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sábado, 31 de janeiro de 2015

EM CARTAZ: «SUPER-HOMEM III»




    Muito por culpa do inusitado registo cómico do enredo, do baixo orçamento e das várias alterações no elenco, é por muitos considerado o mais sofrível dos filmes do Homem de Aço. Pressentindo o inexorável declínio da franquia, Christopher Reeve anunciou depois dele a sua intenção de não repetir o papel que o imortalizaria na história do cinema e dos quadradinhos.

Título original: Superman III
Ano: 1983 (ano em que se assinalou o 45º aniversário da criação do Último Filho de Krypton)
País: EUA/Reino Unido
Duração: 125 minutos
Género: Ação/Aventura/Comédia/Fantasia
Realização: Richard Lester
Produção: Ilya e Alexander Salkind
Distribuição: Warner Bros.
Argumento: David e Leslie Newman
Elenco:Christopher Reeve (Clark Kent/Super-Homem); Margot Kidder (Lois Lane); Richard Pryor (Gus Gorman); Robert Vaughn (Ross Webster); Annette O'Toole (Lana Lang); Annie Ross (Vera Webster); Jackie Cooper (Perry White); Pamela Stephenson (Lorelei Ambrosia) e Marc McClure (Jimmy Olsen)
Orçamento: 39 milhões de dólares
Receitas globais: 71 milhões de dólares



Dois cartazes promocionais de Superman III.

Enredo: Gus Gorman, um desempregado de longa duração,descobre possuir um talento especial para a programação informática, facto que lhe vale ser contratado pela poderosa WebsCo. Descontente com o seu salário, Gus concebe um engenhoso esquema para desviar dinheiro das contas da empresa sem ser detetado. Acaba, no entanto, por chamar a atenção do seu patrão. Ross Webster é obcecado com o potencial dos computadores para o auxiliarem nos seus planos de dominação mundial pela via financeira, ficando portanto mais impressionado do que agastado com a façanha de Gus. Adjuvado pela sua pérfida irmã Vera e pela sua aparentemente desmiolada assistente Lorelei Ambrosia, Ross chantageia Gus para que este aceite ser seu cúmplice.

Ross Webster, magnata megalómano.

Gus Gorman, um desastrado génio informático.
   Entretanto, Clark Kent convence o seu editor no Planeta Diário a conceder-lhe alguns dias de licença a fim de participar na sua reunião anual de liceu, em Smallville. A caminho da sua cidade natal, o Super-Homem extingue um incêndio numa fábrica de químicos onde é produzido um ácido altamente volátil e suscetível de lançar vapores corrosivos quando exposto a temperaturas elevadas.
   Na reunião com os seus antigos colegas de liceu, Clark reencontra a sua amiga de infância, Lana Lang. Mãe solteira de um garoto chamado Ricky, Lana é constantemente assediada por Brad Wilson, um seu ex-namorado, em tempos jogador de futebol americano, e agora um rufia alcoólico que trabalha como segurança na filial de Smallville da WebsCo.
   A primeira etapa do plano de Ross Webster consiste em garantir o monopólio da produção mundial de café. Enfurecido pela recusa por parte da Colômbia em fazer negócios com a sua empresa, Ross ordena a Gus Gorman que assuma o controlo de um satélite meteorológico norte-americano com o objetivo de induzir um gigantesco tornado capaz de arrasar as colheitas de café colombianas.
  Para ativar o satélite em questão, Gus usa o computador instalado na filial da WebsCo em Smallville, sendo involuntariamente ajudado nessa missão por um ébrio Brad Wilson, que lhe fornece os códigos de acesso. Os planos de Ross Webster são, todavia, frustrados pela intervenção do Super-Homem, que neutraliza o tornado, salvando dessa forma as colheitas de café.

De volta a Smallville, Clark reencontra Lana Lang.

   Lembrando-se da entrevista feita por Lois Lane ao herói, Ross ordena então a Gus que use o computador para descobrir a composição química da kryptonita a fim de sintetizar uma amostra do mineral radioativo que é a única fraqueza conhecida do Homem de Aço. Gus usa o satélite meteorológico para procurar destroços de Krypton no espaço sideral, mas a demanda resulta infrutífera. O computador, por outro lado, falha na sua análise química da kryptonita, incapaz de identificar um elemento desconhecido presente nela. O qual Gus decide prontamente substituir por alcatrão contido na cinza de um cigarro que fumava.
   Lana convence o Super-Homem a comparecer na festa de aniversário do pequeno Ricky. Porém, quando se espalha a notícia acerca da presença do herói em Smallville, a cidade engalana-se para o receber. Sendo até organizada uma cerimónia de entrega da chave da cidade. A qual é inopinadamente interrompida por Gus Gorman e Vera Webster que, disfarçados de oficiais do Exército, entregam ao Super-Homem uma bizarra escultura feita com kryptonita. Ficam, todavia, desconcertados ao verificarem que a mesma não surte um efeito imediato sobre o herói.
  Horas depois, contudo, o Homem de Aço começa a evidenciar alguns comportamentos atípicos: mais empenhado em concretizar os seus intentos lascivos relativamente a Lana, demora a acudir a um camionista em apuros. A partir daí, o herói kryptoniano começa a questionar o seu próprio valor e papel no mundo, mergulhando numa espiral depressiva e tornando-se gradualmente mais egoísta e agressivo. Para extravasar a frustração acumulada, comete atos de vandalismo, como endireitar a Torre de Pisa ou apagar a tocha olímpica com o seu supersopro.

A exposição a kryptonita adulterada causa uma terrível transformação na personalidade do Homem de Aço.
  Ross Webster põe entretanto em marcha a segunda fase do seu plano: controlar o fornecimento de petróleo a nível mundial. Ordena para esse efeito a Gus Gorman que use os seus prodigiosos conhecimentos informáticos para desviar todos os petroleiros das suas atuais rotas, concentrando-os no meio do Atlântico. Gus entrega ao seu patrão os esboços para a construção de um supercomputador. Em troca da lealdade de Gus, Ross aceita financiar o projeto.
  Depois de o comandante de um dos petroleiros recusar seguir as instruções de Gus, Webster usa Lorelei como engodo para atrair o Super-Homem à sua cobertura. Totalmente corrompido pelos efeitos da kryptonita sintética, o Homem de Aço, a troco de contrapartidas carnais, aceita intercetar o petroleiro rebelde, abrindo um rombo no casco da embarcação e causando assim um desastre ambiental.
  Enquanto se embebedava num bar, o Super-Homem é interpelado pelo filho de Lana Lang. Apesar de rapidamente alçar voo, o atormentado herói escuta com a sua superaudição os apelos do petiz para que lute contra a doença que dele se apossou.
   À beira do colapso, a versão corrompida do Último Filho de Krypton quase se despenha pouco depois num ferro-velho. Dividindo-se de seguida em duas personalidades: o Super-Homem maligno e o seu íntegro alter ego, Clark Kent. No final da intensa refrega que se segue, Clark consegue liquidar a sua contraparte corrompida. Recuperado o seu heroísmo, o Homem de Aço apressa-se a reparar os danos causados pela seu eu sombrio.

O icónico mano a mano entre Clark Kent e o Super-Homem maligno.

   Ao tentar aproximar-se do esconderijo de Ross Webster e seus comparsas (localizado no Grand Canyon), o Super-Homem é alvejado por mísseis. O ataque é, no entanto, incapaz de detê-lo. Pressentindo o perigo, o supercomputador construído por Gus Gorman aciona contramedidas defensivas, atingindo o Homem de Aço com uma rajada de kryptonita verdadeira.
    Apavorado com a perspetiva de ficar para a História como o carrasco do Super-Homem, Gus serve-se de um machado para destruir o emissor da rajada de kryptonita, salvando dessa forma a vida do herói. O supercomputador entretanto adquire consciência própria, inviabilizando as tentativas do seu criador para desligá-lo. Para se alimentar, a máquina drena energia do sistema elétrico, causando blackouts em série. Ross Webster e Lorelei conseguem esgueirar-se para fora da cabine de comando, mas Vera Webster é capturada pelo computador e transformada num sinistro cyborg.
    Aproveitando o tumulto, o Super-Homem sai da caverna, regressando pouco depois trazendo consigo um recipiente contendo o ácido produzido na fábrica de químicos que salvara dias antes.
   Classificando a substância como inócua, o supercomputador permite que o Homem de Aço deposite o recipiente no seu interior. Devido ao calor produzido pelo funcionamento da máquina, o ácido não tarda a reagir, entrando em ebulição e salpicando os seus componentes. Daí resultando a destruição do supercomputador.
   Deixando para trás Ross Webster e as suas cúmplices, o Super-Homem voa  até uma mina de carvão na Virgínia Ocidental levando consigo Gus Gorman. Apesar da oferta de emprego conseguida pelo herói, Gus declina-a e arrepia caminho para parte incerta.
   Regressado a Metrópolis, Clark Kent paga a viagem de Lana Lang e Ricky à cidade. Lana consegue um emprego no Planeta Diário como secretária de Perry White. Brad Wilson, que a havia perseguido até Metrópolis, ataca Clark, com este a esquivar-se, fazendo com que o rufia caia dentro de um carrinho de produtos de limpeza que se precipita escadas abaixo.
  Como habitualmente, o filme termina com o Super-Homem a fazer um passeio orbital ao som do magnífico tema musical composto por John Williams.
Trailer: .https://www.youtube.com/watch?v=UiwduaIGVVE


A amizade improvável de Super-Homem e Gus Gorman.
Curiosidades:

* O menino que espera do lado de fora da cabine fotográfica onde Clark Kent se transforma em Super-Homem é na verdade o mesmo que, 5 anos antes, fizera de pequeno Kal-El recém-chegado à Terra, no primeiro capítulo da saga;
* Após Margot Kidder ter expressado junto dos irmãos Salkind a sua discordância relativamente à demissão de Richard Donner (realizador de Superman e Superman II, antes de ser afastado da direção deste último e substituído por Richard Lester), a atriz que interpretou Lois Lane na quadrilogia viu o seu papel ser reduzido a 12 linhas, correspondentes a uns meros 5 minutos no ecrã. No entanto, em 2006, num comentário incluso na edição em DVD de Superman III, Ilya Salkind negou qualquer correlação entre esses dois factos. Segundo ele, derivou do esgotamento do romance entre o Super-Homem e Lois Lane, a opção por reduzir a participação de Margot Kidder no terceiro filme do herói kryptoniano;
* Ainda de acordo com Ilya Salkind, a versão primitiva do argumento incluía dois dos arqui-inimigos do Homem de Aço na BD (Brainiac e Mr. Mxyzptlk), além da Supergirl (cuja aparição no filme do primo seria o mote para um potencial spin-off);
* Os irmãos Salkind resolveram convidar Richard Pryor a integrar o elenco depois de este ter comentado no célebre programa televisivo Saturday Night o quanto tinha gostado de Superman II;
* Na sua autobiografia, Richard Pryor admite que o enredo era péssimo, mas que aceitou participar na película por causa do cachê de 5 milhões de dólares que lhe foi oferecido;
* O título original da película era Superman versus Superman, o que valeu aos seus produtores uma ameaça de processo judicial por parte dos seus homólogos do aclamado Kramer versus Kramer (1979);
* Foi a primeira vez que Christopher Reeve mereceu honras de protagonista, visto que nos dois anteriores filmes esse estatuto fora concedido, respetivamente, a Marlon Brando e Gene Hackman;

Os dois trajes usados por Christopher Reeve em Superman III expostos na Comic-Con de Las Vegas, em 2013.
* Trata-se do único filme da quadrilogia (à qual se somou, em 2006, Superman Returns) em que Lex Luthor não participa, e onde não são feitas quaisquer referências à Fortaleza da Solidão ou aos pais biológicos do Super-Homem (Jor-El e Lara);
* A kryptonita sintética a que o herói é exposto provoca efeitos colaterais característicos tanto da kryptonita vermelha como da kryptonita preta ( apenas algumas das cores do mineral existentes no período pré-Crise): a primeira anula as inibições morais do Homem de Aço, ao passo que a segunda faz emergir o seu lado mais sombrio;
* Numa referência a algumas das suas histórias da Idade da Prata, nas quais essa era uma proeza comum, o Super-Homem cria instantaneamente um diamante apertando um pedaço de carvão na mão;
* Annette O'Toole (Lana Lang) desempenhou já este século o papel de Martha Kent na série televisiva Smallville;
* Os sons do jogo de vídeo que Ross Webster joga enquanto tenta atingir o Super-Homem com mísseis pertencem à versão para o Atari 2600 do mítico Pac-Man (lançado no mercado em 1982, um ano antes da estreia de Superman III);


Brainiac e Mr. Mxyzptlk (em cima): os dois vilões inicialmente cogitados para Superman III.
Prémios e nomeações: Perante a reação adversa dos espectadores e dos críticos, ninguém estranhou que Superman III fosse nomeado para dois Razzies (espécie de anti-Oscares que "premiam" o que de pior se faz na 7ª arte). Os visados foram Richard Pryor (na categoria de Pior Ator Secundário) e Giorgio Moroder (Pior Banda Sonora). Nenhum dos dois acabaria, no entanto, por ser laureado com esse pouco prestigiante galardão.

Richard Lester, o polémico realizador de Superman III.
Veredito: 53%

   Aparentemente, o número três é aziago (ou mesmo fatídico) para muitas franquias cinematográficas. Não raras vezes, o  terceiro capítulo costuma marcar o início do seu declínio.  Quando não o seu epitáfio...
   Malapata que não atinge somente adaptações de super-heróis ao grande ecrã. Noutros géneros tivemos, somente à guisa de exemplo, Tubarão 3, Exterminador Implacável 3 ou Alien 3. Entre as películas baseadas nos universos Marvel e DC os exemplos são ainda mais abundantes: Batman Para Sempre, X-Men 3 - O Confronto Final, Homem-Aranha 3, Homem de Ferro 3 e, claro, Superman III. Em maior ou menor medida, todos os títulos citados redundaram em fiascos (de crítica, bilheteira ou de ambas). De uma forma ou de outra, todos eles comprometeram o futuro das respetivas franquias.
  Enquanto cinéfilo e acérrimo fã do Homem de Aço senti-me obviamente defraudado quando vi este seu terceiro filme pela primeira vez. Mais a mais porque a fasquia tinha sido deixada muito alta pelos seus predecessores. Estranhei desde logo a opção pela comicidade num enredo implausível mesmo para uma produção do género. E não fui certamente o único. Anos depois da estreia de Superman III,  o próprio Christopher Reeve - cuja representação foi irrepreensível, sobretudo no que toca à versão maligna do herói - confidenciou o seu desconforto perante a obstinação do realizador Richard Lester em tentar transformar qualquer sequência da película numa cena cómica.
  Parece-me por demais evidente o nexo de causalidade existente entre este facto e a escolha de Richard Pryor (ator catapultado para o estrelato nos alvores da década de 1980 por via das comédias desbragadas em que participou) para coprotagonista.Ou, na ótica de alguns, de verdadeiro protagonista, com o Super-Homem relegado para um papel secundário.
  Pryor não foi, contudo, a única escolha falhada no elenco. Num filme sem Lex Luthor (magistralmente encarnado por Gene Hackman nos restantes três capítulos da quadrilogia), Ross Webster foi visto como um fraco sucedâneo daquele que é o mais antigo e carismático némesis do Super-Homem. Perceção reforçada pela desinspirada atuação de Robert Vaughn.
   Ironicamente, em Superman III o próprio herói acaba por ser o seu mais condigno antagonista. Depois, de nos dois primeiros filmes, ter tido pela frente Luthor e o triunvirato de renegados kryptonianos liderados pelo general Zod, a grande ameaça que teve de enfrentar na sua terceira aventura cinematográfica foi um supercomputador senciente construído por um palerma  com dotes de programador informático. Tanto mais frustrante considerando que, numa das primeiras versões do argumento, estava previsto o Homem de Aço ter de medir forças com dois dos seus mais formidáveis arqui-inimigos: Brainiac e Mr.Mxyzptlk (com o bónus da participação especial da Supergirl). A culpa terá sido dos mandachuvas da Warner que, ao que consta, detestaram a ideia, rejeitando-a sem apelo nem agravo.
   Malgrado os seus muitos defeitos, nem tudo é mau em Superman III. Se é verdade que ficou muito furos abaixo dos seus predecessores (facto a que não será alheio o seu orçamento inferior), não é menos verdade que consegue ser bem melhor do que o quarto e último filme da saga (Superman IV- Em Busca da Paz). Ganhando mesmo na comparação com outras produções mais recentes do género, como Motoqueiro Fantasma 2, Elektra ou qualquer uma das longas-metragens já realizadas do Quarteto Fantástico.
   Entre os aspetos positivos da película, além da já realçada interpretação de Reeve, conta-se também o icónico mano a mano entre Clark Kent e o Super-Homem maligno num ferro-velho; o regresso às origens em Smallville (que permitiu a introdução de Lana Lang no universo cinemático do herói); alguns gags divertidos; e, claro, o magnífico tema de abertura da autoria de John Williams.
   Também do ponto de vista financeiro, o filme esteve longe de ter sido um fracasso. Não obstante as suas receitas de bilheteira terem ficado aquém das dos seus antecessores, o saldo foi claramente favorável. São estes elementos que, somados à minha memória afetiva do insuperável Christopher Reeve, me levam a atribuir-lhe uma nota tangencialmente positiva. Salvando-o assim do desonroso rótulo de monumental flop que muitos não hesitam em colar-lhe.
   Tivesse Superman III sido realizado numa época em que as trilogias estivessem na moda, e aos aspetos positivos supramencionados acrescentar-se-ia ainda outro: a inexistência da sua inenarrável sequela.


    

segunda-feira, 21 de julho de 2014

EM CARTAZ: SUPER-HOMEM II



    Depois de  ter frustrado os planos nefandos de Luthor no primeiro filme, o Homem de Aço enfrenta agora a ameaça de três renegados kryptonianos que procuram vingar-se do filho do seu carcereiro. Conservando ainda o tom épico do seu predecessor, Super-Homem II, malgrado a sua tumultuosa produção, redundou num retumbante sucesso.

Título original: Superman II
Data de lançamento: Dezembro de 1980 (Austrália e Europa Continental) e janeiro de 1981 (EUA e Reino Unido)
País: Reino Unido
Género: Ação/Aventura/Fantasia
Duração: 127 minutos
Realização: Richard Lester e Richard Donner (embora não creditado, dirigiu a versão primitiva do filme posteriormente editada em DVD)
Argumento: Mario Puzo, David Nemwan, Leslie Newman e Tom Mankiewicz (consultor criativo)
Elenco: Christopher Reeve (Clark Kent/Super-Homem); Gene Hackman (Lex Luthor); Terence Stamp (General Zod), Margot Kidder (Lois Lane); Sarah Douglas (Ursa); Jack O'Halloran (Non), Jackie Cooper (Perry White) e Marc McClure (Jimmy Olsen)
Distribuição: Warner Bros.
Orçamento: 54 milhões de dólares
Receitas: 108 milhões de dólares
Produção: A produção de Superman II arrancou em simultâneo com as filmagens do primeiro filme do Homem de Aço, em abril de 1977. No entanto, devido à envergadura dos meios logísticos envolvidos e ao calendário apertado, a produção da sequela foi suspensa em outubro desse ano, por forma a permitir que Richard Donner se concentrasse exclusivamente em Superman.
    Devido a um diferendo entre o cineasta e os produtores (Alex e Ilya Salkind) acerca dos privilégios da edição final da película, Donner foi demitido. Para o seu lugar foi contratado outro Richard, de apelido Lester. Este tinha já trabalhado com os Salkind noutro projeto duplo: The Three Musketeers (1973) e The Four Musketeers (1974) e fora trazido meses antes na qualidade de assistente de realização, para apaziguar a crescente tensão entre Donner e os produtores.
   Umas das mais veementes objeções manifestadas por Donner antes do seu afastamento do projeto prendeu-se com a decisão dos Salkind de suprimir todas as cenas já filmadas com Marlon Brando, evitando desse modo ter de pagar uma maquia adicional ao ator, que reivindicava em tribunal uma parte dos lucros do filme.
     Em março de 1979, pouco mais de um ano após a estreia de Superman, os Salkind resolveram demitir Donner e oferecer a cadeira de realizador a Lester. Uma decisão controversa entre o elenco e a equipa de produção, com o ator Gene Hackman, o editor Stuart Baird e o consultor criativo Tom Mankiewicz a recusarem participar na nova versão da sequela, em solidariedade com Donner. 

Richard Donner, o primeiro realizador de Superman II.

    No dia 1 de junho de 1979, recomeçaram oficialmente as filmagens da nova versão de Superman II, sob a batuta de Lester. No argumento revisto figuravam agora várias sequências inéditas, como aquela em que Lois Lane salta para as Cataratas de Niagara ou a da bomba na Torre Eiffel. 
    Ao longo dos nove meses subsequentes, a rodagem do filme passou pelo Canadá, Noruega, Paris e pela ilha de Santa Lúcia. Já as cenas ambientadas em Metrópolis (rodadas em Nova Iorque no primeiro filme) foram inteiramente gravadas nos britânicos Estúdios Pinewood. Em março de 1980 as filmagens estavam finalmente concluídas.
     A despeito de todos os percalços e dificuldades inerentes à sua produção, Superman II recebeu críticas muito positivas (em particular quanto ao argumento e aos efeitos especiais) e foi um estrondoso sucesso de bilheteira (sendo mesmo o terceiro filme mais lucrativo de 1981). Factos que valeram a Lester um convite para dirigir a próxima sequela que, contudo, esteve longe de corresponder às expectativas do fãs (tema para um próximo artigo).

Richard Lester, o substituto.

   No entanto, segundo o próprio Richard Donner, a versão da película que chegou às salas de cinema contém, na melhor das hipóteses, 25% do material por ele filmado. A razão é simples: para ser creditado na produção de um filme, um realizador tem de ser responsável por,  pelo menos, 51% das cenas. Daí que Richard Lester tenha substituído muitas das sequências previamente gravadas pelo seu antecessor.
   Na sequência de um petição online promovida por fãs e coincidindo com a estreia de Superman Returns, em 2006 foi lançada em DVD a versão primitiva do filme: Superman II - The Richard Donner Cut. 
    Recuperando a maior parte do conceito original de Donner (aproximadamente 83% do material por si gravado foi restaurado), esta versão inclui também diversas cenas da autoria de Lester, usadas para preencher alguns espaços na narrativa.
     Entre as várias sequências recuperadas, constam:

* A destruição da Fortaleza da Solidão levada a cabo pelo herói kryptoniano;
* O Super-Homem usa a sua visão de calor para confecionar um suflé no seu jantar romântico com Lois na Fortaleza da Solidão;
* A cena que retrata a invasão da Casa Branca pelo trio de kryptonianos era originalmente muito mais violenta;
* Na reta final do filme, Clark Kent esbarra com um matulão careca e lembra-se que tem contas a ajustar com um certo rufia.


Enredo: Pouco tempo antes da destruição de Krypton, o Conselho - presidido por Jor-El - condena três criminosos, acusados de sedição e genocídio, ao banimento na Zona Fantasma. Os seus nomes: Zod, Ursa e Non. Apesar dos pungentes pedidos de clemência do primeiro, Jor-El ratifica a sentença dos seus pares. Face ao terrível destino que os espera, Zod jura vingança.
   Décadas passadas, a Zona Fantasma é estilhaçada pelas ondas de choque resultantes da detonação de uma bomba de hidrogénio lançada pelo Super-Homem na órbita terrestre, após ter impedido um atentado terrorista em Paris. Zod e os seus companheiros são assim acidentalmente libertados.
   Ainda aturdidos pela liberdade reconquistada e pelos recém-adquiridos superpoderes em consequência da sua exposição à radiação do nosso sol amarelo, o trio de kryptonianos voa até à Lua. 
   Antes de massacrarem a equipa de astronautas americanos e soviéticos que lá encontram, escutam as transmissões da NASA emitidas a partir de Houston. Julgando ser esse o nome do planeta de origem dos astronautas, os três dirigem-se para a Terra. 
   Chegados ao nosso mundo, atacam uma pequena cidade no interior dos EUA. Após desbaratarem o contingente militar destacado para o local, rumam a Washington, D.C. e tomam a Casa Branca. 
    Na sequência da capitulação das forças que defendiam o símbolo máximo do poder político dos EUA, Zod obriga o Presidente norte-americano a, perante as câmaras de televisão, ajoelhar-se aos seus pés. Quando o Presidente lança um desesperado pedido de socorro endereçado ao Super-Homem, Zod exige saber de quem se trata e ordena-lhe, em direto, que se venha ajoelhar diante dele.

Triunvirato kryptoniano (da esq. para a dir.): Non, Zod e Ursa.

    Entretanto, os repórteres do Planeta Diário, Clark Kent e Lois Lane(disfarçados de recém-casados) são destacados para as Cataratas de Niagara a fim de investigarem uma presumível burla tendo como alvos casais em lua de mel. 
    Cada vez mais desconfiada de que Clark e o Super-Homem são uma só pessoa, Lois recorre a diversos ardis para tentar comprovar a sua teoria. Chega mesmo a atirar-se para as cataratas, mas Clark evita comprometer a sua identidade secreta usando astutamente as suas habilidades para salvá-la.
   Nessa noite, na suíte nupcial onde o casal de repórteres se encontra alojado, Clark desequilibra-se ao tentar retirar da lareira acesa uma escova de cabelo de Lois. Perante a sua ausência de ferimentos, Clark é forçado a admitir que é o Homem de Aço.
    Feita a revelação, o casal voa até à Fortaleza da Solidão, no Ártico. O herói dá a conhecer a Lois alguns arquivos históricos de Krypton, armazenados sob a forma de cristais de pedra solar. Sendo que um deles foi, segundo ele explica à sua fascinada interlocutora, o responsável pela construção da estrutura e por o ter posto em contacto com os seus malogrados progenitores.
    Depois de declarar o seu amor por Lois, o Super-Homem expressa a sua vontade de renunciar aos seus poderes por forma a poder passar o resto da vida com ela. Apesar das advertências da mãe, ele não muda de ideias e adentra numa câmara molecular para se expor à radiação de um sol vermelho (idêntico ao que iluminava Krypton e que lhe anula os poderes).

Por amor, o Super-Homem deixa de ser super.

   Agora um simples humano, Clark passa a noite com Lois e, no dia seguinte, ambos abandonam a Fortaleza da Solidão de regresso aos EUA. Num restaurante de camionistas, Clark, ao tentar defender Lois do assédio de um rufia, acaba espancado por este. É também nesse momento que toma conhecimento das ações de Zod e dos seus aliados. 
    Com o mundo à mercê dos seus compatriotas, Clark resolve regressar à Fortaleza da Solidão para tentar recuperar os seus superpoderes.
    Longe dali, Lex Luthor escapa da penitenciária com a ajuda da sua assistente, Eve Teschmacher. Ambos rumam, de seguida, ao Ártico e infiltram-se na, agora deserta, Fortaleza da Solidão. Explorando as funcionalidades da estrutura, Luthor descobre a relação existente entre o pai biológico do seu inimigo e o general Zod. 
    Na posse dessa preciosa informação, Luthor vai ao encontro do triunvirato kryptoniano na Casa Branca. Em troca da propriedade da Austrália, ele oferece-se para conduzir Zod e seus comparsas ao filho do seu carcereiro.
   Ávidos de vingança, os três kryptonianos forjam uma aliança com Luthor e voam até Metrópolis, onde tomam de assalto a redação do Planeta Diário com o intuito de sequestrar Lois Lane e, dessa forma, atrair o Super-Homem. Este entra em cena, após ter conseguido reverter a sua transformação em humano com a ajuda do misterioso cristal de kryptonita verde.
   Na violenta batalha que se segue, embora em inferioridade numérica, o Homem de Aço tira vantagem da sua maior destreza no uso dos seus poderes. Pressentindo a derrota, Zod, depois de se aperceber que o filho de Jor-El se preocupa com os humanos, resolve tirar proveito dessa fraqueza do seu adversário, ordenando o ataque indiscriminado a transeuntes que assistiam à contenda.

Em plena batalha de Metrópolis, o Homem de Aço oferece uma voltinha de carrossel a Zod. 
   Constatando que a única forma de evitar a morte de inocentes seria levar os seus adversários para longe da cidade, o Super-Homem finge bater em retirada. Tomando-o por um covarde, Zod vangloria-se do seu aparente triunfo. Quando se prepara para descartar Luthor, este oferece-se para o levar até à Fortaleza da Solidão. Ursa, por seu lado, decide levar Lois como refém e o quinteto voa em direção ao Ártico.
   Após nova peleja, agora no reduto do Homem de Aço, a capitulação de Zod parece iminente. Porém, Ursa e Non ameaçam despedaçar Lois se o herói não se render. 
    Novamente descartado por Zod, Luthor aproxima-se do Super-Homem, que lhe confidencia o seu plano de usar a câmara molecular para remover os poderes do trio de renegados kryptonianos. Ansioso por voltar a cair nas boas graças de Zod, Luthor conta-lhe o plano do Homem de Aço e prontifica-se a acionar o dispositivo.
    Prevendo a traição de Luthor, o Super-Homem usa uma câmara de cristal para se proteger da radiação de sol vermelho que inunda a Fortaleza. Zod e os seus comparsas apercebem-se tarde demais do logro e, despojados das suas habilidades, são facilmente vencidos pelo Homem de Aço.
   No dia seguinte, no Planeta Diário, Clark encontra uma angustiada Lois, incapaz de lidar com seu segredo. Ele beija-a na boca e, ato contínuo, a memória recente da repórter é apagada.
   Depois de se desforrar do valentão que o havia espancado quando estava privado dos seus poderes, Clark dá lugar ao Super-Homem e voa até Washington para recolocar a cúpula destruída da Casa Branca com a bandeira norte-americana desfraldada no topo. Antes de partir para o seu habitual passeio orbital, o herói promete ao Presidente que não o tornará a deixar mal.
Trailerhttp://www.imdb.com/video/screenplay/vi3346572313


Curiosidades: 

* Gene Hackman não participou na segunda versão do filme, dirigida por Richard Lester. Todas as suas cenas como Lex Luthor haviam sido gravadas por Richard Donner. Nas que foram posteriormente inseridas na película, foram usados um duplo seu e um imitador de vozes;
* Na versão original, o míssil nuclear de Luthor que o Homem de Aço desvia para o espaço em Superman (1978), seria o responsável pela libertação de Zod e seus companheiros da Zona Fantasma. Cena incluída na edição em DVD de Superman II - The Richard Donner Cut, tendo a cena em Paris sido suprimida;
* Devido a significativas modificações fisionómicas operadas em Christopher Reeve no interlúdio entre as duas versões da sequela, algumas das suas cenas tiveram que ser regravadas;
* A cena em que Zod, Ursa e Non usam o seu supersopro para dispersar a multidão que os tenta atacar em Metrópolis, foi rodada ao longo de três gélidas noites de novembro num estúdio britânico, tendo Richard Lester improvisado a maior parte das situações cómicas;

Gene Hackman como Lex Luthor (papel que repetiria em 3 dos 4 filmes da franquia).

* Originalmente, Donner tinha filmado Kal-El a conversar com o seu pai na Fortaleza da Solidão, mas Marlon Brando (que interpretou Jor-El no primeiro filme) interpôs um processo judicial exigindo uma parcela dos lucros do filme, mesmo que não participasse nele. Tendo os tribunais deferido esta reivindicação do finado ator, as cenas com Jor-El foram substituídas por Lara (mãe biológica do Super-Homem). No entanto, as cenas cortadas de Brando seriam reaproveitadas em Superman Returns (2006);
* Embora americano de gema, Richard Lester, há muito radicado no Reino Unido, afirmou nunca ter sequer ouvido falar do Super-Homem antes de ser convidado a ocupar a vaga deixada por Richard Donner. Explicação: em criança, as histórias aos quadradinhos eram expressamente proibidas em sua casa;
* Numa entrevista concedida vários anos após a estreia do filme, Margot Kidder declarou: "Olhando para trás, sou forçada a concordar com os moralistas que censuraram o facto de a Lois Lane ter ido para a cama com o Super-Homem"; 
* Noutra entrevista, datada de 2004, a mesma Margot Kidder revelou que Richard Donner gravara suficiente material para uma película completa, o qual estaria algures guardado num cofre. Na sequência destas declarações, um site lançou uma petição online exigindo à Warner Bros. que libertasse o material em questão. O que viria a acontecer um par de anos volvidos, sob o título Superman II - The Richard Donner Cut e coincidindo com a chegada às salas de cinema de todo o mundo de Superman Returns;
* Durante a filmagem da cena em que, na Fortaleza da Solidão, Lois Lane esmurra Ursa na face, Margot Kidder acertou acidentalmente em Sarah Douglas, deixando-a inanimada;
* Para apagar da memória de Lois o conhecimento de que Clark Kent e o Super-Homem são a mesma pessoa, o herói kryptoniano aplica-lhe um "superbeijo" nos lábios. Ainda que raramente usado, trata-se de um poder de que o Homem de Aço dispôs em tempos na BD, mas que acabou por ser eliminado;
* Os poderes perdidos do Super-Homem são restaurados após Clark Kent encontrar um cristal de kryptonita verde na Fortaleza da Solidão, sem que contudo seja aventada uma explicação para esse facto. Para mais considerando que a sua exposição a esses fragmentos radioativos do seu mundo natal lhe é potencialmente letal. Nada que impedisse a inclusão de uma cena similar em Super-Homem IV, Em Busca da Paz (1987).

Dois símbolos americanos.

Veredito: 84%

   Antes da massificação das adaptações cinematográficas de algumas personagens de charneira da Marvel e da DC que, para gáudio dos fãs, tem marcado o início deste século, houve uma primeira geração de películas que foram pioneiras num género até então menosprezado por Hollywood (e, bem vistas as coisas, pelo público em geral).
   O mote foi dado por Superman em 1978 e, ao invés do panorama atual, durante as décadas de 1980 e 1990 a DC dava cartas no grande ecrã. Entre 1978 e 1997, foram lançadas duas quadrilogias (uma do Homem de Aço, outra de Batman) e um filme a solo da Supergirl.
   No mesmo intervalo de tempo, a produção cinéfila da Marvel restringiu-se a um par de  telefilmes do Hulk e outros tantos do Homem-Aranha (que, na realidade, mais não eram do que episódios extendidos das respetivas séries televisivas), um filme extraoficial do Justiceiro e uma película série B do Capitão América. Pelo meio, houve uns quantos "abortos" cuja maternidade a Casa das Ideias só a muito custo assumiu. Refiro-me, por exemplo, aos infames  Nick Fury e Fantastic Four (1994), ambos votados ao mais recôndito oblívio.
   Focando-me agora nas produções da DC, tanto na quadrilogia do Super-Homem (1978-1987), como na do Homem-Morcego (1989-1997)), os dois primeiros capítulos são magistrais, ao passo que o terceiro e o quarto são inenarráveis (e responsáveis por recorrentes pesadelos em fãs mais sensíveis).
  Especificamente falando das aventuras do herói kryptoniano no grande ecrã, sou, ainda hoje, um fã incondicional dos dois primeiros filmes da franquia. Embora datados, alcançaram a intemporalidade por via do seu registo épico e do saudoso Christopher Reeve (que me desculpem os seus sucessores, mas ele foi  o Super-Homem).
Super-Homem versus General Zod: um duelo reeditado em Homem de Aço (2013).

   Por conseguinte, quando me perguntam qual dos dois prefiro, hesito sempre na resposta. Mesmo passados todos estes anos, ambos me conseguem ainda fazer vibrar como na primeira vez em que tive o prazer de assisti-los: no primeiro, perdi a conta às vezes em que vi e revi a cena em que o Homem de Aço apanha Lois Lane em pleno ar, ao mesmo tempo que segura, com uma só mão, um helicóptero em queda livre; no segundo, quase rebentei a fita da velhinha cassete VHS em que o tinha gravado, de tanto a rebobinar para assistir, uma e outra vez, à épica batalha travada em Metrópolis pelo Super-Homem e os vilões do seu planeta natal.
    Sem desprimor, pois, para o seu antecessor, Superman II continua a figurar no meu top 5 dos melhores filmes com super-heróis (encabeçado pelo igualmente clássico Batman, de Tim Burton).
   Mesmo a uma distância de quase 35 anos, Superman II mantém-se como um excelente entretenimento, graças ao seu elenco sólido, ao argumento consistente e a uma generosa porção de sequências de ação. Chegando mesmo a superar o primeiro filme, em especial devido ao foco nos dramas individuais de algumas personagens (o inviável triângulo amoroso entre Lois, Clark e o Super-Homem é uma das pedras de toque da trama) e à maior credibilidade dos vilões e suas motivações (Terence Stamp não podia ter sido melhor escolhido para o papel de Zod, não perdendo na comparação com Michael Shannon em Homem de Aço).
   Por tudo isto, Superman II é um digno tributo ao maior herói de todos os tempos, desde logo porque não desvirtua a sua mitologia e porque nos fez acreditar que um homem podia voar.

Christopher Reeve, o eterno Super-Homem cinematográfico.