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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

ETERNOS: GARDNER FOX (1911-1986)


  Arquiteto de duas eras, construiu as bases do Multiverso DC, (re)criou e reuniu pela primeira vez alguns dos maiores símbolos da Editora das Lendas. A despeito da importância e grandiosidade do seu legado, permanece um ilustre desconhecido para muitos aficionados da 9ª Arte.

Num belo dia de 1967, a Universidade do Oregon recebeu uma inusitada oferenda: 14 caixas a abarrotar de livros, bandas desenhadas, argumentos, correspondência e documentação diversa pertença de um tal Gardner Fox. A conselho do seu agente literário, aquele que foi um dos mais prolixos e versáteis escribas de sempre, doou à centenária instituição parte do seu acervo cultural, por forma a obter benefícios fiscais. Meio século volvido, o sobredito material permanece com a sua fiel depositária e constitui parcela significativa do espólio desse grande vulto da 9ª Arte. Cuja riquíssima obra, conquanto reverenciada pelos seus pares, continua a ser ignorada por muitos fãs de super-heróis, mormente entre aqueles que elegem a DC como predileta.
Nova-iorquino de gema, Gardner Francis Cooper Fox nasceu a 20 de maio de 1911 no Brooklyn, um dos mais pitorescos bairros da cidade insone. Criado no seio de uma família de burgueses conservadores, mal aprendeu a juntar as primeiras letras deu mostras de uma insaciável volúpia literária.
Por volta dos 11 anos de idade, o pequeno Gardner Fox leu, de um fôlego, duas histórias que, segundo o próprio, lhe apresentaram um mundo completamente novo. Ambas saídas da virtuosa pena de Edgar Rice Burroughs (criador de Tarzan e John Carter, e uma das principais influências literárias de Fox), The Gods of Mars e The Warlord of Mars incutiram-lhe o fascínio pela ficção científica, um dos géneros em que, futuramente, mais se notabilizaria.

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Uma das histórias que mais marcou
 Gardner Fox nos seus verdes anos.
Depois de cursar Direito no St. John's College, seleta universidade católica que lhe serviu de alma mater, entre 1935 e 1937 Gardner Fox foi advogado de barra em diferentes tribunais nova-iorquinos. Em plena Grande Depressão, depressa percebeu, porém, que teria melhores perspetivas de carreira naquela que era uma das poucas indústrias promissoras numa economia convalescente após a terapia de choque do New Deal: os comic books.
Pela mão de Vic Sullivan, à época editor-chefe da National Allied Publications (uma das antecessoras da DC Comics), em meados de 1937 Gardner Fox ingressou na casa onde o Super-Homem haveria de pendurar a capa. Apesar de a sua estreia como argumentista ter ocorrido em Detective Comics nº4, nos anos seguintes Fox assinaria centenas de histórias nos principais títulos que compunham o catálogo da editora. Nada que obstasse à intensa colaboração que desenvolvia, em paralelo, com vários magazines pulp que davam à estampa os seus contos de ficção científica.

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Edição onde Gardner Fox fez a sua estreia como argumentista.
Senhor de um saber enciclopédico, Gardner Fox (para quem o acúmulo de conhecimento era, nas suas próprias palavras, uma espécie de passatempo) salpicava as suas narrativas com um pot-pourri de referências históricas, mitológicas e científicas.
Em 1971, numa missiva endereçada a Jeff Bails, o fundador da comunidade de fãs de super-heróis, Gardner Fox revelava possuir dois gabinetes e um sótão atulhados de livros, revistas e toda a sorte de material relacionado com Ciência, Natureza e factos invulgares, que amiúde consultava para escrever as suas histórias. E foram muitas. Estima-se que tenham sido 4 mil no total, 1500 das quais para a DC. Cifras impressionantes que, em conjunto com a centena de novelas publicadas (a uma média anual de três), testificam bem a monumentalidade da sua obra literária.
Ao cabo de alguns meses a relatar as proezas detetivescas de personagens como Speed Saunders ou Steve Malone em Detective Comics, em meados de 1938 Gardner Fox teve a sua primeira experiência narrativa com super-heróis, ao assumir, em Action Comics, as histórias do mago Zatara - pai de Zatanna e pastiche de Mandrake, o Mágico. Em janeiro do ano seguinte daria o seu primeiro contributo para  a expansão do incipiente panteão da Editora das Lendas ao criar Sandman, um misterioso vigilante urbano equipado com uma máscara de gás e uma pistola especial que usava para gasear os malfeitores.

Sandman, o primeiro super-herói
 com assinatura de Gardner Fox.
Em julho de 1939, Gardner Fox regressaria a Detective Comics (onde Batman fizera a sua estreia apenas dois meses antes), desta feita para assessorar Bob Kane e Bill Finger nas histórias do Cruzado Encapuzado. Para cuja evolução visual Fox contribuiu ao apetrechá-lo com o seu icónico cinto de utilidades e uma versão rudimentar do Batcóptero. Doutor Morte (Doctor Death), o que de mais próximo de um supervilão o Batman enfrentou antes de um certo Palhaço do Crime lhe cruzar o caminho, teve também a assinatura de Gardner Fox.
Logo a abrir 1940, o número inaugural de Flash Comics incluía dois novos produtos da prodigiosa imaginação de Gardner Fox: Flash e Gavião Negro (vide texto anterior). Enquanto o primeiro era descrito como "um novo Mercúrio", numa alusão ao mensageiro dos deuses romanos, o segundo invocava os Homens-Falcão das aventuras de Flash Gordon no planeta Mongo. Gardner Fox indicava, contudo, outra fonte de inspiração: "Max Gaines (editor-chefe da All-American Publications, outra das antepassadas da DC), pedira-me que criasse duas personagens para preencher um novo título mensal que planeava lançar em breve. Certa tarde, enquanto me encontrava sentado à janela do meu escritório, reparei num pássaro que recolhia galhos para construir o seu ninho. O pássaro pousava, pegava no galho com o bico e voltava a alçar voo. E foi assim que dei comigo a pensar em como seria fantástico se o pássaro fosse um justiceiro alado e o galho um criminoso."
Sucessos instantâneos, Flash e Gavião Negro seriam pouco depois membros fundadores da Sociedade da Justiça da América . Aquele que é o mais antigo grupo de super-heróis (e outra das criações de Gardner Fox), debutou em dezembro de 1940, nas páginas de All-Star Comics nº3 e reunia, pela primeira vez, as figuras de proa da All-American Publications e da National Allied Publications. Do seu elenco fazia também parte o Senhor Destino ( Doctor Fate), o mestre das artes arcanas idealizado por - quem mais? - Gardner Fox.

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Metade do elenco original da Sociedade da Justiça da América
 era composto por criações de Gardner Fox.
Escrevendo a um ritmo alucinante, durante a Segunda Guerra Mundial Gardner Fox foi chamado a render vários dos seus colegas de profissão mobilizados para o conflito. Foi também durante esse período histórico que teve os seus serviços contratados por outras editoras que não a DC. Chegando mesmo a colaborar com a antepassada da Marvel - a Timely Comics -  antes de ocupar brevemente o posto de redator principal da Eclipse Comics.
As crescentes solicitações em nada afetaram, porém, a criatividade de Gardner Fox que continuava a aumentar o seu rol de personagens. Uma das mais bem-sucedidas fora da DC foi Skyman, um aventureiro fantasiado que pilotava um avião superveloz, criado para a Columbia Comics em 1940.

A mais bem-sucedida criação de Gardner Fox fora da DC.
À medida que, nos anos iniciais da década de 1950, o fulgor da Idade de Ouro se desvanecia e os super-heróis entravam em decadência, outros géneros narrativos se afirmavam no panorama cultural norte-americano. Com uma resiliência que parecia soltar-se-lhe dos genes, Gardner Fox abraçou-os a todos, conferindo, desse modo, à sua obra uma extraordinária amplitude de registos. De histórias do Velho Oeste a contos de terror, passando por aventuras de espionagem, de tudo um pouco saiu da sua incansável pena. A mesma que, durante essa fase, usou para escrever - não raro, sob pseudónimos masculinos e femininos -  contos, novelas e ensaios em número suficiente para preencher uma biblioteca de média dimensão.

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Duas das novelas de ficção científica editadas por Gardner Fox.
Quando a década de 1950 ia a meio, Gardner Fox fez a sua segunda passagem pela DC, notabilizando-se como um dos arquitetos da nova era a que se convencionou chamar Idade de Prata da banda desenhada.
Em resposta ao Comics Code Authority e a outros mecanismos censórios aplicados às histórias aos quadradinhos em consequência dos espasmos de moralidade mesquinha do Congresso dos EUA e das torpes acusações plasmadas no livro Sedução de Inocentes (1954), a Editora das Lendas, agora capitaneada pelo lendário Julius Schwartz, tomou a decisão de reformar o seu panteão heroico. Perfilando-se, desde logo, Gardner Fox, figura grada da Idade de Ouro, como a escolha natural para coliderar tão exigente empreitada. Que teve o seu ponto de partida em Showcase nº4, edição histórica de outubro de 1956, na qual a dupla criativa Robert Kanigher (o único escritor a superar Fox no que ao número de histórias produzidas para a DC diz respeito) e John Broome introduziram uma versão do Flash radicalmente diferente da original.
Agora um traquejado escritor de ficção científica, em 1958 Gardner Fox começou por aplicar o seu toque de Midas a Adam Strange. Criado no ano anterior por Julius Schwartz, o aventureiro espacial que era uma mescla de Flash Gordon e Buck Rogers, passaria, num ápice, de personagem descartável a nova coqueluche da DC graças à pirotecnia verbal de Fox.
Em março de 1960, Gardner Fox atualizou um conceito que ele próprio desenvolvera na Idade de Ouro em parceria com o desenhista Sheldon Mayer: a Sociedade da Justiça da América, agora renomeada Liga da Justiça da América. Em linha com a ideia original, a nova organização, cuja estreia oficial teve lugar em Brave and the Bold nº28, agrupava os principais heróis da DC. No entanto, por contraponto à sua antecessora, depressa ganharia título próprio.

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A Liga da Justiça ganhou série própria em novembro de 1960.
Retomando a sua profícua sinergia com Joe Kubert, no ano seguinte Gardner Fox reformularia outra das suas criações da Idade de Ouro: o Gavião Negro. Sustentado na qualidade narrativa, o sucesso da nova versão suplantaria, uma vez mais, o conceito primordial. A prová-lo, o facto de, a exemplo da recém-criada Liga da Justiça, também a Maravilha Alada de Thanagar não ter demorado a ser contemplada com uma série periódica em nome próprio.
Embora sem influência direta na reformulação do Flash, em setembro de 1961, Gardner Fox assinou uma história do Velocista Escarlate que mudaria para sempre o Universo DC. A partir de uma ideia de Julius Schwartz e com arte a cargo de Carmine Infantino, Flash of Two Worlds (Flash de Dois Mundos) mostrava o surpreendente encontro, com lugar numa dimensão paralela, entre o Flash da Idade de Prata e a sua contraparte da Idade de Ouro.
Além de revelar o destino que haviam levado as personagens da Idade de Ouro - hospedadas na chamada Terra 2 - a história em causa lançou as bases do que seria o complexo Multiverso DC. O mais curioso acerca desta narrativa era que Barry Allen (o novo Flash) conhecia Jay Garrick (o Flash original) porque, no seu mundo, ele era um herói de banda desenhada criado por um tal... Gardner Fox. Com o tempo surgiria a rebuscada explicação de que os eventos da Terra 2 haviam, de algum modo, invadido os sonhos do escriba e que este os transpusera para o papel.

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A multicitada história dos Velocistas Escarlates de duas eras
 que foi a pedra angular do Multiverso DC.
Incentivado por Julius Schwartz, radiante com as vendas das novas personagens, Gardner Fox prosseguiu a sua onda de reinterpretações de antigos conceitos, sem contudo deixar de inovar. Já depois de ter apresentado um Átomo com novas roupagens e habilidades, em 1962 Fox introduziu o Doutor Luz como novo antagonista da Liga da Justiça.
Num ano que ficaria igualmente marcado pela criação de Zatanna (filha do mago Zatara, da Idade de Ouro), em 1964 Gardner Fox regressou às histórias do Batman. No entanto, ao invés de uma releitura do taciturno defensor de Gotham City, Fox preferiu enriquecer-lhe o imaginário resgatando do limbo dois dos seus arqui-inimigos - Charada e Espantalho - e transformando a filha do Comissário Gordon, Barbara, na nova Batgirl.
Esta segunda fase seminal de Gardner Fox seria, contudo, bruscamente interrompida em 1968. Em resultado da recusa por parte da DC em conceder seguro de saúde e outros benefícios aos seus colaboradores mais antigos, Fox bateu com a porta para não mais voltar. Desfalcando, assim, a DC numa altura em que esta disputava com a Marvel a liderança do mercado de quadradinhos.
Nos anos imediatos à sua saída da Editora das Lendas, Gardner Fox dedicou-se quase exclusivamente à literatura. Abrindo apenas um curto parêntesis, no início dos anos 70, para escrever umas dezenas de histórias publicadas em Tomb of Dracula, coletânea de contos de terror publicada pela Marvel. Essa seria, de resto a sua penúltima, passagem pelos quadradinhos antecedendo a sua fugaz colaboração, em 1985, com a Eclipse Comics, cujo produto final se resumiu à produção de uma antologia de ficção científica intitulada Alien Encounters.

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A antologia de ficção científica que marcou
 a derradeira passagem de Gardner Fox pelos quadradinhos.
Vítima de pneumonia, Gardner Fox despedir-se-ia do mundo na véspera de Natal de 1986 (coincidentemente, o ano da implosão do Multiverso DC que ajudara a criar). Contava então 75 anos de idade e sobreviveram-lhe esposa, dois filhos e quatro netos. Mas também um candente legado a que nenhuma homenagem ou honraria póstumas fará a devida justiça.
Entre outros méritos reconhecidos, Gardner Fox mostrou ser possível harmonizar quantidade e qualidade. A prová-lo, o apreciável número de prémios e louvores averbados ao longo da sua carreira. Ao conquistar, em anos intercalados, quatro Alley Awards (o primeiro, em 1962, para melhor escritor), Fox atravessou a década de 60 coberto por um reluzente manto de glória.
Ainda em vida Gardner Fox alcançaria a imortalidade ao ser uma das 50 personalidades referenciadas em Fifty Who Made DC Great, edição comemorativa lançada em 1985 para assinalar o meio século de existência da Editora das Lendas. Membro de diversos grémios literários, como o Science Fiction Writers o America, Fox seria também por eles distinguido repetidas vezes. Postumamente, o seu nome foi inserido, em 2007, no Jack Kirby Hall of Fame e, no ano seguinte, no Eisner Award Hall of Fame (equivalentes bedéfilos do Passeio da Fama cinematográfico).
Menos solenes, porém igualmente repletas de significado foram as homenagens que no decurso dos anos lhe foram sendo rendidas por oficiais do mesmo ofício. Como John Broome, ex-colega de Fox na DC e outro dos saudosos arquitetos da Idade de Prata, que ao criar o mais rebelde dos lanternas verdes o batizou de Guy Gardner.
Malgrado esta deferência dos seus pares, que continuam a celebrar a monumental obra de Gardner Fox, importa, nestes tempos sem espaço para memórias, divulgá-la junto das gerações mais recentes de leitores, por forma a evitar que acabe dissolvida como as neves de antanho. Este é o meu singelo contributo para a sua preservação.

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O insolente Guy Gardner e o homem
 que lhe deu nome retratado por Gil Kane.



Agradecimento muito especial ao meu bom e mui talentoso amigo Emerson Andrade que, com a bonomia com que sempre acede aos meus pedidos, restaurou digitalmente a imagem que serve de ilustração principal a este artigo.










segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

HERÓIS EM AÇÃO: GAVIÃO NEGRO


  Em voo picado sobre a injustiça desde a Idade de Ouro, foi em permanente metamorfose que a Maravilha Alada escapou às armadilhas do tempo e do destino. Herói de dois mundos, carrega na alma - e na cronologia - uma antiga maldição. 

Denominação original: Hawkman
Licenciadoras: All-American Publications (1940-1944) e DC Comics (desde 1944)
Criadores (Carter Hall): Gardner Fox (história) e Dennis Neville (arte conceitual)
Criadores (Katar Hol): Gardner Fox (história) e Joe Kubert (arte conceitual)
Estreia (Carter Hall): Flash Comics nº1 (janeiro de 1940)
Estreia (Katar Hol): Brave and the Bold nº34 (março de 1961)
Identidade civil: Carter Hall (Idade de Ouro) /  Katar Hol (Idade de Prata)
Espécie: Humano (Carter Hall) / Alienígena (Katar Hol)
Local de nascimento: Carter Hall é cidadão estadunidense, ao passo que Katar Hol teve como berço Thanaldar, uma das maiores cidades do planeta Thanagar.
Parentes conhecidos (Carter Hall): Shiera Sanders Hall (esposa), Hector Hall (filho, falecido), Hippolyta Trevor-Hall (enteada, falecida), Norda Cantrell / Bóreas (afilhado) e Daniel Hall (neto)
Parentes conhecidos (Katar Hol): Paran Katar (pai) e Shayera Hol (esposa)
Ocupação (Carter Hall): Arqueólogo, curador e aventureiro
Ocupação (Katar Hol): Agente policial, curador e aventureiro
Base operacional (Carter Hall): Midway City, Michigan
Base operacional (Katar Hol): Thanagar e Museu Metropolitano de Midway City
Afiliações: Além da tradicional parceria com a Mulher-Gavião, transversal à maioria das suas encarnações, na Idade de Ouro o Gavião Negro foi líder e cofundador da Sociedade de Justiça da América (SJA). Já a sua contraparte da Idade de Prata foi oficial da Polícia Alada de Thanagar antes de se juntar à Liga da Justiça.
Némesis (Carter Hall): O Gavião Negro original tinha em Hath-Set, um cruel sacerdote do Antigo Egito, o seu arqui-inimigo.
Némesis (Katar Hol): Byth, um criminoso transmorfo de Thanagar, é o principal antagonista do segundo Gavião Negro.
Poderes e parafernália: Comum a todas as versões já apresentadas do Gavião Negro é a utilização do Metal Enésimo. Ao anular os efeitos da gravidade, esta substância de origem extraterrestre (ver Metal Milagroso) confere aos seus usuários, entre outras coisas, a capacidade de voar.
Ao Gavião Negro da Idade de Ouro foi, originalmente, atribuído o vigor de uma dúzia de homens, assim como o poder de comunicar com os pássaros. Esta habilidade não lhe permitia, contudo, controlá-los telepaticamente, à imagem do que faz Aquaman em relação aos peixes e restante fauna marinha.
Devido à sua fisiologia Thanagariana, o segundo Gavião Negro possuía um conjunto de características comuns à sua raça, porém sobre-humanas à luz dos parâmetros terrestres. Além de uma longevidade expandida e de uma extraordinária resistência à dor, Katar Hol dispunha de sentidos aguçados - particularmente, visão telescópica idêntica à da ave que lhe dá nome - e força ampliada. Em algumas histórias do período pré-Crise, foi mostrado que Katar conseguia saber se alguém falava a verdade, perscrutando-lhe a alma.
Outro denominador comum ao Gavião Negro original e ao seu sucessor é a afinidade com armas medievais, mormente espadas, redes, lanças e maças, em cujo manejo evidenciavam ambos enorme destreza. Esta predileção por arsenais arcaicos, em detrimento de armamento moderno, explica-se , no caso do primeiro, pela conservação de vivídas lembranças das suas vidas anteriores; e, no caso do segundo, pelo receio de que a sofisticada tecnologia bélica Thanagariana caísse em mãos erradas. Um e outro requisitavam secretamente o referido arsenal dentre o acervo do Museu de Midway City de que eram curadores.
Líderes natos, tanto Carter Hall como Katar Hol são também exímios estrategas e combatentes corpo a corpo.

Para o Gavião Negro, a maça é quase
 uma extensão natural do seu corpo.

Fraquezas: Por força da milenar maldição que lhe foi imposta por Hath-Set, a cada reencarnação o Gavião Negro vagueia pelo mundo até encontrar a sua alma gémea. Um círculo vicioso de paixão e tragédia, pois sempre que o casal se reencontra e forma laços está destinado a ser assassinado e a reviver tudo uma e outra vez. Podendo, ou não, conservar memórias das suas vidas pregressas.

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O reencontro de dois amantes amaldiçoados.

Metal milagroso

Originário do planeta Thanagar, o Metal Enésimo (Ninth Metal, em inglês) possui propriedades únicas que possibilitam diversas utilizações.
Capaz de anular os efeitos da gravidade, o Metal Enésimo permite a qualquer pessoa voar com recurso a um simples acessório ou aparato fabricados a partir dele. O minério protege, ademais, os seus usuários do rigor dos elementos e das altas temperaturas, amplifica-lhes a força e acelera-lhes o processo de regeneração celular. Tem sido igualmente utilizado como revestimento das naves de guerra Thanagarianas e, no século XXX, os anéis de voo usados pelos membros da Legião dos Super-Heróis incluem-no na sua composição.
Sendo certo que este metal milagroso possui outras propriedades desconhecidas, as suas vastas potencialidades estão ainda por explorar.

O errático voo do gavião

Dizer que o percurso editorial do Gavião Negro foi acidentado soa a eufemismo. Passou por duas licenciadoras, abrilhantou títulos próprios e alheios, teve a sua origem sucessivamente revista e, por diversas vezes, pairou perigosamente sobre o negro abismo do esquecimento. Por conta de tudo isso, a Maravilha Alada chegou aos nossos dias presa num emaranhado cronológico do qual, por mais que estrebuche, tarda em libertar-se.
Tudo começou com Flash Comics nº1. Nessa edição histórica lançada em janeiro de 1940 com a chancela da All-American Publications (uma das três empresas de cuja  fusão, anos mais tarde, resultaria a DC), eram apresentados aos leitores dois novos heróis: Flash (Jay Garrick) e Gavião Negro. Este último era um arqueólogo chamado Carter Hall que descobrira ser uma reencarnação do Príncipe Khufu, um aristocrata do Antigo Egito. Carter descobriu também o misterioso Metal Enésimo com propriedades antigravidade e que lhe permitia voar após ser moldado sob a forma de um cinturão.
Para ajudá-lo a estabilizar o voo, Carter Hall confecionou um traje com um imponente par de asas emplumadas acoplado. Sob o nome de guerra Gavião Negro, lançou-se, em seguida, numa implacável cruzada contra o crime e a injustiça. No qual era inicialmente acolitado por um falcão chamado Big Red (algo como Vermelhão) e enfrentava os seus oponentes munido de um arsenal arcaico secretamente requisitado no museu de que era curador. Ao longo de praticamente toda a década de 1940, a Maravilha Alada e o Cometa Carmesim continuaram a coabitar na mesma revista.
Paralelamente, o Gavião Negro foi membro fundador da Sociedade da Justiça da América em All-Star Comics nº3 (dezembro de 1940). Sucedendo ao Flash e ao Lanterna Verde, passaria pouco tempo depois a capitanear a equipa, coincidindo esse facto com o seu reencontro com Chay-Ara, a sua amada princesa egípcia, agora reencarnada numa plebeia americana chamada Shiera Sanders. Quando esta criou a persona Mulher-Gavião, o casal passou a combater o crime lado a lado.


A estreia do Gavião Negro em Flash Comics nº1 (cima)
e a SJA por ele presidida.
Já sob o traço de Joe Kubert e a égide da DC, em Flash Comics nº98 (agosto de 1948) o Gavião Negro teve um pequeno ajuste no seu visual. Em vez da elaborada máscara alada que invocava a cabeça de um falcão, passou a ostentar um simples capuz amarelo. Acessório que, de resto, o acompanharia até à sua despedida nas páginas de All-Star Comics nº57 (março de 1951).

O visual simplificado do Gavião Negro
com a assinatura de Joe Kubert.
Desde o final da Segunda Guerra Mundial que o interesse do público em relação aos super-heróis vinha esfriando, atingindo o seu ponto álgido na viragem da década de 1950. Mercê dessa circunstância, e a exemplo de muitos dos seus congéneres, o Gavião Negro parecia condenado ao oblívio.
Sob a batuta do seu lendário editor-chefe, Julius Schwartz, a partir de 1956 a DC encetaria um processo de revitalização de algumas das suas personagens charneira da Idade de Ouro. Consistindo a ideia em revivê-las preservando os respetivos nomes  e habilidades, mas atribuindo-lhes origens e visuais renovados.
Na senda do sucesso de Flash (Barry Allen) e Lanterna Verde (Hal Jordan), ao Gavião Negro seria igualmente concedida uma segunda oportunidade em 1961, quando voltou a alçar voo para a ribalta em The Brave and the Bold nº34.

A nova vida da Maravilha Alada começou em Brave and the Bold nº34 (1961).
No entanto, por contraste com as declinações modernas de outras personagens clássicas da Editora das Lendas, o segundo Gavião Negro manteve o seu figurino inalterado - à parte a recuperação da sua icónica máscara alada.
Agora um agente policial de Thanagar chamado Katar Hol, o Gavião Negro da Idade de Prata - criação conjunta de Gardner Fox e Joe Kubert - tinha perseguido até à Terra um criminoso do seu planeta natal. Jornada em que fora acompanhado pela sua esposa e parceira Shayera. Capturado o réprobo, o casal alado decidiu permanecer no nosso mundo, a fim de estudar os métodos das forças policiais terrestres, bem como combater o crime com recurso a táticas Thanagarianas. Como disfarces, criaram as identidades civis Carter e Shiera Hall e tornaram-se curadores do Museu Metropolitano de Midway City.

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As Maravilhas Aladas voltaram a alçar voo na Idade de Prata.
Gavião Negro e Mulher-Gavião reforçariam entretanto as fileiras da Liga da Justiça da América. Quando a década de 1960 girava para o seu final - e numa altura em que o Multiverso DC era já um conceito consagrado - os leitores foram surpreendidos com a revelação de que o Gavião Negro original habitava a Terra-2, ao passo que a sua contraparte moderna tinha a Terra-1 como lar adotivo. Nos anos imediatos - e até a meio da década subsequente - o convívio entre as duas versões do mesmo herói foi enquadrado pelos encontros anuais mantidos entre a Liga da Justiça e a Sociedade de Justiça da América.
Quando não estava a combater o Mal ao lado dos seus companheiros da Liga da Justiça, o Gavião Negro vivia aventuras a solo na sua própria série mensal. A qual, em virtude da sua modesta prestação comercial, seria cancelada ao fim de 27 números e, posteriormente, fundida com a do Átomo. Hawkman and the Atom sofreria no entanto idêntico destino um ano mais tarde.

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O último número de Hawkman foi lançado setembro de 1968.

Em 1985, Crise nas Infinitas Terras, a mãe de todas as sagas da DC, impôs uma maciça revisão na complexa continuidade da Editora das Lendas. No rescaldo desse traumático evento, quase todas as suas personagens tiveram as respetivas origens reescritas, enquanto outras foram pura e simplesmente apagadas da existência. No caso específico do Gavião Negro, não ocorreu nenhuma dessas coisas. Em vez de ter a sua continuidade reestruturada, o herói foi deixado a aboborar no fundo de uma qualquer gaveta. Tudo porque, na nova realidade unificada, existia agora apenas uma única Terra, na qual a Liga da Justiça fora precedida nos anos 40 pela Sociedade de Justiça da América. Logo, ninguém sabia ao certo onde encaixar o Gavião Negro ou como explicar a existência das suas duas versões.
Revisões posteriores tentaram determinar exatamente quem era o Gavião Negro e a Mulher-Gavião nos diferentes períodos históricos, e qual o papel que haviam desempenhado em cada um deles. Nessa perspetiva, nos primeiros anos do pós-Crise, as suas contrapartes da Idade de Prata continuaram a ser utilizadas, chegando mesmo a integrar o novo elenco da Liga da Justiça.
No que se revelaria uma emenda pior do que o soneto, em 1989 a DC procurou reiniciar a continuidade do Gavião Negro através da ovacionada minissérie Hawkworld (Mundo Gavião). Nela, Thanagar era uma sociedade decadente e fortemente estratificada que explorava os recursos naturais e a mão-de-obra semiescrava dos seus planetas-colónias. Filho do fundador da Polícia Alada Thanagariana, Katar Hol fez parte dessa força de elite antes de se rebelar contra o status quo. Afronta que lhe valeria o exílio numa ilha deserta seguido do degredo na Terra, onde acabaria por morrer.

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Em Hawkworld,
o Gavião Negro teve, uma vez mais, a sua origem recontada.
Esta nova narrativa causou, porém, várias inconsistências cronológicas. Desde logo porque, se Katar Hol era um recém-chegado ao nosso planeta, alguém teria sido o Gavião Negro antes dele. No sentido de cortar esta e outras pontas soltas na continuidade do herói, foi retroativamente estabelecido que o Gavião Negro e a Mulher-Gavião da Idade de Ouro tinham continuado a operar esporadicamente mesmo após terem saído de cena. De caminho foi também explicado que Fel Andar, um espião Thanagariano enviado para a Terra para se infiltrar na Liga da Justiça, se juntara ao grupo na década de 80 fazendo-se passar por um combatente do crime.
O quadro adquiriu contornos ainda mais confusos com a fusão das diferentes encarnações do Gavião Negro ocorrida em Zero Hora. Nesse desdobramento de Crise nas Infinitas Terras, da mescla de Carter Hall com Katar Hol nasceu o Deus Gavião. O plano surtiu, porém, o efeito contrário ao desejado e, após esses eventos, a continuidade do herói alado ficou ainda mais caótica. Tanto assim que a DC chegou a equacionar a possibilidade de suspender definitivamente a publicação daquela que era - e, para alívio dos fãs, continua a ser - uma das suas mais antigas e emblemáticas personagens.
Ao cabo de uma longa ausência, nos últimos anos da década de 90  a Maravilha Alada foi novamente resgatada ao ostracismo. Em JSA, a nova série mensal da Sociedade de Justiça da América, Carter Hall foi estabelecido com o verdadeiro Gavião Negro. Apesar de Katar Hol também ter vindo para a Terra e ter usado o mesmo cognome...
Esse aparente paradoxo seria apenas resolvido com Os Novos 52, a penúltima reestruturação do Universo DC. Na continuidade dela decorrente, Katar Hol voltou a ser o verdadeiro Gavião Negro, usando na Terra o alter ego Carter Hall. Outra das novidades foi ter o seu organismo infundido pelo Metal Enésimo, além de ligeiras modificações feitas ao seu visual.
Dado como morto na atual continuidade DC emanada de Renascimento (Rebirth, o mais recente reboot da Editora das Lendas), o Gavião Negro continua a ser Katar Hol, correndo o rumor de que ressurgirá em breve para estrelar um título epónimo.
Só o tempo dirá quais as ramificações do somatório destes eventos. Entretanto, os fãs (os mais pacientes, pelo menos) tentam, em vão, encontrar o fio à meada enquanto o novelo não cessa de aumentar de tamanho.

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Será a morte do Gavião Negro um condição temporária?

Ave bicéfala

Devido às muitas falhas de continuidade expostas acima, a versão clássica do Gavião Negro e a sua declinação da Idade de Prata continuam a coexistir na mitologia da DC. Recordemos, por isso, com um pouco mais de detalhe a origem de cada um deles.
A história do primeiro Gavião Negro tem raízes no Antigo Egito. Envolvido numa feroz contenda com Hath-Set, um cruel sacerdote, o Príncipe Khufu e a sua consorte, a Princesa Chay-Ara, acabaram capturados pelo seu inimigo. Hath-Set usou, então, uma adaga amaldiçoada forjada com Metal Enésimo para tirar a vida ao casal.

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Khufu e Chay-Ara à mercê de Hath-Set.
Escoaram-se milénios até que, em 1940, Khufu reencarnou em Carter Hall, um arqueólogo americano. O mesmo sucedendo com Chay-Ara e Hath-Set. Enquanto a primeira ocupava agora o corpo de Shiera Saunders, o segundo renasceu na pele de um cientista chamado Anton Hastor.
Após tocar na mesma adaga de Metal Enésimo usada para assassiná-lo séculos atrás, Carter Hall recuperou as memórias da sua vida pregressa. Processo em que tomou consciência de que Shiera Saunders e Anton Hastor eram, na verdade, reencarnações da sua amada e do seu verdugo.
Quando Hastor conjurou um feitiço para atrair Shiera ao seu covil secreto, Carter Hall socorreu-se das suas memórias e conhecimentos restaurados para confecionar um cinturão feito a partir de Metal Enésimo e um uniforme com um par de asas acoplado. Nascia assim o Gavião Negro.
Shiera foi resgatada pelo Gavião Negro e ambos testemunharam a presumível morte de Anton Hastor. Perdidamente apaixonado, o casal passou a combater o crime em conjunto como Gavião Negro e Mulher-Gavião.
Se a história do Gavião Negro original remonta a um passado longínquo, a do seu sucessor começa num planeta distante. Katar Hol era um honrado agente policial de Thanagar, no sistema estelar Polaris. Usando um cinturão antigravitacional e um par de asas, ele e a sua esposa, Shayera, eram aves de rapina em voo picado sobre os mais perigosos delinquentes do seu mundo.
Em 1961, o casal foi enviado para a Terra investido da missão de capturar um criminoso transmorfo chamado Byth - logo erigido a arqui-inimigo de ambos. Apesar de a operação ter sido coroada de êxito, Katar e Shayera escolheram permanecer no nosso mundo para colaborarem com as autoridades locais e estudarem os seus métodos de investigação criminal.
Quando penduravam as asas de Gavião Negro e Mulher-Gavião, os dois atendiam pelos nomes de Carter e Shiera Hall, os discretos curadores do museu de Midway City.
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Na Idade de Prata, Katar Hol e Shayera eram
 os novos protagonistas de uma velha história de amor.

Miscelânea 

*Apesar de creditado como coautor do Gavião Negro, Dennis Neville desenhou apenas as três histórias iniciais do herói, após o que foi rendido no posto por Sheldon Moldoff;
*De personalidade austera, não raro rude e truculenta, o Gavião Negro não é pessoa de trato fácil. Tem, contudo, em Ray Palmer (o segundo Átomo, conhecido como Eléktron entre a audiência lusófona) o seu melhor amigo. Ligação que remonta à Idade de Prata dos quadradinhos quando ambos partilharam a mesma revista;
*Um quarto de século antes do enlace de Reed Richards e Susan Storm (o Senhor Fantástico e a Mulher Invisível, da Marvel), Carter Hall e Shiera Sanders foram o primeiro casal super-heroico a dar o nó;
*Na saga Crise de Identidade (já aqui esmiuçada), foi o Gavião Negro quem propôs a execução sumária do Doutor Luz. Foi essa a verdadeira origem da animosidade que o Arqueiro Verde nutre por ele e não, como até aí fora sugerido, as inconciliáveis posições políticas de cada um deles;

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A improvável amizade entre uma ave de rapina e um Pequeno Polegar.
*São notórias as influências da mitologia de Flash Gordon, especificamente dos Homens-Falcão de Mongo, na conceção visual do Gavião Negro. Embora em menor medida, essa influência é também detetável na arquitetura urbana de Thanagar evocativa, a espaços, das cidades flutuantes que servem de lar à raça alada imaginada por Alex Raymond em 1934;
*Gavião Negro foi o único totalista nas histórias da Sociedade da Justiça da América publicadas durante a Idade de Ouro, tendo sido também o mais duradouro líder daquela que foi a primeira agremiação super-heroica da história da banda desenhada;

Os Homens-Falcão das histórias de Flash Gordon serviram de modelo ao Gavião Negro.
*Ao longo dos anos, o Gavião Negro e a sua série periódica arrebataram diversos prémios e distinções, com destaque para o Alley Award de 1962 para o Melhor Herói;
*Na tabela dos 100 melhores super-heróis de todos os tempos organizada pelo site IGN, o Gavião Negro ocupa a 56ª posição, à frente, por exemplo, de personagens icónicas da Marvel como Punho de Ferro e Homem-Formiga;
*Em Terras Tupiniquins, o Gavião Negro recebeu diversos nomes por parte das editoras que, ao longo das décadas, assumiram a publicação das suas histórias. Começou por ser chamado de Falcão da Noite pelo Grande Consórcio de Suplementos, passando a Falcão com a RGE antes de ser rebatizado de Gavião da Noite pela Metal Pesado. Também noutros segmentos culturais teve a sua denominação clássica - consagrada pela EBAL nos anos terminais da década de 1970 - alterada para Homem-Águia (na dobragem da série animada Super Friends) e Homem-Pássaro (na linha de bonecos lançada pela Gulliver no início dos anos 80).

Hawkman by Bryan Hitch
Pássaro de guerra.

Noutros media

A transição do Gavião Negro para o segmento audiovisual (onde tem ainda presença modesta), ocorreu apenas depois da sua primeira reformulação nos quadradinhos e foi por ela fortemente influenciada. Ora a solo. ora integrado na Liga da Justiça, em 1967 o herói alado fez várias aparições na série animada Superman / Aquaman: Hour of Adventure, produzida sob os auspícios da Filmation.
Apesar das muitas semelhanças com Katar Hol, esta primeira versão animada do Gavião Negro apresentava, porém, elementos diferenciadores, como o uso de uma garra metálica acoplada no pulso em vez do tradicional arsenal medieval.

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Na sua primeira versão animada,
o Gavião Negro tinha como parceiro de aventuras um falcão chamado Skreal.
Seria, no entanto, graças à sua participação em Super Friends que, a partir de 1977, o Gavião Negro ganharia maior notoriedade junto do público. De então para cá, tem marcado pontualmente presença noutras produções animadas da DC, as quais têm, salvo raras exceções, privilegiado Katar Hol em prejuízo de Carter Hall.
Foi também na década de 70, mais concretamente em 1979, que o Gavião Negro fez a sua estreia televisiva em ação real. Interpretado por Bill Nuckols, foi um dos astros de Legends of Superheroes, minissérie especial em dois episódios de 60 minutos cada produzida pelos estúdios Hanna-Barbera e originalmente transmitida pelo canal ABC. Já este século, a Maravilha Alada deu um ar da sua graça em Smallville e em Legends of Tomorrow, cabendo, respetivamente, a Michael Shanks e Falk Hentschel emprestar-lhe o corpo.
Ainda sem vaga na atual franquia cinematográfica da DC, vêm-se intensificando os rumores acerca de uma possível longa-metragem baseada no Gavião Negro. Cuja existência no universo estendido da Editora das Lendas já foi, de resto, confirmada. Numa das prequelas ao filme Man of Steel, Thanagar foi referenciado por um membro do Conselho Científico de Krypton como "um planeta habitado por bárbaros".

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O Gavião Negro de Smallville (esq.) e a sua contraparte de Legends of Tomorrow.



terça-feira, 10 de abril de 2018

ETERNOS: ROY THOMAS (1940 - ...)


Stan Lee confiou-lhe a chave da Casa das Ideias e ele, não mais despindo a pele de guardião do templo, salvou-a da ruína iminente. Da sua incansável pena saíram histórias e personagens emblemáticas, pelas quais nem sempre foi reconhecido. Fascinado pela mitologia da Idade do Ouro, na DC - onde deu os primeiros passos e que quis rebatizar - cumpriu o sonho de trabalhar com os seus ídolos de infância.

De seu nome completo Roy William Thomas, Jr., aquele que, aos ombros de um gigante da 9ª Arte, entraria para os anais da Marvel Comics como seu segundo editor-chefe veio ao mundo a 22 de novembro de 1940 em Jackson, pitoresca cidade impregnada do charme sulista do Missouri.
Leitor voraz de banda desenhada desde que aprendera a juntar as primeiras letras, era ainda pessoa de palmo e meio quando começou a produzir as suas próprias historietas aos quadradinhos. Entre esses projetos editoriais dos seus verdes anos, recorda com especial carinho All-Giant Comics, título totalmente da sua autoria que tinha Elephant Giant (Elefante Gigante) como cabeça de cartaz.
Coincidindo com a (re)fundação da Marvel Comics, em 1961 Roy Thomas diplomou-se em Ciências Educativas (com dupla especialização em História e Literatura Americana) através da Southeast Missouri University, instituição pública com extensos pergaminhos na área da formação pedagógica.
Nesses idos de 60 era ainda intenso o fulgor da Idade da Prata, período em que se assistiu ao recrudescimento do género super-heroico após o declínio registado no pós-guerra. Fiel à sua paixão de sempre, Roy Thomas, recém-chegado à idade adulta, era, por aqueles dias, um dos mais dinâmicos membros da comunidade de fãs. Que tinha em Jerry Bails o seu fundador e mais venerado guru.
Doutorado em Física, Bails foi pioneiro no estudo do impacto cultural dos super-heróis, tendo sido também o primeiro a reconhecer-lhes valor académico. Instado pelo à época editor-chefe da DC, Julius Schwartz, em 1961 o bom doutor lançaria  Alter Ego, um fanzine que, malgrado o seu grafismo tosco, depressa se converteria no evangelho dos seus cada vez mais numerosos apóstolos.

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O primeiro número de Alter Ego foi lançado em 1961.
Entre aqueles que, com fervor religioso, alimentavam essa borbulhante subcultura ia sobressaindo um jovem professor de Inglês do Missouri chamado Roy Thomas. Em comum, ele e Bails possuíam ainda um profundo fascínio pela Idade do Ouro, mormente pelo respetivo panteão heroico.
Por meio de doutas análises e dissertações, Roy Thomas colaborou em Alter Ego desde o primeiro número, tornando-se dessa forma o braço-direito de Jerry Bails. Isto ao mesmo tempo que via serem publicadas várias cartas da sua lavra nas secções de correspondência da Marvel e da DC, onde granjeara o estatuto de habitué. Afirmando-se, sem embargo, como uma das vozes mais respeitadas no fandom norte-americano.
Quando, em 1964, Jerry Bails abandonou o fanzine para se dedicar a outros projetos, foi com naturalidade que passou o testemunho a Roy Thomas. Facto que poderá por alguns ser percecionado como um curioso prenúncio do seu percurso ascendente na Casa das Ideias ao longo da segunda metade desse decénio.
A despeito da sua determinação em não deixar Alter Ego definhar, privando desse modo os fãs de uma inestimável fonte de informação numa época em que a Internet pertencia ao domínio da mais delirante ficção científica, em 1965 Roy Thomas recebeu uma proposta irrecusável. A convite de Mort Weisinger, o temperamental editor das séries periódicas do Superman, Thomas abalou para Nova Iorque, para trabalhar como seu assistente.
Segundo contaria o próprio Roy Thomas, em entrevista datada de 2005, o surpreendente convite de Weisinger (com quem trocara apenas uma ou duas cartas) surgiu poucos dias depois de lhe ter sido concedida uma bolsa académica para financiar os seus estudos em Relações Internacionais na George Washington University, na capital federal dos EUA.
A esta escolha não deverá, contudo, ter sido alheia a circunstância de, poucos meses antes, Roy Thomas ter assinado uma história de Jimmy Olsen. Tal como Lois Lane, o fotógrafo do Daily Planet amigo do Homem de Aço dispunha na altura de série mensal em nome próprio.

Cover
A história de Roy Thomas
 publicada neste número da Superman's Pal Jimmy Olsen
rendeu-lhe um convite para trabalhar na DC.
Radiante com o se lhe prefigurava um emprego de sonho, Roy Thomas não pensou duas vezes antes de aceitar o convite de Weisinger. Este não era, no entanto, conhecido pelo seu trato fácil e logo despontaram as primeiras fricções entre ambos.
Ao fim de um dia de trabalho particularmente tenso, Roy Thomas, prestes a desmoronar emocionalmente, sentiu uma premente necessidade de extravasar as suas frustrações. Ocorreu-lhe fazê-lo através da escrita. A partir do seu minúsculo quarto de hotel em Manhattan, redigiu uma carta endereçada a ninguém menos do que Stan Lee. Essas singelas linhas mudariam para sempre a sua vida.
Thomas era um profundo admirador do trabalho que Lee vinha desenvolvendo no posto de editor-chefe da Marvel, e disso mesmo lhe deu conta na missiva que lhe enviou. Na esperança de que o mestre-de-cerimónias da Casa das Ideias se lembrasse dele do tempo em que colaborara no fanzine Alter Ego, Thomas convidou o seu ilustre interlocutor para uma bebida e dois dedos de prosa.
Tratou-se, todavia, de um gesto de simples cortesia. Conforme Roy Thomas reiterou em diversas ocasiões, apesar da sua insatisfação laboral, não tinha em mente candidatar-se a um emprego na concorrente que mordia os calcanhares à companhia para a qual trabalhava na altura.
A resposta de Stan Lee surgiu logo no dia seguinte sob a forma de um telefonema. O Papa da Marvel lembrava-se bem de Roy Thomas e desafiou-o a realizar o teste de escrita a que a editora submetia os aspirantes a roteiristas.
Embora constrangido, Roy Thomas resolveu de todo o modo juntar o útil ao agradável. Com o referido teste a consistir, tão-somente, na inserção de diálogos em quatro páginas a preto e branco de Fantastic Four Annual nº2 desenhadas por Jack Kirby. Seria, de resto, uma das últimas vezes em que esse método de seleção de candidatos foi aplicado na Casa das Ideias.
No dia seguinte, quando trabalhava no seu cubículo no quartel-general da DC, Roy Thomas recebeu o telefonema de um funcionário da Marvel que lhe transmitiu o convite de Stan Lee para que almoçassem juntos naquele mesmo dia.
Durante o repasto partilhado num modesto restaurante na baixa de Manhattan, Stan Lee propôs a Thomas que trocasse a DC pela Marvel. Proposta que o segundo, embora aturdido, aceitou de bom grado.
Regressado à Editora das Lendas, Roy Thomas logo cuidou de informar Mort Weisinger da sua decisão de ir trabalhar em breve para a arquirrival. Com a rispidez que o caracterizava, Weisinger ordenou-lhe, porém, que limpasse de pronto a sua secretária.
Apenas oito dias após ter sido contratado pela DC - e menos de uma hora depois de ter aceitado o convite de Stan Lee -, Roy Thomas mudou-se de armas e bagagens para a Casa das Ideias. Onde tinha já à sua espera a sua primeira empreitada literária: uma história para Modeling With Millie (decana das séries humorísticas da Marvel) que, em virtude do prazo apertado, escreveu contrarrelógio. E pela qual, devido a um alegado lapso editorial, não chegaria a ser creditado.

Modeling with Millie #52
A primeira história de Roy Thomas para a Marvel
 foi publicada nesta série humorística.
Roy Thomas recorda assim esses seus frenéticos primeiros dias na Casa das Ideias: «A minha primeira categoria profissional na Marvel Comics foi "escritor de apoio". O meu trabalho consistia em datilografar manuscritos 40 horas por semana com o gerente de produção Sol Brodsky e a sua secretária. Toda a gente que aparecia no escritório passava por mim e os telefones não paravam de tocar. Como se isso não perturbasse suficientemente a minha concentração, Stan Lee, seguindo uma prática consagrada, verificava pessoalmente cada uma das histórias finalizadas, trocando impressões com Brodsky a pouco passos da minha secretária. Era também comum Stan pedir-me para fazer outras coisas, ou perguntar-me em que edição tivera lugar determinada história, dado o meu sólido conhecimento da continuidade da Marvel naquela altura. Depressa, porém, ficou claro para todos que aquilo não estava a funcionar e Stan promoveu-me a redator assistente.»
Naqueles dias de glória em que das suas paredes a imaginação escorria em cascata, a Casa das Ideias tinha em Stan Lee e no seu irmão, Larry Lieber, os seus principais escribas. Recolhendo, numa primeira fase, as sobras das tramas planeadas por Lee, Roy Thomas, para despeito de alguns escritores veteranos ao serviço da editora,  logrou tornar-se presença assídua.

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Da esq. para a dir.: Stan Lee, Jack Kirby e Larry Lieber,
os Três Mosqueteiros da Casa das Ideias.  

Roy Thomas seria o seu D'Artagnan. 

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Em janeiro de 1966, uma história do Homem de Ferro saída da pena de Roy Thomas foi publicada em Tales of Suspense nº73, marcando assim a sua estreia com aqueles que eram os maiores astros da companhia: os super-heróis.
Nesse mesmo mês, duas outras histórias da sua lavra foram também dadas à estampa pela Charlton Comics*, editora com a qual colaborara brevemente como autor freelancer. Apesar de não ter ficado particularmente impressionado com esses trabalhos de Thomas para a rival, em abril de 1966 Stan Lee confiou-lhe o seu primeiro título.
Durante exatamente um ano, Sgt. Fury and his Howling Commandos teve as suas histórias ambientadas na II Guerra Mundial escritas por Roy Thomas. Que, logo depois, assumiria Uncanny X-Men e The Avengers, duas das séries mais emblemáticas da Marvel.
A uma forte noção de continuidade, Roy Thomas aliava uma notável versatilidade narrativa que lhe permitia abordar com idêntico à-vontade histórias de caráter intimista ou epopeias cósmicas, como a guerra Kree-Skrull.
A este propósito declarou Thomas numa entrevista dada em 1981: «Uma das razões pelas quais Stan Lee apreciava o meu trabalho era porque sentia que podia confiar em mim ao ponto de não ter que ler nada do que eu escrevia. Quanto muito, leria uma ou duas páginas apenas para garantir que eu permanecia no caminho certo.»

Sgt Fury Vol 1 30


Avengers Vol 1 58

X-Men Vol 1 39
Três dos títulos Marvel em que Roy Thomas imprimiu o seu cunho.
Cada vez mais requisitado, em julho de 1968 Roy Thomas escapuliu-se durante alguns dias para casar com Jean Maxey, a sua primeira mulher. Mas nem durante a lua-de-mel do casal Thomas deu descanso à pena. Durante as suas férias caribenhas escreveu o casamento de Hank Pym e Janet Van Dyne ( o Homem-Formiga e a Vespa), aquele que se tornaria um dos capítulos mais memoráveis da história dos Vingadores.
O ano de 1969 teve um travo agridoce para Roy Thomas. Investido da espinhosa missão de contrariar a morte anunciada de Uncanny X-Men - título que se havia transformado num cemitério de roteiristas - Roy Thomas mais não conseguiu do que adiar o inevitável. Meses depois seria, porém, agraciado com o primeiro prémio de relevo da sua carreira pejada deles: o Alley Award para melhor escritor.
No que alguns consideram ter sido uma jogada de alto risco, em 1970 Roy Thomas introduziu o género Espada e Feitiçaria no Universo Marvel. Fê-lo através de Conan the Barbarian, título baseado na personagem homónima idealizada por Robert E. Howard em 1932, e que fora um dos maiores expoentes da literatura pulp.
Combinando o texto ágil de Thomas com as belíssimas ilustrações de Barry Windsor-Smith, a série do errático gigante cimério redundou num estrepitoso sucesso, abrindo caminho para a sua transposição ao cinema. A meias com Gerry Conway**, em 1984 Roy Thomas assinou o enredo de Conan the Destroyer, sequela de Conan the Barbarian. Filme que, recorde-se, um par de anos antes, apresentara ao mundo o ex-Mister Olímpia Arnold Schwarzenegger.

Conan the Barbarian 1


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Primeiro na BD e depois no cinema,
Conan foi um sucesso com o dedo de Roy Thomas.
Mesmo depois de, em 1972, Stan Lee lhe ter confiado as chaves do reino dourado, Roy Thomas, assim alcandorado a editor-chefe da Marvel, continuou a produzir histórias a uma cadência estonteante. Dedicando-se de alma e coração à sua nova missão, lançaria também séries inéditas que se revelariam apostas ganhas. Casos, por exemplo, de The Defenders e What If?, esta última introduzindo o conceito de realidades alternativas.
Ao mesmo tempo que, animado pelo seu imorredouro fascínio pela Idade do Ouro, criava os Invasores (coletivo que agrupava alguns dos ícones dessa era, como Capitão América e o Príncipe Submarino), a sua prodigiosa imaginação gerou uma nova safra de personagens icónicas. Punho de Ferro, Motoqueiro Fantasma e Miss Marvel seriam adições de peso ao panteão da Casa das Ideias.
Ainda hoje um acérrimo defensor dos direitos autorais, Roy Thomas teve um amargo de boca ao não ser creditado como cocriador de Wolverine. Nome que, na sua qualidade de editor-chefe, havia sugerido a Len Wein e John Romita, em alternativa a The Badger. Curiosamente, anos depois, seria essa a alcunha dada por Mike Baron ao seu anti-herói celebrizado pela First Comics***.
Levando em conta esses e outros precedentes, Roy Thomas preferiu amiúde a reciclagem de conceitos preexistentes à criação de personagens inéditas. Entre os que por ele foram resgatados das brumas da memória destacam-se Adam Warlock, Visão e Cavaleiro Negro, cujas versões modernas se tornaram casos sérios de popularidade.

Foto de Ricardo Cardoso.


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Miss Marvel, Punho de Ferro e Motoqueiro Fantasma:
três criações icónicas de Roy Thomas para a Casa das Ideias.
Apesar de ter abandonado as funções de editor-chefe da Marvel em 1974, Roy Thomas não mais despiu a pele de guardião do templo. Tendo a sua intervenção sido providencial para, volvidos três anos, salvar a editora da bancarrota iminente.
Graças à sua perseverança e capacidade negocial, a adaptação oficial do primeiro filme da saga Star Wars foi lançada sob a chancela da Marvel. Projeto que antecedeu uma lucrativa série mensal baseada no universo imaginado por George Lucas, e cujas histórias ficaram inicialmente a cargo do próprio Roy Thomas.

Marvel Special Edition Featuring Star Wars Vol 1 1
A adaptação aos quadradinhos de Star Wars
 foi o deus ex machina da crise financeira que afetava a Marvel.
Após um longo braço-de-ferro com Jim Shooter (o novo editor-chefe da Marvel), motivado por disputas criativas, em 1981 Roy Thomas assinou um contrato de exclusividade com a DC válido por três anos. Nesse mesmo ano casou, em segundas núpcias, com Danette Couto, que se tornaria sua parceira criativa nessa nova fase seminal da sua carreira. Pela mão do marido, Danette (celebrizada como Dan Thomas) seria, aliás, a primeira mulher a escrever as histórias da Princesa Amazona.
Numa altura em que a Editora das Lendas fora já destronada pela Marvel na preferência dos leitores, Roy Thomas conseguiu dar novo impulso a vários dos seus títulos de charneira. Graças ao seu toque de Midas, Wonder Woman, DC Comics Presents e Legion of the Super-Heroes recuperaram a vitalidade de outrora.
Embalado por estes sucessos - e tendo em mente projetar uma imagem de maior dinamismo -, Roy Thomas propôs rebatizar a DC. Iniciais que, no seu entendimento, deveriam doravante corresponder a Dynamic Comics.
Apesar desta sua ideia ter sido liminarmente rejeitada pela direção da empresa, Roy Thomas cumpriria entretanto um sonho de infância: escrever as histórias da Sociedade da Justiça da América.  Grupo que reunia alguns dos maiores heróis da Idade do Ouro e que, graças à sua mestria e dedicação, foi devolvido à ribalta nas páginas de All-Star Squadron.
Já com mais de uma dúzia de comendas a adornar-lhe o currículo, em 1985 Roy Thomas foi uma das 50 personalidades homenageadas pela DC, no âmbito das comemorações do 50º aniversário da editora. Outras honrarias se seguiriam, invariavelmente recebidas com a humildade que sempre caracterizou aquele que é, sombra de dúvidas, um dos maiores vultos da 9ª Arte.

Sociedade da Justiça da América em All-Star Squadron:
o regresso de um clássico com a assinatura de Roy Thomas.
 A partir da década seguinte, começaram no entanto a rarear as colaborações de Roy Thomas com as grandes editoras, preteridas em relação às companhias independentes. 
Numa espécie de regresso às origens, em 1999 relançou Alter Ego, agora como uma revista formal editada pela TwoMorrows Publishing.A residir desde 2006 na Carolina do Sul, em anos mais recentes Roy Thomas tem-se desdobrado entre a atividade literária e as suas funções de dirigente da Hero Initiative. Organização solidária sem fins lucrativos que presta assistência aos deserdados da indústria dos quadradinhos. Pelo meio, em 2014, escreveu 75 Years of Marvel: From  the Golden Agen to the Silver Screen, um imponente volume de 700 páginas que compila a história da Casa das Ideias desde a sua fundação até à atualidade.
Ontem como hoje, Roy Thomas possui o condão de ser o homem certo no lugar certo e no tempo certo. Ter crescido à sombra de titãs da  9ª Arte, serviu apenas para o transformar num deles.

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A rediviva Alter Ego.

Roy Thomas com Stan Lee na apresentação de
 75 Years of Marvel: from the Golden Age to the Silver Screen.
Uma obra para a eternidade.


*http://bdmarveldc.blogspot.pt/2018/03/fabricas-de-mitos-charlton-comics.html
**http://bdmarveldc.blogspot.pt/2016/03/eternos-gerry-conway-1952.html
***http://bdmarveldc.blogspot.pt/2017/03/fabrica-de-mitos-first-comics.html



















































sábado, 1 de abril de 2017

GALERIA DE VILÕES: VANDAL SAVAGE



  Através de incontáveis eras este tirano imortal, quase tão antigo como a própria Humanidade, usou vários nomes e fez colapsar civilizações inteiras. Arqui-inimigo da Sociedade da Justiça da América, continua a ter nela o principal obstáculo aos seus planos de dominação mundial. Entretanto, vai conquistando protagonismo mediático por via das suas participações nas séries televisivas da DC.

Licenciadora: Detective Comics (DC)
Criadores: Alfred Bester (história) e Martin Nodell (arte conceptual) 
Primeira aparição: Green Lantern Vol.1 nº10 (dezembro de 1943)
Identidade civil: Vandar Adg II
Alter egos: Na sua existência multissecular, foram inúmeras as figuras históricas alegadamente encarnadas por Vandal Savage. Com destaque para Caim (filho de Adão e Eva, irmão de Abel e o primeiro dos homicidas); Khafra (Faraó egípcio); Genghis Khan (conquistador mongol); Alexandre, o Grande (Imperador macedónio); Vlad, o Empalador (príncipe romeno que inspirou a criação do Conde Drácula); Barba Negra (pirata inglês do século XVIII) e Jack, o Estripador (assassino em série que aterrorizou a Londres vitoriana).
Local de nascimento: Terra-2, ano 50.000 A.C.
Parentes conhecidos: Vandar Adg (pai, falecido), Imperador Júlio César (pai adotivo, falecido), Scandal Savage (filha), Grendel (filho), Kassandra Sage (filha), Roy e Lian Harper (descendentes)
Base de operações: Móvel
Afiliações: Ex-líder da Tribo do Sangue (Blood Tribe); membro fundador dos Illuminati e da Sociedade da Injustiça (Injustice Society); ex-líder do Tartarus; atual membro dos Cavaleiros do Demónio (Demon Knights)
Armas, poderes e habilidades: Exposto, 50 mil anos atrás, à radiação de um misterioso meteorito que havia despencado na Terra, Vandal Savage não só adquiriu imortalidade como teve toda a sua fisiologia incrementada.
À sua força, velocidade e resistência sobre-humanas, acresce um fator de cura acelerada. Cuja ação se caracteriza no entanto pela intermitência. Ora lhe permite recuperar quase instantaneamente de quaisquer ferimentos assestados ora lhe garante apenas proteção contra aqueles que lhe poderão ser fatais. A imunidade aos efeitos do envelhecimento contrasta, por exemplo, com a não inibição dos efeitos do álcool no seu organismo. Circunstância que permite a Vandal Savage embriagar-se a seu bel-prazer como qualquer reles mortal.
Embora conserve a sensibilidade à dor, ao longo do tempo Vandal Savage desenvolveu-lhe uma extraordinária resistência. A qual lhe permite suportar aquelas que esporadicamente o fustigam e que têm origem nas células cancerígenas presentes no seu corpo.
Histórias recentes revelaram que, aquando da sua exposição ao meteorito irradiado, Vandal padecia de cancro. À semelhança dos tecidos saudáveis, as células deterioradas constituem, portanto, parte integrante do seu corpo. Logo, não podem ser removidas sem que o seu fator de cura as restaure.
Em complemento ao aprimoramento físico de que foi alvo, Vandal Savage teve também as suas funções cognitivas amplificadas. Daí resultando um assombroso salto evolutivo do seu cérebro primitivo de Cro-Magnon para o de Homo sapiens. Dito de outro modo, passou de homem das cavernas a homem moderno num abrir e fechar de olhos.

A selvajaria da Tribo do Sangue chefiada por Vandal Savage.
Na continuidade emanada de Os Novos 52 ficou estabelecido que o meteorito irradiado que transformou Vandal Savage era, afinal, de origem kryptoniana. A fim de prevenir o impacto catastrófico de um cometa com Krypton, Im-El, um remoto antepassado de Kal-El, desviara a sua trajetória para a Terra (então um mundo recém-formado e, supõe-se, desabitado). Sendo portanto o referido meteorito um fragmento desse corpo celeste que quase causou a destruição do planeta natal do Super-Homem milhares de anos antes do seu nascimento.
A longevidade de Vandal Savage através dos séculos possibilitou-lhe, por outro lado, acumular vasto conhecimento nas mais diversas áreas. Desde a política à literatura, passando pela medicina ou por qualquer outra que ele considere útil ao seu projeto pessoal de poder. Aprendeu igualmente incontáveis línguas (algumas das quais, como o latim, há muito extintas), inscrevendo o poliglotismo no seu catálogo de valências.
Da sua convivência com grandes lideres mundiais, como Júlio César ou Napoleão Bonaparte, resultou também uma profunda aprendizagem nos campos da tática militar e da geoestratégia. Ensinamentos que ele vem usando habilmente nos seus desígnios de conquista mundial.
Aquilo que, no entanto, torna Vandal Savage uma séria ameaça para a Humanidade são as suas conexões com organizações e personalidades detentoras de enorme poder e influência. Com a assistência delas, o vilão pode facilmente ascender a qualquer posição política ou financeira que lhe permita condicionar a ação de governos ou de coletivos heroicos por eles patrocinados (caso, por exemplo, do Esquadrão Suicida).
Conjetura-se ainda que Vandal Savage será capaz de viajar através de dimensões paralelas, ou seja, entre as várias Terras que compõem o atual Multiverso DC. A possuir de facto tal talento, ignora-se se este advirá dos seus próprios recursos ou de algum artefacto místico ou aparato tecnológico por ele utilizado. E este poderá até nem ser o seu único poder oculto no capítulo das viagens temporais e interdimensionais. Permanecendo, contudo, inexplorado devido ao receio do vilão de que daí resulte algum tipo de paradoxo que faça perigar a sua existência.
Lutador exímio e implacável, Vandal Savage é proficiente em diversas artes marciais e no manejo de todo o tipo de armas. Sentindo-se portanto à vontade no campo de batalha onde sobressai sempre a sua brutalidade cavernícola. Evita, contudo, sempre que possível, o confronto direto com o seu oponentes. Preferindo, ao invés, o recurso a manobras táticas mais elaboradas para os sobrepujar.
Em qualquer época ou lugar, Vandal Savage é sempre um inimigo formidável que já mediu forças com vários pesos-pesados do Universo DC, como o Super-Homem ou a Sociedade da Justiça da América.

De homem das cavernas a conquistador imortal.
Fraquezas: Vandal Savage necessita consumir o seu próprio ADN para se recuperar de uma grande quantidade de danos externos. Para esse efeito, tem de canibalizar os seus clones e os seus descendentes, sob pena de sucumbir aos ferimentos.
Por vezes, a renovação dos seus poderes requer igualmente que ele beba o sangue ou devore os órgãos vitais dos seus inimigos. Evidências arqueológicas sugerem, aliás, que Vandal Savage terá sido o primeiro canibal da História.
Desde que, num passado recente, foi aprisionado num asteroide, a sua imortalidade também aparenta ter ficado debilitada.

Savage devora o coração de Solomon Grundy
para repor os seus poderes.
Origem e histórico de publicação: Conceito desenvolvido por Alfred Bester e Martin Nodell, Vandal Savage entrou pela primeira vez em cena em dezembro de 1943, nas páginas de Green Lantern nº10. E não foi por acaso. Três anos antes, Nodell apresentara ao mundo Alan Scott*, o primeiro dos Lanternas Verdes. Numa época em que o Gladiador Esmeralda ainda lidava apenas com delinquentes comuns, Savage foi o primeiro supervilão com que o herói se deparou.

Na sua estreia em Green Lantern nº10 (1943),
Vandal Savage era apresentado como "O homem que queria o mundo".
Depois do Lanterna Verde, e ao longo de toda a Idade do Ouro, Savage tornar-se-ia um dos mais proeminentes antagonistas da Sociedade da Justiça da América (SJA). Cuja existência futura lhe fora revelada, vários séculos antes, por um poderoso mago. E que ele sabia estar predestinado a batalhar.
A história de Vandal Savage confunde-se com a da própria Humanidade. 50 mil anos atrás, quando era ainda Vandar Adg, líder da cruel Tribo do Sangue, foi banhado pela radiação de um misterioso meteorito que lhe aumentou a inteligência e o tornou imortal. Caminha desde então sobre a Terra, usando diferentes nomes, mas sempre com o mesmo obejtivo: conquistar o mundo.
No Multiverso da DC pré-Crise nas Infinitas Terras, Vandal Savage era originário da Terra-2. Contudo, a existência dos mundos paralelos - e, em particular, da Terra-1 - foi-lhe revelada nos primórdios da sua jornada milenar pelo mesmo mago que antecipara o surgimento da SJA.
A primeira marca deixada na História por Vandal Savage foi a destruição da Atlântida. Acolitado por um grupo de pessoas que ficaria conhecido por Illuminati (organização que lidera até hoje), Vandal minou as fundações da sociedade atlante, provocando o seu colapso.
A Atlântida não terá sido, porém, a única vítima de Vandal Savage. Que se vangloria de ter governado centenas de outras civilizações e impérios no decurso dos séculos. Genghis Khan ou Alexandre, o Grande foram algumas das personas por ele usadas para estender o seu domínio a vastas áreas do globo.
A SJA curvada a um Vandal Savage triunfante.
Com o tempo percebeu, no entanto, que tal proeminência lhe poderia ser fatal, preferindo daí em em diante trabalhar nos bastidores da História. Ora como confidente ora como conselheiro, mas respondendo sempre por diferentes nomes, Savage influenciaria as decisões de grandes líderes mundiais, como Napoleão Bonaparte ou Otto von Bismarck (a quem terá auxiliado a planear a invasão da França). Ainda por terras gaulesas, aproveitou as suas funções de médico da Corte, no reinado de Francisco I, para usar a família real como cobaias para as suas experiências secretas com sífilis.
Escusado será dizer que ao longo de tão extenso percurso Vandal Savage foi colecionando inimigos, muitos dos quais poderosos. Nenhum no entanto o arreliou tanto como o Homem Imortal (ver O némesis). E nem mesmo depois de ele ter apagado a própria existência para salvar o mundo dos efeitos da Crise das Infinitas Terras, Vandal pôde respirar de alívio. No seu lugar surgiu Ressurreição (Resurrection Man), personagem com poderes similares aos do Homem Imortal e que, tal como o seu antecessor, não mais deu descanso ao vilão.
Na realidade de Os Novos 52, Vandal Savage é um dos Cavaleiros do Demónio que, na Idade Média, mantêm o mundo a salvo de ameaças místicas e sobrenaturais.  Nesta sua encarnação medieval, o vilão é retratado como um boémio que viaja pelo mundo interessado apenas em desfrutar dos prazeres que este tem para oferecer.
Resta, pois, saber que papel lhe estará reservado em Renascimento, a mais recente revitalização do Universo DC. Recuperará Vandal o estatuto de vilão de referência? Agirá sozinho ou em grupo? Respostas que só o tempo trará.

Vandal Savage lutando ao lado de Etrigan,
outro dos Cavaleiros do Demónio.
* Prontuário disponível em http://bdmarveldc.blogspot.pt/2017/01/herois-em-acao-lanterna-verde.html

Personalidade: Fruto das muitas vidas que viveu em diferentes épocas, Vandal Savage tem dado provas de enorme inteligência e resiliência ao conseguir adaptar-se ao caleidoscópio de contextos históricos em que se movimenta. Fê-lo ora assumindo-se como figura dominante no seio de determinada sociedade ora influenciando certos acontecimentos-chave.
Nem sempre os seus métodos primam, contudo, pela subtileza. Não raro, recorre à violência mais primária para atingir os seus objetivos. Esse é, aliás, um dos aspetos mais interessantes da sua singular psicologia. A despeito da sua sofisticação intelectual, o comportamento do vilão emula frequentemente o de um qualquer macho alfa.
À imagem e semelhança do que tantas vezes acontecia no período pré-histórico, quando uma tribo de primatas atacava outra para se apossar do seus recursos, das investidas de Vandal Savage resultam invariavelmente banhos de sangue que não poupam ninguém. Nem mesmo mulheres e crianças.
Ficando assim demonstrado que, por detrás da sua fachada polida de homem culto e cosmopolita, se esconde um selvagem de perturbadora ferocidade. Nesse estado de irracionalidade, que contrasta com o seu perfil habitualmente frio e calculista, o vilão torna-se presa fácil para alguns dos seus adversários mais astutos, que não hesitam em tirar proveito da sua ausência de discernimento para sobre ele levarem a melhor.
Vandal Savage recusa, no entanto, o rótulo de selvagem, definido-se, ao invés, como um visionário que faz uso do seu conhecimento e influência para moldar o curso da História de acordo com a sua conveniência.
Egoísta e avaro, o vilão aparenta ser destituído de qualquer vestígio de empatia ou compaixão pelos seus semelhantes. Sendo a sua filha dileta e herdeira designada (ver texto seguinte) a única exceção ao profundo desprezo que ele nutre pela Humanidade, aos seus olhos enfraquecida pela pusilanimidade dos seus líderes.

Um janota troglodita ou um troglodita janota?

A herdeira: A imortalidade de Vandal Savage não o impediu de procriar. Embora a sua prole conhecida seja composta por Scandal Savage (uma assassina de gabarito mundial que se presume ter herdado a imortalidade do seu progenitor), Grendel (o demónio de Beowulf*) e Kassandra Sage (uma agente do FBI introduzida na continuidade de Os Novos 52), ele apenas reconhece a primeira como sua legítima herdeira. De mãe brasileira não identificada, Scandal vem, por isso, sendo preparada desde a infância pelo pai para lhe suceder. Algo que, considerando o forte apego de Vandal ao poder, não deverá acontecer tão cedo.

A herdeira de Vandal Savage é
E(Scandal)osamente parecida com X-23.
* Poema épico inglês de autor desconhecido que os especialistas estimam ter sido escrito algures entre os séculos VIII e XI.

O némesis: O mesmo meteorito irradiado que concedeu a imortalidade a Vandal Savage foi também a fonte de poder do seu maior inimigo. Além de talentos psiónicos, o Homem Imortal (Immortal Man) detinha a capacidade de reencarnar numa pessoa diferente de cada vez que morria.
Antes da transformação, era Klan Arg, um bravo guerreiro da Tribo do Urso, arquirrival da Tribo do Sangue liderada por Vandar Adg. A quem perseguiu ao longo dos séculos, sem que contudo tenha alguma vez saído um vencedor claro dos incontáveis confrontos travados pelos dois.

Os muitos rostos do Homem Imortal.

Apontamentos:

*Savage reclama para si os créditos pela invenção da faca de trinchar, 34 mil anos atrás. Ainda segundo ele, terá ajudado Moisés a comandar a fuga dos judeus do Egito e sobrevivido à destruição da biblioteca de Alexandria ocorrida há 1600 anos;
*Na Terra-2 que lhe serviu de berço no período pré-Crise nas Infinitas Terras, Savage foi o Barba Negra, e Edward Thatch (o homem que, no mundo real, foi o lendário pirata), aparentemente, nunca teria existido. No entanto, em algumas dimensões paralelas do Multiverso original (Terra-1, Terra-S, etc.), Thatch não só existia como se notabilizou como Barba Negra;
*Especula-se que Vandal Savage poderá vir a conhecer o seu fim no ano 85271 D.C., quando ele for enviado para a Montevideu do século XX segundos antes de a capital uruguaia ser dizimada por uma detonação termonuclear. Ação, ironicamente, ordenada pelo próprio vilão. Ressalve-se, todavia, que este cenário corresponde tão-só a um possível futuro;
*Conquanto Vandal Savage tenha sido introduzido na cronologia prévia a Crise nas Infinitas Terras, a sua existência após esses eventos manteve-se intacta. Alguns dos elementos dessa fase pregressa poderão, porém, ter sido removidos e/ou alterados na nova continuidade da DC, pelo que deverão ser desconsiderados para efeitos canónicos;

Vandal Savage espalhando o terror como Barba Negra.
Noutros segmentos culturais: Na lista dos cem melhores vilões dos quadradinhos de todos os tempos, organizada em 2009 pela IGN (plataforma digital dedicada às diversas áreas do entretenimento), Vandal Savage ocupa um honroso 36º lugar. À frente, por exemplo de outros grandes expoentes do Mal como Thanos (Marvel) ou Anti-Monitor (DC).
Ainda sem espaço no Universo Cinemático DC, desde o início do século que Vandal Savage vem sendo um habitué nas produções televisivas baseadas na mitologia da Editora das Lendas. Com efeito, a sua estreia no pequeno ecrã ocorreu em Justice League, série animada de grande sucesso, no ar entre 2001 e 2004, e na qual ele participou em vários episódios. Com uma origem praticamente idêntica à da sua contraparte da banda desenhada, o vilão imortal teve, porém, revista a sua data de nascimento. Em vez de ter vindo ao mundo 50 mil anos atrás, nesta versão ele atormentava a Humanidade há "apenas" metade do tempo.

Vandal Savage ao serviço do 3ª Reich
em Justice League.
Ainda pelo campo da animação com o selo da DC, Vandal Savage foi o antagonista principal na série Young Justice (2010-2013) e no filme Justice League: Doom (2012). Neste último, ele funda a infame Legião do Mal para tentar neutralizar a Liga da Justiça, o maior obstáculo aos seus desígnios megalómanos e genocidas.
Atendendo pelo nome de Curtis Knox e interpretado por Dean Cain (o Homem de Aço de Lois & Clark: The New Adventures of Superman), Vandal Savage fez o seu debute em séries de ação real em 2007, num episódio da sétima temporada de Smallville, intitulado Cure. Embora no guião original a personagem surgisse identificada pelo seu verdadeiro nome, os produtores foram informados pelo estúdio de que não dispunham de autorização para o utilizar. Ficando, contudo, implícito que o Dr. Curtis Knox era um alter ego de Vandal Savage. Noção, de resto, reforçada quando, anos depois, o vilão reciclou essa persona num episódio de Legends of Tomorrow (em exibição desde 2016).

Dean Cain foi o primeiro ator
a dar vida a Vandal Savage em Smallville.
Antes, porém, Vandal Savage foi o vilão escolhido para apadrinhar o crossover entre as séries do Flash e do Arqueiro Verde. Agora interpretado por Casper Crump, esta segunda encarnação televisiva da personagem correspondia, de facto, a uma mescla com Hath-Set, um malévolo sacerdote nascido há 4 mil anos no Antigo Egito.
Com Casper Crump a repetir um papel que lhe assenta como uma luva, Vandal Savage esteve em grande plano na primeira temporada de Legends of Tomorrow. Responsável por um futuro opressivo e pela morte da família de Rip Hunter, é ele que motiva a formação do heterodoxo coletivo composto por heróis, mercenários e criminosos em processo de regeneração destinados a tornarem-se lendas do Amanhã.

Casper Crum como Vandal Savage
 no crossover Arrow/Flash.