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quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

RETROSPETIVA: «BATMAN»

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  Gotham City, a bicentenária capital da corrupção, serve de arena ao duelo mortal entre o Homem-Morcego e o Palhaço do Crime, com centenas de vidas inocentes em jogo. Na viragem da década de 80, um filme com o toque burlesco de Tim Burton relançou a Bat-Mania e revolucionou todo um género.

Título original: Batman
Ano: 1989
País: Estados Unidos da América
Duração: 126 minutos
Género: Ação, Aventura e Super-Heróis
Produção: Warner Bros. Pictures e Guber-Peters Company
Realização: Tim Burton
Argumento: Sam Hamm e Warren Skaaren
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Elenco: Michael Keaton (Bruce Wayne / Batman); Jack Nicholson (Jack Napier / Joker); Kim Basinger (Vicky Vale); Robert Wuhl (Alexander Knox); Michael Gough (Alfred); Pat Hingle (Comissário Gordon); Billy Dee Williams (Harvey Dent); Jack Palance (Carl Grissom); Jerry Hall (Alicia); Tracey Walter (Bob); William Hootkins (Tenente Eckhardt) e Lee Wallace (Mayor Borg)
Orçamento: 35 milhões de dólares
Receitas: 411,5 milhões de dólares

Anatomia de um clássico

Com uns quantos percalços de permeio, a longa-metragem do Cavaleiro das Trevas esteve em desenvolvimento durante uma década. A reboque do êxito de Superman, The Movie no ano anterior, as primeiras ideias começaram a ser gizadas em 1979. Em outubro desse ano,  enquanto na banda desenhada - efeito de algum estiolamento criativo - a popularidade do Batman mirrava de mês para mês, o produtor Michael E. Uslan adquiriu à DC Comics os respetivos direitos cinematográficos. Coincidência ou não, pouco tempo antes a estação televisiva CBS publicitara a sua intenção de produzir um telefilme cómico intitulado Batman in Outer Space, com o propósito de reviver o espírito kitsch da série dos anos 60.
Michael Uslan tinha de facto em mente algo muito diferente. Ambicionava apresentar ao público uma versão séria e definitiva do Batman consentânea com o conceito imaginado em 1939 por Bob Kane e Bill Finger: um justiceiro sombrio e atormentado que caçava criminosos a coberto da noite.

E Uslan
Michael Uslan foi o artífice do filme do Batman.
Nos meses seguintes, Uslan bateu à porta de vários estúdios de Hollywood, esbarrando no desinteresse destes em produzir um projeto com aquelas características. Columbia Pictures e United Artists foram duas das companhias que rejeitaram a proposta.
Embora naturalmente desapontado, Uslan recusou-se a deitar a toalha ao chão. Decidiu então escrever ele próprio um argumento. Intitulada Return of the Batman (O Regresso do Batman), a história serviria para melhor apresentar a sua visão da personagem aos responsáveis dos estúdios. Apenas para ser novamente brindado com a indiferença destes. Importa ter presente que naquela época os filmes de super-heróis eram ainda um género menor apelativo apenas para nichos restritos do público.
A sorte de Uslan começou a mudar no verão de 1980. Durante a Comic Art Convention de Nova Iorque, a Warner Bros. aceitou o seu projeto, na expectativa de conseguir replicar o sucesso da franquia do Homem de Aço, cujo segundo filme estrearia no final desse mesmo ano.
Apesar desse pequeno avanço, o projeto continuaria a aboborar nos três anos seguintes. Em 1983, Tom Mankiewicz escreveu um novo argumento com foco nas origens do Batman e de Dick Grayson, o primeiro Robin a acolitar o Cavaleiro das Trevas.  Joker e Rupert Thorne (um implacável barão do crime introduzido em 1977 no cânone do Batman) seriam os vilões e Silver St. Cloud o interesse romântico de Bruce Wayne.
Esta nova versão do enredo era baseada em Batman: Strange Apparitions, minissérie saída da pena de Steve Englehart e publicada originalmente entre maio de 1977 e outubro de 1978 em Detective Comics, um dos títulos mensais estrelados pelo Homem-Morcego.

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Silver St. Cloud (cima) e Rupert Thorne
seriam personagens-chave no enredo original
de Batman.
Marshall Rogers, um dos ilustradores da referida minissérie, foi contratado para desenvolver a arte conceptual. Tudo parecia agora bem encaminhado, em especial após o anúncio de maio de 1985 como data de lançamento do filme, cujo orçamento ascenderia aos 20 milhões de dólares.
Tom  Mankiewicz queria um ator desconhecido para Batman (o que não impediu que nomes sonantes como Mel Gibson e Kevin Costner fossem equacionados), William Holden para Comissário Gordon, David Niven para Alfred Pennyworth e Peter O'Toole como Pinguim. Contudo, as mortes repentinas dos dois primeiros deitaram por terra tais pretensões.
Sucessivamente reescrito (nove vezes por outros tanto autores), o argumento de Mankiewicz continuou no entanto a servir de base ao desenvolvimento da película. Na banda desenhada, as ovacionadas obras O Regresso do Cavaleiro das Trevas e A Piada Mortal (já aqui esmiuçadas) tinham devolvido ao Batman o seu fulgor de outrora. Facto que encorajou a Warner Bros. a apostar numa adaptação cinematográfica do herói.
Após o sucesso financeiro de Pee-wee's Big Adventure (1985), a Warner Bros. contratou Tim Burton para dirigir o projeto. Uma escolha de alto risco, atendendo à inexperiência do realizador cujo currículo, à data, se resumia ao filme citado e duas curtas-metragens.

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Tim Burton foi a surpreendente escolha para dirigir Batman.
Em março de 1986, Steve Englehart foi incumbido de aplicar novo tratamento ao argumento de Tom Mankiewicz. Joker e Rupert Thorne mantiveram o seu estatuto de antagonistas, ao passo que a participação do Pinguim foi reduzida a um cameo. Silver St. Cloud e Dick Grayson seriam os coadjuvantes principais numa história que impressionou os executivos da Warner. Englehart considerava, porém, excessivo o número de personagens, pelo que removeu o Pinguim e Dick Grayson da trama.
Paralelamente, Tim Burton confiou a Sam Hamm (um aficionado da Nona Arte) a missão de escrever um guião alternativo. Hamm optou por não apresentar uma típica história de origem, privilegiando antes os flashbacks para desvendar o mistério em redor desta. Segundo ele, ninguém queria ver Bruce Wayne a treinar para se transformar no Batman...
Hamm substituiu também Silver St. Cloud por Vicky Vale (um dos mais duradouros interesses amorosos de Bruce Wayne) e Rupert Thorne pela sua própria criação, Carl Grissom. Numa revisão posterior, Dick Grayson seria igualmente suprimido da trama.
Apesar do entusiasmo suscitado pelo argumento de Hamm, a Warner Bros. estava agora menos disposta a avançar com o projeto, que parecia destinado a voltar à estaca zero. Durante esse novo impasse, o enredo de Hamm foi contrabandeado em várias lojas de comics americanas.

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O argumento de Batman teve a assinatura de Sam Hamm.
O ponto de viragem definitivo deu-se na primavera de 1988. O sucesso de Beetlejuice (Os Fantasmas Divertem-se), dirigido por Tim Burton e protagonizado por Michael Keaton, foi determinante para a Warner Bros. dar finalmente luz verde ao filme do Batman. A ideia era lançá-lo no ano seguinte enquadrado pelas comemorações do cinquentenário do herói. Sem tempo a perder, o projeto entrou em velocidade de cruzeiro.
Em meio à atmosfera de expectativa gerada por essa informação, rebentou uma aguerrida controvérsia. Quando os fãs do Cavaleiro das Trevas descobriram que seria Tim Burton a dirigir o filme, e que  seria Michael Keaton (veterano de comédias) a emprestar o seu franzino corpo ao guardião de Gotham, as reações negativas não se fizeram esperar. Motivadas, essencialmente, pelo receio de que o filme viesse a mimetizar o histrionismo da série televisiva com Adam West.

A escolha de Michael Keaton para fazer de Batman deixou os fãs
à beira de um ataque de nervos.
Nos meses seguintes, os escritórios da Warner Bros. foram inundados com 50 mil cartas de fãs furiosos com a escolha de Keaton para o papel principal. Sam Hamm e Michael Uslan também não viram a escolha com bons olhos. Por contraponto à euforia com que foi recebida a notícia de que o Joker seria interpretado por Jack Nicholson.
Nicholson apresentou, porém, um caderno de exigências antes de assinar o seu contrato. Entre outras coisas, o ator exigiu ser cabeça de cartaz, receber uma percentagem das receitas de bilheteira e definir o seu próprio cronograma para a gravação das suas cenas.
Sean Young (Blade Runner) foi a primeira atriz escalada para o papel de Vicky Vale, mas um acidente de equitação nas vésperas do arranque das filmagens deixou-a incapacitada. Dada a urgência em encontrar uma substituta adequada, a escolha recairia sobre Kim Basinger, com disponibilidade imediata para integrar o elenco.

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Sean Young quase vestiu a pele de Vicky Vale.
Nada disto tranquilizou, porém, os fãs. Para contrariar os rumores negativos acerca da produção, Bob Kane, cocriador do Batman, foi contratado como consultor criativo. Curiosamente, Kane também começara por torcer o nariz à escolha de Michael Keaton para interpretar a sua criação suprema.
O enorme interesse mediático suscitado pela produção demoveu Tim Burton de rodar o filme nos estúdios da Warner Bros, em Los Angeles. A fim de prevenir eventuais atos de espionagem, as filmagens foram transferidas para o Reino Unido. Mais concretamente, para os Estúdios Pinewood, nos arrabaldes londrinos.
Apesar do secretismo em torno da produção, a polícia britânica seria chamada na sequência do furto de duas bobines (contendo cerca de 20 minutos de filmagens). Material que, de resto, nunca seria recuperado. Também o diretor de marketing seria aliciado por desconhecidos com uma avultada soma em dinheiro a troco das primeiras imagens de Jack Nicholson como Joker.
Além dos constantes achaques de Tim Burton, a produção ficou marcada por uma apreciável derrapagem orçamental estimada entre os 5 e os 15 milhões de dólares. Acrescendo ainda a greve dos guionistas de Hollywood que terá prejudicado a qualidade do enredo. Com Sam Hamm impedido de retocá-lo devido à sua adesão ao boicote, coube a Warren Skaaren (argumentista de Beetlejuice) executar essa tarefa. Foi, aliás, da sua autoria uma das cenas mais controversas do filme, na qual Alfred concede a Vicky Vale acesso à Bat-Caverna.
Depois de já ter colaborado com Tim Burton em Pee-wee's Big Adventure e Beetlejuice, Danny Elfman foi o eleito para compor a banda sonora da película. Nela seriam também incluídas canções de Prince, apesar dos protestos de Tim Burton. O cineasta considerava a música de Prince demasiado comercial para um projeto autoral como Batman.
Concluída a rodagem em janeiro de 1989, Batman chegaria às salas de cinema americanas em junho desse ano. Verdadeiro fenómeno de bilheteira, foi o segundo filme mais rentável de 1989 (superado apenas por Indiana Jones e a Grande Cruzada) e relançou a Bat-Mania à escala planetária.
As Bodas de Ouro do Homem-Morcego ganharam, assim, um brilho especial e os fãs puderam dormir descansados.

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De roupa a guloseimas, passando por cereais de pequeno-almoço,
a Bat-Mania instalou-se um pouco por todo o lado.

Enredo

Num beco esconso de Gotham City, um incauto casal de turistas e o seu filho são assaltados à mão armada. Minutos depois, quando os dois meliantes dividem entre si o produto do roubo no telhado de um edifício próximo, são atacados por um sinistra figura vestida de negro que invoca um morcego gigante.
Apesar das omissões da Polícia, Alexander Knox, astuto repórter do Gotham Globe, prossegue a sua investigação sobre a presumível existência de um vigilante fantasiado de morcego, cujos avistamentos têm sido cada vez mais frequentes.

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A sombra do morcego paira sobre Gotham City.
Numa conferência de imprensa na escadaria da Câmara Municipal, o mayor Borg apresenta aos jornalistas Harvey Dent, o novo Promotor público. Em vésperas do bicentenário da fundação de Gotham City, ambos comprometem-se a limpar o crime e a corrupção que maculam a reputação da cidade.
De regresso à redação do Gotham Globe, Knox depara-se com Vicky Vale, a nova fotógrafa do jornal. Une-os a curiosidade de descobrir quem é o misterioso "homem-morcego" que assombra a noite de Gotham. Knox confidencia à colega o seu plano para se infiltrar na festa beneficente que terá lugar na Mansão Wayne. A ideia é confrontar o Comissário Gordon com os rumores sobre a existência de um ficheiro sobre o Batman.
Inquieto com a possibilidade de o novo Promotor descobrir as suas ligações sujas à Axis Chemicals, o barão do crime Carl Grissom encarrega Jack Napier, o seu sádico lugar-tenente, de invadir a fábrica e destruir a documentação comprometedora.

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Carl Grissom tem em Jack Napier o seu braço-direito.
Nessa mesma noite, Knox e Vicky Vale comparecem ao evento beneficente na Mansão Wayne. Questionado por Knox, o Comissário Gordon nega a existência de um vigilante à solta nas ruas de Gotham. Vicky, por sua vez, trava casualmente conhecimento com o discreto anfitrião, Bruce Wayne. A amena cavaqueira entre ambos é, porém, subitamente interrompida quando Alfred, o mordomo de Bruce, requisita a presença do patrão para cuidar de outro assunto.
Num centro de comando secreto instalado no subsolo da Mansão Wayne, Bruce analisa as gravações de videovigilância que mostram a saída apressada do Comissário Gordon depois de ser informado que estava em curso uma operação policial não-autorizada na Axis Chemicals.
Na fábrica, Jack Napier intui ter caído numa emboscada e pede aos seus homens para ficarem alerta. Com o Tenente Eckhardt no comando, a Polícia invade as instalações. Em meio à troca de tiros que se segue, Napier é encurralado por Batman e acaba acidentalmente por cair numa tina de produtos químicos.
No dia seguinte, a morte do lugar-tenente de Carl Grissom é descrita como suicídio. Knox suspeita, todavia, da responsabilidade de Batman pela mesma e pede ajuda a Vicky para o ajudar na investigação. Mas a jovem tem outros planos.
Surpreendentemente, Jack Napier sobreviveu e arrastou-se até ao consultório clandestino de um cirurgião a soldo da Máfia. Malgrado os esforços do médico, os químicos deixaram Jack deformado e desfiguraram-lhe o rosto, que exibe agora um sorriso permanente.
Na sua luxuosa cobertura, Carl Grissom é surpreendido pela aparição de Napier, que o assassina a sangue frio após ter deduzido que fora o ex-patrão quem o denunciara à Polícia. Tudo porque Jack andava a dormir com a amante de Grissom, a escultural Alicia. Jack Napier morreu nessa noite e no seu lugar nasceu Joker, o Palhaço do Crime.
Enquanto isso, Bruce e Vicky desfrutam de um serão tranquilo na Mansão Wayne. Cada vez mais intrigada pelo misterioso milionário, a jovem convida-o para sair mas ele recusa a pretexto de uma suposta viagem de negócios.

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Bruce Wayne e Vicky Vale vivem um romance atribulado.
Num conclave com o sindicato do crime, Joker informa os presentes que, devido à inesperada partida de Carl Grissom, será doravante ele a dirigir os negócios. Não hesitando em eletrocutar um dos seus associados quando este questiona o novo regime.Apesar dessa demonstração de força, no dia seguinte um dos chefes do crime anuncia publicamente que Carl Grissom lhe confiou o controlo do seu império. Ato contínuo, o Joker aparece e mata o rival antes de sair rapidamente de cena, sob o olhar embasbacado de Bruce Wayne. Também escondida nas imediações, Vicky Vale é, sem que se aperceba, fotografada por um dos asseclas do Palhaço do Crime. Que logo desenvolve uma obsessão pela bela fotógrafa.
Com a fábrica abandonada da Axis Chemicals a servir-lhe de esconderijo, Joker desenvolve em segredo o Smilex. Trata-te de um químico que, quando combinado com qualquer produto de higiene ou cosmética, se torna letal. Um pouco por toda a cidade, dezenas de vítimas sucumbem aos seus efeitos e o pânico instala-se.
Dias depois, Vicky Vale recebe um convite de Bruce Wayne para almoçar no Museu de Arte. Apenas para descobrir que se tratava de um engodo do Joker para atraí-la. Aterrorizada pelo vilão, Vicky é salva por Batman após uma espetacular entrada pela claraboia do edifício.

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O Palhaço do Crime corteja Vicky Vale.
A bordo do potente Batmobile, Vicky participa numa alucinante perseguição pelas ruas de Gotham. Segue-se uma fuga apeada e uma breve escaramuça de Batman com os capangas do Joker. Quando o herói fica momentaneamente inconsciente, um dos bandidos tentar remover-lhe a máscara. Do alto de uma plataforma suspensa, Vicky fotografa o momento, na esperança de descobrir a verdadeira identidade do Batman.
Depois de voltar a si e de se desembaraçar dos homens do Joker, Batman vai ao encontro de Vicky e leva-a até à Bat-Caverna. Lá, o Homem-Morcego entrega a Vicky um ficheiro contendo informações sobre como neutralizar os efeitos do Smilex antes de se apoderar do rolo fotográfico da jovem.
Com as informações cedidas pelo Batman a circularem na comunicação social, Vicky recebe a visita de Bruce Wayne no seu apartamento. Embora disposto a revelar-lhe o seu segredo, o milionário é interrompido pela súbita aparição do Palhaço do Crime e do seu séquito. A fim de desviar a atenção do Joker, Bruce provoca-o e acaba baleado à queima-roupa. Antes de premir o gatilho, o vilão brinda Wayne com o seu mantra: "Alguma vez dançaste com o Diabo sob o pálido luar?"
Acode então à memória de Bruce - que escapou ileso graças a uma bandeja metálica usada como colete antibala - a fatídica noite em que os seus pais foram assassinado por alguém que proferira aquelas mesmas palavras.

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Os destinos de Jack Napier e Bruce Wayne ficaram entrelaçados.
Em nova conferência de imprensa, o mayor Borg anuncia o cancelamento das celebrações do Bicentenário por não estarem reunidas as condições de segurança. A transmissão televisiva é, contudo, subitamente interrompida pelo Joker. Que, por sua vez, anuncia que irá organizar uma grandiosa festa nessa noite na qual distribuirá 20 milhões de dólares. Terminando a sua alocução com um desafio ao Batman para um mano a mano.
Longe dali, Bruce Wayne acompanha a par e passo os acontecimentos a partir da Bat-Caverna. Após ser surpreendido pela visita de Vicky Vale, sai para se vingar do homem que lhe roubou a infância.

Batman a postos para a batalha.
Batman começa por mandar o Batmobile destruir a fábrica da Axis Chemicals, mas logo percebe que as instalações estão desertas.
Simultaneamente, pelas ruas de Gotham começa a desfilar a ruidosa parada encabeçada pelo Joker, que incluí vários balões gigantes. Para delírio da multidão, o Palhaço do Crime distribui dinheiro a rodos. Quando as pessoas percebem que se tratam, afinal,  de notas falsas, o Joker ordena que seja libertado o gás tóxico armazenado nos balões. Ato contínuo, dezenas de pessoas sucumbem aos efeitos da substância.
Batman cruza os céus aos comandos do seu Batwing e leva os balões para longe, salvando centenas de vidas inocentes. Ao tentar alvejar o Joker, acaba abatido pelo disparo de um revólver gigante. Vicky corre para os destroços fumegantes do avião, mas é raptada pelo Palhaço do Crime. Ambos sobem então as enormes escadarias que conduzem ao telhado de uma imponente catedral.
Embora ferido, Batman parte no encalço de Joker e de Vicky, derrotando pelo caminho os asseclas do vilão. Por fim, o Homem-Morcego e o Palhaço do Crime confrontam-se no campanário. Joker cai mas consegue arrastar consigo Batman e Vicky, deixando-os a balançar perigosamente na beirada da catedral.
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Mano a mano entre o Homem-Morcego e o Palhaço do Crime.
Gotham é pequena demais para os dois.
Quando Joker está prestes a escapar à boleia da escada de corda de um helicóptero, Batman usa um gancho para o prender a uma gárgula, cujo peso provoca a queda do vilão para a morte.
No rescaldo da batalha, os homens do Joker são capturados pela Polícia e Gotham regressa lentamente à normalidade. O Comissário Gordon recebe também de Batman um sinal luminoso que deverá ser ligado sempre que a cidade precisar da sua ajuda.
Perto dali, Vicky Vale é transportada de limusina para a Mansão Wayne, com Alfred a alertá-la para o previsível atraso do patrão. Que, nesse preciso momento, observa do alto de um edifício o Bat-sinal que ilumina o céu noturno de Gotham.

Trailer: 


Prémios e nomeações


Ao conquistar o Óscar para Melhor Direção Artística, Batman tornou-se o segundo filme de super-heróis (depois de Superman, The Movie em 1979) a ser distinguido pela Academia de Hollywood. A esse prestigioso galardão averbou mais oito, quase todos em categorias técnicas. Destaque, por exemplo, para o People Choice's Award para Melhor Filme e para o Grammy para Melhor Composição Instrumental. 
Muita elogiada pela crítica, a atuação de Jack Nicholson rendeu-lhe diversas indicações para Melhor Ator. Também Tim Burton foi nomeado para Melhor Realizador, mas um e outro voltaram para casa de mãos a abanar.

Curiosidades


*Criação de Bob Kane e Bill Finger, Batman estreou-se em maio de 1939, nas páginas de Detective Comics nº27. Menos de um ano depois, em abril de 1940, seria a vez de Joker entrar em cena na edição inaugural de Batman, o primeiro título mensal do herói. Embora imediatamente transformados em arqui-inimigos, no grande ecrã o primeiro confronto entre ambos só aconteceria em 1966. Ano de lançamento de Batman, a primeira longa-metragem do Homem-Morcego - que, contudo, já tivera direito, nos anos 1940, a duas séries cinematográficas. Rodado no intervalo entre as duas primeiras temporadas da série televisiva homónima, o filme funcionou na prática como uma espécie de episódio alargado desta. Adam West e Cesar Romero deram vida, respetivamente, ao Cruzado Encapuzado e ao Palhaço do Crime nesse primeiro duelo em Technicolor;

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Titulada Batman, o Invencível  em Portugal,
a primeira longa-metragem do Homem-Morcego
foi lançada em 1966.

*Então com 61 anos, Adam West expressou, em várias entrevistas posteriores à estreia de Batman, o seu desapontamento por não lhe ter sido concedida a oportunidade de repetir o papel que, duas décadas antes, o celebrizara. Na sua autobiografia editada em 1994, West desmentiu ainda os rumores de que teria sido sondado para interpretar Thomas Wayne na película de Tim Burton. Acrescentando que, mesmo que tal convite tivesse existido, ele tê-lo-ia declinado sem pensar duas vezes;
*Face às hesitações de Jack Nicholson, o papel de Joker foi oferecido a Robin Williams. Quando os produtores o informaram desse facto, Nicholson resolveu aceitá-lo e Williams foi descartado. Ressentido, o ator recusaria interpretar o Charada em Batman Forever (1995), bem como participar em qualquer produção da Warner Bros. enquanto o estúdio não lhe apresentasse um pedido de desculpas formal:
*Tim Curry, John Lithgow, Ray Liotta, James Woods e David Bowie foram outros dos atores cogitados para o papel de Joker. O segundo arrependeu-se amargamente de ter pedido para ser excluído da lista;
*Ao contrário de Jack Nicholson (assumido fã de histórias de super-heróis e, em especial, das do Batman), nem Tim Burton nem Michael Keaton estavam familiarizados com a mitologia do Homem-Morcego. Para suprir essa lacuna, o produtor executivo Michael Uslan providenciou-lhes material de referência da personagem. A Burton foram dadas a ler todas as histórias do herói anteriores à introdução de Robin. Keaton, por sua vez, teve na saga The Dark Knight Returns (O Regresso do Cavaleiro das Trevas) a sua principal fonte de inspiração para o papel. Cuja preparação incluiu, também, uma temporada sozinho em Londres nas semanas que antecederam o início das filmagens;

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A origem do Joker no filme foi fortemente influenciada
 por A Piada Mortal, de Alan Moore. Obra muito louvada pelo
próprio Tim Burton.
*Meticuloso, Michael Keaton transmitiu a Tim Burton a sua preocupação relativamente à facilidade com que a identidade secreta do Batman poderia ser descoberta. Além de sugerir o uso de lentes de contacto, partiu dele a ideia de conferir uma entoação mais cava à voz do herói ao mesmo tempo que mantinha o seu timbre habitual nas cenas como Bruce Wayne. Ideia que faria escola nos vindouros filmes do Homem-Morcego - inclusive na trilogia dirigida por Christopher Nolan, com Christian Bale a empregar a mesma técnica;
*Na opinião de Michael Keaton, a sua experiência em comédias favoreceu a caracterização de Bruce Wayne. A título exemplificativo, o ator cita a cena (por ele sugerida) em que, depois de fazer amor com Vicky Vale, Bruce é visto, qual morcego, a baloiçar-se pendurado de cabeça para baixo numa barra metálica. Segundo Keaton, esse pormenor realçou a personalidade perturbada de Bruce Wayne;
*Com seis metros de comprimento e pesando quase uma tonelada e meia, o Batmobile do filme foi construído a partir do chassis de um Chevy Impala e equipado com um motor do mesmo modelo. Considerado por muitos fãs o mais elegante Batmobile cinematográfico, as suas linhas invocam o Thrust 2, bólide de fabrico britânico propelido a jato que, entre 1983 e 1997, deteve o recorde de velocidade em terra. As chamas expelidas pelo tubo de escape do veículo (do qual foram fabricados dois protótipos) eram reais, tendo sido produzidas com recurso a parafina;
*Por considerar que um uniforme de licra em tons de azul e cinza (cores tradicionalmente conotadas com o Batman) seria pouco intimidante, Tim Burton propôs a sua substituição por um traje totalmente negro. Apesar da reação adversa de alguns fãs, a ideia recebeu o pronto aval de Bob Kane. Tremendamente desconfortável, o traje ajudou no entanto o claustrofóbico Michael Keaton a  melhor interiorizar a natureza sorumbática da sua personagem;
*Michelle Pfeiffer, que à época mantinha uma relação amorosa com Michael Keaton, foi considerada para o papel de Vicky Vale. Por considerar que isso seria constrangedor para ambos, Keaton vetou a ideia. O casal acabaria no entanto por contracenar em Batman Returns, a sequela lançada em 1992;
*A ideia de Bruce Wayne visitar o Beco do Crime todos os anos por ocasião do aniversário da morte dos pais foi inspirada em No Hope in Crime Alley, história da autoria de Denny O'Neil (perfil disponível neste blogue) dada à estampa em Detective Comics nº457 (março de 1976). No filme, Bruce deposita duas rosas no exato local onde os seus pais foram mortalmente alvejados durante um assalto. Pormenor que se tornaria canónico em julho de 2003 numa história do Cavaleiro das Trevas incluída em Detective Comics nº782;
*Apesar de previsto, o cameo de Bob Kane no filme acabaria por não se concretizar. Um súbito problema de saúde do cocriador do Batman impediu-o de gravar a cena  em questão. Era, porém, da sua autoria o esboço do "homem-morcego" usado pelos outros repórteres do Gotham Globe para fazer troça de Alexander Knox (personagem, por sinal, inexistente na banda desenhada);

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Criador e criatura.
*Jack Napier, o alter ego do Joker, foi criado propositadamente para o filme, uma vez que na banda desenhada o nome verdadeiro do vilão permanece um enigma indecifrável. O apelido Napier não foi uma escolha aleatória, sendo de facto uma referência a Alan Napier, o ator britânico que, na série televisiva dos anos 1960, deu vida ao mordomo Alfred Pennyworth;
*No clímax original, Vicky Vale era assassinada pelo Joker, lançando Batman numa espiral de vingança. A versão apresentada no filme, com o trio no cimo de uma catedral, remete para o final de O Corcunda de Notre-Dame, de Victor Hugo. A cena foi redefinida à revelia de Tim Burton;
*A revelação de que o Joker tinha sido o assassino dos pais de Bruce Wayne foi sugerida por Tim Burton. Embora conflituante com o cânone, o twist mereceu a aprovação de Bob Kane. No decurso dos anos, popularizou-se entre os fãs uma teoria preconizando que o Joker não seria o verdadeiro assassino de Thomas e Martha Wayne, mas que Batman projetaria essa ideia em todos os seus inimigos;
*Batman foi o único filme do Cavaleiro das Trevas a revelar a origem do Joker (fortemente influenciada pela Piada Mortal, de Alan Moore) e o único em que o herói enfrenta apenas um vilão;
*Com argumento de Denny O'Neil e ilustrações de Jerry Ordway, a adaptação oficial de Batman aos quadradinhos foi lançada em maio de 1989, precedendo em um mês a estreia da película. No Brasil, seria publicada em outubro desse mesmo ano pela editora Abril.

O filme aos quadradinhos.

Veredito: 90%


Sujeito ao gradual processo de oxidação decorrente da passagem dos anos, constata-se que o enredo de Batman não envelheceu bem em alguns aspetos. Facto compensado por outros elementos como o visual de Gotham (misturando diferentes estilos arquitetónicos, a cidade acabar por ser outra personagem), a elegância do Batmobile e, claro, a magistral representação de Jack Nicholson. Tão magistral que a, espaços, chega a ofuscar o herói, relegado para um plano secundário no próprio filme.
Evidentemente que, neste ponto, Tim Burton tem culpa no cartório ao não explorar como devia a alma torturada de Bruce Wayne. Resumindo a história a um duelo de freaks, Burton tomou claramente partido do Palhaço do Crime em detrimento do Homem-Morcego. 
Mesmo sem aprofundar-se na psicologia de Batman, o filme é eficaz a apresentar as suas motivações. Mas não anula outro efeito negativo dessa abordagem menos centralizada: o facto de se saber muito pouco sobre as origens do herói. Se esse elemento pode soar supérfluo para alguns fãs da personagem, não o é seguramente para o espectador comum.
O verdadeiro ponto fraco de Burton foram, todavia, as cenas de ação. Denunciando a inexperiência do cineasta nesse campo, as lutas e perseguições nem sempre são bem coreografadas, levando a alguma confusão nos momentos de maior adrenalina.
Em contrapartida, Michael Keaton foi uma agradabilíssima surpresa. Mesmo não possuindo os requisitos físicos necessários para o papel, cumpriu exemplarmente a nível psicológico. Nenhum dos atores que o antecederam ou sucederam incorporaram tão primorosamente a melancolia e obstinação que definem aquela que é uma das mais fascinantes personagens dos quadradinhos e um ícone da cultura pop
Batman tem ainda o condão de adaptar certos elementos retirados da banda desenhada que, mesmo afigurando-se demasiado burlescos, nunca deixam de ser divertidos. Infelizmente, o argumento não é um primor; algumas situações são forçadas e algumas personagens importantes (com o Comissário Gordon à cabeça) são desperdiçadas.
Analisando porém a obra com a perspetiva concedida por 30 anos, conclui-se que Batman continua a ser um excelente filme. Desde logo pela sua fidelidade ao conceito adaptado, mas também pela eficiência estética da direção inspirada de Tim Burton. Sem mencionar a importância que teve na evolução do género super-heroico, ao comprovar que era possível imprimir um registo sério a filmes com justiceiros fantasiados.
Que me perdoem, pois, os indefetíveis da trilogia do Cavaleiro das Trevas e as viúvas de Christian Bale, mas Batman continua a ser o meu filme favorito do Homem-Morcego, e Michael Keaton o ator que melhor o interpretou.

Um clássico memorável.




Nota: Este blogue tem como Guia de Estilo o Acordo Ortográfico de 1990 aplicado à norma europeia da Língua Portuguesa.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

BD CINE APRESENTA: «BATMAN PARA SEMPRE»





       Insatisfeitos com as receitas e o registo lúgubre do segundo filme do Cavaleiro das Trevas dirigido por Tim Burton, os produtores resolveram substituí-lo por Joel Schumacher. No papel principal, Val Kilmer sucedeu a Michael Keaton. As mudanças não ficaram por aí mas o resultado final, esse, esteve longe agradar aos fãs.
 
 
Título original: Batman Forever
Ano: 1995
Duração: 121 minutos
Género:  Ação/Aventura/Fantasia
País: EUA
Estúdio: Warner Bros e Tim Burton Productions
Realização: Joel Schumacher
Argumento: Lee Batchler, Janet Scott-Batchler e Akiva Goldsman
Elenco: Val Kilmer (Batman/Bruce Wayne); Jim Carrey (Edward Nygma/Charada); Tommy Lee Jones (Duas-Caras); Nicole Kidman (Drª. Chase Meridian) e Chris O'Donnell (Dick Grayson/Robin)
Orçamento: 100 milhões de dólares
Receita: 336,5 milhões de dólares

Batman regressou ao grande ecrã em 1995.
 
Produção: Apesar de Batman Regressa (1992) ter sido um sucesso financeiro, a Warner Bros sentiu que o filme deveria ter feito mais dinheiro e decidiu apostar numa fórmula diferente para o terceiro capítulo da saga. Tim Burton, que dirigira as duas películas anteriores, foi relegado ao papel de produtor, vendo Joel Schumacher suceder-lhe na cadeira de realizador. Este, por sua vez, afirmou que originalmente tinha em mente uma adaptação da saga Batman: Year One, de Frank Miller. O estúdio, porém, rejeitou a ideia, já que os produtores queriam uma sequela, não uma prequela. Ainda assim, Schumacher incluiu alguns flashbacks sobre o passado de Bruce Wayne em Batman Para Sempre.
       Para assumir o guião, Schumacher contratou Lee e Janet Scott-Batchler.  Na versão primitiva da história, figurava um Charada psicótico com um rato de estimação que o acompanhava para todo  o lado. Elementos que seriam posteriormente eliminados na segunda versão do argumento, da responsabilidade de Akiva Goldsman, com quem Schumacher já havia trabalhado em O Cliente (1994).
      A produção desenvolveu-se em ritmo acelerado, com Rene Russo no elenco como Drª. Chase Meridian. Michael Keaton, por seu lado, decidiu não repetir o seu papel como Batman, por não lhe ter agradado a nova orientação da franquia. Receando também ficar, a exemplo de Christopher Reeve com o Super-Homem,  permanentemente associado à sua interpretação do Cavaleiro das Trevas, o ator exigiu um cachet de 15 milhões de dólares para reassumir o manto do herói. Face à maquia exorbitante reclamada por Keaton, Val Kilmer foi escalado dias depois. Rene Russo foi assim considerada  velha demais para contracenar com o sucessor de Keaton, sendo substituída por Nicole Kidman. 
      Schumacher ficou interessado em Kilmer como Batman, após vê-lo em Tombstone. Já  o ator aceitou o papel sem sequer ler o argumento ou saber quem era o novo realizador.
 
Val Kilmer foi uma escolha pessoal de Joel Schumacher.
 
      Selecionado o elenco e aprovado o argumento, as filmagens arrancaram em setembro de 1994. Schumacher desejava demarcar-se do estilo imprimido por Burton aos dois filmes anteriores. Com esse propósito em vista, inspirou-se nas bandas desenhadas do Batman dos anos 40 e 50 do século passado. Também a estética de Gotham City foi reformulada, resultando agora de uma arrojada combinação da arquitetura de Nova Iorque da década de 1930  com a Tóquio moderna, patente de resto no maior número de estátuas e no tom feérico conferido pelos néones. E nem o Batmóvel escapou à onda de mudanças, tendo sido construído um novo modelo do emblemático veículo do Homem-Morcego.
       As filmagens não ficaram contudo isentas de alguns atritos: depois de Schumacher ter repreendido Val Kilmer pelo seu comportamento "infantil", o ator recusou-se a falar com ele durante duas semanas. Também entre Jim Carrey e Tommy Lee Jones houve fricções que levaram o realizador a intervir.
 
Capa da banda sonora original de Batman Para Sempre.
 
Enredo: Em Gotham City, Batman intervém numa situação de reféns durante um assalto a um banco perpetrado pelo Duas-Caras, o alter ego desfigurado do antigo promotor público Harvey Dent. Este mantém um segurança sob a ameaça de uma arma de fogo e quando o Homem-Morcego procura salvar o guarda , o vilão prende os dois num cofre, que é arrastado para fora do prédio pendurado num helicóptero por uma corrente.
     Enquanto a bizarra cena decorre nos céus de Gotham, o cofre começa a encher-se de ácido. Batman, porém, usa o aparelho auditivo do segurança para destrancar a trava do cofre. Dentro do helicóptero, Duas-Caras vê o herói a escapar e atira nele acabando por matar o piloto. Com o aparelho desgovernado, Dent  salta de paraquedas. Também Batman pula para fora pouco antes do helicóptero colidir com uma réplica da  Estátua da Liberdade e explodir.
     No dia seguinte, Edward Nygma, um investigador das Indústrias Wayne que vem desenvolvendo um dispositivo de transmissão de sinais televisivos  diretamente ao cérebro humano, apresenta a sua invenção a Bruce Wayne (por quem é obcecado).  O milionário, no entanto, rejeita o projeto e a parceria proposta pelo seu colaborador. Nessa noite, Nygma usa o seu chefe como cobaia para testar a sua invenção, depois de este ter ordenado o imediato encerramento do projeto. Após voltar do transe induzido pela máquina, o chefe demite Nygma e ameaça processá-lo, mas este lança-o pela janela simulando um suicídio. De seguida apresenta o seu pedido de demissão, fingido-se traumatizado pelo ocorrido. Antes porém de abandonar as instalações das Indústrias Wayne, Nygma deixa lá um quebra-cabeças.
     Após  uma reunião com a psiquiatra Drª. Chase Meridian, Bruce Wayne convida-a para um espetáculo circense. O qual é arruinado pelo Duas-Caras e os seus capangas. Numa tentativa de descobrir a identidade secreta de Batman, o vilão ameaça fazer explodir uma bomba e matar todos os presentes. No processo, uma família de acrobatas chamada Os Graysons Voadores são assassinados, caindo mortalmente quando os seus trapézios são cortados.  Dick, o benjamim, sobrevive e atira a bomba do Duas-Caras ao rio. Bruce assume a tutela do jovem órfão e oferece-lhe guarida  na Mansão Wayne. Dick anuncia então a  sua intenção de matar o Duas-Caras e vingar o assassinato da sua família, apesar das tentativas de Bruce para o demover.

Depois de Vicky Vale e da Mulher Gato, a Drª. Meridian foi a senhora que se seguiu no coração do herói.
 
      Quando o rapaz descobre que o seu tutor é o Batman, insiste em tornar-se seu parceiro. Temendo pela vida de Dick, Bruce recusa vigorosamente a proposta.
     Enquanto isso, Nygma torna-se um criminoso fantasiado conhecido como o Charada (ver texto anterior) e alia-se ao Duas-Caras, prometendo-lhe descobrir a identidade de Batman.  Para esse efeito, usará  o dispositivo por ele inventado - a Caixa -  o qual lhe permite ler e controlar as mentes dos telespectadores, ao mesmo tempo que lhe aumenta o quociente de inteligência.
      Pouco tempo depois, numa festa de angariação de fundos, Nygma descobre por acaso que Bruce Wayne e Batman são uma só pessoa. Segue-se um ataque do Duas-Caras ao evento, que quase culmina com a morte do Cavaleiro das Trevas, salvo in extremis por Robin.

Duas-Caras e Charada conspirando contra Batman.
 
      Simultaneamente,  o Duas-Caras e o Charada invadem e destroem a batcaverna. Não satisfeitos, os dois malfeitores sequestram a Drª. Meridian. Igual a si próprio, o Charada não resiste a deixar um enigma contendo pistas sobre a localização do seu esconderijo. Ao decifrá-lo, Batman ruma ao covil do vilão, numa ilha ao largo de Gotham City. Chegado lá, o Duo Dinâmico separa-se. Robin encontra o Duas-Caras e espanco-o mas percebe que a vingança que procura não trará de volta os seus entes queridos nem a paz de espírito perdida. Acaba por se compadecer do vilão e este aproveita para o capturar.
      Ao penetrar no covil do Charada, Batman depara-se com o seu parceiro e a sua amante engaiolados e à mercê da dupla criminosa. O Charada insta o herói a escolher qual dos dois quer salvar, mas o Homem-Morcego encontra um expediente para salvar ambos. De caminho, destrói o dispositivo de recolha de ondas cerebrais que alimenta o intelecto do Charada, causando-lhe um colapso mental. Já o Duas-Caras despenca de uma ravina durante a refrega e é dado como morto.
      Enviado para o Asilo Arkham, o Charada é monitorizado pela Drª. Chase Meridian (a quem Bruce Wayne revelara entretanto o seu segredo). Certo dia, ele afirma conhecer a verdadeira identidade do Batman e prontifica-se a revelar-lha. Interrogado pela médica, assume ser ele mesmo o Homem-Morcego. Com o seu segredo a salvo, Batman e Robin podem prosseguir o seu trabalho de guardiões de Gotham City.

O Duo Dinâmico em grande estilo.
 
 
O Menino Prodígio surge pela primeira vez num filme do Batman.

Curiosidades:
 
* Numa das cenas do filme, o Duas-Caras atira ao ar a sua moeda até obter o resultado desejado. Na banda desenhada, pelo contrário, uma das regras autoimpostas pelo vilão consiste em jamais questionar a sorte ditada pelo lançamento aleatório da moeda, cujas faces refletem a sua personalidade bipolar;
* A ideia original de Jim Carrey de desenhar um ponto de interrogação no seu escalpe foi descartada devido à necessidade do ator de comparecer em tribunal no âmbito do seu processo de divórcio;
* A primeira parte do filme foi exaustivamente editada por forma a começar com uma sequência de ação. Na subsequente edição em DVD é apresentada a cena original mostrando a fuga do Duas-Caras do Asilo Arkham;
* Insistindo em tornar-se parceiro do Homem-Morcego na sua cruzada contra o crime, além de Batboy, Dick Grayson sugere Nightwing (Asa Noturna) como codinome a adotar. Trata-se da identidade assumida nos quadradinhos pelo primeiro Robin, assinalando assim a sua emancipação relativamente ao antigo tutor;
* As cores (vermelho, verde e amarelo) e o estilo dos trajes envergados pelos Graysons Voadores no circo onde atuavam são uma homenagem ao uniforme clássico usado pelos dois primeiros Robins na BD (Dick Grayson e Jason Todd). Já o fato que surge no filme é inspirado no utilizado, a partir de 1990, pelo terceiro Menino Prodígio (Tim Drake). Consta que foi idealizado pelo próprio Tim Burton e pesava 18,6 kg;
*Antes da escolha para assumir o manto do morcego recair sobre Val Kilmer, William Baldwin, Kurt Russell e Daniel Day-Lewis foram algumas das opções equacionadas;

À esquerda, o cartaz promocional original do filme, com o primeiro elenco escolhido.
 
* A decisão de Joel Schumacher de colocar mamilos nos uniformes de borracha usados pelo Duo Dinâmico no filme e um brinco na orelha de Robin gerou controvérsia, deixando desagradado o próprio Bob Kane (criador de Batman em 1939). O realizador justificou-se dizendo que a ideia era  aumentar a definição anatómica dos trajes e dar um visual mais cool ao Menino Prodígio;
* Igualmente controversa foi a hipótese de Marlon Wayans (ator negro celebrizado sobretudo pela franquia Scary Movie) vir a dar vida a Robin no grande ecrã, quando Tim Burton ainda estava à frente do projeto;
* A caracterização de Tommy Lee Jones como Duas-Caras demorava quatro horas. O ator foi a primeira escolha de Schumacher para o papel depois de terem trabalhado juntos em O Cliente (1994);
* Batman Para Sempre sinaliza a primeira aparição do Asilo Arkham (instituição psiquiátrica para criminosos insanos) no cinema;
* Foram produzidos mais de uma centena de fatos do Duo Dinâmico, para serem utilizados não só pelos atores, mas também pelos vários duplos em cenas de luta ou envolvendo água e fogo.
 
 
Prémios e nomeações: Nos Óscares de 1996, Batman Para Sempre foi nomeado para as categorias de Melhor Fotografia e Melhor Sonoplastia, não tendo contudo vencido em nenhuma delas. Já nos Saturn Awards do mesmo ano, o filme foi indicado para as categorias de Melhor Filme de Fantasia, Melhor Caracterização e Figurino e Melhores Efeitos Especiais, tendo voltado a perder em todas elas. O mesmo sucedendo em relação à meia-dúzia de nomeações recebidas nos MTV Awards, na sua edição de 1996.

A caracterização do Duas-Caras valeu uma nomeação nessa categoria a Batman Para Sempre.
 
Veredito: 44%

       À imagem do que acontecera com a franquia Superman anos antes, depois de dois filmes extraordinários do Homem-Morcego ambientados numa atmosfera lúgubre tão ao gosto de Tim Burton e onde pontificaram vilões credíveis (um Joker sádico e um Pinguim perverso com uma sedutora Mulher-Gato de permeio), seguiram-se duas sequelas horripilantes. Pese embora o facto de este Batman Para Sempre, a despeito dos seus muitos defeitos, ser uma pérola da 7ª arte quando comparado com o inenarrável Batman & Robin que se lhe seguiu, volvidos dois anos.
        Aos olhos dos fãs da mitologia do Homem-Morcego, o hiato entre o universo soturno de Burton e o registo psicadélico de Schumacher é inconcebível. É como se, de repente, fossemos transportados para um qualquer episódio da série televisiva do Homem-Morcego, que, de tão kitsch, se tornou um fenómeno de culto em finais dos anos 60 do século XX. E, com isso, toda a credibilidade granjeada por Burton em Batman e Batman Returns é deitada pelo ralo abaixo por Schumacher e companhia.
       Se, nos dois primeiros filmes, um dos pontos fortes foram os vilões, em Batman Para Sempre temos um Duas-Caras apatetado e um Charada alucinado, reforçando assim o registo histriónico de uma película que parece apostada em ridicularizar o Cavaleiro das Trevas. O que de resto está bem patente na insólita colocação de mamilos nos trajes usados pelo Duo Dinâmico e na quase total ausência de suspense num enredo delirante.
       Não obstante o próprio Bob Kane ter elogiado a prestação de Val Kilmer como Batman, não considero que tenha sido uma escolha feliz para o papel. Kilmer está longe de possuir o carisma e o charme psicótico que caracterizavam Michael Keaton e que - sem desprimor para a douta opinião do criador do Homem-Morcego - na minha opinião fizeram dele o melhor Batman cinematográfico até à data.
       Resumindo, há uma diferença - que Joel Schumacher, a julgar pelo que fez nos dois filmes de Batman que dirigiu, não aprendeu - entre prestar tributo a uma banda desenhada e transformar um filme numa banda desenhada. Pura e simplesmente não funciona, conforme atestam outros projetos similares (como The Spirit ou Hulk).
       Batman Para Sempre foi somente um mau augúrio para o que viria depois...
 
 



quinta-feira, 22 de novembro de 2012

BD CINE APRESENTA: BATMAN REGRESSA






 
      Três anos após o estrondoso sucesso do primeiro filme do Cavaleiro das Trevas, Batman Regressa chegava às salas de cinema de todo o mundo. Novamente dirigido por Tim Burton e ainda com Michael Keaton a envergar o manto do morcego, a sequela não desiludiu.
 
Título original: Batman Returns
Ano: 1992
País: Estados Unidos da América
Duração: 126 minutos
Realização: Tim Burton
Argumento: Daniel Waters e Sam Hamm
Elenco: Michael Keaton (Bruce Wayne/Batman), Danny DeVito (Pinguim), Michelle Pfeiffer (Selina Kyle/Catwoman) e Christopher Walken (Max Shreck)
Orçamento: 80 milhões de dólares
Receita: 267 milhões de dólares
Sinopse: Um bebé deformado é lançado no rio de Gotham City pelos seus pais horrorizados. Trinta e três anos mais tarde, a criança, Oswald Cobblepot, ressurge como o horrível Pinguim. Este chantageia o milionário Max Shreck, com provas dos seus crimes corporativos, para ajudá-lo a descobrir a identidade dos seus progenitores. O Pinguim 'resgata' o filho do mayor da cidade, quando ele é sequestrado a mando do vilão. O que faz dele uma figura heroica aos olhos da opinião pública. Quando a dramática história pessoal do Pinguim é difundida pelos media,  granjeado-lhe enorme simpatia e popularidade, Shreck giza um plano para derrubar o mayor em funções e eleger Cobblepot em seu lugar, a fim de consolidar o seu controlo sobre a cidade e completar o projeto de usina nuclear, em que vem trabalhando. Batman, no entanto, suspeita que o Pinguim e a sua quadrilha, são responsáveis ​​por vários raptos e assassinatos de crianças. Enquanto isso, Shreck atira a sua secretária, Selina Kyle, do alto do prédio da sua empresa, quando ela descobre a verdadeira natureza dos seus planos: construir uma usina nuclear para sugar a energia de Gotham.
              Selina sobrevive à queda, mas sofre um surto psicótico que muda a sua personalidade. Agora influenciada pela sua obsessão por gatos e livre de quaisquer restrições sociais ou morais, Selina  projeta uma nova identidade, tornando-se a Catwoman, com o fito de se vingar do seu ex-patrão. Selina, entretanto, apaixona-se  pelo alter-ego de Batman, Bruce Wayne, dando origem a um romance com tanto de intenso como de arriscado.
Ignorando as respetivas identidades secretas, Bruce Wayne e Selina Kyle envolvem-se sentimentalmente.
 
Catwoman e Pinguim forjam uma aliança contra o seu inimigo comum: Batman.
 
              Num esforço conjunto para livrarem Gotham City do Batman, o Pinguim e a Catwoman unem forças. Com esse propósito, o Cavaleiro das Trevas é incriminado pela morte de uma modelo, o que vira opinião pública contra o herói.
              Quando Batman expõe publicamente a verdadeira índole do candidato a mayor, arruinando os seus desígnios políticos, o Pinguim retalia, ordenando o rapto de todos os primogénitos da alta sociedade gothamita. Entre eles, o filho de Max Shreck, que pede para ser levado em seu lugar.
              Batman frustra os planos do Pinguim, que, em desespero, ordena o lançamento de mísseis acoplados a um exército de pinguins telecomandados. Batman consegue interferir na frequência de rádio que controlava as aves e redireciona o ataque para a base subterrânea do vilão. Segue-se um breve confronto entre ambos, o qual culmina com a queda do Pinguim num lago de águas tóxicas.
              Batman tenta persuadir Catwoman a poupar a vida de Max Shreck e a entregá-lo às autoridades. Chegando mesmo a revelar a sua identidade secreta. Shreck, contudo, dispara sobre ambos, atingindo Catwoman. Usando um taser, a bela vilã beija Shreck, eletrocutando ambos.
              Mais tarde, quando regressa a casa na sua limusina, o milionário Bruce Wayne acredita ter visto a silhueta da Catwoman, o que o leva a crer que talvez ela não tenha gasto todas as suas nove vidas...
 
O Cavaleiro das Trevas regressa para livrar Gotham City de uma dupla ameaça.
 
Curiosidades:
* A caracterização de Denny DeVito durava duas horas, estando o ator expressamente proibido de a descrever a quem quer que fosse (família incluída);
* Annette Benning fora a eleita para vestir o sensual traje de couro da Catwoman, mas acabou substituída por Michelle Pfeiffer, depois de ter engravidado;
* A nova armadura de Batman pesava 25 kg;
* Nem Burton nem Keaton haviam assinado qualquer contrato para uma futura sequela;
* Ao longo dos seis meses de filmagens, Pfeiffer usou 60 fatos de Catwoman, cujo preço unitário era de mil dólares;
* No guião original, estava prevista a inclusão de Robin no filme, mas o parceiro de Batman acabaria por ser descartado;
* De acordo com o relato do responsável pelo casting, Tim Burton sentia-se desconfortável ao dirigir Christopher Walken como Max Shreck, alegadamente porque este o assustava;
* Por exigência de Michael Keaton, a nova armadura do Batman incluía um fecho nas calças.
 
Tim Burton dando indicações a Keaton e Pfeiffer numa cena do filme.
 
 
Minha avaliação: 80%
        Mais negro e perverso do que o filme original, Batman Regressa foi uma digna sequela. E à semelhança do primeiro filme, este deixa-me um sentimento igual: a cada vez que o revejo, mais gosto e mais qualidades lhe encontro. Temos um Danny DeVito com um papel feito à sua medida (não resisti ao trocadilho) e uma Michelle Pfeiffer como a melhor Catwoman de sempre. A introdução de três vilões carismáticos (Catwoman, Pinguim e Max Shreck), é, de resto, uma das pechas do argumento, uma vez que, a espaços, Batman é ofuscado por esse triunvirato criminoso, interpretado por atores de elevada craveira. Ainda assim, Michael Keaton (na minha opinião, o melhor Batman cinematográfico), capta como ninguém a essência obsessiva e taciturna do Homem-Morcego.
       Uma obra inesquecível que não deixava adivinhar o que viria a seguir, quando Joel Schumacher ocupou a cadeira deixada vaga por Burton.