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terça-feira, 16 de outubro de 2018

RETROSPETIVA: «OS VINGADORES»


  E houve um dia - diferente de todos os outros - em que os maiores heróis da Terra uniram forças para enfrentar uma ameaça que nenhum deles poderia vencer sozinho. Nesse dia nasceram os Vingadores e, com eles,  um épico da 7ª Arte que se tornaria uma das mais lucrativas películas de sempre.

Título original: The Avengers
Ano: 2012
País: EUA
Duração: 143 minutos
Género: Ação/Aventura/Ficção científica/Super-heróis
Produção: Marvel Studios
Realização: Joss Whedon
Argumento: Zak Penn e Joss Whedon
Distribuição: Walt Disney Studios Motion Pictures 
Elenco: Robert Downey Jr. (Tony Stark / Homem de Ferro); Chris Evans (Steve Rogers / Capitão América); Mark Ruffalo (Bruce Banner / Hulk); Chris Hemsworth (Thor); Scarlett Johansson (Natasha Romanoff / Viúva Negra); Jeremy Renner (Clint Barton / Gavião Arqueiro); Tom Hiddleston (Loki); Clark Gregg (Phil Coulson); Samuel L. Jackson (Nick Fury); Cobie Smulders (Maria Hill); Stellan Skarsgard (Erik Selvig)
Orçamento: 200 milhões de dólares
Receitas: 1,519 biliões de dólares

O homem sonha, a obra nasce


Quando muitos fãs de super-heróis sequer se atreviam a imaginar que tal alguma vez seria possível, a  ideia para um filme baseado nos Vingadores começou a ser gizada em 2003. Nesse ano, a Marvel Enterprises (antecessora da Marvel Studios) celebrou um acordo de financiamento com a Merrill Lynch - agência de investimento subsidiária do Bank of America - com vista à produção de uma série de seis longas-metragens a serem distribuídas pela Paramount Pictures. As cinco primeiras seriam estreladas individualmente pelas figuras de proa da Casa das Ideias, e serviriam para estabelecer o percurso de cada um dos heróis até à formação dos Vingadores no sexto e último filme.
Em junho de 2007, Zak Penn (argumentista de O Incrível Hulk) foi contratado para escrever o enredo de Os Vingadores. Já depois de Robert Downey Jr. ter assegurado a sua participação no projeto, em outubro do ano seguinte, ao mesmo tempo que decorria o processo de seleção do restante elenco, Jon Fraveau (que dirigira Homem de Ferro, o primeiro filme da franquia) foi anunciado como produtor executivo.
Em julho de 2010 seria a vez de Joss Whedon (que, até essa data, apenas por uma vez ocupara a cadeira de realizador) ser oficialmente confirmado na direção do projeto. E logo cuidou de reescrever o guião delineado por Zak Penn. Segundo Whedon, argumentista traquejado que escrevera boa parte da série Buffy - A Caçadora de Vampiros, essa primeira versão da história falhava em estabelecer ligações entre os protagonistas.

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Joss Whedon realizou e coescreveu Os Vingadores.
No mês seguinte, a Marvel Studios e a Paramount Pictures anunciaram a sua intenção de iniciar a rodagem do filme em fevereiro de 2011, em dois estúdios nova-iorquinos: Bethpage e Grumman Studios.
De permeio, em outubro de 2010, a Walt Disney Studios concordou em pagar à Paramount Pictures cerca de 115 milhões de dólares pelos direitos de distribuição mundial de Homem de Ferro 3 e Os Vingadores. O acordo permitia ainda à Paramount receber 8% das receitas globais geradas por cada uma dessas películas. Apesar de ambas terem sido exclusivamente financiadas, distribuídas e publicitadas pela Disney, nos respetivos créditos surgiria a indicação de que se tratavam de coproduções das duas companhias.
No dia 25 de abril de 2011, em Albuquerque (Novo México), arrancaram as gravações daquela que viria a ser a primeira-longa metragem em ação real dos Vingadores. A rodagem do filme prolongar-se-ia por 92 dias (menos um do que o inicialmente previsto) e passou por várias outras cidades norte-americanas, designadamente Cleveland, Cincinnati e Nova Iorque.
Ao contrário do que fora inicialmente divulgado, o filme não foi, contudo, gravado em 3D, tendo a conversão nesse formato (do qual Joss Whedon não é um entusiasta) sido executada a posteriori.
Com pompa e circunstância, a estreia mundial de Os Vingadores teve lugar a 12 de abril de 2012, no mítico El Capitan Theatre de Los Angeles. E, logo no fim de semana de abertura, o filme pulverizou recordes de bilheteira. Tratou-se, com efeito, da primeira produção da Marvel a arrecadar um bilião de dólares, destronando dessa forma O Cavaleiro das Trevas (2008) no topo da lista dos filmes de super-heróis mais lucrativos de sempre. Até ao lançamento de Guerra das Estrelas: O Despertar da Força, em 2015, Os Vingadores encerravam o pódio das películas mais lucrativas da história do cinema, atrás apenas de Avatar (2009) e Titanic (1997).
Esta extraordinária prestação comercial, somada aos elogios da crítica, garantiu o lançamento de três sequelas: Vingadores: Era de Ultron (2015), Vingadores: Guerra Infinita (2018) e um quarto capítulo da saga a estrear no próximo ano, e cujo título oficial permanece ainda no segredo dos deuses.

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O elenco de Os Vingadores  reuniu 
alguns dos maiores astros de Hollywood.
Sinopse

Num planeta inóspito, Loki, o insidioso irmão adotivo de Thor, reúne-se com o Outro, líder da raça extraterrestre conhecida como Chitauri. Em troca da entrega do Cubo Cósmico, uma fonte de energia de potencial inestimável, o Outro compromete-se a fornecer ao Deus da Trapaça um exército que lhe permitirá conquistar a Terra.
A anos-luz dali, Nick Fury, o diretor da agência de contra-espionagem SHIELD, acompanhado pela sua lugar-tenente Maria Hill, chega a um centro de pesquisa remoto durante uma evacuação. É nessa instalação ultrassecreta que o Dr. Erik Selvig e a sua equipa vêm estudando os segredos e potencialidades do Cubo Cósmico.
Fury é informado pelo Agente Phil Coulson de que o Cubo Cósmico começou a irradiar uma estranha forma de energia. Subitamente ativado, o artefacto abre um portal através do espaço, que serve de passagem a Loki para o nosso mundo.
Loki apodera-se do Cubo Cósmico e usa o seu cetro para controlar a mente de vários agentes da SHIELD - entre os quais o Dr. Selvig e Clint Barton (o Gavião Arqueiro) -, para o ajudarem na sua fuga.

Loki e o Cubo Cósmico.

Em resposta ao ataque, Fury reativa a "Iniciativa Vingadores". Natasha Romanoff, a espia que opera sob o nome de código Viúva Negra, viaja para a cidade indiana de Calcutá com o objetivo de recrutar o Dr. Bruce Banner, alter ego humano do Hulk. A ideia é usar os sólidos conhecimentos de Banner acerca da radiação gama para localizar a assinatura energética do Cubo Cósmico.
Em Nova Iorque, Tony Stark, o visionário tecnológico que enverga a armadura do Homem de Ferro, recebe a inesperada visita do Agente Coulson. Este pede a Stark que reveja a pesquisa do Dr. Selvig acerca do Cubo Cósmico.
Não muito longe dali, Nick Fury visita Steve Rogers (o Capitão América) e confia-lhe a missão de recuperar o artefacto roubado por Loki.
Feitas as devidas apresentações, Homem de Ferro, Capitão América e Viúva Negra rumam a Estugarda, na Alemanha, onde o Gavião Arqueiro, ainda sob o domínio de Loki, leva a cabo um assalto para roubar irídio, elemento químico fundamental para a estabilização do Cubo Cósmico. Para garantir o sucesso da operação, Loki cria uma distração que culmina num breve confronto entre o Sentinela da Liberdade e o Vingador Dourado.
Surpreendentemente, Loki rende-se aos heróis e é por eles levado para bordo de um avião da SHIELD. Antes, porém, que Nick Fury consiga interrogar o ilustre prisioneiro, Thor invade a aeronave com o intuito de libertar o irmão e escoltá-lo de volta a Asgard.
Homem de Ferro e Capitão América procuram deter o Deus do Trovão e os três acabam envolvidos numa rixa. Perante o impasse daí resultante, Thor concorda com a transferência de Loki para um dos aeroporta-aviões da SHIELD.
Com Loki aprisionado numa cela projetada para conter o Hulk, Tony Stark e o Dr. Banner procuram descobrir o paradeiro do Cubo Cósmico. O ambiente torna-se tenso quando os heróis percebem que a SHIELD planeia usar o poderoso artefacto no fabrico de armas capazes de repelir uma hipotética invasão alienígena.
No meio de uma acalorada discussão entre os heróis, o Gavião Arqueiro e outros agentes da SHIELD sob o controlo mental de Loki tomam de assalto o aeroporta-aviões. Uma das flechas explosivas do Gavião Arqueiro incapacita um dos motores da aeronave, fazendo-a despencar. Com o pânico instalado a bordo, o Dr. Banner não consegue impedir a sua transformação no Hulk.
Enquanto o Homem de Ferro e o Capitão América procuram desesperadamente religar o motor danificado, Thor tenta refrear a fúria do Hulk. A Viúva Negra, por sua vez, reluta em lutar com o Gavião Arqueiro. Acabando, contudo, por conseguir deixá-lo inconsciente, libertando-o do domínio de Loki.
O Deus da Trapaça consegue escapar depois de ejetar Thor para fora do aeroporta-aviões e de ter tirado a vida ao Agente Coulson, enquanto o Hulk se estatela no solo após ter derrubado um caça da SHIELD.
A catástrofe é evitada in extremis e Fury usa a morte de Coulson para motivar os heróis a trabalharem em conjunto. Apostados em vingar a morte de Coulson, Homem de Ferro e companhia partem no encalço de Loki.
No topo da Torre Stark, Loki usa o poder combinado do Cubo Cósmico e de um aparato concebido pelo Dr. Selvig para abrir um portal que permite a passagem da frota Chitauri. Tem início a invasão.

Kevin Feige, presidente de Marvel Studios, relató sobre el futuro que depara la franquicia de superhéroes posterior al estreno de Avengers 4
O último reduto da Humanidade.
Ao mesmo tempo que ajudam na evacuação de civis, os Vingadores assumem a linha da frente na acirrada batalha contra os Chitauri. Já depois de Hulk ter espancado selvaticamente Loki, a Viúva Negra consegue chegar ao topo da Torre Stark onde está instalado o gerador do portal.
Libertado do domínio de Loki, o Dr. Selvig informa a Viúva Negra que o cetro do Deus da Trapaça pode servir para desligar o gerador.
Numa videoconferência com os seus superiores do Conselho de Segurança Mundial, Nick Fury tenta, em vão, dissuadi-los de lançarem um míssil termonuclear sobre Manhattan para pôr termo à invasão alienígena.
O míssil é, no entanto, intercetado pelo Homem de Ferro que o desvia para o interior do portal aberto nos céus de Nova Iorque, e onde se encontra estacionada a nave-mãe dos Chitauri. Após a detonação, o portal é encerrado pela Viúva Negra e o Vingador Dourado cai desamparado para uma morte que parece certa até ser salvo em pleno ar pelo Hulk.
Finda a batalha, Thor regressa a Asgard com Loki e o Cubo Cósmico, enquanto Nick Fury se mostra confiante de que os Vingadores voltarão a reunir-se se e quando for necessário enfrentarem uma ameaça que nenhum deles poderá vencer sozinho.
Na primeira cena pós-créditos, o Outro dirige-se a alguém que se encontra sentado de costas num trono. O líder dos Chitauri adverte o seu interlocutor de que lutar contra os humanos equivale a cortejar a morte. Ao escutar estas palavras, Thanos volta-se e sorri.
Na segunda cena pós-créditos, os Vingadores comem em silêncio num restaurante de shawarma, seguindo a sugestão de Tony Stark numa sequência anterior.

Trailer



Prémios e nomeações

Na extensa lista de galardões (21, no total) arrebatados por Os Vingadores. pontuam dois Saturn Awards para melhor filme de ficção científica e melhor realizador. A título individual, Robert Downey Jr. foi distinguido com um People's Choice Award para ator favorito do público e Tom Hiddleston foi eleito o melhor vilão pelo júri dos MTV Movie Awards. Apesar de não ter conquistado qualquer estatueta dourada, o filme foi ainda nomeado para um Óscar, na categoria de Melhores Efeitos Visuais.

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Robert Downey Jr. exibe o seu troféu de ator favorito do público.

Curiosidades

*Pela mão de Stan Lee e Jack Kirby, os Vingadores estrearam-se em setembro de 1963, nas páginas de Avengers nº1. Formado para contrariar os diabólicos desígnios de Loki, o deus asgardiano da trapaça, o grupo reunia originalmente Homem de Ferro, Thor, Hulk, Homem-Formiga e Vespa. Apesar de cognominado Primeiro Vingador no Universo Cinemático Marvel, o Capitão América não participou nesse ato fundador por ainda se encontrar em animação suspensa algures no oceano Ártico. A adesão do Sentinela da Liberdade ocorreu apenas em Avengers nº4 (março de 1964), quando a equipa já havia ficado desfalcada do Golias Esmeralda. Também a Viúva Negra e o Gavião Arqueiro (ambos ex-criminosos) foram adições posteriores às fileiras dos Vingadores, com o segundo a preceder a primeira na afiliação;

A formação dos Vingadores para travar Loki em Avengers nº1 (1963).
*A primeira versão do enredo incluía a participação da Vespa. A Vingadora fundadora acabaria, contudo, preterida em favor da Viúva Negra, que já havia sido introduzida em Homem de Ferro 2;
*Na mitologia Zulu, "Chitauri" designa uma raça de serpentes celestiais. Mark Millar. arquiteto do Universo Ultimate da Marvel em que se baseia boa parte da respetiva franquia cinematográfica, retirou, contudo, o termo dos escritos de David Icke. De acordo com este especialista britânico em teorias da conspiração, os Chitauri são na realidade alienígenas que pretendem subjugar a Humanidade;
*Ainda por terras de Sua Majestade, a película chegou aos cinemas ingleses com o título Avengers Assemble. Alteração imposta pela Warner Brothers como forma de  prevenir confusões com The Avengers, a série de espionagem que fez sucesso nos anos 1960 e que, em 1998, dera origem a uma longa-metragem epónima estrelada por  Ralph Fiennes, Uma Thurman e Sean Connery;

Avengers (British TV Series Reboot)
Vingadores ao serviço de Sua Majestade.
*Partiu de Joss Whedon a ideia de incluir na trama um segundo vilão do qual Loki seria um simples instrumento. Obtido o aval dos produtores, a escolha incidiu sobre Thanos, cuja identidade seria desvelada apenas numa das cenas pós-créditos. Esta foi, de resto, a única ocasião em que o Titã Insano não foi encarnado por Josh Brolin, que lhe vem emprestando corpo nos capítulos subsequentes da saga;
*Na outra cena pós-créditos, que mostra os heróis reunidos à volta de uma mesa a empanturrarem-se com shawarma, o Capitão América é o único que não está a comer. Chamado a gravar esta cena extra, Chris Evans recusou-se a cortar a barba que deixara entretanto crescer, devido à sua participação em Expresso do Amanhã. A solução encontrada passou pela utilização de um prótese facial que o impedia de falar ou mastigar;
*A preparação de Jeremy Renner para o papel de Gavião Arqueiro incluiu treinos de tiro com arco ministrados por atletas olímpicos da modalidade. Apesar de ser esquerdino, Jeremy aprendeu a disparar com ambas as mãos, emulando assim a sua personagem que, na banda desenhada, é descrita como ambidestra;
*Foi a segunda vez que Thor e Hulk dividiram o ecrã numa produção de ação real. A primeira havia sido em 1988, no telefilme O Regresso do Incrível Hulk, no qual o Deus do Trovão e o Gigante Verde foram interpretados, respetivamente, por Eric Allan Kramer e Lou Ferrigno;

Quase um quarto de século separa
 estes dois encontros entre o Golias Esmeralda e o Deus do Trovão.
*Por razões nunca devidamente esclarecidas, falharam as negociações com Edward Norton - protagonista de O Incrível Hulk - para que continuasse a representar o Golias Esmeralda. O papel seria assim entregue a Mark Ruffalo que, ironicamente, fora preterido em relação a Norton na produção citada;
*Fiel à sua imagem de marca enquanto cineasta, Joss Whedon matou uma das personagens mais acarinhadas pelo público. A morte do Agente Coulson forneceu aos heróis a motivação que lhes faltava para trabalharem em conjunto. A cena em causa teve, porém, de ser refilmada para passar no crivo da Motion Pictures Association of America, que só depois de eliminada a violência gráfica da sequência original concordou em atribuir à película a classificação etária para maiores de 13 anos;
*Objetivando conferir realismo à batalha final travada no coração de Nova Iorque, a produção contratou 25 soldados do 391º Regimento de Polícia Militar aquartelado no Ohio. Apesar desta participação castrense, o Pentágono relutou em envolver-se no projeto, uma vez que a história sugere que a SHIELD será uma organização transnacional. Face a este estatuto ambíguo, o Pentágono considerou irrealista a subordinação das forças armadas norte-americanas a uma instituição dessa natureza, razão pela qual vetou a ideia.

Veredito: 88% 

Fazendo tábua rasa dos tenebrosos vaticínios de alguns profetas da desgraça, descrentes da capacidade de Joss Whedon - com carreira construída, essencialmente, no pequeno ecrã - para dirigir uma produção de tão grande envergadura, Os Vingadores encerraram com chave de ouro a Fase 1 do Universo Cinematográfico Marvel.
Apaixonado por super-heróis, Whedon, na segunda vez em que ocupou a cadeira de realizador, conseguiu captar o espírito das primeiras histórias dos Vingadores, com assinatura de Stan Lee e Jack Kirby.
Para quem, como eu, cresceu a ler essas histórias e acompanha o Universo Marvel como um casamento de décadas (nos bons, maus e péssimos momentos), tratou-se de um sonho tornado realidade. Ou não fosse o filme uma versão modernizada da origem clássica dos Vingadores: uma alcateia de lobos solitários obrigados a reunir-se para enfrentar uma ameaça a que nenhum deles poderia dar resposta sozinho. Mas só depois do inevitável conflito de egos que acompanha os encontros entre superseres.
Inteligente e divertido, Os Vingadores é um filme de ação bem estruturado, com uma mão-cheia de cenas a apelar à memória emotiva dos fãs veteranos. Por contraste com outros capítulos da franquia, o humor é bem doseado, ficando o alívio cómico a cargo de várias personagens. Visualmente, proporciona, a espaços, uma experiência extática mesmo dispensando o formato tridimensional.
Os erros cometidos por Whedon são escassos e incidem menos na estrutura do que na continuidade de alguns pontos. O verdadeiro incómodo faz-se sentir no final, quando vemos as decisões pós-batalha serem tomadas de forma rápida e reticente.
Mesmo sendo um erro, qualquer espectador atento saberia justificá-lo: seria insensato da parte de Whedon alongar em demasia a trama após o clímax. Ou que investisse em cenas mais verborrágicas, pouco adequadas a produções deste género.
Por tudo isto, Os Vingadores continuam a ser, para mim, o melhor filme da Marvel. Marcou uma época e deixou, porventura, a fasquia demasiado elevada. Igualar tal nível de qualidade não será fácil, quanto mais superá-lo.

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Os Vingadores foram uma aposta certeira dos Estúdios Marvel.


sábado, 3 de outubro de 2015

DO FUNDO DO BAÚ: «MASSACRE DE MUTANTES»




   Nos túneis subterrâneos de Nova Iorque está aberta a caça aos Morlocks. Longe do olhar dos cidadãos comuns e perante a impotência dos heróis, essa comunidade de párias mutantes é o alvo primário de uma matança planificada. Que deixará também cicatrizes profundas nos sobreviventes.

Título original da saga: Mutant Massacre ou Morlock Massacre
Data de publicação: Outubro a dezembro de 1986
Licenciadora: Marvel Comics
Autores: Chris Claremont, Louise Simonson, Jon Bogdanove, Jackson Guice e Walter Simonson
Títulos abrangidos: Uncanny X-Men 210 a 213, X-Factor nº9 a 11, New Mutants nº46, Power Pack nº27 e Thor nº373 a 374
Personagens principais: X-Men, X-Factor, Senhor Sinistro, Morlocks, Carrascos, Thor, Novos Mutantes e Quarteto Futuro (Power Pack)

Capa da compilação de Mutant Massacre editada em 2001.

Edição em Português: No Brasil a saga foi publicada originalmente pela Abril entre maio e agosto de 1991, nos números 31 a 34 da primeira série de X-Men. Em julho de 2013 chegou às bancas uma compilação de Massacre de Mutantes sob os auspícios da Panini Comics.

Reedição da saga com o selo da Panini brasileira.

Desenvolvimento: Quando urdiu a trama ao longo da qual se desenrolaria a matança sistemática dos Morlocks, Chris Claremont (vide perfil já publicado neste blogue) tencionava circunscrevê-la às páginas de Uncanny X-Men. Contudo, Louise Simonson, à época argumentista de X-Factor, tinha um entendimento diferente. Na sua opinião, atendendo à magnitude e ao alcance da saga, seria preferível espraiá-la pelos títulos subsidiários dos X-Men (X-Factor e New Mutants).
  Em virtude dessa alteração de planos editoriais, os dois escritores trocaram entre si rascunhos e sinopses das suas histórias. O objetivo era encontrar pontos de contacto entre elas. Tarefa que se revelou, porém, assaz complicada. Motivando por isso uma extenuante maratona de conferências telefónicas entre os coautores de Massacre de Mutantes.
  Questionada anos mais tarde sobre o balanço que fazia da experiência de coordenar todas as linhas narrativas que formavam a tecitura da saga, Louise Simonson desabafou: "Foi horrível! Nem sei como podemos estar a pensar fazer tudo outra vez!" A escritora referia-se a Fall of the Mutants (Queda dos Mutantes), sequela não assumida de Massacre de Mutantes lançada pela Marvel Comics em 1988. A despeito das dificuldades que essa opção suscitara no passado, o enredo entroncava, uma vez mais, em vários títulos da editora.
  Walter Simonson, responsável pelos segmentos de Thor em Massacre de Mutantes, foi menos lacónico nas suas considerações sobre a saga. Nas palavras do marido de Louise, "a ideia não passava por transformar o enredo numa espécie de colar de contas que o leitor teria de desfiar uma a uma para que a história fizesse sentido". Uma solução desse tipo obrigaria à aquisição de todos os títulos abrangidos pela saga. Esforço financeiro que não estaria decerto ao alcance de todos. A alternativa passou por um modelo narrativo que fazia lembrar uma árvore em que cada um dos seus ramos fornecia ao leitor uma perspetiva geral dos eventos em curso. Claro que teria mesmo de abrir os cordões à bolsa quem quisesse ver a árvore completa.

O casal Walter e Louise Simonson. Partiu dela a ideia de interligar os vários títulos X.

Mapa para a leitura  de  Massacre de Mutantes.


Porque se escondiam os Morlocks no subsolo de Nova Iorque?


Callisto, líder dos Morlocks.

  Incapazes de passarem despercebidos no mundo da superfície devido às suas aparências grotescas, os Morlocks acoitaram-se nos esgotos e túneis subterrâneos da Cidade Que Nunca Dorme. O nome dessa comunidade de párias mutantes foi inspirado nas personagens homónimas de Time Machine, romance escrito por H.G. Wells em 1895.
  Conceito desenvolvido por Chris Claremont e Paul Smith, os Morlocks fizeram a sua primeira aparição em Uncanny X-Men nº169 (maio de 1983). Inicialmente pacífica, ao longo dos anos a comunidade acabaria no entanto por envolver-se em diversos incidentes com a sociedade da superfície.Calisto, Caliban, Masque e Talho (Sander, na versão original) foram os seus fundadores. Tanto este quarteto como os demais Morlocks foram, porém, produtos da bioengenharia executada pelo Fera Negro, a contraparte malévola do Fera proveniente da Era do Apocalipse.

Quem eram os Carrascos?

  Criação conjunta de Chris Claremont e John Romita Jr., os Carrascos (Marauders, em inglês) entraram em cena pela primeira vez em outubro de 1986, nas páginas de Uncanny X-Men nº210, precisamente no âmbito de Massacre de Mutantes. Cronologicamente, a origem da equipa remonta, no entanto, à época vitoriana, quando o Senhor Sinistro ainda respondia pelo nome Nathaniel Essex.

Senhor Sinistro, autor moral da carnificina. 

  Essa versão primitiva dos Carrascos era composta por criminosos comuns contratados por Essex para raptarem indigentes que lhe serviriam depois de cobaias nas suas tenebrosas experiências genéticas.
  Na sua encarnação moderna, o grupo reúne assassinos mutantes a soldo do Senhor Sinistro. Era este o seu elenco durante a saga:

- Maré Selvagem (Riptide): Janos Questad era capaz de girar o seu corpo a supervelocidade e arremessar shurikens em todas as direções, provocando fortes danos nos seus alvos. Foi a primeira baixa da equipa, ao ter o seu pescoço partido por um enfurecido Colossus;
- Dentes-de-Sabre (Sabretooth): Victor Creed, velho conhecido dos X-Men com poderes similares aos de Wolverine (sentidos aguçados, fator de cura acelerado, força ampliada, etc.);
- Arco Voltaico (Arclight): Philipa Sontag possui a habilidade de desencadear ondas de choque que podem assumir a forma de pequenos sismos localizados ou de vagas de água. Serviu nas fileiras do Exército americano durante a Guerra do Vietname, sendo ainda assombrada por essas memórias. Nutria um discreto interesse romântico pelo Caçador de Escalpos;
- Embaralhador (Scrambler):  benjamim do grupo, o sul-coreano Kim Il Sung consegue, através do toque, manipular poderes e sistemas, sejam eles biogenéticos, eletromagnéticos ou tecnomecânicos. É retratado como um psicopata sádico e narcisista, mais preocupado com a sua aparência do que com o sofrimento que inflige às suas vítimas ;
- Maligna (Malice): uma das lugares-tenentes do Senhor Sinistro, tinha o poder de possuir os corpos das suas vítimas, controlando-as a seu bel-prazer. Ao longo de grande parte da saga usou o corpo da  antiga X-Man Polaris como invólucro para a sua forma fantasmagórica. Devido à sua desobediência, seria aparentemente assassinada pelo seu empregador;
- Arrasa-Quarteirão (Blockbuster): Michael Baer era um gigante alemão dotado de força descomunal. Antes de se juntar aos Carrascos, colaborara com organizações terroristas no seu país natal. Apesar do seu nível de poder, foi morto por um único golpe desferido por Thor com o seu Mjolnir;
- Caçador de Escalpos (Scalphunter): John Greycrow, um cruel mercenário que é também o estratega da equipa. Reponde apenas perante Maligna ou reporta diretamente ao Senhor Sinistro. A sua habilidade mutante consiste em reconfigurar qualquer dispositivo tecnológico numa arma. Dispõe igualmente de extraordinárias capacidades regenerativas que lhe retardam o envelhecimento. Foi graças a elas que sobreviveu ao fuzilamento de que foi alvo em 1944, depois de ter chacinado e escalpado oito companheiros de armas;
- Vertigo: detém a habilidade de induzir psionicamente vertigens nos seus oponentes, deixando-os desorientados ou derrubando-os;
- Prisma (Prism): assassino altivo e frio que subestima frequentemente a fragilidade do seu corpo cristalino, o qual pode defletir a maior parte dos ataques energéticos mas não resiste a impactos físicos;
- Arpão (Harpoon): Kodiak Noatak, um jovem índio que pode carregar objetos(geralmente a arma de arremesso de onde retira o seu codinome) com bioenergia. Os efeitos causados nos seus alvos podem ir desde o simples atordoamento à eletrocussão.

Os Carrascos (pela ordem acima apresentada).


Qual a relação entre os X-Men e o X-Factor?




  Nos seus primórdios, o X-Factor (grupo idealizado por Bob Layton e Jackson Guice) agrupava o quinteto fundador dos X-Men:

- Homem de Gelo (Iceman): o irreverente Bobby Drake foi agraciado com habilidades criocinéticas que lhe permitem manipular o gelo e a neve congelando a humidade presente no meio ambiente;
- Garota Marvel (Marvel Girl): poderosa telepata dotada de telecinesia, a ressuscitada Jean Grey mantinha há muito uma relação amorosa com Ciclope;
- Ciclope (Cyclops): líder do grupo, Scott Summers nasceu com a capacidade de emitir potentes rajadas óticas;
- Fera (Beast): uma das mais prodigiosas mentes científicas do planeta, Hank McCoy possui força, agilidade e velocidade sobre-humanas. Depois de largos anos com uma aparência animalesca, Hank recuperou o seu aspeto humano;
- Anjo (Angel): herdeiro de uma das maiores fortunas dos EUA, Warren Worthington III consegue voar graças ao enorme par de asas brancas com que nasceu.
O batismo de fogo da equipa em X-Factor nº1 (fevereiro de 1986).

Enredo: Em Los Angeles, a jovem mutante chamada Tommy e o seu namorado do Clube do Inferno, Richard Salmons, são atacados pelos misteriosos Carrascos. Tommy era uma ex-Morlock que  fugira dos túneis subterrâneos nova-iorquinos na sequência da morte de alguns amigos seus às mãos de membros dessa bizarra comunidade. Resgatada por Salmons e acolhida pelo Clube do Inferno, Tommy mudou-se pouco tempo depois para a Costa Oeste
  Ameaçando matar Salmons, os Carrascos obtêm de Tommy a localização exata dos Morlocks no subsolo da Cidade Que Nunca Dorme. Na posse dessa informação, o grupo empreende uma brutal e metódica carnificina que vitima centenas de Morlocks antes da chegada separada de X-Men e X-Factor.
  Essa descoordenação das duas equipas de heróis mutantes resulta em pesadas baixas nas fileiras de ambas. Entre os X-Men, Colossus, Lince Negra e Noturno são feridos com gravidade. Do lado do X-Factor, Anjo é crucificado e deixado para morrer. Também eles encurralados pelos Carrascos, os restantes membros da equipa escapam a destino idêntico (ou pior) graças à intervenção de Thor e do Quarteto Futuro.

Anjo martirizado.

  Chegados entretanto ao palco do massacre, os Novos Mutantes são destacados pelos X-Men para uma missão de busca e  resgate de eventuais sobreviventes. Acabam, no entanto, a lutar pela própria sobrevivência no gigantesco labirinto subterrâneo.
   A fim de limpar os túneis juncados de cadáveres em putrefação, o Deus do Trovão usa o seu poder para gerar uma tempestade de fogo. Ao testemunharem o fenómeno, os X-Men assumem que o dito seria obra dos Carrascos e os que os Novos Mutantes haviam perecido nele.
  Enquanto isso, Dentes-de-Sabre e Wolverine digladiam-se violentamente, com o primeiro a seguir o segundo até à Mansão X. Agindo furtivamente, o vilão consegue destruir Cérebro, o supercomputador programado pelo Professor Xavier para detetar homo superiores. É, no entanto, impedido de retomar a caça aos Morlocks quando tem a sua mente invadida por Psylocke.

O sangrento duelo de Wolverine e Dentes-de-Sabre.
  Acuado pela chegada dos restantes X-Men à Mansão, Dentes-de-Sabre corre para uma falésia próxima, lançando-se de seguida ao mar, numa desesperada tentativa de fuga. Perseguido por Wolverine nas encrespadas águas do oceano, o vilão tem a sua mente sondada por Psylocke antes de conseguir escapulir-se. É assim que os X-Men ficam a saber quem esteve por detrás de tudo: ninguém menos do que o Senhor Sinistro.
 Vinte anos antes, o Fera Negro chegara ao nosso mundo e usara a tecnologia do Senhor Sinistro para criar os Morlocks. Ao tomar conhecimento disso, Sinistro não descansou enquanto não eliminou esse material genético não autorizado. Tendo sido, portanto, esse o seu aterrador móbil para ordenar o massacre.
  Mais aterradora é, porém, a descoberta de que um X-Man -  Gambit - fora responsável pelo recrutamento dos Carrascos.

Gambit, um mutante de passado nebuloso.

Consequências: 

* Pregado à parede por Arpão e Arrasa-Quarteirão, Anjo sofreu ferimentos gravíssimos nas suas asas,que lhe foram posteriormente amputadas devido à gangrena que nelas alastrava. Tempos depois, o herói ganharia um par de asas tecno-orgânicas, cortesia de Apocalipse que dessa forma iniciava a sua transformação num dos seus quatro cavaleiros. Desse momento em diante, Anjo daria lugar ao Arcanjo;
* Presa na sua forma imaterial enquanto salvava Vampira de Arpão, Lince Negra sofreu uma deterioração a nível molecular que colocou em risco a sua vida. Seria salva in extremis graças aos esforços combinados de Reed Richards e do Doutor Destino;
* Ferido pelos shurikens de Maré Selvagem, Colossus ficou temporariamente tetraplégico após Magneto usar os seus poderes para reparar os danos causados na couraça metálica do herói;
* Já bastante maltratado na sequência do seu duelo com Nimrod, Noturno foi deixado em coma depois de defrontar Maré Selvagem;
* Wolverine descobriu que Jean Grey estava viva após farejar o seu odor nos túneis mas decidiu não partilhar essa informação com os restantes X-Men;
* Quando estava prestes a ser executada a sangue-frio por Arpão, a Morlock Praga foi salva por Apocalipse que a escolhera para ser o seu cavaleiro da Pestilência;
* Outro Morlock, Masque, assumiu a liderança dos sobreviventes da comunidade, depois de reinstalada nos túneis subterrâneos de Nova Iorque na esteira dos eventos ocorridos em Inferno (saga já aqui revisitada). Usaria no entanto a sua habilidade mutante de manipular a derme para desfigurar todos os seus pares. Circunstância que resultou num ensandecimento coletivo;
* Gambit foi temporariamente banido dos X-Men após a revelação de que fora ele quem recrutara os Carrascos.

De cabeça perdida, Colossus tira a vida a Maré Selvagem.

Vale a pena ler?

  Embora sem o virtuosismo de outras sagas dos X-Men escritas por Chris Claremont, Massacre de Mutantes merece, sobretudo pelas suas implicações futuras, um lugar de destaque na memorabilia do grupo. A meio caminho entre o épico dramatismo da Saga da Fénix Negra (1980) e o dantesco surrealismo de Inferno (1989), Massacre de Mutantes consegue, ainda assim, ser impactante. Residindo a sua maior força, ironicamente, no fracasso dos heróis em salvarem as vítimas da matança sistemática ordenada pelo Senhor Sinistro.
 Dentre os vários elementos macabros que pautam o enredo, este é, inquestionavelmente, o mais perturbador. Em última análise, não há como negar a evidência de que, contrariando os preceitos morais subjacentes a narrativas deste jaez, os heróis saem derrotados. Não só porque se revelam incapazes de impedir a carnificina em curso, mas também em virtude das pesadas baixas que lhes são infligidas pelos seus oponentes.
   Na memória dos leitores ficará para sempre gravada a crucificação de Anjo nos esgotos nova-iorquinos. Pungente metáfora para a intrínseca maldade humana que leva a nossa espécie a martirizar símbolos de bondade e esperança.
  Outra lança espetada no flanco dos heróis foi a traição de um dos seus. Qual Judas mutante, Gambit tem expostos os seus pecados pretéritos sendo, por isso, sentenciado ao ostracismo. Colossus, por sua vez, mancha as mãos de sangue ao matar Maré Selvagem. As profundas cicatrizes deixadas pelo conflito com os Carrascos são, pois, tanto físicas como emocionais.
 Ao optar por um registo mais sombrio e violento do que o habitual, Claremont assumiu-se como precursor de uma tendência que nos anos 90 prevaleceria nos comics. Época em que prosperou o conceito do anti-herói dotado de moral enviesada e adepto de métodos brutais.
 Depois de Massacre dos Mutantes os leitores deixaram de dar por garantidos os finais felizes nas histórias dos X-Men. Intuindo ao mesmo tempo que algo de mais sinistro ganhava forma no horizonte.
 Desaconselhável para leitores sensíveis, esta é uma daquelas sagas que deleitará os que apreciam a atmosfera lúgubre que caracteriza atualmente as aventuras (e desventuras) dos super-heróis nos quadradinhos (e, sobretudo, fora deles).
 

   

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

BD CINE APRESENTA: THOR




 
     Na semana em que Thor: O Mundo das Trevas chega às salas de cinema nacionais, recordamos aqui o primeiro filme do Deus do Trovão que, apesar das boas intenções e do elenco sólido, revelou algumas fragilidades.
 
 
Título original: Thor
Ano: 2011
Género: Ação/aventura/fantasia
País: EUA
Duração: 114 minutos
Estúdios: Marvel Studios
Realização: Kenneth Branagh
Argumento: J. Michael Straczynski e Mark Protosevich
Elenco: Chris Hemsworth (Thor), Natalie Portman (Jane Foster), Anthony Hopkins (Odin), Tom Hiddleston (Loki), Jaimie Alexander (Sif) e Rene Russo (Frigga)
Orçamento: 150 milhões de dólares
Receitas: 449,5 milhões de dólares

 
Pré-produção: Foi na esteira do êxito granjeado em 1990 por Darkman (filme que em Portugal recebeu o título de Vingança Sem Rosto) que o realizador Sam Raimi, numa reunião com Stan Lee e representantes da 20th Century Fox, apresentou a sua ideia para uma longa-metragem de Thor. O projeto, contudo, não teve aceitação por parte dos seus interlocutores, pelo que foi abandonado. Raimi, recorde-se, dirigiria, anos mais tarde, a trilogia original do Homem-Aranha (2002-2007).
       Só em finais da década de 1990, quando a Marvel Studios estava apostada em expandir-se rapidamente, é que a ideia foi repescada, embora em moldes diferentes. Desta feita, o Deus do Trovão, impulsionado pelo sucesso de X-Men (2000), ganharia vida não no grande mas no pequeno ecrã, em formato de telefilme a ser produzido pela United Paramount Network. Animada com a perspetiva, a produtora negociou com Tyle Mane para interpretar o papel principal.
       Em maio de 2000, a Marvel Studios associou-se à Artisan Entertainment para ajudar o financiamento do projeto, já não como telefilme mas como um adaptação cinematográfica do herói. Os anos, no entanto, foram passando e, em 2004, a película ainda não fora acolhida por qualquer estúdio. Entretanto, a Sony Pictures Entertainment comprou os direitos do filme e, em dezembro de 2004, David S. Goyer estava em negociações para assumir o argumento e a realização.
        No ano seguinte, debalde as conversações em curso entre Goyer e a Marvel, foi revelado que o cineasta já não estava ligado ao projeto. Foi também por essa altura definido que o filme seria distribuído através da Sony Pictures.
        Mark Protosevich, um fã das histórias do Deus do Trovão, foi contratado em 2006 para escrever o argumento do filme, período em que a Paramount Pictures adquiriu os direitos à Sony. Ainda nesse ano, o filme foi anunciado como uma futura produção da Marvel Studios.

Kenneth Branagh foi o escolhido para dirigir Thor.
 
        Em agosto de 2007, Matthew Vaughn foi o realizador escolhido para dirigir a película do Deus do Trovão. Uma das suas primeiras medidas consistiu em reescrever o guião original de Protosevich, de molde a reduzir o orçamento do projeto para 150 milhões de dólares, já que o primeiro rascunho teria um custo de produção estimado no dobro. Vaughn pretendia iniciar as filmagens no final de 2008 (ano em que Iron Man estreou com enorme sucesso). Razão pela qual a Marvel Studios calendarizou para 4 de junho de 2010 o lançamento de Thor, com Homem de Ferro 2 a servir de introdução ao Filho de Odin.
        Matthew Vaughn acabaria todavia por abandonar o projeto, depois de o seu contrato expirar em maio de 2008, sem que o elenco do filme estivesse sequer definido. Em dezembro desse mesmo ano, Kenneth Branagh foi anunciado como o novo realizador, com a Marvel Studios a aprazar a estreia para 17 de junho de 2011. Data pouco tempo depois alterada para 20 de maio de 2011, com o propósito de a distanciar do lançamento de outro filme estrelado por uma das figuras de proa da Casa das Ideias: Capitão América: O Primeiro Vingador.
        A rodagem de Thor arrancou em meados de janeiro de 2010 em Los Angeles, tendo sido transferida, dois meses depois, para Santa Fé e Galisteo (ambas no estado do Novo México), tendo sido construída nesta última uma cidade inteira para servir de cenário.

O poder do Deus do Trovão.
 
 
Enredo: Em 965 D.C., Odin, rei de Asgard, declara guerra aos Gigantes de Gelo de Jotunheim e ao seu líder Laufey, para os impedir de conquistar os nove reinos (que incluem a Terra).
       Os guerreiros Asgardianos saem vitoriosos da peleja e confiscam a fonte de poder dos Gigantes de Gelo.
       Muitos anos depois, Thor, o filho de Odin, prepara-se para ascender ao trono do Reino Dourado, mas a cerimónia de coroação é interrompida por uma invasão dos Gigantes de Gelo que procuram reaver a sua fonte de poder. Desobedecendo ao pai, o príncipe de Asgard, acompanhado pelo seu meio-irmão Loki e pelos seus amigos Sif, Volstagg, Fandral e Hogun (os Três Guerreiros), viaja para Jotunheim para confrontar Laufey.
      Segue-se uma violenta batalha que só termina com a intervenção do próprio Odin. Os Asgardianos são salvos mas a frágil trégua entre as duas raças é desfeita.
      Para punir Thor pela sua arrogância, Odin tira-lhe todo o poder divino e bane-o para a Terra como um mero mortal, acompanhado do seu martelo Mjolnir, agora protegido por um encantamento que impede que os indignos o possam empunhar.

Thor e Odin: o filho insolente e o pai severo.

       O Deus do Trovão chega à Terra - mais precisamente ao Novo México, nos EUA - onde a astrofísica Jane Foster, a sua assistente Darcy Lewis e o mentor de ambas Dr. Erik Selvig o encontram. Entretanto, o Mjolnir é encontrado pela população local e o agente da S.H.I.E.L.D. Phil Coulson confisca os dados da pesquisa de Jane Foster sobre o portal interdimensional que trouxe Thor ao nosso planeta.
       Thor, tendo localizado o Mjolnir, procura recuperá-lo mas é incapaz de levantá-lo, acabando capturado pela S.H.I.E.L.D. Com a ajuda de Selvig, ele é libertado e resigna-se ao exílio na Terra, ao mesmo tempo que se envolve romanticamente com Jane Foster.
       Loki, por sua vez, descobre que foi adotado por Odin e que o seu verdadeiro pai é Laufey, o rei dos Gigantes de Gelo. Debilitado pelo stresse da descoberta de Loki e pelo banimento de Thor, o monarca de Asgard mergulha num sono profundo que lhe permitirá recuperar-se. Loki autoproclama-se rei e oferece a Laufey a oportunidade de matar Odin e de reaver a fonte de poder do seu povo.
        Sif e os Três Guerreiros, descontentes com o governo de Loki, tentam resgatar Thor do seu exílio, convencendo Heimdall, guardião da Ponte Arco-íris - a ligação entre os nove mundos  - a permitir a sua passagem para Midgard (nome por que é conhecida a Terra entre os Asgardianos).
        Consciente do plano dos aliados do seu meio-irmão, Loki envia na sua peugada o Destruidor, um robô aparentemente indestrutível . Os Asgardianos encontram Thor, mas o Destruidor derrota  o grupo, obrigando o Deus do Trovão a oferecer a própria vida para que os outros possam afastar-se em segurança.
       À mercê do robô e próximo da morte, o sacrifício de Thor prova-o digno de empunhar o Mjolnir. De imediato, o martelo voa ao seu encontro, devolvendo-lhe os poderes divinos e habilitando-o a neutralizar o Destruidor.
Despojado dos seus poderes divinos, Thor é exiliado na Terra para viver como um mortal.
 
O Deus do Trovão sucumbe aos encantos de Jane Foster.
 
       Thor e os seus aliados regressam então a Asgard para derrubar Loki. Este, entretanto, trai e assassina Laufey, revelando o seu plano de usar a tentativa do rei do Gigantes de Gelo para atentar contra a vida de Odin como pretexto para destruir Jotunheim e assim se provar digno do seu pai adotivo.
      Thor chega a tempo de frustrar os planos do seu ignóbil meio-irmão, destruindo a Ponte Arco-íris no processo. Desperto do seu sono regenerador, Odin impede que os filhos caiam no abismo dimensional. Loki, porém, deixa-se cair.
      Odin faz as pazes com o seu filho pródigo, admitindo no entanto que ele não está ainda pronto para reinar. Na Terra, Jane Foster e a sua equipa procuram uma forma de abrir um portal para Asgard.
       Após os créditos finais do filme, surge uma breve cena que mostra o Dr. Selvig e Nick Fury (diretor da S.H.I.E.L.D.). Este último pede ao cientista para estudar um misterioso objeto, que diz ter um poder incalculável. Um Loki invisível ordena a Selvig que concorde, e o cientista aquiesce.

O insidioso Loki conspira nas sombras.

 
Curiosidades:
* Kenneth Branagh é fã de Thor desde a infância. Quando a Marvel o selecionou para assumir a direção do filme do Deus do Trovão, enviou-lhe a coleção completa dos vários títulos da editora estrelados pelo herói, para lhe servir de referência;
* Stan Lee afirma ter-se oferecido para desempenhar o papel de Odin, tendo contudo ficado satisfeito com a escolha de Anthony Hopkins;
* Para se preparar para dar vida ao imponente Deus do Trovão, Chris Hemsworth foi sujeito a um intenso programa de treino físico e a uma rigorosa dieta à base de ovos, vegetais, carne, arroz integral e bebidas proteicas. O ator já dispunha também, depois de um temporada em que trabalhou na construção civil na Austrália, de alguma experiência no manejo de martelos;
* Na pesquisa que levou a cabo para assumir o papel de Loki, Tom Hiddleston descobriu tratar-se de uma personagem multifacetada. Baseou por isso a sua interpretação em três atores de nomeada: Peter O'Toole, Jack Nicholson e Clint Eastwood;
* Os artefactos visíveis no arsenal Asgardiano são vários objetos místicos utilizados na mitologia da Marvel: a Chama Eterna, o Orbe de Agamotto, o Olho de Agamotto, a Tábua da Vida e do Tempo e a Manopla do Infinito;
* A armadura envergada por Thor no filme é uma amálgama dos uniformes do herói na cronologia oficial da Casa das Ideias e no universo paralelo Ultimate Marvel;
* Um modelo da armadura do Destruidor foi construído para ser utilizado na película;
* Depois de V de Vingança, Thor é a segunda adaptação cinematográfica de uma banda desenhada em que Natalie Portman participa;
* Stan Lee (um dos criadores do Deus do Trovão em 1962), faz, como habitualmente, um cameo no fime. Trata-se do motorista da pick-up que tenta rebocar o Mjolnir do sítio onde está cravado. Também J. Michael Strackzynski (autor de várias histórias de Thor na BD e coargumentista do filme) e Walter Simonson (ex-desenhador das histórias do Deus do Trovão) estão entre as primeiras pessoas que procuram arrancar o martelo encantado.

Odin ladeado pelos filhos, Thor e Loki.
 
Veredito:  53%

      Não sendo particularmente fantástico, Thor proporciona, ainda assim, uma razoável dose de entretenimento com as suas explosivas cenas de ação, efeitos visuais convincentes e algumas personagens interessantes (com Loki à cabeça). No entanto, o registo incutido à narrativa seria porventura mais adequado a um filme de animação, até pela moralidade subjacente.
      Oscilando entre o pomposo e o pueril, Thor a espaços faz lembrar um conto de fadas, mais do que um filme de um super-herói. Facto que constitui um retrocesso na credibilidade granjeada para o género graças a películas como Homem de Ferro e Os Vingadores. Os quais, pela maturidade da sua abordagem às respetivas mitologias, tornaram-se atrativos para um público mais amplo.
      Se nos quadradinhos a prosa shakesperiana de Thor já é maçadora, torna-se intolerável ao ser transposta para o grande ecrã. Os diálogos são fracos e o próprio Odin - mercê de uma atuação em piloto automático de Anthony Hopkins - é uma pálida sombra do seu homólogo na BD. Salva-se a magnífica interpretação de Loki a cargo de Tom Hiddleston, numa história em que o vilão é de longe mais interessante do que o  herói. Ainda nos aspetos positivos, destacam-se algumas sequências de luta bem conseguidas, numa produção que parecia realmente predestinada a ser lançada como telefilme.
     Não deverá, portanto, ser difícil a Alan Tyler (sucessor de Branagh na realização) oferecer-nos uma sequela que supere o filme original.

 


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

HERÓIS EM AÇÃO:THOR





    Filho de Odin. Príncipe de Asgard. Deus do Trovão. Conhecido tanto pela sua bravura quanto pela sua arrogância, Thor foi exilado na Terra pelo próprio pai, para aprender a viver como um mortal. Uma lição de humildade que não mais esqueceu.
 
 
Nome original: Thor
Primeira aparição (Idade do Ouro): Venus nº11 (novembro de 1950)
Primeira aparição (Idade da Prata): Journey Into Mistery nº83 (agosto de 1962)
Criadores:  Stan Lee e Larry Lieber (história) e Jack Kirby (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Thor Odinson (em tempos usou também o nome Donald Blake)
Local de nascimento: uma caverna algures na Noruega
Parentes conhecidos: Odin Borson (pai), Gaea (mãe), Frigga (madrasta), Loki Laufeyson (irmão adotivo) e Balder Odison (meio-irmão)
Filiação: Deuses de Asgard e Vingadores (membro fundador)
Base de operações: Asgard e Nova Iorque
Armas, poderes e habilidades: Além de ser o homem mais poderoso de toda a Criação, Thor consegue também manipular energia cósmica. Armado com o seu inseparável Mjolnir,o martelo de guerra forjado com o metal Uru, ele consegue abrir portais que lhe permitem viajar através do tempo e do espaço, assim como controlar os elementos a seu belo prazer.
       Dentre as suas extraordinárias capacidades destacam-se ainda:

* força, resistência,velocidade e longevidade sobre-humanas;
* imunidade divina;
* autossustento;
* poder de voo (proveniente do Mjolnir);
*controlo da Terra (capacidade de provocar sismos, avalanchas e outros fenómenos telúricos)

      Soma-se a isto o facto de o Filho de Odin ser um guerreiro experimentado, fruto dos incontáveis combates travados ao longo dos séculos, fazendo dele um oponente formidável capaz de ombrear com outros seres de enorme poder.

Thor é umas das personagens mais poderosas do Universo Marvel
 
História de publicação: A versão moderna do Deus dos Trovão foi apresentada nas páginas de Journey Into Mistery nº83 (1962). Desenvolvida por Stan Lee, pelo seu irmão Larry Lieber e por Jack Kirby, esta era substancialmente diferente da versão primitiva da personagem introduzida nos números 11, 12 e 13 de Venus, título publicado pela Casa das Ideias em plena Idade do Ouro dos Quadradinhos.
       Em 2002, numa entrevista concedida por Stan Lee para assinalar o 40º aniversário da criação de Thor, este descreveu assim a origem do conceito: "Como é que fazemos alguém mais forte do que a pessoa mais forte? Fazemos dele um deus. Sabia que os leitores já estavam bastante familiarizados com os deuses da mitologia greco-romana, Talvez fosse divertido explorar agora a mitologia nórdica. Até porque eu imaginava os deuses nórdicos como vikings, com as suas longas barbas loiras, capacetes adornados com chifres e sempre sedentos de batalhas. Journey Into Mistery precisava de um novo elã e eu escolhi Thor para estrelar a revista. Depois de escrever um rascunho da história com as personagens que tinha em mente, pedi ao meu irmão (Larry Lieber) que escrevesse o argumento, visto que eu não tinha tempo para tal. A escolha de Jack Kirby para ilustrar a história afigurou-se-me natural."

A fulgurante estreia do Deus do Trovão em Journey Into Mistery nº83 (1962).
 
      Em virtude do sucesso da nova personagem, um ano depois, em setembro de 1963, Lee e Kirby transpuseram-na para as páginas de Avengers nº1, dando-lhe o estatuto de membro fundador dos Vingadores.
      Em 1966, Journey Into Mistery foi renomeado Thor. E quando, em 1970, Kirby abandonou a série, foi substituído por Neal Adams. No entanto, Adams desenhou apenas duas edições, cabendo a John Buscema assumir a arte do Deus do Trovão nos oito anos seguintes. Também Stan Lee deixou de escrever as histórias do herói pouco depois da saída de Kirby. Seguiram-se vários autores, entre os quais Len Wein e Roy Thomas. Seria este último a introduzir nas suas histórias diversos elementos da mitologia nórdica, aproximando Thor da sua contraparte divina e afastando-o em definitivo do modelo de super-herói.

Membro fundador dos Vingadores, Thor esteve desde sempre ligado à equipa.
 
Biografia: Thor é filho de Odin (soberano do reino extradimensional chamado Asgard) e de Gaea (também conhecida como Jord), sua homóloga de Midgard (o nome pelo qual a Terra é conhecida entre os Asgardianos).
      Odin desejava ter um filho cujo poder derivasse desses dois reinos e, por isso, acasalou com Gaea. De seguida criou uma caverna, algures na Noruega, para que a sua consorte pudesse dar à luz o primogénito.
       Poucos meses após o seu nascimento, Thor foi levado pelo pai para Asgard. Frigga, esposa de Odin, criou o petiz como se de um filho seu se tratasse. Por conseguinte, só muitos anos mais tarde o Deus do Trovão descobriria a identidade da sua mãe biológica.
       O jovem Thor foi criado em conjunto com Loki, seu irmão adotivo. Este era filho do rei dos Gigantes de Gelo, Laufey, morto em batalha por Odin. Loki sempre invejou o seu irmão. Com o passar dos anos, a inveja deu lugar à raiva e a um enorme desejo de matar Thor. Assim nasceu uma inimizade que atravessou eras.
      Com apenas oito anos, Thor foi enviado por Odin a Nidavellir, a terras do Anões, tendo por missão pedir a dois dos seus senhores que construíssem três tesouros para o soberano de Asgard. Entre esses três tesouros, estava o martelo Mjolnir, forjado no metal Uru. Odin lançou então vários encantamentos sobre o Mjolnir. Um deles impedia que o martelo fosse erguido por alguém que não possuísse um coração puro. Odin prometeu entregá-lo a Thor no dia em que este, pelas suas ações nobres,  provasse ser merecedor dele. Isto levou a que, nos anos seguintes, Thor se empenhasse em fortalecer-se fisicamente, de modo a poder portar o Mjolnir.


Thor, Odin e Loki: trindade divina
       Quando completou dezasseis anos, e depois de vários atos heroicos, Thor, juntamente com os seus amigos Balder e Sif, foram enviados por Odin numa jornada que tinha como propósito ensinar-lhe aquilo de que realmente precisava para ser digno de receber o Mjolnir: um coração puro.
       Armado com o martelo encantado, Thor tornou-se no mais bravo guerreiro de Asgard. Era lendária a sua coragem em batalha. O jovem deus também se enamorou de Sif. Quando ela foi raptada pelos Gigantes da Tempestade e acabou como prisioneira de Hela (a deusa da morte na mitologia nórdica), Thor não hesitou em oferecer a própria vida em troca da libertação da amada. Impressionada pelo altruísmo do filho de Odin, Hela resolveu conceder a liberdade a ambos.
      Desse momento em diante, contudo, o Deus do Trovão tornou-se cada vez mais arrogante, declarando guerra aos Gigantes de Gelo e a outros inimigos do Reino Dourado. Exasperado, Odin decidiu que o filho carecia de uma lição de humildade. Depois de lhe exigir a devolução do Mjolnir, o soberano de Asgard exilou Thor na Terra.

A arrogância de Thor valeu-lhe o exílio na Terra.
 
       Sem memória da sua verdadeira origem e identidade, Thor veio para o nosso mundo sob a forma de um jovem e aleijado estudante de Medicina de seu nome Donald Blake. Foi dessa forma que aprendeu o valor da humildade e da vida.
      Ao fim de uma década, já como um reputado cirurgião, Donald Blake foi secretamente sugestionado por Odin a passar umas férias na Noruega. Lá, deparou-se com uma equipa de reconhecimento alienígena que preparava uma invasão da Terra. Tentado escapar das criaturas, Blake adentrou uma caverna. Tratava-se, sem que o soubesse, da mesma caverna onde, milénios antes, Thor nascera e onde Odin depositara, sob a forma de um cajado de madeira, o Mjolnir.
       Encurralado no interior da caverna devido a um enorme pedregulho que obstruíra a saída, Blake, enfurecido, bateu com o cajado no rochedo. Ato contínuo, transformou-se no Deus do Trovão. O que lhe permitiu remover o pedregulho e neutralizar os extraterrestres.
       Thor recuperou o seu poder, mas não as suas memórias. Ignorava portanto a sua vida passada como Príncipe de Asgard. Apenas alguns anos mais tarde Odin lhe revelaria a sua verdadeira origem, bem como o motivo do seu exílio no nosso mundo. Período durante o qual o Deus do Trovão desenvolveu fortes afinidades com os humanos. Facto decorrente, por um lado, da sua herança materna e, por outro, da sua admiração pelos mortais. Para isso contribuiu o seu amor por Jane Foster, uma modesta enfermeira que trabalhou com Donald Blake.
       Odin, no entanto, não aprovava a relação do seu filho com uma mortal, tendo recusado diversos pedidos deste para que concedesse a imortalidade a Jane Foster.
       Quando Thor resolveu revelar a sua verdadeira identidade à amada, Odin removeu-lhe temporariamente os poderes. O romance entre o Deus do Trovão e Jane Foster terminaria, contudo, por outros motivos. Em resultado disso, Thor e Sif reataram o namoro.
       Mercê das manipulações do seu meio-irmão Loki, Thor juntou-se a vários outros super-heróis terrestres para deter o Hulk. Foi assim que se tornou membro fundador dos Vingadores, grupo ao qual se manteve, quase ininterruptamente, ligado até hoje.

Thor e Sif: amor guerreiro.
      
          
Noutros media: Figura de proa do Universo Marvel e ocupando a 14º posição no Top 100 dos Melhores Heróis dos Quadradinhos De Todos Tempos do site IGN, desde muito cedo Thor alargou a sua influência a outros media. Em 1966 teve direito a um segmento próprio (composto por treze episódios) na série animada The Marvel Super Heroes. Ao longo das décadas seguintes teve várias participações especiais em diversas séries de animação estreladas por outros heróis do Universo Marvel, não voltando contudo a dispor de uma série própria.
          A sua estreia no cinema remonta a 1988, no telefilme O Regresso do Incrível Hulk, que procurava dar sequência à série televisiva da década anterior. Nele, Thor e Donald Blake surgem separados, cabendo a Eric Allan Kramer interpretar o primeiro e a Steve Levitt o segundo.

Donald Blake e Thor frente a frente em O Regresso do Incrível Hulk (1988).

          Em 2011 chegou às salas de cinema de todo o mundo a primeira longa-metragem do Deus do Trovão, agora interpretado por Chris Hemsworth. Thor, a exemplo das peliculas estreladas pelo Capitão América, Hulk e Homem de Ferro, abriu caminho para o filme Os Vingadores (2012).
         Chris Hemsworth reassumirá o manto do Deus do Trovão em Thor: O Mundo das Trevas (com estreia nacional a 31 de outubro) e em Os Vingadores: A Idade de Ultron (com estreia prevista para meados de 2015).

Chris Hemsworth deu vida a Thor no filme homónimo e em Os Vingadores.



sábado, 15 de junho de 2013

GALERIA DE VILÕES: LOKI




    
     Saído diretamente da mitologia nórdica, Loki, deus da trapaça e irmão adotivo de Thor, é um dos mais poderosos e maquiavélicos vilões dos quadradinhos. Foi também o responsável pela formação dos Vingadores.
 
Nome original: Loki
Primeira aparição (Timely Comics): Venus nº6 (agosto de 1949)
Primeira aparição (Marvel Comics): Journey Into Mystery nº85 (outubro de 1962)
Criadores: Stan Lee (argumentista), Larry Lieber (coargumentista) e Jack Kirby (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade civil: Loki Laufeyson
Local de nascimento: Jotunheim, Asgard
Parentes conhecidos: Laufey e Farbauti (pais biológicos falecidos), Odin e Frigga (pais adotivos) e Thor (irmão adotivo)
Base de operações: Asgard e Terra
Poderes e habilidades: Apesar de pertencer à raça dos Gigantes do Gelo, Loki possui poderes similares aos dos demais asgardianos, sendo portanto dotado de força, resistência e longevidade sobre-humanas. Aos quais se soma uma panóplia de habilidades de natureza mística:
* Telepatia;
* Poder de voo;
* Transmorfismo;
* Teletransporte interdimensional;
* Projeção astral;
* Hipnose;
* Transmutação da matéria;
*Rajadas de energia


Na mitologia nórdica, Loki é o deus da trapaça, da insídia e da malícia.
 
História de publicação:  Eleito o oitavo melhor vilão de todos os tempos pelo site IGN em 2009, Loki debutou 60 anos antes nas páginas de Venus nº6, título publicado pela Timely Comics (predecessora da Marvel). Nessa versão primitiva da personagem, o vilão era apresentado como sendo um dos deuses olimpianos que, mercê das suas constantes ignomínias, fora exilado para o Submundo, reino sombrio povoado por demónios do qual se tornaria senhor absoluto. Verificava-se portanto uma curiosa mescla entre a mitologia nórdica e a greco-romana.
      Insidioso, Loki convenceu Júpiter a autorizar - tal como fizera a Vénus -  a sua ida à Terra onde tencionava disseminar o ódio e a discórdia. Os seus planos seriam, contudo, frustrados pela ação da deusa e Loki foi novamente banido para o Submundo.
 

File:Loki in venus.jpg
Loki na sua primeira aparição em Venus nº6 (1949), título da Timely Comics.


      Em outubro de 1962, Loki fez a sua estreia oficial no Universo Marvel numa aventura de Thor publicada no número 85 de Journey into Mystery. Idealizada pelos irmãos Stan Lee e Larry Lieber e com o traço do mestre Jack Kirby, a versão moderna do vilão introduzia-o como meio-irmão do Deus do Trovão e seu principal arqui-inimigo. Nessa qualidade, Loki tornou-se presença assídua em vários títulos da editora desde então.
 
Journey into Mystery nº85 (1962) assinala a estreia da versão moderna de Loki.
 
Biografia: Muitos anos atrás, quando Bor, rei de Asgard e pai de Odin, combatia os Gigantes do Gelo, seguiu uma das criaturas feridas até a uma caverna onde um poderoso feiticeiro o esperava. Apanhado desprevenido, Bor foi transformado em neve pelo mago.
      Moribundo, o monarca de Asgard foi encontrado pelo seu filho Odin que, não obstante as súplicas desesperadas do pai, não fez qualquer esforço para salvá-lo. Testemunhando a cena, o feiticeiro amaldiçoou Odin, profetizando que ele adotaria o filho de um rei caído e que o criaria como se fosse sangue do seu sangue. Menos de uma semana depois, Odin, entretanto entronizado como soberano de Asgard, liderou nova batalha contra os Gigantes de Gelo, acabando por matar o seu rei, Laufey. Encontrou então uma criança que na verdade se tratava do filho do agora finado Laufey, escondido do mundo pelo pai, envergonhado da sua pequena estatura. Movido por um misto de compaixão e de mesquinhez (tratava-se, afinal, de um valioso troféu de batalha), Odin levou consigo o menino para Asgard, criando-o em pé de igualdade com o seu filho biológico, Thor.
      Ao longo da sua infância e adolescência, Loki foi acumulando um crescente ressentimento em relação ao seu meio-irmão, mercê do tratamento desigual que recebia por parte dos restantes asgardianos. Sendo um povo guerreiro, estes valorizavam sobremaneira a força, coragem e tenacidade demonstradas no campo de batalha, características que Loki não possuía, sentindo-se portanto inferiorizado relativamente ao Deus do Trovão.
      No entanto, o que lhe faltava em força e valentia, sobejava-lhe em argúcia e determinação. Enquanto o meio-irmão reforçava a sua reputação de guerreiro timorato, Loki sublimava os seus conhecimentos de feitiçaria e refinava a sua perversidade. Assim, ao atingir a idade adulta e em virtude do seu talento natural para a insídia, Loki foi agraciado com o pouco honroso título de deus da trapaça. Entretanto, a sua sede de poder e de vingança - já de si enormes - não cessavam de aumentar.
      Em diveras ocasiões, Loki empregou toda a sorte de elaborados estratagemas para se livrar de Thor, os quais, invariavelmente, acabaram gorados. Com o propósito de derrubar Odin e  assim assumir o trono do Reino Dourado, o deus da trapaça chegou a mancomunar-se com alguns dos inimigos jurados do seu povo.
     Cansado das intermináveis maldades do seu filho adotivo, Odin, através de um encanto mágico, aprisionou-o dentro de uma árvore, de onde seria libertado apenas se alguém vertesse uma lágrima por ele. O que acabou por acontecer quando Loki conseguiu fazer com que uma folha da dita árvore ferisse o olho do seu guardião, Heimdall, fazendo-o assim verter uma lágrima.
     Repetidas vezes expulso de Asgard, o deus da trapaça acabaria por voltar a sua atenção para Midgard (o nome pelo qual é conhecida a Terra entre os asgardianos). Numa dessas suas primeiras incursões ao nosso planeta, Loki manipulou o Hulk para que o Golias Esmeralda semeasse o caos e a destruição. Isto ao mesmo tempo que, assumindo a sua forma astral, o vilão atraía Thor para a Terra. Inadvertidamente, estes eventos conduziriam à formação dos Vingadores, pois também o Homem de Ferro, o Homem-Formiga e a Vespa haviam entrado em ação numa tentativa de travar o Hulk. Quando isso aconteceu, Thor e os restantes Vingadores derrotaram Loki. Nada que o impedisse, porém, de regressar vezes sem conta -e sob múltiplas formas -  ao nosso mundo para pôr em prática os seus infindáveis planos de conquista.
      
 
Thor versus Loki: confronto de irmãos.


Noutros media: A primeira aparição de Loki fora da banda desenhada ocorreu em 1966, no segmento reservado a Thor na série de animação The Marvel Super Heroes. Mais recentemente marcou presença em The Avengers: Earth's Mightiest Heroes, série de animação coproduzida pela Marvel Animation e pela Film Roman, exibida online e no canal televisivo Disney XD desde o outono de 2010.
        Antes da sua chegada ao grande ecrã em 2011 como antagonista principal de Thor no filme homónimo em que foi interpretado por Tom Hiddleston, Loki participara já em duas películas de animação - Hulk Vs Thor (2009) e Thor: Tales of Asgard (2011) -, ambas lançadas diretamente no circuito de vídeo.
        Em 2012 foi o peão de Thanos em Os Vingadores, com Tom Hiddleston a reassumir o papel do deus da trapaça, o que voltará a acontecer na sequela do filme do Deus do Trovão com estreia nacional prevista para dezembro e  intitulada Thor: The Dark World.

Tom Hiddleston deu vida a Loki no cinema.