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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

HERÓIS EM AÇÃO: VISÃO




  Encarnação moderna de uma personagem homónima da Idade do Ouro, serviu inicialmente de instrumento de vingança de Ultron contra Hank Pym e os Vingadores. Equipa que depois o acolheria de braços abertos, ajudando-o a desvendar parte dos segredos do seu passado. Com a Feiticeira Escarlate formou um dos mais poderosos e inusitados casais dos quadradinhos, com muito melodrama à mistura.

Denominação original: Vision
Licenciador: Marvel Comics
Criadores: Roy Thomas (história) e John Buscema (arte conceitual)
Primeira aparição: The Avengers nº57 (outubro de 1968)
Identidade civil: nenhuma
Local de nascimento: Brooklyn, Nova Iorque
Parentes conhecidos: Ultron ("pai"/criador), Jocasta ("irmã"/ "madrasta"), Simon Williams/Magnum ("irmão"), Wanda Maximoff/Feiticeira Escarlate (ex-mulher), Thomas e William Maximoff ("filhos" falecidos), Virginia ("esposa"), Viv ("filha") e Vin ("filho" falecido). Possui ainda numerosa prole com Eve, sua contraparte feminina criada pelo Alto Evolucionário.
Afiliação: Vingadores (além de já ter assumido a liderança da equipa, integrou várias das suas divisões especiais, como os Vingadores da Costa Oeste ou, mais recentemente, o Esquadrão Unidade dos Vingadores).
Base de operações: Atualmente a residir num pacato subúrbio de Arlington, ao longo dos anos foi inquilino dos vários quartéis-generais dos Heróis Mais Poderosos da Terra, o mais emblemático dos quais foi a Mansão dos Vingadores.
Armas, poderes e habilidades: Exceto pelo facto de que todos os seus órgãos, tecidos e fluidos são sintéticos, o corpo robótico do Visão é uma réplica exata do organismo humano. Num processo em tudo similar ao da fotossíntese levada a cabo pelas plantas, a Joia Solar incrustada na testa do androide absorve constantemente (até mesmo durante a noite, embora com menor eficácia), a energia ambiente do astro-rei que lhe serve de combustível. Permitindo-lhe igualmente converter esse acúmulo de energia em rajadas óticas de radiação infravermelha ou de micro-ondas. Processo que, em casos extremos, pode ser efetuado diretamente através da Joia Solar, amplificando desse modo a potência das descargas, ainda que comprometendo outras funções do sistema, inclusive as vitais.
Graças às suas células especiais ativadas ciberneticamente e que lhe permitem interagir com uma dimensão desconhecida, o Visão pode regular a seu bel-prazer a própria densidade corporal: da intangibilidade de um fantasma à  rigidez de um diamante num piscar de olhos. Quando opta pelo primeiro estado, consegue atravessar superfícies sólidas - como paredes, corpos ou objetos - e voar. Já o segundo dota-o de invulnerabilidade e de superforça proporcional ao aumento da sua massa. Quando esta atinge o seu pico máximo, a força do Visão ronda as 90 toneladas.
Equipado com uma mente computorizada, o Visão é um tecnopata por excelência. Por outras palavras, consegue conectar-se e interagir com sistemas informáticos, deles extraindo informação que processa velozmente antes de armazená-la na sua base de dados. Sendo uma inteligência artificial, possui um raciocínio analítico que faz dele um exímio estrategista dotado de uma apuradíssima cultura tática. Atributos que lhe valeram, em tempos, a liderança dos Vingadores.
Após a Era de Ultron, os protocolos latentes do Visão foram ativados, sendo o seu corpo agora formado por milhões de nanitas. Cada um deles carrega uma cópia da sua inteligência artificial, bastando portanto apenas uma dessas unidades microscópicas para recriar o corpo do androide caso este seja danificado ou mesmo destruído.
Treinado pelo Capitão América, o Visão é também proficiente no combate corpo a corpo, possuindo resistência, velocidade e reflexos sobre-humanos intrínsecos à sua natureza robótica.
Toda esta vasta gama de poderes e recursos fazem do Visão um dos mais formidáveis seres do Universo Marvel capaz de ombrear com outros titãs como Thor, Hulk ou o Príncipe Submarino. Facto que faz dele um aliado de peso ou um adversário de respeito.

Na sua forma espectral, o Visão consegue voar.


Fraquezas: No passado, a obsessão do Visão em tornar-se humano deixou-o profundamente transtornado ao ponto de lhe provocar uma crise existencial com funestas consequências tanto para ele como para aqueles que o rodeavam. Fase durante a qual usou a sua tecnopatia para assumir o controlo da rede mundial de computadores e dos sistemas de defesa com o objetivo de assegurar a paz na Terra.
Paradoxalmente, o androide tem na sua rigidez diamantina outra das suas fraquezas. A partir de determinado limiar, torna-se mais e mais difícil ao Fantasma de Pedra mover a sua densa massa corporal. Quando esta atinge o seu pico de densidade, ele torna-se literalmente inamovível como se de uma montanha se tratasse.

Quem disse que os androides não choram?

Histórico de publicação: Na senda das versões contemporâneas de outros ícones da 9ª Arte (casos do Lanterna Verde Hal Jordan ou do Tocha Humana Johnny Storm), o Visão que conhecemos é na verdade uma declinação de um conceito elaborado na chamada Idade do Ouro dos Quadradinhos (1938-1955). No entanto, além do nome, o primeiro Visão pouco mais tinha em comum com o atual (ver texto seguinte).
Em meados de 1968, Stan Lee (à data, editor-chefe da Marvel Comics) e o escritor Roy Thomas decidiram avançar com uma nova adição ao elenco dos Vingadores. Enquanto o segundo pretendia trazer de volta o Visão original, a preferência do primeiro recaía sobre um androide. A solução de compromisso encontrada consistiu na conceção de um novo Visão, personagem robótica apenas vagamente inspirada no seu antepassado da década de 1940.
O processo criativo não foi, todavia, isento de peripécias. De modo a realçar a natureza fantasmagórica da personagem, Thomas advogava que o Visão deveria ser totalmente branco. Pretensão que esbarrou nas limitações técnicas que, à época, caracterizavam a impressão gráfica, sobretudo no que às publicações coloridas dizia respeito. Se a ideia de Thomas tivesse sido implementada, a personagem surgiria com os contornos indefinidos nas páginas das revistas, assemelhando-se efetivamente a uma assombração ou a uma miragem. Opção estética que, conforme veremos mais adiante neste texto, seria duas décadas depois, recuperada por John Byrne.

Roy Thomas, um dos "pais" do Visão moderno.

Perante a impossibilidade de apresentar um Visão totalmente branco, Thomas optou pelo vermelho para dar cor à pele sintética do androide (embora, numa fase inicial, esta assumisse um tom alaranjado por conta dos citados problemas de impressão), já que não queria que ele fosse verde como o Hulk ou azul como os Atlantes.
Apesar de a sua criação ter sido muitas vezes comparada com o Mister Spock de Star Trek, Roy Thomas nega perentoriamente até hoje ter ido buscar inspiração a uma série televisiva com a qual estaria na altura pouco familiarizado. Admitiu, no entanto, ter sido influenciado pelas estórias de Adam Link. Personagem idealizada em 1939 por Otto Binder, foi um dos primeiros robôs benignos introduzidos na literatura baseada na ficção científica. Género onde, tradicionalmente, androides, robôs e outras inteligências artificiais surgiam retratados como escravos mecânicos ou como armas de destruição massiva. Outra comparação inevitável é com o Tornado Vermelho, androide da rival DC cuja estreia oficial precedeu num par de meses (em agosto de 1968) a do Visão. A despeito das evidentes parecenças entre ambos, continua por provar a existência de algum tipo de plágio.
Dados os retoques finais no visual e na personalidade, o novo Visão debutou em outubro de 1968 nas páginas de The Avengers nº57, sendo acolhido com grande entusiasmo pelos leitores. Mesmo tendo o androide sido apresentado nessa sua primeira aparição como um veículo para a vingança do terrorista cibernético chamado Ultron*.

A estreia do Visão  em The Avengers nº57 (1968).

Volvidos quase dois anos, em abril de 1970, o número 75 da série regular dos Vingadores assinalou o regresso da Feiticeira Escarlate** às fileiras da equipa. Num ápice, a filha de Magneto perdeu-se de amores pelo circunspeto Visão, assim nascendo um dos mais improváveis - e melodramáticos - romances da história dos quadradinhos, entrelaçando os destinos de um androide e de uma mutante.
Entrevistado em 2015 por Marcus Errico, autor do livro The Secret Origins of Vision and Ultron: An Oral History (As Origens Secretas do Visão e de Ultron: Uma História Oral), Roy Thomas explicava assim o que esteve na base dessa sua arrojada ideia: "Intuí que algum tipo de ligação sentimental ajudaria a desenvolver o potencial da Feiticeira Escarlate, aumentando dessa forma a sua preponderância no seio de uma equipa onde ela era muitas vezes incompreendida e até secretamente temida pelos seus companheiros. Em meu entender, o Visão seria o candidato ideal porque a sua racionalidade exacerbada serviria de contraponto à volatilidade emocional de Wanda. Um romance entre ambos teria igualmente o condão de colocar em evidência a faceta mais humana do Visão, que eu vinha já explorando com uma minúcia cada vez maior. Havia ainda a circunstância de ambos participarem apenas em The Avengers. Portanto, foi essencialmente por razões práticas que eu decidi juntá-los.".


Visão e Feiticeira Escarlate: o poder do amor.

Escassos meses antes de abandonar o título mensal dos Heróis Mais Poderosos da Terra, Roy Thomas deixou na ar a ideia de o Visão ter sido afinal construído a partir do corpo do Tocha Humana original (também ele um androide). Pista plantada em The Avengers nº93, mas que só seria seguida, vários anos depois, por Steve Englehart, nos números 134 e 135 da série. Com a bênção do antecessor, Englehart glosou com mestria o mote por ele lançado, vertendo desse modo alguma luz sobre o denso mistério que envolvia até então a origem do Fantasma de Pedra.
Atada esta ponta solta no passado de uma personagem que se tornara entretanto uma das arquitraves dos Vingadores, o casamento do Visão com a Feiticeira Escarlate ficou marcado para junho de 1975, com a cerimónia a ter lugar em Giant-Size Avengers nº4. Em consequência da sua crescente popularidade entre os leitores, entre 1982 e 1986, o casal teve direito a duas efémeras séries próprias. Na segunda das quais Wanda deu à luz dois gémeos - Thomas e William Maximoff - concebidos através de meios arcanos.
Agora ao serviço dos Vingadores da Costa Oeste (título escrito e ilustrado por John Byrne***), em 1989 o Visão sofreu uma profunda metamorfose cujas repercussões se fazem sentir até aos dias de hoje. Objetivando colocar em evidência a natureza robótica do herói, Byrne apagou-lhe a memória e eliminou-lhe os padrões cerebrais humanos, despojando-o assim de qualquer vestígio de emoção. Publicado em West Coast Avengers nº42 a 45, o arco de histórias Vision Quest mostrava como esta desumanização do androide prejudicava severamente o seu relacionamento com a Feiticeira Escarlate, revelando de uma penada que os filhos de ambos não passavam afinal de construtos imaginários gerados pelo poder mutante de Wanda.
O maior choque para o leitores ficaria no entanto reservado para uma sequência de duas páginas em que era mostrado o desmantelamento peça a peça do Visão. Imagens que alteraram radicalmente a perceção de uma personagem que, até aí, sempre fora mais perspetivada como um ser humano sintético do que como uma simples máquina.

Sem cor. Sem emoções.
Assim era o Visão de Byrne,

Desde o primeiro momento presença assídua nas histórias dos Vingadores e nas principais sagas da Casa das Ideias, em novembro do ano passado o Visão ganhou nova série a solo. Com histórias do estreante Tom King ilustradas pelo espanhol Gabriel Hernandez Walta, The Vision dá a conhecer a nova vida do herói, agora convertido num típico pai de família suburbano. Com a particularidade de a sua esposa e filhos serem na verdade androides por ele projetados.

Visão e a sua família imaginária.

*Prontuário de Ultron disponível em http://bdmarveldc.blogspot.de/2014/12/galeria-de-viloes-ultron.html;
**Prontuário da Feiticeira Escarlate disponível em http://bdmarveldc.blogspot.com/2014/05/heroinas-em-acao-feiticeira-escarlate.html
*** Perfil de John Byrne disponível em http://bdmarveldc.blogspot.com/2015/01/eternos-john-byrne-1950.html


Aarkus, o antepassado extradimensional




Criação de Joe Simon e Jack Kirby (a mesma dupla genial que, no ano seguinte, apresentaria ao mundo o Capitão América), o primeiro Visão estreou-se em novembro de 1940, numa história de apenas quatro páginas publicada em Marvel Mistery Comics nº13. Ao longos dos tês anos imediatos, ele seria, de resto, um habitué nesse título de charneira da Timely Comics. Tendo feito igualmente participações episódicas noutras séries regulares incorporadas no cardápio editorial daquela que foi a precursora da Marvel - especificamente, em Kid Comics.
Também conhecido como Aarkus, o Visão da Idade do Ouro era um agente policial oriundo de uma dimensão paralela chamada Mundo de Fumo (Smoke World, no original). Enquanto procurava um local apropriado para exilar um perigoso malfeitor sob sua custódia, Aarkus foi acidentalmente contactado por Markham Erickson, um cientista norte-americano obcecado em encontrar vida inteligente extraterrestre. A convite dele, Aarkus mudou-se de armas e bagagens para o nosso planeta, onde assumiu as funções de combatente do crime.

O Visão original teve as suas histórias
 publicadas pela Timely Comics.
O leque de poderes do Visão original era bastante distinto do da sua versão moderna: à capacidade de voar e de projetar ilusões de si mesmo, somava a habilidade de produzir gelo e de se teleportar para onde quer que houvesse fumaça.
Durante a II Guerra Mundial, Aarkus foi temporariamente induzido pelas Força do Eixo a afrontar os Aliados. Erro que no entanto remediaria com a ajuda dos Invasores. Após esses eventos, o bisonho alienígena pareceu ter-se esfumado da superfície da Terra. E, de facto, foi isso que aconteceu. Já este século, foi revelado que ele habitava os esgotos subterrâneos de Nova Iorque, servindo de guardião a um Cubo Cósmico extraviado.
Coadjuvante na saga X-Men: Legacy (2012), onde começou por opor-se ao mutante Legião antes de a ele se aliar, Aarkus acabou confinado no departamento médico da Escola Jean Grey para Estudos Superiores após ter mergulhado num desconcertante coma. Ao despertar dele, transcorridos largos meses, acedeu ao pedido do Soldado Invernal para que o ajudasse a transportar os restantes Invasores para o planeta Kree, onde se encontrava sequestrado o Príncipe Submarino.
Ficando então os leitores a saber que, durante a II Guerra Mundial  - e com o consentimento dos heróis -, Aarkus havia apagado as memórias que os Invasores dele conservavam, por forma a ocultar a localização de uma antiga e poderosíssima arma Kree.

Figurino do Visão nos anos 1990.

Origem:
Ultron, a monstruosidade cibernética projetada pelo Vingador fundador Henry Pym, rebelou-se contra o seu criador depois de, inadvertidamente, ter adquirido senciência. Em busca de um veículo para a sua vingança, o maléfico robô raptou o Professor Phineas T. Horton, inventor do androide que, nos anos 1940, ficara conhecido como Tocha Humana. O plano de Ultron consistia em usar o corpo do Tocha Humana como matriz para a construção de uma nova inteligência artificial.
Coagido pelo seu captor, o cientista reconfigurou as células Horton, responsáveis pelos poderes incandescentes da sua criação. Graças a essa modificação, o novo androide poderia regular a densidade da sua massa corporal.

Ultron rejubila com a sua criação.
Ao descobrir que Horton não eliminara por completo as memórias do Tocha Humana, Ultron puniu a traição do cientista com a morte. Encarregando-se ele próprio de reprogramar a mente computorizada do androide. No processo, as memórias originais da criatura foram substituídas pelos padrões cerebrais de Magnum (Wonder Man, no original), um recém-falecido supervilão que fizera parte dos Mestres do Terror.
Em seguida, Ultron ordenou ao seu novo servo que atraísse os Vingadores para uma armadilha mortal. A primeira a avistar a criatura, quando esta invadiu o seu apartamento, foi a Vespa. Que, horrorizada, a descreveu como uma "visão da própria morte" aos seus colegas de equipa. Foi pois desta forma que o androide obteve o nome com que se notabilizou na História da Nona Arte.
A Vespa foi a primeira a ser assombrada pelo Visão.
Tirando proveito do desnorte do Visão, os Vingadores conseguiram subjugá-lo, transportando-o de seguida para o laboratório científico de Hank Pym, para que este o examinasse. Desses exames resultou a descoberta de que estavam em presença de um construto de Ultron, investido da missão de destruí-los.
Persuadido pelos Vingadores a trair o seu amo, o Visão ajudou-os a derrotar Ultron. Altruísmo recompensado com sua admissão nas fileiras da equipa. Que, dessa forma, reforçou o seu contingente de vilões regenerados.
Algum tempo depois, o misterioso viajante temporal conhecido como Immortus revelaria aos Vingadores que usara o poder do seu Cristal da Eternidade para dividir o Tocha Humana original em duas entidades distintas. Significando isto que, contrariamente ao que se imaginava, Ultron não usara o verdadeiro corpo do Tocha Humana como matéria-prima para a construção do Visão. Fazendo tudo parte de um intrincado plano para induzir um relacionamento entre o androide e a Feiticeira Escarlate de molde a evitar que esta gerasse descendência biológica. Se tal se verificasse, o nível de poder dos filhos de Wanda faria perigar o próprio equilíbrio cósmico.
Anos mais tarde, o mesmo Immortus manipularia um punhado de agentes federais corruptos para que capturassem e desmantelassem o Visão. Depois de os Vingadores terem recuperado os destroços do seu companheiro, Hank Pym reconstruiu-o o melhor que pôde. Contudo, Magnum (agora um Vingador), não autorizou que os seus padrões cerebrais fossem novamente usados para dotar o androide de emoções. A par dos severos danos infligidos à sua pele sintética durante o processo de desmantelamento, deste facto sobreveio uma versão esbranquiçada e desumanizada do Visão. Personagem cujo passado continua a encerrar muitos enigmas por decifrar e que, a julgar pelo seu presente, reservará muitas surpresas no futuro.

Nos Vingadores, o Visão encontrou
 um lar, uma família e o amor da sua vida.
Apontamentos:

* Tratando-se de um androide, a nacionalidade do Visão permanece indeterminada. Isto apesar de poder ser considerado um nova-iorquino de gema, na medida em que foi construído num laboratório sediado no Brooklyn. Visando tornear complexas questões jurídicas e diplomáticas - e atendendo ao seu estatuto de Vingador - , o Governo dos EUA entendeu, no entanto, atribuir-lhe provisoriamente a cidadania americana;
* Em Avengers Forever (saga em 12 capítulos publicada originalmente entre dezembro de 1998 e novembro de 1999), os Vingadores reunidos por Immortus visitam um futuro possível onde os marcianos estão em guerra com o nosso mundo. Entre os poucos heróis remanescentes que formam a última linha defensiva da Terra, está a robô Jocasta (outra das criações de Ultron) cujo novo visual e poderes são muito semelhantes aos do Visão. Acrescendo o dado curioso de ela estar grávida do Homem-Máquina;
*The Vision é o título de um conto da autoria de Jonathan Lethem - parte integrante da sua coletânea Men and Cartoons -, no qual uma das personagens se veste e age como o Visão na infância, continuando a fazê-lo na idade adulta.

O Fantasma de Pedra.

Noutros mediaPouco conhecido ainda do grande público, por via da sua participação em duas das mais recentes megaproduções dos Estúdios Marvel (Avengers; Age of Ultron e Captain America: Civil War), o Visão começa a ganhar notoriedade fora dos quadradinhos. Interpretado em ambos os filmes pelo ator britânico Paul Bettany, a sua origem cinematográfica apresenta, contudo, algumas nuances.relativamente à história clássica.
Conforme é mostrado na sequela dos Vingadores, o androide foi criado para servir de recetáculo ao próprio Ultron. Outra diferença reside no facto de, em vez da Joia Solar, o Visão ser portador de uma das Joias do Infinito cobiçadas por Thanos. Facto que lhe deixa antever um papel importante em capítulos vindouros da saga.
Antes da sua estreia no grande ecrã, o Visão fizera apenas pequenas aparições em séries animadas da Marvel, quase todas tendo os Vingadores como cabeça de cartaz. E já lá vão três anos desde que isso aconteceu pela última vez, em Avengers: Ultron Revolution.
Não sendo, portanto, de admirar que o herói sintético continue a ser um ilustre desconhecido para quem não está suficientemente familiarizado com a mitologia da Casa das Ideias.Espero, por isso, que este artigo ajude à descoberta desta fascinante personagem.

Paul Bettany como Visão num cartaz promocional de
Avengers: Age of Ultron (2015).

terça-feira, 6 de maio de 2014

HEROÍNAS EM AÇÃO: FEITICEIRA ESCARLATE





        Antes de ser uma Vingadora fez parte da Irmandade de Mutantes, liderada pelo pai (Magneto). Devido ao seu formidável poder de alterar possibilidades e à sua mente volátil, é temida tanto pelos seus inimigos como pelos seus aliados. Temor reforçado após a Feiticeira Escarlate ter usado as suas habilidades para erradicar a quase totalidade da população mutante da Terra.

Nome original da personagem: Scarlet Witch
Primeira aparição: X-Men nº4 (março de 1964)
Criadores: Stan Lee (história) e Jack Kirby (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Wanda Maximoff
Local de nascimento: Montanha Wundagore (na nação fictícia de Transia, localizada no leste europeu)
Parentes conhecidos: Erik Lehnsherr/Magneto (pai), Magda (mãe), Pietro Maximoff/Mercúrio (irmão), Django e Marya Maximoff (pais adotivos), Visão (ex-marido)
Afiliação: Irmandade de Mutantes, Vingadores, Vingadores da Costa Oeste, Defensores Secretos
Base de operações: Torre dos Vingadores, Nova Iorque

Na sua primeira aparição, em X-Men nº4 (1964), Wanda Maximoff  (à direita de Magneto) usava uma indumentária verde.
 
Armas, poderes e habilidades: Mutante, a Feiticeira Escarlate nasceu com a habilidade de manipular as probabilidades. Uma habilidade que pouco tem, no entanto, a ver com magia. Ainda assim, ela refere-se aos seus poderes como "feitiços" ou "encantamentos". Estes possuíam inicialmente um curto alcance, limitado ao campo de visão da heroína. Para lançá-los, é necessária enorme concentração por parte dela. O que não é garantia de precisão e eficácia. Em situações de cansaço ou de uso excessivo dos poderes por parte de Wanda, os seus feitiços podem ter o efeito contrário ao pretendido ou até anular outros previamente conjurados.
        Originalmente, os poderes da Feiticeira Escarlate manifestavam-se subconscientemente. Eram, pois, espoletados quando ela fazia um determinado gesto ou formulava um determinado desejo. À época, contudo, os seus feitiços apenas causavam má sorte aos seus alvos.
        Com o passar do tempo, Wanda foi adquirindo um cada vez maior domínio sobre as suas habilidades, as quais passaram a manifestar-se somente quando ela assim o desejava. Também deixaram de produzir apenas efeitos negativos. Existe uma ténue linha que separa o possível do impossível e a Feiticeira Escarlate consegue manipulá-la.
        À medida que foi sublimando os seus dons, Wanda passou a poder emitir rajadas energéticas, conter ou remover oxigénio de um volume, rechaçar objetos, congelar projéteis em pleno ar, gerar campos de força, defletir ataques místicos e produzir explosões. Mais recentemente, desenvolveu ainda a capacidade voar.
        Após descobrir que estava predestinada a ser um catalisador vivo para as energias místicas que emanam da Terra, a Feiticeira Escarlate passou a conseguir expandir os seus encantamentos para níveis nunca vistos.
        Tendo sido treinada pelo Capitão América, Wanda é uma excelente lutadora corpo a corpo. Dada a sua vasta experiência em combate como Vingadora, é ainda uma dotada estratega.

 
Fraqueza: Apesar de presentemente aparentar estar sã, a estabilidade mental da Feiticeira Escarlate está longe de ser inquestionável. Facto que deixa apreensivos mesmo os que lhe são mais próximos.
       Durante o período em que esteve casada com o androide Visão, e perante a impossibilidade de o casal procriar, ela gerou dois filhos que, na verdade, não passavam de manifestações do seu desejo subconsciente de ser mãe. Mais recentemente, Wanda usou os seus poderes para eliminar o gene X em 99% da população mutante da Terra. Daí resultando uma catastrófica cadeia de eventos que culminou numa épica contenda que opôs os Vingadores aos X-Men.

Os poderes da Feiticeira Escarlate não pararam de crescer ao longo dos anos, assim como a sua instabilidade mental.

Histórico de publicação: A Feiticeira Escarlate, em conjunto com o seu irmão, Mercúrio, debutou, integrando a Irmandade de Mutantes, nas páginas de X-Men nº4, em março de 1964.
        Depois de breves aparições como vilões em números subsequentes da aludida série, os gémeos transferiram-se para os Vingadores, iniciando assim as suas carreiras heroicas.
        Até 1968, a Feiticeira Escarlate foi um membro ocasional da equipa. Só um par de anos depois, em 1970, ganhou o estatuto de membro permanente.
        Entre novembro de 1982 e fevereiro de 1983, Wanda estrelou, ao lado do seu então marido e colega Vingador,Visão, uma série limitada composta por quatro números. Intitulada The Vision and the Scarlet Witch, foi escrita por Bill Mantlo e desenhada por Rick Leonardi.
        A partir de outubro de 1985, e ao longo de doze edições, foi lançado um segundo volume da série, cujos argumentos estavam agora a cargo de Steve Englehart e a arte de Richard Howell.

Capa do primeiro número do segundo volume da série limitada The Vision and the Scarlet Witch (1985).
      Quase uma década volvida, em 1994, a Feiticeira Escarlate teve direito a um série limitada própria (Scarlet Witch), da qual foram editados quatro números.
       Em 1998, George Pérez concebeu um novo uniforme para a personagem, inspirado nos trajes das sacerdotisas romanas. Contudo, este visual raramente foi utilizado por outros artistas.
       Já este século, em 2007, foi lançada a edição especial Mystic Arcana Scarlet Witch, a que se seguiu Avengers Origins: The Scarlet Witch and Quicksilver, em 2009. Desde 2012 que a Feiticeira Escarlate é presença assídua num dos novos títulos dos Vingadores - Uncanny Avengers -, inserido no projeto Marvel Now (Nova Marvel).
 

Heroína ou ameaça? Persiste a dúvida.


Biografia: Uma jovem mulher grávida chamada Magda procurou refúgio na montanha Wundagore, na nação de Transia, depois de ver o seu marido, Magnus, usar os seus poderes magnéticos pela primeira vez. A referida montanha servia de lar ao Alto Evolucionário e foi lá que Magda deu à luz dois gémeos (um menino e uma menina).
      Receando que Magnus descobrisse a existência das crianças, Magda abandonou-as no laboratório do Alto Evolucionário e partiu a coberto da noite, acabando contudo por sucumbir aos elementos.
      Os gémeos foram então entregues pelo Alto Evolucionário aos cuidados de um casal cigano - Django e Marya Maximoff - que os criaram como se fossem seus filhos e os batizaram de Wanda e Pietro.
      Já adolescentes, os gémeos descobriram a sua natureza mutante que lhes confere habilidades extraordinárias. Com efeito, Pietro possui supervelocidade, ao passo que a irmã tem o dom de alterar as possibilidades. Quando ambos usaram os seus poderes em público pela primeira vez, quase foram linchados por uma multidão supersticiosa que os tomou por demónios.


Filhos de Magneto, Feiticeira Escarlate e Mercúrio são irmãos inseparáveis.
 
      Pouco depois, a mesma turba enfurecida atacou o acampamento cigano onde residia a família Maximoff. Ao usar as suas habilidades recém-descobertas para se proteger, Wanda causou um incêndio que matou acidentalmente a sua mãe adotiva.
      Wanda e Pietro acabaram por ser resgatados por Magneto, líder do grupo terrorista conhecido como Irmandade de Mutantes. A convite deste, os gémeos juntaram-se às fileiras da organização, passando a atuar sob os codinomes Mercúrio e Feiticeira Escarlate. Todavia, na altura, tanto eles como Magneto ignoravam em absoluto os laços familiares que os uniam. Muito tempo atrás, Magneto fora Magnus, pai biológico dos dois mais recentes membros da Irmandade.
      Durante a sua efémera colaboração com a organização de Magneto, Mercúrio e Feiticeira Escarlate defrontaram algumas vezes os X-Men. Com o passar do tempo, porém, os dois irmãos tornaram-se cada vez mais relutantes em participar nas ações da Irmandade. Faziam-no apenas pelo débito de gratidão que tinham para com o seu líder.
      Quando Magneto e Sapo - outro dos seus apaniguados - foram capturados pelo Estranho, a Irmandade de Mutantes foi dissolvida. Wanda e Pietro aproveitaram o ensejo para se afastarem, dando como saldada a sua dívida.
      Pouco tempo depois, os gémeos foram recrutados pelo Homem de Ferro para se juntarem aos Vingadores. Juntamente com o Capitão América e o também ex-criminoso Gavião Arqueiro, a Feiticeira Escarlate e Mercúrio formaram a terceira geração da equipa.


Da esq. para a dir.: Gavião Arqueiro, Capitão América, Mercúrio e Feiticeira Escarlate. A terceira geração de Vingadores incluía três ex-criminosos. 

     Wanda cedo se tornou próxima do Gavião Arqueiro ao mesmo tempo que se revelava um membro leal dos Vingadores, até ser acidentalmente atingida numa missão contra Magneto. Na sequência deste incidente, Mercúrio procurou auxílio junto do seu antigo mentor, que o transportou a ele e à sua irmã ferida para a sua base secreta localizada algures no Atlântico. Lá permaneceram durante algumas semanas enquanto a Feiticeira Escarlate recuperava dos seus ferimentos. Durante a sua estadia os gémeos assistiram à captura dos X-Men e tomaram finalmente consciência da malignidade de Magneto.
     Readmitidos nos Vingadores, os gémeos passaram a agir ao lado de novos integrantes da equipa. Wanda enamorou-se por Visão, um androide originalmente criado por Ultron para destruir o grupo. Os dois acabaram por envolver-se emocionalmente, não obstante a forte oposição de Mercúrio e do Gavião Arqueiro. O primeiro não aceitava a ideia de a irmã amar um robô, ao passo que o segundo há muito amava Wanda em segredo. A despeito destas objeções, o Visão e a Feiticeira Escarlate acabaram mesmo por casar, com a bênção de todos os seus companheiros de equipa.
     Crescentemente frustrada com as flutuações das suas habilidades mutantes, Wanda providenciou como sua tutora uma genuína mestra da feitiçaria de seu nome Agatha Harkness. O treino a que foi sujeita permitiu à Feiticeira Escarlate controlar melhor os seus talentos.

 
     Entretanto, Pietro foi raptado por Django Maximoff e levado de volta para a montanha Wundagore. Wanda, por seu lado, foi temporariamente possessa pelo demónio Chthon. Quando se libertou da influência demoníaca, descobriu, por intermédio de uma antiga serviçal do Alto Evolucionário, que Django e Marya Maximoff não eram os seus pais biológicos.
     Quase em simultâneo, enquanto procurava descobrir o paradeiro de Magda, Magneto descobriu que Mercúrio e a Feiticeira Escarlate eram seus filhos. O vilão apressou-se a transmitir-lhes essa informação coincidindo a revelação com o nascimento de Luna, filha de Mercúrio e, portanto, sua neta.
    Transtornada pelos acontecimentos, Wanda convence o Visão a suspenderem temporariamente a sua atividade como Vingadores e a mudarem-se para uma pequena cidade em Nova Jérsia. Com as suas habilidades ampliadas, a Feiticeira Escarlate concebeu artificialmente dois filhos. Antes, porém, do nascimento das crianças - dois rapazes, Thomas e William - chegou ao fim o casamento de Wanda e do Visão.
    Ainda destroçada por este revés, a sanidade mental de Wanda foi uma vez mais abalada pela descoberta de que os seus filhos não eram reais, mas meras projeções do seu desejo subconsciente de ser mãe. Condoída pelo atroz sofrimento emocional da sua pupila, Agatha Harkness apagou temporariamente as suas memórias de Thomas e William.
    Vários anos depois, recuperadas essas memórias, Wanda procurou o Doutor Destino na esperança de que este pudesse ressuscitar os seus filhos. O vilão aceita o desafio e os dois conjuram uma misteriosa e poderosa entidade cósmica que se funde com a Feiticeira Escarlate. Sob influência da entidade, a Feiticeira Escarlate lançou uma campanha de terror contra os Vingadores, a quem culpava pela morte de Thomas e William.
     Apenas os esforços combinados dos Vingadores e do Doutor Estranho conseguiram deter a fúria incontrolável de Wanda, que foi colocada em estase. De seguida Magneto apareceu em cena e, perante a anuência dos heróis, reclamou o corpo inerte da filha.


Só a muito custo os Vingadores e o Dr. Estranho lograram deter uma Feiticeira Escarlate ensandecida.
      Suspeitando que os Vingadores e os X-Men estavam a considerar seriamente a hipótese de matar a sua irmã devido à crescente instabilidade dos seus poderes, Mercúrio convence Wanda a criar um mundo onde todos os desejos fossem possíveis, um mundo dominado por Magneto e no qual todo o clã Maximoff pudesse estar finalmente reunido. Nasceu assim a Casa de M.
      Rapidamente, porém, o sonho degenerou em pesadelo e, em resultado disso, a Feiticeira Escarlate usou os seus poderes para eliminar 90% da população mutante da Terra.
      Terminado o conflito que ulteriomente opôs os X-Men aos Vingadores, Wanda foi reabilitada e, a convite do Capitão América, integra agora uma unidade especial reunindo elementos de ambas as equipas. Não consegue, porém, vencer a desconfiança e a  animosidade de Vampira.

Três palavrinhas bastaram para decretar o quase extermínio dos mutantes.
     
Noutros media: Eleita pela revista Wizard  como a 97ª melhor personagem de banda desenhada de todos os tempos - num universo de 200 -, a Feiticeira Escarlate ocupa ainda a 14ª posição no Top 100 das mulheres mais sexys dos comics do Comics Buyer's Guide.
      Ao longo dos anos a heroína participou num sortido de séries de animação estreladas por outras personagens do universo Marvel, como X-Men: Evolution (1992), The Avengers: United They Stand (1999) ou, mais recentemente, em Ultimate Spider-Man (2012).
      Depois de ter estado prevista uma aparição da Feiticeira Escarlate no filme X-Men: Days of Future Past (que chegará a 22 de maio próximo às salas de cinema portuguesas), a cena em questão acabou por ser apagada na versão final da película realizada por Bryan Singer.
      Está no entanto confirmada a sua participação, bem como a do seu irmão Mercúrio, em Avengers: Age of Ultron (a estrear em 2015), sendo interpretada pela atriz Elizabeth Olsen. Antes, numa cena após os créditos finais de Captain America: The Winter Soldier (2014), os dois surgem como prisioneiros do Barão Von Strucker.

Elizabeth Olsen dará vida à Feiticeira Escarlate no cinema.