,  logrou tornar-se presença assídua.

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Da esq. para a dir.: Stan Lee, Jack Kirby e Larry Lieber,
os Três Mosqueteiros da Casa das Ideias.  

Roy Thomas seria o seu D'Artagnan. 

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Em janeiro de 1966, uma história do Homem de Ferro saída da pena de Roy Thomas foi publicada em Tales of Suspense nº73, marcando assim a sua estreia com aqueles que eram os maiores astros da companhia: os super-heróis.
Nesse mesmo mês, duas outras histórias da sua lavra foram também dadas à estampa pela Charlton Comics*, editora com a qual colaborara brevemente como autor freelancer. Apesar de não ter ficado particularmente impressionado com esses trabalhos de Thomas para a rival, em abril de 1966 Stan Lee confiou-lhe o seu primeiro título.
Durante exatamente um ano, Sgt. Fury and his Howling Commandos teve as suas histórias ambientadas na II Guerra Mundial escritas por Roy Thomas. Que, logo depois, assumiria Uncanny X-Men e The Avengers, duas das séries mais emblemáticas da Marvel.
A uma forte noção de continuidade, Roy Thomas aliava uma notável versatilidade narrativa que lhe permitia abordar com idêntico à-vontade histórias de caráter intimista ou epopeias cósmicas, como a guerra Kree-Skrull.
A este propósito declarou Thomas numa entrevista dada em 1981: «Uma das razões pelas quais Stan Lee apreciava o meu trabalho era porque sentia que podia confiar em mim ao ponto de não ter que ler nada do que eu escrevia. Quanto muito, leria uma ou duas páginas apenas para garantir que eu permanecia no caminho certo.»

Sgt Fury Vol 1 30


Avengers Vol 1 58

X-Men Vol 1 39
Três dos títulos Marvel em que Roy Thomas imprimiu o seu cunho.
Cada vez mais requisitado, em julho de 1968 Roy Thomas escapuliu-se durante alguns dias para casar com Jean Maxey, a sua primeira mulher. Mas nem durante a lua-de-mel do casal Thomas deu descanso à pena. Durante as suas férias caribenhas escreveu o casamento de Hank Pym e Janet Van Dyne ( o Homem-Formiga e a Vespa), aquele que se tornaria um dos capítulos mais memoráveis da história dos Vingadores.
O ano de 1969 teve um travo agridoce para Roy Thomas. Investido da espinhosa missão de contrariar a morte anunciada de Uncanny X-Men - título que se havia transformado num cemitério de roteiristas - Roy Thomas mais não conseguiu do que adiar o inevitável. Meses depois seria, porém, agraciado com o primeiro prémio de relevo da sua carreira pejada deles: o Alley Award para melhor escritor.
No que alguns consideram ter sido uma jogada de alto risco, em 1970 Roy Thomas introduziu o género Espada e Feitiçaria no Universo Marvel. Fê-lo através de Conan the Barbarian, título baseado na personagem homónima idealizada por Robert E. Howard em 1932, e que fora um dos maiores expoentes da literatura pulp.
Combinando o texto ágil de Thomas com as belíssimas ilustrações de Barry Windsor-Smith, a série do errático gigante cimério redundou num estrepitoso sucesso, abrindo caminho para a sua transposição ao cinema. A meias com Gerry Conway**, em 1984 Roy Thomas assinou o enredo de Conan the Destroyer, sequela de Conan the Barbarian. Filme que, recorde-se, um par de anos antes, apresentara ao mundo o ex-Mister Olímpia Arnold Schwarzenegger.

Conan the Barbarian 1


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Primeiro na BD e depois no cinema,
Conan foi um sucesso com o dedo de Roy Thomas.
Mesmo depois de, em 1972, Stan Lee lhe ter confiado as chaves do reino dourado, Roy Thomas, assim alcandorado a editor-chefe da Marvel, continuou a produzir histórias a uma cadência estonteante. Dedicando-se de alma e coração à sua nova missão, lançaria também séries inéditas que se revelariam apostas ganhas. Casos, por exemplo, de The Defenders e What If?, esta última introduzindo o conceito de realidades alternativas.
Ao mesmo tempo que, animado pelo seu imorredouro fascínio pela Idade do Ouro, criava os Invasores (coletivo que agrupava alguns dos ícones dessa era, como Capitão América e o Príncipe Submarino), a sua prodigiosa imaginação gerou uma nova safra de personagens icónicas. Punho de Ferro, Motoqueiro Fantasma e Miss Marvel seriam adições de peso ao panteão da Casa das Ideias.
Ainda hoje um acérrimo defensor dos direitos autorais, Roy Thomas teve um amargo de boca ao não ser creditado como cocriador de Wolverine. Nome que, na sua qualidade de editor-chefe, havia sugerido a Len Wein e John Romita, em alternativa a The Badger. Curiosamente, anos depois, seria essa a alcunha dada por Mike Baron ao seu anti-herói celebrizado pela First Comics***.
Levando em conta esses e outros precedentes, Roy Thomas preferiu amiúde a reciclagem de conceitos preexistentes à criação de personagens inéditas. Entre os que por ele foram resgatados das brumas da memória destacam-se Adam Warlock, Visão e Cavaleiro Negro, cujas versões modernas se tornaram casos sérios de popularidade.

Foto de Ricardo Cardoso.


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Miss Marvel, Punho de Ferro e Motoqueiro Fantasma:
três criações icónicas de Roy Thomas para a Casa das Ideias.
Apesar de ter abandonado as funções de editor-chefe da Marvel em 1974, Roy Thomas não mais despiu a pele de guardião do templo. Tendo a sua intervenção sido providencial para, volvidos três anos, salvar a editora da bancarrota iminente.
Graças à sua perseverança e capacidade negocial, a adaptação oficial do primeiro filme da saga Star Wars foi lançada sob a chancela da Marvel. Projeto que antecedeu uma lucrativa série mensal baseada no universo imaginado por George Lucas, e cujas histórias ficaram inicialmente a cargo do próprio Roy Thomas.

Marvel Special Edition Featuring Star Wars Vol 1 1
A adaptação aos quadradinhos de Star Wars
 foi o deus ex machina da crise financeira que afetava a Marvel.
Após um longo braço-de-ferro com Jim Shooter (o novo editor-chefe da Marvel), motivado por disputas criativas, em 1981 Roy Thomas assinou um contrato de exclusividade com a DC válido por três anos. Nesse mesmo ano casou, em segundas núpcias, com Danette Couto, que se tornaria sua parceira criativa nessa nova fase seminal da sua carreira. Pela mão do marido, Danette (celebrizada como Dan Thomas) seria, aliás, a primeira mulher a escrever as histórias da Princesa Amazona.
Numa altura em que a Editora das Lendas fora já destronada pela Marvel na preferência dos leitores, Roy Thomas conseguiu dar novo impulso a vários dos seus títulos de charneira. Graças ao seu toque de Midas, Wonder Woman, DC Comics Presents e Legion of the Super-Heroes recuperaram a vitalidade de outrora.
Embalado por estes sucessos - e tendo em mente projetar uma imagem de maior dinamismo -, Roy Thomas propôs rebatizar a DC. Iniciais que, no seu entendimento, deveriam doravante corresponder a Dynamic Comics.
Apesar desta sua ideia ter sido liminarmente rejeitada pela direção da empresa, Roy Thomas cumpriria entretanto um sonho de infância: escrever as histórias da Sociedade da Justiça da América.  Grupo que reunia alguns dos maiores heróis da Idade do Ouro e que, graças à sua mestria e dedicação, foi devolvido à ribalta nas páginas de All-Star Squadron.
Já com mais de uma dúzia de comendas a adornar-lhe o currículo, em 1985 Roy Thomas foi uma das 50 personalidades homenageadas pela DC, no âmbito das comemorações do 50º aniversário da editora. Outras honrarias se seguiriam, invariavelmente recebidas com a humildade que sempre caracterizou aquele que é, sombra de dúvidas, um dos maiores vultos da 9ª Arte.

Sociedade da Justiça da América em All-Star Squadron:
o regresso de um clássico com a assinatura de Roy Thomas.
 A partir da década seguinte, começaram no entanto a rarear as colaborações de Roy Thomas com as grandes editoras, preteridas em relação às companhias independentes. 
Numa espécie de regresso às origens, em 1999 relançou Alter Ego, agora como uma revista formal editada pela TwoMorrows Publishing.A residir desde 2006 na Carolina do Sul, em anos mais recentes Roy Thomas tem-se desdobrado entre a atividade literária e as suas funções de dirigente da Hero Initiative. Organização solidária sem fins lucrativos que presta assistência aos deserdados da indústria dos quadradinhos. Pelo meio, em 2014, escreveu 75 Years of Marvel: From  the Golden Agen to the Silver Screen, um imponente volume de 700 páginas que compila a história da Casa das Ideias desde a sua fundação até à atualidade.
Ontem como hoje, Roy Thomas possui o condão de ser o homem certo no lugar certo e no tempo certo. Ter crescido à sombra de titãs da  9ª Arte, serviu apenas para o transformar num deles.

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A rediviva Alter Ego.

Roy Thomas com Stan Lee na apresentação de
 75 Years of Marvel: from the Golden Age to the Silver Screen.
Uma obra para a eternidade.


*http://bdmarveldc.blogspot.pt/2018/03/fabricas-de-mitos-charlton-comics.html
**http://bdmarveldc.blogspot.pt/2016/03/eternos-gerry-conway-1952.html
***http://bdmarveldc.blogspot.pt/2017/03/fabrica-de-mitos-first-comics.html



















































sábado, 28 de setembro de 2013

HERÓIS EM AÇÃO: PUNHO DE FERRO


 
       Surgido numa época de enorme popularidade dos mestre das artes marciais, o Punho de Ferro deve o seu nome ao título de um filme do género. Como Vingador ou herói de aluguer, ele luta sempre por causas justas.


Nome original: Iron Fist
Primeira aparição: Marvel Premiere nº15 ( maio de 1974)
Criadores: Roy Thomas (história) e Gil Kane (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Daniel Thomas Rand-K'ai
Local de nascimento: Nova Iorque
Parentes conhecidos: Wendell Rand-K'ai (pai falecido), Heather Duncan Rand (mãe falecida), Miranda Rand-K'ai (meia-irmã)
Filiação: Heróis de Aluguer, Vingadores e Defensores Secretos
Base de operações: Nova Iorque
Poderes, armas e habilidades: Atleta e acrobata de excelência, o Punho de Ferro é também um mestre em praticamente todas as artes marciais conhecidas. O que faz dele uma verdadeira arma viva, além de lhe permitir controlar o seu sistema nervoso de forma a entorpecer a dor.
       Através da concentração, o herói consegue canalizar a sua energia espiritual (chi) de modo a  amplificar as suas capacidades físicas e mentais até níveis sobre-humanos. Focalizando esse mesmo chi no seu punho, ele consegue controlar a energia de Shou-Lao, a qual fornece temporariamente a essa parte da sua anatomia superforça, invulnerabilidade e imunidade à dor. Este processo é, todavia, mentalmente extenuante, pelo que o Punho de Ferro necessita de algum tempo para descansar antes de voltar a repeti-lo.
       Entre as suas habilidades destaca-se ainda o seu fator de cura, que pode ser aplicado em outrem. Pode também captar energias místicas, bem como fundir a sua consciência com a de outros indivíduos, percecionando dessa forma as suas memórias e emoções.
       Em circunstâncias muito excecionais, ele pode inclusivamente empregar o seu chi para abrir portais dimensionais.

A estreia de Punho de Ferro em Marvel Premiere nº15 (1974).
 
História de publicação: Em meados da década de 1970, na cultura norte-americana, assistiu-se a uma súbita popularidade dos heróis de ação e dos mestres das artes marciais. Na senda desse fenómeno, a Marvel lançou, em dezembro de 1973, Shang-Chi, O Mestre do Kung-Fu, personagem que fez furor entre os leitores. Em resultado disso, menos de um ano depois, a Casa das Ideias resolveu apostar em novo herói do género, criado pelo argumentista Roy Thomas e pelo desenhador Gil Kane (vide texto anterior).
      Numa pequeno texto introdutório publicado em Marvel Premiere nº15 (onde o Punho de Ferro fez a sua primeira aparição), Roy Thomas explicava que muitos dos elementos da origem do herói derivavam de um conceito originalmente desenvolvido por Bill Everett nos anos 1940: o Amazing-Man.  Já o nome dado à neófita personagem foi inspirado no título de um filme de artes marciais, visto por Gil Kane, muito antes de Bruce Lee se tornar o expoente máximo do género, The Iron Fist Ceremony (A Cerimónia do Punho de Ferro).
      Apesar de algumas dúvidas iniciais em relação ao nome Punho de Ferro - sendo passível de ser confundido com o Homem de Ferro - Stan Lee, o editor-chefe da Marvel à época, deu-lhe o seu aval e, pouco tempo depois, o novo herói debutava nas páginas de Marvel Premiere. Título onde foi sucessivamente escrito e desenhado por valores consagrados como Len Wein, Chris Claremont, John Byrne ou Larry Hama, apenas para citar alguns.
      Devido ao seu sucesso, o Punho de Ferro ganharia um título próprio a partir de novembro de 1975, com os argumentos a cargo de Chris Claremont e arte de Jonh Byrne. Uma dupla criativa de luxo que, ainda assim, foi incapaz de evitar o cancelamento da série ao cabo de quinze edições.
      Após a sua participação numa história em três partes nos números 48, 49 e 50 de Power Man (conhecido entre nós como Luke Cage), o Punho de Ferro passou a dividir o título com o herói de ébano. Juntos, os dois viveriam incontáveis aventuras e desventuras como Heróis de Aluguer, até à última edição da série, publicada em setembro de 1986.
      Seguiu-se uma longa travessia do deserto, interrompida apenas por algumas minisséries e participações ocasionais em títulos de outras personagens Marvel. Foi, pois, preciso esperar até 2007 para ver o herói estrelar um título próprio. Ao longo de 27 números (o último foi lançado em agosto de 2009), Immortal Iron Fist devolveu o Punho de Ferro à ribalta.
     Mais recentemente, entre agosto de 2010 e janeiro de 2013 foi presença regular na série New Avengers combatendo ao lado dos heróis mais poderosos da Terra toda a sorte de ameaças.


Em 2007, o Punho de Ferro voltou à ribalta com uma série própria, The Immortal Iron Fist.
 

Biografia: Daniel Rand é filho do empresário Wendell Rand que, na sua juventude, visitou a cidade mística de K'un-Lun, a qual, uma vez a cada década, se materializa nos Himalaias. Fundada por extraterrestres aproximadamente um milhão de anos atrás, K'un-Lun foi governada ao longo dos séculos pelos descendentes dessa raça alienígena e por seres conhecidos como os Reis Dragões. Ambas as espécies obedeciam, porém, ao Mestre Khan, um poderosíssimo mago.
     Aquando da sua visita à cidade mística, Wendell Rand salvou a vida de Lorde Tuan, o regente de K'un-Lun. Este retribuiu perfilhando-o e, para ressentimento do seu filho biológico, designando-o como seu herdeiro.
     Durante a sua estada em K'un-Lun, Wendell desposou uma mulher chamada Shakari e adotou uma filha, a que deu o nome de Miranda Rand-K'ai. Algum tempo depois, Wendell derrotou num combate ritualístico o filho do mais formidável guerreiro da cidade, conquistando assim o direito a reclamar para si o poder de Shou-Lao, o Imortal. Tratava-se de uma criatura horrenda resultante da transformação, mil anos atrás, de um homem em serpente mística pela ação do Rei Dragão Chiantang. No entanto, apesar de os melhores guerreiros de K'un-Lun terem sido periodicamente detentores do poder do Punho de Ferro, Wendell recusou-o.


     Dez anos após a sua chegada a K'un-Lun, Wendell e a sua esposa, Shakari, foram atacados por asseclas do filho de Lorde Tuan. Do ataque resultou a morte de Shakari, facto que, por sua vez, ditou o regresso de Wendell aos EUA. No seu país de origem, não tardou a tornar-se num bem-sucedido empresário acumulando uma considerável fortuna. Também refez a sua vida familiar casando em segundas núpcias com Heather Duncan, uma socialite nova-iorquina. Desse casamento nasceu Daniel.
     Entretanto, sem que Wendell soubesse, Lord Tuan deixara o mundo dos vivos e, perante a ausência do seu herdeiro designado, o poder régio de K'un-Lun transitou para o seu pérfido filho, Yu-Ti.
    Quando Daniel tinha nove anos, o pai resolveu levar a família a K'un-Lun, cuja próxima materialização terrena estava iminente. A expedição aos Himalaias contou também com a presença de Harold Meachum, sócio de Wendell. Quando Wendell caiu numa escarpa da montanha, sendo a sua queda sustida pela saliência de um rocha, Meachum, vendo ali uma oportunidade de tomar os negócios do seu sócio, forçou-o a precipitar-se no abismo, provocando-lhe a morte.
     Heather, por seu turno, sacrificou a própria vida para salvar a do filho do ataque de uma alcateia enfurecida. Daniel foi encontrado pelos habitantes de K'un-Lun e levado por eles para a cidade mística entretanto materializada. Mutilado pelo frio, Meachum regressou a Nova Iorque sabendo que o herdeiro do seu falecido sócio sobrevivera. Ao longo da década seguinte, engendrou um elaborado plano de defesa contra o ataque que sabia inevitável.
     Jurando vingar a morte dos seus pais, o pequeno Daniel estudou artes marciais durante a sua estada em K'un-Lun. Enquanto crescia, tinha como melhor amiga Miranda Rand-K'ai, que, no entanto, desconhecia ser sua meia-irmã. Pouco depois de completar dezanove anos, Daniel reclamou a oportunidade de conquistar o poder do Punho de Ferro defrontando, tal como o seu pai fizera anos antes, Shou-Lao, O Imortal, cujo poder residia agora num braseiro místico.
 
Aliando as artes marciais ao misticismo, o Punho de Ferro é uma arma viva ao serviço do Bem.
 
     Num feito inédito, Daniel matou Shou-Lao e mergulhou as suas mãos no braseiro místico, ficando assim imbuído do poder do Punho de Ferro. Quando o portal dimensional que permitia o acesso à Terra se reabriu, Daniel deixou K'un-Lun para rumar a Nova Iorque.
      Ao tomar conhecimento do regresso do filho do seu malogrado sócio, Meachum pôs a cabeça de Daniel a prémio. Nada que impedisse o jovem de chegar até ele. No entanto, ao constatar que o assassino do seu pai não passava agora de um inválido, Daniel compadeceu-se e poupou-lhe a vida.
     Envergando o traje cerimonial do Punho de Ferro, Daniel Rand passou a operar como um justiceiro mascarado. Entre os vários vilões que enfrentou nos primórdios da sua carreira heroica, destacam-se Dentes-de-sabre, Mestre Khan e Serpente de Aço. Pelo meio, tornou-se amante de Misty Knight, uma agente policial especializada em missões como infiltrada. Numa dessas operações, a sua identidade foi descoberta e, em resultado disso, o gângster em cuja organização Misty se infiltrara, sequestrou dois amigos de Luke Cage, um mercenário invulnerável. Chantageado pelo criminoso, Cage tentou matar Misty. Coube ao Punho de Ferro protegê-la  e, após uma breve batalha com Cage, a verdade veio à tona. Punho de Ferro e Luke Cage acabaram unindo esforços para resgatar os amigos deste e para entregar Bushmaster à justiça. Desta parceria fortuita resultariam os Heróis de Aluguer, uma empresa de prestação de serviços de proteção pessoal e corporativa.

Luke Cage & Punho de Ferro, os Heróis de Aluguer.
  
      Embora os Heróis de Aluguer supostamente apenas agissem a troco de dinheiro, a verdade é que eles nunca deixavam de lutar por causas justas acabando assim por se revelar uma atividade muito pouco lucrativa. Como Daniel Rand, o Punho de Ferro reassumira entretanto o controlo da fortuna paterna, facto que gerou tensões com o seu associado, nascido e criado na pobreza do gueto.
      Muitos anos após a dissolução dos Heróis de Aluguer, quando a identidade secreta do Demolidor foi comprometida, Daniel assumiu temporariamente o uniforme do Homem Sem Medo, tentando dessa forma fornecer um álibi a Matt Murdock.  Foi nessa qualidade que, durante a Guerra Civil, se juntou à fação de opositores ao registo obrigatório de meta-humanos, liderada pelo Capitão América. Com a prisão deste, Daniel, reassumindo a identidade de Punho de Ferro, passou a integrar Os Novos Vingadores, um grupo clandestino de super-heróis que, entre outros, incluía também o seu ex-associado Luke Cage. Adotou também um novo uniforme, substituindo o tradicional verde e dourado por um branco e dourado.
 
Nos Novos Vingadores, o Punho de Ferro reencontrou Luke Cage (em 1º plano na imagem).
      
Noutros media: Ainda enquanto membro dos Heróis de Aluguer, o Punho de Ferro fez a sua estreia fora da banda desenhada num episódio da série animada The Avengers: Earth's Mightiest Heroes (2010-2012). A comprovar a sua diminuta expressão noutros media, o facto de, desde 2000, um filme baseado no herói ter vindo a ser sucessivamente adiado. A última informação referente a este projeto foi divulgada em agosto de 2010, com os estúdios da Marvel a anunciarem a contratação de um novo argumentista. Nada mais foi, contudo, concretizado até ao momento.
 
Poderão os fãs esperar um filme do Punho de Ferro num futuro próximo?


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

ETERNOS: GIL KANE (1926-2000)



      Viveu as Idades do Ouro e da Prata dos Quadradinhos. O seu traço distinto fez escola na Marvel e na DC. Criou personagens emblemáticas para ambas as editoras. Sempre a coberto de pseudónimos.
 
 
Biografia e carreira: Gil Kane foi o pseudónimo mais famoso de Eli Katz, nascido na Letónia, no seio de uma família a judaica, a 6 de abril de 1926.  Scott Edward, Gil Stack, Stack Til, Pen Star e Phil Martell foram outros dos pseudónimos que usou ao longo da sua extensa carreira como ilustrador.
      Em 1929 a família de Gil Kane emigrou para os EUA, assentando arraiais em Brooklyn, Nova Iorque. Filho de um modesto comerciante de carne de aves, Kane frequentou a School of Industrial Art, em Manhattan, mas abandonou os estudos no último ano, quando surgiu a oportunidade de trabalhar na MLJ Comics (antecessora da Archie Comics). Corria o ano de 1942 e Kane tinha acabado de completar 16 anos.
      A sua passagem pela editora seria, contudo, efémera. Ao fim de apenas três semanas, Kane foi dispensado. Durante esse breve período, o seu trabalho consistiu, quase exclusivamente, em fazer a balonagem de algumas histórias aos quadradinhos, embora, pontualmente, tenha arte-finalizado algumas delas.
      Pouco tempo depois, foi convidado por Jack Binder a trabalhar na sua agência. Esta, no entanto, resumia-se a um apartamento situado na Quinta Avenida, que Gil Kane descreveria mais tarde como uma espécie de campo de trabalhos forçados. Dentro daquele espaço amontoavam-se entre 50 a 60 ilustradores, trabalhando afincadamente diante dos seus estiradores. Dados os parcos recursos da agência, até o papel era racionado.
     Foi todavia lá que Kane se profissionalizou como desenhador. Mas o resultado do seu trabalho não entusiasmou Jack Binder e o seu emprego na agência ficou em xeque.
     Inesperadamente, passadas três semanas, a MLJ Comics resolveu não só readmiti-lo, como também atribuir-lhe novas funções e um aumento salarial. De um dia para o outro, Kane assumiu um dos títulos principais da editora, ao mesmo tempo que colaborava como freelancer com outros estúdios.
     Em 1944 realizou o seu primeiro trabalho para a Timely Comics (antepassada da Marvel), sendo um dos dois coloristas que colaboraram numa história de 28 páginas dos Young Allies (um grupo de heróis adolescentes criado com motivos patrióticos durante a II Guerra Mundial). Nesse mesmo ano arte-finalizou o trabalho do mestre Jack Kirby numa história de Sandman, não figurando, porém, o seu nome nos créditos da mesma (o que, na gíria da indústria dos comics, se designa por "artista fantasma").
     Ainda em 1944, foi incorporado no Exército estadounidense, sendo posteriormente destacado para o teatro de operações do Pacífico. Ao cabo de 19 meses de serviço millitar, regressou a casa, em dezembro de 1945. Dois anos depois, em 1947, foi contratado por Sheldon Mayer, o editor-chefe da All-American Publications, para um projeto que duraria um semestre.
     Pelo meio, e sempre sob pseudónimos, trabalhou como ilustrador e colorista em projetos de diversas editoras, chegando também a desenhar alguns guiões televisivos.
     Em 1949 Gil Kane iniciou uma longa relação profissional com Julius Schwartz, um dos editores da National Comics (atual DC).
    Ao longo da década de 1950, Gil Kane viveu por dentro a eferverscência criativa da denominada Idade da Prata dos Quadradinhos. Em conjunto com o argumentista John Broome, foi cocriador da versão moderna do Lanterna Verde, assim como da Tropa dos Lanternas Verdes.
 
O Lanterna Verde da Idade da Prata pelo traço de Gil Kane.
 
    Ao serviço da DC, desenhou também, nos anos 1960, várias histórias de Os Novos Titãs, bem como de Rapina e Columba. Paralelamente, ilustrou um punhado de histórias do Hulk, sob o pseudónimo Scott Edward, para a arquirrival Marvel.
    Renegando esse pseudónimo, Gil Kane colaborou com a Tower Comics e a Harvey Comics, antes de se mudar de armas e bagagens para a Marvel, onde, nos primeiros anos da década de 70 do século passado, sucedeu a John Romita Sr. como responsável artístico do título The Amazing Spider-Man. Muito apreciado pelo seu traço ímpar, logo se tornou no mais proeminente artista de capas da Casa das Ideias.
    Em parceria com o escritor/editor Stan Lee, Kane produziu um arco de histórias em três capítulos, publicado nos números 96, 97 e 98 de The Amazing Spider-Man em 1971, que assinalou o primeiro grande desafio à autorregulação da indústria dos quadradinhos desde a introdução, em 1954, do Comics Code Authority. Essa espécie de código de ética proibia expressamente qualquer referência ao uso de drogas nos comics, mesmo num contexto negativo. Fazendo tábua rasa dessa interdição, Lee e Kane, sob os auspícios do Departamento Federal de Saúde, Educação e Bem-estar, lançaram uma história do Escalador de Paredes, que alertava para os malefícios do consumo de estupefacientes, mesmo sem a aprovação do Comics Code Authority.
     O resultado não podia ter sido melhor: além de aclamada pela crítica, a história foi um enorme sucesso de vendas. Em consequência disso, a indústria rejeitou a censura autoimposta, abrindo assim caminho para a revisão do seu código de ética.
     Com o escritor Roy Thomas, Gil Kane reformulou o Capitão Marvel e relançou Adam Warlock, dois heróis cósmicos do universo Marvel caídos no oblívio. Esta dupla seria também responsável pela criação do Punho de Ferro e do vampiro Morbius.
 
Homem-Aranha e Punho de Ferro foram dois dos heróis Marvel desenhados por Gil Kane.

     Em concomitância com este afã criativo na Casa das Ideias, Kane desenvolveu vários projetos a título individual. Agora sob o pseudónimo Robert Franklin, ele concebeu, ilustrou e coescreveu duas novelas gráficas: His name is... Savage (publicada em 1968 pela Adventure House Press) e Blackmark (Bantam Books, 1971).
 
Com Blackmark, Kane inaugurou a tendência das novelas gráficas.
 
     Nos anos 1970 e 1980, Kane revitalizou diversas personagens das séries animadas da Hanna-Barbera e da Ruby-Spears. Em 1977, em parceria com o escritor Ron Goulart, lançou uma bem-sucedida série de tiras diárias num jornal, a que deu o título de Star Hawks. Depois de, no princípio dos anos 1980, se ter revezado com Curt Swan na arte das histórias do Homem de Aço, em 1989, Gil Kane  ilustrou uma adaptação aos quadradinhos da ópera épica de Richard Wagner, O Anel dos Nibelungos.
     Na década seguinte, Kane diversificou as suas colaborações, tendo ilustrado minisséries e edições especiais para a Topp Comics, a Malibu Comics e Awesome Entertainment.
      O seu último trabalho publicado em vida teria, contudo, a chancela da Dark Horse Comics: uma página ilustrada em Sin City: Hell and Back nº4 (outubro de 1999). Postumamente, em junho de 2000, foi lançada a história em duas partes reunindo o Lanterna Verde e Eléktron (outro herói da DC de que foi cocriador) por si desenhada.
     Até ao seu falecimento, em 31 de janeiro de 2000 em Miami (Florida), devido a um linfoma, Gil Kane manteve-se ativo enquanto artista. Deixou viúva a sua segunda esposa, Elaine, e órfão o filho Scott.
 
Gil Kane inscreveu o seu nome nos anais da história da banda desenhada.
 
Prémios e distinções: Distinguido diversas vezes ao longo da sua carreira, Gil Kane arrecadou em três ocasiões (1971,1972 e 1975) o prémio para melhor desenhador atribuído pela National Cartoonists Society. Em 1977 Star Hawks foi eleita a melhor tira diária pela mesma instituição. Recebeu ainda um SHAZAM Award, em 1971, pela graphic novel Blackmark, sendo igualmente nomeado para o Eisner Award Hall of Fame e para o Harvey Award Jack Kirby Hall of Fame em 1997. Antes, em 1995, o seu trabalho fez parte da exibição KAPOW: A Showcase of Superheroes, realizada no Centro Cultural Muckenthaler, em Fullerton (Califórnia).
      No entanto, o mais importante prémio da sua carreira foi, sem dúvida, o reconhecimento de uma legião de fãs que cresceram a apreciar o seu traço inconfundível.
 
Star Hawks, uma das obras-primas de Gil Kane.