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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

RETROSPETIVA: «O CAVALEIRO DAS TREVAS RENASCE»


  Sitiada por um inimigo implacável, Gotham City vê o seu campeão caído em desgraça reerguer-se para travar a última batalha em seu nome. Menos aclamado do que os seus antecessores, foi um epílogo condigno de uma das mais magistrais trilogias da história do cinema. Mesmo tendo a sua estreia em terras do Tio Sam ficado ensombrada pela violência e pela controvérsia política.

Título original: The Dark Knight Rises (no Brasil, O Cavaleiro das Trevas Ressurge)
Ano: 2012
País: EUA / Reino Unido
Duração: 164 minutos
Género: Ação/Suspense/Fantasia
Companhias produtoras: Legendary Pictures e Syncopy
Realização: Christopher Nolan
Argumento: Christopher Nolan, Jonathan Nolan e David S. Goyer
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Elenco: Christian Bale (Bruce Wayne/Batman); Michael Caine (Alfred Pennyworth); Gary Oldman (Comissário James Gordon); Anne Hathaway (Selina Kyle / Mulher-Gato); Tom Hardy (Bane); Marion Cottilard (Miranda Tate / Talia al Ghul); Joseph Gordon-Levitt (John Blake); Morgan Freeman (Lucius Fox); Cillian Murphy (Jonathan Crane / Espantalho)
Orçamento: 250 milhões de dólares
Receitas: 1,1 biliões de dólares
Desenvolvimento: Dirigir um terceiro filme do Batman estava fora das cogitações de Christopher Nolan. Depois do fragoroso sucesso de The Dark Knight em 2008, nova sequela prefigurava-se-lhe redundante. Hesitou por isso em aceder ao convite que lhe foi endereçado nesse sentido por Jeff Robinov, o presidente-executivo da Warner Bros. Face à insistência deste para que desse continuidade à franquia, Nolan impôs uma condição: que a história fosse capaz de envolvê-lo emocionalmente.
Havia, por outro lado, que consensualizar a escolha do antagonista principal. Tentados a utilizar uma personagem similar ao Joker, os executivos do estúdio propuseram o Charada. E até já teriam em vista o ator que consideravam ideal para o papel. Ninguém menos do que Leonardo DiCaprio.
Nolan preferia, ao invés, um vilão com características distintas dos anteriores. Apesar  do seu desconhecimento relativamente ao contexto de Bane(1), ficou impressionado pela sua presença física e natureza implacável.
Em fevereiro de 2010, depois de meses a trabalhar em segredo no rascunho do guião, o cineasta britânico confirmou finalmente a sua continuidade à frente do projeto. Anunciou também que o argumento daquele que seria o epílogo da trilogia do Cavaleiro das Trevas iniciada em 2005 com Batman Begins estava a ser escrito com a colaboração de David S. Goyer e do seu irmão Jonathan Nolan.
Christian Bale (Batman) e Tom Hardy (Bane) atentos às diretrizes de Nolan
 para uma das cenas mais marcantes do filme.
Apesar de ter em Knightfall(2) a sua alma mater, a história seria também fortemente influenciada por duas outras sagas marcantes do Batman: The Dark Knight Returns (1986) e No Man's Land (1999). Na primeira, da autoria de Frank Miller, um Homem-Morcego amargo e envelhecido regressa ao ativo após vários anos de ausência; na segunda, Gotham City é isolada do mundo e transformada numa Terra de Ninguém controlada por bandos criminosos.
Nolan revelaria mais tarde que o seu primeiro rascunho da história continha igualmente diversos elementos extraídos de Um Conto de Duas Cidades, obra literária de Charles Dickens dada à estampa em 1859. Muitos dos quais, como a elegia do Comissário Gordon ao Batman no final do filme, permaneceram na versão final do argumento.

No Man's Land (1999) foi uma das sagas a inspirar o argumento do filme.
Afastada em definitivo a possibilidade de o Joker marcar de alguma forma presença na película, a respetiva rodagem arrancaria em maio de 2011, na cidade indiana de Jodhpur. Apenas um dos numerosos cenários escolhidos para as filmagens que se prolongariam até novembro desse ano e passariam por três continentes: Ásia, Europa e América do Norte. E que ficariam também marcadas por diversos acidentes. O mais gravoso dos quais ocorreu em Pittsburgh, quando um camião que transportava um modelo do Batwing se despistou. Apesar da ausência de feridos, a aeronave ficou inutilizada, havendo a necessidade de construir outra. Em consequência disso, a produção sofreu um significativo atraso.
Precedido por uma campanha de marketing viral à escala global, The Dark Knight Rises estrearia nos EUA a 20 de julho de 2012. E nem mesmo o incidente ocorrido num cinema do Colorado (ver O Massacre de Aurora) o impediu de pulverizar todos os recordes de bilheteira, tornando-se mesmo o capítulo mais lucrativo de toda a franquia - ela própria uma das mais rentáveis de história da 7ª Arte.

Um dos mais icónicos cartazes que ajudaram à promoção do filme.

Enredo: Ao sobrevoar as vastas planícies do Uzbequistão, um avião da CIA que transporta um físico nuclear russo é tomado de assalto pela Liga dos Assassinos agora sob o comando de Bane, um implacável terrorista mascarado. Após chacinar a tripulação e provocar o despenhamento do aparelho, o grupo leva consigo o cientista.
Em Gotham City, oito anos se passaram desde a morte de Harvey Dent, o carismático promotor público corrompido pelo Joker, cujos crimes foram assumido pelo Batman. Embuste que permitiu a promulgação da Lei Dent que, por via do reforço dos poderes da Polícia, abriu caminho à erradicação do crime organizado na cidade. Que, em contrapartida, perdeu o seu soturno padroeiro.
Vivendo como um eremita na sua mansão, Bruce Wayne, o alter ego do Cavaleiro das Trevas, continua a amargar com a morte de Rachel Dawes, a namorada de infância que o trocara por Dent. Ao consciencializar-se do potencial bélico do reator nuclear construído pelas Indústrias Wayne, Bruce ordena o cancelamento imediato do projeto. Em virtude dessa decisão, a empresa entra em derrocada financeira.
Gotham City tem em Bane o seu novo flagelo.
Convidado para uma festa na Mansão Wayne, o Comissário Gordon escreve um discurso onde expõe a verdade acerca da morte de Harvey Dent. Acabando, no entanto, por desistir no último instante dessa sua intenção.
Disfarçada de serviçal, Selina Kyle, uma gatuna profissional, logra infiltrar-se nos aposentos de Bruce para lhe roubar as impressões digitais. Levando como bónus um colar de pérolas que havia pertencido à falecida mãe do milionário. Antes de abandonar a mansão, Selina tem ainda tempo para raptar um congressista chamado Byron Gilley.
Ambos os crimes lhe tinham sido encomendados por John Dagget, o inescrupuloso líder de um conglomerado concorrente das Indústrias Wayne. A troco de um algoritmo informático capaz de apagar o seu cadastro criminal, Selina entrega Gilley e as impressões digitais de Bruce a Dagget.
Ao aperceber-se do logro em que caiu, Selina põe-se em fuga, não sem antes avisar a Polícia do paradeiro do congressista desaparecido.
Seguindo a pista fornecida por Selina, a Polícia resgata Gilley e o Comissário Gordon persegue um dos seus raptores até à rede subterrânea de esgotos da cidade. Que, por esses dias, servem de base operacional secreta a Bane e seus apaniguados.
Embora ferido, Gordon consegue regressar à superfície, sendo auxiliado por John Blake, um recruta novato do Departamento de Polícia. Na fuga Gordon perdera, contudo, o seu comprometedor discurso que, assim, vai parar às mãos de Bane.
Dias depois, Bane e os seus homens invadem a Bolsa de Valores de Gotham. Usando as impressões digitais de Bruce Wayne, validam uma transação financeira que leva as Indústrias Wayne à falência.
Deduzindo que Dagget seria o verdadeiro cabecilha do golpe, Bruce delega o poder em Miranda Tate, um dos membros do Conselho de Administração das Indústrias Wayne com quem vinha mantendo também um relacionamento amoroso.
Após a demissão do seu fiel mordomo Alfred, Bruce decide voltar a assumir o manto do Batman para travar a onda de crimes em curso. Conduzido pela Mulher-Gato até ao covil de Bane, o Cavaleiro das Trevas é emboscado pelo vilão, que o deixa aleijado.

Batman faz um regresso em grande estilo
 antes de ser vergado pelo seu novo némesis.
Enquanto o herói agoniza a seus pés, Bane revela-lhe ter assumido o controlo da Liga dos Assassinos e o seu plano de destruição de Gotham City. Cumprindo assim o desejo de Ra's al Ghul, o fundador da organização derrotado anos antes por Batman, seu antigo discípulo.
Encarcerado numa prisão virtualmente inescapável e de localização desconhecida, Bruce nada pode fazer para travar a cadeia de eventos que se seguem. Depois de roubar a tecnologia das Indústrias Wayne, Bane força Lucius Fox e Miranda Tate a levarem-no até ao reator nuclear inativado. Cujo núcleo é convertido numa bomba atómica pelo cientista russo sequestrado pela Liga dos Assassinos.
Com Gotham submersa em caos, Bane consegue atrair o grosso do seu contingente policial aos esgotos, usando explosivos estrategicamente plantados para encurralar os agentes no subsolo. Ameaçando fazer deflagrar a bomba atómica, o vilão mantém Gotham como refém, isolando-a do mundo ao dinamitar a quase totalidade das pontes que ligam a cidade ao continente.
Perante milhares de espectadores num estádio onde decorria um jogo de futebol americano interrompido pelas detonações no subsolo, Bane lê em voz alta o discurso de Gordon antes de ordenar a libertação dos prisioneiros da penitenciária de Black Gate.
Instalada a anarquia, os ricos e poderosos de Gotham são expropriados dos seus bens e sujeitos a julgamentos populares presididos pelo Espantalho. Sem hipóteses de defesa, muitos dos réus acabam sumariamente executados.
Nos meses seguinte, com Gotham vergada ao reinado de terror de Bane, Bruce Wayne recupera física e mentalmente. Enquanto se prepara para a íngreme escalada que o devolverá à liberdade, ouve as histórias contadas pelos outros reclusos acerca do único prisioneiro que alguma vez conseguiu evadir-se daquele buraco imundo. Façanha que Bruce consegue no entanto reeditar.

Bruce Wayne a meio da escalada para a liberdade.
Regressado a Gotham, Batman arregimenta aliados: além do Comissário Gordon e de Alfred, também John Blake, Miranda Tate e a Mulher-Gato são mobilizados para a batalha pela libertação da cidade sitiada. À qual o herói se recusa virar costas, apesar da insistência de Selina para que partam juntos.
Resgatados por Batman, os agentes policiais confrontam os asseclas de Bane. Em meio à batalha campal em pleno centro de Gotham, o herói volta a ficar frente a frente com o seu algoz.
Prestes a sobrepujar Bane, o Homem-Morcego é inesperadamente esfaqueado por Miranda Tate. Que é, na verdade, Talia, a filha de Ra's al Ghul. Apostada em concluir os diabólicos planos do progenitor, era ela a prisioneira na origem da lenda de que Bruce tivera conhecimento durante o seu cativeiro.
Talia tenta detonar a bomba mas Gordon antecipa-se e neutraliza o seu recetor remoto. Em desespero, a vilã tenta escapar no camião que transporta o engenho, acabando contudo por capotar e morrer.

Batman versus Bane: 2º round.
Com a bomba em contagem decrescente, Batman usa o Batwing para carregá-la para fora dos limites da cidade e, aparentemente, não sobrevive à violenta explosão que se segue.
Enquanto o Cavaleiro das Trevas é honrado como um herói, Bruce Wayne é dado como morto nos motins que vitimaram boa parte da elite gothamita. Entre outras coisas, o seu testamento dita a conversão da Mansão Wayne num orfanato gerido por John Blake. Uma vez liquidadas as dívidas, o restante património reverterá para Alfred.
À medida que a cidade vai regressando à normalidade, o Comissário Gordon encontra um novo Bat-sinal no telhado da sede do Departamento de Polícia. Ao analisar os destroços do Batwing, Lucius Fox descobre  que este tinha o piloto automático ligado no momento da explosão. Crescendo assim as suspeitas de que o Batman terá, afinal, sobrevivido.
De visita à cidade italiana de Florença, Alfred, ao descansar numa esplanada, tem um vislumbre do seu antigo amo na companhia de Selina Kyle.
Longe dali, John Blake - cujo nome do meio é Robin - abandona o Departamento de Polícia de Gotham City e, cumprindo a última vontade de Bruce Wayne, visita a Batcaverna. Morre uma lenda para que outra possa nascer...

E viveram felizes para sempre?

Trailer:



Curiosidades:

*Segundo Nolan, a cada capítulo da trilogia do Cavaleiro das Trevas corresponde um simbolismo: Batman Begins é uma metáfora para o Medo, The Dark Knight representa o Caos e The Dark Knight Rises a Dor. Cada um dos filmes tem também mais 12 minutos de duração do que o seu antecessor (140, 152 e 164 minutos, respetivamente);
*Christian Bale é, até ao momento, o mais jovem ator a encarnar o Batman, e também o único a fazê-lo em três filmes. Já o Espantalho, interpretado por Cillian Murphy é o único vilão a marcar presença em toda a trilogia;
*A vibrante melodia que acompanha várias das entradas em cena de Bane é um cântico marroquino intitulado Deshi Basara, expressão árabe para "Ergue-te";
*The Dark Knight Rises foi o primeiro filme do Batman dirigido por Nolan a não conquistar qualquer Óscar. E o segundo do herói, depois de Batman & Robin (1997), a não receber qualquer nomeação para as estatuetas douradas;
*Enquanto participava nas audições, Anne Hathaway estava convicta de que iria interpretar a Arlequina, a estouvada concubina do Joker. Jessica Biel, Kate Mara e Natalie Portman foram outras atrizes equacionadas para o papel de Mulher-Gato;

Anne Hathaway tornou-se a quinta atriz
 a interpretar a Mulher-Gato.
*Tom Hardy, o segundo ator a emprestar o corpo a Bane depois de Jeep Swenson em Batman & Robin, aceitou o papel sem ler o guião. Na sua composição da personagem, incluiu uma imitação da voz e do sotaque de Bartley Gorman, pugilista irlandês de origem cigana que, em 2002, faleceu como campeão invicto da modalidade no Reino Unido;
*Em momento algum do filme Selina Kyle é identificada como Mulher-Gato. Apesar disso, a Polícia e os jornais referem-se a "The Cat", referência aos primórdios da personagem em que era uma ladra de joias conhecida apenas por essa alcunha;
*A cena final que mostra a entrada da Batcaverna descoberta por John Blake foi rodada no País de Gales, terra natal de Christian Bale;
*Bane foi o único antagonista principal a ser morto na trilogia. Dada a ausência dos respetivos cadáveres, as mortes de Ra's al Ghul em Batman Begins e do Joker em The Dark Knight podem ser apenas presumidas.
*Batman foi pela primeira vez cognominado de "Cavaleiro das Trevas" em 1940, numa história assinada por Bill Finger (seu criador juntamente com Bob Kane), publicada em Batman nº1.

Prémios e distinções: A despeito da gélida indiferença por parte da Academia de Hollywood, The Dark Knight Rises foi  indicado para diversos galardões em diferentes categorias. Conquistaria sete deles, destacando-se o AFI Award para Melhor Filme e o Saturn Award para Melhor Atriz Secundária atribuído a Anne Hathaway. Pecúlio consideravelmente mais modesto do que o de The Dark Knight que, quatro anos antes, arrecadara mais de duas dezenas de prémios, incluindo dois Óscares. Mas superando, ainda assim, o registo do primeiro capítulo da saga. Em 2005, Batman Begins conseguira apenas três prémios, o mais importante dos quais o Saturn Award para Melhor Filme.

Christian Bale e Christopher Nolan na cerimónia dos AFI Awards.

O massacre de Aurora

A 20 de julho de 2012, data da estreia oficial da película em terras do Tio Sam, um atirador disfarçado com uma máscara de gás abriu fogo no interior de uma sala de cinema apinhada durante a sessão da meia-noite num centro comercial de Aurora, no Colorado. Ato tresloucado de que resultaram 12 vítimas mortais e 58 feridos, vários deles com gravidade.
Capturado pela Polícia nas imediações do recinto, o autor do massacre seria identificado como James Eagan Holmes, um estudante de Medicina à data com 24 anos e sem antecedentes criminais. Mas com uma saúde mental notoriamente precária, conforme atestariam vários profissionais da área que o haviam acompanhado no passado.
Quando interrogado pelas autoridades, empenhadas em apurar o móbil do crime, Holmes afirmou ser o Joker e alertou as autoridades para a existência de explosivos prontos a detonar no seu apartamento. Informação que se confirmaria verdadeira.
Da revista efetuada ao imóvel, além do desmantelamento de uma bomba, resultou também a apreensão de um pequeno arsenal e de uma vasta parafernália alusiva ao Batman, por quem Holmes tinha uma fixação patológica.
Na esteira do fatídico incidente, e face ao medo instalado, a Warner Bros. apresentou condolências às famílias das vítimas e anunciou, em comunicado, o cancelamento das antestreias agendadas para diversos pontos do globo. Algumas das quais, como a que deveria ter tido lugar em Paris, contariam com a presença das principais vedetas do elenco.
Receando um efeito de contágio, também várias estações televisivas norte-americanas suspenderam de pronto os anúncios de promoção do filme.
Christian Bale, por sua vez, fez questão de visitar os sobreviventes da chacina que se encontravam hospitalizados, bem como o memorial improvisado que homenageava os que haviam perdido a vida no ataque.
Quanto a James Eagan Holmes, as alegações de insanidade mental apresentadas pelo seu advogado de defesa no decurso do julgamento a que foi sujeito num tribunal estadual tiveram o condão de livrá-la da injeção letal. Acabando, em vez disso, sentenciado a 12 penas de prisão perpétua sem direito a liberdade condicional.
Persiste, contudo, até hoje o mistério em torno das verdadeiras motivações de Holmes para manchar de sangue a estreia de um filme baseado no seu super-herói predileto.


James Holmes, cropped.jpg
Um enigma chamado James Eagan Holmes.

Controvérsia política

Acusado por alguns comentadores políticos estadunidenses de engajamento com a agenda conservadora, The Dark Knight Rises esteve no epicentro de uma acesa controvérsia cujos ecos cruzaram mesmo o Atlântico.
Tudo começou com as diatribes lançadas na plataforma online Salon por David Sirota. Para este articulista ligado ao campo progressista, ao refletir de forma evidente a retórica do Tea Pary (ala ultraconservadora do Partido Republicano) contra o movimento Ocupar Wall Street (cujos ativistas, à data dos factos, contestavam as iniquidades do sistema financeiro norte-americano), o filme era um instrumento ao serviço do status quo.
Afinando pelo mesmo diapasão, a jornalista britânica Catherine Shoard referiu-se no The Guardian (tabloide tradicionalmente conotado com o centro-esquerda) à "audaciosa visão capitalista e apologética do vigilantismo" que a fita de Nolan (seu compatriota) supostamente encerraria.
Reações destemperadas que obrigaram Nolan vir a terreiro defender a sua dama. Em comunicado, o cineasta negou categoricamente a existência de qualquer subtexto político nos filmes do Batman por ele dirigidos.
Com a polémica ao rubro nas redes sociais, também o cocriador de Bane achou por bem pronunciar-se. Num artigo publicado na revista Variety, Chuck Dixon observou que, pelo seu viés eminentemente subversivo, o vilão não poderia destoar mais da agenda conservadora a que os detratores do filme o procuravam vincular.

Apesar de cenas como esta,
O Cavaleiro das Trevas Renasce foi rotulado de "reacionário".
Em ano de eleições presidenciais, e com o seu candidato a perder terreno nas sondagens, também os Republicanos não se furtaram à chicana política. Rush Limbaugh, comentador próximo de Mitt Romney, associou The Dark Knight Rises a uma alegada campanha de denegrimento do rival de Barack Obama na corrida à Casa Branca. Em causa a homofonia existente entre o nome do némesis do Homem-Morcego e a Bain Capital, agência financeira anteriormente presidida por Romney. Limbaugh acabaria ridicularizado em praça pública, uma vez que a criação de Bane, em 1993, precedeu em quase duas décadas a candidatura do milionário mórmon à Sala Oval.
A quem The Dark Knight Rises parece ter agradado sobremaneira foi a Donald Trump. Tanto que, no seu discurso de investidura como 45º Presidente dos EUA, em janeiro último, citou várias passagens daquele que Bane havia proferido aquando da queda de Gotham City.

Voo para a eternidade.


Veredito: 80%

Qualquer epopeia exige um epílogo a condizer. E, apesar de algumas lacunas evidentes, este Cavaleiro das Trevas Renasce logrou encerrar com chave de ouro aquela que é, sem sombra de dúvida, uma das melhores trilogias da história do cinema.
Depois do feito alcançado por Christopher Nolan em O Cavaleiro das Trevas, a principal dúvida consistia em saber se o realizador seria capaz de nos presentear com algo capaz de, pelo menos, igualar essa obra-prima da 7ª Arte. Muitos se questionavam, por outro lado, se o capítulo final da saga contaria com um némesis tão marcante e inolvidável como o Joker de Heath Ledger.
Durante muito tempo, foram essas as principais dúvidas a assaltar os espíritos dos fãs que aguardavam ansiosos pelo desfecho de uma trilogia que, até ao momento, recebera a aclamação quase unânime do público e da crítica. Nolan prometia um final épico, e ninguém se contentaria com menos.
Nestes termos, pode afirmar-se que O Cavaleiro das Trevas Renasce não defraudou por completo as expectativas - que, convenhamos, eram estratosféricas -, mercê da sua grandiosidade, especialmente no campo visual. Aquela que nos salta à vista logo nos instantes iniciais da película, com uma espetacular e muitíssimo bem filmada sequência envolvendo o sequestro e a destruição de um avião em pleno voo (uma das melhores do género que alguma vez me foi dada a ver).
Já em termos emocionais, o filme fica abaixo do que era esperado. Sendo, aliás, essa, a par de algum pretensiosismo do enredo, a sua maior pecha. Se, por um lado, Nolan, como é sua práxis, patenteia a mesma preocupação com a solidez das suas personagens - especialmente no que toca aos estreantes John Blake, Selina Kyle e Miranda Tate - , por outro deixa-se misteriosamente levar por excessos narrativos em prejuízo do registo realista que pautara os dois primeiros filmes. Desse ponto de vista, O Cavaleiro das Trevas Renasce é o capítulo mais descuidado da trilogia.
Empecilhos ainda assim insuficientes para diminuir a força da obra, pois O Cavaleiro das Trevas Renasce é um filme que cumpre com louvor o que promete desde o início. É verdade que as elevadas expectativas lhe foram nocivas, mas não ao ponto de cegar o público para os seus muitos méritos.
Embora demasiado dependente dos capítulos anteriores (mormente de Batman - O Início, com o qual constrói diversas pontes), O Cavaleiro das Trevas Renasce é um filme com densidade própria e dono de um sentimento singular. Por mais que algumas escolhas de Nolan soem dúbias, é possível notar o pulso forte de alguém que sabe o que quer e para onde vai.
Erros e incoerências existem, com certeza, mas é verdadeiramente admirável a coragem de Nolan em assumir riscos justamente no encerramento de uma trilogia  que já se tornou referência entre as adaptações cinematográficas de super-heróis. Que, depois dela, não mais foram as mesmas.


Referências:

(1) http://bdmarveldc.blogspot.pt/2012/03/nemesis-bane.html
(2) http://bdmarveldc.blogspot.pt/2014/12/do-fundo-do-bau-queda-do-morcego.html

segunda-feira, 27 de junho de 2016

GALERIA DE VILÃS: TALIA AL GHUL




   Assassina de gabarito mundial, nas veias corre-lhe o sangue de um dos arqui-inimigos do Batman. Herói a quem salvou a vida em diversas ocasiões e com quem concebeu o mais recente Menino Prodígio. Alcunhada de Filha do Demónio, tem-se esmerado em fazer jus à sua reputação.

Criadores: Dennis O'Neil (história) e Bob Brown (esboços)
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Primeira aparição: Detective Comics nº411 (maio de 1971)
Identidade civil: Talia al Ghul
Local de nascimento: Desconhecido
Parentes conhecidos: Ra's al Ghul (pai), Melisande (mãe falecida), Dusan al Ghul (irmão), Nyssa Raatko (meia-irmã), Damian Wayne (filho) e Bruce Wayne (ex-marido)
Afiliação: Líder da Leviatã, ex-líder da Liga de Assassinos e membro reserva da Sociedade Secreta de Supervilões
Base de operações: Móvel
Armas, poderes e habilidades: Comummente descrita como uma atleta de nível olímpico, Talia al Ghul é também uma atiradora de elite. Extraordinariamente destra no manuseamento tanto de armas de fogo como brancas, não depende contudo delas para cultivar a letalidade que faz dela uma assassina de renome mundial.
Apesar de muitas vezes subestimada pelos seus adversários, a sua proficiência numa vasta gama de artes marciais tornam-na uma exímia lutadora mano a mano.
Detentora de um quociente de inteligência muito superior à média, a sua eclética formação académica inclui pós-graduações em Biologia, Engenharia e Gestão Financeira, sendo também poliglota.
Sedutora por natureza, é dona de uma beleza exótica à qual nem o próprio Batman consegue resistir. Essa é, aliás, outras das armas a que Talia não hesita em lançar mão para cumprir os seus desígnios.
Em adição a tudo isto, teve a sua longevidade incrementada pelo uso reiterado do Poço de Lázaro, pertença do seu pai.


Talia al Ghul deu todo um novo significado
 ao conceito de femme fatale.

Histórico de publicação: Saída da imaginação do escritor Dennis O'Neil e do artista Bob Brown, não é por acaso que Talia al Ghul faz lembrar uma Bond Girl. Tanto as aventuras cinematográficas de 007 como as do Doutor Fu Manchu* serviram de inspiração ao desenvolvimento da personagem.Que fez a sua estreia em maio de 1971, nas páginas de Detective Comics nº411. Ainda que nessa sua primeira aparição a filha de R'as al Ghul seja referenciada apenas como Talia, servindo de emissária do pai, o qual  revelaria a sua presença somente no mês seguinte, em Batman Vol.1 nº232.
De então para cá, a Filha do Demónio já soma mais de duas centenas de aparições individuais em diversos títulos da DC, com especial incidência naqueles que têm o Cavaleiro das Trevas como cabeça de cartaz. Sem contar com as suas múltiplas adaptações a outros meios audiovisuais (ver Noutros media).

A Filha do Demónio aparentava ser uma donzela indefesa
na sua primeira aparição em Detective Comics nº411 (1971).
Retratada tanto como vilã como anti-heroína, Talia parece sentir-se confortável na pele de ambas. Outro papel de que nunca desdenhou foi o de interesse romântico do Batman. Com quem, ao longo dos anos, já viveu tórridos - porém efémeros - romances. De um dos quais resultaria o nascimento do filho de ambos: Damian Wayne, o quinto (e, de longe, o mais petulante) Menino Prodígio.
Tudo porque o diabólico pai de Talia, Ra's al Ghul**, mesmo sendo inimigo jurado do Homem-Morcego vê nele o sucessor perfeito para assumir as rédeas do seu vasto império criminoso. No entanto, face ao total desinteresse do herói em assumir o cargo, compete a Talia administrar os negócios paternos, apesar de não ser a sua única herdeira. Nyssa Raatko é sua meia-irmã e principal rival, mesmo no que aos afetos de Batman diz respeito.
Este pôde contar com a ajuda de Talia al Ghul em variadíssimas ocasiões. Tantas como aquelas em que teve a vida salva pela filha do seu némesis. Com efeito, a maior parte dos atos criminosos cometidos por Talia foram motivados mais pela sua lealdade ao pai do que por ganância ou malícia. Ambiguidade moral por que sempre pautou a sua conduta mas que, em encarnações mais recentes, tem vindo a diluir-se. Afirmando-se agora Talia cada vez mais como vilã e adversária do Cavaleiro das Trevas, tanto na sua qualidade de líder da Liga de Assassinos como integrada na Sociedade Secreta de Supervilões. Ou ainda como cérebro da Leviatã, organização terrorista subsidiária da Liga de Assassinos fundada para travar uma guerra sem quartel com a Corporação Batman.

* Personagem ficcional criada em 1933 pelo escritor britânico Sax Rohmer, já adaptada ao cinema.
** Perfil disponível em http://bdmarveldc.blogspot.pt/2012/08/nemesis-ras-al-ghul.html

Talia al Ghul: bela e letal como uma Bond Girl.

Biografia: Na adolescência, Talia al Ghul viajou pelo mundo na companhia do pai, o temido terrorista internacional Ra's al Ghul. Nessa jornada aprendeu com a sabedoria do seu progenitor ao mesmo tempo que se inteirava dos seus inúmeros negócios. Apesar de Ra's al Ghul considerar as mulheres inferiores aos homens - e, por conseguinte, indignas de serem suas herdeiras - Talia provou estar muito mais preparada do que o irmão para assumir o controlo do vasto império familiar.
Demonstrando uma extraordinária habilidade para administrar quer os negócios legítimos quer as atividades clandestinas do pai, Talia afirmou-se como a principal candidata à sua sucessão. Complexa e meticulosa, o seu primeiro encontro com o Batman ocorreu quando este a resgatou das garras do Dr. Darkk, o autoproclamado líder da Liga de Assassinos. Organização que, na verdade, prestava vassalagem a Ra's al Ghul, sendo Darkk um simples lacaio insubordinado. No final dessa história, a Filha do Demónio saldou o seu débito para com o Homem-Morcego salvando-lhe a vida. Sendo essa a primeira de muitas vezes que o faria no decurso dos anos.
Após Robin (Dick Grayson) ter sido raptado, Ra's al Ghul invadiu a Batcaverna, revelando assim conhecer os segredos mais íntimos da Dupla Dinâmica, inclusive as suas identidades secretas. Confrontado pelo Batman, o vilão pediu-lhe auxílio para encontrar Talia, também ela em paradeiro incerto. Presumindo haver uma ligação entre ambos os casos, o herói acedeu ao pedido e partiu com Ra's em busca de Talia e de Robin. Apenas para logo descobrir que tudo não passara de uma artimanha engendrada por Ra's para testar as capacidades do seu inimigo por quem a sua filha se perdera de amores.

Talia cresceu na sombra do seu diabólico pai.
No entanto, apesar de Batman ter passado com distinção no teste a que foi submetido, recusou desposar Talia e dessa forma herdar o legado de Ra's al Ghul. Decisão que deixou a Filha do Demónio de coração partido e  R'as profundamente desapontado.
Nos anos que se seguiram, Talia viveu dividida entre a sua lealdade ao pai e o seu amor pelo seu maior inimigo. Sentimento que, gradualmente, foi sendo correspondido pelo Cavaleiro das Trevas. Culminando com o casamento de ambos em Batman: Son of the Demon (1987). Esta foi, porém, tecnicamente, a segunda vez que os dois deram o nó, visto que, numa história anterior - datada de 1978 - eles já o haviam feito. Aconteceu em DC Special Series nº15 e foi uma das inconsistências produzidas pela reestruturação da cronologia da DC operada em Crise nas Infinitas Terras.
Em qualquer caso, dessas segundas núpcias de Batman e Talia resultou uma gravidez. Pouco tempo depois, o herói sobreviveu por um triz a um atentado que tinha por alvo a sua cara-metade. Ganhando consciência de que os dois nunca poderiam levar uma vida normal juntos, Talia simulou um aborto antes de exigir a dissolução do matrimónio.

Batman e Talia desfrutam das delícias conjugais
em Batman: Son of The Demon (1987).
Meses depois, foi entregue num orfanato um bebé dado secretamente à luz por Talia. Adotado por um casal estrangeiro , o menino foi batizado de Ibn al Xu'ffasch (literalmente, "Filho do Morcego" em árabe). Outra pista quanto à verdadeira origem da criança consistia  num colar de joias preciosas com que Batman presenteara Talia, e que esta deixou com o filho quando o abandonou à porta do orfanato, embrulhado apenas num pequeno cobertor.
Ainda no campo dos segredos familiares, em Batman: Death and the Maidens (história saída da pena de Greg Rucka em 2003), foi revelada a existência de uma meia-irmã de Talia al Ghul. Durante uma jornada pelo Império Russo no século XVIII, Ra's al Ghul envolvera-se com uma mulher de quem tivera uma filha a quem deu o nome de Nyssa. E que fora abandonada por Ra's num momento crucial: em pleno Holocausto, a rapariga foi torturada e teve toda a sua família exterminada num campo de concentração nazi. Deixada estéril depois de ter o útero queimado com ácido por um médico do campo, Nyssa jurou vingança em relação ao seu desnaturado pai.
Subentendendo-se que durante todos esses anos Nyssa terá recorrido ao Poço de Lázaro para incrementar a sua longevidade, a filha mais velha de Ra's al Ghul empregou a sua considerável fortuna e recursos para localizá-lo. Conquistando de seguida a confiança de Talia apenas com o intuito de usá-la como arma contra o pai de ambas.

Nyssa Raatko, a cruel meia-irmã de Talia al Ghul.
Capturada por Nyssa, Talia foi atrozmente torturada pela irmã. Que, não satisfeita, a matou repetidas vezes para, em seguida, a ressuscitar mergulhando o seu corpo sem vida no Poço de Lázaro. Traumatizada por esse horror indizível, Talia percebeu, ainda assim, que tudo fazia parte de mais um dos maquiavélicos planos de Ra's al Ghul, entretanto assassinado por Nyssa.
Na sequência da aparente morte do seu progenitor, as duas irmãs aceitaram finalmente a sua herança, dando continuidade aos planos genocidas de Ra's. Entronizada como a nova Cabeça do Demónio, Talia renegou o seu amor pelo Batman e, tal como Nyssa, passou a considerá-lo seu inimigo figadal.
Os destinos de Talia e do Cavaleiro das Trevas continuariam, porém, entrelaçados. Vários anos mais tarde, um segredo antigo voltaria para assombrar a Filha do Demónio e de caminho virar do avesso a vida do herói. Pese embora com muitas liberdades poéticas (e algum ultraje à mistura), em 2006 o escritor britânico Grant Morrison reinterpretou os acontecimentos narrados quase duas décadas antes em Batman: Son of the Demon. Nessa espécie de desdobramento tardio da história original a que foi atribuído o título Batman and Son, foi apresentada a biografia secreta de Damian Wayne, filho de Bruce Wayne e Talia al Ghul.

Sobrepujada em combate pelo próprio filho,
 o insolente Damian Wayne.
Gerado num útero artificial, o menino fora treinado pela Liga de Assassinos praticamente desde que deixara de gatinhar. Tendo também o seu caráter moldado pelo seu pérfido avô materno, que viu nele o tão almejado herdeiro para o seu império velho de séculos.
Apresentado pela mãe a um atónito Batman que, de um dia para o outro, se viu chamado a assumir responsabilidades parentais em relação a um filho cuja existência sequer conhecia, Damian assumiria pouco tempo depois o manto de Robin. Passando dessa forma a acolitar o pai na sua interminável cruzada contra o crime. Apesar de a relação entre ambos nem sempre ser pacífica por conta da petulância e da falta de compaixão evidenciadas pelo pequeno Damian.
Assumindo conservar memórias pouco vivídas da história original, Grant Morrison admitiu ter cometido algumas incongruências na sua revisitação da mesma. Começando pelo pormenor de, nesta nova versão da trama, Talia ter drogado Batman antes de abusar sexualmente dele. Circunstância que acrescentou ao já de si pouco recomendável currículo da Filha do Demónio o  anátema de predadora sexual.

Talia al Ghul entronizada como a nova Cabeça do Demónio.
Apontamentos:

* Malgrado a introdução de Talia al Ghul nos cânones da DC reportar ao período pré-Crise nas Infinitas Terras, a sua existência manteve-se intacta na sequência desses eventos. Alguns elementos da sua história pregressa poderão, contudo, ter sido modificados ou suprimidos na nova continuidade da Editoras das Lendas. Devendo, por conseguinte, ser considerados apócrifos;
*Desconhecem-se os contornos precisos da origem de Talia al Ghul revista no período pós-Crise. Na graphic novel Batman: Birth of the Demon (1992) é explicitado que a sua mãe seria uma beldade mestiça - descendente de árabes e chineses - , cujo caminho cruzara o de Ra's al Ghul durante o festival musical de Woodstock (1969). E que teria morrido em consequência de uma overdose pouco tempo depois de trazer Talia ao mundo. Narrativa que colide de frente com aquela que fora apresentada, cinco anos antes, em Batman: Son of the Demon. Nesta versão, a mãe de Talia é identificada como Melisande, tendo sido assassinada por um serviçal de Ra's. Em comum, o facto de ambas as histórias serem narradas na perspetiva de um adulto que se autodenomina Ibn al Xu'ffasch. Expressão árabe para Filho do Morcego, sugerindo, assim, que se trataria de um presumível descendente de Batman e Talia. Trata-se, todavia, de uma personagem não canónica que serviria de base à conceção de Damian Wayne e sua ulterior inserção na continuidade da DC.

Muito permanece ainda por esclarecer
 sobre o passado de Talia al Ghul.
Noutros media: Surgindo num meritório 42º lugar na lista dos 100 Maiores Vilões de Todos os Tempos organizada pelo site IGN, Talia al Ghul tem perfumado com o seu charme assassino muitas produções audiovisuais com a chancela da DC.
A sua estreia fora da banda desenhada verificou-se em 1992, num episódio da temporada inaugural de Batman: The Animated Series, intitulado Off Balance, e no qual contou com a voz emprestada de Helen Slater (atriz que interpretou  Supergirl no filme homónimo de 1984). Esta foi, contudo, a primeira de muitas participações suas em produções similares, tanto para o pequeno como para o grande ecrã. Assumindo papel preponderante no recente filme de animação estrelado pelo Homem-Morcego, Batman: Bad Blood. Lançada já este ano no circuito DVD, a película mostra-nos uma Talia totalmente amoral e mais perigosa do que nunca.
A mesma amoralidade e perigosidade que, em 2012, haviam caracterizado a sua versão cinematográfica em The Dark Knight Rises (O Cavaleiro das Trevas Renasce). Neste terceiro e último capítulo da trilogia de Batman dirigida por Chris Nolan, coube à atriz Marion Cotillard emprestar corpo à insidiosa filha de Ra's al Ghul que quase consegue varrer Gotham City do mapa. Ainda no campo da ação real, já este ano, a vilã fez um cameo na primeira temporada da série DC's Legends of Tomorrow, surgindo retratada ainda como uma criança.

Marion Cotillard , uma sedutora Talia al Ghul
em Cavaleiro das Trevas Renasce (2012).