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terça-feira, 16 de outubro de 2018

RETROSPETIVA: «OS VINGADORES»


  E houve um dia - diferente de todos os outros - em que os maiores heróis da Terra uniram forças para enfrentar uma ameaça que nenhum deles poderia vencer sozinho. Nesse dia nasceram os Vingadores e, com eles,  um épico da 7ª Arte que se tornaria uma das mais lucrativas películas de sempre.

Título original: The Avengers
Ano: 2012
País: EUA
Duração: 143 minutos
Género: Ação/Aventura/Ficção científica/Super-heróis
Produção: Marvel Studios
Realização: Joss Whedon
Argumento: Zak Penn e Joss Whedon
Distribuição: Walt Disney Studios Motion Pictures 
Elenco: Robert Downey Jr. (Tony Stark / Homem de Ferro); Chris Evans (Steve Rogers / Capitão América); Mark Ruffalo (Bruce Banner / Hulk); Chris Hemsworth (Thor); Scarlett Johansson (Natasha Romanoff / Viúva Negra); Jeremy Renner (Clint Barton / Gavião Arqueiro); Tom Hiddleston (Loki); Clark Gregg (Phil Coulson); Samuel L. Jackson (Nick Fury); Cobie Smulders (Maria Hill); Stellan Skarsgard (Erik Selvig)
Orçamento: 200 milhões de dólares
Receitas: 1,519 biliões de dólares

O homem sonha, a obra nasce


Quando muitos fãs de super-heróis sequer se atreviam a imaginar que tal alguma vez seria possível, a  ideia para um filme baseado nos Vingadores começou a ser gizada em 2003. Nesse ano, a Marvel Enterprises (antecessora da Marvel Studios) celebrou um acordo de financiamento com a Merrill Lynch - agência de investimento subsidiária do Bank of America - com vista à produção de uma série de seis longas-metragens a serem distribuídas pela Paramount Pictures. As cinco primeiras seriam estreladas individualmente pelas figuras de proa da Casa das Ideias, e serviriam para estabelecer o percurso de cada um dos heróis até à formação dos Vingadores no sexto e último filme.
Em junho de 2007, Zak Penn (argumentista de O Incrível Hulk) foi contratado para escrever o enredo de Os Vingadores. Já depois de Robert Downey Jr. ter assegurado a sua participação no projeto, em outubro do ano seguinte, ao mesmo tempo que decorria o processo de seleção do restante elenco, Jon Fraveau (que dirigira Homem de Ferro, o primeiro filme da franquia) foi anunciado como produtor executivo.
Em julho de 2010 seria a vez de Joss Whedon (que, até essa data, apenas por uma vez ocupara a cadeira de realizador) ser oficialmente confirmado na direção do projeto. E logo cuidou de reescrever o guião delineado por Zak Penn. Segundo Whedon, argumentista traquejado que escrevera boa parte da série Buffy - A Caçadora de Vampiros, essa primeira versão da história falhava em estabelecer ligações entre os protagonistas.

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Joss Whedon realizou e coescreveu Os Vingadores.
No mês seguinte, a Marvel Studios e a Paramount Pictures anunciaram a sua intenção de iniciar a rodagem do filme em fevereiro de 2011, em dois estúdios nova-iorquinos: Bethpage e Grumman Studios.
De permeio, em outubro de 2010, a Walt Disney Studios concordou em pagar à Paramount Pictures cerca de 115 milhões de dólares pelos direitos de distribuição mundial de Homem de Ferro 3 e Os Vingadores. O acordo permitia ainda à Paramount receber 8% das receitas globais geradas por cada uma dessas películas. Apesar de ambas terem sido exclusivamente financiadas, distribuídas e publicitadas pela Disney, nos respetivos créditos surgiria a indicação de que se tratavam de coproduções das duas companhias.
No dia 25 de abril de 2011, em Albuquerque (Novo México), arrancaram as gravações daquela que viria a ser a primeira-longa metragem em ação real dos Vingadores. A rodagem do filme prolongar-se-ia por 92 dias (menos um do que o inicialmente previsto) e passou por várias outras cidades norte-americanas, designadamente Cleveland, Cincinnati e Nova Iorque.
Ao contrário do que fora inicialmente divulgado, o filme não foi, contudo, gravado em 3D, tendo a conversão nesse formato (do qual Joss Whedon não é um entusiasta) sido executada a posteriori.
Com pompa e circunstância, a estreia mundial de Os Vingadores teve lugar a 12 de abril de 2012, no mítico El Capitan Theatre de Los Angeles. E, logo no fim de semana de abertura, o filme pulverizou recordes de bilheteira. Tratou-se, com efeito, da primeira produção da Marvel a arrecadar um bilião de dólares, destronando dessa forma O Cavaleiro das Trevas (2008) no topo da lista dos filmes de super-heróis mais lucrativos de sempre. Até ao lançamento de Guerra das Estrelas: O Despertar da Força, em 2015, Os Vingadores encerravam o pódio das películas mais lucrativas da história do cinema, atrás apenas de Avatar (2009) e Titanic (1997).
Esta extraordinária prestação comercial, somada aos elogios da crítica, garantiu o lançamento de três sequelas: Vingadores: Era de Ultron (2015), Vingadores: Guerra Infinita (2018) e um quarto capítulo da saga a estrear no próximo ano, e cujo título oficial permanece ainda no segredo dos deuses.

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O elenco de Os Vingadores  reuniu 
alguns dos maiores astros de Hollywood.
Sinopse

Num planeta inóspito, Loki, o insidioso irmão adotivo de Thor, reúne-se com o Outro, líder da raça extraterrestre conhecida como Chitauri. Em troca da entrega do Cubo Cósmico, uma fonte de energia de potencial inestimável, o Outro compromete-se a fornecer ao Deus da Trapaça um exército que lhe permitirá conquistar a Terra.
A anos-luz dali, Nick Fury, o diretor da agência de contra-espionagem SHIELD, acompanhado pela sua lugar-tenente Maria Hill, chega a um centro de pesquisa remoto durante uma evacuação. É nessa instalação ultrassecreta que o Dr. Erik Selvig e a sua equipa vêm estudando os segredos e potencialidades do Cubo Cósmico.
Fury é informado pelo Agente Phil Coulson de que o Cubo Cósmico começou a irradiar uma estranha forma de energia. Subitamente ativado, o artefacto abre um portal através do espaço, que serve de passagem a Loki para o nosso mundo.
Loki apodera-se do Cubo Cósmico e usa o seu cetro para controlar a mente de vários agentes da SHIELD - entre os quais o Dr. Selvig e Clint Barton (o Gavião Arqueiro) -, para o ajudarem na sua fuga.

Loki e o Cubo Cósmico.

Em resposta ao ataque, Fury reativa a "Iniciativa Vingadores". Natasha Romanoff, a espia que opera sob o nome de código Viúva Negra, viaja para a cidade indiana de Calcutá com o objetivo de recrutar o Dr. Bruce Banner, alter ego humano do Hulk. A ideia é usar os sólidos conhecimentos de Banner acerca da radiação gama para localizar a assinatura energética do Cubo Cósmico.
Em Nova Iorque, Tony Stark, o visionário tecnológico que enverga a armadura do Homem de Ferro, recebe a inesperada visita do Agente Coulson. Este pede a Stark que reveja a pesquisa do Dr. Selvig acerca do Cubo Cósmico.
Não muito longe dali, Nick Fury visita Steve Rogers (o Capitão América) e confia-lhe a missão de recuperar o artefacto roubado por Loki.
Feitas as devidas apresentações, Homem de Ferro, Capitão América e Viúva Negra rumam a Estugarda, na Alemanha, onde o Gavião Arqueiro, ainda sob o domínio de Loki, leva a cabo um assalto para roubar irídio, elemento químico fundamental para a estabilização do Cubo Cósmico. Para garantir o sucesso da operação, Loki cria uma distração que culmina num breve confronto entre o Sentinela da Liberdade e o Vingador Dourado.
Surpreendentemente, Loki rende-se aos heróis e é por eles levado para bordo de um avião da SHIELD. Antes, porém, que Nick Fury consiga interrogar o ilustre prisioneiro, Thor invade a aeronave com o intuito de libertar o irmão e escoltá-lo de volta a Asgard.
Homem de Ferro e Capitão América procuram deter o Deus do Trovão e os três acabam envolvidos numa rixa. Perante o impasse daí resultante, Thor concorda com a transferência de Loki para um dos aeroporta-aviões da SHIELD.
Com Loki aprisionado numa cela projetada para conter o Hulk, Tony Stark e o Dr. Banner procuram descobrir o paradeiro do Cubo Cósmico. O ambiente torna-se tenso quando os heróis percebem que a SHIELD planeia usar o poderoso artefacto no fabrico de armas capazes de repelir uma hipotética invasão alienígena.
No meio de uma acalorada discussão entre os heróis, o Gavião Arqueiro e outros agentes da SHIELD sob o controlo mental de Loki tomam de assalto o aeroporta-aviões. Uma das flechas explosivas do Gavião Arqueiro incapacita um dos motores da aeronave, fazendo-a despencar. Com o pânico instalado a bordo, o Dr. Banner não consegue impedir a sua transformação no Hulk.
Enquanto o Homem de Ferro e o Capitão América procuram desesperadamente religar o motor danificado, Thor tenta refrear a fúria do Hulk. A Viúva Negra, por sua vez, reluta em lutar com o Gavião Arqueiro. Acabando, contudo, por conseguir deixá-lo inconsciente, libertando-o do domínio de Loki.
O Deus da Trapaça consegue escapar depois de ejetar Thor para fora do aeroporta-aviões e de ter tirado a vida ao Agente Coulson, enquanto o Hulk se estatela no solo após ter derrubado um caça da SHIELD.
A catástrofe é evitada in extremis e Fury usa a morte de Coulson para motivar os heróis a trabalharem em conjunto. Apostados em vingar a morte de Coulson, Homem de Ferro e companhia partem no encalço de Loki.
No topo da Torre Stark, Loki usa o poder combinado do Cubo Cósmico e de um aparato concebido pelo Dr. Selvig para abrir um portal que permite a passagem da frota Chitauri. Tem início a invasão.

Kevin Feige, presidente de Marvel Studios, relató sobre el futuro que depara la franquicia de superhéroes posterior al estreno de Avengers 4
O último reduto da Humanidade.
Ao mesmo tempo que ajudam na evacuação de civis, os Vingadores assumem a linha da frente na acirrada batalha contra os Chitauri. Já depois de Hulk ter espancado selvaticamente Loki, a Viúva Negra consegue chegar ao topo da Torre Stark onde está instalado o gerador do portal.
Libertado do domínio de Loki, o Dr. Selvig informa a Viúva Negra que o cetro do Deus da Trapaça pode servir para desligar o gerador.
Numa videoconferência com os seus superiores do Conselho de Segurança Mundial, Nick Fury tenta, em vão, dissuadi-los de lançarem um míssil termonuclear sobre Manhattan para pôr termo à invasão alienígena.
O míssil é, no entanto, intercetado pelo Homem de Ferro que o desvia para o interior do portal aberto nos céus de Nova Iorque, e onde se encontra estacionada a nave-mãe dos Chitauri. Após a detonação, o portal é encerrado pela Viúva Negra e o Vingador Dourado cai desamparado para uma morte que parece certa até ser salvo em pleno ar pelo Hulk.
Finda a batalha, Thor regressa a Asgard com Loki e o Cubo Cósmico, enquanto Nick Fury se mostra confiante de que os Vingadores voltarão a reunir-se se e quando for necessário enfrentarem uma ameaça que nenhum deles poderá vencer sozinho.
Na primeira cena pós-créditos, o Outro dirige-se a alguém que se encontra sentado de costas num trono. O líder dos Chitauri adverte o seu interlocutor de que lutar contra os humanos equivale a cortejar a morte. Ao escutar estas palavras, Thanos volta-se e sorri.
Na segunda cena pós-créditos, os Vingadores comem em silêncio num restaurante de shawarma, seguindo a sugestão de Tony Stark numa sequência anterior.

Trailer



Prémios e nomeações

Na extensa lista de galardões (21, no total) arrebatados por Os Vingadores. pontuam dois Saturn Awards para melhor filme de ficção científica e melhor realizador. A título individual, Robert Downey Jr. foi distinguido com um People's Choice Award para ator favorito do público e Tom Hiddleston foi eleito o melhor vilão pelo júri dos MTV Movie Awards. Apesar de não ter conquistado qualquer estatueta dourada, o filme foi ainda nomeado para um Óscar, na categoria de Melhores Efeitos Visuais.

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Robert Downey Jr. exibe o seu troféu de ator favorito do público.

Curiosidades

*Pela mão de Stan Lee e Jack Kirby, os Vingadores estrearam-se em setembro de 1963, nas páginas de Avengers nº1. Formado para contrariar os diabólicos desígnios de Loki, o deus asgardiano da trapaça, o grupo reunia originalmente Homem de Ferro, Thor, Hulk, Homem-Formiga e Vespa. Apesar de cognominado Primeiro Vingador no Universo Cinemático Marvel, o Capitão América não participou nesse ato fundador por ainda se encontrar em animação suspensa algures no oceano Ártico. A adesão do Sentinela da Liberdade ocorreu apenas em Avengers nº4 (março de 1964), quando a equipa já havia ficado desfalcada do Golias Esmeralda. Também a Viúva Negra e o Gavião Arqueiro (ambos ex-criminosos) foram adições posteriores às fileiras dos Vingadores, com o segundo a preceder a primeira na afiliação;

A formação dos Vingadores para travar Loki em Avengers nº1 (1963).
*A primeira versão do enredo incluía a participação da Vespa. A Vingadora fundadora acabaria, contudo, preterida em favor da Viúva Negra, que já havia sido introduzida em Homem de Ferro 2;
*Na mitologia Zulu, "Chitauri" designa uma raça de serpentes celestiais. Mark Millar. arquiteto do Universo Ultimate da Marvel em que se baseia boa parte da respetiva franquia cinematográfica, retirou, contudo, o termo dos escritos de David Icke. De acordo com este especialista britânico em teorias da conspiração, os Chitauri são na realidade alienígenas que pretendem subjugar a Humanidade;
*Ainda por terras de Sua Majestade, a película chegou aos cinemas ingleses com o título Avengers Assemble. Alteração imposta pela Warner Brothers como forma de  prevenir confusões com The Avengers, a série de espionagem que fez sucesso nos anos 1960 e que, em 1998, dera origem a uma longa-metragem epónima estrelada por  Ralph Fiennes, Uma Thurman e Sean Connery;

Avengers (British TV Series Reboot)
Vingadores ao serviço de Sua Majestade.
*Partiu de Joss Whedon a ideia de incluir na trama um segundo vilão do qual Loki seria um simples instrumento. Obtido o aval dos produtores, a escolha incidiu sobre Thanos, cuja identidade seria desvelada apenas numa das cenas pós-créditos. Esta foi, de resto, a única ocasião em que o Titã Insano não foi encarnado por Josh Brolin, que lhe vem emprestando corpo nos capítulos subsequentes da saga;
*Na outra cena pós-créditos, que mostra os heróis reunidos à volta de uma mesa a empanturrarem-se com shawarma, o Capitão América é o único que não está a comer. Chamado a gravar esta cena extra, Chris Evans recusou-se a cortar a barba que deixara entretanto crescer, devido à sua participação em Expresso do Amanhã. A solução encontrada passou pela utilização de um prótese facial que o impedia de falar ou mastigar;
*A preparação de Jeremy Renner para o papel de Gavião Arqueiro incluiu treinos de tiro com arco ministrados por atletas olímpicos da modalidade. Apesar de ser esquerdino, Jeremy aprendeu a disparar com ambas as mãos, emulando assim a sua personagem que, na banda desenhada, é descrita como ambidestra;
*Foi a segunda vez que Thor e Hulk dividiram o ecrã numa produção de ação real. A primeira havia sido em 1988, no telefilme O Regresso do Incrível Hulk, no qual o Deus do Trovão e o Gigante Verde foram interpretados, respetivamente, por Eric Allan Kramer e Lou Ferrigno;

Quase um quarto de século separa
 estes dois encontros entre o Golias Esmeralda e o Deus do Trovão.
*Por razões nunca devidamente esclarecidas, falharam as negociações com Edward Norton - protagonista de O Incrível Hulk - para que continuasse a representar o Golias Esmeralda. O papel seria assim entregue a Mark Ruffalo que, ironicamente, fora preterido em relação a Norton na produção citada;
*Fiel à sua imagem de marca enquanto cineasta, Joss Whedon matou uma das personagens mais acarinhadas pelo público. A morte do Agente Coulson forneceu aos heróis a motivação que lhes faltava para trabalharem em conjunto. A cena em causa teve, porém, de ser refilmada para passar no crivo da Motion Pictures Association of America, que só depois de eliminada a violência gráfica da sequência original concordou em atribuir à película a classificação etária para maiores de 13 anos;
*Objetivando conferir realismo à batalha final travada no coração de Nova Iorque, a produção contratou 25 soldados do 391º Regimento de Polícia Militar aquartelado no Ohio. Apesar desta participação castrense, o Pentágono relutou em envolver-se no projeto, uma vez que a história sugere que a SHIELD será uma organização transnacional. Face a este estatuto ambíguo, o Pentágono considerou irrealista a subordinação das forças armadas norte-americanas a uma instituição dessa natureza, razão pela qual vetou a ideia.

Veredito: 88% 

Fazendo tábua rasa dos tenebrosos vaticínios de alguns profetas da desgraça, descrentes da capacidade de Joss Whedon - com carreira construída, essencialmente, no pequeno ecrã - para dirigir uma produção de tão grande envergadura, Os Vingadores encerraram com chave de ouro a Fase 1 do Universo Cinematográfico Marvel.
Apaixonado por super-heróis, Whedon, na segunda vez em que ocupou a cadeira de realizador, conseguiu captar o espírito das primeiras histórias dos Vingadores, com assinatura de Stan Lee e Jack Kirby.
Para quem, como eu, cresceu a ler essas histórias e acompanha o Universo Marvel como um casamento de décadas (nos bons, maus e péssimos momentos), tratou-se de um sonho tornado realidade. Ou não fosse o filme uma versão modernizada da origem clássica dos Vingadores: uma alcateia de lobos solitários obrigados a reunir-se para enfrentar uma ameaça a que nenhum deles poderia dar resposta sozinho. Mas só depois do inevitável conflito de egos que acompanha os encontros entre superseres.
Inteligente e divertido, Os Vingadores é um filme de ação bem estruturado, com uma mão-cheia de cenas a apelar à memória emotiva dos fãs veteranos. Por contraste com outros capítulos da franquia, o humor é bem doseado, ficando o alívio cómico a cargo de várias personagens. Visualmente, proporciona, a espaços, uma experiência extática mesmo dispensando o formato tridimensional.
Os erros cometidos por Whedon são escassos e incidem menos na estrutura do que na continuidade de alguns pontos. O verdadeiro incómodo faz-se sentir no final, quando vemos as decisões pós-batalha serem tomadas de forma rápida e reticente.
Mesmo sendo um erro, qualquer espectador atento saberia justificá-lo: seria insensato da parte de Whedon alongar em demasia a trama após o clímax. Ou que investisse em cenas mais verborrágicas, pouco adequadas a produções deste género.
Por tudo isto, Os Vingadores continuam a ser, para mim, o melhor filme da Marvel. Marcou uma época e deixou, porventura, a fasquia demasiado elevada. Igualar tal nível de qualidade não será fácil, quanto mais superá-lo.

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Os Vingadores foram uma aposta certeira dos Estúdios Marvel.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

ETERNOS: JIM STARLIN (1949 - ...)




     Especializado na produção de grandes sagas cósmicas, notabilizou-se também através da revitalização de personagens como Capitão Marvel ou Adam Warlock. Pelo seu talento, versatilidade e veterania, aos 65 anos, Jim Starlin continua a ser uma referência incontornável na indústria dos quadradinhos.


Biografia e carreira: Nascido a 9 de outubro de 1949 em Detroit (no estado norte-americano do Michigan), James P. "Jim" Starlin começou por escrever e desenhar histórias aos quadradinhos em vários fanzines afetos à 9º arte. Em 1972, estreou-se como profissional trabalhando lado a lado na Marvel Comics com um par de nomes sonantes: John Romita e Roy Thomas.
      Trazido para a Casa das Ideias pelo seu velho amigo Rick Buckler, Starlin faz parte da geração de argumentistas e ilustradores que cresceram com a Idade da Prata da Marvel. A este propósito, numa conferência dedicada a Steve Ditko (cocriador do Homem-Aranha em 1962), no âmbito da edição de 2008 da Comic-Con International, Starlin declarou: "Tudo o que sei sobre o processo narrativo devo-o a Steve Ditko e a Jack Kirby. A arte de ambos é insuperável."
      O primeiro trabalho profissional de Starlin ao serviço da Marvel consistiu em arte-finalizar algumas páginas do título The Amazing Spider-Man. Assumiu depois a arte de três números de Iron Man, ao longo dos quais foram introduzidas duas novas personagens por si idealizadas: Thanos e Drax, o Destruidor.
      Agradados com a qualidade do seu trabalho enquanto ilustrador de Captain Marvel nº25, os seus editores ofereceram-lhe a oportunidade de mostrar o seu valor como argumentista, convidando-o a escrever a história da edição seguinte. Sem hesitar, Starlin começou a desenvolver uma elaborada saga centrada no vilão cósmico Thanos, a qual logo se estendeu a outros títulos da editora. Starlin acabaria contudo por abandonar o título do herói kree antes de concluir o épico que ficou conhecido como A saga de Thanos.
Da esq. para a dir.: Adam Warlock, Surfista Prateado e Capitão Marvel. Jim Starlin sempre teve uma predileção por heróis cósmicos.
 
      Concumitantemente, em meados da década de 70 do século passado, Starlin produziu uma série de histórias para a antologia de ficção científica Star Reach, um projeto editorial independente. Nele desenvolveu as suas ideias acerca de Deus, Morte e Infinito (um tríptico omnipresente nas sagas cósmicas que produziu ao longo dos anos), liberto das restrições impostas pela autocensura vigente na indústria mainstream dos comics (sujeita aos ditames da Comics Code Authority).
       Após a sua passagem por Captain Marvel, Starlin e o argumentista Steve Englehart criaram Shang-Chi, o Mestre do Kung Fu, apesar de só terem produzido os primeiros números da respetiva série. Isto porque Starlin foi destacado para assumir Warlock, um título em declínio, centrado num herói geneticamente modificado, criado nos anos 1960 por Stan Lee e Jack Kirby, e reinventado por Roy Thomas e Gil Kane na década seguinte, tendo como inspiração Jesus Cristo. Perspetivando a personagem como alguém filosófica e existencialmente torturado, Starlin concebeu sozinho uma intrincada saga cósmica com uma forte componente psicológica e teológica. Com efeito, Warlock procurava contrariar os desígnios da Igreja da Verdade Universal, que almejava evangelizar todo o Cosmos e que, na verdade, fora fundada e liderada por uma versão maligna do próprio Warlock, autodenominada Magnus (numa clara referência às figuras de Cristo e do Anti-Cristo).
       Starlin teve assim o condão de pegar em dois títulos decadentes - Captain Marvel e Warlock - e transformá-los em séries de culto, arregimentando uma vasta legião de fãs.
 
Thanos foi uma das mais bem-sucedidas criações de Jim Starlin.
 
       Já com os seus créditos firmados no seio da indústria dos quadradinhos, em 1978 Jim Starlin associou-se a Howard Chaykin, Walt Simonson e Val Mayerik na fundação do Upstart Associates, uma espécie de estúdio partilhado com sede em Nova Iorque e cujo staff foi variando ao longo do tempo.
       Por essa altura, Starlin começou a trabalhar ocasionalmente para a DC. Além de desenhar algumas histórias de Batman publicadas em Detective Comics, passou por Legion of the Super Heroes. Em novembro de 1980, em parceria com o argumentista Len Wein, criou o vilão Mongul em DC Comics Presents nº27.
       Na sua constante demanda por  novos desafios, Starlin concebeu a saga Metamorphosis Odyssey, que apresentou ao mundo a personagem Vanth Dreadstar, em Epic Illustrated nº3. Originalmente, a história foi produzida a preto e branco, acabando, no entanto, por ganhar uma versão final colorida. Face ao sucesso da saga, primeiro a Epic Comics e depois a First Comics, publicaram a série regular Dreadstar.
 

Dreadstar foi um dos expoentes máximos do trabalho de Jim Starlin.
 
       Ciente do fascínio de Starlin em relação à morte, a Marvel concedeu-lhe entretanto a oportunidade de conceber uma história que retrataria o ocaso de uma das suas personagens de charneira. The Death of Captain Marvel (1982) tornou-se assim a primeira novela gráfica publicada sob a égide da Casa das Ideias.
       Em 1985, Starlin e Bernie Wrightson  (ilustrador celebrizado pelos seus trabalhos na BD de terror) produziram Heroes for Hope, uma edição especial com a chancela da Marvel, que serviu para angariar fundos para o combate à fome em África. Iniciativa à qual se associaram  outros notáveis sem qualquer ligação aos comics, como o escritor Stephen King.
       No ano seguinte, agora sob os auspícios da DC, Starlin voltou a colaborar num projeto beneficente com propósito idêntico: Heroes Against Unger (edição estrelada por Batman e Super-Homem). Na sequência deste seu trabalho, foi convidado para escrever as histórias do Cavaleiro das Trevas. Entre elas destacam-se Ten Nights of the Beast e Batman: A Death in the Family, esta última narrando a morte do segundo Robin.
 
The Ten Nights of the Beast foi uma das produções mais notáveis de Starlin ao serviço da DC.
 
       Regressado à Casa das Ideias, em meados da década de 1990, Starlin começou por revitalizar a série Silver Surfer. Como se tornara norma na sua colaboração com a Marvel, introduziu Thanos na narrativa, a qual desaguaria  na aclamada minissérie Infinity Gaunlet (Desafio Infinito). A história trouxe de volta Adam Warlock, morto pelo próprio Starlin em 1977. O êxito de Infinity Gaunlet abriu caminho para duas sequelas (ambas escritas por Starlin): Infinity War (Guerra Infinita) e Infinity Cruzade (Cruzada Infinita).
        Em 2003, Starlin escreveu e desenhou Marvel: The End, saga novamente estrelada por Thanos e que incluía uma miríade de personagens da editora. Nos anos que seguiram, Starlin colaborou com editoras independentes como a Devil's Due e a Dynamite Entertainment.
        De novo ao serviço da DC, entre 2007 e 2008, Starlin escreveu e desenhou The Death of the New Gods, reformulando de passagem a origem do Gavião Negro. Em 2013, assumiu a responsabilidade pelos argumentos de Stormwatch, a partir do 19º número da série lançada no âmbito de Os Novos 52!.
         Fora dos quadradinhos, Starlin - casado há 24 anos com a colorista Daina Graziunas - escreveu quatro novelas a meias com a sua esposa. A primeira - Pawns - data de 1989 e a última - Thinning the Predators - foi publicada em 1996.
         Em 2010, a IDW/Desperado publicou uma retrospetiva de 312 páginas da carreira do autor, sob o título The Art of Jim Starlin. Escrita pelo próprio, foi também lançada uma série numerada e assinada da obra, composta por 250 exemplares.
 
Stormwatch trouxe Jim Starlin de volta à ribalta.

Prémios e distinções: Desde os primórdios da sua extensa carreira artística que Jim Starlin começou a colecionar prémios e nomeações. Logo em 1973, arrecadou um Shazam Award na categoria de Assombroso Novo Talento, a meias com Walt Simonson. Em 1986, viu reconhecido o seu trabalho em Dreadstar ao ser-lhe atribuído um Haxtur Award para a melhor saga. Distinção que acumulou, nesse mesmo ano, com o Bob Clampett Humanitarian Award (cujos louros repartiu com Bernie Wrightson por Heroes for Hope). Já este século, em 2005, recebeu novo Haxtur Award, desta feita na categoria de Melhor Autor. A estes prémios soma-se um vasto rol de nomeações e distinções em segmentos tão diversificados como Melhor Argumento, Melhor Capa, Melhor Ilustrador, entre muitos outros.
 
Jim Starlin: um autor de sucesso, dentro e fora da BD.
 
 
 
  
   

quarta-feira, 6 de junho de 2012

NÉMESIS: THANOS



       O seu nome deriva de Thanatos, o deus grego da morte. A mesma pela qual é obcecado. Thanos é um dos mais poderosos, insanos e infames vilões dos quadradinhos. É ele o verdadeiro arquiteto do plano de conquista da Terra no recente filme dos Vingadores.

Nome original: Thanos
Primeira aparição: Iron Man nº55 (fevereiro de 1973)
Criador: Jim Starlin
Licenciadora: Marvel Comics
Origem: Titã (uma das luas de Saturno)
Parentes conhecidos: Mentor e Sui-San (pais), Eros/Starfox (irmão).
Base de operações: Todo o Cosmos
Filiação: Eternos
Poderes e habilidades: Mesmo quando não utiliza artefactos místicos ou cósmicos, Thanos é tremendamente poderoso dada a sua natureza semidivina. Entre as suas muitas habilidades, destacam-se a telecinésia, a capacidade de manipular e absorver energia cósmica, a transmutação de matéria, telepatia e superforça. É também portador de avançada tecnologia alienígena que lhe permite, entre outras coisas, gerar campos de força, teletransportar-se, abrir portais interdimensionais e viajar no tempo. Acresce a tudo isto o seu vasto intelecto que lhe permite planificar eficazmente de modo a obter o que deseja.
Thanos debutou no nº55 de Iron Man (1973).



Biografia: Thanos nasceu em Titã, uma das luas de Saturno. Embora tratado de igual forma pelos seu pais e restantes Eternos, Thanos cedo percebeu que era diferente. Ele possuía, com efeito, um gene mutante que o aproximava mais dos Deviantes, uma raça aparentada , porém, sua inimiga. Em resultado disso, cresceu em solidão, desenvolvendo em simultâneo uma obsessão pelo niilismo e pela morte. Em especial pela Senhora Morte, a entidade cósmica que corporiza a mortalidade. Enamorado dela, Thanos não olhou a esforços para lhe agradar.
                  Autoproclamando-se o campeão da morte, Thanos, no seu primeiro ato genocida, conduziu um bombardeamento nuclear contra o seu próprio mundo. Daí resultaram milhões de mortes que lhe valeram o epíteto de Titã Louco.
                  Anos depois, Thanos apoderou-se do Cubo Cósmico, um artefacto de poder incomensurável capaz de realizar qualquer desejo do seu portador. Satisfazendo as suas ambições divinas, Thanos usou o Cubo Cósmico para se tornar omnipotente. Pelo meio, derrotou facilmente vários heróis terrestres (entre eles os Vingadores) que o tentaram deter. Thanos cometeu, porém, um erro crasso: julgando já não necessitar do Cubo Cósmico, desembaraçou-se dele. O que permitiu ao Capitão Marvel destruir o dispositivo e neutralizar o Titã Louco. O golpe de misericórdia, porém, foi desferido pela sua amada Senhora Morte que abandonou o vilão devido ao seu fracasso.
                Ainda apaixonado pela Morte, Thanos regressou algum tempo depois com novo plano de aniquilação cósmica para se redimir junto dela. Desta feita, apoderou-se das Gemas do Infinito. Com elas, o Titã Louco dispunha de poder suficiente para obliterar metade do universo. O que muito impressionou a Morte, apostada em restaurar o equilíbrio do universo dada a existência de mais vivos do que mortos.
Thanos com as Gemas do Infinito.

                 A despeito da sua omnipotência, Thanos acabou por ser derrotado às mãos do seu arqui-inimigo Adam Warlock, depois deste lhe ter retirado as Gemas do Infinito e ter desfeito todo o mal causado pelo vilão. Para escapar, Thanos encenou a própria morte.
                Estas são, no entanto, apenas algumas das igonomínias perpetradas por Thanos. O vilão é responsável por inúmeras maquinações ora para obter poder para si mesmo, ora para impressionar a sua eterna amada. No seu vastíssimo currículo, destaca-se ainda o assassínio de Adam Warlock.
     
Adam Warlock e Thanos são arqui-inimigos.

Origem da personagem: A propósito da sua criação, Jim Starlin recorda: "Fui para a universidade entre o serviço militar e o  meu primeiro emprego nos quadradinhos.  Numa aula de Psicologia surgiu-me a ideia de criar Thanos. Apresentei o esboço a Roy Thomas (editor-chefe da Marvel à época) e ele perguntou-me se eu queria fazer uma edição de Iron Man.  Senti que essa seria a minha única oportunidade de lançar uma personagem própria, embora duvidasse na altura que a minha carreira pudesse durar mais do que algumas semanas. No início, Thanos era um vilão bem mais franzino. Roy, no entanto, sugeriu torná-lo maior. E desde então creio que não parou de crescer...".
                                         Starlin não esconde a sua admiração pela obra do mestre Jack Kirby mas nega ter-se inspirado em Darkseid para criar Thanos: "Kirby criara Os Novos Deuses, os quais eu achava sensacionais. Ele trabalhava para a DC na altura. Muitos pensam que Thanos surge como uma imitação de Darkseid, o que não é de todo verdade. Nos meus primeiros esboços, se ele se parecia com alguma personagem de Kirby era com Metron. Tinha na minha cabeça uma história que envolvia deuses e todas as coisas que eu queria fazer com eles.  Assim surgiram Thanos e os Titãs. Roy olhou para os meus esboços e ironizou: "Torna-o maior. Se vais plagiar um dos Novos Deuses, ao menos escolhe o melhor, Darkeseid."

Na sua estreia, Thanos era muito menos corpulento.
Noutros media: Ocupando o 47º lugar no ranking dos 100 Melhores Vilões dos Quadradinhos de Todos os Tempo, promovido pelo IGN, Thanos é presença assídua em séries de animação, videojogos, brinquedos e todo o tipo de merchandise produzido pela Marvel.
                           Recentemente, fez uma breve aparição no final do filme dos Vingadores, revelando ser o verdadeiro mentor do plano de conquista da Terra levado a cabo pelo seu peão Loki.
               
Nos quadradinhos e fora deles, Thanos e os Vingadores são velhos inimigos.