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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

GALERIA DE VILÕES: PINGUIM


  Antagonista clássico do Homem-Morcego, mantém com ele uma relação singular devido à sua poderosa influência no submundo de Gotham. Mais do que a sua figura esdrúxula, é a racionalidade das suas ações que faz dele uma ave rara entre a exótica fauna criminosa que aterroriza a cidade.

Denominação original: The Penguin 
Licenciadora: Detective Comics (DC)
Criadores: Bill Finger (história) e Bob Kane (arte conceptual)
Estreia: Detective Comics nº58 (dezembro de 1941)
Identidade civil: Oswald Chesterfield Cobblepot 
Local de nascimento: Gotham City
Parentes conhecidos: Sir Nigel Cobblepot (antepassado, falecido); Theodore Cobblepot (bisavô, falecido); Tucker e Miranda Cobblepot (pais, falecidos); Jason, William e Robert Cobblepot (irmãos, falecidos) e Ethan Cobblepot (filho)
Ocupação: Empresário e barão do crime 
Base operacional: Atuando tradicionalmente a partir de um sem-número de covis disseminados por Gotham City, o Pinguim tem hoje no Casino Icebergue (do qual é proprietário e que serve de fachada às suas atividade ilícitas) o seu glamoroso quartel-general.
Afiliações: Crime organizado de Gotham City, Liga da Injustiça, Esquadrão Suicida, Sociedade Secreta de Supervilões. Além das organizações citadas, manteve também uma duradoura parceria com o Joker, iniciada no final da Idade do Ouro e que se prolongou por praticamente toda a Idade da Prata (ver  Duo Terrífico)
Armas, poderes e habilidades: Inquestionavelmente um dos mais inteligentes adversários do Batman, o Pinguim é um génio criminal com poderosas conexões no submundo de Gotham, que nele tem um dos seus mais proeminentes e temidos membros. É, aliás, essa sua influência nesses meandros obscuros que está na base da relação especial que mantém com o Homem-Morcego. A troco de informações acerca dos delinquentes que parasitam a cidade, o herói tolera as negociatas do seu velho inimigo, mesmo quando estas se revestem de dúbia legalidade.
Sob o disfarce de um próspero e respeitável homem de negócios, o Pinguim movimenta-se também com grande à-vontade entre a elite gothamita, a quem não perde oportunidade de impressionar com o seu faustoso estilo de vida.
Em virtude da sua baixa estatura e da sua aparência caricatural, o Pinguim tende a ser subestimado pelos seus oponentes. Que ignoram, todavia, ser ele um exímio combatente corpo a corpo, dada a sua proficiência em diversas artes marciais e técnicas de autodefesa. Ainda assim, o Cavalheiro do Crime prefere quase sempre delegar o trabalho sujo nos seus asseclas.
Possuindo uma ligação quase sobrenatural com os pássaros - em especial com aquele que lhe dá nome - o Pinguim consegue adestrá-los com invulgar facilidade, usando-os também frequentemente como instrumentos para os seus crimes. Extorsão, fraude, roubo, chantagem e, claro, homicídios são as suas principais especialidades.

O Morcego e o Pinguim.
Quem será, afinal, a presa?
Se há muito o Pinguim reformou a sua extravagante frota de veículos de inspiração aviária, o mesmo não se poderá dizer da sua impressionante coleção de guarda-chuvas. Fazendo jus ao epíteto de Homem dos Mil Guarda-chuvas, Oswald Cobblepot tem neste acessório a principal arma do seu arsenal, sendo um indefetível dos guarda-chuvas búlgaros.
Muito apreciados pelos Serviços Secretos da Bulgária para eliminar dissidentes durante a Guerra Fria, tratam-se de guarda-chuvas modificados com um mecanismo pneumático embutido que injeta minúsculos projéteis contendo rícino ou outros venenos.
Mais versáteis, os modelos usados pelo Pinguim podem conter metralhadoras, lâminas afiadas, lança-chamas e até lasers, proporcionando-lhe desse modo um impressionante poder de fogo. Por vezes são também convertíveis em mini-helicópteros, sendo os seus toldos quase sempre à prova de bala. Sobretudo nas histórias da Idade da Prata, era comum os guarda-chuvas do Pinguim possuírem padrões coloridos que ele usava para hipnotizar os seus adversários, o que motivou inclusivamente algumas paródias de cariz político (ver Trivialidades).
Mesmo não se tratando de uma habilidade meta-humana, a elevada tolerância do Pinguim às temperaturas negativas concede-lhe ocasionalmente uma vantagem estratégica sobre os seus oponentes em ambientes gelados.
Recursos a justificar plenamente o meritório 51º lugar que ocupa na lista dos cem melhores vilões da banda desenhada, organizada pelo site IGN. Paradoxalmente, aos olhos de muitos fãs do Batman o Pinguim afigura-se também como um dos seus inimigos menos convincentes.

Conceção e caracterização 

Conceito desenvolvido por Bill Finger e Bob Kane (criadores do Batman), o Pinguim fez a sua primeira aparição em dezembro de 1941, na histórica edição Detective Comics nº58.
Segundo Kane, o visual da personagem foi inspirado naquela que era, à época, a mascote da marca de cigarros Kool - um pinguim de bengala e cartola. Finger. por seu turno, considerava a imagem dos cavalheiros da alta sociedade aprumados nos seus elegantes fraques como reminiscências dos pinguins-imperadores, os espécimes de maior porte entre a  família dos pinguins.

Datada de dezembro de 1941,  Detective Comics nº58 marcou a estreia do Pinguim.
Em baixo, a mascote dos cigarros Kool que inspirou a sua criação.

Embora goste de autointitular-se um "cavalheiro do crime", o Pinguim não tem pruridos em empregar métodos violentos - não raro, com requintes de crueldade - para se afirmar tanto no mundo dos negócios como no submundo do crime organizado. Característica que vem, aliás, sendo acentuada nas suas versões mais recentes - em especial naquela que foi apresentada em Os Novos 52 -, e que em grande medida contribuiu para consolidar a sua reputação como um dos mais implacáveis gângsteres gothamitas.
A fazer lembrar o da ave que o alcunhou, o andar bamboleante do Pinguim deve-se à sua obesidade e à sua baixa estatura. Apesar de ter no seu nariz adunco - parecido com o bico de uma ave - outra das suas imagens de marca, é no entanto na sua (relativa) sanidade mental que Oswald Cobblepot tem a sua maior peculiaridade. Isto porque a racionalidade das suas ações o faz destoar na galeria de vilões do Homem-Morcego, essa verdadeira montra de maníacos.
A par da sua obsessão avícola (que, no passado, o levava frequentemente a roubar itens valiosos relacionados com aves), é na ambição desmedida que o Pinguim tem outro dos seus mais distintos traços de personalidade. Por mais fortuna que acumule, inveja sempre os outros magnatas que considera serem mais ricos do que ele. Essa ambição desenfreada estendeu-se também à política. Por diversas vezes Oswald Cobblepot concorreu a cargos públicos, chegando mesmo a fazer-se eleger mayor de Gotham City - proeza, de resto, recentemente reeditada na série Gotham (ver Noutros media).

Origem 

Nascido no seio de uma família aristocrática com raízes britânicas, em criança Oswald Cobblepot foi vítima de bullying por parte dos seus colegas de escola por causa da sua figura atarracada e desengonçada.
São muitas as histórias que relatam também como a sua superprotetora mãe o obrigava a andar sempre munido de um guarda-chuva - mesmo em dias ensolarados - após uma pneumonia lhe ter matado o marido.
À medida que crescia isolado na mansão da sua família, o pequeno Oswald tinha nos pássaros de estimação da sua progenitora os seus únicos amigos. Circunstância que despertou a sua paixão por aves e que, anos mais tarde, o levaria a estudar ornitologia na universidade.

Pássaros e guarda-chuvas são
 as duas grandes obsessões do Pinguim.
Em algumas versões da sua história, Oswald envereda por uma vida à margem da Lei após a morte da sua mãe e da consequente penhora das suas aves para liquidar as muitas dívidas que ela contraíra em vida. Noutras, ele é retratado como um aleijão que, devido às suas deformidades físicas, se vê rejeitado pela própria família. Estando essa rejeição familiar na origem do criminoso de sangue frio em que viria a transformar-se.
Apesar destas leves discrepâncias em torno do seu passado, o Pinguim, fiel às suas raízes aristocráticas, cultivou sempre uma imagem de classe e requinte. Daí a sua preferência por um guarda-roupa formal em que, além do fraque, a cartola, a bengala e o monóculo são acessórios indispensáveis.

Evolução

Identificado apenas pelo seu pseudónimo criminal, o Pinguim começou por ser apresentado na Idade do Ouro como um astuto ladrão de obras de arte. Logo na sua primeira aparição em Gotham City, conseguiu, para assombro geral, roubar uma pintura valiosa de um museu. Proeza que lhe valeria a admissão na máfia local, organização que pouco tempo depois passaria a chefiar e cujos recursos usou para executar uma série de engenhosas golpadas antes de ser detido pelo Duo Dinâmico.
Depressa transformado num dos antagonistas mais recorrentes do Cruzado Encapuzado e do Menino-Prodígio, o Pinguim ora agia por conta própria ora associado a outros vilões, como o Joker.
Entre 1956 e 1963, o Pinguim esteve inexplicavelmente ausente das histórias do Duo Dinâmico. Assim sentenciado ao ostracismo durante quase toda a Idade da Prata, o vilão recuperou parte da sua popularidade junto dos leitores graças à sua contraparte televisiva interpretada por Burgess Meredith (ver Noutros media). Não obstante, seria a intermitência a caracterizar as suas participações no Universo DC até meados dos anos 1980.

Visual clássico do Pinguim
durante as Idades da Prata e do Bronze.
Situação que persistiu mesmo no período pós-Crise. Com efeito, até ser definitivamente regatado do oblívio pelo escritor Alan Grant (que já antes revisitara a sua origem) e pelo artista Norm Breyfogle, o Pinguim havia sido relegado a aparições esporádicas, quase sempre nas histórias do Batman. Pelas mãos da citada dupla criativa, o Cavalheiro do Crime regressaria, porém, mais ambicioso e mortífero do que nunca. Sem olhar a meios, rapidamente impôs o seu ascendente sobre o submundo de Gotham. Altura em que refinou também o seu modus operandi ao assumir-se como um respeitável homem de negócios, que tinha como joia da coroa o seu Casino Icebergue.
Um dos pontos altos da carreira do Pinguim durante esse período - demonstrativo do seu elevado quociente de inteligência.- aconteceu quando, durante a ausência de Bruce Wayne após os eventos de A Queda do Morcego, foi um dos poucos a deduzir que era outro homem a portar o manto do Cavaleiro das Trevas.
O vilão voltaria a estar em evidência em Terra de Ninguém (saga já aqui esmiuçada) ao contrabandear bens de primeira necessidade em falta numa Gotham City isolada do mundo depois de ter sido devastada por um terramoto de proporções bíblicas. Em adição a isso, ajudou Lex Luthor a apropriar-se dos registos de propriedade de muitos terrenos e imóveis cujos legítimos proprietários haviam perecido durante a catástrofe.
Entronizado Rei de Gotham em Os Novos 52, o Pinguim teve, contudo, de lidar  com a traição do seu antigo braço-direito, Ignatius Ogilvy (vulgo Pinguim-Imperador), que lhe usurpou temporariamente o trono.
Durante a saga Vilania Eterna, foi um dos malfeitores recrutados pelo Sindicato do Crime. Com boa parte dos heróis derrotados ou desaparecidos, Oswald Cobblepot teve finalmente oportunidade de realizar o seu velho sonho de ser mayor de Gotham City.
Já em Renascimento - a mais recente reestruturação cronológica da DC - o Pinguim, agora mancomunado com o Máscara Negra e o Grande Tubarão Branco, tem vindo a afirmar-se como um dos mais poderosos chefes do crime organizado de Gotham City. Certas coisas porém nunca mudam e, por isso, o Batman continua a ser a sua pedra no sapato.

A noite de Gotham é disputada
 por um rato alado e um pássaro desasado. 
Duo Terrífico 

Por oposição ao Duo Dinâmico, o Joker e o Pinguim  formaram, durante um significativo período de tempo, uma espécie de Duo Terrífico. A primeira vez que aqueles que são, indubitavelmente, os dois inimigos mais famosos do Homem-Morcego uniram forças para tentar levar a melhor sobre os heróis, aconteceu ainda nos alvores da Idade do Ouro. Mais precisamente, em outubro de 1944, numa história inclusa em Batman nº25.

Dou Dinâmico versus Duo Terrífico.
Essa aliança funesta seria reeditada vezes sem conta ao longo das décadas subsequentes, tendo sido transposta também ao pequeno ecrã. Na série televisiva do Batman exibida entre 1966 e 1968, era frequente o Pinguim e o Joker (interpretados por Burgess Meredith e César Romero, respetivamente) agirem em conjunto para porem Gotham City em polvorosa. 
Na BD como na TV, a relação entre ambos exorbitava, no entanto, a esfera criminal. Com os dois a demonstrarem, em diversas ocasiões, a sua afeição mútua. Numa antiga história do Batman, por exemplo, o Palhaço do Crime chegou mesmo a chorar a aparente morte do Pinguim. 

Trivialidades:

*A verdadeira identidade do Pinguim - que se tornaria canónica - foi revelada pela primeira vez numa tira de jornal publicada em 1946, cinco anos após a sua estreia nos quadradinhos. A tira em questão revelava ainda a existência de uma tia de Oswald Cobblepot chamada Miranda Cobblepot. Nome que, na continuidade pós-Crise da DC, seria atribuído à mãe do vilão;
*Oswald Cobblepot assassinou os seus três irmãos depois destes o terem atacado e aos seus pássaros de estimação. Crimes dos quais escapou impune uma vez que que foram cometidos sob a aparência de trágicos acidentes: Jason foi envenenado, William atropelado e Robert afogado;
*Em Super Friends (título epónimo da série animada exibida nos EUA a partir de 1973), o Pinguim liderava os Super Foes (Super-Inimigos, em tradução literal), equipa de vilões análoga à Legião do Mal (Legion of Doom) que, na TV, antagonizava os Superamigos. Recrutou também um comparsa juvenil, conhecido apenas como Chick, que trabalhou durante algum tempo como agente infiltrado no Hall da Justiça, o icónico edifício que, na série em causa, servia de quartel-general aos heróis;

Comandados pelo Pinguim, os Super-Inimigos
 eram presença assídua em Super Friends.
*O Cavalheiro do Crime, o Rei de Gotham, o Pássaro Negro do Banditismo e o Homem dos Mil Guarda-chuvas são alguns dos pomposos cognomes do Pinguim, também conhecido entre os seus rivais pela alcunha menos simpática de Hálito de Sardinha;
*À grotesca versão do Pinguim apresentada em Batman Returns (1992) foi acrescentada sindactilia  nos dedos das mãos ao seu catálogo de deformidades físicas. Trata-se de uma anomalia genética caracterizada pela existência de uma espécie de membrana interdigital que, quando afeta apenas os tecidos moles, pode ser cirurgicamente corrigida. Esta alteração anatómica da personagem seria reproduzida na primeira temporada de Batman: The Animated Series, lançada pouco tempo após a estreia do filme dirigido por Tim Burton. A dada altura, todos os protagonistas da série tiveram contudo os seus visuais reformulados e, sem qualquer explicação, o Pinguim recuperou a sua aparência clássica;
*Em maio de 2006, a DCI Group, uma empresa de Relações Públicas associada ao Partido Republicano, realizou um vídeo no YouTube a satirizar Uma Verdade Inconveniente, o polémico documentário do ex-Vice-Presidente dos EUA, Al Gore, lançado pouco tempo antes. Numa notória referência àquele que era um dos habituais expedientes do Pinguim durante a Idade da Prata, o vídeo em causa mostrava um pinguim a usar um guarda-chuva para hipnotizar os seus companheiros, induzindo-os dessa forma a acreditar no aquecimento global e nas alterações climáticas.

Noutros media

Em exibição na Fox desde 2014, Gotham tem num jovem Pinguim em início de carreira um dos seus protagonistas. A série vem acompanhando a sangrenta ascensão do vilão (interpretado por Robin Lord Taylor) na hierarquia do submundo gothamita. Graças à sua astúcia e ausência de escrúpulos, em pouco tempo Oswald Cobblepot passou de simples subordinado a um dos mais poderosos chefes do crime organizado de Gotham City. Estatuto que lhe permite reproduzir com o Tenente James Gordon, do Departamento de Polícia, a mesma relação que, na banda desenhada, mantém com o Batman. Ou seja, Gordon recorre frequentemente ao Pinguim para obter informações sobre as atividades clandestinas em curso na cidade e, em troca, faz vista grossa às obscuras negociatas de Cobblepot.
Foi, porém, em 1966 que o Pinguim saltou pela primeira vez dos quadradinhos para o pequeno ecrã, ganhando dessa forma notoriedade junto do grande público, depois de uma prolongada ausência das histórias do Homem-Morcego. Coube a Burgess Meredith (ator que, uma década depois, daria vida ao austero treinador de Rocky Balboa) emprestar classe e carisma a uma personagem cujo visual havia sido decalcado da BD. Notável, a interpretação de Meredith teve na sua gargalhada a imitar o grasnado de um pinguim o seu elemento mais memorável. O que poucos saberão é que o som da sua risada era, na verdade, resultante da irritação dos pulmões do ator (que era não fumador) causada pelos cigarros que era obrigado a manter acesos em todas as cenas em que participava.
Muito diferente desta versão janota e histriónica do Pinguim foi aquela que foi apresentada em 1992, no filme Batman Returns. Agora interpretado por Danny DeVito, o vilão teve a sua origem e aparência radicalmente modificadas, surgindo como um aleijão rejeitado pelos seus aristocráticos progenitores, e cujo corpo era tão deformado como a sua alma.



De cima para baixo:
 Burgess Meredith, Danny DeVito e Robin Lord Taylor,
  os 3 atores que representaram o Pinguim em outras tantas épocas.
Além destas encarnações televisivas e cinematográficas, há muito que o Pinguim é também um habitué nas animações da DC, designadamente naquelas que têm o Batman como astro principal. Nesse campo, a estreia do Cavalheiro do Crime remonta a 1968 através da sua participação em The Adventures of Batman, série produzida pela Filmation e que, ainda hoje, é cultuada pelos fãs do Cavaleiro das Trevas.
O Pinguim surge também como personagem jogável em diversos jogos de vídeo baseados no Universo DC. Em 1988, por exemplo, teve honras de capa em Batman: The Caped Crusader, jogo de computador desenvolvido pela Special FX Software que teve na qualidade dos seus gráficos o seu ponto forte.
Confirmada a existência do Pinguim no atual Universo Estendido da DC, depois de ter sido subtilmente referenciado num diálogo mantido entre Bruce Wayne e Alfred Pennyworth em Justice League, é possível que o vilão venha a marcar presença num dos próximos filmes da franquia.

As atuais gerações nunca compreenderão
 o charme deste tipo de jogos.





quinta-feira, 24 de agosto de 2017

CLÁSSICOS REVISITADOS: «BATMAN - TERRA DE NINGUÉM»


 Ainda em choque após a passagem do cortejo de horrores que a estropiou, Gotham City vê-se transformada numa imensa Terra de Ninguém retalhada por malfeitores. Em meio à anarquia e ao desespero, Batman e seu aliados lutam, numa frente desunida, para manter vivo o espírito da cidade mártir.
 Última grande saga do Homem-Morcego no século XX, inseriu personagens icónicas e influenciou a trama de O Cavaleiro das Trevas Renasce.

Título original: No Man's Land
Licenciadora: Detective Comics (DC)
País: EUA
Data de publicação: Janeiro a dezembro de 1999
Argumento: Greg Rucka, Jordan B. Gorfinkel, Chuck Dixon, Scott Beatty, Paul Dini, Bob Gale, Devin K. Grayson, Kelley Puckett, Larry Hama e Bronwyn Carlton
Arte: Greg Land, Andy Kuhn, Alex Maleev, Dale Eaglesham, Frank Teran, Phil Winslade, Damion Scott, Dan Jurgens, Mike Deodato, Tom Morgan, Mat Broome e Sergio Cariello
Categoria: Crossover
Séries mensais abrangidas: Azrael, Batman, Batman Chronicles, Batman: Shadow of the Bat, Catwoman, Detective Comics, Legends of the Dark Knight, Nightwing e Robin
Guia de leitura: http://batmanytb.com/comics/storyarcs/nomansland.php
Heróis: Batman, Robin, Asa Noturna, Batgirl, Oráculo, Azrael, Caçadora, Comissário Gordon, Harvey Bullock e Renee Montoya
Vilões: Joker, Pinguim, Duas-Caras, Espantalho, Bane, Máscara Negra, Ventríloquo, Crocodilo, Chapeleiro Louco, Lince, Talião, Senhor Frio, Cara de Barro, Senhor Zsasz, Arlequina e Lex Luthor
Coadjuvantes: Leslie Thompkins, Sarah Essen, David Cain, Hera Venenosa, Mulher-Gato e Superman
Cenários: Gotham City

Batman impotente perante o martírio da sua cidade.

Histórico de publicação

Obra de grande envergadura e alcance, Batman: No Man's Land foi a última saga do Cavaleiro das Trevas produzida no século passado. Estendeu-se por todo o ano de 1999 e abarcou por completo o catálogo de títulos mensais do herói, incluindo alguns spin-offs e edições especiais.
No total, a saga e respetivas ramificações abrangeram 80 edições mensais, 4 volumes especiais e uma graphic novel (Batman: Harley Quinn, que introduziu Arlequina no universo canónico da DC). Tudo somado, foram mais de 400 páginas e um vastíssimo rol de personagens. Números deveras apreciáveis a refletir a monumentalidade de uma história com lugar de destaque na memorabilia recente do Cavaleiro das Trevas.
Devido à sua considerável extensão, a trama primária de No Man's Land foi segmentada em vários arcos autónomos que nela entroncavam. Seguindo a estratégia editorial aplicada aos crossovers envolvendo as séries periódicas do Superman, a coerência narrativa da saga foi possibilitada através da interligação dos diversos títulos estrelados pelo Batman. Desse modo, cada capítulo da história apresentado num deles tinha sequência direta noutro. Com a vantagem adicional de assim se reduzir o tempo de espera dos leitores que, em vez de um mês, teriam de aguardar apenas uma semana pelos desenvolvimentos da intriga.

O primeiro dos 5 volumes antológicos de No Man's Land.
Contudo, por oposição ao que era prática comum em iniciativas editoriais análogas centradas no Homem de Aço, em que cada equipa criativa era responsável apenas por um título, em No Man´s Land, os seus autores (capitaneados por Greg Rucka, o principal artífice da saga) mantiveram-se envolvidos do princípio ao fim.
À publicação avulsa de No Man's Land seguiu-se, entre 1999 e 2001, o lançamento de uma antologia composta por 5 volumes de capa dura, que compilava o núcleo da saga. Levando em atenção o elevado número de edições não coligidas, em 2011 a DC lançaria nova compilação, desta feita contendo a versão integral da história. Que, logo em 2000, tivera direito, também, a adaptação literária no formato de uma novela da autoria de Greg Rucka (ver Noutros Segmentos Culturais).
Ainda inédita em terras lusas, a primeira edição na língua de Camões de No Man's Land ficou a cargo da brasileira Abril que, entre 2000 e 2001, a publicou, sob o título Terra de Ninguém, nas páginas de Batman e Batman: Vigilantes de Gotham.
No ano passado seria a vez da Eaglemoss reeditar Terra de Ninguém no Brasil, numa coleção especial de 6 volumes encadernados que apenas podiam ser encomendados online. Como bónus, a compilação incluía Cataclismo (Cataclysm, em inglês). Recorde-se que essa, a par de Contagion e Legacy, foi uma das sagas a montante dos eventos originalmente narrados em No Man's Land.
A coletânea da Eaglemoss incluía Cataclismo,
 a saga que preludiou Terra de Ninguém.

Prelúdio

Devastada por um sismo de magnitude 7.6 na escala de Richter depois de ter enfrentado uma violenta epidemia de Ébola lançada pela Ordem de São Dumas, Gotham City anseia pela reabilitação. Em vez disso, suportado por uma controversa deliberação do Congresso, o Governo federal ordena que a cidade seja colocada sob quarentena por tempo indeterminado.
Uma vez evacuada parte da população, as pontes que ligam Gotham ao continente são dinamitadas e os militares erguem barricadas nas restantes vias de acesso com o intuito de impedir a entrada ou saída de pessoas.
Isolada do mundo, Gotham converte-se numa imensa Terra de Ninguém disputada por diversas fações criminosas. Entregues a si próprios, os sobreviventes que se recusaram a abandonar a cidade podem apenas contar com a proteção da Bat-Família e de um pequeno contingente policial chefiado pelo Comissário Gordon.

A destruição da Bat-caverna após o terramoto que arrasou Gotham.
Enredo

Ao tomar conhecimento do protocolo de evacuação e quarentena prestes a ser implementado em Gotham City, Bruce Wayne apressa-se a viajar para Washington com o propósito de usar a sua influência para tentar reverter a medida e assegurar que a cidade continuará a receber assistência por parte das autoridades. Estas mantêm-se, porém, irredutíveis, e os esforços do milionário acabam por redundar em fracasso.
Perante a prolongada ausência do Batman, o Comissário Gordon conclui que também o herói terá virado costas a Gotham. Amargurado pela presumida deserção do seu velho aliado, Gordon recusa-se a pronunciar sequer o nome do Cavaleiro das Trevas e chama a si a missão de proteger os cidadãos de bem que, por motivos diversos, desobedeceram à ordem de evacuação.

Gordon e os seus homens levam a sério o lema "Proteger e servir".

Disfarçada de Batgirl e apoiada por Oráculo, também a Caçadora patrulha as ruas da cidade procurando restaurar alguma ordem. Cedo percebe que os meliantes a  temem mais agora que ostenta o símbolo do morcego. Tirando proveito dessa vantagem, a heroína reclama uma parcela de território para si, colocando os respetivos habitantes sob sua proteção.
Ao regressar por fim a Gotham, Batman autoriza a Caçadora a continuar a portar o manto da Batgirl e pede-lhe ajuda para expulsar alguns dos bandos criminosos que vêm aterrorizando a população. À medida que aumenta o número de zonas da cidade sob o controlo da Bat-Família cresce também a esperança no coração dos cidadãos. Contudo, quando o Duas-Caras e seus asseclas invadem os domínios do Homem-Morcego, a Caçadora falha em repeli-los. Envergonhada, a heroína considera-se indigna do legado da Batgirl e reassume a sua identidade original.

Batman, Caçadora e Oráculo:
o Morcego e as Aves de Rapina unidos na defesa do que resta do seu habitat.
Ainda desavindos, Batman e o Comissário Gordon prosseguem, em paralelo, as suas lutas pela libertação de Gotham. Cada território reconquistado aos malfeitores com a ajuda das milícias populares formadas entretanto é assinalado com grafítis. A mensagem é clara e eficaz: criminosos não são bem-vindos.
Esse ímpeto libertador acaba, contudo, refreado por uma cisão nas fileiras policiais. Em protesto contra a suposta maciez dos métodos de Gordon, William Petit, um belicoso tenente da SWAT, decide comandar o seu próprio esquadrão. Cujas ações brutais, inspiradas pelo militarismo do seu líder, repugnam Gordon profundamente.
Gotham recebe entretanto a inesperada visita do Superman. Determinado a contrariar a anarquia que por lá grassa, o Homem de Aço logo percebe que essa seria uma missão mais espinhosa do que ele previra e bate em retirada. Regressando, todavia, mais tarde como Clark Kent para visitar Batman e ensinar os gothamitas a tirarem o melhor proveito possível da agricultura que lhes vai garantindo o sustento numa cidade cuja economia colapsou.

Inspirado pelo seu patrono, o povo de Gotham luta pela sua cidade.
O pai de Tim Drake (Robin) descobre que o filho se encontra em Gotham. Julgando que o rapaz lá terá permanecido por causa de algum tipo de aposta ou desafio, solicita uma operação de resgate junto das autoridades. Ao fazê-lo, atrai a atenção mediática, o que faz crescer entre a opinião pública o apoio à revitalização da cidade condenada.
Alheio a esta guinada no curso dos acontecimentos, o Comissário Gordon forja uma aliança provisória com o Duas-Caras a fim de recuperar um setor vital da cidade. Traído pelo vilão, Gordon fica sob a mira de David Cain, o assassino profissional contratado pelo Duas-Caras para liquidar o antigo comandante do DPGC.
Gordon é, no entanto, salvo in extremis por Cassandra Cain, a filha de David Cain, por ele treinada para ser uma arma humana. Recrutada por Oráculo, a jovem, que tem no mutismo a sua marca distintiva, torna-se a nova portadora do manto da Batgirl e junta-se à Bat-Família na defesa de Gotham.
Capturado pelo Duas-Caras, Gordon é novamente salvo da morte certa por uma mulher. Graças à astúcia e persuasão da detetive Renee Montoya, sua antiga subordinada, o Comissário sobrevive a mais um dia.
Dá-se então o reencontro de Gordon com o Batman. Após uma longa e tensa conversa entre ambos, o Cavaleiro das Trevas, apostado em restaurar a confiança do seu velho aliado, remove a máscara. Gordon, porém, recusa-se a olhar para a face exposta do herói. Sanadas as divergências, os dois concordam em unir forças para reconquistar Gotham.

Gordon recusa-se a conhecer
a verdadeira face do Cavaleiro das Trevas.
Com o auxílio de Lucius Fox, o diretor-executivo das Indústrias Wayne, Batman consegue captar a atenção de Lex Luthor. Pouco tempo depois, o magnata de Metrópolis chega a Gotham para apresentar o seu megalómano plano de requalificação urbana.
Quando o Joker tenta sabotar as obras em curso, é rechaçado por Bane, cujos préstimos Luthor garantira a troco da promessa de lhe pagar o suficiente para comprar a sua ilha natal. Apesar do seu desejo de vingança em relação ao Batman, Bane é convencido pelo seu némesis a abandonar Gotham antes de ser atraiçoado por Luthor.
Cedendo à pressão mediática e popular, o Governo federal anuncia o levantamento da quarentena imposta a Gotham, ordenando, em simultâneo, a imediata reabertura das vias de acesso à cidade. Que, assim, volta a fazer oficialmente parte dos EUA.
Findo o pesadelo, Gordon e os seus homens são condecorados mas, no dia de Natal, a base do tenente Petit é atacada pela quadrilha do Joker. Petit sucumbe ao ataque e a Caçadora, que tentara impedir a carnificina, sobrevive por um triz.

Luthor chega a Gotham com muitas promessas na bagagem.
O Palhaço do Crime ordena então o rapto de todos os bebés de Gotham. Ao descobrir por acaso que as crianças estavam escondidas numa estação de polícia devoluta, Sarah Essen, a esposa de Gordon, aventura-se a resgatá-las, mas acaba assassinada pelo Joker.
Destroçado pela morte da sua cara-metade, Gordon só a muito custo resiste ao impulso de fazer justiça pelas próprias mãos. Batman persuade-o a poupar a vida do Palhaço do Crime, pois só assim o espírito de Gotham poderá perdurar.
Apesar disso, Gordon não hesita em premir o gatilho quando o Joker lhe pergunta, de forma trocista, se ele tem um filho. O disparo atinge o joelho do vilão que, indiferente à dor, solta gargalhadas histéricas ao perceber a ironia da situação. Por causa dele, Barbara Gordon (filha do Comissário, primeira Batgirl  e atual Oráculo), estava há anos presa a uma cadeira de rodas(1).


Depois da filha, a mãe:
o clã Gordon continua a ser vítima da crueldade do Joker.
Intuindo a dor que dilacera a alma de Gordon naquele momento, Batman reconforta o seu velho amigo. Ambos sabem que, mais do que nunca, Gotham precisará que se eles mantenham fortes e unidos.
Luthor, por sua vez, vê expostas as suas verdadeiras intenções: destruir os registos prediais de modo a poder depois reclamar a propriedade de boa parte de Gotham com recurso a nomes falsos e a testas de ferro.
Seguindo uma pista anónima, Lucius Fox localiza os documentos originais e, ingenuamente, notifica Luthor do achado. Fingindo-se surpreendido, Luthor tenta matar o diretor-executivo das Indústrias Wayne, mas é impedido por Batman (a verdadeira fonte de Fox). Depois de dizer a Luthor que Gotham não está à venda,  o Cruzado da Capa intima o magnata a abandonar a cidade.
Enquanto, um pouco por toda a cidade, multidões eufóricas celebram o Ano Novo, Gordon despede-se da sua malograda esposa. Noutro ponto do cemitério, Batman deposita um ramo de rosas sobre o túmulo dos seus pais antes de partir para nova patrulha noturna na cidade que jurou defender das trevas que constantemente a assediam.

O renascimento da esperança numa cidade
que resiste teimosamente ao contínuo assédio das forças das trevas.
Apontamentos

*Terra de Ninguém serviu para estabelecer as bases da complexa relação entre Renee Montoya e o Duas-Caras. Um (quase) romance proibido entre uma agente da Lei e um senhor do crime, cuja evolução os leitores puderam acompanhar em Gotham Central, série mensal lançada em fevereiro de 2003 e centrada no conturbado quotidiano da força policial gothamita;
*Outra detetive do DPGC, Deborah Tiegel, foi uma das duas benfeitoras que ficaram para trás para poderem tratar dos animais deixados à sua sorte no zoológico de Gotham;
*Por questões éticas, a Liga da Justiça não interveio em Gotham, apesar de o ter feito para impedir que forças externas conquistassem a cidade. Importa esclarecer, a este propósito, que Batman é extremamente zeloso do seu território. Ao ponto, por exemplo, de o próprio Hal Jordan, um dos Lanternas Verdes responsáveis pelo Setor Espacial 2814, ter de requerer autorização prévia para entrar em Gotham;
*Arlequina, a histriónica compagnon de route do Joker, e Cassandra Cain, a enigmática adolescente que viria a ser a terceira Batgirl(2), foram introduzidas em Terra de Ninguém. Apesar de ambas se terem tornado icónicas, apenas no caso da segunda se tratou verdadeiramente de uma estreia, visto que a primeira fizera o seu debute em 1992, num episódio de Batman: The Animated Series. Além de consagrar Arlequina como personagem canónica no Universo DC, a saga serviu também para apresentá-la a Hera Venenosa, de quem se tornaria íntima;


Terra de Ninguém assinalou a estreia
 de Arlequina e Cassandra Cain no universo DC.
*Em consequência do brutal assassínio da suas esposa às mãos do Joker no epílogo da saga, o Comissário Gordon antecipou a sua reforma, abandonando, ainda que temporariamente, o DPGC;
*Apesar das suas ações pouco filantrópicas, a forma como Lex Luthor ajudou a resolver a crise em Gotham City granjeou-lhe o apoio popular necessário para impulsionar a sua candidatura à Casa Branca no ano seguinte. Eleição que, recorde-se, o magnata venceria com confortável margem.

Noutros segmentos culturais: À boleia do sucesso comercial de No Man's Land, a DC lançou, em 2000, uma novela epónima da autoria de Greg Rucka. A despeito da sua fidelidade à narrativa original, a versão literária suprimiu no entanto duas personagens importantes: Azrael e Superman. Em 2011, sob a chancela da GraphicAudio, a obra seria republicada em formato de audiolivro. Além de um elenco criteriosamente escolhido, esta nova edição incluía também efeitos sonoros e temas musicais.
Ao longo da primeira década deste século, registaram-se duas tentativas frustradas de adaptação televisiva de No Man's Land, ambas remetendo para séries animadas do Batman. Chegou a ser produzida alguma arte conceptual mas os projetos acabaram por nunca receber luz verde por parte da Warner Bros. Motivo: os seus executivos consideraram a história demasiado violenta e sombria para uma audiência maioritariamente composta por crianças e adolescentes.

A adaptação literária de No Man's Land.
Seria, pois, preciso esperar até 2012 para ver alguns elementos de No Man's Land transpostos ao cinema. Nesse ano, a saga seria uma das três a influenciar a trama de The Dark Knight Rises, o capítulo final da trilogia do Cavaleiro das Trevas com a assinatura de Christopher Nolan (ver texto anterior). Apesar da ausência de catástrofes naturais, o isolamento de Gotham no filme é resultado do sequestro levado a cabo por Bane e a Liga dos Assassinos.
A influência de No Man's Land no enredo de The Dark Knigh Rises é notória também noutros aspetos. Ambas as histórias são ambientadas no inverno e em ambas Batman regressa a Gotham após uma ausência involuntária.
No entanto, por contraponto ao que sucede na saga original, no filme a cidade fica consideravelmente mais despovoada após a evacuação. E, chegado o momento de retomá-la, os civis mantêm-se à margem, ficando implícito que Gotham é uma cidade pela qual não vale a pena lutar. Por outro lado, a agenda de John Daggett - que, na película, faz as vezes de Lex Luthor - é menos ambiciosa, na medida em que objetiva apenas a tomada das Indústrias Wayne, em vez da aquisição pura e simples da cidade. Outra diferença crucial reside no facto de Daggett acabar morto por Bane.Que, por sua vez, também não sobrevive aos eventos por ele desencadeados.

Vale a pena ler?

Mesmo não sendo uma das minhas sagas preferidas do Batman, admito que a premissa de Terra de Ninguém é interessante.
Vários anos antes de o furacão Katrina ter arrasado Nova Orleães, expondo a incapacidade do Governo americano em prestar auxílio aos sobreviventes, esta fábula do Cavaleiro das Trevas assumiu um tom sinistramente profético.
Seja qual for o contexto - real ou ficcional - o colapso da lei e da ordem que antecede a irrupção da anarquia possibilita sempre leituras díspares sobre a moralidade das ações humanas perante a ausência de autoridade. É, pois, esse o grande apelo da intriga porfiada por Greg Rucka e companhia. O que não impede que, por conta da sua extensão, a história se torne a espaços maçadora.
Nota negativa também para a variedade de estilos artísticos, que oscilam entre a excelência e a mediocridade. A fazer lembrar, de resto, o que acontecera em sagas anteriores da Editora das Lendas, nomeadamente em A Morte do Super-Homem (serei o único a detestar o traço de Jon Bogdanove?).
Apesar da ambição (alguns dirão "megalomania") que lhe subjaz, Terra de Ninguém não é uma obra incontornável. É essencialmente recomendada para iniciantes que, de uma assentada, terão oportunidade de ficar a conhecer as figuras-chave da mitologia do Homem-Morcego.

Uma Terra de Ninguém demasiado pequena
 para acomodar tantas personagens.

Referências:

1)http://bdmarveldc.blogspot.pt/2016/09/classicos-revisitados-piada-mortal.html
2)http://bdmarveldc.blogspot.pt/2016/09/heroinas-em-acao-batgirl.html