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terça-feira, 24 de maio de 2016

ETERNOS: BILL EVERETT (1917-1973)




   Com uma carreira profissional que se confunde com a história da Marvel Comics, foi um visionário e um iconoclasta da Idade do Ouro dos Quadradinhos que teve no Príncipe Submarino o seu alfa e o seu ómega. Menos óbvio foi o seu papel na conceção de um certo Homem Sem Medo.

Biografia e carreira: Com berço numa família influente e endinheirada, William "Bill" Everett veio ao mundo no já longínquo dia 18 de maio de 1917, em Cambridge (no estado norte-americano do Massachusetts). Mitómano, fabricou ao longo dos anos uma série de ficções acerca da sua juventude. Entre as patranhas que gostava de impingir a quem com ele privava, contava que havia concluído o liceu no Arizona. Narrativa que colidia com uma outra em que jurava a pés juntos ter-se alistado na Marinha Mercante dos EUA com apenas 15 anos de idade.
   Em boa verdade, Bill nascera no Hospital de Cambridge, tendo crescido nos arrabaldes de Watertown,  um pequeno e pacato município encravado na área metropolitana de Boston. Fê-lo na companhia dos pais (Robert e Elaine Everett) e de uma irmã dois anos mais velha chamada Elizabeth.
  Com raízes em Nova Inglaterra (território geográfico localizado no nordeste dos EUA, junto à fronteira com o Canadá) e uma genealogia velha de três séculos, o clã Everett tivera até aí em Edward Everett e em William Blake os seus membros mais ilustres. Após desempenhar os prestigiosos cargos de reitor da Universidade de Harvard e de Governador do Massachusetts, o primeiro fora nomeado Secretário de Estado do Governo dos EUA em 1852. Ao passo que o segundo, nascido em terras de Sua Majestade, foi um dos maiores expoentes da poesia romântica europeia nos séculos XVIII e XIX.
  Proprietário de um bem-sucedido negócio de transporte rodoviário de mercadorias, em meados dos anos 20 do século passado, Robert Everett resolveu mudar-se com a família para um palacete de verão no litoral do Maine. Seria nesse ambiente burguês que, encorajado pelos seus progenitores, o pequeno Bill daria os primeiros passos na ilustração, refinando paulatinamente o seu inato talento artístico.
   Leitor voraz, o catraio preferia no entanto os clássicos da literatura aos romances de cordel ou às histórias aos quadradinhos que faziam as delícias de muitas crianças da sua idade. Seriam ainda assim os trabalhos de diversos ilustradores e cartunistas (com o famigerado Floyd MacMillan Davis à cabeça) a influenciarem o estilo de Bill Everett. 
   Em 1929, então com 12 anos de idade e a frequentar o sexto ano de escolaridade, Bill contraiu tuberculose. Moléstia que motivou a sua saída abrupta da escola para, na companhia da mãe e da irmã, viajar para o Arizona, onde passou quatro meses em convalescença.
   Contudo, pouco tempo decorrido sobre o seu regresso a casa, Bill teve uma recaída que o obrigou a nova estada forçada na Costa Oeste. Período em que o jovem teve o seu primeiro contacto com bebidas alcoólicas, naquilo que seria uma espécie de rito iniciático para uma adolescência ensombrada pelo alcoolismo.
  Quando, após quatro turbulentos anos, Bill regressou por fim ao seu Massachusetts natal, levou a desarmonia à nova mansão familiar que o seu pai, incólume aos devastadores efeitos da Grande Depressão na economia estadunidense, adquirira entretanto num subúrbio de Boston. Exasperados com a insolência e o diletantismo do filho, os Everetts tomaram a difícil decisão de retirá-lo do liceu onde vadiava para, em 1934, inscrevê-lo - quase à força - na Vesper George School of Arts, uma conceituada academia de artes sediada no coração de Boston.
 Incapaz de se manter concentrado nos estudos, Bill abandonaria a instituição cerca de ano e meio depois, para profundo desgosto dos seus progenitores, mormente do seu pai. Que, vítima de uma apendicite aguda, faleceria pouco tempo depois sem ver concretizado o seu sonho de ver o filho tornar-se um cartunista de sucesso.

Bill Everett fotografado em 1939 no estúdio da Centaur Publications,
a sua porta de entrada para o lucrativo negócio dos comics.
   Mesmo dispondo de recursos financeiros que lhe continuavam a assegurar uma vida desafogada, a mãe de Bill entendeu por bem mudar-se com a prole para um apartamento localizado no centro de Cambridge.
  Obrigado pelas circunstâncias a assumir as suas responsabilidades enquanto novo patriarca do clã Everett, Bill depressa abandonaria a sua vida boémia, encetando uma carreira como ilustrador profissional que, sem que ele o imaginasse,  lhe garantiria lugar de destaque na memorabilia da Casa das Ideias.
   A troco de um cheque semanal de 12 dólares, em meados de 1936 Bill Everett começou a trabalhar como ilustrador no departamento publicitário do The Herald-Traveler, um dos tabloides mais antigos de Boston. Não teve, porém, sequer tempo de aquecer o lugar. Ao cabo de escassos meses, estava de malas aviadas para a periferia depois de aceitar uma proposta de emprego apresentada por uma empresa de engenharia civil, onde, durante um curto período, desempenhou as funções de desenhador projetista.
  Seguir-se-ia uma aventura (logo transformada em desventura) profissional na Costa Oeste que, entre outras paragens, o levou a Los Angeles. Uma vez mais, as coisas não correram de feição a Bill que não tardaria a regressar à Costa Leste. Assentando então arraiais em Nova Iorque, cidade onde esperava encontrar novas oportunidades para mostrar o seu valor.
  Na Grande Maçã, começou por trabalhar novamente como ilustrador no departamento publicitário de um jornal (o New York Herald-Tribune). Incapaz de manter um emprego por muito tempo, nos meses seguintes Bill Everett desempenharia as funções de editor artístico da revista Radio News antes de rumar a Chicago para assumir o cargo de subdiretor artístico de uma publicação não especificada. Certo é que acabaria demitido por, segundo o próprio, ser "demasiado presunçoso".
   De volta a Nova Iorque, Bill começou a procurar novo emprego no campo da ilustração. A sorte, porém, parecia andar arredada da sua vida. À medida que o tempo passava e as portas se lhe fechavam na cara, o desalento começou a apoderar-se dele. Em desespero de causa, entrou em contacto com Walter Holze, um antigo colega de escola que, por esses dias, trabalhava na efervescente indústria dos comics.
   Vários anos depois, Bill recordaria assim aquele que seria um ponto de viragem na sua vida: "Walter perguntou-me se eu podia desenhar histórias aos quadradinhos. É claro que eu respondi que sim. Estava falido e sem emprego. Aceitaria qualquer coisa. Não estava, portanto, interessado no negócio dos comics; fui empurrado pelas circunstâncias para dentro dele."
    Como ilustrador freelance ao serviço da Centaur Publications, Bill Everett começou por receber 2 dólares por cada página produzida. No entanto, por conta do seu virtuosismo, rapidamente passaria a ganhar sete vezes mais pelo mesmo trabalho. Uma respeitável maquia à luz dos padrões da época. Convém ter presente que estávamos no final dos anos 1930, numa altura em que os EUA eram ainda assolados pela Grande Depressão. Simetricamente, vivia-se o ápice da chamada Idade do Ouro dos Quadradinhos.
   Numa época em que brotavam super-heróis como cogumelos e as suas histórias vendiam como pãezinhos quentes, Bill Everett esteve diretamente envolvido na conceção de Amazing-Man, personagem da Centaur Publications desenvolvida a meias com Lloyd Jacquet, seu diretor artístico. Quando este fundou a sua própria editora, a Funnies, Inc., Bill aceitou de bom grado o convite para participar no projeto.

Amazing-Man foi o primeiro super-herói
concebido por Bill Everett.

   Numa sua biografia publicada postumamente, Bill Everett relatava: "Deixei a Centaur Publications com o Lloyd Jacquet e outro colega do qual não me recordo do nome. Fui aliciado pela ideia de Lloyd de criar uma pequena empresa que providenciasse mão-de-obra e matéria-prima às editoras já implantadas no mercado. Além de mim, ele também convidou o Carl Burgos (futuro criador do Tocha Humana original). Embora fôssemos o núcleo duro do projeto, continuávamos a trabalhar como freelancers. Não sei bem explicar o motivo. Mas era esse o acordo que tínhamos feito. E que ninguém contestou."
   Seria precisamente durante a sua passagem pela Funnies, Inc. que Bill Everett criaria a personagem que o imortalizaria na História da 9ª Arte. No âmbito de uma iniciativa editorial que visava a produção de uma banda desenhada a ser distribuída gratuitamente em algumas salas de cinema, Bill teve a ideia para um herói anfíbio que crismou de Namor, o Príncipe Submarino (vide texto anterior).                                                            Quando o projeto foi por água abaixo, Bill resolveu mostrar a sua criação a Martin Goodman, um influente editor de quadradinhos detentor de uma importante quota de mercado. Agradado com o trabalho de Bill, Goodman propôs-lhe que aumentasse o número de páginas da história original (de 8 passaria para 12), com vista à sua publicação no volume inaugural de Marvel Comics, a primeira série regular lançada pela Timely Comics (antepassada da Marvel).
   Muito por conta do seu perfil de anti-herói (conceito pouco explorado à época), Namor revelou-se um sucesso instantâneo, depressa se tornando, em paralelo com o Tocha Humana e o Capitão América, uma das figuras de proa da recém-fundada editora.
  Face à crescente popularidade das historietas do Príncipe Submarino, Bill (que as escrevia e desenhava) logo introduziria nelas um lote de coadjuvantes, entre os quais avultavam Namora e Betty Dean. Enquanto a primeira era prima do soberano das profundezas oceânicas com poderes similares aos seus, a segunda era uma agente policial que era simultaneamente interesse romântico e parceira do herói no combate ao crime.

Um dos primeiros super-heróis da História,
o Príncipe Submarino foi a obra-prima de Bill Everett
   Quando a carreira profissional de Bill Everett parecia ir de vento em popa, foi subitamente interrompida em 1942, ano em que ele foi cooptado pelo Exército norte-americano em consequência da entrada dos EUA na II Guerra Mundial. Dois anos mais tarde, após regressar do teatro operações europeu, Bill casaria com Gwen Randall, também ela a cumprir serviço militar.
    Em vésperas de embarcar para nova comissão numa frente de guerra - desta feita nas Filipinas-, Bill foi pai de uma menina. Que, até ao início de 1946 (altura em que Bill regressou a casa no pós-guerra), seria criada apenas pela mãe.      
   De volta aos EUA, Bill aproveitou a  herança de um tio-avô entretanto falecido,para tirar umas férias prolongadas e fazer várias viagens dentro e fora dos EUA antes de assentar na cidade natal da mulher, no Nebraska.
   Foi por essa altura que ele reatou a sua ligação com Martin Goodman e a Timely Comics. Enviando os seus trabalhos por correio, Bill retomou as histórias do Príncipe Submarino no ponto onde as deixara quatro anos antes. Acrescentando-lhes a sua colaboração com outras séries regulares da editora, como The Human Torch, Marvel Mistery Comics e Namora. Durante esta fase prolífica da sua carreira, Bill adotou diversos pseudónimos, entre os quais Bill Roman e Willie Bee.

Namora, outra das criações de Bill Everett,
fez furor na Idade do Ouro dos Quadradinhos.

   Tudo mudaria, porém, com a chegada da nova década. No início dos anos 1950, a Timely Comics deu lugar à Atlas Comics. A mudança de nome foi contudo insuficiente para contrariar o declínio que afetava o género super-heroístico. E Namor, apesar de aclamado pouco tempo antes, não fugiu à regra. Com a sua popularidade em queda livre junto dos leitores, o Príncipe Submarino tivera o seu título cancelado em 1949, precisamente uma década depois da sua estreia oficial.
   Após um interregno de 4 anos, em 1953, o herói atlante, juntamente com o Capitão América, o Tocha Humana e Namora, foram reabilitados pela Atlas. Nesse contexto, Bill Everett foi uma vez mais chamado a assumir a arte (mas já não a escrita) das histórias da personagem que idealizara, na vã esperança de lhe restaurar a glória do passado.
 Paralelamente ao trabalho artístico desenvolvido em Sub-Mariner Comics durante esse período,  Bill Everett desenharia também outros títulos de charneira da companhia, como Venus, Marvel Boy e Menace. Este último era uma antologia de contos de terror, muitos dos quais eram da autoria do então editor-chefe da Atlas: um jovem promissor chamado Stan Lee que muito admirava o traço de Bill. Tanto que, em 1964, lhe confiou a tarefa de desenhar os primeiros esboços da sua mais recente criação: Daredevil (Demolidor). Ou, pelo menos, uns dos primeiros esboços da personagem, considerando que Jack Kirby  afirmou em diversas ocasiões ter sido ele o primeiro a desenhar o Homem Sem Medo.
   Procurando deslindar um mistério com mais de meio século, Mark Evanier, historiador da Nona Arte, entrevistou certa vez Kirby e Everett. A sua investigação resultaria, contudo, inconclusiva.
  De acordo com Evanier, Kirby fora de facto o primeiro a trabalhar no visual do Homem Sem Medo. Era também dele o traço que surgia na primeira página da história que dava a conhecer a origem do herói. Dados confirmados por Bill Everett na citada entrevista. No entanto, a partir deste ponto, as coisas ficam algo nebulosas. Nenhum dos envolvidos parecia recordar com precisão como tudo se processou. Embora tenham ambos concordado que o mais provável é que, por causa de algum atraso por parte de Kirby na finalização do seu trabalho, Stan Lee tenha resolvido procurar alguém que o fizesse. Tudo indicando que terá sido Bill Everett a voluntariar-se para o efeito. Recebendo dessa forma os créditos pela coautoria do Demolidor.

A origem do Demolidor contou com o traço de Bill Everett.
Mas terá sido ele o primeiro a desenhar o herói cego?

  Versão desmentida, no entanto, pelo ex-editor-chefe da Marvel, Joe Quesada. Segundo ele, terá sido Bill Everett quem se atrasou na entrega das ilustrações da primeira história do Homem Sem Medo, cabendo a Steve Ditko* terminar o trabalho, tendo como base os esboços feitos algum tempo antes por Jack Kirby.
  Esta tese ganha alguma força quando analisamos as palavras do próprio Bill Everett numa entrevista concedida em 1969 ao ex-editor da Marvel, Roy Thomas. Questionado sobre a polémica em torno do seu papel na conceção do Demolidor, Bill respondeu: "Devo ter telefonado ao Stan Lee ou mantido algum tipo de contacto com ele. Não sei o que me terá levado a fazê-lo. Sei apenas que tentámos articular as nossas ideias por telefone. Como as coisas não atavam nem desatavam à distância, julgo que terei sugerido deslocar-me a Nova Iorque para uma reunião com ele. Devo ter pedido uma folga no emprego (como diretor artístico na Eton Paper Corporation, no Massachusetts) e arrepiado caminho. Eu tinha desenhado a história que Stan me pedira, mas não podia continuar a fazê-lo por causa do meu emprego. É importante que se perceba que eu trabalhava diariamente 14 ou 15 horas na fábrica e que, madrugada adentro, tentava desenhar histórias aos quadradinhos. Era areia de mais para a minha camioneta. Era por isso que me recusava a trabalhar com prazos, pois sabia que dificilmente os cumpriria. Foi esse o motivo pelo qual, depois de ter desenhado a primeira história do Demolidor, disse a Stan que não poderia contar mais comigo."
   Não obstante, em meados de 1966, Bill Everett recomeçaria a trabalhar para a Marvel. Primeiro arte-finalizando os esboços de Jack Kirby nas histórias do Hulk publicadas em Tales to Astonish, e mais tarde emprestando o seu traço às aventuras do Doutor Estranho em Strange Tales. Graças a The Great Comics Book Heroes (obra antológica da autoria de Jules Feiffer, dada à estampa em 1965), a nova safra de leitores de quadradinhos pôde conhecer também o trabalho desenvolvido por Bill nas décadas anteriores.

*Perfil disponível em http://bdmarveldc.blogspot.pt/2012/03/eternos-steve-ditko.html

A última capa de Sub-Mariner desenhada por Bill Everett.
 
  A viver uma das mais prósperas fases da sua carreira, consta que, em finais de 1971, Bill Everett terá sido a primeira escolha de Stan Lee para assumir a arte de Tomb of Dracula, antologia de histórias de terror cujo número inaugural chegaria às bancas no ano seguinte.
  Certo é que por essa altura já Bill havia retomado a sua ligação ao Príncipe Submarino, cujas histórias produzia ora sozinho ora assessorado por terceiros. Seria, no entanto, traído pela sua saúde que, ao degradar-se de forma galopante, o impediria de dar continuidade ao magnífico trabalho que vinha desenvolvendo nas páginas de Sub-Mariner.
  Num derradeiro esforço, o criador de Namor tentaria ainda, no início de 1973, finalizar um crossover do monarca atlante com o Homem-Aranha a ser publicado num número de Marvel Team-Up. Acabaria, contudo, por se finar antes de o conseguir fazer. Tinha então 55 anos e sobreviveram-lhe a mulher e a filha.
  Num capricho do Destino, Bill Everett teve pois no Príncipe Submarino o seu alfa e o seu ómega, despedindo-se do mundo a trabalhar na personagem que o alcandorou ao Olimpo dos iconoclastas do século XX.

Bill Everett numa convenção de quadradinhos
 em abril de 1970, 3 anos antes da sua morte.

   
   

   
 
     

quinta-feira, 12 de maio de 2016

HERÓIS EM AÇÃO: NAMOR, O PRÍNCIPE SUBMARINO




   Soberano das profundezas oceânicas, a despeito da sua herança mestiça, nem sempre se relacionou de forma harmoniosa com os habitantes da superfície. Ocupa, ainda assim, lugar de destaque no arquivo museológico da 9ª arte por via do seu duplo estatuto de primeiro mutante e de um dos mais antigos super-heróis dos quadradinhos.

Nome original: Namor, The Sub-Mariner
Licenciadoras: Timely Comics (1939-49), Atlas Comics (1954-55) e Marvel Comics (desde 1962)
Criador: Bill Everett
Primeira aparição: Motion Picture Funnies Weekly nº1 (abril de 1939)
Identidade civil: Namor McKenzie
Local de nascimento: Atlântida
Espécie: Mutante híbrido de humano e atlante
Parentes conhecidos: Fen e Leonard McKenzie (pais biológicos falecidos), Tom e Gladys Smallwood (pais adotivos), Lawrence McKenzie (meio-irmão), Dorma (ex-esposa falecida), Marrina (esposa), Kamar (filho falecido), Namora e Namorita (primas). A este núcleo familiar acresce ainda uma longa linhagem, humana e atlante, de antepassados e descendentes do Príncipe Submarino.
Afiliação: Ex-membro do Esquadrão Vitorioso, dos Invasores, Vingadores, X-Men, Defensores, Illuminati, da Cabala e da Força Fénix
Base de operações: Nova Atlântida
Armas, poderes e habilidades: Por conta da sua singular herança genética, Namor é um espécime único tanto entre humanos como entre atlantes. Embora a maior parte dos seus poderes e habilidades derivem dessa mestiçagem, a sua capacidade de voar não pode ser explicada por essa condição. Motivo pelo qual ele é comummente designado como o primeiro mutante do Universo Marvel. Este é, porém, um título discutível, conforme fica demonstrado no tópico seguinte.
   Aquando da sua estreia nos quadradinhos no já longínquo ano de 1939, Namor foi descrito por Bill Everett (seu criador) como um ser anfíbio capaz de voar e detentor de uma força descomunal equivalente à de várias centenas de homens da superfície. Ou seja, uma gama de poderes muito mais restrita do que aquela de que dispõe atualmente. E que encolheu ainda mais  em 1954 quando, no âmbito de uma tentativa de reabilitação da personagem levada a cabo pela Atlas Comics (ver Histórico de publicação), o Príncipe Submarino foi espoliado das suas icónicas asas nos tornozelos e, por conseguinte, do seu poder de voo. Ambos lhe seriam, contudo, restituídos pouco tempo depois.
  No início dos anos 60 do século passado, Stan Lee e Jack Kirby revitalizaram Namor, concedendo-lhe no processo novos poderes e habilidades. Uma dessas novas habilidades consistia na sua recém-adquirida (e logo omitida) capacidade de mimetizar as características de algumas espécies marinhas. Inovação que não foi bem acolhida pelos leitores (porventura pela sua similitude com os poderes de Aquaman, seu émulo da DC), tendo sido exibida somente em duas histórias publicadas em Fantastic Four.

Um portento anfíbio.

   Não obstante, em qualquer uma das suas encarnações, Namor foi sempre descrito como possuidor de superforça (estima-se que poderá ultrapassar as 75 toneladas, o que faz dele uma das personagens mais pujantes do Universo Marvel), bem como de velocidade, resistência e agilidade sobre-humanas. Oscilando o nível dos seus poderes em função do seu contacto com a água. Quanto mais tempo o herói permanecer arredado do seu elemento natural, mais enfraquecido ficará.
 Outra das suas mais extraordinárias capacidades é a de comunicar telepaticamente com qualquer criatura marinha senciente (incluindo os seus súbditos atlantes e, especula-se, até mesmo com os humanos). Somando-se a isto uma panóplia de habilidades subsidiárias onde se incluem o seu biossonar, os seus sentidos amplificados, as suas propriedades regenerativas e a sua longevidade (a esperança média de vida de um atlante comum ronda os 120 anos).
  Em complemento a tudo isto, Namor porta muitas vezes o Tridente de Neptuno. Trata-se de um artefacto milenar forjado num metal místico que, entre outras coisas, permite ao seu usuário manipular a água em qualquer um dos seus estados e disparar poderosas rajadas energéticas.
   Em consequência da sua exigente formação como monarca da Atlântida, o Príncipe Submarino alia aos seus poderes a proficiência no combate corpo a corpo, a habilidade diplomática e uma superior cultura tática. Tal profusão de recursos faz de Namor um oponente de respeito, mesmo quando tem pela frente adversários de grande poder.

Namor versus Coisa: combate de pesos-pesados.

Mutante? Sim. O primeiro de todos? Discutível.

  Conforme ressalvei acima, apesar de Namor ser habitualmente referenciado como o primeiro mutante do Universo Marvel, esse estatuto é dúbio. Senão vejamos: no quesito editorial, em 1939 o Príncipe Submarino foi, efetivamente, a primeira personagem a ser descrita com características genéticas idênticas às dos Homo superior. Contudo, cronologicamente, a sua aparição foi precedida de um leque de outros mutantes. Alguns dos quais velhos de séculos, como é o caso de Apocalipse (que reclama para si o título de O Primeiro).
  O vilão nascido no Antigo Egito não é, porém, caso único na medida em que Wolverine terá, provavelmente, vindo ao mundo em finais do século XIX. Havendo ainda a registar nesta categoria de anciãos portadores do gene X Selene, mutante imortal que se afirma mais antiga do que o próprio Tempo (o que, a ser verdade, faria dela a primeira Homo superior da História).
   Outro aspeto a levar em consideração nesta análise está relacionado com a natureza híbrida de Namor. Convém lembrar que nas suas veias corre tanto sangue humano como atlante. Peculiaridade que o torna ímpar mesmo no seio da comunidade mutante.
   Nada indica, ademais, que o Príncipe Submarino traga atrelada a si uma história plurissecular desconhecida que, pelo menos do ponto de vista cronológico, o coloque no mesmo patamar de qualquer um dos exemplos supramencionados.

Ao trono da Atlântida, Namor soma
o (questionável) título de primeiro mutante.
    
Fraquezas: Ironicamente, decorrem também da fisiologia híbrida de Namor as suas principais fraquezas. Sobressaindo desde logo os efeitos nocivos, tanto a nível físico como psicológico, induzidos pelo desequilíbrio de oxigénio no seu organismo. Quando permanece demasiado tempo dentro de água ou fora dela, o Príncipe Submarino evidencia frequentemente sintomas de bipolaridade. Distúrbio mental que explica em larga medida as súbitas oscilações de humor e a irascibilidade que são a sua imagem de marca. Mas que podem ser prevenidas se o Filho Vingador encontrar o ponto de equilíbrio entre o tempo de permanência em ambas as atmosferas.
  É possível que a esta sua fraqueza esteja associada uma outra, ainda que tal nunca tinha sido devidamente comprovado: quando atingido em determinados pontos da cabeça, Namor sucumbe facilmente. Mesmo que a pancada tenha sido desferida por um humano munido de uma simples barra de ferro ou de qualquer outro objeto contundente. Facto desconcertante considerando que o monarca atlante já resistiu a violentos golpes aplicados na mesma parte do corpo pelo próprio Hulk.
   Por outro lado, a ambivalência moral de Namor  faz com que sejam tantos os que o veem como herói como os que o consideram um escroque (que o diga o Sr. Fantástico que no passado viu a esposa ter um tórrido affair com o Príncipe Submarino ), representando essa outra das suas fraquezas. Com efeito, devido ao seu caráter ambíguo, Namor nem sempre se assume como um aliado confiável aos olhos dos outros heróis.

O amor adúltero de Namor e Susan Richards.

Histórico de publicação: Namor, o Príncipe Submarino surgiu pela primeira vez em abril de 1939 no protótipo de Motion Picture Funnies Weekly, uma banda desenhada produzida pela Funnies Inc. e que estava previsto ser distribuída como brinde em alguns cinemas estadunidenses. Quando a iniciativa abortou devido à falta de financiamento, Bill Everett usou a personagem em Marvel Comics nº1, título entretanto lançado pela Timely Comics (predecessora da Marvel) e renomeado como Marvel Mistery Comics logo a partir do seu segundo número.
   Nas suas primeiras aparições, Namor agia como um inimigo dos EUA. Descrito assim por Les Daniels, um dos mais reputados historiadores da 9ª arte: "O Príncipe Submarino era uma aberração ao serviço do caos. Embora o seu modus operandi fosse o de um vilão, os leitores entreviam alguma justiça nas suas causas. Facto que os levava a perdoar a destruição em massa que ele causava de cada vez que entrava em cena."


Bill Everett (1917-1973) teve em Namor o seu maior êxito criativo.
Consta que, em todo o mundo, haverá apenas
 8 exemplares de Motion Picture Funnies Weekly nº1 (1939)

Namor debutou em Marvel Comics nº1 (1939) .

   A partir de julho de 1941 (e durante oito anos consecutivos), Namor dispôs do seu próprio título. Sub-Mariner Comics começou por ter uma periodicidade quadrimestral mas, em virtude da sua enorme popularidade junto do público, passaria a trimestral e, mais tarde, a bimestral.
   À semelhança da generalidade das personagens da Timely Comics, Namor foi votado ao ostracismo em consequência do declínio do género super-heroico após a II Guerra Mundial. Em 1946 assistiu-se ainda a uma tentativa de inverter essa situação,  através do lançamento de All-Winners Squad. Série mensal estrelada por um grupo de combatentes do crime que incluía, além do Príncipe Submarino, o Capitão América, o Tocha Humana original e um punhado de heróis da Idade do Ouro que assim tentavam emergir das brumas da memória.
   Mas o destino dessas personagens consideradas obsoletas estava traçado e, por um longo período de tempo, ficariam aprisionadas num limbo. Exceção feita ao breve parêntesis (1954-55) em que foram resgatadas pela Atlas Comics. Apesar das boas intenções da editora (que chegou a ressuscitar o título Sub-Mariner Comics), a adesão do público foi fraca e os heróis voltaram a ser colocados na prateleira. De onde seriam quase todos retirados nos primeiros anos da década de 1960, quando Stan Lee e Jack Kirby reinventaram o conceito de super-heróis.


Número inaugural do título solo do Príncipe Submarino (1941).


Heróis de outrora que o mundo teimava em esquecer

   No caso específico do Príncipe Submarino, a sua reentrada em cena ocorreu em 1962, nas páginas de Fantastic Four nº4 (datado de maio desse ano). Depois de ser encontrado pelo novo Tocha Humana a errar pelas ruas de Nova Iorque como um mendigo amnésico, Namor consegue recuperar a memória com a ajuda do benjamim do Quarteto Fantástico e rapidamente regressa à sua Atlântida natal. Encontrando-a devastada por testes nucleares subaquáticos, resolve fazer jus ao cognome de Filho Vingador  e declara guerra à humanidade. Impelido quer pelo seu desejo de vingança quer pela sua crise de identidade, Namor corresponde, nesta sua encarnação moderna, ao modelo de anti-herói.
   Apesar da sua sobranceria relativamente aos habitantes da superfície, durante esta fase o Príncipe Submarino era, em última análise, um pária. Estatuto contrariado, no dealbar da década de 1970, pela sua adesão aos Defensores (cujo elenco primitivo incluía ainda o Dr. Estranho, o Surfista Prateado e o Hulk); apenas o primeiro de vários coletivos heroicos de que o monarca atlante faria parte nos anos seguintes.
    Privado de um título próprio, o percurso editorial de Namor na década de 1980 foi marcado pela intermitência. Desse período há, no entanto, a destacar The Saga of the Sub-Mariner, minissérie em doze capítulos publicada entre 1988 e 1989 e  que serviu. essencialmente, para cortar algumas das pontas soltas na cronologia do herói.

Logo na estreia da sua versão moderna,
 Namor cobiçou mulher alheia

   Inicialmente escrita e ilustrada por John Byrne, em 1990 chegou às bancas norte-americanas a nova e aclamada série regular do Príncipe Submarino, intitulada Namor, The Sub-Mariner. Coincidindo o  seu declínio com a saída do autor canadiano e o subsequente corrupio de escritores e artistas. Malgrado essas vicissitudes, o título subsistiu durante cinco anos, ao longo dos quais foram lançados 62 volumes. Nessa fase, Namor vestiu a pele de um magnata engajado com a defesa do ambiente, particularmente dos ecossistemas marinhos ameaçados pela ação imprudente dos habitantes da superfície.

O regresso do Filho Vingador
pelas competentes mãos de John Byrne.

   Ainda que com alguns percalços de permeio (como o precoce cancelamento da sua nova série mensal em 2011), aos poucos o Príncipe Submarino tem vindo a recuperar o seu estatuto de figura cimeira do Universo Marvel. Para isso contribuiu, em primeiro lugar, a sua participação nos Illuminati, conclave de super-heróis que opera nos bastidores para influenciar alguns dos mais importante eventos mundiais. Por outro lado, na saga Avengers versus X-Men (2012), Namor teve papel de destaque ao ser um dos cinco hospedeiros da Força Fénix corrompidos pelo incomensurável poder da entidade cósmica. Foi, de resto, nessa condição que o soberano da Atlântida lançou um devastador ataque a Wakanda, lar do Pantera Negra.Facto que ditaria o acirrar do conflito em curso.
   Mesmo tendo estado do lado dos vencidos nesse confronto épico entre duas das mais poderosas equipas de super-heróis do mundo, Namor conservou o seu lugar entre os Illuminati que, no biénio 2013-2015, foram cabeças de cartaz na terceira série de The New Avengers.
   Em fevereiro deste ano, nas páginas de Squadron Supreme vol. 4 nº1,  Namor foi brutalmente assassinado por Hyperion, quando tentava vingar a destruição da Atlântida às mãos deste. Atendendo, contudo, à reversibilidade da morte nos quadradinhos, é deveras plausível um retorno do herói a breve trecho.

   
Namor posa com os restantes Illuminati. 

Origem: Meses antes da eclosão da II Guerra Mundial, um navio de exploração oceanográfica chamado "Oracle" navegava ao largo da Antártida. Para abrir caminho entre a enorme massa de gelo,os tripulantes fizeram detonar várias cargas explosivas no fundo do mar. Liderada pelo enigmático Paul Destino, a expedição procurava secretamente vestígios de uma antiga civilização.
  Acidentalmente, as cargas explosivas detonadas pela tripulação do "Oracle" causaram enormes prejuízos na Atlântida, uma cidadela subaquática que servia de lar a outra civilização lendária.
  Julgando tratar-se de um ataque ao seu povo, Thakorr, o imperador atlante, ordenou à sua filha, a princesa Fen, que fosse com um batalhão armado à superfície para descobrir a identidade dos seus pretensos agressores. Afoita, Fen resolveu contudo ir por conta própria. Ingerindo uma poção que lhe permitia respirar fora de água, subiu a bordo do "Oracle", deixando toda a tripulação inebriada com a sua estonteante beleza.
   Determinada em aprofundar a sua investigação, a princesa atlante decidiu permanecer a bordo da embarcação. A sua presença serviu para impedir novas detonações que fizessem perigar o seu povo. Entretanto, aprendeu também a língua e os costumes dos habitantes da superfície. Contando para isso com a ajuda de Leonard McKenzie, o comandante do "Oracle", por quem logo se enamoraria.
   Já depois de o casal ter trocado alianças a bordo do navio, McKenzie descobriu Lemúria, outra cidade submersa. Ele e Paul Destino mergulharam então nas profundezas para explorá-la. Porém, ao deparar-se com uma relíquia maligna chamada Capacete do Poder, Destino enlouqueceu e provocou a destruição da Atlântida. Centenas dos seus habitantes pereceram em consequência dessa calamidade.
   Horrorizado com o que testemunhara, McKenzie apressou-se a regressar ao "Oracle". Seria, todavia, gravemente ferido pelos soldados atlantes enviados pelo Imperador Thakorr, para resgatar Fen, que acreditava ter sido feita refém. A princesa, por sua vez, julgou que o marido não havia sobrevivido ao ataque perpetrado pelos seus compatriotas.
   Regressada à Atlântida - cuja reconstrução começara entretanto - Fen descobriu estar grávida. Meses depois nasceria Namor (nome que significa "Filho Vingador" no dialeto atlante), cuja pele rosada destoava da tez azulada dos demais atlantes. Muitos dos quais não viam com bons olhos a possibilidade de virem a ser governados por um mestiço.

Filho de dois mundos, Namor
 nunca se encaixou em nenhum deles.

  À medida que crescia, Namor foi vivendo rocambolescas aventuras submarinas (inclusive jogadas políticas com vista à tomada do poder), praticamente sem contacto com o mundo da superfície. Cujos habitantes ele desprezava profundamente, tanto devido à poluição marítima por eles causada como por conta das lendas atlantes que lhe iam sendo transmitidas e que, invariavelmente, diabolizavam os humanos.


Do fundo do mar para a ribalta.
 
   Nos primórdios da II Guerra Mundial, a Atlântida seria um dano colateral das encarniçadas batalhas navais entre os Aliados e as forças do Eixo. Enviado pelo seu avô em busca de vingança para o seu povo, Namor começou por atacar o coração de Nova Iorque. Sendo então confrontado pelo Tocha Humana original*. A rivalidade entre ambos tornar-se-ia, de resto, lendária. Só uma ameaça comum os obrigaria a porem de lado as suas diferenças. O que aconteceria quando, juntamente com o Capitão América, os dois formaram os Invasores** com o propósito de travar o avanço do Terceiro Reich.
  Despontava assim a longa e controversa carreira pública do Príncipe Submarino, marcada por  inúmeros triunfos e tormentos. Se é verdade que ele nem sempre esteve do lado certo da barricada, não é menos verdade que sempre se mostrou firme na luta pelas causas que abraçou, nomeadamente a defesa do povo atlante e da comunidade mutante.

* Criação de Carl Burgos, tal como Namor, a estreia do primeiro Tocha Humana remonta a 1939. Tratava-se de um androide com poderes incandescentes projetado por um cientista chamado Phineas Horton. Não confundir, portanto, com o Tocha Humana do Quarteto Fantástico, cujo nome serviu para homenagear o seu antepassado da Idade do Ouro.
** A origem e a lista de membros dos Invasores pode ser consultada em http://bdmarveldc.blogspot.pt/2015/02/herois-em-acao-invasores.html


Revisitação do duelo clássico entre
 Namor e o primeiro Tocha Humana.
     
Curiosidades: 

* O reino submerso que servia de lar a Namor foi pela primeira vez referenciado como sendo a lendária Atlântida aquando da revitalização operada por Stan Lee e Jack Kirby em 1962;
* Imperius Rex, o estridente grito de guerra que o Príncipe Submarino entoa nas suas batalhas, é uma expressão latina que significa "Rei do Império";
* Em meados dos anos 1970, Namor foi um dos heróis incluídos na coleção de selos lançada pela Marvel;
* Por contraponto aos outros antigos membros do Quinteto Fénix (os cinco hospedeiros da Força Fénix na saga Avengers versus X-Men), o Príncipe Submarino não teve os seus poderes afetados após a sua desvinculação da entidade cósmica.

A estampilha dedicada a Namor
 na coleção lançada pela Marvel nos anos 1970.

Noutros media: A despeito do seu impressionante lastro histórico nos quadradinhos, até à data, o Príncipe Submarino não conseguiu ainda exportar a sua influência para o panorama audiovisual.
  Ainda em meados dos anos 50 do século passado, foi equacionada a produção de uma série de ação real baseada no herói, mas o projeto acabaria por nunca se materializar. Cerca de duas décadas volvidas, outro projeto dessa natureza acabaria abortado por conta das suas semelhanças com The Man From Atlantis (série televisiva vagamente inspirada em Namor que, em terras lusas, foi titulada de O Homem da Atlântida e, no Brasil, de O Homem do Fundo do Mar).
  Mais recentemente, em 1997, os Estúdios Marvel encetaram contactos com o realizador Phillip Kaufman e com o argumentista Sam Hamm com vista à produção de uma longa-metragem estrelada pelo Príncipe Submarino. No entanto, em virtude de sucessivos adiamentos e constrangimentos, a sua estreia cinematográfica continua sem data marcada.

As várias versões animadas do Príncipe Submarino.

   Se no currículo mediático do Príncipe Submarino há um embaraçoso espaço em branco no que a produções de ação real diz respeito, o quadro é pouco mais animador em matéria de animação. À parte um segmento próprio de que dispôs em 1966 na série animada The Marvel Super-Heroes, contam-se pelos dedos de uma mão as participações (pouco relevantes) de Namor em séries alheias. E já lá vão dez anos desde que isso aconteceu pela última vez. Foi em 2006, num par de  episódios de Fantastic Four: World's Greatest Heroes. 
    É, pois, caso para dizer que, fora da BD, Namor se sente como peixe fora de água. E nem os seus poderes anfíbios lhe parecem valer de grande coisa.

Um herói septuagenário preparado
 para enfrentar os desafios dos nossos dias.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

HERÓIS EM AÇÃO: INVASORES



   Ao serviço da causa aliada nos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial, os Invasores foram decisivos para a capitulação das forças do Eixo e consequente triunfo da liberdade. Com a sua lenda a reverberar pelos esconsos labirintos da História, já este século o grupo foi revivido com o propósito de enfrentar ameaças menos óbvias, porém tão ou mais mortíferas do que as do passado.

Nome original do grupo:  The Invaders
Primeira aparição: The Avengers #71 (dezembro de 1969)
Criadores: Roy Thomas (história) e Sal Buscema (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Fundadores: Capitão América (Captain America), Bucky, Namor, o Príncipe Submarino (The Sub-Mariner), Tocha Humana original (The Human Torch) e Centelha (Toro)
Supletivos: Union Jack, Spitfire, Ciclone (Whizzer), Miss América, Escorpião de Prata (Silver Scorpion), Caveira Flamejante (Blazing Skull), além de vários outros heróis da Timely Comics (predecessora da Marvel Comics)
Formação atual: Capitão América, Namor, o Príncipe Submarino, Tocha Humana original e Soldado Invernal (Winter Soldier)
Base de operações: Nas suas primeiras aventuras. os Invasores usavam a Times Tower em Nova Iorque e a torre do relógio no Palácio de Westminster em Londres como bases de operações, sendo desconhecida a localização do seu atual quartel-general.

Retrato de família dos Invasores.

Histórico de publicação: Apesar de ter feito apenas um par de aparições entre 1946 e 1947, o All-Winners Squad (celebrizado como Esquadrão Vitorioso entre o público lusófono), equipa idealizada pelo editor Martin Goodman e pelo argumentista Bill Finger (ninguém menos que o não creditado cocriador de Batman), serviu de inspiração à dupla Roy Thomas/Sal Buscema para, em 1969, criarem os Invasores. Remontando à Idade do Ouro dos Quadradinhos, o Esquadrão Vitorioso era constituído pelos mesmos heróis que fariam parte dos Invasores, com a diferença de as suas aventuras serem ambientadas no pós-Segunda Guerra Mundial, coincidindo assim com sua data de publicação. Prefigurando os conflitos internos que caracterizariam, anos depois, o Quarteto Fantástico, o Esquadrão Vitorioso foi o primeiro coletivo heroico em que existiam notórias discordâncias entre os seus membros.

Esquadrão Vitorioso, o grupo da Idade do Ouro que serviu de inspiração aos Invasores.
   As primeiras aparições dos Invasores ocorreram sob a forma de flashbacks em histórias que faziam referência a antigas personagens da Timely Comics. Originalmente, a equipa era composta pelo Capitão América e seu parceiro juvenil Bucky, Namor, o Príncipe Submarino, e pelo androide Tocha Humana e respetivo adjunto adolescente Centelha. Antes de se reunirem, cada um deles combatia à sua maneira o Nazismo e as forças do Eixo nos campos de batalha da II Guerra Mundial. Passaram a atuar em conjunto por sugestão de Winston Churchill, cuja vida foi salva pelo quinteto. Deve-se também ao carismático antigo primeiro-ministro britânico o nome da equipa, uma vez que ele pretendia que os heróis realizassem operações em território inimigo.
    À medida que o conflito se desenrolava, os Invasores foram enfrentando as forças do Eixo um pouco por todo o mundo. Uma dessas missões levou-os à velha Albion, onde travaram conhecimento com o aristocrata inglês Lorde James Montgomery Falsworth. Tratava-se do primeiro Union Jack, herói patriótico que atuara na I Guerra Mundial, e que logo se uniu à equipa liderada pelo Capitão América. Algum tempo depois foi a vez de Brian e Jacqueline Folsworth (filhos de Lorde Folsworth) se juntarem aos Invasores. O primeiro dando continuidade ao legado de Union Jack, a segunda passando a operar sob o codinome Spitfire, após receber uma transfusão sanguínea do Tocha Humana que lhe concedeu supervelocidade. Outro velocista, Ciclone, seria entretanto recrutado para as fileiras do grupo. No qual posteriormente foram também incorporados a Miss América (espécie de mescla entre o Super-Homem e a Mulher-Maravilha), Caveira Flamejante (provável fonte de inspiração para o Motoqueiro Fantasma) e Escaravelho de Prata (uma temerária justiceira mascarada).

Os heróis britânicos Spitfire e Union Jack (em primeiro plano na imagem) reforçaram os Invasores.
  Sempre enfrentando uma panóplia de perigosas ameaças (incluindo a ocupação nazi da Atlântida e a ascensão da organização terrorista HIDRA), a maior provação dos Invasores surgiu, contudo, com a aparente morte do Capitão América e de Bucky em consequência da explosão de uma aeronave não tripulada, escassos meses antes do término do conflito (conforme descrito em The Avengers #4, de março de 1964).  Com o advento da paz, vários membros da equipa fundaram uma segunda encarnação do Esquadrão Vitorioso.
  Após uma breve passagem por The Avengers, em 1975 os Invasores estrelaram uma edição especial (Giant-Size Invaders #1) que serviu de prólogo ao lançamento, no final desse mesmo ano,  de The Invaders, a sua própria série regular. No seu auge de popularidade, o grupo teve também direito a um volume anual em 1977, dois anos antes do cancelamento do seu título mensal.

A estreia oficial dos Invasores em The Avengers #71 (1969).

Capa do número inaugural da série regular dos Invasores em 1975.

   Empurrados para o limbo do esquecimento durante um quarto de século, em 2004 os Invasores foram resgatados do fundo das águas turvas da memória. Também denominada Novos Invasores, a equipa fez a sua estreia em The Avengers vol.3 #82, numa história em quatro partes escrita por Chuck Austen. Na esteira da formação clássica, os Novos Invasores em breve trocariam as páginas do título dos Vingadores pelas do seu próprio. Com argumentos a cargo de Allan Jacobsen e arte de C.P. Smith, The New Invaders teve 11 edições publicadas (incluindo o nº0), entre agosto de 2004 e junho de 2005.
   Nesta sua versão moderna, os Invasores foram fundados pelo Secretário da Defesa norte-americano Dell Rusk (na verdade, um disfarce do Caveira Vermelha), sendo inicialmente compostos pelo Caveira Flamejante, Agente Americano (John Walker, o quinto Capitão América), Union Jack III e Tara (uma misteriosa jovem com poderes incandescentes, que viria a revelar-se uma espia ao serviço do Caveira). A este elenco juntar-se-ia entretanto o Tocha Humana original.
  Apesar de terem gorado os planos do seu falso benfeitor, os Novos Invasores testemunharam a aparente morte do Tocha Humana. Que, somada à traição de Tara, ditaria a dissolução precoce da equipa.
  No crossover  de 2007 Avengers/Invaders ( Vingadores & Invasores, minissérie em 6 fascículos publicada no Brasil pela Panini Comics dois anos depois), a equipa original (exceto Spitfire e Union Jack) foi trazida para a atualidade pelo vilão Desespero, então na posse do Cubo Cósmico. Acreditando tratarem-se de supersoldados nazis,  os Invasores confrontaram os Vingadores e os Thunderbolts, antes de embarcarem numa alucinante jornada através do fluxo temporal. No desfecho da saga, Centelha foi revivido pelo poder do Cubo Cósmico temporariamente adquirido por Bucky. Portando agora o escudo do Sentinela da Liberdade, o antigo parceiro do Capitão América liderou a terceira encarnação dos Invasores apresentada na minissérie Invaders Now, datada de setembro de 2010. Namor, o Príncipe Submarino, Tocha Humana, Centelha, Spitfire e Steve Rogers (o primeiro Capitão América) completavam o elenco da rediviva equipa, reunida pelo Visão original e por Union Jack para enfrentar uma terrível ameaça do passado.

Algumas das capas de Avengers/Invaders (2007), a minissérie que devolveu os Invasores à ribalta.
    Finalmente, em 2014, a Marvel Comics decidiu revitalizar os Invasores através do lançamento de uma nova série mensal escrita por James Robinson. Reduzidos agora a um quarteto (Capitão América, Soldado Invernal, Tocha Humana e Namor), os heróis do passado tentam adaptar-se à realidade dos novos tempos, em que os inimigos deixaram de ser movidos por causas ou ideologias,  e com os conflitos a deixarem os campos de batalha para se aninharem nas ruas das cidades.
    
Heróis atemporais.
Biografia: Com a entrada dos EUA na II Guerra Mundial em finais de 1941, na sequência da agressão nipónica em Pearl Harbor, um quinteto heroico composto pelo Capitão América, Bucky, Namor, Tocha Humana e Centelha uniu forças para contrariar os planos do Grande Mestre (Master Man no original), um meta-humano americano de ascendência germânica simpatizante da causa nazi que atentou contra a vida de Winston Churchill. Este ficou tão impressionado com os seus salvadores que os encorajou a manterem-se juntos como os Invasores. Desse dia em diante, o grupo passou a combater tanto as tropas do Eixo nos campos de batalha como os superagentes nazis que levavam a cabo ações de sabotagem nos países aliados.
   Pouco tempo após terem iniciado a sua carreira conjunta, os Invasores adotaram o Reino Unido como base de operações. Enquanto enfrentavam o vampiro conhecido como Barão Sangue (Baron Blood), o grupo cruzou-se com Lorde Montgomery Falsworth, o Union Jack original que se notabilizara na I Guerra Mundial. O herói britânico juntou-se à equipa, apenas para ser incapacitado pelo Barão Sangue depois de este lhe ter esmagado as pernas. Na esteira desse dramático episódio, Lorde Falsworth autorizou os Invasores a usarem a sua mansão e viu os seus dois filhos - Union Jack e Spitfire - reforçarem as fileiras dos Invasores.
   Regressada a solo norte-americano para combater a ameaça personificada pelo Super-Eixo (Super-Axis, homólogo nazi dos Invasores), a equipa ganhou dois novos membros: Ciclone e Miss América. Ambos tinham feito parte da Legião da Liberdade (Liberty Legion),  grupo de meta-humanos e justiceiros mascarados reunidos em 1942 por Bucky para combaterem os Invasores, então sob o domínio mental do Caveira Vermelha. A eles juntar-se-iam também, pouco tempo depois, o Caveira Flamejante e a Escorpião de Prata. Na reta final do conflito, um diversificado naipe de heróis e heroínas reforçaria as fileiras dos Invasores para uma decisiva ofensiva no coração do Terceiro Reich.
  Dentre as incontáveis ameaças com que os Invasores se depararam durante a II Guerra Mundial, destacaram-se os alienígenas conhecidos como Deuses das Estrelas, o vilão blindado Cavaleiro Teutónico e o Cruz de Ferro (Gods from the Stars, Teutonic Knight e Iron Cross, respetivamente).

Thor foi um aliado do Super-Eixo, o coletivo meta-humano ao serviço do 3ª Reich.
   Com o fim da guerra e a presumível morte dos seus companheiros Capitão América e Bucky, os demais Invasores refundaram o Esquadrão Vitorioso. Esse não seria, contudo, o derradeiro capítulo da história da lenda dos Invasores. Já este século, a equipa seria ressuscitada para, inadvertidamente, servir os sinistros desígnios do Caveira Vermelha. Fazendo-se passar pelo Secretário da Defesa dos EUA, o arqui-inimigo do Capitão América manobrou os novos Invasores com o objetivo de se apoderar da tecnologia bélica do Infiltrador, a sofisticada aeronave que servia de base de operações móvel à equipa. Graças, porém, ao supremo sacrifício do Tocha Humana, os planos do Caveira Vermelha foram por água abaixo.
   Sem Centelha e com Bucky agora a responder pelo nome de Soldado Invernal, a formação clássica dos Invasores regressou entretanto em grande estilo à ribalta. Se para ficar ou não, só o tempo o dirá.

Lendas do passado combatem ameaças do presente.
Noutros media: Resumem-se a duas participações em outras tantas séries animadas produzidas sob a égide da Marvel as aparições dos Invasores fora dos quadradinhos. A primeira verificou-se num arco de histórias intitulado Six Forgotten Warriors desenrolado ao longo de alguns episódios de Spider-Man: The Animated Series (1994-98). Com uma formação ligeiramente diferente da clássica, a equipa incluía o Capitão América, Ciclone, Miss América, Destruidor e Black Marvel.
  Num episódio avulso de The Super Hero Squad Show (2009-11) com o título World War Witch, os primeiros Invasores (exceto Namor) ajudaram a Feiticeira Escarlate (acidentalmente enviada ao passado por Thanos) a frustrar os planos do Caveira Vermelha de lançar um míssil termonuclear sobre as forças aliadas.
   Em 2011, no filme Capitão América: O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger), os Invasores surgem mesclados ao conceito do Comando Selvagem (Howling Commnados) como uma unidade de elite comandada pelo Sentinela da Liberdade. A qual incluía ainda Bucky Barnes (usando um blusão estilizado a fazer lembrar o uniforme clássico da personagem na banda desenhada) e James Montgomery Falsworth, embora despojado do seu traje de Union Jack.

Combatentes da Liberdade.