Mostrar mensagens com a etiqueta silver surfer. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta silver surfer. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de março de 2016

CLÁSSICOS REVISITADOS: «A CHEGADA DE GALACTUS»




   Meio século atrás, quando a imaginação e a criatividade escorriam pelas paredes da Casa das Ideias, Stan Lee e Jack Kirby gratificaram os fãs do Quarteto Fantástico com uma épico dos tempos modernos. Alegoria de inspiração bíblica, a história teve ainda o condão de introduzir duas personagens inéditas, logo consagradas: Galactus, o Devorador de Mundos e o seu amargurado arauto Surfista Prateado.

Título original: The Coming of Galactus! (também conhecida como Galactus Trilogy por conta do tríptico de volumes que compunha a saga)
Licenciadora: Marvel Comics
Autores: Stan Lee* (história) e Jack Kirby* (arte)
Publicada originalmente em: Fantastic Four nº 48 a 50 (março a maio de 1966)
Personagens principais: Quarteto Fantástico, Galactus, Surfista Prateado e o Vigia
Coadjuvantes: Inumanos, Skrulls e Alicia Masters
Cenários: Nova Iorque (lar do Quarteto Fantástico), Himalaias (localização secreta do Grande Refúgio dos Inumanos) e Tarnax IV (planeta-metrópole do império galáctico Skrull)

* Ainda que estes dois monstros sagrados da 9ª arte dispensem apresentações, podem consultar aqui as respetivas biografias: http://bdmarveldc.blogspot.pt/2011/09/eternos-stan-lee.html e http://bdmarveldc.blogspot.pt/2011/10/eternos-jack-kirby-1917-1994.html


Nunca antes o Quarteto Fantástico defrontara tão poderoso adversário.


Notas prévias:

Quem é o Vigia?



  Conceito desenvolvido por Stan Lee e Jack Kirby, o Vigia (The Watcher, no original) fez a sua primeira aparição em abril de 1963, numa história do Quarteto Fantástico publicada em Fantastic Four nº13. Com o decorrer dos anos, o enigmático ser tornar-se-ia presença assídua nas histórias da Família Fundamental da Marvel.
  Uatu - é esse o seu nome de batismo - faz parte de uma raça alienígena que se dedica a observar os eventos cruciais do Universo e do Multiverso. Estando contudo os Vigias terminantemente proibidos de qualquer interferência no curso da História das civilizações por eles monitorizadas.
  A partir da sua fortaleza sediada na chamada Área Azul da Lua, Uatu tem sido ao longo de incontáveis milénios testemunha silenciosa dos progressos e fracassos da nossa espécie.
  À imagem dos demais representantes da sua raça, o Vigia é extremamente poderoso e tem como marcas distintivas a sua calvície e a colossal estatura. Contrariamente, porém, aos seus homólogos, Uatu em várias ocasiões intercedeu em prol da humanidade. Infração que o levou a ser julgado e ostracizado pelos outros Vigias.


Quem são os Inumanos?

  Igualmente frutos da prodigiosa imaginação da dupla Lee/Kirby, os Inumanos (Inhumans) são descendentes de vulgares homo sapiens que, muitos séculos atrás, serviram de cobaias a experimentalismos genéticos operados pelos Krees, uma avançada raça extraterrestre que usou o nosso planeta como tubo de ensaio.
  Em dezembro de 1965, os Inumanos surgiram pela primeira vez em Fantastic Four nº45 como coadjuvantes do Quarteto Fantástico. Antes dessa estreia coletiva, alguns dos seus membros já haviam, porém, aparecido individualmente como vilões (casos de Medusa e Gorgon).
   A comunidade inumana assenta num rígido sistema de castas, em cujo vértice se encontra a Família Real. Esta é composta por Raio Negro (Rei dos Inumanos), Medusa (sua consorte que chegou a substituir temporariamente a Mulher Invisível no Quarteto Fantástico), Maximus (irmão louco de Raio Negro), Karnak, Cristalys, Gorgon e Triton. Todos eles possuem habilidades meta-humanas em consequência da sua espécie ter tido o seu genoma reescrito pelos Krees.
  Originalmente, o Grande Refúgio (localizado algures na cordilheira dos Himalaias) servia de lar aos Inumanos. Este seria posteriormente transferido para a Área Azul da Lua (tornando, assim, os súbditos de Raio Negro vizinhos do Vigia), objetivando escapar aos efeitos da poluição da atmosfera terrestre que ameaçava a sobrevivência da comunidade.


A Família Real dos Inumanos pelo traço de Jack Kirby.
Da esq. para a dir.: Gorgon, Cristalys, Raio Negro, Medusa, Karnak e Triton.

E, já agora, quem são os Skrulls?

  Para não destoar, os Skrulls são outra criação conjunta de Stan Lee e Jack Kirby. Criação essa que é até anterior ao surgimento do Vigia e dos Inumanos, já que a sua estreia teve lugar logo no segundo número de Fantastic Four, com data de janeiro de 1962.
   Os Skrulls são alienígenas que, na sua aparência primordial, possuem pele verde, orelhas pontiagudas e um queixo com saliências. A maior peculiaridade desta espécie reside, contudo, nas suas habilidades transmorfas que lhes permitem assumir a forma de qualquer ser vivo ou objeto inanimado.
  Entre os arqui-inimigos dos Skrulls, além do Quarteto Fantástico, destacam-se os Krees, com quem já travaram diversas guerras sangrentas.

Figurino padrão dos Skrulls.


Histórico de publicação: Em 1966, aproximadamente cinco anos depois de terem lançado Fantastic Four (um dos títulos de charneira da Marvel Comics), Stan Lee e Jack Kirby afadigavam-se na conceção de um antagonista inédito para o Quarteto Fantástico. Um dos quesitos passava por evitar os estereótipos na base da criação da esmagadora maioria dos vilões daquela época. Tendo em conta este pressuposto, Lee e Kirby depressa consensualizaram o perfil da nova personagem: um ser com a estatura e o poder de um deus.
   No prefácio de Marvel Masterworks: Fantastic Four Volume 5 (coletânea que, em 1993, reuniu algumas das melhores sagas do Quarteto Fantástico), Stan Lee descreveu nos seguintes termos o desenvolvimento do Devorador de Mundos: "Galactus foi apenas mais um na longa linha de supervilões que eu e Jack tínhamos adorado criar. Depois de termos imaginado tantos mauzões com dons extraordinários, percebemos que a única maneira de nos superarmos seria criar um com poderes divinos. 
   Claro que a escolha natural foi um semideus. Mas logo surgiu a dúvida: o que faríamos com alguém assim tão poderoso? A última coisa que queríamos era usá-lo para alimentar o cliché estafado do vilão megalómano que quer dominar o mundo. E foi então que, quase como se tivéssemos sido fulminados por um raio, se fez luz nas nossas mentes. Porque não atribuir-lhe uma natureza amoral? Por que motivo haveria um ser dessa envergadura reger-se pelos padrões da moralidade humana? Bem vistas as coisas, uma criatura com esse perfil estaria certamente além do bem e do mal. Mais: e se ele retirasse o seu sustento da energia vital dos planetas?"
  Palavras que corroboram o depoimento de Jack Kirby em The Masters of the Comic Book Art, documentário produzido em 1987. Nele, o rei do desenho assume as inspirações bíblicas na conceção de Galactus e do Surfista Prateado: "Pressionados a aumentar as vendas de Fantastic Four, eu e Stan começámos a trocar ideias sobre a criação de um novo supervilão. Concordámos, no entanto, que teríamos de fugir aos lugares-comuns se queríamos manter os nossos empregos. 
   Com isto em mente, dei comigo certo dia a folhear a Bíblia. Bastou-me ler alguns trechos para  encontrar a inspiração que procurava. Quase pude ver materializar-se diante de mim a imponente figura de Galactus. Um ser que eu conhecia bem, porque sempre habitou a minha imaginação. Um ser de tão formidável poder que eu não o podia  abordar como se de um comum mortal se tratasse. E que sempre se faria anunciar por um arauto angélico. Foi assim que surgiu a ideia para o Surfista Prateado.
  Dei-me conta desde o primeiro momento que nunca antes personagens com tais características tinham sido usadas em histórias de super-heróis. Mais do que figuras mitológicas, Galactus e o Surfista Prateado eram divindades cósmicas. Estatuto que as coloca acima de qualquer julgamento moral. Afinal, o bem e o mal mais não são do que conceitos desenvolvidos pelos humanos para condicionarem as suas próprias ações. Ora, Galactus não respondia perante ninguém pelos seus atos. Em certa medida, ele seria uma alegoria de Deus e o Surfista Prateado representaria metaforicamente o seu anjo caído em desgraça."


Jack Kirby (esq.) e Stan Lee: o Rei e o Papa da Marvel.

  Na obra da sua autoria 500 Comic Book Villains (dada à estampa em 2004), o escritor Mike Conroy aprofundou a análise feita por Lee e Kirby. Aqui ficam, em discurso direto, as suas considerações: "Em apenas cinco anos, Lee e Kirby tinham introduzido nas histórias do Quarteto Fantástico uma panóplia de raças extraterrestres ou seus representantes. Havia os Skrulls, o Vigia, o Estranho e todo um rol infindável de personagens que ambos tinham usado na fundação do Universo que eles vinham construindo. E no qual tudo era possível, contanto que não fossem desprezadas as "leis naturais" desta cosmologia imaginária.
  Nos primórdios do Universo Marvel, as personagens agiam de forma consistente com o título em que estavam inseridas, sabendo de antemão que as suas ações reverberariam noutros. No fundo, tratava-se de uma espécie de telenovela à escala cósmica, com uma miríade de personagens a entroncar numa gigantesca trama. Corporizando Galactus a sua dimensão épica ."
  Findo o trabalho de bastidores, a entrada em cena do Devorador de Mundos e do seu acólito aconteceria em março de 1966, nas páginas de Fantastic Four nº48. Principiava assim a monumental saga precursora do subgénero cósmico. E cujo emocionante clímax mostrou o Surfista Prateado a desafiar o seu mestre com o intuito de salvar a humanidade, pagando um preço elevado pela sua rebeldia.
    
Galactus e Surfista Prateado, parábola divina.

Enredo:

Capítulo I: «A Chegada de Galactus» (The Coming of Galactus!)

Fantastic Four nº48 (março de 1966).

  Algures nas encostas geladas dos Himalaias, esconde-se o Grande Refúgio dos Inumanos. Em segredo, Maximus, o insano irmão de Raio Negro, projeta utilizar a sua nova arma - a que deu o nome de atomizador - para erradicar a humanidade. No entanto, por motivos inexplicados, o seu plano fracassa. À parte alguns terramotos à volta do globo, a humanidade permanece sã e salva.
 Maximus é, porém, fustigado por uma dantesca visão mostrando o perecimento de milhões de inocentes. Antes de ser capturado por Karnak e Gorgon, o irmão de Raio Negro logra reverter a polaridade do seu atomizador. Usando-o de seguida para gerar um campo de antimatéria que encapsula o Grande Refúgio, isolando-o do resto do mundo. Apenas instantes antes de o Quarteto Fantástico (velho aliado dos Inumanos) conseguir deixar o local, regressando a toda mecha para Nova Iorque.
   Entrementes, um ser de pele argentina cruza elegantemente os rincões do Cosmos montado na sua prancha metálica. Ao atingir a orla da galáxia Andrómeda, o Surfista Prateado chama a atenção dos Skrulls. A exemplo de muitas outras civilizações alienígenas, eles sabem que a aparição da criatura reluzente é um mau presságio, pois ele serve Galactus, o Devorador de Mundos.
  Apavorados com a possibilidade de o seu planeta ser consumido pela voracidade de Galactus, os Skrulls tudo fazem para se manterem ocultos aos olhos do solitário arauto que percorre o Universo em busca de alimento para o seu mestre.
   A milhões de anos-luz dali, em Nova Iorque, o Quarteto Fantástico e os demais habitantes da metrópole testemunham um fenómeno com tanto de assombroso como de intrigante. De um momento para o outro, o céu parece ser engolido por gigantescas labaredas. Cenário que leva, de pronto, o Quarteto Fantástico a sair para investigar.
   Para tentar ver o fenómeno mais de perto, o Tocha Humana voa o mais alto que pode pelos céus da cidade. Acabando, contudo, por gerar o pânico entre os nova-iorquinos, que o julgam responsável pela situação.
  De volta ao Edifício Baxter, o Senhor Fantástico enfurna-se no seu laboratório a fim de estudar o bizarro fenómeno. Antes que consiga, porém, obter uma explicação científica para ele, as labaredas dissipam-se no céu, dando lugar a uma espécie de redoma formada por detritos espaciais.
 Quase ao mesmo tempo, o majestoso ser conhecido como Vigia materializa-se no interior do laboratório do Senhor Fantástico. Perante a perplexidade do seu interlocutor humano, o gigante calvo explica-lhe ser ele o responsável pelas perturbações atmosféricas. Resultando estas da sua desesperada tentativa para tornar a terra indetetável ao Surfista Prateado.
   Pela voz do Vigia, o Senhor Fantástico fica a saber que o Surfista Prateado é o arauto de Galactus, um poderoso ser cósmico que extrai o seu sustento da energia vital dos planetas, reduzindo-os a cascas secas e sem vida. Estando agora a Terra na mira do servo do Devorador de Mundos.
  Enquanto isso, o Surfista Prateado investiga de perto o campo de detritos espaciais criado pelo Vigia, encontrando a Terra escondida sob ele. Sem hesitar, ele voa até ao topo do Edifício Baxter e emite um sinal cósmico para o seu amo.
  O Quarteto Fantástico acorre ao local para tentar impedir o Surfista de alertar Galactus. Um golpe desferido pelo Coisa derruba o alienígena, mas é já tarde demais. Nos céus acima de Manhattan, emerge a colossal nave do Devorador de Mundos. Perante o olhar estarrecido dos heróis, o gigante anuncia a sua intenção de se banquetear com o nosso mundo.

Capítulo II: «Dia do Juízo Final» (If This Be Doomsday!)

Fantastic Fout nº49 (abril de 1966).

  Violando o seu juramento de não-interferência, o Vigia tenta demover Galacuts dos seus funestos intentos. Quando a diplomacia falha, o Coisa e o Tocha Humana investem sobre o gigante, que se limita a enxotá-los como se de insetos se tratassem.
  Relutantemente, o Quarteto Fantástico acede ao pedido do Vigia para que cessem as hostilidades contra Galactus. Enquanto este procede à meticulosa montagem do colossal aparato que lhe permitirá drenar a força vital da Terra, o Vigia informa o Sr. Fantástico sobre a existência de uma poderosa arma no planeta natal do Devorador de Mundos que será capaz de detê-lo. A missão de ir buscá-la é então confiada ao Tocha Humana.
  Noutro ponto da cidade, o Surfista Prateado recobra os sentidos no apartamento de Alicia Masters, a escultora cega namorada do Coisa. Inteirada do desígnio do ser cósmico, a jovem suplica-lhe que ele se rebele contra o seu mestre para salvar a humanidade do extermínio iminente.
   Já com o seu aparato quase montado, Galactus é alvo de novo ataque por parte do Quarteto Fantástico. Imperturbável, o gigante ordena a um serviçal robótico que afaste os importunos. Aproveitando a distração, o Vigia amplifica os poderes incandescentes do Tocha Humana para que ele possa viajar até ao planeta natal do Devorador de Mundos e de lá trazer a única arma capaz de o intimidar: o Nulificador Definitivo.
  Comovido pela sensibilidade e nobreza de caráter de Alicia Masters, o Surfista Prateado prontifica-se, entretanto, a tentar evitar que a Terra sirva de acepipe ao seu amo.


Capítulo III: «A Fantástica Saga do Surfista Prateado (The Startling Saga of the Silver Surfer!)

Fantastic Four  nº50 (maio de 1966).

   No coração de Manhattan, o Surfista Prateado distrai Galactus, tentando desesperadamente ganhar tempo até ao regresso do Tocha Humana trazendo consigo o Nulificador Definitivo. Quando o Sr. Fantástico ameaça usá-lo, o Devorador de Mundos aquiesce em poupar a Terra, exigindo em troca que lhe seja entregue a arma.
   Honrando a sua palavra, Galactus abandona logo depois o nosso planeta. Não sem antes punir o Surfista Prateado pela sua insolência, erguendo uma barreira invisível que o impedirá de deixar a Terra.
 Alicia Masters procura consolar o angustiado Surfista Prateado, expressando-lhe a sua gratidão por ter tomado o partido da humanidade. Consumido pelo ciúme, o Coisa afasta-se cabisbaixo antes que a jovem tenha oportunidade de lhe dizer quão orgulhosa ele a deixou.
   À medida que a vida volta à normalidade, os tabloides insinuam que a ameaça de Galactus não terá passado de um embuste.

"Até quando durará o meu exílio?"- interroga-se o ex-arauto de Galactus.

Apontamentos:

* Referenciado como Grande Refúgio em The Coming of Galactus, o lar secreto dos Inumanos seria renomeado Attilan em Thor nº146 (1967);
* De igual modo, o aparente mutismo de Raio Negro também só seria explicitado meses depois, nas páginas de Fantastic Four nº59. Edição em que os leitores ficaram a saber que a voz do silente monarca dos Inumanos tem um enorme potencial destrutivo, ao ponto de conseguir elevar uma montanha com um simples murmúrio;
* A barreira de zona negativa erguida por Maximus ao redor do Grande Refúgio não tem qualquer relação com a Zona Negativa, dimensão paralela composta por antimatéria e governada pelo temível  Aniquilador;
* A insensibilidade evidenciada pelo Surfista Prateado no início da história é explicada pelas manipulações de Galactus, que havia suprimido as memórias e emoções do seu arauto;
* Conquanto Tarnax IV seja referido na narrativa como sendo o planeta natal dos Skrulls, esse dado seria posteriormente desmentido. Na verdade, a raça transmorfa abandonara o seu mundo primordial milhões de anos antes dos eventos mostrados na saga;
* Tarnax IV serviria, contudo, de repasto a Galactus, alguns anos depois. Sobrevindo essa hecatombe de uma falha na tecnologia de camuflagem que permitira durante largo tempo ocultar o planeta-metrópole dos Skrulls do olhar guloso do Devorador de Mundos e das ocasionais prospeções galácticas levadas a cabo pelos seus arautos;
*Pela primeira vez desde que assumira as funções de Vigia da Terra, Uatu violou conscientemente o seu voto solene de não-interferência na História humana. Regra sacramental da sua espécie desde que, milénios atrás, ela causara acidentalmente a extinção em massa de uma raça alienígena ao providenciar-lhe tecnologia nuclear.
* No Brasil, esta saga foi publicada, em abril e maio de 1984, nos números 58 e 59 da segunda série de Heróis da TV.


A 1ª parte da saga foi publicada em Heróis da TV nº58 (1984).

Legado:

* The Coming of Galactus! foi a principal inspiração para a trama do filme de 2007 Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (já aqui esmiuçado);
* Foi através desta saga que o Surfista Prateado foi guindado para o estrelato, tornando-se presença assídua em Fantastic Four antes de servir como veículo filosófico a Stan Lee no título próprio a que o herói cósmico teria direito pouco tempo depois;
* Em 2009, uma votação promovida entre os leitores pela plataforma Comic Book Resources elegeu The Coming of Galactus! como a 19ª melhor história aos quadradinhos de todos os tempos;
* Logo no ano seguinte à sua publicação, a saga foi adaptada ao pequeno ecrã por via de alguns episódios da série animada Fantastic Four (1967). Facto que se repetiria em 1994 em nova produção do género baseada na Família Fundamental da Marvel;
* No terceiro volume de Marvels (ovacionada minissérie em quatro capítulos da autoria de Kurt Busiek e Alex Ross, datada de 1994), os segmentos da narrativa protagonizados por Galactus são recontados sob o ponto de vista do vilão;
* Marco incontornável na História da 9ª arte,  The Coming of Galactus! foi objeto de múltiplas reedições ao longo dos anos, entre as quais avultam Marvel Masterworks nº25 (1993), The 100 Greatest Marvels of All Time e Essential Fantastic Four Volume 3 (estas últimas lançadas em 2001);

Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007).


Vale a pena ler?

    Com certeza que sim! Esta é, aliás, uma daquelas sagas que devia ser leitura obrigatória para qualquer genuíno aficionado da 9ª arte (e não apenas para os "maluquinhos" por super-heróis como este vosso humilde escriba).
   No meu caso, tive o prazer e o privilégio de lê-la pela primeira vez nas páginas dos números 58 e 59 de Heróis da TV, quando ainda era uma pessoa de palmo e meio recém-alfabetizada. Mesmo não possuindo então a maturidade intelectual para refletir sobre os dilemas morais e as questões teológicas nela vertidos, a história tocou-me o coração.
   Quase fui levado às lágrimas (era um miúdo do tipo emotivo, mas não tanto) pelo degredo a que o pobre Surfista Prateado foi sentenciado pelo seu desapiedado amo depois de ter ajudado a evitar o extermínio de uma espécie cujo comportamento, já naquela altura, era tudo menos exemplar. Interrogo-me, de resto, se o bom Norrin Radd teria tomado idêntica posição se tivesse travado conhecimento com a humanidade dos dias de hoje...
  Quando, anos mais tarde, me senti intelectual e emocionalmente capacitado para reler A Chegada de Galactus percebi que a trama não se restringia aos melodramáticos solilóquios de uma espécie de Hamlet extraterrestre. Havia todo um sortido de personagens cativantes e ação em quantidade suficiente para evitar o enfado de leitores menos propensos a divagações filosóficas.
   Ao passo que a generalidade dos escritores modernos de banda desenhada preferem ater-se às convenções do género, Lee e Kirby estiveram-se a marimbar para elas. Mais importante do que a sofisticação narrativa, para essa dupla de iconoclastas que revolucionou o conceito de super-heróis o fundamental era a vertente humana. E essa assenta sempre nas emoções. Aquelas que as personagens expressam no desenrolar da história e aquelas que despertam nos leitores. Era esse o grande segredo de Lee e Kirby: sabiam como ninguém captar a essência humana, falando diretamente ao coração dos fãs.
  Atrevo-me, não obstante, a fazer dois pequenos reparos a esta obra-prima (ouvi alguém gritar "herege"?): em primeiro lugar, a excessivamente rápida mudança de lado do Surfista Prateado e, depois, a insólita opção de situar o grosso da narrativa nas imediações do Edifício Baxter. Pormenores de somenos importância atendendo à excelência daquela que é, sem dúvida, a melhor história do Quarteto Fantástico alguma vez produzida (aqui entre nós, é por causa dela que ainda hoje sou fã do grupo).
  Contudo, apesar de toda as suas façanhas e glórias, a Família Fundamental da Marvel foi recentemente desalojada da Casa Sem Ideias. Ao fim de mais de meio século de aventuras e desventuras, o Quarteto Fantástico teve a sua série cancelada. Oxalá não seja um adeus, mas apenas um até breve. Quero por isso dedicar este meu singelo artigo aos quatro heróis cujas estórias me transportaram ao Infinito e mais além.

Os 4 eternamente Fantásticos.


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

BD CINE APRESENTA: «QUARTETO FANTÁSTICO E O SURFISTA PRATEADO»



 
      Ligeiramente mais bem conseguida do que o primeiro filme, a sequela de Quarteto Fantástico, de tão insossa, esteve contudo longe de convencer a crítica e os fãs, ficando assim a franquia irremediavelmente comprometida.
 

Título original:  Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer
Ano: 2007
País: EUA
Género: Ação/Aventura/Fantasia
Duração: 92 minutos
Estúdio: 20th Century Fox e Marvel Studios
Realização: Tim Story
Argumento: Don Payne e Mark Frost
Elenco: Ioan Gruffudd (Reed Richards/Senhor Fantástico); Jessica Alba (Susan Storm/Mulher Invisível); Chris Evans (Johnny Storm/Tocha Humana); Michael Chiklis (Ben Grimm/O Coisa); Doug Jones (Norrin Radd/Surfista Prateado); Laurence Fishburne (voz do Surfista Prateado) e Julian MacMahon (Victor Von Doom/Doutor Destino)
Orçamento: 130 milhões de dólares
Receitas: 289 milhões de dólares

O premiado cartaz promocional de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado.
 
Produção: Em 2005, a primeira longa-metragem oficial do Quarteto Fantástico rendeu 300 milhões de dólares a nível mundial. Razão mais do que suficiente para, nesse mesmo ano, o cineasta Tim Story e o argumentista Mark Frost se sentarem à mesa para trocarem ideias sobre uma sequela. A eles juntou-se um segundo argumentista, Don Payne.  Os três deliberaram então que a história seria baseada na primeira aparição de Galactus nas páginas de Fantastic Four, bem como no arco de histórias em o Dr. Destino rouba os poderes ao Surfista Prateado. Outra referência para a conceção do argumento foi a série limitada Ultimate Extinction, integrada no Universo Marvel Ultimate.
       Provisoriamente intitulada Fantastic Four 2, era ponto assente que a sequela mostraria o famoso Fantastic-Car e daria maior destaque à personagem Alicia Masters. Já o anúncio da participação do Surfista Prateado na dupla qualidade herói/vilão, só foi feito em meados de 2006. A sua conceção resultou da combinação da interpretação de Doug Jones envergando um traje especial de cor prateada, com imagens geradas através de um sofisticado programa de computador.
       Em agosto de 2006, o projeto foi oficialmente renomeado de Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer, tendo as filmagens arrancado no final desse mês em Vancouver, no Canadá. Foi igualmente definida a data de lançamento: 15 de junho de 2007.

Dois anos após a estreia do primeiro filme, o Quarteto Fantástico voltou ao cinema em 2007.
 
Enredo:  Enquanto Reed Richards e Susan Storm se afadigam nos preparativos para o seu casamento, um misterioso corpo celeste prateado penetra na atmosfera da Terra, abrindo uma enorme cratera ao atingir o solo. Na sequência desse evento, o  Exército norte-americano pede a Reed para identificar e monitorizar os movimentos do citado objeto. Perante o desagrado da noiva, que o acusa de negligenciar os preparativos do casamento em prol do trabalho, o líder do Quarteto Fantástico recusa inicialmente o pedido feito pelos militares. No entanto, constrói em segredo um radar que lhe permite rastrear o objeto.
        Em plena cerimónia do casamento, o dispositivo criado por Reed deteta a rápida aproximação do fenómeno em direção a Nova Iorque. Devido aos pulsos eletromagnéticos por ele emitidos, ocorre um blackout que deixa a Grande Maçã mergulhada na escuridão.

Reed e Susan veem o seu casamento interrompido pela chegada do Surfista Prateado.
 
        Johnny Storm - o Tocha Humana - voa em perseguição do objeto e descobre, para seu assombro, tratar-se de um humanoide montado numa prancha de surf. Ao tentar intercetar o Surfista Prateado, Johnny é arrastado por este até à estratosfera e deixado cair de seguida. Sem oxigénio para alimentar as suas labaredas, o Tocha Humana despenca desamparado em direção ao solo, conseguindo, contudo, inflamar-se no derradeiro instante, escapando assim a uma morte certa.
        Horas depois, Ben e Johnny trocam de poderes, o que leva Reed a deduzir que a exposição à radiação cósmica emanada pelo Surfista Prateado modificou a estrutura molecular do Tocha Humana, permitindo-lhe, por meio do toque, absorver as habilidades dos seus colegas de equipa.
        Rastreando os resíduos de energia cósmica deixados pelo Surfista Prateado, Reed constata que uma série de planetas visitados pela criatura foram destruídos.
        À medida que o Surfista Prateado abre gigantescas crateras em redor do globo, Reed calcula que Londres será o próximo alvo do alienígena. O Quarteto Fantástico ruma à capital britânica, mas não chega a tempo de evitar que o rio Tamisa seja drenado pela enorme cratera entretanto criada.

Surfista Prateado: herói ou vilão?

        Frustrados, Reed e Susan consideram desistir das identidades de Senhor Fantástico e Mulher Invisível para constituírem uma família e viverem uma vida normal.  O Surfista Prateado, entretanto, chega à Latvéria e, inadvertidamente, liberta Victor Von Doom do sarcófago metálico onde permanecera aprisionado nos últimos dois anos.  O Dr. Destino propõe então uma aliança ao alienígena, mas este rejeita-a. Após uma breve refrega entre ambos, o Surfista parte, deixando para trás o vilão cujo corpo mutilado foi miraculosamente curado pela exposição ao seu poder cósmico.
        O Dr. Destino oferece então os seus préstimos ao Exército americano, com quem firma um acordo. O Quarteto Fantástico vê-se dessa forma obrigado a trabalhar em conjunto com o seu arqui-inimigo. Concluindo que a prancha usada pelo Surfista Prateado é a sua fonte de poder, Reed concebe um pulso energético capaz de separar os dois. Enquanto isso, o Dr. Destino constrói uma máquina cujo propósito se recusa a revelar.
O Dr. Destino volta a aprontar no segundo filme do Quarteto.

        Algures na Floresta Negra alemã, a Mulher Invisível estabelece diálogo com o Surfista Prateado, acabando este por confidenciar-lhe o seu remorso pela destruição por ele causada, na sua condição de servo de uma entidade cósmica de incomensurável poder chamada Galactus. Aproveitando a distração da criatura, os militares abrem fogo e o Senhor Fantástico dispara o seu pulso energético. Separado da sua prancha, o Surfista é facilmente capturado e levado para um complexo militar secreto na Sibéria, onde é torturado pelos seus captores que tentam assim  obter informações sobre os desígnios de Galactus.
        Usando o dispositivo por ele criado, o Dr. Destino rouba a prancha do Surfista Prateado. Depois de este ser libertado pelo Quarteto Fantástico, os cinco confrontam o vilão em Xangai. No decurso da batalha, a Mulher Invisível é mortalmente ferida. Com o arauto de Galactus ainda enfraquecido, o Tocha Humana absorve os poderes dos companheiros para enfrentar um Dr. Destino agora dotado de poder cósmico.
        O Dr. Destino é derrotado e o Surfista reavê a sua prancha. Porém, Galactus chega à Terra e Susan morre nos braços do marido.

A ameaça de Galactus, o Devorador de Mundos.
         Com o seu poder restaurado, o Surfista Prateado ressuscita a Mulher Invisível e escolhe defender o nosso mundo do cruel destino que lhe foi traçado pelo seu mestre. A batalha que se segue culmina numa enorme explosão de energia que engolfa ambos. Quando o clarão se dissipa, Galactus e o seu arauto desapareceram sem deixar rasto.
        Dias depois, Reed e Susan casam no Japão. Johnny, após estar em contacto com a prancha do Surfista, recuperou a sua estabilidade molecular. A meio dos festejos, surge a notícia de que Veneza se está afundar no Adriático. A equipa parta de imediato para Itália.
        Numa cena após os créditos finais, o corpo inerte do Surfista Prateado flutua no vácuo espacial, aparentemente sem vida. Subitamente, os seus olhos abrem-se e a sua prancha voa ao seu encontro.
     
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=q1QYHMMX_v4
 
1024x1024 Wallpaper fantastic 4, jessica alba, invisible woman, susan storm, sue, susan storm richards, invisible girl, rise of the silver surfer
 
Curiosidades:
* Na primeira versão do argumento, estava prevista a participação de Nick Fury (o diretor da agência governamental secreta S.H.I.E.L.D.), personagem entretanto substituída pelo General Hager;
* No filme, Susan Storm receia ter um filho que será alvo da curiosidade pública. Na banda desenhada original, ela e Reed têm um filho, Franklin Richards, dotado de poderes mutantes cuja verdadeira amplitude ainda está por descobrir;
* Para melhorar o desempenho de Michael Chiklis no papel de Coisa, foi produzido um novo conjunto de próteses. Estas não só eram mais fáceis de usar e remover, como lhe providenciavam melhor ventilação. Os modelos protéticos utilizados no primeiro filme demoravam seis horas a aplicar e eram extremamente desconfortáveis;
 

 
* Jessica Alba usou uma peruca loira, depois de o seu cabelo ter ficado maltratado com a coloração aplicada no primeiro filme;
* Já com as filmagens em curso, os produtores  estavam ainda indecisos quanto a dotar ou não o Surfista Prateado de voz. Entre os vários nomes cogitados para emprestar a voz ao herói cósmico estiveram os atores Gary Sinise e Timothy Olyphant. A escolha, porém, recaiu em Laurence Fishburne que, inicialmente, fora pensado para dar voz a Galactus;
* Por terem detestado a caracterização do Dr. Destino no primeiro filme, os produtores exigiram que ele ficasse oculto sob uma túnica com capuz em todas as cenas da sequela em que figurasse;
* Em tempos, o realizador Tim Story afirmara que jamais teria robôs gigantes nos seus filmes. Não será portanto alheia a este facto a opção de Galactus - normalmente retratado como um ser robótico de proporções colossais - surgir sob a forma de uma imensa nuvem cósmica.
 

Prémios e nomeações: Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado ganhou dois prémios em 2008: um Gold Trailer Award para o melhor cartaz promocional e um Kids Choice Award para melhor atriz atribuído a Jessica Alba. O filme recebeu ainda duas nomeações para os Razzie Awards (uma espécie de anti-Óscares que distinguem o que de pior se faz em Hollywood): uma na categoria de pior atriz (Jessica Alba) e outra na de pior casal (Ioan Gruffudd e Jessica Alba), não tendo contudo saído vencedor em nenhuma delas.
 

Veredito: 35%

       Depois de ver Quarteto Fantástico, em 2005, interrompi de imediato os meus esforços no sentido de tentar encontrar na internet a versão integral do filme maldito de 1994 (aquele que a Marvel se arrependeu de ter autorizado e depois fez de conta que o mesmo nunca existiu). Ora, se uma adaptação oficial ao grande ecrã era atroz, nem queria imaginar quão má seria a oficiosa. Como não sou dado a esse tipo de exercícios masoquistas, escusei-me a descobrir.
        Em virtude desses dois antecedentes negativos, foi pois com baixíssimas expectativas que recebi este segundo filme do Quarteto. O que me poupou a maiores dissabores. Isto porque, apesar de estar uns furinhos acima do seu predecessor, Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado tem desde logo  o demérito de arruinar uma das sagas mais emblemáticas e intemporais do Universo Marvel. 
        Aparentemente, o realizador Tim Story discordava desta minha apreciação. Motivo pelo qual pegou na história original - escrita pelo próprio Stan Lee - e decidiu adulterá-la (embora acreditasse porventura estar a melhorá-la), alterando a essência e os poderes de algumas personagens.
        Não sendo eu um "purista", daqueles que zurzem um filme que não retrata fielmente cada pormenor da banda desenhada em que se baseia, há limites para as alterações a introduzir. A meu ver, não encontro justificação para o facto de, na sua versão cinematográfica, o Surfista Prateado retirar o seu poder da sua prancha. Para quem não sabe (ou para os mais distraídos), nos quadradinhos o ex-arauto de Galactus pode voar e usar o seu poder cósmico mesmo quando separado da sua prancha. Esta serve apenas para lhe poupar o dispêndio extra de energia que voar implica. Para terem uma ideia do absurdo, seria como fazerem um filme do Super-Homem em que os seus poderes derivassem da capa.
        Não obstante estas nuances ridículas - a que se soma a ausência da componente filosófica que sempre caracterizou as histórias de um homem que imolou a própria liberdade para salvar o seu mundo - o Surfista Prateado é o que de melhor a película tem para oferecer. Cada movimento seu no ecrã é hipnotizante. Absolutamente delicioso também o pormenor de o seu corpo parecer pulsar de energia cósmica. Parece, no entanto, que orçamento para os efeitos especiais se terá esgotado na conceção desta personagem porque, por outro lado, a elasticidade do Sr. Fantástico afigura-se ainda mais inverosímel do que no primeiro filme. O mesmo se passando com os campos de força da Mulher Invisível e as labaredas do Tocha Humana (poupo-me a fazer qualquer referência à ignóbil caracterização do Coisa).
        Desagradou-me igualmente o registo cómico. Se o humor é fundamental neste género de filmes, quando em excesso, torna-se contraproducente e pode mesmo pôr em xeque a credibilidade da história.
         Outro dos aspetos negativos de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado é a total ausência de química entre o casal de protagonistas (Ioan Gruffudd e Jessica Alba), fazendo lembrar dois adolescentes tímidos a quem arranjaram um encontro às cegas. Pior só mesmo o insípido Julian MacMahon como Dr. Destino. Um inegável erro de casting, indigno de dar vida a um dos mais carismáticos vilões da banda desenhada.
        Resumindo, não sendo intragável Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado consegue entreter  sem contudo deslumbrar. Pouco ou nada acrescenta em relação ao seu predecessor. Diz o povo que à terceira é de vez mas, neste caso, esse aforismo não se concretizou. Na verdade, desperdiçou-se nova oportunidade de promover junto do grande público uma das melhores equipas de super-heróis dos comics. Acredito que, tal como eu, muitos fãs do Quarteto continuem a preferir as velhinhas séries animadas do grupo. Venha de lá o reboot!
 
       

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

HERÓIS EM AÇÃO: SURFISTA PRATEADO





    Para salvar o seu mundo da aniquilação, um homem sacrificou a própria liberdade. Com um coração puro e uma alma atormentada, o Surfista Prateado singra desde então pelo Cosmos como um arauto da justiça e da esperança.
 
 
Nome original: Silver Surfer
Primeira aparição: The Fantastic Four nº48 (março de 1966)
Criadores: Stan Lee (história) e Jack Kirby (história e arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Norrin Radd
Local de nascimento: Planeta Zenn-La
Parentes conhecidos: Jartran e Elmar Radd (pais falecidos), Fennan Radd (meio-irmão presumivelmente falecido)
Filiação: Ex-arauto de Galactus, ex-membro do Trio Titânico, dos Defensores, dos Defensores Secretos e dos Mestres das Estrelas
Base de operações: Todo o Universo conhecido
Armas, poderes e habilidades: Um dos mais poderosos (e trágicos) seres do Universo, o Surfista Prateado possui força, velocidade e resistência sobre-humanas, bem como a capacidade de absorver e manipular vários tipos de energia. Com a ajuda da sua prancha - que mesmo quando fisicamente separada do seu usuário, obedece aos seus comandos telepáticos- o herói consegue viajar no hiperespaço e até no fluxo temporal.
       Dotado de perceção cósmica, o Surfista Prateado, que também já ocasionalmente evidenciou habilidades telepáticas, consegue detetar objetos e fenómenos energéticos a anos-luz de distância. Da mesma forma que uma só rajada do seu poder cósmico pode obliterar planetas inteiros, o ex-arauto de Galactus pode usar esse poder para curar organismos vivos à escala planetária (sem contudo conseguir reviver os mortos).
       Somam-se a estas fabulosas habilidades o seu conhecimento da avançada tecnologia de Zenn-La, uma vez que Norrin Radd era um promissor cientista no seu mundo natal.

O Surfista Prateado é um dos seres mais poderosos do Universo.
 
História de publicação: Em março de 1966, no 48º número do título Fantastic Four, o Surfista Prateado foi apresentado ao mundo de forma quase fortuita. Stan Lee (argumentista e editor da Casa das Ideias) e Jack Kirby (cuja arte era uma das principais referências da editora) haviam desenvolvido em conjunto o chamado Método Marvel. Este consistia em discutir ideias para histórias, cabendo depois a Kirby desenhar uma sinopse das mesmas. Finda esta etapa, Stan incluiria os diálogos e restante texto. Sucede que, contrariando os preceitos da referida metodologia, Kirby, à revelia do seu parceiro criativo, resolveu adicionar uma nova personagem ao argumento previamente aprovado por ambos.


Fantastic Four nº48 (1966) foi onde debutou o Surfista Prateado, na sua qualidade de arauto de Galactus.

       A este propósito, Stan Lee declarou o seguinte em 1995: "Para minha grande surpresa, a meio de uma história que tínhamos discutido detalhadamente, surgia um louco montado numa prancha voadora. Pensei para os meus botões que o Jack fora longe demais dessa vez." Kirby explicou então que incluíra a misteriosa personagem por considerar que o antagonista principal - Galactus - precisaria de uma espécie de arauto que anunciasse o seu advento aos planetas que escolhera devorar, e também porque, segundo ele, estava cansado de desenhar naves espaciais.
       Sensibilizado pelo caráter nobre da neófita personagem - que se rebelou contra o seu mestre a fim de defender a Terra - Stan Lee conferiu-lhe maior densidade emocional e psicológica, tornando-a dessa forma um elemento-chave nos capítulos subsequentes do enredo.
       Após a primeira aparição do Surfista Prateado - e face à reação positiva dos leitores -, Lee e Kirby acordaram em conceder-lhe o estatuto de coadjuvante nas histórias do Quarteto Fantástico. Facto que conduziria, em 1968, à sua estreia numa história a solo em Fantastic Four Annual nº5.
       No ano seguinte, a Marvel lançou o novíssimo título The Silver Surfer, com os argumentos ainda a cargo de Stan Lee e com John Buscema a assumir a respetiva arte nos dezassete primeiros números (Jack Kirby desenharia o 18º e derradeiro número da série). Com o cancelamento de Silver Surfer, o herói cósmico passou a fazer aparições pontuais noutros títulos da editora, como Thor, The Defenders e, claro, Fantastic Four.

Em 1969, o Surfista Prateado ganhou um título próprio.
 
      Na esteira de um arco de histórias produzido por John Byrne em 1982, o Surfista Prateado recuperou alguma da relevância perdida. Só voltaria, ainda assim, a dispor de um título próprio volvidos cinco anos.
      Já neste século, mais precisamente em 2007, o herói cósmico estrelou uma muito elogiada minissérie em quatro volumes -  Silver Surfer: Requiem - escrita por J. Michael Straczynski e com arte de Esad Ribic. O primeiro número foi lançado em 30 de maio de 2007, de molde a coincidir com a primeira aparição cinematográfica da personagem em Fantastic Four: The Rise of The Silver Surfer. Na história, o Surfista Prateado descobria estar a morrer em virtude da deterioração da camada prateada que reveste o seu corpo.
      No âmbito da arrojada revolução editorial levada a cabo recentemente pela Casa das Ideias, foi anunciado o lançamento, com data prevista para março deste ano, de uma nova série protagonizada pelo ex-arauto de Galactus. Escrita por Dan Slott e ilustrada por Mike Allred, constituirá uma das mais fortes apostas do projeto All-New Marvel NOW! (batizado Nova Marvel pela Panini brasileira).

2014 marcará o regresso do Surfista Prateado à ribalta graças ao projeto editorial Nova Marvel.

Biografia: No utópico planeta Zenn-La, localizado no sistema estelar Deneb na orla da Via Láctea, florescia uma civilização próspera e pacífica. Norrin Radd era um jovem e promissor cientista inconformado com a letargia em que mergulhara o seu povo, que  outrora explorara os confins do Cosmos.
      A vida de Norrin mudaria para sempre no dia em que ele e os seus compatriotas testemunharam a chegada de Galactus, O Devorador de Mundos ao seu planeta. Perante a ameaça de aniquilação de Zenn-La, Norrin persuadiu o Conselho Científico a providenciar-lhe uma nave que o levasse ao encontro do gigantesco invasor. Intrépido, Norrin confrontou Galactus e propôs-lhe uma troca: se o Devorador de Mundos poupasse Zenn-La e seus habitantes, ele aceitaria ser seu arauto e comprometer-se-ia a buscar outros mundos para servirem de alimento a Galactus. Este aceita a proposta de Norrin e banha-o com uma ínfima porção do seu poder cósmico, transformando-o no Surfista Prateado.

Para salvar o seu povo, Norrin Radd sacrificou a sua liberdade e aceitou servir Galactus.

      Norrin tencionava conduzir o seu novo mestre apenas a planetas desabitados, mas, prevenindo essa situação, Galactus manipulou a alma do seu arauto. Por um período indeterminado de tempo, o Surfista Prateado serviu lealmente o Devorador de Mundos. Até ao dia em que descobriu a Terra, onde travou conhecimento com o Quarteto Fantástico e com Alicia Masters, a escultora cega namorada do Coisa. Sensibilizado pela nobreza de caráter deles, Norrin rebelou-se contra Galactus. Este acabou por ser repelido para longe da Terra, não sem antes criar uma barreira invisível em redor do nosso planeta para assim confinar o seu ex-servo, como castigo pela sua traição. A citada barreira tinha ainda a particularidade de afetar apenas o Surfista.
      Ao longo do seu exílio entre os humanos, o Surfista Prateado defrontou diversos supervilões, com o Doutor Destino - que cobiçava o poder cósmico do herói - a presidir à extensa lista. Nela figurava também Mefisto, que desejava a alma do ex-arauto de Galactus.
      Reunindo-se ocasionalmente ao Hulk e ao Príncipe Submarino, o Surfista Prateado atuou em conjunto com este heróis num grupo inicialmente denominado Titans Three  (Trio Titânico), ao qual se juntaria depois o Doutor Estranho, dando assim origem aos Defensores.

O Surfista Prateado em ação com os Defensores.

      Com o auxílio de Reed Richards, o amargurado herói logrou finalmente romper a barreira invisível de Galactus e deixar a Terra rumo às estrelas. Apenas para descobrir que Zenn-La fora devastado pelo Devorador de Mundos e que a sua amada Shalla-Bal fora feita prisioneira por Mefisto e levada para a Terra.
      Mesmo sabendo que isso significaria ficar novamente aprisionado no nosso planeta, Norrin regressou à Terra para resgatar das garras do demónio a mulher que amava. Pressentindo a derrota iminente, Mefisto enviou Shalla-Bal de volta a Zenn-La, onde o herói cósmico não a poderia alcançar. No entanto, o Surfista Prateado conseguiu, in extremis, transmitir uma parcela do seu poder cósmico à jovem, para que esta a usasse para revitalizar o seu mundo natal.

De volta à Terra, o Surfista Prateado enfrentou Mefisto para resgatar a sua amada Shalla-Bal.

       Após ajudar o Quarteto Fantástico a derrotar o mais recente arauto de Galactus - o terrível Terrax - o Surfista Prateado conseguiu por fim atravessar a barreira invisível que o impedia de regressar às estrelas, seguindo a sugestão do Coisa de o fazer a bordo de uma espaçonave em vez de usar a sua prancha. Conseguiu também obter o perdão do seu antigo mestre ao salvar a vida de Nova, outra das arautas ao serviço do Devorador de Mundos.
       Terminado o seu longo exílio, logo o herói alienígena singrou a vastidão sideral até Zenn-La. Mas, uma vez mais, o destino pregou-lhe uma cruel partida: na sua ausência, Shalla-Bal fora coroada Imperadora, pelo que seria impossível reatarem o seu romance.
       De coração partido, o Surfista Prateado passo a vaguear pelo Universo, enfrentando ameaças cósmicas como Thanos, Ego, O Planeta Vivo, Nebula e muitos outros seres de enorme poder e ainda maior perversidade. De tempos a tempos viaja até à Terra onde encontra consolo nos braços de Alicia Masters.

 
 
 
Noutros media: Em 2011, o site IGN colocou o Surfista Prateado no 41º lugar da sua lista dos 100 Melhores Heróis dos Quadradinhos. Na televisão, a sua estreia ocorreu num episódio da série animada produzida pela Hanna-Barbera, Fantastic Four (cuja vintena de episódios foi exibida pelo canal norte-americano ABC entre 1967 e 1970). A que se seguiram várias participações noutras séries animadas da Marvel, como The Marvel Action Hour (1994). Em 1998 chegou mesmo a estrelar uma série própria transmitida pela Fox e com a particularidade de recuperar a estética introduzida décadas antes por Jack Kirby.
 
São notórias as influências de Jack Kirby na estética da série animada Silver Surfer (1998).
 
        Ao grande ecrã, o herói cósmico chegou em 2007 com Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer, o segundo filme do Quarteto Fantástico. Laurence Fishburne emprestou a voz à personagem cabendo a Doug Jones dar-lhe corpo nas cenas em que não era reproduzida digitalmente. Nesse mesmo ano, J. Michael Straczynski foi contratado pela Fox para escrever o guião de um spin-off. Straczynski adiantou que se trataria de uma sequela que abordaria também as origens do Surfista Prateado. O projeto, porém, nunca veria a luz do dia.
 
Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007) marcou a estreia cinematográfica do herói cósmico.