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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

ETERNOS: JOE SIMON (1913-2011)


  Pôs o seu Capitão América a esmurrar Hitler antes mesmo do Tio Sam declarar guerra ao Führer. Demiurgo da 9ª Arte, formou com Jack Kirby uma das mais poderosas forças criativas da Idade de Ouro e foi pioneiro em diferentes géneros narrativos.

Naquele tórrido final de tarde de julho de 2011, o mítico El Capitan Theatre de Los Angeles engalanou-se para receber a estreia mundial de Captain America - The First Avenger. De Chris Evans a Robert Downey Jr. passando pelo inevitável Stan Lee, foram muitas as celebridades que, para gáudio dos fãs, desfilaram pela passadeira vermelha.
O glamoroso evento ficou, contudo, marcado por uma ausência de peso: a de Joe Simon. A frágil saúde do nonagenário cocriador do Capitão América impediu-o de estar presente. Mas nem por isso deixou de se fazer representar, uma vez que os seus netos chamaram a si essa tarefa. E terão decerto sentido um frémito de emoção ao verem, pela primeira vez, o nome do avô associado a uma produção dos Estúdios Marvel.
Após longos anos de disputas judiciais com a Casa das Ideias motivadas por direitos de autor, Joe Simon e o seu saudoso compagnon de route Jack Kirby (falecido em 1994) eram finalmente reconhecidos como criadores do Capitão América. Consagração tão tardia quanto merecida da parelha que, em tempos de tirania e desesperança, animara a luta dos justos com o seu Sentinela da Liberdade.
Quis no entanto o destino, sempre pródigo em amargas ironias, que aquele ano da graça de 2011 fosse o primeiro do Capitão América no Universo Cinematográfico Marvel e o último na vida do seu criador. Uma vida que principiara quase um século antes e que se entrançara com a história dos comic books americanos.
Segundo filho de um humilde casal judaico de Rochester (a terceira cidade mais populosa do estado de Nova Iorque), Joseph "Joe" Henry Simon nascera Hymie Simon a 11 de outubro de 1913. Harry Simon, o pai, trocara em 1905 as terras de Sua Majestade pelas do Tio Sam em busca de um futuro menos austero do que aquele que a sua Leeds natal lhe poderia oferecer. Alfaiate de profissão, assentara arraiais em Rochester por ser este à época um importante centro de manufatura têxtil.

Rochester serviu de berço a Joe Simon, em 1913.
O pequeno Joe (assim rebatizado pela mãe, Rose, que abominava o nome original) cresceu com a irmã mais velha, Beatrice, no modesto apartamento da família Simon, que servia também de ateliê ao pai. Foi ainda nos seus anos de meninice, marcados pela pobreza, que Joe Simon começou a rabiscar os primeiros desenhos.
Esse seu talento precoce não mais cessou de evoluir, valendo-lhe, já adolescente, o cargo de diretor artístico do jornal do liceu Benjamin Franklin, onde estudou. O primeiro trabalho profissional chegaria por esses dias, quando duas universidades lhe encomendaram desenhos para ilustrar os respetivos anuários.
Em 1932, concluído o liceu, Joe Simon foi contratado como assistente do diretor artístico do Rochester Journal-American, um tabloide local de tiragem modesta. Posto em que, curiosamente, rendeu Al Liederman, seu futuro colega na Timely Comics.
Um par de anos volvidos, em 1934, Joe Simon assumiu as funções de cartunista e ilustrador da secção desportiva do Syracuse Herald. Sem que o soubesse, desenhar atletas prepará-lo-ia para desenhar super-heróis. Chamado a vestir ocasionalmente a pele de repórter, ganhou também tarimba na escrita.
Após essa enriquecedora experiência - abruptamente interrompida pela falência do jornal - Joe Simon, então um mancebo de 23 anos, achou que Rochester lhe ficara estreita e resolveu rasgar novos caminhos em Nova Iorque.

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Verdes de anos de um gigante da 9ªArte.
Na Grande Maçã, Joe Simon começou por trabalhar como freelancer para a Paramount Pictures, retocando fotos promocionais dos filmes produzidos pelo estúdio. Simon gabava-se mesmo de ter retocado os bustos de algumas das maiores divas de Hollywood, como Bette Davis e Joan Crawford.
Aos serviços prestados à Paramount, Joe Simon acrescentava o trabalho no departamento de arte da Macfadden Publications, editora que tinha na revista True Story a sua publicação mais popular.
Pouco tempo depois, o seu chefe, Harlan Crandall, recomendá-lo-ia a Lloyd Jacquet, dono da Funnies, Inc., uma das muitas agências que, nos primórdios da indústria dos comics, providenciavam matéria-prima às editoras que se aventuravam no mercado sem staff ou ideias próprias.
A estreia de Joe Simon no género super-heroico aconteceria logo em seguida. A pedido de Martin Goodman. presidente da recém-fundada Timely Comics, Lloyd Jacquet incumbiu-o de conceber um herói flamejante à imagem e semelhança do Tocha Humana, uma das estrelas da companhia.
Sem tempo a perder, Joe Simon arregaçou as mangas e deitou mãos à obra. Dias depois, apresentou aquele que seria o primeiro super-herói da sua lavra. Fiery Mask (Máscara Flamejante) debutou em Daring Mystery Comics nº1 (janeiro de 1940) numa história totalmente produzida por Simon.
Essa polivalência seria, de resto, uma das chaves do seu sucesso na indústria onde dava os primeiros passos. A outra seria a sua fecunda parceria com Jack Kirby, com quem cunharia amizade para a vida.

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Máscara Flamejante, o primeiro super-herói com assinatura de Joe Simon.
Joe Simon conheceu Jack Kirby em finais de 1939, quando ambos começaram a trabalhar na Fox Comics. Um encontro com contornos inusitados revisitado por Simon em 1998 na Comic-Con de San Diego: «Eu tinha um fato, o que impressionou Jack. Ele nunca tinha visto um desenhador vestido daquela forma. Expliquei-lhe que o meu pai era alfaiate e que fora ele a fazer-me o fato por medida. Jack disse-me que o pai dele também era alfaiate, mas só confecionava calças. Na altura, eu trabalhava como freelancer a partir de um pequeno estúdio alugado a poucos quarteirões do edifício onde estavam instaladas a DC e a Fox Comics, e tinha acabado de criar Blue Bolt para a Novelty Press. Quando Jack me mostrou alguns dos seus esboços fiquei de queixo caído. O traço dele era fantástico! Quando ele me perguntou se podíamos fazer alguns trabalhos em conjunto, levei-o de imediato para o meu estúdio. E, nesse mesmo dia, começámos a trabalhar no segundo número de Blue Bolt.»
Dessa aliança de talentos nasceria uma das mais poderosas e duradouras forças criativas da Idade de Ouro que ajudaria a definir a iconografia de várias editoras. São muitos os historiadores da 9ª Arte a sustentar que Joe Simon e Jack Kirby trouxeram a anatomia de volta aos comics. Sequências dinâmicas e painéis explosivos com personagens de corpos bem delineados seriam a pedra de toque da dupla.

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Joe Simon e Jack Kirby (em pé), a Dupla Dinâmica.
Mercê da sua atribulada saída da Fox Comics, Joe Simon (sempre com Kirby à ilharga) mudou-se de armas e bagagens para a Timely Comics. O ano de 1940 ia a meio e os EUA relutavam ainda em envolver-se na II Guerra Mundial, que não tardaria a invadir-lhes o quintal das traseiras. Prevendo essa inevitabilidade, o duo criou aquele que seria simultaneamente o epítome do patriotismo americano e a personagem que os imortalizaria no imaginário popular.
O Capitão América fez a sua primeira aparição em Captain America nº1. Edição histórica, lançada em dezembro de 1940, que vendeu um milhão de exemplares. E cuja capa, assinada por Joe Simon, se tornaria icónica. Nela, o Sentinela da Liberdade assestava um potente gancho de direita no queixo de Adolf Hitler. O líder supremo do III Reich fora, de resto, o principal fautor para o surgimento do herói.
Na sua autobiografia My Life in Comics (2011), Joe Simon explicitou os pormenores da ligação entre as duas personagens: «Um dos segredos por detrás das histórias de super-heróis eram alguns dos supervilões que enfrentavam. Por isso, quando Martin Goodman me pediu para criar um novo herói para a Timely, tratei logo de procurar o adversário perfeito. Ocorreu-me então usar um vilão da vida real. Com o seu bigode ridículo e os seus maneirismos teatrais, Hitler pareceu-me adequado para o papel. Afinal de contas. havia muito de caricatural nele.»

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O Sentinela da Liberdade fez a sua estreia
 em Captain America nº1 (1940).
Em consequência do seu retumbante sucesso comercial, rapidamente o Capitão América foi arvorado a porta-estandarte da Timely Comics. De igual modo os seus criadores subiram na hierarquia da editora. Joe Simon foi promovido a editor (o primeiro a ocupar esse cargo na história da companhia) e exigiu a nomeação de Jack Kirby como diretor artístico.
Apesar de todas as benesses recebidas, à medida que o Capitão América consolidava o seu estatuto de campeão de vendas Joe Simon começou a suspeitar que não estaria a receber a fatia dos lucros a que ele e Kirby tinham direito. Foi esse o motivo que o levou a oferecer os serviços da dupla à arquirrival National Comics (uma das antecessoras da DC). Fê-lo contudo em segredo, receando que se Martin Goodman descobrisse as suas intenções os despediria - o que, efetivamente, viria a acontecer.
Algures no curto ínterim que mediou a transição de Simon e Kirby para a National, a dupla produziu outra edição histórica. Captain Marvel nº1 (março de 1941) foi o primeiro título epónimo do Mortal Mais Poderoso da Terra e personagem charneira da Fawcett Comics.
Além de uma apreciável melhoria salarial, na National Comics Joe Simon e Jack Kirby beneficiaram de ampla liberdade criativa. À reabilitação de Sandman (um dos heróis mais antigos da editora), seguiu-se, em julho de 1942, a criação dos Boy Commandos. Traduzidos no Brasil como Patrulha Juvenil (EBAL) ou Comando Juvenil (Abril), a série acompanhava as aventuras de um grupo de jovens órfãos de diferentes nacionalidades que combatiam os nazis na frente europeia da II Guerra Mundial. Boy Commandos foram também o primeiro coletivo da National a estrelar o seu próprio título mensal. O qual depressa se tornaria o terceiro mais rentável da editora, abrindo dessa forma caminho para o lançamento de um sucedâneo.


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Boy Commandos foi  o terceiro título mais vendido da DC.
Meses mais tarde, Joe Simon e Jack Kirby apresentaram a sua Newsboy Legion, grupo de pequenos ardinas órfãos que combatiam a criminalidade nas ruas de Metrópolis. Muito popular entre os leitores de palmo e meio, a série tornar-se-ia um spin-off das histórias do Super-Homem. No Brasil, o grupo ficou conhecido como Legião Jovem.
Chamado a cumprir serviço militar na Divisão de Informação Pública da Guarda Costeira, em Washington D.C., Joe Simon criou True Comics, uma série de banda desenhada editada pela National, distribuída com todos os jornais dominicais e que tinha por objetivo divulgar as atividades daquele ramo das Forças Armadas estadunidenses. Dado o sucesso da iniciativa, Joe Simon e o jornalista Milt Gross seriam logo depois chamados a produzir um segundo título. Adventure is My Career serviria para aliciar novos recrutas para a Guarda Costeira, ficando a distribuição nacional por conta da Street & Smith Publications - a mesma editora do Sombra.

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Uma das séries criadas por Joe Simon
para a Guarda Costeira americana.
De volta à vida civil e a Nova Iorque, em 1946 Joe Simon, sempre acompanhado por Jack Kirby, teve fugaz passagem pela Harvey Comics, para a qual criou Stuntman. A personagem teria vida curta, ao contrário do casamento de Simon com Harriet Feldman, a secretária do patrão da Harvey. O casal permaneceria junto durante mais de meio século, trazendo ao mundo cinco filhos.
O declínio dos super-heróis no pós-guerra motivou Joe Simon e Jack Kirby a explorarem outros géneros narrativos. O primeiro ensaio foi realizado sob os auspícios da Crestwood Publications e não poderia ter corrido melhor. Série romântica criada a pensar no público feminino, Young Love vendeu mais de um milhão de exemplares e lançou uma nova tendência no mercado editorial.
Entre 1953 e 1955, Joe Simon e Jack Kirby foram donos da sua própria editora. Sediada num pequeno estúdio cedido por Al Harvey (o mandachuva da Harvey Comics), a Mainline Publications começou por apostar, com mediano sucesso, em títulos policiais e românticos.
No entanto, quando, em 1954, a Atlas Comics (herdeira da Timely Comics) decidiu tirar o Capitão América do congelador, Simon e Kirby, ainda ressentidos pela "traição" de Martin Goodman, criaram em resposta Fighting American. Inicialmente retratado como um patriota movido pelo anticomunismo (vivia-se o auge do macarthismo), essa espécie de paródia do Capitão América acabaria por evoluir para uma sátira ao próprio género super-heroico. O fracasso do projeto ditaria a separação da dupla, sem que saísse beliscada a amizade que os unia. Ao fim de década e meia, Simon e Kirby seguiam caminhos diferentes.

Young Love foi o maior sucesso comercial de Simon e Kirby.

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Um dos sete números publicados de Fighting American
 com o selo da Mainline Publications.
Ávido de novos desafios, nos anos seguintes Joe Simon tirou o seu sustento essencialmente da publicidade e da arte comercial. Não resistindo, contudo, a abrir pequenos parêntesis para matar saudades dos super-heróis. Foi o que aconteceu quando, no final da década de 1950, revitalizou The Shield (O Escudo), da Archie Comics. Ironicamente, tratava-se do mesmo herói que lhe valera acusações de plágio aquando da criação do Capitão América.
Em resposta à enorme popularidade da revista humorística Mad, em 1960 Joe Simon lançou a Sick, da qual foi editor ao longo da década seguinte. Período que ficou igualmente marcado por colaborações esporádicas com Jack Kirby na DC.

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A revista Sick teve Joe Simon como fundador e editor.
Desde a viragem do século que Joe Simon, agora viúvo, se dedicava quase exclusivamente à escrita e à venda de arte original. Em 2003, no âmbito de um acordo extrajudicial, a Marvel Comics concordou por fim em pagar-lhe direitos de autor e licenciamento do Capitão América.
Consumados 98 anos de vida terrena, no fatídico dia 14 de dezembro de 2011, o mundo dos mortos, governado por Hades, reclamou Joe Simon, acolhendo-o nos Campos Elísios, onde terá certamente reencontrado o seu velho amigo Jack Kirby.
Desaparecia assim uma lenda viva da 9ª Arte e um dos derradeiros detentores da memória descritiva da Idade de Ouro dos comics. Não sem antes lhe ter sido concedido o privilégio de assistir, numa sessão privativa em Nova Iorque, Captain America - First Avenger. Apesar dos seus problemas de audição e da ausência do seu amigo de sempre, consta que Simon terá saído da sala de cinema com um sorriso rasgado e um brilhozinho nos olhos.

Poster promocional do filme do Sentinela da Liberdade
 inspirado na icónica capa de Captain America nº1.


Agradecimento muito especial ao meu bom e incansável amigo Emerson Andrade, autor da belíssima montagem que abre este artigo. 





































quinta-feira, 15 de agosto de 2019

FÁBRICAS DE MITOS: TIMELY COMICS


  Num tempo de maravilhas e prodígios, lançou as bases do Universo Marvel e a trepidante carreira de Stan Lee. Teve no Capitão América o seu porta-estandarte e, tal como ele, foi revivida para enfrentar os desafios do presente.

Self-made man

Numa tentativa de suster a abrupta queda nas vendas, no início de 2016 a Marvel anunciou o lançamento de uma nova linha de títulos económicos com o selo Timely Comics. Face à possibilidade de adquirirem reedições a preços de saldo, os leitores aplaudiram a iniciativa, indiferentes, porém, ao cariz revivalista da mesma. Tanto assim que somente uma ínfima minoria conhecerá a singular história daquela que foi uma espécie de antepassada neolítica da Casa das Ideias. Uma história que começou a ser gravada na pedra há precisamente 80 anos, e que teve em Martin Goodman, self-made man moldado pelos rigores da Grande Depressão, o seu principal intérprete.
Mas quem era, afinal, o homem, personificação do Sonho Americano, que, a partir do zero, construiu um império editorial que continua a influenciar o imaginário coletivo?
Primogénito de um humildade casal de imigrantes lituanos de origem judaica radicados no Brooklyn, foi nesse pitoresco bairro nova-iorquino que, em 1908, nasceu Moses Goodman - o seu nome de batismo antes de adotar o pseudónimo que o imortalizaria na cultura popular. Após breve passagem pelos bancos da escola (consta que não terá ido além da instrução primária), o pequeno Moe, como era tratado pelos amigos, começou a calejar as mãos para ajudar no sustento dos 16 irmãos que a sua mãe trouxera entretanto ao mundo.
Quando os desvarios de Wall Street reduziram a economia americana a um cemitério de sonhos destruídos, o clã Goodman, como tantas outras famílias subitamente atiradas para a mais aviltante pobreza, teve de deixar a cidade que nunca dorme, em busca de uma vida melhor.
Martin Goodman passou, assim, parte da sua juventude a deambular pelo país e a (sobre)viver em acampamentos de indigentes e vagabundos. Esse forte instinto de sobrevivência ajudá-lo-ia, anos mais tarde, a vingar no mundo dos negócios, onde tantas vezes impera a lei da selva.

Martin Goodman: de miserável a magnata.
No início dos anos 1930, Martin Goodman, recém-regressado a Nova Iorque, foi contratado para o departamento comercial da Eastern Distributing Corp., uma distribuidora de revistas presidida por Louis Silberkleit, futuro fundador da Archie Comics, Após a falência da empresa, oficialmente declarada em outubro de 1932, Martin Goodman angariou o capital necessário para criar a sua própria companhia. Nesse mesmo ano nascia a Western Fiction Publishing.
A primeira aposta de Martin Goodman como editor foi a Western Supernovel Magazine, uma antologia de contos ambientados no Velho Oeste que chegou às bancas em maio de 1933. E que, logo na edição seguinte, teria o seu nome alterado para Complete Western Book Magazine.
À boleia do sucesso desta primeira publicação, rapidamente a Western Fiction Publishing diversificou o seu catálogo. Da ficção científica às histórias de detetives, passando pelas aventuras na selva, nenhum dos géneros mais populares ficou de fora. Entre a caterva de títulos lançados, o mais bem-sucedido foi Marvel Science Stories. Seria ele que, em 1939, emprestaria nome à primeira revista editada pela Timely Comics. Que, provavelmente, nunca teria existido se, dois anos antes, Martin Goodman, regressado da sua lua-de-mel europeia, tivesse, como previsto, embarcado no malsinado Hidenburg.
Recorde-se que o dirigível, de fabrico germânico, se incendiou em pleno ar quando se preparava para pousar num aeródromo de Nova Jérsia, causando a morte a 36 pessoas, entre passageiros e membros da tripulação. Apesar de ter adquirido as respetivas passagens, o casal Goodman acabou, à última hora, por optar pelo avião, evitando desse modo uma viagem que poderia ter sido fatídica.

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O magazine pulp que daria nome
 à primeira publicação da Timely Comics.
Enquanto editor, Martin Goodman ficaria conhecido por duas coisas: replicar os sucessos da concorrência e inundar o mercado com publicações sobre as temáticas mais populares. A sua estratégia comercial era, essencialmente, focada no curto prazo. Em vez de ditar tendências, preferia segui-las. Em vez de correr riscos, preferia jogar pelo seguro.
Martin Goodman também não se preocupava muito com a inovação e, dada a sua imaginação limitada, pouco controlo editorial impunha aos seus colaboradores. Estes descreviam-no como um homem cordato e aprumado que não dispensava longas sestas no seu escritório.
Martin Goodman podia não ser um visionário, mas fazia bom dinheiro e evitava dar passos em falso. O seu mantra era "Se tens um título que vende bem, junta-lhe outros do mesmo género e multiplicarás o teu lucro." Sem surpresas, seria essa filosofia de negócios que transplantaria para a Timely Comics, a sua joia da coroa.

Tempos de mudança

Em 1939, Martin Goodman procurava novos nichos de mercado para expandir o seu negócio. Atento ao desenvolvimento da indústria dos comics books a reboque do retumbante êxito do Super-Homem no ano anterior, Goodman resolveu incluí-los na sua eclética linha de publicações. Viviam-se tempos de mudança e o dono da Timely Publications não queria ficar à margem. Era um editor à procura de histórias.
Num daqueles obséquios do acaso, Goodman travou por essa altura conhecimento com um vendedor ao serviço da recém-fundada Funnies Incorporated. Por sinal, uma agência de autores independentes à procura de um editor.
Por aqueles dias, o promissor segmento super-heroico era dominado por um quarteto de editoras: Fox Comics, Centaur Publications, All-American Comics e National Periodicals (estas duas últimas dariam origem à DC). A Funnies Incorporated era constituída por antigos colaboradores da Centaur, que começaram por acalentar o sonho de produzir conteúdos próprios. A falta de liquidez fê-los no entanto repensar a sua estratégia. Que consistia agora em providenciar histórias aos quadradinhos às editoras que não dispunham de staff próprio. Na Timely Comics encontraram uma parceira talhada à medida.
Originalmente, a Timely Comics era uma divisão da Timely Publications, grupo editorial presidido por Martin Goodman. Servia-lhe de sede um pequeno apartamento no McGraw Hill Building, imponente arranha-céus que dominava a paisagem do lendário bairro de Hell's Kitchen.
Conhecida a propensão de Martin Goodman para replicar sucessos da concorrência, muitos acreditam, erroneamente, que o nome "Timely" adveio de uma versão genérica da conceituada revista Time. Na verdade, a marca teve origem noutra imitação. Tal como o título deixa facilmente perceber, a Popular Digest era um fac-símile da Reader's Digest e tinha como premissa "Timely Topics Condensed" (algo como "Tópicos Condensados da Atualidade"). Foi, pois, nessa sua antiga publicação, da qual foram editados apenas dois fascículos, que Goodman se inspirou para batizar a sua nova empresa.

Índice do primeiro número de Popular Digest, a resposta de Martin Goodman à
popularidade da Reader's Digest.
A primeira edição lançada sob os auspícios da Timely Comics chegou às bancas em outubro de 1939. Uma vez mais, com título emprestado. Marvel Comics nº1 compilava histórias de diferentes géneros (nem todas ilustradas) e apresentou ao mundo três novos super-heróis: Tocha Humana, Namor, o Príncipe Submarino e Anjo (um detetive fantasiado sem qualquer relação com o X-Man homónimo). Com 80 mil exemplares vendidos, no mês seguinte seria lançada uma segunda edição de Marvel Comics nº1, obtendo tiragem idêntica à da primeira. Números que, embora impressionantes, eram muito inferiores aos conseguidos pelas maiores concorrentes, designadamente pela National Periodicals. Aos olhos dos "tubarões", a Timely Comics não passava de peixe miúdo. Mas isso estava prestes a mudar.
Em 1939, Marvel Comics nº1 introduziu
 os primeiros super-heróis da Timely.
Percebendo o filão que tinha em mãos, Martin Goodman, fiel à sua estratégia comercial, não perdeu tempo a lançar uma linha de títulos periódicos com super-heróis. Recrutando, para esse efeito, artistas e escritores de diferentes proveniências. No entanto, a sua contratação mais sonora seria um dos maiores talentos da Funnies Incorporated, a quem confiou o cargo de editor. Ninguém menos do que Joe Simon.
Simon não veio sozinho. Consigo trouxe Jack Kirby, seu antigo parceiro criativo na Fox Comics. A dupla criaria, pouco tempo depois, aquele que seria o porta-estandarte da Timely Comics: o Capitão América.
A despeito do bom desempenho do número inaugural de Marvel Comics (entretanto renomeada Marvel Mystery Comics), as edições subsequentes ficaram aquém das expectativas. Lançados com pequenos intervalos ao longo de 1940, Daring Mystery Comics, Mystic Comics e Red Raven Comics também demoravam a afirmar-se. O último seria mesmo precocemente cancelado, logo rendido por The Human Torch. O Tocha Humana tornava-se, assim, o primeiro herói da Timely Comics a ganhar série própria. Mas nem isso atraiu novos leitores
À euforia inicial seguiu-se a estagnação e a Timely Comics parecia condenada a dissolver-se na espuma sazonal. Começaram a soar os alarmes no escritório de Martin Goodman.

Joe Simon (de pé) e Jack Kirby.
Em baixo, dois dos títulos mais populares da Timely Comics.

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Mesmo com tiragem modesta, Marvel Mystery Comics continuava a ser, de longe, o título mais popular da Timely. Muito por conta dos seus dois astros residentes: Tocha Humana e Namor, o Príncipe Submarino. Explorando a dualidade simbólica das duas personagens (Fogo versus Água), em 1940 os respetivos criadores, Carl Burgos e Bill Everett, promoveram aquele que seria o primeiro crossover da história da 9ª Arte.
Numa história em duas partes, narrada sob o ponto de vista de cada um dos contendores, o androide inflamável e o temperamental monarca atlante mediram forças nos números 8 e 9 de Marvel Mystery Comics. Graças a essa arrojada - e inédita - iniciativa, a Timely Comics voltou ao jogo e foram estabelecidas as bases do futuro Universo Marvel.

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Anunciado como "a batalha do século", o duelo entre o Tocha Humana e o Príncipe Submarino
foi o primeiro crossover da histórias da 9ª Arte.
Embora naturalmente satisfeito, Martin Goodman sabia que isso era insuficiente. Com novas editoras e novos heróis a surgirem em barda, sabia estar a travar um combate desigual. Para ficar em paridade de armas, precisava de um campeão de vendas. E foi isso que pediu a Joe Simon.
Ciente da urgência do pedido do patrão, Joe Simon tratou logo de deitar mãos à obra. Dias depois apresentou a sua proposta: um herói de inspiração patriótica vestido com a Star and Stripes e portando um escudo metálico. Em linha com a tradição da Timely, o conceito reproduzia outro preexistente. Escassos meses antes, a MLJ Comics (atual Archie Comics) apresentara uma personagem similar chamada The Shield.
Simon batizou inicialmente a sua criação de Super American, mas Captain America deverá ter-lhe soado melhor. Aprovada a ideia, Jack Kirby foi o escolhido para ilustrar a primeira história do Sentinela da Liberdade.
Lançado em dezembro de 1940, precisamente um ano antes do ataque japonês a Pearl Harbor e consequente participação dos EUA na II Guerra Mundial, Captain America nº1 (cuja capa, da autoria de Joe Simon, mostrava o herói a esmurrar Hitler), excedeu todas as expectativas ao vender mais de um milhão de exemplares.

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A edição de estreia do Capitão América vendeu mais de um milhão de exemplares.
Radiante e com cifrões a retinirem-lhe nos olhos, Martin Goodman de pronto manifestou o seu desejo de adquirir os direitos da personagem. Sabendo ter em mãos uma mina de ouro capaz de despertar a cobiça de editoras com maior poder económico do que a Timely, Joe Simon impôs várias condições à concretização do negócio.
Apesar da sua reputação de negociador implacável, Martin Goodman cedeu às exigências do seu colaborador. Concordou, desde logo, em atribuir uma série própria ao Capitão América, em vez de submergi-lo numa qualquer antologia. Creditados como autores, Joe Simon e Jack Kirby receberiam 25% dos lucros e seriam, ademais, promovidos, respetivamente, a editor-chefe e diretor artístico da Timely Comics. Termos bastante vantajosos e incomuns numa época em que escritores e artistas eram, na sua larga maioria, mão de obra descartável numa indústria que não tinha pejo em explorá-los.
Com o advento do Capitão América, a Timely Comics reuniu a primeira trindade de super-heróis, precedendo em alguns meses a da DC, na medida em que só em finais de 1941 a Mulher-Maravilha se juntaria ao Super-Homem e ao Batman.
Atolados em trabalho, Joe Simon e Jack Kirby imploravam por um assistente. A escolha recaiu sobre um extrovertido jovem de 17 anos que era primo da mulher de Martin Goodman. O seu nome era Stanley Lieber. Ficaria, porém, imortalizado pelo seu pseudónimo: Stan Lee.

A Trindade da Timely recriada pelo traço de David Finch.

Enfant terrible

Nos seus dias de glória, a Timely Publications era um vibrante ninho de nepotismo. Do respetivo staff faziam parte vários parentes de Martin Goodman, incluindo três dos seus irmãos. Artie Goodman elaborava guias de cores para as bandas desenhadas, Abe Goodman tratava da contabilidade e Dave Goodman tinha como árdua tarefa fotografar curvilíneas modelos seminuas para as revistas masculinas.
Outro elemento com ligações familiares ao presidente da Timely era Robert Solomon. Tratava-se de um cunhado de Martin Goodman encarregue dos assuntos que este estaria demasiado ocupado para resolver por si próprio. Solomon, ríspido no trato, era também uma das figuras mais detestadas pelo staff da Timely. Tio de Stan Lee, seria pela sua mão que o futuro guru da Marvel daria os primeiros passos na indústria dos comic books.
Por oito dólares por semana (o dobro do que auferiam muitos artistas), Stan Lee servia cafés, revia roteiros, organizava a correspondência e apagava as linhas de lápis nos esboços arte-finalizados de Jack Kirby. Nos tempos mortos, o irrequieto Stan gostava de bater com as portas ou tocar a sua ocarina, o que deixava os seus colegas de trabalho com os nervos em franja. A Kirby irritava-o profundamente não poder puxar as orelhas àquele enfant terrible, a salvo de corretivos apenas por ser primo do patrão.

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Stan Lee era ainda um jovem imberbe
 quando adentrou no mundo dos quadradinhos.
Apesar dos seus ocasionais atritos, Joe Simon, Jack Kirby e Stan Lee adoravam trabalhar na série mensal do Capitão América. Empolgado com o  apreciável sucesso do Sentinela da Liberdade, Martin Goodman acreditava que ele podia fazer sombra a outros campeões de vendas, como o Capitão Marvel, da Fawcett Comics, ou até mesmo ao próprio Super-Homem. Talvez porque nunca lhe terá ocorrido que o patriotismo, bem como as histórias de super-heróis, poderiam sair de moda.
Levava Captain America uma dezena de números publicados quando surgiu a primeira contrariedade. Entre mútuas acusações de deslealdade, Martin Goodman viu-se obrigado a demitir Joe Simon e Jack Kirby.
Os criadores do Sentinela da Liberdade vinham negociando em segredo uma transferência para a DC. Se Joe Simon não excluía a hipótese de ter havido uma fuga de informação por parte da rival, Jack Kirby, ao invés, estava convicto de que fora Stan Lee a dar com a língua nos dentes. Pouco tempo antes, Kirby cometera a imprudência de confidenciar ao primo do patrão os seus planos para deixar a Timely. Este seria, aliás, o primeiro de muitos episódios controversos a pontuarem a relação desses dois titãs da 9ª Arte.
Após a saída de Joe Simon e Jack Kirby, em finais de 1941, Stan Lee, em vésperas de completar 19 anos, foi promovido a editor interino. Cargo que acumulou com o de escritor de Captain America antes de ser chamado a cumprir o serviço militar. Embora inexperiente, o jovem Stan deu boa conta do recado e a série, mesmo desfalcada dos seus autores, manteve-se na senda do sucesso.
Com Stan Lee ao leme, os anos de guerra foram de prosperidade para a Timely Comics. Apesar de ter ainda no Capitão América o seu indisputado campeão de vendas, a editora dispunha agora de um catálogo abrangente que abarcava praticamente todos os géneros.
Por indicação do próprio Martin Goodman, sempre sintonizado com as tendências do mercado, desde abril de 1942 que a Timely Comics vinha publicando revistas humorísticas maioritariamente protagonizadas por animais antropomorfizados. Títulos como Zippy Pig and Silly Seal ou Super Rabbit Comics vendiam quase tanto como as séries super-heroicas.
Um público até então menosprezado, as adolescentes foram outra das apostas da Timely nesta fase. A pensar nelas foram lançados títulos como Millie the Model ou Patsy Walker, em paralelo com novas super-heroínas como Sun Girl ou Namorita, a contraparte feminina do Príncipe Submarino.

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O ecletismo editorial foi uma das imagens de marca da Timely Comics.
Outra novidade consistiu em incluir um escudo patriótico nas capas de todas as revistas editadas pela Timely Comics. Inspirado no escudo triangular originalmente portado pelo Capitão América, tornar-se-ia o símbolo da editora e aquele que perduraria na memória. Mais ou menos pela mesma altura, a Timely Comics transferiu a sua sede para o 14º piso do Empire State Building, onde permaneceria até 1951.
À medida que o fulgor dos super-heróis desvanecia no pós-guerra, muitas das personagens da Timely Comics foram resvalando para a obscuridade. À qual nem o próprio Capitão América escaparia.
Se é difícil assinalar com precisão o fim da Idade de Ouro, o crepúsculo da Timely Comics, reminiscência dessa era de maravilhas, coincidiu seguramente com o cancelamento de Captain America, em outubro de 1950.
Enquanto soava o dobre a finados de uma era, Martin Goodman, exemplo de perseverança, preparava-se para uma nova. A Timely Comics dava, assim, lugar à Atlas Comics para fazer face aos desafios presentes e futuros. Mas essa é uma história para outra altura...


Parte do panteão da Timely seria incorporado no Universo Marvel.


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2016 marcou o regresso da Timely Comics,
agora como linha low cost da Marvel.

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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

GALERIA DE VILÕES: CAVEIRA VERMELHA


  Apóstolo dileto de Hitler, propagou o odioso evangelho nazi até ser silenciado pelo Sentinela da Liberdade. Sobreviveu à queda do III Reich e, tal como o seu némesis, é hoje um homem deslocado no tempo, tão imortal porém como os sinistros ideais que representa.

Denominação original: Red Skull
Licenciadoras: Timely Comics (1941-45), Atlas Comics (1954) e Marvel Comics (desde 1965)
Criadores: Joe Simon e Jack Kirby
Estreia (George Maxon): Captain America nº1 (março de 1941)
Estreia (Johann Shmidt): Captain America nº7 (outubro de 1941)
Identidade civil: Johann Shmidt (para mais informações sobre os outros indivíduos que, ao longo do tempo, usaram a máscara do Caveira Vermelha ver  Rubras faces do terror)
Espécie: Humano geneticamente aprimorado
Local de nascimento: Um vilarejo não identificado algures na Alemanha
Parentes conhecidos: Hermann e Martha Shmidt (pais, falecidos); Sinthea Shmidt (filha)
Ocupação: Ex-paquete de hotel, ex-oficial das SS e ex-espião nazi, é hoje um terrorista internacional a agir sob o disfarce de homem de negócios.
Base operacional: Durante a II Guerra Mundial, o Caveira Vermelha operava, essencialmente, a partir de Berlim, a capital do III Reich. Atualmente acha-se sediado algures no estado norte-americano do Nevada, embora prime pela mobilidade geográfica. Algo que já se verificava no passado, quando utilizava como esconderijos bases da HIDRA espalhadas pelo mundo.
Afiliações: Outrora destacado militante do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (vulgo Partido Nazi ou Nazista) e oficial superior das SS (a guarda pretoriana de Hitler), liderou também várias organizações de terrorismo transnacional como a HIDRA e a IMA (Ideias Mecânicas Avançadas). Fundou ainda o Gangue do Esqueleto, cujo comando confiou ao mercenário Ossos Cruzados.
Armas, poderes e habilidades: O intelecto superior do Caveira Vermelha, aliado ao seu génio inventivo, compensam em grande medida a ausência de superpoderes. Estratega exímio, mesmo quando ainda habitava o seu corpo original, o vilão era um assassino altamente treinado e versátil, proficiente em várias artes marciais e técnicas de autodefesa (embora nunca tenha estado à altura do Capitão América neste capítulo), bem como no uso de diferentes tipos de armas e explosivos.
Era no chamado Pó da Morte que o Caveira Vermelha tinha, porém, a sua arma mais infame. Produzido a partir de uma fórmula secreta patenteada pelo próprio, tratava-se de um composto químico que, inalado ou  em contacto com a pele, matava um homem adulto em poucos segundos. Uma morte tão rápida quanto agonizante, pois a substância - quase sempre armazenada num cigarro adaptado - asfixiava e desfigurava as suas vítimas, conferindo-lhes a tétrica aparência de uma caveira vermelha.
Durante o macabro processo, o Caveira Vermelha gostava de assobiar ou de ouvir na grafonola a Marcha Fúnebre, de Chopin. Tanto o Pó da Morte como esse seu mórbido gosto musical são imagens de marca que remontam aos primórdios da sua carreira criminal, na chamada Idade de Ouro dos quadradinhos.
Perito em espionagem e ações subversivas, originalmente o Caveira Vermelho era também um mestre do disfarce, mérito que lhe valeu a alcunha de Agente das Mil Caras.


Um assassino de classe mundial
 ao serviço do III Reich.
Anos depois do seu pretenso regresso do Além-túmulo, quando o seu corpo alquebrado pela velhice dava sinais de querer ceder, o Caveira Vermelha, com a ajuda do geneticista renegado Arnim Zola, transferiu a sua psique para um clone do Capitão América. Processo que o dotou das excecionais aptidões físicas do seu némesis: força, resistência e reflexos sobre-humanos, além de longevidade expandida.
Sempre que um corpo sofre danos severos, tudo o que o Caveira Vermelho tem de fazer é transferir a sua mente para um novo. Alcançando, por essa via, uma espécie de imortalidade limitada.
Fraquezas: Apesar de habitar o corpo geneticamente aprimorado de Steve Rogers, o Caveira Vermelha possui, grosso modo, as mesmas vulnerabilidades de qualquer ser humano. A sua obsessão pelo Capitão América - que, não raro, lhe tolda o raciocínio -, assim como a sua arrogância - que o leva por vezes a subestimar os seus oponentes - são, contudo, os seus pontos fracos mais notórios.

O Caveira Vermelha foi
 um oficial superior das SS.

A raiz do Mal

Quando, em outubro de 1939, a Timely Comics (antecessora da Marvel) lançou o seu primeiro título periódico de banda desenhada, Marvel Comics (posteriormente renomeado Marvel Mystery Comics), a neófita editora fundada por Archie Goodwin não dispunha ainda de qualquer super-herói patriótico.
Ainda antes da entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial, em consequência do ataque japonês a Pearl Harbor em dezembro de 1941, Joe Simon e Jack Kirby, em resposta à propaganda nazi, criaram o Capitão América. O Sentinela da Liberdade seria, de resto, o primeiro herói da Timely a possuir uma série mensal em nome próprio.
Com efeito, Captain America nº1 apresentou ao mundo o Capitão América mas também aquele que seria o seu némesis: o Caveira Vermelha. Quais gémeos siameses separados à nascença, as duas personagens teriam os seus destinos para sempre entrelaçados.
Antítese perfeita do Capitão América e dos valores e ideais por ele simbolizados, o Caveira Vermelha, epítome da tirania e da opressão, deveria ter feito em Captain America nº1 a sua primeira e única aparição, na medida em que fora projetado para ser um vilão descartável.

Captain America nº1 apresentou aos leitores
 o primeiro herói patriótico da Timely
 e o Caveira Vermelha original (em baixo, desenhado pelos seus criadores). 

Um magnata americano do ramo da aeronáutica simpatizante do nazismo, George Maxon foi o primeiro alter ego do Caveira Vermelha. Visando o derrube do governo federal dos EUA, o vilão dedicava-se a assaltar bancos a fim de reunir os recursos financeiros necessários à consecução do seu desígnio. Esta primeira versão do Caveira Vermelha, ignorada por muitos, faria a sua última aparição em Captain America nº3, edição datada de maio de 1941.
Com uma imagem que pretendia simbolizar o terror nazi, a conceção visual do Caveira Vermelha teve no entanto a mais inusitada - e doce - das inspirações. Reunidos numa esplanada para trocar ideias sobre o futuro arqui-inimigo do Capitão América, Joe Simon e Jack Kirby repararam como, ao espalhar-se sobre as bolas de gelado, a cobertura de chocolate quente formava o que parecia ser uma figura humana. Repararam também que a cereja colocada no topo invocava uma caveira vermelha e, num momento eureca, estava encontrado o nome de guerra para aquele que seria o primeiro supervilão da Timely - e um dos mais antigos da história da 9ª Arte.
Agora um superagente nazi de origem germânica, o Caveira Vermelha foi reintroduzido em outubro de 1941, nas páginas de Captain America nº7. Na história, Johann Shmidt reclamava ser o verdadeiro Caveira Vermelha, de quem George Maxon havia sido um mero peão.


Captain America Comics Vol 1 7
Novamente sem honras de capa, aquele que foi apresentado como
 o verdadeiro Caveira Vermelha debutou em Captain America nº7.


Evolução

Depois de, durante a Idade do Ouro, o Caveira Vermelha ter sido um dos supervilões mais temidos e populares da banda desenhada, com o final da Segunda Guerra Mundial, tal como o Capitão América, perdeu o seu propósito e foi relegado ao ostracismo. Ambos seriam fugazmente revividos a meio da década de 1950, coincidindo com o dealbar da Idade da Prata, e quando a Timely Comics cedera já lugar à Atlas Comics (outra das antepassadas da Marvel). Nesta fase, o Caveira Vermelha, ainda que privado da formidável máquina de guerra nazi, surgiu mais perigoso do que nunca, assumindo-se como o legítimo herdeiro de Hitler.
A ação do Caveira Vermelha durante a Idade do Bronze ficaria marcada pela sua nova orientação ideológica (era agora um agente comunista ao serviço da URSS) e pelas suas ocasionais escaramuças com outros supervilões do Universo Marvel, nomeadamente com o Rei do Crime e com o Doutor Destino. Quando o seu plano para matar o Capitão América fracassou, um decrépito Caveira Vermelha pereceria nos braços do seu inimigo de sempre.

Capitão América versus Caveira Vermelha:
Duelo (I)mortal.
Uma vez mais regressado ao mundos vivos, o Caveira Vermelha da Idade Moderna apresentou-se muito diferente das suas versões pregressas. Com a sua mente transferida para um clone do Capitão América, de uma penada recuperara a sua juventude e adquirira novas e extraordinárias capacidades. Perseguindo os mesmos objetivos de sempre, recorria agora aos negócios e à política para alcançá-los.
No rescaldo dos eventos da Guerra Civil (saga já aqui esmiuçada) e do regresso de Bucky Barnes como Soldado Invernal, o Caveira Vermelha engendrou um esquema para assassinar o Capitão América. Apesar de ter sido bem-sucedido nesse desígnio, voltaria a ser derrotado pelo seu velho inimigo de sempre, cujo escudo passara a ser portado por Bucky.
Mais recentemente, o Caveira Vermelha roubou o cérebro do falecido Professor Xavier, ganhando uma panóplia de poderes psiónicos. Com a ajuda dos seus S-Men (formados por pessoas que sofreram às mãos de mutantes), está apostado em erradicar os Homo Superior da face da Terra.

Origem

Personificação do Mal aos olhos do mundo, o Caveira Vermelha é o fruto amargo do desamor e do desespero. Nascido num qualquer vilarejo alemão nos alvores do século XX, Johann Shmidt teve com progenitores um casal de humildes camponeses. Hermann Shmidt, o pai, era um beberrão rude e violento que transformava a vida da sua submissa esposa, Martha, num autêntico calvário.
Quando Martha morreu ao dar à luz o primeiro rebento do casal, Hermann culpou o recém-nascido pela fatalidade e tentou afogá-lo. Apesar de ter sido impedido de fazê-lo pelo médico que assistira o parto, Hermann cometeria suicídio poucos dias depois.
Enquanto crescia num orfanato, o pequeno Johann levava uma vida solitária e marcada pela crueldade das outras crianças para com ele. Aos 17 anos o rapaz fugiu da instituição, passando a sobreviver nas ruas graças à mendicidade e a pequenos furtos. Por conta desta existência miserável, passou curtas temporadas atrás das grades, entremeadas por trabalhos braçais que, a muito custo, lhe garantiam o sustento.

Johann Schmidt (Earth-616) Red Skull Incarnate Vol 1 1 00
A vida foi madrasta para
 o pequeno Johann Shmidt.
Johann era ainda um jovem adulto quando conseguiu emprego na mercearia de um judeu, por cuja filha, Esther, se perdeu de amores. A rapariga tinha sido a primeira a tratá-lo com bondade, mas quando Johann lhe declarou os seus sentimentos acabou rejeitado.
Tomado pela fúria, Johann assassinou Esther, abandonando o local do crime com um misto de sentimentos: aterrado pelas consequências do seu ato e, simultaneamente, aliviado por ele. Afinal de contas, o seu primeiro assassínio tinha-lhe permitido, por fim, extravasar parte da raiva que vinha acumulando em relação à humanidade. É possível que este episódio tenha estado também na origem do seu visceral antissemitismo.
Segundo a versão oficial da narrativa propalada pelo Caveira Vermelha e pela propaganda nazi, Johann Shmidt terá conhecido Adolf Hitler logo após a ascensão deste ao poder, quando trabalhava como paquete num hotel.
Chamado à suíte onde o Fuhrer se encontrava hospedado, Johann presenciou o momento em que Hitler vociferava com um oficial da Gestapo devido à fuga de um espião inimigo. A meio da violenta reprimenda, Hitler ter-se-á apercebido da presença de Johann e, apontando para ele, afirmou ser capaz de criar um melhor agente nazi a partir de um reles paquete de hotel.
Observando mais de perto Johann, o Fuhrer intuiu a natureza devassa do rapaz e resolveu passar das palavras aos atos, recrutando-o para as suas SS.
No entanto, insatisfeito com o progresso da instrução tradicional que estava a ser ministrada a Johann nas SS, Hitler encarregou-se de treiná-lo pessoalmente para ser o seu principal lugar-tenente. No final, o líder nazi presenteou-o com dois adereços que se tornariam a sua imagem de marca: um uniforme paramilitar em tons esverdeados e uma grotesca máscara de caveira. Desse dia em diante, o Caveira Vermelha passou a ser a face do terror nazi numa Europa fustigada pela guerra.
Nos primeiros anos da II Guerra Mundial, o Caveira Vermelha disseminou o caos e a morte um pouco por todo o Velho Continente, comandando pessoalmente operações militares e ordenando a pilhagem e destruição de muitas vilas e aldeias - que amiúde culminavam no extermínio das respetivas populações. As suas atrocidades bélicas estendiam-se também aos mares após reunir uma poderosa frota de submarinos que torpedeavam, sem distinção, vasos de guerra inimigos e navios mercantes.
O efeito propagandístico das ações do Caveira Vermelha foi de tal ordem que o governo dos EUA - recém-entrados no conflito - não perdeu tempo a criar, no quadro da Operação Renascimento, o seu primeiro supersoldado sugestivamente crismado de Capitão América.

O Caveira Vermelha inspirou a criação do Sentinela da Liberdade.
Orgulhoso das façanhas militares do seu protegido, inicialmente Hitler acedia a todos os seus pedidos. Foi assim que o Caveira Vermelha obteve financiamento para a construção de uma vasta rede de bases secretas equipadas com armamento e tecnologia de ponta.
A despeito de sempre ter admirado Hitler pela sua visão ideológica, o Caveira Vermelha recusava ver-se a si mesmo como um subalterno. Chegando mesmo a ameaçar o poder do Fuhrer depois de ter executado vários dos seus conselheiros mais próximos, tornando-se dessa forma o segundo homem mais poderoso do III Reich.
Apesar desse acúmulo de poder, no Capitão América o Caveira Vermelho encontrou um adversário à sua altura. Os dois enfrentaram-se variadíssimas vezes no decurso da II Guerra Mundial até à derradeira batalha travada nos últimos dias do conflito no bunker do vilão.
Encurralado pelo Sentinela da Liberdade, o Caveira Vermelha acabaria soterrado pelos escombros do seu bunker após a explosão de uma granada. Sem tempo para se inteirar do estado do seu arqui-inimigo, o Capitão América bateu em retirada devido ao início de um bombardeamento aliado.
Enquanto choviam bombas à superfície, o moribundo Caveira Vermelho era exposto a um gás experimental que o deixaria em animação suspensa. Condição que só seria revertida mais de duas décadas depois, quando, à semelhança do seu némesis, o vilão despertou num mundo muito diferente daquele que conhecera. Mas, ainda assim, um mundo que valia a pena conquistar e que depressa reaprendeu a temê-lo.

Rubras faces do do terror

Além do já referenciado George Maxon - empresário estadunidense que, durante a II Guerra Mundial, operou em terras do Tio Sam como um agente nazi às ordens do verdadeiro Caveira Vermelha - a máscara do antigo acólito de Hitler foi usada por um trio de indivíduos sem nada em comum entre si, exceto o ódio ao Capitão América e aos valores por ele representados.
Em 1953, quase uma década após a pretensa morte de Johann Shmidt, Albert Malik, um agente do KGB, assumiu a identidade do Caveira Vermelha. A partir da sua base na Argélia, Malik planeou e executou um sem-número de operações de espionagem e subversão em nações adversárias da União Soviética, mormente nos EUA.
Nos anos imediatos, o falso Caveira Vermelha enfrentou por diversas  vezes os impostores que, à época, se faziam passar pelo Capitão América e pelo seu adjunto juvenil Bucky Barnes, igualmente dados como mortos desde os últimos dias da II Guerra Mundial.

George Malik, o Caveira Vermelha soviético.
No entanto, mesmo após os falsos heróis terem sido colocados em animação suspensa devido aos efeitos colaterais da fórmula adulterada do Soro do Supersoldado que haviam inoculado em si mesmos para replicar as habilidades sobre-humanas do verdadeiro Capitão América, Malik prosseguiu com as suas atividades terroristas. Seria, de resto, ele o responsável pela morte dos pais de Peter Parker (o Homem-Aranha), quando, em plena Guerra Fria, estes foram expostos como espiões ao serviço do governo americano.
Malik acabaria por sua vez morto às mãos do Carrasco do Submundo, um sanguinário vigilante que respondia perante o verdadeiro Caveira Vermelha, entretanto revivido e nada lisonjeado com a usurpação de identidade por parte de um agente comunista.
Anos mais tarde, seria a vez de Sinthea Shmidt, a filha do Caveira Vermelha original anteriormente conhecida como Pecado (Sin, em inglês), reclamar o legado nominal paterno depois de ter tido a face horrivelmente desfigurada. Quando a sua aparência foi restaurada, a jovem retomou o seu lugar ao lado do pai e esteve diretamente envolvida na conspiração para assassinar o Capitão América no pós-Guerra Civil.

Sinthea Shmidt, a filha
 do Caveira Vermelha.
No Universo Ultimate, dimensão paralela que acomoda a versão modernizada da mitologia Marvel, o Caveira Vermelha é o filho desconhecido do Capitão América. Pouco antes do seu desaparecimento, Steve Rogers mantivera um fugaz romance com uma mulher chamada Gail Richards, do qual, sem que ele soubesse, resultou uma gravidez.
Devido aos vestígios do Soro do Supersoldado que lhe foram transmitidos pelo pai, o menino nasceu com excecionais aptidões físicas. Assim que teve conhecimento da sua existência, o governo americano reclamou a posse da criança e passou a treiná-la numa base militar secreta para ser o novo Capitão América.
No entanto, sem que os seus precetores se apercebessem, à medida que crescia o rapaz desenvolvia uma personalidade psicótica. Ainda adolescente, usou uma faca de cozinha para esfolar o próprio rosto até restar apenas cartilagem ensanguentada, tomando assim o aspeto de uma caveira vermelha. Em seguida escapou da instalação onde havia crescido isolado do mundo. Não sem antes massacrar todo o pessoal que lá trabalhava.
Num ato de rebelião contra o sistema que o criara, o jovem Caveira Vermelha assassinou o Presidente Kennedy antes de empreender uma campanha de terror à escala planetária, que culminaria vários  anos depois com a sua morte às mãos do próprio pai.

O Caveira Vermelha do Universo Ultimate
 é o filho perdido de Steve Rogers.

Trivialidades

*Pressentindo a derrocada iminente do III Reich, o Caveira Vermelha projetou vários robôs gigantes que mandou enterrar em diferentes pontos do globo. Batizadas de Hibernantes (Sleepers, no original) essas formidáveis máquinas de guerra permaneceriam adormecidas até serem ativadas pelo próprio Caveira. Algo que o vilão não perdeu tempo a fazer quando regressou ao mundo dos vivos, espalhando o caos e a destruição antes de ser detido pelo Capitão América. Ignora-se, no entanto, se ainda restarão mais Hibernantes à espera de serem despertados;
*Foi em Captain America nº297 (setembro de 1984) que o Caveira Vermelha revelou pela primeira vez o seu verdadeiro rosto. Embora nessa edição os leitores tenham podido ver apenas a sua face engelhada, na seguinte, quando o vilão revisitou o seu passado, o semblante jovem de Johann Shmidt foi mostrado em diferentes momentos da história;´
*O Caveira Vermelha foi involuntariamente responsável pela formação daquela que, ainda hoje, é considerada uma das mais icónicas parelhas heroicas dos quadradinhos: Capitão América e Falcão. Manipulado pelo vilão para atacar o Sentinela da Liberdade, Sam Wilson acabaria por tornar-se o seu mais duradouro parceiro no combate ao crime;

Caveira Vermelha, Hitler e um dos Robôs Hibernantes.
*Devido ao passado nazi do Caveira Vermelha, ao longo dos anos foram vários os supervilões que recusaram aliar-se a ele. O Rei do Crime, por exemplo, considerou ser seu dever patriótico impedir que o ex-esbirro de Hitler se instalasse em Nova Iorque. Filho de judeus assassinados durante o Holocausto, Magneto, depois de ter trabalhado em conluio com o Caveira Vermelha na saga Acts of Vengeance (Atos de Vingança), enterrou-o vivo. O Mestre do Magnetismo deixou-lhe, contudo, água suficiente para várias semanas, o que permitiu a sobrevivência do Caveira Vermelha até ser resgatado por Ossos Cruzados. Até mesmo malfeitores de outras editoras, como o Joker (da DC) repudiam o Caveira Vermelha. No crossover de 1996 Batman and Captain America, o Príncipe Palhaço do Crime sabotou os planos do Caveira Vermelha para fazer detonar uma bomba atómica em Nova Iorque. Ficando célebre a frase então proferida pelo risonho arqui-inimigo do Batman: "Posso ser um criminoso, mas sou um criminoso americano!";
*Em Terras Tupiniquins, o Caveira Vermelha começou por ser batizado simplesmente de Caveira pela EBAL, sendo mais tarde renomeado de Crânio Vermelho pela editora Bloch. Foi também esse o nome usado na dobragem brasileira da série animada The Marvel Super Heroes (vide texto seguinte);
*Na lista dos cem maiores vilões de sempre, organizada pela Wizard - magazine especializado em quadradinhos e cultura popular - o Caveira Vermelha surge na 21ª posição, à frente de grandes expoentes de malevolência como Fénix Negra (Marvel), Darkseid (DC) ou Drácula.


Noutros media

Foi através do segmento reservado ao Capitão América em The Marvel Super Heroes  que, em 1966, o Caveira Vermelha fez a sua transição para o audiovisual. Essa foi, aliás, a primeira de muitas séries animadas da Marvel onde vem participando desde então.
Depois de, surpreendentemente, não ter marcado presença em Captain America, folhetim cinematográfico produzido pela Republic Pictures que, em 1944, assinalou a estreia do Sentinela da Liberdade no grande ecrã, o Caveira Vermelha voltaria a ser omisso nos dois telefilmes do herói produzidos em 1979: Captain America e Captain America II: Death Too Soon.

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O Capitão América à mercê do Caveira Vermelha em Marvel Super Heroes (1966).
Com efeito, a sua estreia em produções de ação real registou-se apenas em 1990. Foi em Captain America, película de baixo orçamento lançada diretamente no circuito de vídeo. Interpretado por Scott Paulin, esta primeira encarnação cinematográfica do inimigo jurado do Capitão América apresentava diferenças substantivas relativamente à sua contraparte canónica. Começando pela respetiva nacionalidade, pois, em vez de alemão, o vilão era agora retratado como um fascista italiano que servira de cobaia em experimentos genéticos conduzidos pelos nazis durante a II Guerra Mundial, ficando para sempre física e mentalmente deformado.
Numa abordagem mais fiel ao cânone, em Captain America: The First Avenger (2011), o Caveira Vermelha - agora representado por Hugo Weaving (o inolvidável Mr. Smith da trilogia Matrix) - voltou a ser um superagente nazi aspirante a conquistador mundial. Sendo também o antagonista principal do Capitão América num filme inserido no Universo Cinemático Marvel e onde não faltaram elementos icónicos como o Cubo Cósmico.

Red Skull in Captain America (1990)

21 anos separam estas duas imagens:
em cima, Scott Paulin em Captain America (1990);
em baixo, Hugo Weaving em
Captain America: The First Avenger (2011).
Apesar de fisicamente ausente de Captain America: The Winter Soldier (2014), o Caveira Vermelha foi referenciado na sequela depois de ter, aparentemente, morrido no final do primeiro filme. Circunstância que seria desmentida já este ano, em Avengers: Infinity War, filme no qual o vilão - a quem Ross Marquand emprestou corpo - fez uma breve participação. Justificada pelos autores do enredo com o facto de ele ter sido o primeiro a encontrar uma Joia do Infinito.
O tempo dirá que papel estará reservado ao Caveira Vermelha na próxima fase do Universo Cinemático Marvel...

Na BD ou no cinema,
o Cubo Cósmico é outra das obsessões do Caveira Vermelha.











domingo, 23 de julho de 2017

ETERNOS: OTTO BINDER (1911-1974)


  Escreveu alguns dos títulos mais populares da Idade do Ouro e da Prata ao mesmo tempo que ajudava a criar um magote de personagens inesquecíveis. Apesar desses admiráveis pergaminhos, continua a ser um dos mais menosprezados autores da 9ª Arte. Apaixonado pela ficção científica, perfilhou teorias exóticas sobre as origens da Humanidade antes de sucumbir a uma tragédia familiar.

O mais novo dos seis filhos de um casal de imigrantes austríacos recém-chegados a terras do Tio Sam, Oscar Otto Binder nasceu a 26 de agosto de 1911 em Bessemer, pequena cidade do Michigan assim batizada em homenagem a Sir Henry Bessemer, engenheiro britânico do século XIX inventor do processo de fabrico do aço.
Devido às suas raízes familiares centro-europeias, Otto, tal como os irmãos, foi educado de acordo como os preceitos morais e religiosos do Luteranismo. Em 1922, quando se despedia da infância para embarcar na odisseia da puberdade, a sua família resolveu trocar a modorra de Bessemer pela azáfama de Chicago. Foi na grande metrópole do Illinois que Otto e o seu irmão favorito, Earl, se deixaram seduzir pelo charme kitsch das historietas de ficção científica. Género que, naquela época e sobretudo entre os mais jovens, gozava de uma crescente popularidade.
Em vez de, como seria de esperar, contribuir para o esmorecimento da paixão assolapada dos manos Binder pela ficção científica, a passagem do tempo teve o condão de espevitá-la ainda mais. Levando-os mesmo a aventurarem-se na escrita de narrativas desse jaez. Sob o pseudónimo Eando Binder (acrónimo de "E and O", composto pelas respetivas iniciais),  Earl e Otto conseguiram vender a sua primeira produção literária conjunta em 1930. Intitulada The First Martian (O Primeiro Marciano), seria dada à estampa dois anos depois em Amazing Stories, o primeiro - e, provavelmente, o mais duradouro - magazine exclusivamente dedicado à ficção científica, que vinha sendo editado desde a primavera de 1926.

A história I, Robot, de Eando Binder, em destaque na capa desta edição de 1939
do magazine de ficção científica Amazing Stories.
Cientes de que essa atividade, por si só, não lhes garantiria a sobrevivência económica, os irmãos Binder exerceram paralelamente vários outros ofícios. Enquanto Earl calejava as mãos numa fundição na periferia de Chicago, Otto rumou a Nova Iorque. Fê-lo na qualidade de agente literário ao serviço de Otis Kline, afamado autor de novelas de ficção científica - conhecido, também, pela sua amizade (e pretensa parceria literária) com Edgar Rice Burroughs, o criador de Tarzan - , recentemente convertido em editor e empresário.
Durante o curto período como agente literário, Otto ficou essencialmente encarregue da divulgação das obras do então desconhecido Robert E. Howard, "pai" de Conan, o Bárbaro e do subgénero conhecido como Espada & Feitiçaria.
A partida do benjamim do clã Binder para a Cidade Que Nunca Dorme fora precedida pela dissolução da sua sociedade com Earl. Mesmo sendo agora o único autor das estórias de ficção científica que ia vendendo a magazines e outras publicações especializadas, como a Thrilling Wonder Stories e a Amazing (para a qual desenvolveu a cultuada série de Adam Link, o robô senciente criado à imagem e semelhança dos humanos), continuou a assiná-las com o velho pseudónimo que incluía a inicial do irmão.

Em Adam Link Otto Binder teve a sua
  piéce de résistance no campo da ficção científica.
Sopravam ventos benfazejos na vida de Otto Binder até que os nefastos efeitos da Grande Depressão que devorava o coração da economia estadunidense obrigaram Otis Kline a cerrar as portas da sua editora, apenas um ano e meio decorrido sobre a sua fundação.
Vendo-se repentinamente privado da sua principal fonte de rendimento, em 1939, por sugestão de outro dos seus irmãos, Jack Binder (autor do Daredevil original), Otto resolveu tentar a sua sorte na fervilhante indústria dos comics. Pela mão de Jack, que há um par de anos lá vinha trabalhando como ilustrador, Otto juntou-se, assim, ao staff do estúdio Harry Chesler, um dos muitos que, no dealbar da Idade do Ouro, supriam as necessidades das cada vez mais numerosas editoras de banda desenhada.
Seria, no entanto, meteórica a passagem de Otto Binder pelo estúdio de Harry Chesler. Cerca de um ano depois de lá ter entrado pela primeira vez, estava já de malas aviadas para a Fawcett Comics, a recém-fundada subsidiária da Fawcett Publications.
Num primeiro momento, Otto Binder assumiu as histórias de personagens secundárias da Fawcett, como Bulletman, El Carim ou Golden Arrow. A sua criatividade e desenvoltura não passaram, porém, despercebidas ao editor Ed Herron que, em meados de 1941, lhe confiou os destinos da estrela da companhia: Captain Marvel (vulgo Shazam; não confundir, portanto, com o seu homónimo da Casa das Ideias).
Capitalizando o sucesso da série de ação real do Mortal Mais Poderoso da Terra (a primeira adaptação ao grande ecrã de um super-herói) que, por esses dias, atraía milhares de espectadores de todas as idades aos cinemas, a novela pulp The Return of the Scorpion foi, ainda em 1941, a primeira história do Capitão Marvel com o cunho de Otto Binder. Registando-se no ano seguinte o seu debute oficial como argumentista da série periódica do herói, em Captain Marvel Adventures nº9.

A edição que marcou a estreia de Otto Binder
como argumentista do Mortal Mais Poderoso da Terra.
Por conta da pródiga imaginação de Otto Binder, o título mensal do Capitão Marvel ganharia novo elã, destronando mesmo o Superman no pódio das vendas. Enquanto a coqueluche da DC Comics era assim inapelavelmente ofuscada (embora inconfessado, seria esse um dos verdadeiros motivos que, anos depois, levariam a Editora das Lendas a processar a Fawcett por um alegado plágio), o brilho de Otto Binder era mais intenso a cada dia que passava. E não tardou a irradiar um conjunto de spin-offs estrelados pelos igualmente icónicos Captain Marvel Jr. e Mary Marvel, esta última criada a meias por Otto Binder e o artista Marc Swayze, em dezembro de 1942.
Aqui ficam alguns números impressionantes que ilustram bem a envergadura da obra de Otto Binder ao serviço da Fawcett Comics: entre 1941 e 1953, ele escreveu 986 das 1743 histórias do Capitão Marvel, correspondendo, grosso modo, a 60% do total das que foram publicadas durante esse período. Ao longo do qual Otto concebeu, em articulação com C.C, Beck (o lendário criador do Mortal Mais Poderoso da Terra) e Marc Swayze, um magote de personagens que se tornariam emblemáticas.
Além da já citada Mary Marvel, Black Adam (Adão Negro), Uncle Dudley (Tio Marvel), Tawky Tawny (o tigre falante conhecido entre o público lusófono como Senhor Malhado) e os pérfidos filhos adolescentes do Doutor Sivana - Sivana Jr. e Georgia Sivana - completavam esse rol de coadjuvantes de luxo. Refira-se, a este propósito, que, em 1953, quando já se adivinhava o canto do cisne da Fawcett Comics, Otto Binder e C.C. Beck viram frustrada a sua intenção de produzir uma tira de jornal protagonizada pelo Senhor Malhado.



Mary Marvel (cima) e Adão Negro foram duas das mais icónicas criações
 de Otto Binder para a Fawcett Comics.
Ao imprimir nos enredos da Família Marvel a lógica dos sonhos, Otto Binder cumpria na perfeição os desejos de qualquer criança sem, contudo, infantilizar em demasia as suas narrativas. Exorbitando frequentemente as fronteiras da imaginação, as aventuras dos discípulos do mago Shazam tanto podiam transportar os leitores para um conto de fadas como para um plano surreal. Foi, pois, essa dimensão onírica que fez de Captain Marvel Adventures um caso sério de popularidade, mobilizando, mês após mês, o interesse e a imaginação de milhares de leitores.



Tigres falantes e planetas vivos?
Nas histórias do Capitão Marvel saídas da pena de Otto Binder tudo era possível.
Mesmo após a extinção da Fawcett Comics, Otto Binder agora um escriba consagrado, continuou sem mãos a medir. Até finais de 1954 (ano em que assentou arraiais na DC Comics, com a qual vinha colaborando pontualmente desde 1948), desdobrou-se entre a Timely Comics e a Quality Comics*.
Para a primeira, Otto escreveu histórias do Capitão América, Príncipe Submarino e do Tocha Humana original**, ícones da Idade do Ouro e personagens de charneira daquela que seria a precursora da Marvel Comics. Sobrando-lhe ainda tempo e imaginação para participar na criação de The Whizzer (Ciclone) e All-Wiinners Squad (Esquadrão Vitorioso).
Já para  segunda, o seu trabalho consistiu em escrever algumas das suas séries periódicas mais bem-sucedidas, nomeadamente Blackhawk, Doll Man e Uncle Sam. Para não fugir à regra, foi ainda cocriador de Kid Eternity (Kid Eternidade) que, sem embargo, se converteria numa das figuras de proa da Quality Comics.
Há ainda a registar, durante esse ínterim que preludiou a sua transferência para a DC, algumas colaborações episódicas com a MLJ Comics (antecessora da Archie Comics), a Gold Key Comics (para qual criou Mighty Samson, um das personagens mais icónicas da editora) e com a EC Comics (onde voltou a escrever histórias de ficção científica).
Na DC, Otto Binder reencontrou um velho conhecido dos seus tempos na Thrilling Wonder Stories: o editor Mort Weisinger. Sob a sábia batuta de Weisinger, Otto, que nunca foi homem de ficar arrimado às glórias pretéritas, empreendeu nova fase seminal, que mudaria para sempre a mitologia do Superman.
Assim, ao longo de década e meia, de 1954 a 1969, Otto Binder assumiu sozinho o catálogo de títulos do Homem de Aço (no qual pontificavam os históricos Superman, Superboy e Action Comics), introduzindo neles um lote de personagens inéditas que logo se tornariam presença assídua nas aventuras do campeão de Metrópolis.

Otto Binder era um mestre do burlesco
que caracterizou a Idade da Prata dos comics.
Entre os conceitos que ajudou a desenvolver nesse contexto, avultavam - citando somente os mais emblemáticos - Supergirl, Brainiac, Bizarro e a Legião dos Super-Heróis. Se a participação de Otto Binder na conceção de Bizarro é por vezes contestada, é consensual que a versão mais conhecida do vilão é da sua autoria. Assim como outros elementos que, no decurso da Idade da Prata. se tornaram recorrentes nas aventuras do Superman. A saber: a Zona Fantasma, o relógio-sinalizador de Jimmy Olsen e a cidade engarrafada de Kandor, essa fascinante reminiscência da civilização kryptoniana.

Supergirl, uma das mais acarinhadas cocriações de Binder
 ao serviço da Editora das Lendas.
O estilo narrativo de Otto Binder correspondia, com efeito, ao epítome da Idade da Prata dos quadradinhos. Caracterizada, entre outros aspetos, pelos conflitos derivados da ansiedade das personagens e pelas tramas rocambolescas com reviravoltas a condizer. Não admira, portanto, que o trabalho de Otto Binder tenha feito escola, sendo emulado por muitos argumentistas da sua geração.
Mesmo depois de ter abandonado a DC por razões pessoais que mais adiante explanarei, Otto Binder não foi esquecido pelos seus pares. Quando, em 1972, foi publicada a primeira história do Capitão Marvel (entretanto renomeado de Shazam) com a chancela da Editora das Lendas, foi-lhe rendida uma singela homenagem. Desenhado pelo próprio C.C. Beck, Otto Binder surgia como um dos coadjuvantes do Mortal Mais Poderoso da Terra naquela edição histórica.
Ironicamente, a referida homenagem coincidiu com um dos períodos mais infaustos da vida de Otto Binder. Se na indústria dos comics trazia o sucesso e o prestígio à ilharga, fora dela a desdita fez-lhe marcação cerrada, sombreando-lhe os dias com as cores negras do fracasso e da tragédia.
No início dos anos 1960 - sem que daí adviesse prejuízo para o fenomenal trabalho que continuava a executar na DC - ,  Otto Binder foi cofundador e editor-chefe de Space World, um magazine de Astronomia. Vítima das fracas vendas, o projeto seria, porém , cancelado após 16 números, deixando Otto Binder em grandes apuros financeiros.
Apesar de ter hipotecado a própria casa e de ter desbaratado todas as suas poupanças, Otto continuava endividado até ao tutano. Não tendo, portanto, outro remédio se não adiar a sua reforma e o seu sonho  de se tornar escritor de ficção científica a tempo inteiro. O que não o impediu de dar largas à sua veia literária.

O falhanço de Space World deixou Otto Binder em maus lençóis.
Indefetível da controversa Teoria dos Astronautas Ancestrais, cujos postulados pseudocientíficos foram apresentados pela primeira vez em 1919 pelo escritor americano Charles Fort, Otto Binder foi o autor de dois livros dedicados ao assunto: Flying Saucers Are Watching Us (Os Discos Voadores Observam-nos, de 1968) e, em coautoria com Max Flindt, Mankind Child of Stars (Humanidade Filha das Estrelas, 1974). Ambas as obras serviram para Otto Binder sustentar a hipótese de a Humanidade ser uma espécie híbrida, resultado de experimentos de bioengenharia realizados por extraterrestres que visitaram o nosso planeta milénios atrás.

O primeiro dos dois livros de Otto Binder
dedicados à controversa Teoria dos Astronautas Ancestrais.
Crenças que nem a tragédia familiar sofrida anos antes conseguira abalar. Em 1967, a única filha do casal Binder (Mary, de apenas 14 anos) fora colhida mortalmente por um automóvel desgovernado à entrada da escola onde estudava.
Devastados, Otto e a esposa nunca recuperaram do desgosto. Enquanto ele afogava as mágoas na bebida, ela sufocava lentamente no abraço viscoso da depressão. Na viragem da década, já depois de Otto ter abandonado definitivamente a DC, o casal ainda ensaiou um novo começo fora de Nova Iorque. Uma fuga para a frente precocemente interrompida pelo falecimento da mulher.
Até ser fulminado por um ataque cardíaco em outubro de 1974 (escassos meses após o seu regresso a Nova Iorque), Otto Binder, apesar do espírito esmagado, devotou os últimos dias da sua vida à mais imorredoura das suas paixões: as histórias de ficção científica. Agora ao serviço da Pendulum Press, ganhava a vida a escrever adaptações aos quadradinhos de clássicos da literatura fantástica como Frankenstein e 20.000 Léguas Submarinas.
O reconhecimento, esse, seria tardio mas condigno. Em 2004, cumpridos trinta anos sobre o seu desaparecimento, o nome de Otto Binder seria inscrito no Will Eisner Hall of Fame. Seis anos antes de ser contemplado com um Bill Finger Award, galardão que, desde 2005, laureia (quase sempre a título póstumo) a nata dos escritores de banda desenhada.
Com menos pompa e circunstância, também os produtores de Supergirl não deixaram de homenagear o cocriador da Última Prima de Krypton. Otto Binder era o nome da ponte que, no episódio-piloto da série, a heroína de aço evita que seja destruída por um avião em queda.
Acredito, no entanto, que o maior tributo que poderá ser prestado a este gigante da Nona Arte consistirá na (re)descoberta da vastíssima obra que nos legou, e que merece ser reverenciada. Faço, por isso, votos para que esta minha modesta evocação de Otto Binder sirva esse propósito. A ele, o meu muito obrigado pelos momentos inesquecíveis que as suas histórias me proporcionaram. Sem elas,a minha infância teria sido decerto menos divertida e empolgante.

Otto Binder (1911-1974).
«O mérito é como os rios: quanto mais profundo, menos ruído faz.»
(George Halifax, estadista inglês do século XVII)

* http://bdmarveldc.blogspot.pt/2017/06/fabrica-de-mitos-quality-comics.html
** http://bdmarveldc.blogspot.pt/2016/11/herois-em-acao-tocha-humana.html