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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

GALERIA DE VILÕES: CAVEIRA VERMELHA


  Apóstolo dileto de Hitler, propagou o odioso evangelho nazi até ser silenciado pelo Sentinela da Liberdade. Sobreviveu à queda do III Reich e, tal como o seu némesis, é hoje um homem deslocado no tempo, tão imortal porém como os sinistros ideais que representa.

Denominação original: Red Skull
Licenciadoras: Timely Comics (1941-45), Atlas Comics (1954) e Marvel Comics (desde 1965)
Criadores: Joe Simon e Jack Kirby
Estreia (George Maxon): Captain America nº1 (março de 1941)
Estreia (Johann Shmidt): Captain America nº7 (outubro de 1941)
Identidade civil: Johann Shmidt (para mais informações sobre os outros indivíduos que, ao longo do tempo, usaram a máscara do Caveira Vermelha ver  Rubras faces do terror)
Espécie: Humano geneticamente aprimorado
Local de nascimento: Um vilarejo não identificado algures na Alemanha
Parentes conhecidos: Hermann e Martha Shmidt (pais, falecidos); Sinthea Shmidt (filha)
Ocupação: Ex-paquete de hotel, ex-oficial das SS e ex-espião nazi, é hoje um terrorista internacional a agir sob o disfarce de homem de negócios.
Base operacional: Durante a II Guerra Mundial, o Caveira Vermelha operava, essencialmente, a partir de Berlim, a capital do III Reich. Atualmente acha-se sediado algures no estado norte-americano do Nevada, embora prime pela mobilidade geográfica. Algo que já se verificava no passado, quando utilizava como esconderijos bases da HIDRA espalhadas pelo mundo.
Afiliações: Outrora destacado militante do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (vulgo Partido Nazi ou Nazista) e oficial superior das SS (a guarda pretoriana de Hitler), liderou também várias organizações de terrorismo transnacional como a HIDRA e a IMA (Ideias Mecânicas Avançadas). Fundou ainda o Gangue do Esqueleto, cujo comando confiou ao mercenário Ossos Cruzados.
Armas, poderes e habilidades: O intelecto superior do Caveira Vermelha, aliado ao seu génio inventivo, compensam em grande medida a ausência de superpoderes. Estratega exímio, mesmo quando ainda habitava o seu corpo original, o vilão era um assassino altamente treinado e versátil, proficiente em várias artes marciais e técnicas de autodefesa (embora nunca tenha estado à altura do Capitão América neste capítulo), bem como no uso de diferentes tipos de armas e explosivos.
Era no chamado Pó da Morte que o Caveira Vermelha tinha, porém, a sua arma mais infame. Produzido a partir de uma fórmula secreta patenteada pelo próprio, tratava-se de um composto químico que, inalado ou  em contacto com a pele, matava um homem adulto em poucos segundos. Uma morte tão rápida quanto agonizante, pois a substância - quase sempre armazenada num cigarro adaptado - asfixiava e desfigurava as suas vítimas, conferindo-lhes a tétrica aparência de uma caveira vermelha.
Durante o macabro processo, o Caveira Vermelha gostava de assobiar ou de ouvir na grafonola a Marcha Fúnebre, de Chopin. Tanto o Pó da Morte como esse seu mórbido gosto musical são imagens de marca que remontam aos primórdios da sua carreira criminal, na chamada Idade de Ouro dos quadradinhos.
Perito em espionagem e ações subversivas, originalmente o Caveira Vermelho era também um mestre do disfarce, mérito que lhe valeu a alcunha de Agente das Mil Caras.


Um assassino de classe mundial
 ao serviço do III Reich.
Anos depois do seu pretenso regresso do Além-túmulo, quando o seu corpo alquebrado pela velhice dava sinais de querer ceder, o Caveira Vermelha, com a ajuda do geneticista renegado Arnim Zola, transferiu a sua psique para um clone do Capitão América. Processo que o dotou das excecionais aptidões físicas do seu némesis: força, resistência e reflexos sobre-humanos, além de longevidade expandida.
Sempre que um corpo sofre danos severos, tudo o que o Caveira Vermelho tem de fazer é transferir a sua mente para um novo. Alcançando, por essa via, uma espécie de imortalidade limitada.
Fraquezas: Apesar de habitar o corpo geneticamente aprimorado de Steve Rogers, o Caveira Vermelha possui, grosso modo, as mesmas vulnerabilidades de qualquer ser humano. A sua obsessão pelo Capitão América - que, não raro, lhe tolda o raciocínio -, assim como a sua arrogância - que o leva por vezes a subestimar os seus oponentes - são, contudo, os seus pontos fracos mais notórios.

O Caveira Vermelha foi
 um oficial superior das SS.

A raiz do Mal

Quando, em outubro de 1939, a Timely Comics (antecessora da Marvel) lançou o seu primeiro título periódico de banda desenhada, Marvel Comics (posteriormente renomeado Marvel Mystery Comics), a neófita editora fundada por Archie Goodwin não dispunha ainda de qualquer super-herói patriótico.
Ainda antes da entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial, em consequência do ataque japonês a Pearl Harbor em dezembro de 1941, Joe Simon e Jack Kirby, em resposta à propaganda nazi, criaram o Capitão América. O Sentinela da Liberdade seria, de resto, o primeiro herói da Timely a possuir uma série mensal em nome próprio.
Com efeito, Captain America nº1 apresentou ao mundo o Capitão América mas também aquele que seria o seu némesis: o Caveira Vermelha. Quais gémeos siameses separados à nascença, as duas personagens teriam os seus destinos para sempre entrelaçados.
Antítese perfeita do Capitão América e dos valores e ideais por ele simbolizados, o Caveira Vermelha, epítome da tirania e da opressão, deveria ter feito em Captain America nº1 a sua primeira e única aparição, na medida em que fora projetado para ser um vilão descartável.

Captain America nº1 apresentou aos leitores
 o primeiro herói patriótico da Timely
 e o Caveira Vermelha original (em baixo, desenhado pelos seus criadores). 

Um magnata americano do ramo da aeronáutica simpatizante do nazismo, George Maxon foi o primeiro alter ego do Caveira Vermelha. Visando o derrube do governo federal dos EUA, o vilão dedicava-se a assaltar bancos a fim de reunir os recursos financeiros necessários à consecução do seu desígnio. Esta primeira versão do Caveira Vermelha, ignorada por muitos, faria a sua última aparição em Captain America nº3, edição datada de maio de 1941.
Com uma imagem que pretendia simbolizar o terror nazi, a conceção visual do Caveira Vermelha teve no entanto a mais inusitada - e doce - das inspirações. Reunidos numa esplanada para trocar ideias sobre o futuro arqui-inimigo do Capitão América, Joe Simon e Jack Kirby repararam como, ao espalhar-se sobre as bolas de gelado, a cobertura de chocolate quente formava o que parecia ser uma figura humana. Repararam também que a cereja colocada no topo invocava uma caveira vermelha e, num momento eureca, estava encontrado o nome de guerra para aquele que seria o primeiro supervilão da Timely - e um dos mais antigos da história da 9ª Arte.
Agora um superagente nazi de origem germânica, o Caveira Vermelha foi reintroduzido em outubro de 1941, nas páginas de Captain America nº7. Na história, Johann Shmidt reclamava ser o verdadeiro Caveira Vermelha, de quem George Maxon havia sido um mero peão.


Captain America Comics Vol 1 7
Novamente sem honras de capa, aquele que foi apresentado como
 o verdadeiro Caveira Vermelha debutou em Captain America nº7.


Evolução

Depois de, durante a Idade do Ouro, o Caveira Vermelha ter sido um dos supervilões mais temidos e populares da banda desenhada, com o final da Segunda Guerra Mundial, tal como o Capitão América, perdeu o seu propósito e foi relegado ao ostracismo. Ambos seriam fugazmente revividos a meio da década de 1950, coincidindo com o dealbar da Idade da Prata, e quando a Timely Comics cedera já lugar à Atlas Comics (outra das antepassadas da Marvel). Nesta fase, o Caveira Vermelha, ainda que privado da formidável máquina de guerra nazi, surgiu mais perigoso do que nunca, assumindo-se como o legítimo herdeiro de Hitler.
A ação do Caveira Vermelha durante a Idade do Bronze ficaria marcada pela sua nova orientação ideológica (era agora um agente comunista ao serviço da URSS) e pelas suas ocasionais escaramuças com outros supervilões do Universo Marvel, nomeadamente com o Rei do Crime e com o Doutor Destino. Quando o seu plano para matar o Capitão América fracassou, um decrépito Caveira Vermelha pereceria nos braços do seu inimigo de sempre.

Capitão América versus Caveira Vermelha:
Duelo (I)mortal.
Uma vez mais regressado ao mundos vivos, o Caveira Vermelha da Idade Moderna apresentou-se muito diferente das suas versões pregressas. Com a sua mente transferida para um clone do Capitão América, de uma penada recuperara a sua juventude e adquirira novas e extraordinárias capacidades. Perseguindo os mesmos objetivos de sempre, recorria agora aos negócios e à política para alcançá-los.
No rescaldo dos eventos da Guerra Civil (saga já aqui esmiuçada) e do regresso de Bucky Barnes como Soldado Invernal, o Caveira Vermelha engendrou um esquema para assassinar o Capitão América. Apesar de ter sido bem-sucedido nesse desígnio, voltaria a ser derrotado pelo seu velho inimigo de sempre, cujo escudo passara a ser portado por Bucky.
Mais recentemente, o Caveira Vermelha roubou o cérebro do falecido Professor Xavier, ganhando uma panóplia de poderes psiónicos. Com a ajuda dos seus S-Men (formados por pessoas que sofreram às mãos de mutantes), está apostado em erradicar os Homo Superior da face da Terra.

Origem

Personificação do Mal aos olhos do mundo, o Caveira Vermelha é o fruto amargo do desamor e do desespero. Nascido num qualquer vilarejo alemão nos alvores do século XX, Johann Shmidt teve com progenitores um casal de humildes camponeses. Hermann Shmidt, o pai, era um beberrão rude e violento que transformava a vida da sua submissa esposa, Martha, num autêntico calvário.
Quando Martha morreu ao dar à luz o primeiro rebento do casal, Hermann culpou o recém-nascido pela fatalidade e tentou afogá-lo. Apesar de ter sido impedido de fazê-lo pelo médico que assistira o parto, Hermann cometeria suicídio poucos dias depois.
Enquanto crescia num orfanato, o pequeno Johann levava uma vida solitária e marcada pela crueldade das outras crianças para com ele. Aos 17 anos o rapaz fugiu da instituição, passando a sobreviver nas ruas graças à mendicidade e a pequenos furtos. Por conta desta existência miserável, passou curtas temporadas atrás das grades, entremeadas por trabalhos braçais que, a muito custo, lhe garantiam o sustento.

Johann Schmidt (Earth-616) Red Skull Incarnate Vol 1 1 00
A vida foi madrasta para
 o pequeno Johann Shmidt.
Johann era ainda um jovem adulto quando conseguiu emprego na mercearia de um judeu, por cuja filha, Esther, se perdeu de amores. A rapariga tinha sido a primeira a tratá-lo com bondade, mas quando Johann lhe declarou os seus sentimentos acabou rejeitado.
Tomado pela fúria, Johann assassinou Esther, abandonando o local do crime com um misto de sentimentos: aterrado pelas consequências do seu ato e, simultaneamente, aliviado por ele. Afinal de contas, o seu primeiro assassínio tinha-lhe permitido, por fim, extravasar parte da raiva que vinha acumulando em relação à humanidade. É possível que este episódio tenha estado também na origem do seu visceral antissemitismo.
Segundo a versão oficial da narrativa propalada pelo Caveira Vermelha e pela propaganda nazi, Johann Shmidt terá conhecido Adolf Hitler logo após a ascensão deste ao poder, quando trabalhava como paquete num hotel.
Chamado à suíte onde o Fuhrer se encontrava hospedado, Johann presenciou o momento em que Hitler vociferava com um oficial da Gestapo devido à fuga de um espião inimigo. A meio da violenta reprimenda, Hitler ter-se-á apercebido da presença de Johann e, apontando para ele, afirmou ser capaz de criar um melhor agente nazi a partir de um reles paquete de hotel.
Observando mais de perto Johann, o Fuhrer intuiu a natureza devassa do rapaz e resolveu passar das palavras aos atos, recrutando-o para as suas SS.
No entanto, insatisfeito com o progresso da instrução tradicional que estava a ser ministrada a Johann nas SS, Hitler encarregou-se de treiná-lo pessoalmente para ser o seu principal lugar-tenente. No final, o líder nazi presenteou-o com dois adereços que se tornariam a sua imagem de marca: um uniforme paramilitar em tons esverdeados e uma grotesca máscara de caveira. Desse dia em diante, o Caveira Vermelha passou a ser a face do terror nazi numa Europa fustigada pela guerra.
Nos primeiros anos da II Guerra Mundial, o Caveira Vermelha disseminou o caos e a morte um pouco por todo o Velho Continente, comandando pessoalmente operações militares e ordenando a pilhagem e destruição de muitas vilas e aldeias - que amiúde culminavam no extermínio das respetivas populações. As suas atrocidades bélicas estendiam-se também aos mares após reunir uma poderosa frota de submarinos que torpedeavam, sem distinção, vasos de guerra inimigos e navios mercantes.
O efeito propagandístico das ações do Caveira Vermelha foi de tal ordem que o governo dos EUA - recém-entrados no conflito - não perdeu tempo a criar, no quadro da Operação Renascimento, o seu primeiro supersoldado sugestivamente crismado de Capitão América.

O Caveira Vermelha inspirou a criação do Sentinela da Liberdade.
Orgulhoso das façanhas militares do seu protegido, inicialmente Hitler acedia a todos os seus pedidos. Foi assim que o Caveira Vermelha obteve financiamento para a construção de uma vasta rede de bases secretas equipadas com armamento e tecnologia de ponta.
A despeito de sempre ter admirado Hitler pela sua visão ideológica, o Caveira Vermelha recusava ver-se a si mesmo como um subalterno. Chegando mesmo a ameaçar o poder do Fuhrer depois de ter executado vários dos seus conselheiros mais próximos, tornando-se dessa forma o segundo homem mais poderoso do III Reich.
Apesar desse acúmulo de poder, no Capitão América o Caveira Vermelho encontrou um adversário à sua altura. Os dois enfrentaram-se variadíssimas vezes no decurso da II Guerra Mundial até à derradeira batalha travada nos últimos dias do conflito no bunker do vilão.
Encurralado pelo Sentinela da Liberdade, o Caveira Vermelha acabaria soterrado pelos escombros do seu bunker após a explosão de uma granada. Sem tempo para se inteirar do estado do seu arqui-inimigo, o Capitão América bateu em retirada devido ao início de um bombardeamento aliado.
Enquanto choviam bombas à superfície, o moribundo Caveira Vermelho era exposto a um gás experimental que o deixaria em animação suspensa. Condição que só seria revertida mais de duas décadas depois, quando, à semelhança do seu némesis, o vilão despertou num mundo muito diferente daquele que conhecera. Mas, ainda assim, um mundo que valia a pena conquistar e que depressa reaprendeu a temê-lo.

Rubras faces do do terror

Além do já referenciado George Maxon - empresário estadunidense que, durante a II Guerra Mundial, operou em terras do Tio Sam como um agente nazi às ordens do verdadeiro Caveira Vermelha - a máscara do antigo acólito de Hitler foi usada por um trio de indivíduos sem nada em comum entre si, exceto o ódio ao Capitão América e aos valores por ele representados.
Em 1953, quase uma década após a pretensa morte de Johann Shmidt, Albert Malik, um agente do KGB, assumiu a identidade do Caveira Vermelha. A partir da sua base na Argélia, Malik planeou e executou um sem-número de operações de espionagem e subversão em nações adversárias da União Soviética, mormente nos EUA.
Nos anos imediatos, o falso Caveira Vermelha enfrentou por diversas  vezes os impostores que, à época, se faziam passar pelo Capitão América e pelo seu adjunto juvenil Bucky Barnes, igualmente dados como mortos desde os últimos dias da II Guerra Mundial.

George Malik, o Caveira Vermelha soviético.
No entanto, mesmo após os falsos heróis terem sido colocados em animação suspensa devido aos efeitos colaterais da fórmula adulterada do Soro do Supersoldado que haviam inoculado em si mesmos para replicar as habilidades sobre-humanas do verdadeiro Capitão América, Malik prosseguiu com as suas atividades terroristas. Seria, de resto, ele o responsável pela morte dos pais de Peter Parker (o Homem-Aranha), quando, em plena Guerra Fria, estes foram expostos como espiões ao serviço do governo americano.
Malik acabaria por sua vez morto às mãos do Carrasco do Submundo, um sanguinário vigilante que respondia perante o verdadeiro Caveira Vermelha, entretanto revivido e nada lisonjeado com a usurpação de identidade por parte de um agente comunista.
Anos mais tarde, seria a vez de Sinthea Shmidt, a filha do Caveira Vermelha original anteriormente conhecida como Pecado (Sin, em inglês), reclamar o legado nominal paterno depois de ter tido a face horrivelmente desfigurada. Quando a sua aparência foi restaurada, a jovem retomou o seu lugar ao lado do pai e esteve diretamente envolvida na conspiração para assassinar o Capitão América no pós-Guerra Civil.

Sinthea Shmidt, a filha
 do Caveira Vermelha.
No Universo Ultimate, dimensão paralela que acomoda a versão modernizada da mitologia Marvel, o Caveira Vermelha é o filho desconhecido do Capitão América. Pouco antes do seu desaparecimento, Steve Rogers mantivera um fugaz romance com uma mulher chamada Gail Richards, do qual, sem que ele soubesse, resultou uma gravidez.
Devido aos vestígios do Soro do Supersoldado que lhe foram transmitidos pelo pai, o menino nasceu com excecionais aptidões físicas. Assim que teve conhecimento da sua existência, o governo americano reclamou a posse da criança e passou a treiná-la numa base militar secreta para ser o novo Capitão América.
No entanto, sem que os seus precetores se apercebessem, à medida que crescia o rapaz desenvolvia uma personalidade psicótica. Ainda adolescente, usou uma faca de cozinha para esfolar o próprio rosto até restar apenas cartilagem ensanguentada, tomando assim o aspeto de uma caveira vermelha. Em seguida escapou da instalação onde havia crescido isolado do mundo. Não sem antes massacrar todo o pessoal que lá trabalhava.
Num ato de rebelião contra o sistema que o criara, o jovem Caveira Vermelha assassinou o Presidente Kennedy antes de empreender uma campanha de terror à escala planetária, que culminaria vários  anos depois com a sua morte às mãos do próprio pai.

O Caveira Vermelha do Universo Ultimate
 é o filho perdido de Steve Rogers.

Trivialidades

*Pressentindo a derrocada iminente do III Reich, o Caveira Vermelha projetou vários robôs gigantes que mandou enterrar em diferentes pontos do globo. Batizadas de Hibernantes (Sleepers, no original) essas formidáveis máquinas de guerra permaneceriam adormecidas até serem ativadas pelo próprio Caveira. Algo que o vilão não perdeu tempo a fazer quando regressou ao mundo dos vivos, espalhando o caos e a destruição antes de ser detido pelo Capitão América. Ignora-se, no entanto, se ainda restarão mais Hibernantes à espera de serem despertados;
*Foi em Captain America nº297 (setembro de 1984) que o Caveira Vermelha revelou pela primeira vez o seu verdadeiro rosto. Embora nessa edição os leitores tenham podido ver apenas a sua face engelhada, na seguinte, quando o vilão revisitou o seu passado, o semblante jovem de Johann Shmidt foi mostrado em diferentes momentos da história;´
*O Caveira Vermelha foi involuntariamente responsável pela formação daquela que, ainda hoje, é considerada uma das mais icónicas parelhas heroicas dos quadradinhos: Capitão América e Falcão. Manipulado pelo vilão para atacar o Sentinela da Liberdade, Sam Wilson acabaria por tornar-se o seu mais duradouro parceiro no combate ao crime;

Caveira Vermelha, Hitler e um dos Robôs Hibernantes.
*Devido ao passado nazi do Caveira Vermelha, ao longo dos anos foram vários os supervilões que recusaram aliar-se a ele. O Rei do Crime, por exemplo, considerou ser seu dever patriótico impedir que o ex-esbirro de Hitler se instalasse em Nova Iorque. Filho de judeus assassinados durante o Holocausto, Magneto, depois de ter trabalhado em conluio com o Caveira Vermelha na saga Acts of Vengeance (Atos de Vingança), enterrou-o vivo. O Mestre do Magnetismo deixou-lhe, contudo, água suficiente para várias semanas, o que permitiu a sobrevivência do Caveira Vermelha até ser resgatado por Ossos Cruzados. Até mesmo malfeitores de outras editoras, como o Joker (da DC) repudiam o Caveira Vermelha. No crossover de 1996 Batman and Captain America, o Príncipe Palhaço do Crime sabotou os planos do Caveira Vermelha para fazer detonar uma bomba atómica em Nova Iorque. Ficando célebre a frase então proferida pelo risonho arqui-inimigo do Batman: "Posso ser um criminoso, mas sou um criminoso americano!";
*Em Terras Tupiniquins, o Caveira Vermelha começou por ser batizado simplesmente de Caveira pela EBAL, sendo mais tarde renomeado de Crânio Vermelho pela editora Bloch. Foi também esse o nome usado na dobragem brasileira da série animada The Marvel Super Heroes (vide texto seguinte);
*Na lista dos cem maiores vilões de sempre, organizada pela Wizard - magazine especializado em quadradinhos e cultura popular - o Caveira Vermelha surge na 21ª posição, à frente de grandes expoentes de malevolência como Fénix Negra (Marvel), Darkseid (DC) ou Drácula.


Noutros media

Foi através do segmento reservado ao Capitão América em The Marvel Super Heroes  que, em 1966, o Caveira Vermelha fez a sua transição para o audiovisual. Essa foi, aliás, a primeira de muitas séries animadas da Marvel onde vem participando desde então.
Depois de, surpreendentemente, não ter marcado presença em Captain America, folhetim cinematográfico produzido pela Republic Pictures que, em 1944, assinalou a estreia do Sentinela da Liberdade no grande ecrã, o Caveira Vermelha voltaria a ser omisso nos dois telefilmes do herói produzidos em 1979: Captain America e Captain America II: Death Too Soon.

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O Capitão América à mercê do Caveira Vermelha em Marvel Super Heroes (1966).
Com efeito, a sua estreia em produções de ação real registou-se apenas em 1990. Foi em Captain America, película de baixo orçamento lançada diretamente no circuito de vídeo. Interpretado por Scott Paulin, esta primeira encarnação cinematográfica do inimigo jurado do Capitão América apresentava diferenças substantivas relativamente à sua contraparte canónica. Começando pela respetiva nacionalidade, pois, em vez de alemão, o vilão era agora retratado como um fascista italiano que servira de cobaia em experimentos genéticos conduzidos pelos nazis durante a II Guerra Mundial, ficando para sempre física e mentalmente deformado.
Numa abordagem mais fiel ao cânone, em Captain America: The First Avenger (2011), o Caveira Vermelha - agora representado por Hugo Weaving (o inolvidável Mr. Smith da trilogia Matrix) - voltou a ser um superagente nazi aspirante a conquistador mundial. Sendo também o antagonista principal do Capitão América num filme inserido no Universo Cinemático Marvel e onde não faltaram elementos icónicos como o Cubo Cósmico.

Red Skull in Captain America (1990)

21 anos separam estas duas imagens:
em cima, Scott Paulin em Captain America (1990);
em baixo, Hugo Weaving em
Captain America: The First Avenger (2011).
Apesar de fisicamente ausente de Captain America: The Winter Soldier (2014), o Caveira Vermelha foi referenciado na sequela depois de ter, aparentemente, morrido no final do primeiro filme. Circunstância que seria desmentida já este ano, em Avengers: Infinity War, filme no qual o vilão - a quem Ross Marquand emprestou corpo - fez uma breve participação. Justificada pelos autores do enredo com o facto de ele ter sido o primeiro a encontrar uma Joia do Infinito.
O tempo dirá que papel estará reservado ao Caveira Vermelha na próxima fase do Universo Cinemático Marvel...

Na BD ou no cinema,
o Cubo Cósmico é outra das obsessões do Caveira Vermelha.











sábado, 13 de junho de 2015

EM CARTAZ: « CAPITÃO AMÉRICA: O PRIMEIRO VINGADOR»


   Apesar do subtítulo, foi o último filme a solo de um Vingador antes do lançamento da película que reuniu o resto da equipa. Devido a percalços de vária ordem, o projeto demorou quase década a meia a ganhar forma. A longa espera valeu, porém, a pena. Com o produto final a assegurar a reabilitação cinematográfica do Sentinela da Liberdade após o monumental fiasco de 1990.

Título original: Captain America: The First Avenger
Ano: 2011
País: EUA
Duração: 124 minutos
Género: Ação/Aventura/Guerra/Fantasia
Produção: Marvel Studios
Realização: Joe Johnston
Distribuição: Paramount Pictures
Argumento: Christopher Markus e Stephen McFeely
Elenco: Chris Evans (Steve Rogers/Capitão América), Tommy Lee Jones (coronel Chester Phillips), Hugo Weaving (Johann Schmidt/Caveira Vermelha), Hayley Atwell (Peggy Carter), Sebastian Stan ( sargento James "Bucky" Barnes) e Dominic Cooper (Howard Stark)
Orçamento: 140 milhões de dólares
Receitas: 370,6 milhões de dólares



Desenvolvimento: Em abril de 1997, a Marvel estava em negociações para produzir um novo filme do Capitão América. Sete anos antes, outra transposição ao grande ecrã da personagem criada em 1941 por Joe Simon e Jack Kirby redundara num confrangedor fiasco. Estando, por isso, a Casa das Ideias empenhada em assegurar a reabilitação cinematográfica do herói, em pleno boom de produções do género.
  Já com dois argumentistas designados, em maio de 2000 a Marvel estabeleceu uma parceria com a Artisan Entertainment com vista ao financiamento do projeto. Este seria, porém, suspenso ao longo dos três anos seguintes em virtude de um litígio judicial entre Joe Simon e a Casa das Ideias envolvendo os direitos de autor do Capitão América.
 Em 2005, a Marvel recebeu uma injeção de capital na ordem dos 525 milhões de dólares por parte do fundo de investimento Merrill Lynch. Montante que lhe permitiu assegurar a produção independente de uma dezena de filmes. Incluindo um baseado no Sentinela da Liberdade cuja distribuição ficaria a cargo da Paramount Pictures. Seria, de resto, a última vez que a Paramount o faria antes de os Estúdios Marvel passarem a ser uma subsidiária da Disney.
 Originalmente, os produtores tencionavam explorar a premissa de o Capitão América ser um homem fora do seu tempo. Metade do filme teria, assim, como pano de fundo a II Guerra Mundial, e a outra metade desenrolar-se-ia na atualidade. Com Avi Arad, um dos produtores do projeto, a indicar a trilogia de Regresso ao Futuro como uma das principais influências do enredo.
 Em meados de 2006, e já depois de Jon Favreau se ter oferecido para dirigir a película - acabando, no entanto, por assumir a realização de Homem de Ferro- , Joe Johnston foi sondado para dar forma ao projeto. Sem que das negociações entre o cineasta e a Marvel saísse, porém, fumo branco.

Joe Johnston, o homem por trás das câmaras.

  O cronograma da produção seria entretanto atrasado devido à greve de argumentistas que, entre 2007 e 2008, semiparalisou Hollywood. Após chegar a um acordo com o sindicato dessa classe profissional, a Marvel, empolgada pelo sucesso de Homem de Ferro, anunciou o lançamento de uma longa-metragem do Capitão América no verão de 2011.
  Apesar deste anúncio extemporâneo, a cadeira de realizador continuava vaga. Louis Leterrier, que dirigira O Incrível Hulk, ofereceu os seus serviços. A Marvel tinha, porém, outro nome em mente.
  Finalmente, em novembro de 2008, foi formalizada a contratação de Joe Johnston para assumir a direção do projeto. A sua experiência prévia em realizar filmes com super-heróis (Rocketeer em 1991) e o seu trabalho no campo dos efeitos especiais na primeira trilogia de Guerra das Estrelas, fizeram dele o candidato ideal aos olhos dos produtores. Com Johnston vieram dois novos argumentistas encarregues de reescrever o enredo da película: Christopher Markus e Stephen McFeely.
  Sobre o projeto pairou durante algum tempo o espectro do antiamericanismo instalado em vários pontos do globo, essencialmente devido à ocupação do Iraque. Sentimentos entretanto mitigados pela eleição de Barack Obama para a Casa Branca.
 Alheio a preocupações políticas, em dezembro de 2009 Joe Johnston anunciou que pretendia iniciar as filmagens em abril do ano seguinte. Escassas semanas antes de isso acontecer, a Variety confirmou que Chris Evans e Hugo Weaving haviam sido selecionados para interpretar, respetivamente, o Capitão América e o Caveira Vermelha. Nos meses seguintes foram sendo conhecidos outros nomes do elenco, como Tommy Lee Jones e Sebastian Stan.
  Passando por Londres, Manchester e vários outros pontos do Reino Unido e dos EUA, as filmagens de Capitão América: O Primeiro Vingador prolongaram-se por cerca de dez meses (junho de 2010 a abril de 2011). A antestreia mundial teve lugar a 19 de julho de 2011, no cinema El Capitan Theatre, em Hollywood.

Da esq. para dir.: Joe Johnston. Chris Evans e Hugo Weaving na Comic Con 2010 de San Diego.
   
Enredo: Na atualidade, um objeto metálico com formato circular e motivos azuis, brancos e vermelhos é descoberto por cientistas no habitáculo de uma vetusta aeronave militar soterrada pelo gelo do Ártico.
  Em 1942, na Noruega sob ocupação nazi, Johann Schmidt, um sinistro oficial germânico , e os seus homens tomam de assalto um pequeno vilarejo em busca de um misterioso artefacto conhecido como Tesseract, e ao qual são atribuídos enormes poderes.
 Do outro lado do Atlântico, em Nova Iorque, o franzino Steve Rogers é rejeitado pelo Exército em consequência dos seus diversos problemas de saúde. Depois de assistir a uma exposição de tecnologia futurista na companhia do seu amigo James "Bucky" Barnes, o jovem tenta novamente, sem sucesso, alistar-se.

Devido à sua debilidade física, Steve Rogers é sucessivamente rejeitado pelo Exército.

 Inconformado, Steve expressa a Bucky o seu desejo de participar ativamente na guerra. Ao escutar estas palavras, o Dr. Abraham Erskine usa a sua influência para autorizar o recrutamento do jovem, não para as fileiras das forças armadas, mas para um ultrassecreto projeto militar. Tutelado pelo próprio Erskine, pelo coronel Chester Phillips e pela agente secreta britânica Peggy Carter, o Programa do Supersoldado tem como objetivo conceber combatentes fisicamente aprimorados.
  Apesar de Erskine apresentar Steve como o candidato ideal para participar no experimento, o coronel Phillips veta a escolha do cientista. Mudando, contudo, de opinião após testemunhar um impressionante ato de bravura e autossacrifício praticado pelo rapaz.
  Na noite antes da realização da experiência, Erskine confidencia a Steve que o seu antecessor, um alemão de nome Johann Schmidt, sofreu terríveis efeitos colaterais, convertendo-se numa aberração com delírios de grandeza. Steve, porém, não vacila e reafirma-se ansioso por servir o seu país.
  De volta à Europa, Johann Schmidt e o Dr. Arnim Zola utilizam o Tesseract como fonte de energia para as invenções bélicas do cientista nazi. Ambos ambicionam montar uma ofensiva que mudaria o curso da guerra a favor do III Reich.

Da esq. para a dir.: Coronel Chester Phillips, Peggy Carter, Bucky Barnes, Dr. Erskine e Arnim Zola.

  Ao descobrir o paradeiro do Dr. Erskine, Schmidt envia um espião para assassiná-lo. Nos EUA, Steve Rogers é inoculado com um soro especial e de seguida irradiado com raios Vita. Perante o assombro dos que assistem ao experimento, o frágil Steve dá lugar a um vigoroso Adónis.
  Quando é felicitado pelos presentes pelo sucesso da experiência, o Dr. Erskine é baleado mortalmente pelo espião a soldo de Schmidt. Pondo-se de imediato em fuga, o homem é perseguido e finalmente capturado por Steve. Antes, porém, de poder ser levado para interrogatório, o agente nazi suicida-se trincando uma cápsula de cianeto.
  Com Erskine morto e a fórmula do soro do supersoldado perdida, em vez de permitir que os cientistas estudem Steve, o senador Brant leva-o em digressão pelos EUA. Batizado de Capitão América pelo político, Steve é obrigado a usar um uniforme inspirado no estandarte norte-americano para promover a compra de Obrigações de Guerra (instrumento financeiro comercializado pelo Governo estadunidense que tinha com objetivo ajudar a suportar os custos do conflito). Visto como um fantoche, o Capitão América é amiúde  ridicularizado pelas plateias que assistem às suas atuações.

Instrumento propagandístico de carne e osso.
  Durante uma passagem por Itália em 1943, Steve toma conhecimento de que a unidade militar do seu amigo Bucky Barnes havia desaparecido em combate após batalhar as forças de Schmidt. Recusando-se a aceitar a hipótese de Bucky estar morto, Steve convence Peggy Carter e Howard Stark a auxiliarem-no numa arriscadíssima missão de resgate atrás das linhas inimigas.
  Por sua conta e risco, Steve infiltra-se na fortaleza da Hidra onde se acoitam os apaniguados de Schmidt e são mantidos prisioneiros Bucky e os seus camaradas de armas.Após libertá-los, Steve vê-se frente a frente com Schmidt. Este remove a máscara para exibir o seu medonho rosto que lhe valeu a alcunha de Caveira Vermelha. Segue-se uma acirrada refrega entre as duas cobaias do Dr. Erskine, com o alemão a conseguir escapulir-se. Steve regressa então à base acompanhado de Bucky e dos demais soldados libertados, sendo aclamado como um herói.
  Determinado a debelar a ameaça representada pelo Caveira Vermelha, o Capitão América mobiliza o Comando Selvagem para empreender um  ataque a outras bases da Hidra. De Howard Stark o herói recebe um novo escudo feito de vibranium, um metal raro e virtualmente indestrutível.

Caveira Vermelha, o supersoldado do III Reich.

 Nos dias seguintes, o Sentinela da Liberdade e seus aliados sabotam diversas operações da Hidra. O seu próximo alvo é um comboio que transporta Arnim Zola. O cientista é capturado mas Bucky Barnes é dado como morto depois de cair da composição em movimento.
 Interrogado pelos americanos, Zola revela a localização do reduto secreto da Hidra onde estão a ser produzidas armas de destruição massiva para serem usadas contra os principais centro urbanos dos EUA.
 Novamente liderado pelo Capitão América, o Comando Selvagem invade o quartel-general do Caveira Vermelha. Pressentindo a derrota iminente, o vilão tenta escapar a bordo de um avião. Levando, contudo, um passageiro indesejado: ninguém menos que o Sentinela da Liberdade.

Comando Selvagem.
  Enquanto cruzam os céus, o Capitão América e o seu némesis guerreiam-se até que o recetáculo que continha o Tesseract é danificado. Ao empunhar o artefacto, o Caveira Vermelho é dissolvido em meio a um clarão de luz ofuscante. Em consequência disso, o Tesseract tomba no chão da aeronave, derretendo-o e caindo na vastidão do Atlântico.
  Sem conseguir descortinar uma forma de aterrar o avião sem deflagrar as armas a bordo, o Capitão América toma a decisão de despenhar o aparelho no Ártico. Pouco tempo depois, o Tesseract é resgatado por Howard Stark do fundo do oceano. As diligências deste para localizar Steve Rogers e a aeronave onde ele seguia, revelam-se, contudo, infrutíferas. O Capitão América é, por conseguinte, dado como morto.
  Steve Rogers desperta num quarto hospitalar que parece saído da década de 40. Quase imediatamente deduz que algo não bate certo, ao escutar uma transmissão radiofónica que veicula uma informação anacrónica.
  Aturdido, Rogers foge da instalação onde se encontra e depara-se com a vertigem feérica da Times Square dos nossos dias. Sendo então informado pelo diretor da SHIELD, Nick Fury, de que esteve em hibernação durante 70 anos.
  Numa cena pós-créditos, Fury convida Rogers a participar numa missão com ramificações globais.

Trailer:

Curiosidades: 

* Antes de aceitar interpretar o Capitão América no grande ecrã, Chris Evans declinou três vezes o papel. Não porque este lhe desagradasse, mas porque o ator temia o impacto que a fama acrescida que dele adviria poderia ter na sua vida pessoal. Foi Robert Downey Jr. (com quem, no ano seguinte, contracenaria no filme dos Vingadores) quem o fez mudar de ideias. Decisão que valeu a Evans um cachê de 300 mil dólares;
* A banda desenhada do Capitão América mostrada no filme é um fac-símile da capa de Captain America nº1, lançado em 1941. O escudo inicialmente manejado pelo herói é também uma réplica daquele que apetrechava a personagem nos seus primórdios nos quadradinhos. Tendo a sua posterior substituição pelo  icónico modelo circular sido ditada pelas acusações de plágio feitas pela Archie Comics. Editora que publicava o Escudo (The Shield em inglês), super-herói patriótico criado um ano antes do Sentinela da Liberdade;

 São notórias as parecenças entre o Capitão América e o Escudo da Archie Comics.

* Em apenas dois trechos do filme Johann Schmidt é referido como Caveira Vermelha: quando os emissários do Fuehrer trazem as ordens de encerramento da Hidra, e quando um oficial das SS lê em voz alta uma missiva da lavra do próprio Hitler;
* Na feira tecnológica onde Howard Stark dá a conhecer as suas criações visionárias, é visível dentro de uma redoma de vidro um manequim trajando um uniforme encarnado. Trata-se de uma referência ao primeiro Tocha Humana, um androide que foi também o mais antigo super-herói da Timely Comics (idealizado em 1939 pela precursora da Marvel). Na banda desenhada, o Tocha Humana foi um dos fundadores dos Invasores (ver prontuário da equipa já publicado neste blogue), grupo a que também pertenceu o Capitão América;
* Para se preparar para o papel de Bucky Barnes, Sebastian Stan assistiu a vários documentários e filmes sobre a II Guerra Mundial. Dentre estes últimos elegeu Irmãos de Armas (2011) como sua principal referência;
* Joe Simon (que com Jack Kirby criou o Capitão América em 1941, antes de Stan Lee o revitalizar em 1964) foi convidado a fazer um pequeno cameo no filme.Então com 97 anos e uma saúde debilitada, Simon viu-se, no entanto, impedido de corresponder ao convite. Acabaria, aliás, por falecer escassos meses após a estreia da fita;
* Hugo Weaving declarou publicamente o seu diminuto interesse em repetir o papel de Caveira Vermelha,  essencialmente por causa do desgastante processo de caracterização inerente à personagem;

Hugo Weaving em plena sessão de caracterização.
* Apesar do subtítulo o sugerir, na banda desenhada o Capitão América não fez parte do quinteto fundador dos Vingadores. Este era composto por Thor, Homem de Ferro, Vespa, Homem-Formiga e Hulk. Foi, aliás, na sequência do abandono da equipa por parte deste último que o Capitão foi recrutado para as suas fileiras. Cronologicamente, porém, o Sentinela da Liberdade é mais antigo do que qualquer um dos seus companheiros. Justificando-se assim o título de Primeiro Vingador;
* Capitão América: O Primeiro Vingador é a quinta adaptação em ação real do herói. A primeira remonta a 1944 e foi lançada sob o formato de uma série cinematográfica em  15 episódios -ainda a preto e branco - com Dick Purcell como protagonista; seguiram-se dois telefilmes produzidos em 1979 (Capitão América e Capitão América II), ambos estrelados por Reb Brown; finalmente, em 1990, no que pretendia ser a resposta da Marvel ao sucesso do Batman de Tim Burton no ano anterior, foi lançada uma tosca coprodução internacional de baixo orçamento e repleta de liberdades poéticas intitulada As Aventuras do Capitão América. Tendo como ator principal Matt Salinger, o descalabro foi de tal ordem que o filme acabaria por nunca chegar às salas de cinema, acabando por ser distribuído apenas no circuito de vídeo em 1992.

A evolução do Sentinela da Liberdade no pequeno e no grande ecrã.

Prémios e nomeações (2011): Chris Evans arrebatou o Scream Award na categoria de Melhor Super-Herói. Já a banda sonora composta por Alan Silvestri foi distinguida com um BMI Film & TV Award. Tanto o filme como  alguns elementos do elenco foram nomeados para diversos outros prémios. Destaque para o MTV Award para Melhor Ator (Chris Evans), o Saturn Award  para Melhores Efeitos Especiais e para o Teen Choice Award para Melhor Filme de Verão.



Veredito: 74%

  Precedo a minha avaliação com uma declaração de interesses: Capitão América é o meu segundo herói favorito do Universo Marvel (perdendo apenas para o Homem-Aranha). Chamem-me antiquado, mas identifico-me com muitos dos valores e princípios defendidos pela personagem. Tal como Steve Rogers, sinto-me frequentemente como se tivesse nascido na época errada.
  Dito isto, e tendo visto na minha adolescência o infame As Aventuras do Capitão América, seria muito difícil eu não gostar desta nova vida do Sentinela da Liberdade no grande ecrã.
 Ao contrário de Matt Salinger na fita de 1990, Chris Evans sabe realmente representar e interpretou admiravelmente bem o Capitão América, captando a essência idealista e tenaz do herói. Hugo Weaving também foi uma escolha acertada para Caveira Vermelha (com os argumentistas a não trocarem desta vez a nacionalidade ao vilão).
 Apesar do seu fortíssimo cunho patriótico e anacrónico, o Capitão América é também um símbolo vivo da Liberdade. Em paralelo com a sua valentia, é esse o aspeto mais destacado na película. Tornando, assim, o herói simpático aos olhos da maioria dos espectadores (exceto, porventura, os tiranetes em potencial ou os visceralmente antiamericanos).
 Com um argumento consistente temperado com as doses certas de humor e ação, Capitão América: O Primeiro Vingador possui mais substância do que à primeira vista possa parecer. Num mundo onde a fronteira entre o Bem e o Mal está cada vez mais esbatida, é agradável evocar um conflito onde os bons e os maus estavam perfeitamente identificados.
 Mesmo aos leigos, o filme conseguirá facilmente garantir um par de horas bem passadas graças ao seu registo ligeiro e ao seu charme retro. Sugiro que o vejam acompanhados por um balde de pipocas, ao bom estilo americano.