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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

GALERIA DE VILÕES: BARÃO ZEMO


  Último representante de uma infame linhagem de aristocratas germânicos, do pai herdou o título nobiliárquico e o ódio visceral pelo Capitão América. O seu altruísmo distorcido levou-o, porém, a fundar os Thuderbolts, coletivo heroico com um segredo tão sórdido como o passado do seu líder. 

Denominação original: Baron Zemo
Licenciadora: Marvel Comics
Criadores: Tony Isabella/Roy Thomas (história) e Sal Buscema (arte conceptual)
Estreia (como Fénix): Captain America Vol.1 nº168 (Dezembro de 1973)
Estreia (como Barão Zemo): Captain America Vol.1 nº275 (Novembro de 1982)
Identidade civil: Helmut J. Zemo
Local de nascimento: Leipzig, Alemanha
Nacionalidade: Alemã
Parentes conhecidos: Heirinch e Hilda Zemo (pais, falecidos); Heike Zemo/Baronesa (esposa presumivelmente falecida) e demais antepassados da linhagem Zemo (ver Dinastia Maldita)
Ocupação: Engenheiro, aventureiro e terrorista internacional
Base operacional: Seguindo uma tradição fundada pelo avô paterno, Helmut Zemo operava, inicialmente, a partir do seu centenário castelo familiar, no leste da Alemanha. Seguiram-se, contudo, anos de itinerância que o levaram a diferentes latitudes do hemisfério setentrional, designadamente México e Nova Iorque. Até se fixar por fim na capital da Bagália (nação insular fictícia cuja população é, quase exclusivamente, composta por malfeitores), usando desde então a imponente Torre Zemo como centro nevrálgico das suas atividades subversivas.
Afiliações: Atual membro do Conselho Superior da HIDRA e financiador do Império Secreto, Zemo liderou outrora os Mestres do Terror e os Thunderbolts (vide respetivos prontuários infra)
Armas, poderes e habilidades: Zemo compensa a ausência de capacidades sobre-humanas com uma apreciável gama de recursos que, embora mais comezinhos, são quanto basta para fazer dele um dos supervilões mais cotados do Universo Marvel.
Menos genial e inventivo do que o seu defunto progenitor - que, ao longo da vida, colecionou patentes científicas - o atual Barão Zemo é ainda assim dono de um intelecto superior. Especialista em engenharia reversa, é também um exímio estratega e um manipulador nato. Se o primeiro atributo lhe permite tirar proveito de tecnologia alheia, este último é uma das suas imagens de marca.
Sob a influência de Zemo numerosos indivíduos bem intencionados foram já induzidos por ele a cometer toda a espécie de atrocidades. Carismático, é sempre fortíssimo o ascendente que o vilão exerce sobre aqueles que o rodeiam. Algo que ficou, aliás, bem patente no filme Capitão América: Guerra Civil (ver Noutros Media).
No ápice da forma física, Helmut Zemo possui uma compleição equivalente à de um atleta olímpico. É, no entanto, muito mais velho do que aparenta. Sobrevindo da toma regular do chamado Composto X - soro milagroso desenvolvido pelo seu pai - a extraordinária vitalidade por si exibida.
Esgrimista de classe mundial, Zemo tem na sua espada de adamantium uma extensão natural do seu corpo em cenários de combate mano a mano, conquanto seja igualmente destro no manuseamento de armas de fogo. Além do famigerado Adesivo X - outra das criações paternas - , de vários raios desintegradores e dispositivos de controlo mental, na sofisticada parafernália tecnológica de Zemo avulta ainda uma tiara psíquica que o vilão costuma acoplar no seu capuz a fim de se proteger de ataques telepáticos.
Nas gemas alienígenas de que espoliou Rocha Lunar- sua ex-subordinada e concubina - o Barão Zemo tem, incontestavelmente, as armas mais poderosas do seu arsenal. Graças a elas, o vilão consegue levitar, ampliar a sua força, desmaterializar-se e até viajar através do hiperespaço. Justificando-se assim plenamente o honroso 40º lugar que o Barão Zemo ocupa na lista dos 100 Maiores Vilões dos Quadradinhos organizada pela plataforma digital de entretenimento IGN.

Zemo preparado para a guerra com a sua espada de adamantium
 e as gemas surripiadas a Rocha Lunar.

Histórico de publicação

A despeito dos seus pergaminhos familiares, o debute de Helmut Zemo foi pouco promissor. Ou não tivesse ele encetado a sua carreira criminal como um vilão genérico e potencialmente descartável chamado Fénix (Phoenix, no original).
Facto pouco conhecido, foi, com efeito, sob esta persona que, em dezembro de 1973, Helmut Zemo se deu a conhecer aos leitores de Captain America nº168. Saído meses antes da imaginação de Tony Isabella, Roy Thomas e Sal Buscema, o seu processo de afirmação dentro do Universo Marvel foi particularmente moroso. Tendo o momento de viragem ocorrido quase uma década depois quando, em Capitain America nº275 (novembro de 1982), Helmut assumiu por fim o título de Barão Zemo, dando dessa forma continuidade ao sinistro legado paterno.

Fénix foi a primeira persona criminosa
 de Helmut Zemo.
Foi nesta edição de Captain America
que o Barão Zemo moderno (em baixo)
 fez a sua estreia oficial.


Consolidado o seu estatuto de vilão de referência ao longo da década de 1980, no início da seguinte o Barão Zemo demonstrou a sua multidimensionalidade ao fundar o coletivo heroico Thunderbolts. À semelhança do que sucedera com Magneto poucos anos antes, Zemo, mercê da sua ambivalência moral e de um certo altruísmo distorcido, passou de vilão a herói apenas para voltar a fazer o percurso inverso.
Vale a pena lembrar que, durante a sua fase heroica (que se prolongou mesmo após o desmantelamento dos Thunderbolts), Zemo procurou genuinamente retratar-se de alguns dos atos ignóbeis que havia cometido no passado. Contudo, a descoberta de que Bucky Barnes - o antigo sidekick do Capitão América presumivelmente morto pelo seu pai nos últimos dias da 2ª Guerra Mundial - se encontrava, afinal, vivo e de boa saúde, fez com que a faceta maligna de Zemo prevalecesse uma vez mais. Realidade aparentemente irreversível, conforme atestam as suas participações em algumas das sagas mais recentes da Casa das Ideias, designadamente no polémico Secret Empire (lançado este ano nos EUA e ainda inédito no universo lusófono).

Dinastia maldita

Com raízes na época medieval, a árvore genealógica de Helmut Zemo conta uma história de poder e ganância, mas também de coragem e patriotismo.
Tudo começou no longínquo ano de 1480 em Zeulniz, uma pequena vila alemã. Assediado por uma horda de saqueadores eslavos, o povoado foi salvo pela valentia de Harbin Zemo. Munido apenas de uma espada, este modesto funcionário público responsável pela proteção do celeiro comunitário desbaratou sozinho os invasores
Os ecos da façanha chegaram à sala do trono e o Imperador nomeou Harbin Zemo Barão de Zeulniz. Título nobiliárquico que seria daí em diante transmitido de pai para filho, fazendo perdurar até aos nossos dias a infame dinastia Zemo. Cuja linha sucessória, assente na primogenitura masculina, é a seguinte:

*Harbin Zemo: o 1º Barão Zemo e fundador da dinastia. Apesar do ato de bravura que lhe valeu a condição aristocrática, depressa se tornaria um déspota sanguinário. Morreu de velhice em 1503;
*Hademar Zemo: o 2º Barão Zemo, filho de Harbin, e o mais pusilânime  de toda a linhagem. A sua fraqueza ditaria que fosse morto às mãos da sua guarda pessoal, numa conjura encabeçada por Heller Zemo, o seu filho de apenas 12 anos de idade;
*Heller Zemo: o 3º Barão Zemo, filho de Hademar, e o mais progressista dos Zemos;
*Herbert Zemo: o 4º Barão Zemo, filho de Heller, e um orgulhoso guerreiro colecionador de glórias e inimigos. Assassinado pelos próprios generais;
*Helmuth Zemo: o 5º Barão Zemo, filho de Heller. Assassinado pelo Barão Zemo moderno durante uma das suas viagens no tempo;
*Hackett Zemo: o 6º Barão Zemo, filho de Helmuth. Quase matou o atual Barão Zemo quando este monitorizava a sua atividade por volta de 1710;
*Hartwig Zemo: o 7º Barão Zemo, filho de Hackett. Morto em combate quando participava na Guerra dos Sete Anos (1756-1763);
*Hilliard Zemo: o 8º Barão Zemo, filho de Hartwig;
*Hoffman Zemo: o 9º Barão Zemo, filho de Hilliard;
*Hobart Zemo: o 10º Barão Zemo, filho de Hoffman. Morto às mãos de camponeses amotinados durante as revoltas que se seguiram à proibição do socialismo em terras germânicas decretada pelo Imperador Guilherme I;
*Herman Zemo: o 11º Barão Zemo, filho de Hobart e avô do atual Barão Zemo. Combateu os Aliados durante a I Guerra Mundial, causando-lhes numerosas baixas com a sua própria fórmula do terrível gás mostarda;
*Heinrich Zemo: o 12º Barão Zemo, filho de Herman e pai do atual detentor do título. Um dos maiores cientistas ao serviço de Hitler durante a II Guerra Mundial, tornou-se arqui-inimigo do Capitão América, tendo sido responsável, na ponta final do conflito, pela presumível morte do herói e de Bucky Barnes, seu adjunto juvenil;
*Helmut J. Zemo: o 13º e atual Barão Zemo, filho de Heinrich. A sua dramática história é resumida no texto seguinte.

Helmut Zemo descende de uma longa linhagem varonil.

Origem

Único descendente conhecido de um aristocrata germânico que era também uma das mais prodigiosas mentes científicas ao serviço do 3º Reich, Helmut Zemo soube-se desde muito cedo predestinado à grandeza e à perversidade.
Nascido em meados da década de 1930 em Leipzig, no leste da Alemanha. Helmut passou parte da sua juventude em Berlim. Enquanto o pai, Heinrich Zemo, inventava armas de destruição em massa para os nazis, Helmut desenvolveu, durante esse período, uma paixão secreta por comics, filmes e outros produtos culturais norte-americanos.
Embora venerado pela família e pelos seus correligionários, Heinrich Zemo era profundamente odiado pelas potências aliadas. Sentimento que se estenderia ao seus próprios compatriotas após a vexatória derrota que lhe foi imposta pelo Capitão América e pelo Comando Selvagem*.
Temendo pela sua segurança e dos seus entes queridos, Heinrich, entretanto celebrizado como Barão Zemo, começou a usar um capuz que lhe cobria integralmente o rosto.
Pouco tempo depois de ter criado o famigerado Adesivo X (uma supercola impossível de remover por qualquer processo conhecido na época), o Barão Zemo enfrentou pela primeira vez o Capitão América, empenhado em impedir que a substância fosse usada contra as tropas aliadas.
Atingido pelo escudo do herói no calor da refrega, Zemo caiu dentro de uma vasilha contendo Adesivo X. Apesar de ter sobrevivido ao incidente, o vilão não mais conseguiria remover o capuz e a roupa que usava naquele dia. Consequentemente, passaria a ser alimentado por via intravenosa até ao fim da vida.

O Barão Zemo clássico
 foi uma criação de Stan Lee e Jack Kirby,
 cuja estreia ocorreu em The Avengers nº6 (1964).
Cada vez mais demencial, Heinrich fez da mulher e do filho os seus bodes expiatórios, molestando-os constantemente. Por contraste com a mãe - que ajudaria o Capitão América a travar um dos sórdidos planos do marido - Helmut manteve-se sempre leal ao pai. Lealdade que não seria de todo recompensada.
Procurado por crimes de guerra, em 1945 (pouco depois de ter, aparentemente, causado a morte do Capitão América e Bucky), o Barão Zemo fugiu da Alemanha e buscou refúgio nas profundezas da floresta amazónica. Deixando para trás o filho e a pátria reduzida a escombros fumegantes.
Na prolongada ausência paterna, Helmut, determinado em levar uma vida normal, viajou pelo mundo e formou-se em engenharia. Incapaz de escapar à sua herança familiar, o jovem Zemo seria, no entanto, convocado pelo pai ao seu reino amazónico. Onde testemunharia a forma brutal como o seu progenitor chacinou os indígenas sublevados e o ouviu gabar-se pela morte do Cidadão V, um agente especial britânico durante a 2ª Guerra Mundial.
Entretanto, o ressurgimento do Capitão América motivaria uma série de confrontos entre o Barão Zemo (agora coadjuvado pelos seus Mestres do Terror) e os Vingadores (liderados pelo Sentinela da Liberdade).
Após a morte acidental do pai durante um desses recontros, Helmut culpou o Capitão América pela destruição da sua família. Replicando alguns dos aparatos mais mortíferos do arsenal paterno, Helmut adotou a identidade de Fénix para se vingar do herói.
Horrivelmente desfigurado após mergulhar, tal como o pai, numa tina de Adesivo X, Helmut reapareceria pouco tempo depois como o novo Barão Zemo.
Sem que o seu ódio figadal pelo Capitão América desse sinais de apaziguamento, o vilão reuniu aquela que foi, até à data, a maior e mais poderosa formação dos Mestres do Terror.

O novo Barão Zemo
 exibe o símbolo do seu némesis.
Naquele que foi um dos pontos mais altos da sua carreira criminosa, o Barão Zemo e os seus apaniguados invadiram a Mansão dos Vingadores, de onde só a muito custo seriam desalojados pelos heróis.
A uma tentativa gorada de ressuscitar o seu pai com recurso às Pedras de Sangue, seguiu-se o enlace do Barão Zemo com a terrorista internacional conhecida como Baronesa. O casal acabaria, contudo, capturado pelo Capitão América depois de ter raptado várias crianças negligenciadas para formar uma família instantânea.
Quando, no final da épica batalha que os opôs à entidade conhecida como Devastador (Massacre, no Brasil), os Vingadores e o Quarteto Fantástico foram dados como mortos, Zemo, assim privado dos seus arqui-inimigos, interiorizou finalmente que o pai se tinha autodestruído.
Mudando o foco da vingança para a busca do poder, Zemo converteu o núcleo duro dos Mestres do Terror num coletivo heroico apresentado ao mundo como Thunderbolts. Num ato de mórbida ironia, Zemo escolheu para si o título de Cidadão V, o herói britânico assassinado pelo seu pai durante a 2ª Guerra Mundial.
Desmascarado o embuste dos Thunderbolts, o Barão Zemo retomou a sua carreira a solo. Atualmente, governa com mão de ferro Bagália, um pequeno Estado-pária de localização desconhecida que serve de santuário a delinquentes de todo o mundo.

*Howling Commandos, brigada especial de soldados aliados que, durante a 2ª Guerra Mundial, atuava atrás das linhas inimigas.

Zemo (disfarçado de Cidadão V) à frente dos Thunderbolts originais.

Quem são os Mestres do Terror?

Inimigos clássicos dos Vingadores, os Mestres do Terror (Masters of Evil, no original) são uma das mais antigas organizações criminosas do Universo Marvel. Criada por Stan Lee e Jack Kirby, a equipa fez a sua primeira aparição em The Avengers Vol.1 nº6, edição histórica datada de julho de 1964.
Sob o comando do penúltimo Barão Zemo, os Mestres do Terror agrupavam inicialmente Cavaleiro Negro, Derretedor e Homem-Radioativo. Cada um destes elementos fora criteriosamente selecionado por Zemo para antagonizar um Vingador específico. Assim, ao Cavaleiro Negro competiria neutralizar o casal Vespa e Gigante, o Derretedor teria como alvo o Homem de Ferro, e o Homem-Radioativo deveria medir forças com Thor. Zemo, por seu turno, tentaria ajustar velhas contas com o Capitão América. A este elenco primordial juntar-se-iam posteriormente alguns pesos-pesados. A saber: Encantor, Executor, Magnum e Destruidor.
Das diversas encarnações da equipa ao longo dos anos, a mais eficiente foi, sem sombra de dúvida, aquela que contava nas suas fileiras com Mr. Hyde, Blackout, Rocha Lunar, Armador, Jaqueta Amarela II, Tubarão-Tigre, Titânia, Homem Absorvente, Gangue da Demolição (Aríete, Destruidor, Massa e Bate-Estacas) e Golias. Agora liderados pelo filho do Barão Zemo, os Mestres do Terror fizeram jus ao título ao tomarem de assalto a Mansão dos Vingadores, fazendo reféns alguns dos seus membros. Cuja libertação só foi possível na sequência de uma feroz batalha que culminaria com a morte de Hércules.
Seria precisamente esta formação dos Mestres do Terror que, anos mais tarde, serviria de base aos Thunderbolts (vide texto seguinte).

O primeiro confronto entre os Vingadores e os Mestres do Terror
 em The Avengers nº6 (1964).


A formação dos Mestres do Terror que quase vergaram os Vingadores.

Thunderbolts: heróis ou vilões?

Aproveitando o vazio deixado pelo desaparecimento dos Vingadores e do Quarteto Fantástico no final da saga Onslaught (Devastação em Portugal; Massacre no Brasil), o Barão Zemo reciclou os seus Mestres do Terror num novo coletivo super-heróico a que deu o nome de Thunderbolts. Além do próprio Zemo (que atendia agora por Cidadão V), o elenco primitivo da equipa por ele convocada reunia Atlas, Meteorita, Soprano, MACH-1 e Tecno. Sob estas identidades falsas escondiam-se, respetivamente, os ex-criminosos Golias (em tempos conhecido também como Contrabandista), Besouro, Rocha Lunar, Colombina e Armador. A estes membros fundadores logo se juntou Choque, uma jovem heroína que ignorava os verdadeiros desígnios dos seus companheiros, e cujo idealismo os contagiou.
Depois de ter conquistado a confiança do público, Zemo empreendeu a sua campanha de dominação mundial. Seria, no entanto, detido pela ação conjunta dos Vingadores e do Quarteto Fantástico (entretanto regressados do degredo extradimensional), bem como pelos próprios Thunderbolts. Em busca de redenção para os seus pecados, os antigos subordinados de Zemo haviam encarnado de forma inesperada o papel de defensores dos fracos e oprimidos.
Zemo logrou escapar graças à ajuda de Tecno - o único membro do grupo que se lhe manteve leal - enquanto os demais Thunderbolts, cujas verdadeiras identidades haviam sido entretanto expostas, passaram a operar na clandestinidade, praticando o heroísmo a que tinham tomado o gosto.
Conceito desenvolvido por Mark Waid e Mark Bagley, os Thunderbolts fizeram a sua estreia em janeiro de 1997, nas páginas de The Incredible Hulk nº449, e mantêm-se no ativo até aos dias de hoje. Após sucessivas reconfigurações e lideranças, a sua formação mais recente, capitaneada pelo Soldado Invernal, é composta por Atlas, Armador, Rocha Lunar, MACH-X e Kobik.

Thunderbolts: Lobos em peles de cordeiros.

Trivialidades:

*Situada na ex-RDA, Leipzig, a cidade natal de Helmut Zemo, possui uma prestigiada Universidade onde, entre outros expoentes da elite dirigente teutónica, se diplomou Angela Merkel, atual chanceler federal da Alemanha;
*No jogo de vídeo Iron Man and X-0 Manowar in Heavy Metal (1996), o Barão Zemo surgia como uma das personagens jogáveis;
*Dois anos depois, em maio de 1998, Zemo e os seus Thunderbolts participaram em Star Trek: The Next Generation / X-Men: Second Contact, um crossover entre a tripulação da nave USS Enterprise e os pupilos do Professor Xavier.


Terão Merkel e Zemo estudado a mesma cartilha?

Noutros media: Antes do seu advento ao grande ecrã por via da sua participação em Captain America: Civil War (2016), o Barão Zemo (pai e filho) era já um habitué nas séries animadas da Marvel. Remontando a 1966 a sua estreia televisiva, no segmento reservado ao Sentinela da Liberdade em The Marvel Super Heroes. Essa foi, de resto, a única ocasião em que o Barão Zemo sénior não interagiu com o júnior. Em produções mais recentes, como Avengers: Ultron Revolution (em exibição desde 2013), os dois têm coabitado e, não raro, unido forças contra os Heróis Mais Poderosos da Terra.

O Barão Zemo tem sido presença assídua
em Avengers: Ultron Revolution.
Embora irreconhecível, o atual Barão Zemo, interpretado pelo ator hispano-germânico Daniel Bruhl, foi o vilão de serviço no terceiro capítulo da saga cinematográfica do Capitão América. À parte o nome e a sanha que nutre pelos Vingadores, pouco tem, de facto, em comum com a sua contraparte da banda desenhada. No filme,  Helmut Zemo é apresentado como um obstinado oficial do Exército de Sokóvia desejoso de vingança depois de ter perdido a sua família na batalha que arrasou a capital do seu país em Avengers: Age of Ultron (2015)

A versão cinematográfica de Zemo (rebaixado a plebeu)
deixou um travo amargo na boca dos Vingadores, mas também de muitos fãs.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

HEROÍNAS EM AÇÃO: X-23




  Arma viva clonada de Wolverine, habituou-se a vê-lo como o pai que nunca teve antes de assumir o legado do malogrado herói canadiano. Após anos de cativeiro, sevícias e manipulações, encontrou uma família nos X-Men. Mas nem por isso a sua fera interior foi domesticada.
 Conheçam o sangrenta epopeia desta carismática mutante de nova geração que, depois da TV e da BD, muito promete dar que falar no cinema ao surgir em grande plano no filme Logan, com estreia marcada já para a próxima semana.

Denominação original: X-23 (atualmente Wolverine)
Licenciador: Marvel Comics
Criadores: Craig Kyle (história) e Chris Yost (arte conceitual) 
Primeira aparição (TV): Episódio 11 da 3ª temporada de X-Men Evolution (2003)
Primeira aparição (BD): NYX nº3 (fevereiro de 2004)
Primeira aparição como Wolverine: All-New Wolverine nº1 (janeiro de 2016)
Identidade civil: Laura Kinney
Local de nascimento: A Fábrica (instalação ultrassecreta localizada algures na ilha-Estado de Madripoor, no sudeste asiático)
Parentes conhecidos: Sarah Kinney (criadora e "mãe"); Wolverine (matriz genética e "pai", falecido); Daken (meio-irmão), Amiko Kobayashi (irmã adotiva), Bellona e Gabrielle Zelda Kinney (clones e "irmãs").
Ocupação: Estudante e aventureira (anteriormente, assassina profissional, prostituta e empregada de mesa)
Afiliações: Ex-operacional da Fábrica e da X-Force; membro atual dos X-Men
Base de operações: Móvel (continua, não obstante, a privilegiar a Nova Escola para Mutantes Charles Xavier, sediada na província canadiana de Alberta)
Armas, poderes e habilidades: Fac-símile genético de Wolverine, X-23 tem nos poderes do herói canadiano um índice para os seus. Existem, contudo, algumas diferenças fundamentais entre as respetivas fisiologias mutantes. As quais são justificadas tanto pela utilização de uma amostra defeituosa do genoma de Logan no processo de clonagem como pela quase total ausência de adamantium no organismo de Laura.
Comecemos pelos pontos em comum: tal como Wolverine, X-23 tem no fator de cura a sua habilidade primária (e, por certo, a mais extraordinária). Graças a ele, ambos conseguem regenerar em tempo recorde tecidos danificado ou destruídos. Cortes, fraturas, ferimentos de bala e até amputações de membros são, assim, curados em questão de segundos.
Tanto Wolverine como X-23 são virtualmente imunes a doenças e infeções de diversa ordem. Verificando-se o mesmo em relação a um amplo espectro de drogas e toxinas. Podendo, todavia, ser afetados por qualquer uma destas substâncias se a elas expostos em doses massivas ou por períodos prolongados.
Devido à capacidade autorregenerativa das células dos seus organismos, Wolverine e X-23 têm o seu processo de envelhecimento consideravelmente retardado, prolongando dessa forma a sua longevidade. No entendimento de alguns, isso faz deles seres imortais. Pese embora não o sejam, de facto.
Ambos possuem ainda sentidos aguçados e outras capacidades físicas (força, velocidade, resistência, etc.) amplificadas a níveis sobre-humanos.
No capítulo das diferenças, há a registar, em primeiro lugar, o facto de X-23 não ter o seu esqueleto revestido de adamantium. Antes que fosse concluído o processo de recriação da Arma X, Laura evadiu-se das instalações da Fábrica. Logo, o seu esqueleto não é inquebrável como o de Wolverine. Apenas o são as garras retráteis que possui nas mãos e nos pés, as únicas partes do seu corpo recobertas pelo metal indestrutível.
Esta constitui, aliás, uma das discrepâncias mais notórias entre Laura e Logan. Ao passo que este possui três garras metálicas em cada mão, X-23 possui apenas duas. Dispondo, em contrapartida, de mais uma garra de adamantium em cada pé, o que, em situações de mano a mano, lhe aumenta consideravelmente a letalidade.
A este extenso catálogo de habilidades inatas acrescem aquelas que decorrem do seu treino com vista a transformá-la numa arma viva. X-23 é especialista em camuflagem, técnicas furtivas, explosivos e em diversos tipos de armamento. O seu apuradíssimo olfato faz dela uma exímia rastreadora, conseguindo inclusivamente memorizar dezenas de diferentes odores.
Proficiente em diversas artes marciais, X-23 é formidável no combate corpo a corpo. Contudo, apesar da ferocidade que evidencia nas batalhas que trava, é dona de um QI elevado que lhe permite processar rapidamente grandes quantidades de informação. É também uma hábil estratega, conseguindo ajustar eficazmente as suas táticas aos mais diversificados cenários.
Poliglota, sabe-se que é fluente em inglês, francês e japonês, podendo, porém, dominar outros idiomas.
Tudo somado, percebe-se porque é X-23 considerada, tanto por aliados como por adversários, uma das mais perigosas mutantes à face da terra.

X-23, uma máquina de matar com rosto de menina.
Fraquezas: O programa de condicionamento mental a que X-23 foi submetida na Fábrica incluiu um "odor gatilho". Trata-se de uma feromona específica suscetível de lhe induzir uma fúria cega que a leva a matar indiscriminadamente sem qualquer controlo das suas ações.
Uma sondagem telepática efetuada em tempos por Emma Frost com vista à supressão desse mecanismo de controlo, resultou inconclusiva. Persistindo, por isso, a dúvida se o mesmo poderá alguma vez ser desabilitado.
Sendo o "odor gatilho" a sua principal fraqueza, importa ainda registar a vulnerabilidade de X-23 a determinados tipos de rajadas energéticas. Exemplo disso foram aquelas com que, certa vez, Nimrod (robô aparentado com as Sentinelas e velho inimigo dos X-Men) a atingiu, provocando-lhe um envelhecimento acelerado. Incapaz de regenerar as feridas daí resultantes, a jovem heroína mutante quase sucumbiu ao ataque.

Fera acuada pela própria raiva.
Perfil psicológico e relacionamentos: Insular é decerto o adjetivo que melhor define a personalidade de Laura Kinney. Dotada de escassas competências sociais, sente habitualmente grandes dificuldades no relacionamento interpessoal. Facto atribuível tanto ao processo de desumanização a que foi sujeita ao longo do seu período de cativeiro como à sua perceção do perigo que representa para aqueles que a rodeiam. Sobretudo depois de, sob o efeito do "odor gatilho", ter tirado a vida ao seu sensei, em quem projetava um arremedo de amor filial.
Na sequência desse trágico incidente, ocorrido ainda na sua infância, a pequena Laura adotou comportamentos autolesivos. Passando a fazer uso reiterado das próprias garras para se mutilar. Um comportamento antissocial profundamente enraizado que ninguém sabe ao certo se terá entretanto abandonado, porquanto  o seu fator de cura sara quase instantaneamente as feridas autoinfligidas.

O sensei de X-23 foi
uma das primeiras vítimas da sua fúria assassina.
Além da violência, outra constante na vida de Laura foi a desafeição. Apesar de a Drª. Kinney ter feito o melhor que podia para lhe incutir alguns resquícios de humanidade, a jovem só muito raramente manifestou interesse na "mãe" por quem fora rejeitada em pequena. Rejeição que, note-se, nada teve de voluntária.
Obedecendo às draconianas diretivas dos seus superiores, a Drª. Kinney evitou a todo o custo estabelecer qualquer vínculo emocional com a "filha", de modo a não comprometer os objetivos do programa - que, recorde-se, pretendia criar um novo Wolverine.
Treinada para ser uma assassina de sangue-frio, X-23 exibiu em diversos momentos sentimentos de compaixão. Quando, numa das suas primeiras missões, foi designada para eliminar o Dr. Martin Sutter - um dos mentores do projeto Arma X original - e a respetiva família, a jovem matou sem hesitar o cientista e a mulher, mas poupou a vida ao rebento do casal.
Em Wolverine, Laura encontrou o que de mais próximo teve de um pai. Com efeito, a relação de ambos, caracterizada por fortes sentimentos de proteção mútua, pouco difere de uma típica relação entre pai e filha.
Logan, no entanto, considerava Laura uma irmã mais nova, sendo, aliás, dessa forma que a costumava apresentar a terceiros. Apesar disso, o antigo X-Man chegou a planear a adoção da jovem. Mesmo não se tendo concretizado essa intenção, os dois agiram sempre como uma família, não faltando, aqui e ali, os inevitáveis arrufos. Escusado será dizer, à luz do quadro descrito, que a morte de Logan provocou efeitos devastadores em Laura.
Quando os dois se conheceram, Logan ofereceu-se para ajudar Laura a começar uma nova vida no Instituto Xavier, dizendo-lhe que ele, melhor do que ninguém, sabia o que ela estava a passar.
Desde que se uniu aos X-Men, Laura tem vindo a limar algumas arestas da sua personalidade. Da sua passagem pelo instituto resultaram as primeiras amizades (com Jubileu e Psylocke) e até uma paixoneta por Satânico (outro dos pupilos mutantes). Em tempos mais recentes, foi com o seu colega de equipa Anjo que Laura se aventurou a voar nas asas do amor. Romance que acabou numa aterragem forçada devido à insegurança emocional da rapariga.
Fazer parte de um grupo ajudou Laura a sentir-se menos socialmente desajustada após largos anos de isolamento. Persistem, contudo, os seus problemas de comunicação que a impedem, entre outras coisas, de compreender e expressar a multiplicidade de emoções que vivencia pela primeira vez.
Padecendo de uma timidez superlativa, quase patológica, Laura raramente pronuncia mais do que uma ou duas frases de cada vez. Isto apesar de, por ter crescido num ambiente controlado, se expressar num inglês impecável, praticamente isento de calão.

Conversas em família para mais tarde recordar.
Histórico de publicação: Seguindo as pisadas de Arlequina (DC) em contramão com a história, foi no pequeno ecrã que X-23 principiou a sua fulgurante carreira. Com a sua estreia a ocorrer em meados de 2003, no episódio 11 da 3ª temporada de X-Men: Evolution, série de animação de mediano sucesso.
Produto da imaginação de Craig Kyle, a personagem correspondia à intenção de tornar Wolverine um conceito mais simpático aos olhos do público infantil. Em harmonia, de resto, com o tom geral da série, onde os X-Men foram reinventados como um grupo de heróis adolescentes. A ideia era, portanto, introduzir uma versão juvenil e amenizada de Logan, considerado demasiado velho e agressivo para gerar empatia com os espectadores mais novos.
Em determinada ocasião, Craig Kyle referiu-se mesmo à sua criação como o "Pinóquio da Marvel". Alcunha que cai bem a X-23 se tivermos em conta que, no fundo, ela é uma arma viva que quer ser tratada como uma pessoa.
Apesar de Chris Yost ter ajudado a escrever o par de episódios de X-Men: Evolution que deram a conhecer X-23, ele reconhece que Kyle já tinha estruturado toda a história da personagem quando os dois se conheceram.
Com os fãs da série rendidos à mais recente anti-heroína mutante, os mandachuvas da Marvel entenderam por bem explorar também as suas potencialidades nos comics. E foi assim que, no início de 2004, X-23 debutou em NYX, uma nova aposta editorial da Casa das Ideias envolvendo a raça Homo superior. Embora o seu passado continuasse envolto numa aura de mistério - ou talvez por isso mesmo - Laura cedo caiu nas boas graças dos leitores, numa altura em que parecia impossível eles cansarem-se dos X-Men e seus derivados. Qualquer personagem com o fator X parecia fadada ao sucesso e X-23 não fugiu à regra.

NYX Vol 1 3
Em fevereiro de 2004, NYX nº3
assinalou a dramática estreia de X-23 na BD.
Ao sucesso quase instantâneo de X-23 não terá sido alheia, também, a sua mudança de visual quando migrou da TV para a BD. Importa recordar que, em X-Men: Evolution, ela possuía cabelo castanho e um tom de pele mais bronzeado do que o da sua versão consagrada nos quadradinhos. Traços fisionómicos, ao que consta, tirados a papel químico da adolescente que Craig Kyle indicara como modelo a Chris Yost na hora de desenvolver a respetiva arte conceitual.

O visual original de X-23 em X-Men: Evolution.
Rapidamente transformada numa das coqueluches da Marvel, X-23 passaria logo depois a coadjuvar os Filhos do Átomo nas  aventuras do grupo publicadas em Uncanny X-Men. Estatuto secundário que manteve até 2010, ano em que foi presenteada com um título próprio, cuja trajetória intermitente ditaria o seu cancelamento ao fim de 21 números. Pelo meio, os segredos do seu passado (ver texto seguinte) seriam finalmente desvelados em X-23: Innocence Lost, minissérie de 2005 com a assinatura dos seus criadores.
Seguir-se-ia uma curta passagem por Avengers Academy e Avengers Arena antes de, vestindo a pele da filha pródiga, regressar, em finais de 2012, à Mansão X. Lá permanecendo mesmo após a morte de Wolverine, de quem assumiria orgulhosamente o legado por entre os ecos de Secret Wars III.
Enterrada a persona de X-23 (se definitiva ou temporariamente, o tempo o dirá; para mais quando crescem os rumores acerca de uma iminente ressurreição de  Logan), Laura Kinney é, desde janeiro de 2016, a cabeça de cartaz de All-New Wolverine. Título que ela tudo tem feito para honrar.

Justiça de garras afiadas em All-New Wolverine Nº1 (novembro de 2015).

Origem: Um programa ultrassecreto chamado A Fábrica pretende reproduzir o experimento militar que, décadas antes, revestira de adamantium o esqueleto de Wolverine. Quando o Dr. Martin Sutter - um dos mentores do primeiro Arma X - resolve contratar a reputada geneticista Sarah Kinney para desenvolver um clone do mutante canadiano, o projeto toma uma nova direção. Dele também faz parte o Dr. Zander Rice, perfilhado por Sutter depois de o seu pai ter sido assassinado por um Wolverine em modo animalesco.
Dado que a única amostra disponível do ADN de Logan se encontra danificada, a Drª. Kinney falha reiteradamente em replicar o cromossoma Y. Para tentar contornar o problema, propõe aos seus superiores a criação de um espécime feminino. Ideia prontamente rejeitada, em particular por Zander Rice.
Apesar da interdição, Kinney prossegue as suas tentativas de criar um clone viável de Wolverine usando o cromossoma X e apela ao Dr. Sutter que reconsidere. O que ele acaba por fazer, concedendo-lhe autorização para prosseguir as suas experiências.
Após 22 tentativas fracassadas para reconstituir o ADN de Wolverine, a 23ª amostra genética revela-se viável para ser combinada com um embrião. Furioso com a insubordinação de Kinney, Rice obriga-a a servir de barriga de aluguer ao espécime.
Durante o período de gestação Kinney tem cada passo seu monitorizado. Quando, por fim, dá à luz o espécime, este é batizado simplesmente de X-23.
Sete anos depois, X-23 continua a ser mantida em cativeiro na Fábrica e a ser treinada para ser uma arma viva. Para acelerar a ativação do gene mutante da menina, Rice submete-a a doses massivas de radiação. Uma vez ativado o fator de cura de X-23, Rice ordena a extração das garras que ela tem nos pés e nas  mãos, para que sejam recobertas de adamantium antes de lhe serem reinseridas no corpo. Processo executado, do princípio ao fim, sem recurso a qualquer tipo de anestesia.

Laura e a "mãe" num dos raros momentos
 de proximidade entre ambas.
Ao aperceber-se da brandura com que o sensei de X-23 a trata, Rice desenvolve um composto químico a que chama "odor gatilho". Quando detetado pela jovem, o "odor gatilho" traz à tona o seu lado animalesco, libertando os seus instintos mais primários. Logo da primeira vez que isso se verifica, X-23 estraçalha o seu tutor em quem ela tinha o seu único amigo.
Mais três anos se passam antes de X-23, agora uma assassina de elite pronta para tirar a vida a qualquer um a troco da quantia certa, receber a sua primeira missão no terreno. Muitas outras se seguiriam, transportando-a a diversos pontos do globo. Numa delas foi traída e abandonada por Rice, acabando à mercê da organização terrorista IMA. Conseguiu, no entanto, sobreviver e regressar à Fábrica, para enorme frustração de Rice, que desejava ardentemente vê-la morta e enterrada.
Quando Megan, uma sobrinha da Drª. Kinney, é raptada por um serial killer, a cientista, tomada pelo desespero, leva X-23 para fora das instalações da Fábrica. Não para libertá-la mas para usar as suas capacidades de rastreadora para encontrar a menina. Resgatada Megan e morto o seu captor, Kinney devolve X-23 à Fábrica.
É então que a cientista fica a par do plano de Rice para assumir o controlo do programa. Este, por sua vez, descobre a escapadela que Kinney proporcionara a X-23 e resolve expulsá-la. Não sem antes a conduzir a uma câmara secreta para lhe mostrar dezenas de incubadoras contendo outros clones femininos de Wolverine que deveriam servir à concretização de propósitos escusos.
Antes de ajudar X-23 a escapar novamente das instalações, Kinney investe-a de uma última missão: destruir as incubadoras e matar Rice. O que ela não sabia é que Rice a expusera antes ao "odor gatilho".
Quando X-23 completa a sua missão e vai ao encontro de Kinney, sucumbe à sua fúria assassina e acaba por tirar a vida à "mãe".
Esvaindo-se em sangue, Kinney diz à jovem que a ama e que o seu nome verdadeiro é Laura. Antes de exalar o seu último suspiro, passa-lhe para as mãos uma carta e fotografias de Wolverine, do Professor X e da Escola Xavier. Pistas que conduziriam X-23 ao seu "pai".
Foi, porém, tudo menos pacífico o primeiro encontro de ambos. Laura derrotou Logan em combate mas poupou-lhe a vida. Logan, por seu turno, revelou ter sido informado do calvário da rapariga através de uma missiva que lhe fora endereçada tempos atrás pela Drª. Kinney e prontificou-se a ajudá-la. Os dois tornar-se-iam a partir daí inseparáveis até à morte de Wolverine.


Draª Kinney e Wolverine:
 as mortes dos "pais" de X-23.

Trivialidades:

*A escolha do nome Laura foi influenciada pela sua proximidade fonética com Logan;
*Lançada em 2005 em terras do Tio Sam, a minissérie X-23: Inoccence Lost, deu a conhecer em maior detalhe o traumático passado de Laura Kinney. Na história, o temporizador usado por X-23 nas suas missões de extermínio estava sempre programado para 22 minutos, numa clara alusão ao número de clones malsucedidos de Wolverine que antecederam a sua conceção. Já as datas apresentadas para cada missão correspondiam aos aniversários de amigos de Craig Kyle;
Começou aqui a ser desvendado
o traumático passado de Laura Kinney.
*Aquando do seu recrutamento para os X-Men, a X-23 foi atribuído o codinome Talon que, apesar do seu cariz oficial, raramente foi utilizado por ela ou pelos seus colegas de equipa;
*Grande apreciadora de comida condimentada, Laura justifica essa sua preferência gastronómica com a insipidez que caracterizava a dieta que lhe foi imposta durante o seu cativeiro na Fábrica;
*Na apresentação sumária que dela fez aos restantes alunos da Escola Xavier, Wolverine deixou claro que X-23 poderia rasgá-los a todos em pedaços num abrir e fechar de olhos. Aconselhou-os, por isso, a que não lhe dessem motivos para o fazer;
*Devido à quase total ausência de adamantium no seu organismo, o fator de cura de X-23 consegue atuar com maior rapidez do que o de Wolverine. Sendo, todavia, mais instável do que o dele (presumivelmente, por causa da sua juventude);
*Certa vez, uma contraparte de Deadpool originária de uma dimensão paralela afirmou existir nesse mundo uma X-29 muito mais divertida do que Laura. Revelação que muito intrigou a jovem e que, naturalmente, deu azo a especulações por parte dos fãs. Tratar-se-ia a personagem em questão de uma versão alternativa de X-23 ou de outro clone viável de Wolverine? Esta segunda hipótese ganhou força quando, pouco tempo depois, foi apresentada uma história descrevendo as tentativas empreendidas pelos cientistas da Fábrica objetivando a produção de uma nova cópia genética de Logan. É bem possível que tudo  não tenha passado, no entanto, de uma brincadeira do Mercenário Tagarela com o intuito de azucrinar a pobre Laura;
*No encerramento da série Wolverines, Laura teve o seu fator de cura drenado por Sifão (Siphon, no original). Sem que, até ao momento, tenha sido aventada qualquer explicação para tal, essa situação foi revertida quando ela passou a estrelar All-New Wolverine.

Uma nova Wolverine, o mesmo instinto animal.
Noutros segmentos culturais: Boa parte da enorme expectativa à volta de Logan (com estreia nacional a 2 de março, e mundial no dia seguinte), prende-se com a participação de X-23. Interpretada por Dafne Keen, atriz anglo-espanhola de apenas 11 anos conhecida apenas pelo seu papel na série televisiva The Refugees (2014), a personagem estará em evidência na película que marcará a despedida de Hugh Jackman como Wolverine. Especula-se, por isso, se, a exemplo do que ocorreu na banda desenhada, ela poderá vir a ser a herdeira do herói canadiano no cinema. Tanto mais que, em entrevista concedida ao site Comic Book Movie, o realizador James Mangold assumiu o seu interesse em dirigir um filme de X-23.
Mesmo que esse projeto nunca se venha a concretizar, X-23 já logrou fazer o pleno dos ecrãs. Desde a sua estreia televisiva em X-Men: Evolution, a jovem mutante marcou presença em várias outras séries animadas, nomeadamente em Wolverine and the X-Men (2009), e foi personagem jogável em diversos jogos de vídeo baseados no Universo Marvel, no último dos quais, Marvel Contest of Champions (2014), surgiu envergando o seu uniforme de Wolverine.

Laura e Logan numa jornada que ninguém sabe aonde os levará.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

CLÁSSICOS REVISITADOS: «WOLVERINE - O VELHO LOGAN»

 
  Agora um simples homem de família assombrado por um terrível segredo do seu passado, Logan luta pela sobrevivência num Amanhã inquinado pela violência e pela desesperança. Mas conseguirá fazê-lo sem libertar a fera assassina que jurou manter cativa até ao último dia da sua vida? 
   Dos mesmos autores de Guerra Civil, esta é a saga que serviu de mote ao novo filme do Wolverine, que marcará também a despedida de Hugh Jackman do papel que lhe garantiu um lugar na iconografia popular deste século. 

Título original: Wolverine - Old Man Logan
Data de publicação: Julho de 2008 a setembro de 2009
Títulos abrangidos: Wolverine  vol. 3 nº66 a 72 (inclusive) e Wolverine Giant Size Old Man Logan nº1
Licenciador: Marvel Comics
Autores: Mark Millar (história) e Steve McNiven (arte)
Protagonistas: Logan/Wolverine e  Clint Barton/Gavião Arqueiro (Hawkeye)
Vilões: Caveira Vermelha (Red Skull), Doutor Destino (Doctor Doom), Hulk, Gangue do Hulk (Hulk Gang), Ashley Barton/Spider-Girl, Venom, SHIELD e Moloides (Moloids)
Coadjuvantes: Clã Logan (Maureen, Scotty e Jade), Ultron 8, Tonya Parker, Emma Frost e Raio Negro (Black Bolt)
Cenários: Diferentes pontos da Amerika, território geográfico que, na realidade paralela onde se desenrola a trama, equivale, grosso modo, aos EUA pré-colapso.

Cemitério de heróis a céu aberto
em Wolverine nº67.
Edições em Português: Já dada à estampa dos dois lados do Atlântico, a saga foi primeiramente publicada no Brasil pela Panini, entre agosto de 2009 e março de 2010, nos números 57 a 64 de Wolverine, o título a solo do herói mutante. Quatro anos volvidos, em setembro de 2014, seria a vez de a Salvat a reeditar, no âmbito da sua Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel. Ainda por Terras de Vera Cruz, e novamente com a chancela da Panini, em agosto do ano passado chegou às bancas brasileiras uma série periódica epónima, da qual já foram lançados até ao momento meia dúzia de números.
Em Portugal, O Velho Logan integrou a segunda série da coleção Heróis Marvel da Levoir, numa edição única que remonta a finais de 2012.




De cima para baixo: a edição portuguesa da Levoir,
a reedição brasileira da Salvat e
o 1º número da série mensal epónima da Panini.
Enredo: Em 2059, os EUA foram conquistados por um conluio de supervilões encabeçado por Magneto, Doutor Destino, Abominação e Caveira Vermelha. Na curta guerra que antecedeu a queda do país, os heróis foram sumariamente derrotados e praticamente varridos do mapa. Aos poucos sobreviventes não restou outra alternativa senão a clandestinidade, a partir da qual assistem, impotentes, ao reinado de terror imposto pelos vencedores
Rebatizado de Amerika, o território geográfico dos antigos EUA foi retalhado ao sabor da ganância dos seus novos governantes, dando lugar a um mosaico de feudos nos quais cada suserano dita a sua lei sem prestar contas a ninguém.
Não demoraram no entanto a eclodir violentas disputas territoriais entre os antigos aliados. Na sequência delas, Abominação foi assassinado pelo Hulk, que assim lhe arrebatou os seus domínios. Destino idêntico sofreu Magneto às mãos de um novo e implacável Rei do Crime. Já o Caveira Vermelha, instalado na Casa Branca, autoproclamou-se Presidente da Amerika e fundou um regime decalcado do III Reich.
À margem dessas insanas guerras pelo poder, Logan e a sua família lutam diariamente pela sobrevivência numa fímbria de terra ressequida localizada em Sacramento, a antiga capital da Califórnia agora uma coutada do Hulk.
Sem dinheiro para pagar o tributo mensal aos seus senhorios da Gangue do Hulk (os obtusos netos do Gigante Verde, fruto da sua relação incestuosa com a Mulher-Hulk, sua prima), o antigo X-Man aceita de bom grado o trabalho que lhe é oferecido por Clint Barton. Outrora o Vingador conhecido como Gavião Arqueiro, Barton é agora um ancião cego que precisa da ajuda de Logan para atravessar o país até à capital da Nova Babilónia. O objetivo é entregar uma encomenda secreta e ilícita que Logan presume serem drogas.

Logan e Clint Barton: dois homens e um destino.
Ao longo da sua extenuante jornada rumo à Costa Leste, a parelha de antigos heróis depara-se com numerosos perigosos e distrações. Num primeiro momento, resgatam Ashley Barton, filha de Clint e neta de Peter Parker (o Homem-Aranha), das manápulas do novo Rei do Crime. Embora aparente aspirar a uma carreira heroica como Spider-Girl, os planos da jovem são na verdade pouco nobres. Após tirar a vida ao seu algoz, Ashley anuncia a sua intenção de reclamar para si o território do Rei do Crime, o qual abrange a antiga área metropolitana de Las Vegas.
Retomando a sua viagem, Logan e Clint sobrevivem por uma unha negra à vaga de destruição levada a cabo por um enxame de Moloides. Esta raça humanoide praticamente destituída de inteligência que durante largos anos serviu o Toupeira (velho inimigo do Quarteto Fantástico), vem afundando cidades inteiras abaixo da superfície por meio de ataques subterrâneos para destruir as respetivas fundações.
Ainda mal recompostos do susto, Logan e Clint veem-se logo depois perseguidos por um enorme e faminto dinossauro importado da Terra Selvagem e infundido pelo simbionte Venom. Segundos antes de o monstro os abocanhar, os dois são, contudo, teleportados para a Zona Proibida por Emma Frost e Raio Negro (respetivamente, a ex-Rainha Branca do Clube do Inferno e o ex-monarca dos Inumanos).
Logan e Clint fogem do apetite do  T-Rex Venom.
À medida que a aventura prossegue e as peripécias se sucedem, é enfatizada a ideia de que a persona Wolverine está morta e enterrada desde a noite em que os vilões lançaram o seu devastador blitzkrieg. Consequência direta desses infaustos acontecimentos, Logan jurou não mais desembainhar as suas garras de adamantium.
Através de flashbacks, é revelado que nessa noite fatídica um grupo composto por aproximadamente 40 supervilões sitiou a Mansão X, lar dos X-Men. Incapaz de localizar os seus companheiros de equipa e temendo pelas vidas dos jovens pupilos lá alojados, Wolverine chacinou os intrusos sem dó nem piedade.
Quando cessou por fim o seu frenesim homicida, o herói percebeu, horrorizado, que tudo não passara de uma ilusão gerada por Mystério, mestre da manipulação sensorial e arqui-inimigo do Homem-Aranha. Os atacantes eram, afinal, os restantes X-Men, que agora jaziam mortos num lago de sangue.
Psicológica e emocionalmente devastado por esse trágico incidente, Logan abandonou a mansão e cambaleou até uma linha de caminho de ferro com o propósito de cometer suicídio. Apesar de atropelado por um comboio a alta velocidade, Logan sobreviveu porque o seu fator de cura mutante conseguiu rapidamente regenerar os ossos e tecidos danificados do seu corpo. Impedido de pôr termo à própria vida, o amargurado herói decretou o fim de Wolverine, o seu lado animalesco a quem culpava pela morte dos amigos.
Chegados finalmente ao seu destino, Logan e o seu companheiro de viagem entregam o misterioso pacote a um presumível grupo da resistência clandestina que se opõe à tirania do Caveira Vermelha. O pacote não contém, afinal, narcóticos mas sim um suprimento do Soro do Supersoldado suficiente para criar um exército. Trata-se do composto químico que deu origem ao Capitão América e que deveria agora servir para formar uma nova geração de Vingadores.
A entrega revela-se, contudo, uma cilada. Os supostos membros da resistência são na verdade operacionais da SHIELD, a antiga agência federal de contraterrorismo, reconvertida na polícia secreta do Caveira Vermelha. Sem hesitar, os agentes crivam Logan e Clint de balas, matando ambos e levando consigo o suprimento de Soro do Supersoldado.
Salvo uma vez mais pelo seu poder regenerativo, Logan sobrevive e desperta em plena sala de troféus do Caveira Vermelha, entre os trajes e acessórios de vários dos super-heróis tombados em combate. Mesmo sem fazer uso das suas garras metálicas, Logan desbarata num ápice os sequazes do vilão antes de o decapitar com o escudo do Capitão América.

Reflexos de um mundo distópico: símbolos nazis na Casa Branca
 e o sinistro empório de troféus do Caveira Vermelha.
Sem tempo a perder, Logan usa algumas peças da armadura do Homem de Ferro para voar de volta a casa, carregando consigo uma mala a abarrotar de notas, que deveria ter servido de pagamento da encomenda trazida por ele e por Clint, e que ele tenciona agora usar para saldar o seu débito à Gangue do Hulk.
No entanto, ao chegar a casa Logan encontra os corpos em decomposição da sua mulher e filhos, massacrados pelos descendentes do Gigante Verde durante a sua ausência. Consumido pela dor e pela sede de vingança, ele quebra finalmente a sua promessa, permitindo que a fera sanguinária que nele habita venha novamente à tona.
Depois de estraçalhar a Gangue do Hulk, Wolverine fica cara a cara com o próprio Banner. Que, mesmo envelhecido e na sua forma humana, exibe uma força descomunal. Enquanto os dois se digladiam animados pelo mais puro ódio mútuo, Banner revela que a morte da família de Logan serviu um duplo propósito: instilar medo aos seus servos e despertar a fúria assassina de Wolverine. Tudo porque o Hulk se sentia entediado devido ao seu estatuto de regente absoluto e à ausência de rivais capazes de lhe proporcionarem uma luta condigna. Desejo que o antigo X-Man não se faz rogado em conceder-lhe.


Logan acerta contas com a Gangue do Hulk
 antes de servir de repasto ao monstro.
Assumindo a sua forma monstruosa, o Hulk é agora maior do que alguma vez foi, derrotando por isso sem dificuldade Wolverine e devorando-o de seguida. Nas entranhas do gigante, Logan regenera-se rapidamente e, numa sórdida reinterpretação da alegoria bíblica protagonizada por Jonas, usa as suas garras para esventrar o seu verdugo a partir de dentro. O Golias Esmeralda tomba sem vida e, ao preparar-se, para abandonar o covil do brutamontes, Wolverine encontra Bruce Banner Jr., o seu filho bebé.
Um mês depois, com a ajuda dos vizinhos, Logan constrói um pequeno memorial para a sua família desaparecida. Sem nada que o prenda àquele causticado pedaço de deserto californiano, ele decide partir com a missão de colocar um ponto final no regime opressivo imposto pelos malfeitores após o ocaso dos heróis. Como novo parceiro  de aventuras, tem agora Bruce Banner Jr., cuja fisiologia mutante continua em crescimento acelerado. E assim caminham os dois, lado a lado, em direção ao pôr do sol...

Apontamentos:

* Além de fisicamente deformados devido à consanguinidade radioativa dos seus antepassados, os membros da Gangue do Hulk são descritos como praticantes de canibalismo;
* Edição datada de setembro de 2008, Wolverine nº67 foi dedicada à memória de Michael Turner, artista notabilizado pelo seu trabalho tanto ao serviço da Marvel como da DC, falecido três meses antes após perder a batalha que vinha travando contra um cancro particularmente agressivo. Tinha 37 anos;
* Problemas de agenda por parte de Mark Millar e Steve McNiven ditaram o atraso no lançamento de Wolverine nº72, edição que incluía o penúltimo capítulo da saga e que só chegaria às bancas depois do nº73. Já a sua capa é uma homenagem a Red Skull's Deadly Revenge, história clássica publicada originalmente em julho de 1942, nas páginas de Captain America Comics nº16. Nela, o Caveira Vermelha também enverga o uniforme do Sentinela da Liberdade numa grotesca paródia aos ideais por ele representados;

A perturbadora capa de Wolverine nº72.
* O Velho Logan é, basicamente, um western. Entre paisagens inóspitas e territórios sem lei, são vários os elementos a remeter para esse género outrora muito popular e que, de há uns anos a esta parte, tem vindo a ganhar novo alento em Hollywood;
* Apesar de Wolverine ser virtualmente imortal e  de ter o seu processo de envelhecimento consideravelmente retardado pelo seu fator de cura mutante, esta não é a primeira vez que ele surge retratado como um ancião. Em Wolverine: The End, outro exercício de imaginação ambientado numa linha temporal divergente apresentado aos leitores em 2004, Logan tem 210 anos de idade e os movimentos tolhidos pela artrite;
* Habituado a escrever para um público adulto, Mark Millar não tem pudor em empregar linguagem obscena nas histórias da sua lavra. Estilo no entanto não compaginável com o código de ética da Marvel. Numa solução de compromisso entre o autor e a editora, os palavrões e restantes expressões decorrentes do baixo calão foram camuflados por asteriscos e outros símbolos gráficos. O Velho Logan ensinou, não obstante, os leitores a praguejar em alemão. Exemplo disso é arschkrieher, imprecação dirigida pelo Caveira Vermelha ao herói e que, numa tradução higienizada para português, equivale a "lambe-botas"(embora o termo original remeta para uma certa parte da anatomia onde a luz do Sol não chega);

Um Logan grisalho e tolhido pela artrite
 em Wolverine: The End (2004).

Sequelas: Conforme deixava antever o final em aberto da saga, aquela não seria decerto a última vez que veríamos o Velho Logan em ação. De facto, ele e Bruce Banner Jr. ressurgiriam pouco tempo depois em Fantastic Four, numa história com a assinatura de Millar e que, apesar de escrita antes dos eventos narrados em Old Man Logan, lhes sucedia cronologicamente.
Agora integrados nos Novos Defensores, Logan e Banner Jr. viajam no tempo numa tentativa desesperada de alterar a cadeia de eventos que conduzirá a um futuro ainda mais tenebroso do que aquele que fora apresentado na saga original.
Em 2015, o mundo selvagem do Velho Logan seria um dos principais campos de batalha de Secret Wars. No decurso desse arco de histórias que revolucionou o Universo Marvel, ele chegou mesmo a reunir-se com os colegas de equipa que havia massacrado. Ponto de partida para o seu regresso em grande estilo em All New, All Different Marvel. Na novíssima continuidade da Editora das Lendas, Logan ganhou um título próprio e, aparentemente, o gosto pelas viagens no tempo.
Transportado aos anos que precederam a queda dos heróis e a consequente ascensão dos vilões em O Velho Logan, o antigo X-Man não olha a meios para tentar impedir que a hecatombe se repita.

Novas aventuras para um velho herói.

Logan será uma adaptação fiel?

Logan chegará às salas de cinema portuguesas a 2 de março,
na véspera da sua estreia em terras do Tio Sam.
Salvo raras e honrosas exceções (sendo os Watchmen de Zack Snyder uma delas), Hollywood não costuma primar pela fidelidade na hora de transpor ao grande ecrã sagas emblemáticas com super-heróis. E, a avaliar pela informação posta a circular no ciberespaço e pelos trailers entretanto divulgados, Logan não deverá fugir à regra. Quanto muito será, como é da praxe, vagamente inspirado no material original.
Sem querer vestir a pele sebosa de um spoiler, é ainda assim possível antever três diferenças fundamentais entre o filme e a saga em que se baseia.
Para começar, a maior parte das personagens que abrilhantam Old Man Logan não irão figurar na película. Como é do conhecimento geral, a Marvel partilha com a Fox os direitos de licenciamento do seu Universo Estendido. Motivo pelo qual, no lugar do Gavião Arqueiro (propriedade dos Estúdios Marvel) veremos o Professor Xavier (parte integrante da franquia dos X-Men explorada pela Fox) a acompanhar Logan na sua jornada, cujo destino e propósito se desconhecem.
À semelhança de Captain America: Civil War, Logan terá, portanto, seguramente um rol de personagens bem mais modesto do que o da história que lhe serve de mote. Também alguns dos seus elementos mais icónicos -  com o T-Rex Venom à cabeça - deverão ficar de fora.
Mas nem tudo são contas de subtrair nesta equação. Em contrapartida, iremos ter oportunidade de ver a estreia de X-23 no grande ecrã. Embora ainda como pessoa de palmo e meio, será interessante ver que tipo de papel lhe estará reservado na película, uma vez que, na banda desenhada, é ela a nova Wolverine. Existe, de resto, a expectativa de que essa passagem de testemunho seja mostrada em Logan. Tanto mais que Hugh Jackman já anunciou a sua indisponibilidade para repetir o papel que vem desempenhando desde 2000, e que lhe garantiu já um lugar na iconografia pop deste século. Ingredientes mais do que suficientes para fazer de Logan um dos filmes mais aguardados do ano.
Onde a X-23 irá estar em destaque é neste blogue. Muito em breve, e no seguimento desta resenha, irei publicar um prontuário detalhado daquela que é uma das novas coqueluches da Marvel. Fiquem sintonizados!

X-23 (dir.) e a sua versão mini em Logan.

Vale a pena ler?

Precedo a minha análise com uma breve declaração de interesses: Wolverine, personagem que considero absurdamente sobre-estimada nos dias que correm, não tem lugar no meu pódio, tampouco no meu Top 10 de super-heróis das diversas editoras. Sou, por outro lado, fã incondicional de realidades alternativas, esses refrescantes exercícios de imaginação que visam subverter o contexto normal dos nossos heróis de sempre, transplantando-os para outras épocas e/ou lugares.
Para resultar, uma história desse cariz depende de uma série de fatores. Um dos principais é saber usar a personagem certa na ideia certa. E, nesse quesito, Mark Millar é exemplar em O Velho Logan.
Wolverine é o tipo de personagem que combina muito bem com uma narrativa com elementos de road trip. Para mais quando essa jornada tem como cenário um futuro pós-apocalíptico onde impera a lei do mais forte, com um herói que procura manter-se fiel ao seu juramento de não violência. Dilema que, per si, instiga a volúpia literária ao mesmo tempo que convida à reflexão filosófica.
A parceria de Logan com Clint Barton foi igualmente uma escolha acertada. Millar trabalha com ambos de uma maneira tão fenomenal que ora temos Logan como protagonista e Clint como coadjuvante, ora se invertem os papéis de ambos.
Mas a mais-valia desta história reside, a meu ver, menos na fantástica dinâmica dos seus protagonistas do que no contexto que os emoldura. Contornando os lugares-comuns narrativos, Milllar surpreende o leitor ao apresentar-lhe, não o habitual mundo distópico onde surge um qualquer ungido para salvar a humanidade, mas antes uma realidade completamente dominada pela desesperança. Mesmo aqueles que parecem bem intencionados revelam ser na verdade pessoas mesquinhas, impelidas pela ganância ou por quaisquer outros interesses egoístas. Millar pretende com isso sublinhar a ideia de que o heroísmo morreu com os heróis na noite fatídica em que os vilões levaram a melhor.
Bem elaborada, a trama absorve por completo o leitor, habilmente espicaçado na sua curiosidade através do mistério em redor do passado de Logan. Segredo que constitui, de resto, uma das traves-mestras da narrativa, e cuja revelação é passível de deixar qualquer um de queixo caído.
Aplausos também para a arte de Steve McNiven. O seu traço realista, com expressões e semblantes mais duros, casa muito melhor com esta história do que com Guerra Civil (já aqui esmiuçada). Saga a que, aqui e ali, são feitas algumas subtis referências, designadamente nas bem coreografadas cenas de luta. Exceção feita ao derradeiro duelo que opõe Logan a um, a vários títulos, monstruoso Hulk.
O que poderia - e deveria- ter sido o ponto alto da trama, desde logo pela revisitação ao primeiro confronto de ambos aquando da estreia de Wolverine nos quadradinhos, parece, no entanto, ter sido feito em cima do joelho. Não sendo dececionante, o combate final fica muito aquém do desejável tom épico. Nada que retire brilhantismo a uma obra que me surpreendeu pela positiva, pois estava reticente quanto ao seu valor.
Com um enredo denso e emocionante, infundido de toda a crueza que a arte de McNiven consegue transmitir, O Velho Logan é, em suma, uma parábola sobre escolhas e como, além de moldarem o caráter de quem as toma, elas definem o nosso destino. Justificando-se assim o seu desfecho aberto a várias interpretações...

O Velho Logan: crónica de um mundo sem esperança.







terça-feira, 20 de dezembro de 2016

GALERIA DE VILÕES: DUENDE MACABRO

   

  Emergiu, por entre risadas maníacas, das ruínas do legado do Duende Verde para levar o medo mesmo aos corações mais empedernidos. Deslindando enfim o mistério da sua identidade, muitas perguntas ficaram, porém, sem resposta. Fruto das inúmeras peripécias que marcaram a conceção deste que é um dos mais carismáticos e perigosos inimigos do Homem-Aranha.

Denominação original: Hobgoblin
Licenciador: Marvel Comics
Primeira aparição (como Roderick Kingsley): Peter Parker, The Spectacular Spider-Man nº43 (junho de 1980)
Primeira aparição como Duende Macabro: Amazing Spider-Man nº238 (março de 1983)
Criadores: Roger Stern (história) e John Romita Jr. (arte conceitual)
Identidade civil: Roderick Kingsley
Local de nascimento: Belize
Parentes conhecidos: Daniel Kingsley (irmão gémeo falecido)
Afiliação: Presidente-executivo da Kingsley Ltd e ex-membro da Legião Amaldiçoada (Accursed Legion) durante as segundas Guerras Secretas
Base de operações: Nova Iorque, Paris e Caraíbas
Armas, poderes e habilidades: Dada a sua fonte comum, as valências especiais do Duende Macabro são em tudo semelhantes às do Duende Verde. Ambos tiveram a sua fisiologia incrementada pelo chamado Soro do Duende. Composto químico com propriedades mutagénicas, foi uma invenção de Norman Osborn aprimorada por Roderick Kingsley. Esse aprimoramento objetivou a supressão dos efeitos secundários da fórmula original, o principal dos quais era a demência.
Quando ingerido ou inoculado, o Soro do Duende capacita o seu usuário de força, resistência e velocidade sobre-humanas, acrescendo ainda um fator de cura acelerado. Os seus efeitos fazem sentir-se também a nível intelectual, potenciando as capacidades cognitivas de quem o toma.
Este aumento de inteligência é, no entanto, normalmente acompanhado por psicoses, alucinações e outros distúrbios do foro psíquico. Apesar de menos afetado por estas contraindicações devido às melhorias que introduziu na fórmula original, Roderick Kingsley não lhes ficou totalmente imune. Instabilidade mental que, em maior ou menor grau, caracterizou igualmente todos aqueles que, depois dele, portaram o manto do Duende Macabro. E que, em última análise, representa a principal fraqueza do vilão, estando frequentemente na base das suas derrotas.
Estrategista brilhante, o Duende Macabro é também um exímio lutador. Não se furtando, por isso, à confrontação direta com os seus adversários, nomeadamente com o Homem-Aranha. Nesses combates mano a mano conta com a proteção adicional conferida pela sua armadura, cuja cota de metal absorve eficazmente o impacto dos golpes que lhe são desferidos. O traje é uma declinação do modelo usado pelo Duende Verde, inicialmente projetado pela Oscorp para fins militares.
Equipadas com micro-circuitos e filamentos, as luvas da sua vestimenta habilitam o Duende Macabro a disparar rajadas elétricas. Em função da respetiva potência, elas podem atordoar ou eletrocutar os seus adversários de circunstância. Já as botas possuem minijatos propulsores incorporados que lhe permitem voar curtas distâncias.
Sem embargo, é no seu planador (também ele uma réplica do utilizado pelo Duende Verde) que o vilão tem o seu meio de transporte de eleição. Aparato que, devido às suas rebarbas pontiagudas e cortantes, pode igualmente ser usado em manobras ofensivas, ou até mesmo como arma de arremesso. São, todavia, as bombas-abóbora (outra patente do Duende Verde) as armais mais icónicas e mortíferas do arsenal do Duende Macabro. Que inclui ainda granadas de gás e de fumaça.

A morte risonha que vem do céu.
Histórico de publicação: Nos primeiros anos da década de 1980, as histórias do Homem-Aranha ressentiam-se ainda da morte do Duende Verde. Como tantos outros escritores antes dele, Roger Stern sentiu-se pressionado a ressuscitar o vilão para preencher esse vazio na vida do herói aracnídeo, há largos anos privado do seu némesis.
Stern resistiu, porém, a carimbar a passagem de Norman Osborn para o mundo dos vivos, a repassar o testemunho ao seu filho, Harry, e até mesmo a criar um novo alter ego para o Duende Verde. Em alternativa, decidiu-se pela inserção de uma personagem inédita, uma espécie de herdeiro para o funesto legado do arqui-inimigo do Escalador de Paredes.
Ao som de risadas maníacas capazes de gelar mesmo a mais valente das almas, em março de 1983, nas páginas de The Amazing Spider-Man nº238, entrava em cena o Duende Macabro. À primeira vista um mero pastiche do Duende Verde, o novo vilão logo provou ser muito mais do que isso. No entanto, o processo criativo a montante da sua primeira aparição é recordado de maneiras distintas pelos seus dois intervenientes.

Amazing Spider-Man Vol 1 238 Direct
O Duende Macabro mostra ao que vem
na sua estreia em Amazing Spider-Man nº238 (1983).
Roger Stern sustenta que instruiu John Romita Jr. a basear-se no uniforme do Duende Verde para conceber o figurino do Duende Macabro, embora dando-lhe um toque mais medieval. Romita, por seu turno, nega que Stern lhe tenha sugerido essa cambiante. Malgrado estas pequenas discrepâncias nos seus relatos, ambos concordam que a aparência do mais recente inimigo do Homem-Aranha teve a assinatura de Romita.
Naquele que viria a ser um dos mais intrincados e duradouros enigmas das histórias do Escalador de Paredes, a verdadeira identidade do Duende Macabro seria mantida no segredo dos deuses durante largos meses. Tantos que, como veremos mais adiante, se transformaria numa rábula com mais buracos do que um queijo suíço. Culpa, em primeiro lugar, de Roger Stern. Conforme o próprio admitiria anos mais tarde, houve precipitação da sua parte ao lançar a personagem sem lhe ter definido previamente um alter ego.
Numa entrevista datada de 2009, Stern explicou como se deu esse momento eureca: "Enquanto escrevia aquelas magníficas páginas ilustradas pelo John Romita Jr., e ia estabelecendo os padrões discursivos do Duende Macabro, ocorreu-me que ele só poderia ser uma pessoa. Nenhum outro que Roderick Kingsley, o estilista amoral que eu introduzira logo na primeira edição que escrevera de The Spectacular Spider-Man."



Roger Stern (cima) e John Romita Jr.
dividem a "paternidade" do Duende Macabro.
De facto, uns quantos leitores com costela detetivesca depressa deduziram que seria o rosto insolente de Kingsley a esconder-se sob a máscara do Duende Macabro. A fim de despistá-los ao mesmo tempo que providenciava uma explicação retroativa para a caracterização inconsistente de Kingsley nas suas aparições pregressas, Stern atribuiu-lhe um irmão gémeo, criado propositadamente para o efeito.
Daniel Kingsley, assim foi crismado o sósia de Roderick, encarnaria por vezes o Duende Macabro. Com essa pirueta narrativa, os leitores seriam mantidos em suspense durante mais algum tempo até à grande revelação. Para que o logro fosse crível, Stern tratou de mostrar a presença simultânea de Roderick Kingsley e do Duende Macabro em Amazing Spider-Man nº249.
Determinado em bater o recorde de longevidade do mistério em redor da identidade do Duende Verde, Roger Stern pretendia expor a verdadeira face do Duende Macabro em The Amazing Spider-Man nº264. Superando desse modo o número de edições ao longo das quais, uma vintena de anos antes, os leitores haviam tentado adivinhar quem era o homem por detrás do duende que infernizava a vida do Cabeça de Teia.
O plano de Stern iria, contudo, por água abaixo quando ele foi inesperadamente afastado das histórias do herói aracnídeo em The Amazing Spider-Man nº252. Até então editor dos títulos periódicos do Homem-Aranha, Tom DeFalco assumiria logo depois o lugar deixado vago por Stern. E foi aí que a maré mudou, arrastando o Duende Macabro para águas ainda mais turvas.
Apostado em solucionar rapidamente o mistério acerca da verdadeira identidade do Duende Macabro sem desvirtuar o trabalho desenvolvido pelo seu antecessor, DeFalco perguntou a Stern quem se escondia afinal atrás da máscara. Quando este lhe revelou que se tratava de Roderick Kingsley, DeFalco rejeitou prontamente essa hipótese. No seu entender, além de desonesto para com os leitores, o ardil de um irmão gémeo era um beco sem saída do ponto de vista narrativo, pois em momento algum a sua existência fora sequer sugerida.
Mesmo discordando do parecer do seu interlocutor, Stern deu-lhe carta branca para escolher outra persona civil para a sua criação. Confiante de que, fosse qual fosse a escolha de DeFalco, ela seria a mais acertada.
Após uma revisão exaustiva das pistas que Stern fora plantando desde o surgimento do Duende Macabro, DeFalco concluiu que ele deveria ser Richard Fisk, o filho pródigo do Rei do Crime*. Entendeu igualmente por bem manter o segredo pelo máximo tempo possível, por ser esse o elemento que tornava a personagem tão interessante aos olhos dos leitores. Com o intuito de lhes espicaçar ainda mais a curiosidade, várias capas de The Amazing Spider-Man mostravam o Homem-Aranha a desmascarar o Duende Macabro sem que, contudo, a verdade viesse ao de cima.

Uma das capas de Amazing Spider-Man
que serviram de chamariz aos leitores mais curiosos.
Tudo parecia bem encaminhado até James Owsley ser designado editor da linha de títulos do Escalador de Paredes. Tensa seria um eufemismo para caracterizar a sua relação com DeFalco. Por isso, quando, numa conferência de autores, Owsley o questionou sobre a verdadeira identidade do Duende Macabro, DeFalco mentiu despudoradamente, indicando Ned Leeds (ver lista de alter egos) como sendo o homem por detrás da máscara.
Na posse dessa informação privilegiada, Owsley escreveria num ápice Spider-Man versus Wolverine, crossover que incluía a presumível morte de Ned Leeds. De seguida, Owsley propôs a Peter David**, escriba responsável pelas estórias do aranhiço em The Spectacular Spider-Man, a apresentação do Estrangeiro (The Foreigner, no original) como o alter ego do Duende Macabro.
Conceito desenvolvido pouco tempo antes por David, o Estrangeiro era um assassino de gabarito mundial que tivera um breve recontro com o Homem-Aranha. Apesar de lisonjeado por a escolha de Owsley para tão importante papel contemplar uma personagem da sua autoria, David declinou a proposta.
A exemplo dos demais participantes na conferência de autores, Peter David estava firmemente convencido de que Ned Leeds seria, de facto, o Duende Macabro e sabia bem quão pouco amistosa era a relação entre Owsley e DeFalco. Razões de sobra para ele não se querer envolver na polémica que antevia.
A revelação de que Ned Leeds era o Duende Macabro
foi apenas o começo de um mistério maior.
Descartada a possibilidade de utilização do Estrangeiro, e uma vez que a história de Owsley já fora desenhada, era demasiado tarde para reverter a morte de Ned Leeds. A solução encontrada para o imbróglio passou, assim, por uma revelação póstuma, nas páginas de The Amazing Spider-Man nº289.
Ficando desse modo os leitores a conhecer a verdade, quando era já Jason Macendale o portador do capuz do Duende Macabro. Escusado será dizer que esta foi uma opção deveras impopular.
Ciente desse facto,  Peter David continua, ainda assim, a dizer-se orgulhoso da história que atamancou. Argumentando que, apesar de ser um lugar-comum, é sempre emocionante ver um vilão odioso ser desmascarado no clímax de uma batalha épica contra o herói de quem é inimigo.
Quem nunca se conformou com a decisão de transformar Ned Leeds no primeiro Duende Macabro foi Roger Stern. E, à primeira oportunidade, tratou de emendar isso. Em 1997, Stern escreveu Spider-Man: Hobgoblin Lives, minissérie em três volumes que serviu para recontar a origem do vilão.
Entre outros ajustamentos retroativos, a história mostrava a criação do Duende Macabro por parte de Roderick Kingsley e a lavagem cerebral a que ele submeteu Ned Leeds para que este lhe servisse de bode expiatório.
Após matar Macendale, Kingsley reassumiu a sua antiga persona criminosa. Solução proposta pelo editor de Roger Stern enquanto este se debatia com o problema da existência de dois Duendes Macabros. Mas, como veremos em seguida, a procissão de duendes ainda ia no adro...

* Biografia não autorizada do Rei do Crime em http://bdmarveldc.blogspot.pt/2015/09/galeria-de-viloes-rei-do-crime.html
** Perfil disponível em http://bdmarveldc.blogspot.pt/2015/12/eternos-peter-david-1956.html

Um vilão capaz de causar calafrios
 a quem lhe cruza o caminho.

Revoada de duendes

Conheçamos, então, um pouco melhor os homens que, ao longo dos anos, mantiveram vivo o legado do Duende Macabro. Note-se que a ordem pela qual eles figuram na lista abaixo é cronológica, não editorial.
Feito este esclarecimento prévio, passemos, sem mais delongas, às apresentações sumárias de cada um deles.

*Roderick Kingsley: Notório pela sua visão e práticas empresariais antiéticas, Roderick Kingsley era um bem-sucedido criador de alta costura que administrava um vasto império financeiro. Após descobrir a localização de alguns dos esconderijos secretos de Norman Osborn - o Duende Verde original - Kingsley tornou-se obcecado com o legado do malogrado vilão e decidiu dar-lhe continuidade. Sempre com esse objetivo em mente, apropriou-se da parafernália tecnológica projetada por Osborn e aplicou em si mesmo uma versão melhorada do Soro do Duende, adquirindo habilidades sobre-humanas similares às do seu antecessor.

Roderick Kingsley,
o fundador de uma macabra dinastia.
Operando como Duende Macabro, Kingsley começou por usar o seu novo alter ego para chantagear alguns dos seus rivais na indústria da moda. Rapidamente se tornaria, no entanto, uma das figuras mais temidas do submundo nova-iorquino, o que fez tilintar o sentido de aranha de um certo Escalador de Paredes.
Para acobertar os seus incontáveis crimes, Kingsley raptou Ned Leeds e sujeitou-o a uma lavagem cerebral, induzindo-o a acreditar que era ele o verdadeiro Duende Macabro. Quando teve a sua identidade comprometida pelo Homem-Aranha e por Betty Brant, a viúva de Ned Leeds, Kingsley fugiu para as Caraíbas, onde pretendia gozar a sua reforma dourada.

*Ned Leeds: Edward "Ned" Leeds era um promissor repórter do Clarim Diário casado com Betty Brant, também ela secretária pessoal de J. Jonah Jameson, o temperamental editor do jornal. Usado como bode expiatório por Roderick Kingsley, julgava-se o verdadeiro Duende Macabro. Acabaria executado pelo Estrangeiro na ex-RDA quando deixou de ter utilidade para Kingsley.

Ned Leeds, o bode expiatório.

*Jason Philip Macendale Jr.:
O mais veterano dos Duendes Macabros (envergou o uniforme durante exatamente uma década, de 1987 a 1997), Jason Macendale era um mercenário de sangue frio treinado pela CIA e que se notabilizara como Halloween, um criminoso fantasiado que enfrentou o Homem-Aranha em diversas ocasiões.
Macendale entraria em cena quando, empenhado em arranjar novo testa-de-ferro, Roderick Kingsley incriminou Flash Thompson, velho amigo de Peter Parker. Julgando estar a fazer um favor ao Duende Macabro que o faria cair nas boas graças do vilão, Macendale ajudou Thompson a fugir da prisão. Ao perceber o logro, decidiu ele próprio tornar-se o Duende Macabro.

Jason Macendale, o mercenário de sangue frio.
Durante os eventos de Inferno (saga já dissecada neste blogue), Macendale foi imbuído de poderes sobrenaturais e sofreu uma horrível transformação física que o dotou de uma aparência monstruosa. Período durante o qual o Duende Macabro deu lugar ao ainda mais sinistro Duende Demoníaco (Demogoblin).
Tal como o seu antecessor, Macendale acabaria assassinado. Desta feita, pelo próprio Roderick Kingsley, regressado ao ativo para reclamar o seu legado.

*Daniel Kingsley: Quando o seu irmão gémeo foi forçado a abandonar a identidade de Duende Macabro e a procurar novamente santuário nas Caraíbas em consequência da sua derrota às mãos do Duende Verde, coube a Daniel Kingsley manter vivo o seu legado. Seria, porém, assassinado por Phil Urich, sobrinho de Ben Urich, o veterano jornalista do Clarim Diário e amigo de longa data de Peter Parker.

Daniel Kingsley, o sósia.
*Phil Urich: Depois de matar, em legítima defesa, Daniel Kingsley e de assumir o manto do Duende Macabro, Urich tornar-se-ia um agente do Rei do Crime. Quando o império criminoso de Wilson Fisk foi desmantelado pelo Homem-Aranha Superior (combinação da mente de Otto Octavius com o corpo de Peter Parker), Urich foi preso e teve a sua identidade exposta. Libertado pelo Duende Verde, jurou-lhe lealdade e adjuvou-o na sua campanha para reconquistar o submundo de Nova Iorque. Na esteira da presumível morte do seu benfeitor, Urich autoproclamou-se Rei Duende.

Phil Urich, o príncipe degenerado.
*Claude: Mordomo de Roderick Kingsley, por ordem do patrão fez-se passar pelo Duende Macabro numa tentativa de derrubar o Rei Duende. Não sobreviveu à batalha com o vilão e teve o seu corpo destruído. Após estes eventos, Roderick Kingsley viajou para Paris. De onde passou a administrar discretamente o seu império pessoal, dedicando-se, em paralelo, ao lucrativo negócio da venda de patentes a aspirantes a supervilões.

Guerra de Duendes.

Trivialidades:

*Senhor de uma mente maquiavélica e de uma psicologia sui generis, Roderick Kingsley integra o restrito lote dos que lograram trapacear génios criminosos como Norman Osborn ou Wilson Fisk;
* Arnold "Lefty" Donovan, um patife de meia-tigela, serviu de cobaia humana a Kingsley quando este necessitou testar a nova fórmula do Soro do Duende. Apesar dos resultados satisfatórios do ensaio, Lefty acabaria assassinado pelo seu "benfeitor";
* Durante a sua segunda estada nas Caraíbas, Roderick Kingsley criou a persona Devil-Spider, para prosseguir a sua atividade criminosa. Tudo apontando para que o figurino do Tarântula, outro dos inimigos clássicos do Homem-Aranha, lhe tenha servido de inspiração na hora de definir o novo visual;

Devil-Spider, a outra faceta criminosa de Roderick Kingsley.
* Certa vez, após ter escapado do hospício onde fora internado, Deadpool usou o disfarce de Duende Macabro para fazer explodir um hangar a mando de um empregador. No entanto, o Mercenário Tagarela não gostou de vestir a fatiota e, depois de ter mandado pelos ares o hangar errado, não mais voltou a enfiar-se dentro dela;
* O Duende Macabro tem papel de destaque em The Amazing Adventures of Spider-Man, uma das atrações mais populares do Islands Adventures, parque temático aberto ao público desde 1999 em Orlando (Florida).

A aranha e o duende: inimigos naturais.
Noutros segmentos culturais: Quedando-se num mui digno 57º lugar no Top 100 dos melhores vilões da banda desenhada elaborado em 2009 pela plataforma IGN, a popularidade do Duende Macabro nos quadradinhos não teve, até ao momento, correspondência fora deles.
Ainda sem espaço no Universo Expandido da Marvel, a única incursão do vilão no panorama audiovisual reporta a meados dos anos 1990, quando participou em diversos episódios de Spider-Man: The Animated Series (1994-98). Com a particularidade de surgir retratado como um dos primeiros inimigos do Homem-Aranha, precedendo mesmo a sua aparição a do Duende Verde.

Mark Hamill (o eterno Luke Skywalker, de Star Wars) emprestou a sua voz
 ao Duende Macabro em Spider-Man. The Animated Series.
Mais ou menos na mesma altura, o Duende Macabro marcou presença em The Amazing Spider-Man, série de tiras diárias da autoria de Stan Lee e do seu irmão Larry Lieber, que vêm sendo publicadas desde 1977 em vários jornais de todo o mundo.
Também aí a personagem teve, no entanto, a sua história revista. Nesta versão, era Harry Osborn, filho de Norman Osborn, quem assumia a identidade do Duende Macabro para vingar a morte do pai. Em comum com o original, o ódio visceral em relação ao herói aracnídeo, a quem culpava pela sua tragédia familiar.

O legado do Mal.