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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

HEROÍNAS EM AÇÃO: PSYLOCKE




   De simples coadjuvante das histórias do Capitão Britânia (de quem é irmã e que chegou a substituir temporariamente) a sex symbol mutante. Sucessivas metamorfoses deixaram Betsy Braddock irreconhecível. No decurso dos anos teve o visual, os poderes e até a etnia alterados. Prometendo, dentro de meses, arrasar no grande ecrã ao assumir papel de destaque no filme X-Men: Apocalipse.

Nome original da personagem: Psylocke
Licenciadora: Marvel Comics
Criadores: Chris Claremont (história) e Herb Trimpe (arte)
Primeira aparição como Betsy Braddock: Captain Britain nº8 (dezembro de 1976)
Primeira aparição como Psylocke: New Mutants Annual nº2 (outubro de 1986)
Identidade civil: Elizabeth "Betsy" Braddock
Espécie: Homo Superior (humana mutante)
Local de nascimento: Maldon,Essex (Reino Unido)
Parentes conhecidos: James e Elizabeth Braddock (pais falecidos), Brian Braddock (irmão gémeo), James "Jamie" Jr. (irmão) e Meggan Braddock (cunhada)
Afiliação: Atualmente reincorporada nas fileiras dos X-Men, Psylocke  passou anteriormente pelos Exilados, X-Force, S.T.R.I.K.E. e pela liga de assassinos conhecida como Tentáculo. Foi também o Cavaleiro da Morte ao serviço do vilão Apocalipse (papel que reassumirá na próxima longa-metragem dos X-Men).
Base de operações: móvel
Armas, poderes e habilidades: Nos primórdios da sua carreira como X-Man, Psylocke possuía essencialmente talentos telepáticos. Circunstância que lhe possibilitava ler e projetar pensamentos a grandes distâncias, controlar mentalmente ou afetar as memórias de terceiros. Detinha ainda a habilidade de emitir rajadas de energia psiónica passíveis de incapacitar ou mesmo matar os seus alvos (fossem eles orgânicos ou inorgânicos). Outro dos seus dons nesta fase consistia numa precognição limitada. Esporádicas e aleatórias, as suas premonições permitiam-lhe ter pequenos vislumbres do futuro imediato ou de possíveis eventos vindouros.
  Na sequência da sua transformação física numa ninja nipónica chamada Kwannon, à sua telepatia Psylocke acrescentou uma enorme proficiência em artes marciais e técnicas de combate. Extraordinariamente destra no manuseamento de armas brancas, passou igualmente a conseguir gerar adagas psíquicas que usava para danificar a mente e o sistema nervoso dos seus oponentes.
  Por um breve período de tempo, a heroína mutante desenvolveu a capacidade de se teleportar a si e a outros, mesmo para geografias distantes. Certa vez conseguiu transportar os seus colegas X-Men de um continente para outro. Acabaria no entanto por se ver privada deste poder pouco tempo depois de o ter adquirido. O mesmo sucedendo com os seus dons telepáticos, sacrificados para manter o Rei das Sombras aprisionado no Plano Astral. E que seriam posteriormente substituídos pela telecinésia herdada da Fénix.
  Quando aprendeu a dominar os seus novos poderes, Psylocke passou a conseguir forjar uma katana composta de pura energia psiónica. Arma que tanto lhe permite cortar as sinapses dos seus adversários como praticamente qualquer matéria física.Em combates mano a mano, a irmã gémea do Capitão Britânia serve-se frequentemente da sua telecinésia  para aumentar a sua força e velocidade.
   Acumulando presentemente telepatia e telecinésia, os poderes de Psylocke estão mais formidáveis do que nunca.Ao usá-los, uma aura energética em forma de borboleta emoldura-lhe o rosto. Fenómeno que nunca foi devidamente esclarecido pelo argumentistas. Persistindo, assim, a dúvida se será algo que poderá ser percecionado por terceiros ou se se tratará de um mero efeito gráfico para sinalizar junto dos leitores a ativação dos seus dons mutantes. Certo é que esta "borboleta" (descrita por vezes como tendo olhos nas suas asas) é a forma geralmente assumida pela heroína quando projeta a sua forma astral.
  Fabricada a partir de um metal desconhecido mas extremamente leve e resistente, a armadura usada por Psylocke confere proteção adicional ao seu corpo físico, especialmente contra ataques envolvendo projéteis ou rajadas de energia. Cortesia do seu colega de equipa Wolverine, que lhe ofertou o traje muitos anos atrás.

Visual primitivo de Psylocke antes da sua metamorfose física.

Biografia e histórico de publicação: Produto da imaginação do escritor Chris Claremont (perfil já publicado neste blogue), Elizabeth "Betsy" Braddock debutou em dezembro de 1976 nas páginas de Captain Britain nº8, título publicado pela filial britânica da Marvel Comics. Deste facto decorreram alguns equívocos envolvendo a ortografia da nomenclatura da personagem. Isto porque, nos EUA, se escreve "Elisabeth". Inconsistência linguística que demorou 32 anos a ser corrigida. Aconteceu em 2008, na série Exiles, quando Claremont impôs definitivamente a última letra do alfabeto no nome civil da sua criação.
  Introduzida como coadjuvante nas historietas do Capitão Britânia, a Betsy Braddock foi conferido o estatuto suplementar de irmã gémea do herói. Filhos de Sir James Braddock, um influente aristocrata inglês, Brian e Betsy (tal como Jamie, primogénito da família) cresceram num ambiente privilegiado. Havendo entre ambos uma intensa cumplicidade que perduraria pela vida fora.
  Apesar da falta de explicação para as mesmas, convencionou-se que Betsy seria detentora de habilidades psíquicas cuja total extensão se ignorava. Algum tempo depois seria revelado que ela era, afinal, portadora do gene X. Facto que fazia dela uma ilustre representante da espécie Homo Superior.

Psylocke estreou-se em Captain Britain nº8 (1976), título estrelado pelo seu irmão gémeo.


 Curiosamente, a primeira de muitas reconfigurações operadas na personagem verificou-se no respetivo campo profissional. Inicialmente retratada como uma piloto da aviação comercial, menos de um ano transcorrido sobre a sua estreia, Betsy passou a modelo de passarela. Mudança de ofício ocorrida em Super Spider-Man and Captain Britain nº243 (série semanal exclusivamente publicada no mercado inglês) e que se seguiu à morte do seu progenitor.
   Anos depois, em março de 1983, no terceiro número de Daredevils (outro título dado à estampa em Terras de Sua Majestade), o escritor Alan Moore (perfil também já publicado neste blogue) estabeleceu que Betsy seria uma operacional da STRIKE (congénere britânica da SHIELD). Seria nesta condição que a jovem exploraria os seus talentos psíquicos e sofreria a sua primeira metamorfose física. Pouco tempo após ter sido recrutada para as fileiras da agência governamental, Betsy, loura natural, tingiu o cabelo de púrpura. Opção estética que logo se tornaria uma das suas imagens de marca.
  O relançamento de Captain Britain, no princípio de 1986, trouxe nova guinada na trajetória de Betsy Braddock. Pouco depois de conhecer a mutante transmorfa Meggan, Brian Braddock abandonou a sua carreira heroica como Capitão Britânia. Assimilando os poderes do irmão, Betsy apresentou-se ao mundo como a nova defensora da Velha Albion. Contudo, por força da sua inexperiência,foi derrotada sem apelo nem agravo na batalha que a opôs ao Mestre dos Assassinos. Num ato de pura crueldade, o vilão perfurou os olhos de Betsy, cegando-a. Sedento de vingança, Brian reassumiu o manto de Capitão Britânia e tirou a vida ao algoz da sua irmã.

Betsy Braddock como Capitão Britânia.
 
  Nesse mesmo ano, Chris Claremont introduziu Betsy Braddock nas histórias dos X-Men. Numa aventura dos Novos Mutantes publicada em New Mutants Annual nº2, depois de raptada pelo vilão extradimensional Mojo, a jovem foi submetida a uma lavagem cerebral e teve as suas córneas danificadas substituídas por olhos biónicos. História que assinalou, também, a primeira vez em que Betsy foi referenciada como Psylocke.
  Depois de resgatada pelos Novos Mutantes, Psylocke encontrou abrigo na Escola Xavier, à época dirigida por Magneto devido à ausência do Professor X. Ainda que de forma involuntária, a jovem fez trabalho de espionagem para Mojo.Os olhos biónicos que o vilão lhe aplicara durante o seu período de cativeiro funcionavam como câmaras. Assim, tudo o que Psylocke via era registado e retransmitido a Mojo.
   Olhada com desconfiança por alguns dos seus colegas, Psylocke provou a sua coragem e lealdade durante Massacre de Mutantes (saga já aqui analisada). Quando a Escola Xavier foi invadida por Dentes-de-Sabre, a jovem, mesmo sem possuir habilidades de combate, logrou atraí-lo para longe da enfermaria onde se encontravam os mutantes feridos até à chegada de Tempestade e Wolverine. Usando depois as suas habilidades telepáticas para perscrutar a mente do vilão,  e assim descobrir a identidade do verdadeiro mentor da carnificina que dizimara os Morlocks. Atos de bravura recompensados com a sua admissão na equipa.

Foi nesta edição anual dos Novos Mutantes, datada de outubro de 1986, que Betsy Braddock  adquiriu oficialmente o codinome Psylocke.
 
  Outro episódio capital na vida de Psylocke ocorreu em finais de 1989. Em Uncanny X-Men nº251 (de novembro desse ano), após ficar amnésica na sequência de uma viagem interdimensional, a heroína foi capturada em território chinês pelo Tentáculo. Durante o período de cativeiro que se seguiu, ela foi submetida a lavagem cerebral e teve a sua consciência transferida para o corpo de uma ninja japonesa chamada Kwannon. Adquirindo assim o visual que se tornou icónico. A sua reprogramação mental incluiu também sofisticadas técnicas de combate, que conservou mesmo depois de ter sido libertada por Wolverine. E que passou a acumular com os teus talentos telepáticos.
   Nos alvores deste século, mais precisamente em 2001, Psylocke foi morta nas páginas de X-Treme X-Men nº2 (título escrito por Chris Claremont, seu criador). Assim permanecendo durante quatro anos, altura em que foi revivida pelo próprio Claremont em Uncanny X-Men nº455. No entanto, ao invés do que seria expectável, a personagem não regressou às histórias dos Filhos do Átomo. Em vez disso, mudou-se de armas e bagagens para Exiles, um spin-off da franquia dos X-Men ambientado numa realidade paralela. Com o cancelamento da série, no início de 2009, Psylocke, qual filha pródiga, retornou ao universo canónico da Marvel e às páginas de Uncanny X-Men. Transferindo-se no ano seguinte para a nova X-Force liderada por Wolverine.
  Mais perturbada e sanguinária do que nunca, na atual cronologia da Casa das Ideias (All-New Marvel NOW!) Psylocke começou por fazer parte do renovado elenco da X-Force (agora liderada por Cable). Acabando, no entanto, por afastar-se do grupo na sequência de diversos incidentes violentos por ela protagonizados.Admitindo estar viciada em matar, por ser essa a única maneira de sentir algo, a jovem recuperaria pouco depois o seu estatuto de membro de pleno direito dos X-Men.

Psylocke e a sua katana psiónica ao serviço dos Exilados, versão alternativa dos X-Men.

Relacionamentos amorosos: Tão extenso como o rol de transformações de Psylocke é o seu currículo amoroso. Sedutora compulsiva e com uma sensualidade à flor da pele, a jovem heroína manteve um sortido de romances mais ou menos inconsequentes ao longo dos anos.
  Enquanto membro da Divisão Psíquica da STRIKE, envolveu-se com um colega de equipa chamado Tom Lennox. Este morreria, porém, pouco tempo depois ao tentar defendê-la. Como o casal estava conectado através de um elo telepático criado por Psylocke, ela vivenciou mentalmente a morte do amante. Episódio trágico que a traumatizou profundamente.
  Após o seu regresso aos X-Men, habitando já o corpo de Kwannon, Psylocke manipulou telepaticamente Ciclope, induzindo-o a sucumbir aos seus encantos. Quando eliminou finalmente os últimos resquícios da personalidade da sua hospedeira, Betsy apresentou um pedido de desculpas a Jean Grey pela sua conduta, alegando que esta fora motivada pelo subconsciente de Kwannon. Intimamente, porém, ambas as mulheres estavam cientes de que a atração de Psylocke pelo líder dos X-Men fora genuína.
  Ainda durante a sua estada na Mansão X, a heroína britânica teve um fugaz affair com Arcanjo. O casal concordou, no entanto, em pôr-lhe um ponto final, tantas eram as diferenças entre eles.

Arcanjo e Psylocke: os opostos atraem-se, mas logo se repelem.

  Aquando da sua primeira passagem pelos Exilados, Psylocke aventurou-se num relacionamento de combustão rápida com Dentes-de-Sabre. Quando a química sexual entre ambos se extinguiu, ela e Arcanjo reaproximaram-se, na esperança de um reatamento que acabaria por não acontecer. Seguindo-se então um romance bissexual de Psylocke com o também mutante Fantomex e a sua contraparte feminina, quando o trio fez parte da rediviva X-Force liderada por Cable. Que acabaria, por sua vez, por engrossar a lista de conquistas amorosas da jovem.

Bela e perigosa como uma nevasca.

Noutros media: Após a sua radical mudança de visual em 1989, Psylocke tornou-se uma das mais icónicas e carismáticas personagens femininas dos quadradinhos. Sem surpresa, a sua enorme popularidade entre os leitores abriu-lhe caminho para outras experiências mediáticas. Numa primeira fase por via da sua participação em jogos de vídeo baseados no universo dos X-Men, Psylocke foi arregimentando uma considerável legião de fãs. Chegando mesmo a disputar com Lara Croft o título de maior sex symbol virtual
   Ao ecrã do computador e da consola, sucedeu o da TV. Com efeito, a sua estreia televisiva registou-se em 1996, num par de episódios da terceira temporada da série animada X-Men. Surgindo retratada como uma guerreira solitária que roubava por uma causa. Nesta sua encarnação, Psylocke exibia uma notável habilidade para projetar as suas adagas psíquicas, trespassando matérias orgânicas e inorgâncias. Apesar de fazer referências a um irmão, em momento algum este é identificado como sendo o Capitão Britânia.
  Embora fisicamente ausente do grande ecrã, o nome de Psylocke era um dos que figurava na lista de mutantes arquivada no computador do coronel Stryker, pirateado por Mística em X-Men 2 (2003). No capítulo seguinte da franquia (X-Men 3: O Confronto Final, 2006), ela surge como uma vilã menor, interpretada pela atriz Meiling Melaçon. Não sendo, contudo, certo se a personagem em questão seria Betsy Braddock ou Kwannon.
 Em 2011, Psylocke foi uma das oito mutantes que o portal de entretenimento IGN desejava ver incluídos na sequela de X-Men: First Class. Todavia, apesar de, num primeiro rascunho do guião de
X-Men: Days of  Future Past, estar prevista a sua participação no filme, tal acabaria por não se verificar.
  Frustração que os fãs da heroína verão compensada já em maio, quando chegar às salas de cinema de todo o mundo o tão aguardado X-Men: Apocalypse. Película em que Psylocke - a quem a deslumbrante Olivia Munn emprestará corpo e alma - terá certamente papel de relevo, já que será um dos Quatro Cavaleiros de Apocalipse.

Uma das primeiras fotos oficiais de Olivia Munn como Psylocke em X-Men: Apocalipse postas a circular no ciberespaço.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

EM CARTAZ: «X-MEN: PRIMEIRA CLASSE»





  Nesta prequela que esteve para ser um spin-off de Magneto e acabou por se converter no capítulo inaugural de uma nova e bem-sucedida trilogia cinematográfica dos X-Men, são revisitados os primórdios da causa mutante que ditou a separação de dois velhos amigos, colocando-os em lados opostos da barricada.


Título original: X-Men: First Class
Ano: 2011
País: Estados Unidos da América
Duração: 132 minutos
Género: Ação/Aventura/Fantasia
Produtores: Bryan Singer, Simon Kinberg, Gregory Goodman e Lauren Shuler Donner
Realização: Matthew Vaughn
Argumento: Jane Goldman, Ashley Edward Miller e Zack Stentz
Distribuição: 20th Century Fox
Elenco: James McAvoy (Professor Charles Xavier), Michael Fassbender (Erik Lensherr/Magneto), Rose Byrne (Moira MacTaggert), Jennifer Lawrence (Raven Darkholme/Mística), January Jones (Emma Frost/ Rainha Branca), Nicholas Hoult (Dr. Hank McCoy/Fera), Jason Flemyng (Azazel), Lucas Till (Alex Summers/Destrutor), Edi Gathegi (Armando Muñoz/Darwin), Kevin Bacon (Dr. Klaus Schmidt/Sebastian Shaw), Caleb Landry Jones (Sean Cassidy/Banshee), Zoe Kravitz (Angel Salvadore) e Álex González (Janos Quested/Maré Selvagem)
Orçamento: 150 milhões de dólares
Receitas: 353,6 milhões de dólares

Uma causa, vários destinos.

Desenvolvimento: Durante a rodagem de X-Men 2 (2003), a produtora Lauren Shuler Donner debatera com a restante equipa a possibilidade de realização de um filme retratando a origem das personagens. A ideia foi bem acolhida e voltaria a ser aflorada aquando das filmagens do terceiro capítulo da saga. Zak Penn, um dos argumentistas de X-Men 3: O Confronto Final (2006), chegou mesmo a ser contratado para escrever e dirigir o spin-off. O projeto seria, contudo, abandonado pouco tempo depois.
   Em 2007, o próprio Zak Penn explicaria o que esteve na origem dessa decisão: "Inicialmente, a ideia consistia em que eu fizesse um filme mostrando os antecedentes da fundação dos X-Men. No entanto, Mike Chamoy, um tipo com quem eu trabalhara muito em X-Men 3, apresentou uma ideia mais interessante: e se fizéssemos um filme sobre a origem das personagens, que não fosse exatamente o que os fãs esperavam?"
  Paralelamente, os estúdios da Fox tinham dado luz verde a um projeto semelhante, mas focado exclusivamente na história de Magneto. Segundo Sheldon Turner, o argumentista contratado para escrever o enredo, este desenrolar-se-ia no período compreendido entre 1939 e 1955, e mostraria a luta pela sobrevivência de Erik Lensherr em Auschwitz. O filme chegou a ter data de estreia marcada para 2009, mas acabaria por sofrer diversos atrasos por causa da greve dos argumentistas que praticamente paralisou Hollywood nos dois anos anteriores.

De indesejado, Matthew Vaughn passou a aclamado.
   Depois de ler o arco de histórias X-Men: First Class (originalmente publicado pela Marvel Comics entre setembro de 2006 e abril de 2007), o produtor Simon Kinberg propôs à Fox que o adaptasse ao cinema. Por considerar que a saga não seguia uma linha narrativa inovadora, Kinberg não desejava que a adaptação lhe fosse demasiado fiel. Tanto ele como Lauren Donner pretendiam introduzir personagens novas, com poderes e visuais diferentes, mesmo que habitualmente não coabitassem nos comics. O avanço do projeto dependeria, porém, do sucesso do filme a solo de Magneto.
   Em 2008, Josh Schwartz aceitou escrever o argumento de X-Men: First Class, embora tenha declinado o convite para assumir também a sua realização. Bryan Singer (cineasta que dirigira as duas primeiras aventuras cinematográficas dos pupilos do Professor X), seria então sondado pela Fox. Apesar de se mostrar recetivo à ideia, Singer deixou claro que pretendia fazer uma abordagem muito diferente à história.
  Com o anúncio oficial do cancelamento do spin-off de Magneto por parte da Fox, o argumento da prequela dos X-Men foi reescrito. Por sugestão de Lauren Donner, o Clube do Inferno foi incluído na nova trama. A qual giraria, também, em torno daquilo que aproximava e afastava Charles Xavier e Erik Lensher, e de como essa dinâmica entre ambos influenciava a causa mutante.
  Tudo parecia bem encaminhado até que, em outubro de 2010, devido ao seu compromisso com a transposição de Jack, o Caçador de Gigantes ao grande ecrã, Bryan Singer desistiu da realização de X-Men: First Class. Manter-se-ia contudo vinculado ao projeto, embora na qualidade de produtor.
  Devido a esta contrariedade, a Fox começou imediatamente à procura de um substituto para Singer. Um dos nomes inicialmente excluídos foi precisamente o de Matthew Vaughn. Cineasta que, anos antes, fora o eleito para dirigir o terceiro filme dos X-Men, mas que preferira assumir a realização do satírico Kick-Ass (2010).
  No entanto, num daqueles volte-faces tão típicos das produções hollywoodescas, Vaughn seria mesmo o escolhido para ocupar a cadeira de realizador de X-Men: First Class. Sob a sua batuta, as filmagens arrancariam em outubro de 2010, nos estúdios Pinewood e em várias cidades da Geórgia. Não sem antes o enredo ter sido novamente reescrito. Um dos elementos removidos foi um triângulo amoroso envolvendo Xavier, Eric e Moira MacTaggert.
  Em retrospeto, Matthew Vaughn avalia assim o seu trabalho na prequela dos X-Men: "A minha principal preocupação foi fazer um bom filme, sólido o suficiente para se impor por si próprio. E que, ao mesmo tempo, servisse para revitalizar a franquia." Objetivo cumprido com distinção, visto que X-Men: First Class, além de um bem-sucedido reboot, foi também o capítulo inicial de uma nova trilogia estrelada pelos Filhos do Átomo.

Diversidade mutante.

Enredo: Em 1944, num campo de concentração nazi localizado algures na Polónia ocupada, o Dr. Klaus Schmidt testemunha o momento em que um pequeno prisioneiro curva mentalmente um portão metálico enquanto é apartado da sua mãe.
  Logo depois, mãe e filho são conduzidos ao gabinete de Schmidt. O nome do garoto é Erik Lensherr e Schimdt ordena-lhe que use as suas habilidades para mover uma moeda pousada sobre a sua secretária. Transido de medo, Erik não consegue atender o pedido  e vê a sua progenitora ser abatida a sangue-frio pelo médico. O choque faz com que os poderes do rapaz se manifestem, matando dois soldados e destruindo o gabinete antes de ser subjugado.
  Enquanto isso, a um continente de distância, numa sumptuosa mansão situada na periferia de Nova Iorque, um menino com dons telepáticos conhece uma pequena transmorfa, cuja verdadeira aparência é azulada e escamosa. Radiante por finalmente encontrar alguém também diferente, o pequeno Charles Xavier (assim se chamava o menino) convida Raven Darkholme a morar com a sua família. A partir desse dia, os dois tornam-se amigos inseparáveis e irmãos adotivos.
  Dezoito anos volvidos, em 1962, Erik Lensherr anda na peugada do assassino da sua mãe, enquanto Charles Xavier conclui o seu percurso académico em Oxford com uma revolucionária tese sobre mutações genéticas. Em Las Vegas, a operacional da CIA Moira MacTaggert segue o Coronel Hendry até ao Clube do Inferno. Grémio elitista e envolto em secretismo presidido por Sebastian Shaw, a nova identidade do Dr. Klaus Schmidt. Do seu  círculo interno fazem também parte Emma Frost (uma poderosa telepata), Azazel (um teleportador de aparência demoníaca) e Maré Selvagem ( mutante capaz de rodopiar o corpo a grande velocidade).
  Coagido por Shaw e teletransportado por Azazel para o Centro de Comando Militar nos arredores de Washington, D.C., Hendry cede os códigos de lançamento dos mísseis nucleares americanos instalados na Turquia. Levado novamente à presença de Shaw (que é, afinal, um mutante absorvedor de energia), é morto por ele.
Sebastian Shaw e Emma Frost: Rei Negro e Rainha Branca do Clube do Inferno.

  Procurando o conhecimento científico de Xavier sobre mutações genéticas, Moira MacTaggert leva-o a participar numa reunião no quartel-general da CIA. Ambos convencem o diretor da agência da existência de mutantes e da ameaça que Sebastian Shaw representa. É então criada a ultrassecreta Divisão X, com a finalidade de recrutar e treinar mutantes.
 Xavier e MacTaggert descobrem o paradeiro de Sebastian Shaw quando este está a ser atacado por Erik Lensherr. O líder do Clube do Inferno logra contudo escapulir-se, enquanto Xavier salva Erik de uma morte por afogamento.
  Persuadido a juntar-se à Divisão X, Erik descobre ter várias afinidades com Xavier e a amizade entre ambos vai-se consolidando à medida que o tempo passa. Os dois travam entretanto conhecimento com Hank McCoy, um jovem cientista mutante com pés preênseis, firmemente convencido de que o ADN de Raven Darkholme poderá conter a cura para a sua deformidade.

Charles Xavier e Erik Lensherr, amigos que o tempo deixou de costas voltadas.

  Xavier utiliza Cérebro, o dispositivo eletrónico concebido por McCoy para detetar Homo Superiores, para recrutar mutantes para a Divisão X. Entre os engajados incluem-se a stripper Angel Salvadore, o taxista Armando Muñoz, o recluso Alex Summers e o presunçoso Sean Cassidy. Uma vez reunidos e treinados, todos eles adotam codinomes.
 Quando, semanas depois, Emma Frost se encontra com um general soviético, Xavier e Erik capturam a concubina de Sebastian Shaw, descobrindo através dela que o vilão pretende deflagrar a III Guerra Mundial, para assim abrir caminho à ascensão do Homo Superior.
  Em retaliação, Sebastian Shaw e alguns dos seus apaniguados invadem a Divisão X, chacinando todos os humanos que encontram pela frente, mas deixando vivos os mutantes. Estes são convidados pelo líder do Clube do Inferno a juntarem-se a ele na nova ordem mundial. No entanto, apenas Angel Salvadore aceita o convite. Quando Sean Cassidy e Armando Munõz procuram impedi-la, o segundo é assassinado por Shaw.
 Com as instalações da Divisão X destruídas, Xavier decide levar os membros remanescentes para a mansão da sua família. Em Moscovo, Shaw compele um general soviético a instalar mísseis nucleares em Cuba. Usando um capacete bloqueador de sondagens telepáticas, o vilão recorre a um submarino para acompanhar o trajeto da frota soviética, por forma a assegurar-se de que esta não será travada pelo bloqueio naval norte-americano entretanto montado no perímetro da ilha.
  Raven, convicta de que McCoy se sentia atraído por ela na sua forma verdadeira, dissuade-o de testar a cura. Mais tarde recorre a múltiplas formas femininas para tentar seduzir Erik, que a faz perceber que ela é naturalmente bonita, dispensando portanto tais ardis.

Mística: sedução e insídia em tons de azul.

  Ao inocular em si mesmo um soro produzido a partir do ADN de Raven, McCoy sofre uma mutação secundária, em consequência da qual adquire um aspeto ferino com uma exuberante penugem azul-cobalto.     A bordo de um sofisticado jato supersónico, o grupo voa até à linha de bloqueio montada pela Armada norte-americana. Erik usa os seus poderes magnéticos para retirar o submarino de Shaw do mar, depositando-o de seguida em terra.
  Durante a refrega que se segue entre os X-Men e os acólitos do Clube do Inferno, Erik consegue arrancar o capacete de Shaw, permitindo dessa forma a Xavier imobilizá-lo psionicamente. Apesar das objeções de Xavier, Erik mata Shaw perfurando-lhe o cérebro com a mesma moeda que o vilão usara para testar as suas habilidades no campo de concentração nazi. Enquanto Shaw agoniza, Erik declara compartilhar da sua visão da supremacia mutante, mas que o desejo de vingar a morte da  mãe se sobrepõe ao ideal em comum.
  Temendo os mutantes, as frotas americana e soviética disparam mísseis sobre eles. Agastado, Erik usa os seus poderes para devolvê-los à procedência. Para tentar detê-lo, Moira MacTaggert abre fogo sobre Erik, mas ele deflete magneticamente as balas, uma das quais atinge acidentalmente a coluna vertebral de Xavier.
  Correndo para socorrer o amigo, Erik permite que os mísseis caiam no mar sem ferirem ninguém. Após uma breve troca de impressões entre ambos acerca das suas visões distintas sobre o papel dos mutantes no mundo, Erik parte, levando consigo Angel Salvadore, Azazel, Maré Selvagem e Mística.
  Agora paraplégico e contando com a  cumplicidade de Moira MacTaggert, Charles Xavier funda uma escola secreta para mutantes. Ao mesmo tempo, longe dali, Erik Lensherr (autodenominando-se Magneto), liberta Emma Frost do seu confinamento.
   
Trailer:




Curiosidades: 

* Na sua preparação para o papel de Charles Xavier, James McAvoy decidiu rapar por completo a cabeça. Os produtores pretendiam, no entanto, que a versão jovem da personagem dispusesse de uma farta cabeleira. Circunstância que obrigou o ator a usar perucas e extensões capilares durante as filmagens;
* Às características de personalidade de Sebastian Shaw na BD, o seu avatar cinematográfico acrescenta as de Josef Mengele, médico nazi que, durante a II Guerra Mundial, se notabilizou pelas suas tenebrosas experiências eugénicas realizadas principalmente em crianças judias;
* Os uniformes azuis e amarelos usados pelos X-Men na película constituem uma homenagem ao guarda-roupa original da equipa nos quadradinhos. De realçar que as partes amarelas dos trajes foram confecionadas com um raríssimo tipo de seda chinesa, o que encareceu significativamente a sua produção;
* Depois de X-Men 2 (2003), este foi o segundo filme dos heróis mutantes em  que Stan Lee não fez um cameo. Motivo: a longa distância que o nonagenário Papa da Marvel teria de percorrer até ao local onde decorriam as gravações (Jekyll Island, ao largo da costa do estado da Geórgia);
* Diversas peças do figurino da Mística usadas por Rebecca Romijn-Stamos na primeira trilogia dos X-Men foram reaproveitadas por Jennifer Lawrence;
* Os pelos azuis que recobrem o corpo do Fera no filme foram feitos a partir da penugem de uma raposa do Ártico;
* A primeira formação de X-Men apresentada no filme surge como um reflexo simbólico do elenco original da equipa na BD. Assim, além do Professor X e do Fera que integraram ambas as versões, temos o Destrutor a fazer as vezes do Ciclope (são irmãos nos quadradinhos); Banshee no lugar do Anjo (ambos voam); Mística no papel de Jean Grey (eram ambas as únicas representantes do sexo feminino nas respetivas equipas); por fim, é possível traçar um paralelismo entre os poderes elementais de Magneto e os do Homem de Gelo;
* O filme recupera um conceito outrora central no Universo Marvel: as mutações genéticas causadas pela radiação. Em anos mais recentes, o fenómeno passou a ser explicado pela bioengenharia ou pela evolução da espécie humana.

O poder de Magneto.

Veredito:  79%


   Depois do passo em falso dado com X-Men 3 - O Confronto Final (filme muito injustiçado pela crítica e pelos fãs, conforme já aqui sustentei), o futuro dos heróis mutantes no grande ecrã tornou-se uma incógnita. Receando virem a perder uma das suas galinhas dos ovos de ouro, a Marvel e a Fox sabiam ser imperativo relançar a franquia. A questão era como fazê-lo. Oscilando entre as hipóteses spin-off ou prequela, a escolha recaiu sobre a segunda. E não poderia ter sido uma opção mais acertada. Tanto mais que, pelo meio, houve um filme a solo do Wolverine que muito deixou a desejar.
  Uma das principais mais-valias do filme reside no facto de ser ambientado na década de 60 do século passado. Época caracterizada pela efervescência social e política (captada, de resto, em vários elementos da trama) e a que remontam as origens dos X-Men (e de uma grande parte de outros notáveis inquilinos da Casa das Ideias). Este registo retro seria suficiente, por si só, para atribuir um toque de charme revivalista à história. Que possui, no entanto, muitos outros pontos fortes.
  Explorando a importância do autoconhecimento e da amizade num mundo que tolera mal a diferença, a narrativa adquire maior intensidade dramática por via do primor das interpretações. Relevando dentre estas a de Michael Fassbender, competentíssimo a suceder a Ian McKellen no papel de Mestre do Magnetismo. Em nenhum outro filme dos X-Men é tão bem retratada a ambiguidade moral daquele que é, indiscutivelmente, um dos melhores supervilões da história da 9ª arte.Conquanto ele não se reveja nesse estatuto.
  Espetaculares, os efeitos visuais empregues na película acabam por ser a cereja em cima do bolo. Do qual ninguém quererá apenas comer uma fatia. Porque - acreditem- é de comer e chorar por mais!
  Mesmo quem não seja  fã de super-heróis (e dos X-Men, em particular) conseguirá decerto identificar-se com algumas das personagens que vão desfiando o seu rosário de dramas e dilemas no ecrã. E que, apesar da sua singularidade cromossomática (ou por causa dela) se assumem como filhas bastardas da humanidade. Aquela que os chamados Homo Superiores tentam a todo custo destruir ou proteger, sendo temidos e odiados em qualquer um dos casos. Convidando assim os espectadores a tomarem partido entre as duas visões antagónicas de uma mesma causa. Xavier ou Magneto? De que lado ficaríamos se tivéssemos nascido com dons extraordinários num mundo que nos olhasse de soslaio? 
 Das cinco longas-metragens dos Filhos do Átomo já produzidas, atribuo a X-Men: First Class (ex aequo com X-Men 2), a medalha de ouro. Se ainda não o viram, tratem de ver, pois não sabem o que estão a perder. Se já o viram, tratem de revê-lo, porque os clássicos devem ser revisitados com regularidade.

    
Xavier ou Magneto? Escolham o vosso lado.

     

sábado, 3 de outubro de 2015

DO FUNDO DO BAÚ: «MASSACRE DE MUTANTES»




   Nos túneis subterrâneos de Nova Iorque está aberta a caça aos Morlocks. Longe do olhar dos cidadãos comuns e perante a impotência dos heróis, essa comunidade de párias mutantes é o alvo primário de uma matança planificada. Que deixará também cicatrizes profundas nos sobreviventes.

Título original da saga: Mutant Massacre ou Morlock Massacre
Data de publicação: Outubro a dezembro de 1986
Licenciadora: Marvel Comics
Autores: Chris Claremont, Louise Simonson, Jon Bogdanove, Jackson Guice e Walter Simonson
Títulos abrangidos: Uncanny X-Men 210 a 213, X-Factor nº9 a 11, New Mutants nº46, Power Pack nº27 e Thor nº373 a 374
Personagens principais: X-Men, X-Factor, Senhor Sinistro, Morlocks, Carrascos, Thor, Novos Mutantes e Quarteto Futuro (Power Pack)

Capa da compilação de Mutant Massacre editada em 2001.

Edição em Português: No Brasil a saga foi publicada originalmente pela Abril entre maio e agosto de 1991, nos números 31 a 34 da primeira série de X-Men. Em julho de 2013 chegou às bancas uma compilação de Massacre de Mutantes sob os auspícios da Panini Comics.

Reedição da saga com o selo da Panini brasileira.

Desenvolvimento: Quando urdiu a trama ao longo da qual se desenrolaria a matança sistemática dos Morlocks, Chris Claremont (vide perfil já publicado neste blogue) tencionava circunscrevê-la às páginas de Uncanny X-Men. Contudo, Louise Simonson, à época argumentista de X-Factor, tinha um entendimento diferente. Na sua opinião, atendendo à magnitude e ao alcance da saga, seria preferível espraiá-la pelos títulos subsidiários dos X-Men (X-Factor e New Mutants).
  Em virtude dessa alteração de planos editoriais, os dois escritores trocaram entre si rascunhos e sinopses das suas histórias. O objetivo era encontrar pontos de contacto entre elas. Tarefa que se revelou, porém, assaz complicada. Motivando por isso uma extenuante maratona de conferências telefónicas entre os coautores de Massacre de Mutantes.
  Questionada anos mais tarde sobre o balanço que fazia da experiência de coordenar todas as linhas narrativas que formavam a tecitura da saga, Louise Simonson desabafou: "Foi horrível! Nem sei como podemos estar a pensar fazer tudo outra vez!" A escritora referia-se a Fall of the Mutants (Queda dos Mutantes), sequela não assumida de Massacre de Mutantes lançada pela Marvel Comics em 1988. A despeito das dificuldades que essa opção suscitara no passado, o enredo entroncava, uma vez mais, em vários títulos da editora.
  Walter Simonson, responsável pelos segmentos de Thor em Massacre de Mutantes, foi menos lacónico nas suas considerações sobre a saga. Nas palavras do marido de Louise, "a ideia não passava por transformar o enredo numa espécie de colar de contas que o leitor teria de desfiar uma a uma para que a história fizesse sentido". Uma solução desse tipo obrigaria à aquisição de todos os títulos abrangidos pela saga. Esforço financeiro que não estaria decerto ao alcance de todos. A alternativa passou por um modelo narrativo que fazia lembrar uma árvore em que cada um dos seus ramos fornecia ao leitor uma perspetiva geral dos eventos em curso. Claro que teria mesmo de abrir os cordões à bolsa quem quisesse ver a árvore completa.

O casal Walter e Louise Simonson. Partiu dela a ideia de interligar os vários títulos X.

Mapa para a leitura  de  Massacre de Mutantes.


Porque se escondiam os Morlocks no subsolo de Nova Iorque?


Callisto, líder dos Morlocks.

  Incapazes de passarem despercebidos no mundo da superfície devido às suas aparências grotescas, os Morlocks acoitaram-se nos esgotos e túneis subterrâneos da Cidade Que Nunca Dorme. O nome dessa comunidade de párias mutantes foi inspirado nas personagens homónimas de Time Machine, romance escrito por H.G. Wells em 1895.
  Conceito desenvolvido por Chris Claremont e Paul Smith, os Morlocks fizeram a sua primeira aparição em Uncanny X-Men nº169 (maio de 1983). Inicialmente pacífica, ao longo dos anos a comunidade acabaria no entanto por envolver-se em diversos incidentes com a sociedade da superfície.Calisto, Caliban, Masque e Talho (Sander, na versão original) foram os seus fundadores. Tanto este quarteto como os demais Morlocks foram, porém, produtos da bioengenharia executada pelo Fera Negro, a contraparte malévola do Fera proveniente da Era do Apocalipse.

Quem eram os Carrascos?

  Criação conjunta de Chris Claremont e John Romita Jr., os Carrascos (Marauders, em inglês) entraram em cena pela primeira vez em outubro de 1986, nas páginas de Uncanny X-Men nº210, precisamente no âmbito de Massacre de Mutantes. Cronologicamente, a origem da equipa remonta, no entanto, à época vitoriana, quando o Senhor Sinistro ainda respondia pelo nome Nathaniel Essex.

Senhor Sinistro, autor moral da carnificina. 

  Essa versão primitiva dos Carrascos era composta por criminosos comuns contratados por Essex para raptarem indigentes que lhe serviriam depois de cobaias nas suas tenebrosas experiências genéticas.
  Na sua encarnação moderna, o grupo reúne assassinos mutantes a soldo do Senhor Sinistro. Era este o seu elenco durante a saga:

- Maré Selvagem (Riptide): Janos Questad era capaz de girar o seu corpo a supervelocidade e arremessar shurikens em todas as direções, provocando fortes danos nos seus alvos. Foi a primeira baixa da equipa, ao ter o seu pescoço partido por um enfurecido Colossus;
- Dentes-de-Sabre (Sabretooth): Victor Creed, velho conhecido dos X-Men com poderes similares aos de Wolverine (sentidos aguçados, fator de cura acelerado, força ampliada, etc.);
- Arco Voltaico (Arclight): Philipa Sontag possui a habilidade de desencadear ondas de choque que podem assumir a forma de pequenos sismos localizados ou de vagas de água. Serviu nas fileiras do Exército americano durante a Guerra do Vietname, sendo ainda assombrada por essas memórias. Nutria um discreto interesse romântico pelo Caçador de Escalpos;
- Embaralhador (Scrambler):  benjamim do grupo, o sul-coreano Kim Il Sung consegue, através do toque, manipular poderes e sistemas, sejam eles biogenéticos, eletromagnéticos ou tecnomecânicos. É retratado como um psicopata sádico e narcisista, mais preocupado com a sua aparência do que com o sofrimento que inflige às suas vítimas ;
- Maligna (Malice): uma das lugares-tenentes do Senhor Sinistro, tinha o poder de possuir os corpos das suas vítimas, controlando-as a seu bel-prazer. Ao longo de grande parte da saga usou o corpo da  antiga X-Man Polaris como invólucro para a sua forma fantasmagórica. Devido à sua desobediência, seria aparentemente assassinada pelo seu empregador;
- Arrasa-Quarteirão (Blockbuster): Michael Baer era um gigante alemão dotado de força descomunal. Antes de se juntar aos Carrascos, colaborara com organizações terroristas no seu país natal. Apesar do seu nível de poder, foi morto por um único golpe desferido por Thor com o seu Mjolnir;
- Caçador de Escalpos (Scalphunter): John Greycrow, um cruel mercenário que é também o estratega da equipa. Reponde apenas perante Maligna ou reporta diretamente ao Senhor Sinistro. A sua habilidade mutante consiste em reconfigurar qualquer dispositivo tecnológico numa arma. Dispõe igualmente de extraordinárias capacidades regenerativas que lhe retardam o envelhecimento. Foi graças a elas que sobreviveu ao fuzilamento de que foi alvo em 1944, depois de ter chacinado e escalpado oito companheiros de armas;
- Vertigo: detém a habilidade de induzir psionicamente vertigens nos seus oponentes, deixando-os desorientados ou derrubando-os;
- Prisma (Prism): assassino altivo e frio que subestima frequentemente a fragilidade do seu corpo cristalino, o qual pode defletir a maior parte dos ataques energéticos mas não resiste a impactos físicos;
- Arpão (Harpoon): Kodiak Noatak, um jovem índio que pode carregar objetos(geralmente a arma de arremesso de onde retira o seu codinome) com bioenergia. Os efeitos causados nos seus alvos podem ir desde o simples atordoamento à eletrocussão.

Os Carrascos (pela ordem acima apresentada).


Qual a relação entre os X-Men e o X-Factor?




  Nos seus primórdios, o X-Factor (grupo idealizado por Bob Layton e Jackson Guice) agrupava o quinteto fundador dos X-Men:

- Homem de Gelo (Iceman): o irreverente Bobby Drake foi agraciado com habilidades criocinéticas que lhe permitem manipular o gelo e a neve congelando a humidade presente no meio ambiente;
- Garota Marvel (Marvel Girl): poderosa telepata dotada de telecinesia, a ressuscitada Jean Grey mantinha há muito uma relação amorosa com Ciclope;
- Ciclope (Cyclops): líder do grupo, Scott Summers nasceu com a capacidade de emitir potentes rajadas óticas;
- Fera (Beast): uma das mais prodigiosas mentes científicas do planeta, Hank McCoy possui força, agilidade e velocidade sobre-humanas. Depois de largos anos com uma aparência animalesca, Hank recuperou o seu aspeto humano;
- Anjo (Angel): herdeiro de uma das maiores fortunas dos EUA, Warren Worthington III consegue voar graças ao enorme par de asas brancas com que nasceu.
O batismo de fogo da equipa em X-Factor nº1 (fevereiro de 1986).

Enredo: Em Los Angeles, a jovem mutante chamada Tommy e o seu namorado do Clube do Inferno, Richard Salmons, são atacados pelos misteriosos Carrascos. Tommy era uma ex-Morlock que  fugira dos túneis subterrâneos nova-iorquinos na sequência da morte de alguns amigos seus às mãos de membros dessa bizarra comunidade. Resgatada por Salmons e acolhida pelo Clube do Inferno, Tommy mudou-se pouco tempo depois para a Costa Oeste
  Ameaçando matar Salmons, os Carrascos obtêm de Tommy a localização exata dos Morlocks no subsolo da Cidade Que Nunca Dorme. Na posse dessa informação, o grupo empreende uma brutal e metódica carnificina que vitima centenas de Morlocks antes da chegada separada de X-Men e X-Factor.
  Essa descoordenação das duas equipas de heróis mutantes resulta em pesadas baixas nas fileiras de ambas. Entre os X-Men, Colossus, Lince Negra e Noturno são feridos com gravidade. Do lado do X-Factor, Anjo é crucificado e deixado para morrer. Também eles encurralados pelos Carrascos, os restantes membros da equipa escapam a destino idêntico (ou pior) graças à intervenção de Thor e do Quarteto Futuro.

Anjo martirizado.

  Chegados entretanto ao palco do massacre, os Novos Mutantes são destacados pelos X-Men para uma missão de busca e  resgate de eventuais sobreviventes. Acabam, no entanto, a lutar pela própria sobrevivência no gigantesco labirinto subterrâneo.
   A fim de limpar os túneis juncados de cadáveres em putrefação, o Deus do Trovão usa o seu poder para gerar uma tempestade de fogo. Ao testemunharem o fenómeno, os X-Men assumem que o dito seria obra dos Carrascos e os que os Novos Mutantes haviam perecido nele.
  Enquanto isso, Dentes-de-Sabre e Wolverine digladiam-se violentamente, com o primeiro a seguir o segundo até à Mansão X. Agindo furtivamente, o vilão consegue destruir Cérebro, o supercomputador programado pelo Professor Xavier para detetar homo superiores. É, no entanto, impedido de retomar a caça aos Morlocks quando tem a sua mente invadida por Psylocke.

O sangrento duelo de Wolverine e Dentes-de-Sabre.
  Acuado pela chegada dos restantes X-Men à Mansão, Dentes-de-Sabre corre para uma falésia próxima, lançando-se de seguida ao mar, numa desesperada tentativa de fuga. Perseguido por Wolverine nas encrespadas águas do oceano, o vilão tem a sua mente sondada por Psylocke antes de conseguir escapulir-se. É assim que os X-Men ficam a saber quem esteve por detrás de tudo: ninguém menos do que o Senhor Sinistro.
 Vinte anos antes, o Fera Negro chegara ao nosso mundo e usara a tecnologia do Senhor Sinistro para criar os Morlocks. Ao tomar conhecimento disso, Sinistro não descansou enquanto não eliminou esse material genético não autorizado. Tendo sido, portanto, esse o seu aterrador móbil para ordenar o massacre.
  Mais aterradora é, porém, a descoberta de que um X-Man -  Gambit - fora responsável pelo recrutamento dos Carrascos.

Gambit, um mutante de passado nebuloso.

Consequências: 

* Pregado à parede por Arpão e Arrasa-Quarteirão, Anjo sofreu ferimentos gravíssimos nas suas asas,que lhe foram posteriormente amputadas devido à gangrena que nelas alastrava. Tempos depois, o herói ganharia um par de asas tecno-orgânicas, cortesia de Apocalipse que dessa forma iniciava a sua transformação num dos seus quatro cavaleiros. Desse momento em diante, Anjo daria lugar ao Arcanjo;
* Presa na sua forma imaterial enquanto salvava Vampira de Arpão, Lince Negra sofreu uma deterioração a nível molecular que colocou em risco a sua vida. Seria salva in extremis graças aos esforços combinados de Reed Richards e do Doutor Destino;
* Ferido pelos shurikens de Maré Selvagem, Colossus ficou temporariamente tetraplégico após Magneto usar os seus poderes para reparar os danos causados na couraça metálica do herói;
* Já bastante maltratado na sequência do seu duelo com Nimrod, Noturno foi deixado em coma depois de defrontar Maré Selvagem;
* Wolverine descobriu que Jean Grey estava viva após farejar o seu odor nos túneis mas decidiu não partilhar essa informação com os restantes X-Men;
* Quando estava prestes a ser executada a sangue-frio por Arpão, a Morlock Praga foi salva por Apocalipse que a escolhera para ser o seu cavaleiro da Pestilência;
* Outro Morlock, Masque, assumiu a liderança dos sobreviventes da comunidade, depois de reinstalada nos túneis subterrâneos de Nova Iorque na esteira dos eventos ocorridos em Inferno (saga já aqui revisitada). Usaria no entanto a sua habilidade mutante de manipular a derme para desfigurar todos os seus pares. Circunstância que resultou num ensandecimento coletivo;
* Gambit foi temporariamente banido dos X-Men após a revelação de que fora ele quem recrutara os Carrascos.

De cabeça perdida, Colossus tira a vida a Maré Selvagem.

Vale a pena ler?

  Embora sem o virtuosismo de outras sagas dos X-Men escritas por Chris Claremont, Massacre de Mutantes merece, sobretudo pelas suas implicações futuras, um lugar de destaque na memorabilia do grupo. A meio caminho entre o épico dramatismo da Saga da Fénix Negra (1980) e o dantesco surrealismo de Inferno (1989), Massacre de Mutantes consegue, ainda assim, ser impactante. Residindo a sua maior força, ironicamente, no fracasso dos heróis em salvarem as vítimas da matança sistemática ordenada pelo Senhor Sinistro.
 Dentre os vários elementos macabros que pautam o enredo, este é, inquestionavelmente, o mais perturbador. Em última análise, não há como negar a evidência de que, contrariando os preceitos morais subjacentes a narrativas deste jaez, os heróis saem derrotados. Não só porque se revelam incapazes de impedir a carnificina em curso, mas também em virtude das pesadas baixas que lhes são infligidas pelos seus oponentes.
   Na memória dos leitores ficará para sempre gravada a crucificação de Anjo nos esgotos nova-iorquinos. Pungente metáfora para a intrínseca maldade humana que leva a nossa espécie a martirizar símbolos de bondade e esperança.
  Outra lança espetada no flanco dos heróis foi a traição de um dos seus. Qual Judas mutante, Gambit tem expostos os seus pecados pretéritos sendo, por isso, sentenciado ao ostracismo. Colossus, por sua vez, mancha as mãos de sangue ao matar Maré Selvagem. As profundas cicatrizes deixadas pelo conflito com os Carrascos são, pois, tanto físicas como emocionais.
 Ao optar por um registo mais sombrio e violento do que o habitual, Claremont assumiu-se como precursor de uma tendência que nos anos 90 prevaleceria nos comics. Época em que prosperou o conceito do anti-herói dotado de moral enviesada e adepto de métodos brutais.
 Depois de Massacre dos Mutantes os leitores deixaram de dar por garantidos os finais felizes nas histórias dos X-Men. Intuindo ao mesmo tempo que algo de mais sinistro ganhava forma no horizonte.
 Desaconselhável para leitores sensíveis, esta é uma daquelas sagas que deleitará os que apreciam a atmosfera lúgubre que caracteriza atualmente as aventuras (e desventuras) dos super-heróis nos quadradinhos (e, sobretudo, fora deles).
 

   

quinta-feira, 9 de julho de 2015

ETERNOS: LEN WEIN (1948 - ...)




  Monstro do Pântano, Wolverine e Noturno são apenas parte da memorabilia criativa deste veterano escritor e editor, que desde muito cedo percebeu ser um predestinado da 9ª arte. A sua influência exorbitou, contudo, o universo dos quadradinhos, estendendo-se a outros meios de comunicação, designadamente à televisão.

Biografia: Leonard Norman Wein nasceu a 12 de junho de 1948, na cidade de Nova Iorque. Numa entrevista concedida em 2003, recordava: "Em criança tive diversos problemas de saúde. Passei, por isso, largas temporadas no hospital. Durante uma dessas ocasiões, quando tinha sete anos, o meu pai comprou-me uma pilha de bandas desenhadas para eu matar o tempo. Foi assim que fiquei viciado nesse tipo de material. Anos depois, quando andava no liceu, um dos meus professores de Arte disse-me que eu tinha um talento artístico inato que deveria explorar. A partir daí, resolvi não me poupar a esforços para realizar o meu sonho de vir, um dia, a trabalhar na indústria dos comics".
  Ainda na puberdade, Len e o seu inseparável amigo Marv Wolfman (vide biografia já publicada neste blogue) participavam, pelo menos uma vez por mês, nas visitas guiadas aos escritórios da DC Comics. Wolfman era um já um elemento ativo na subcultura dos fanzines. Len, que por esses dias estava mais interessado em tornar-se desenhador do que escritor, ajudou o amigo a produzir algumas histórias com super-heróis. Com ambos a submetê-las, de seguida, à apreciação dos editores da DC.
   A perseverança de Len e Marv acabaria por dar frutos: os dois foram convidados por Joe Orlando (à época editor-chefe da DC) para se tornarem escritores freelancers. Len estreou-se nessa qualidade com Eye of the Beholder, história dada à estampa em dezembro de 1968 no 18º número de Teen Titans. Mantendo a parceria criativa com Wolfman, os dois criaram em conjunto, especificamente para essa aventura dos Titãs, o Estrela Vermelha. Sendo este o primeiro super-herói soviético a ser incorporado na mitologia da Editora das Lendas.

A estreia de Len Wein como escritor profissional verificou-se em Teen Titans nº18 (1968).

  Pouco tempo depois, Neal Adams (outro Eterno já dado a conhecer neste blogue) foi encarregue de reescrever e de redesenhar uma outra história dos Titãs escrita por Len Wein e Marv Wolfman. Intitulada Titans Fit the Battle of Jericho!, caso não tivesse sido vetada, a história em questão introduziria no Universo DC o seu primeiro super-herói africano. Carmine Infantino ( então editor de Teen Titans, e cujo perfil já foi igualmente traçado neste blogue) foi o responsável por essa decisão.
  Em meados de 1969, Len Wein trabalhava simultaneamente para a Marvel e para a DC. Escrevendo contos de mistério e suspense para, respetivamente, Tower of Shadows e The House of Secrets. Ainda antes do final desse ano, Len tornou-se argumentista de Secret Hearts, título da DC com um forte cunho romântico, muito popular entre o público feminino. 
  Escriba incansável e versátil, Len passou por várias outras séries regulares da Editora das Lendas abarcando géneros tão diversos como terror sobrenatural, westerns e ficção científica. Dentro desta última categoria, há a destacar o trabalho por ele desenvolvido nos títulos Star Trek e The Twilight Zone,  baseados nas cultuadas séries televisivas homónimas .
  Mesmo sem nunca ter conseguido realizar a sua ambição de ganhar a vida a desenhar, numa outra entrevista, datada de 2008, Len declarou: "O meu estudo no sentido de me tornar um artista dotou-me da capacidade de descrever detalhadamente aos ilustradores com quem trabalhei as ideias e as imagens que trazia na cabeça. Especialmente durante a minha primeira passagem pela DC, era comum alguns artistas pedirem ao editor-chefe (Julius Schwartz) para desenharem as minhas histórias. Segundo eles, os meus guiões eram muito gráficos, o que lhes facilitava imenso o trabalho".
  Corria o ano de 1971 quando, em colaboração com o artista Bernie Wrightson, Len Wein concebeu o Monstro do Pântano (Swamp Thing). Personagem que debutaria em julho desse ano, nas páginas de The House of Secrets nº91. E que, no decurso das décadas seguintes, protagonizaria um amplo cardápio de títulos e minisséries com a chancela da DC, além de dois filmes e uma série televisiva. Curiosamente, mais ou menos por esta altura, Wein escreveu também a segunda história do Homem-Coisa (Man-Thing), personagem da Marvel que emulava diversos aspetos do Monstro do Pântano (ou vice-versa, dependendo do ponto de vista).
   Já na qualidade de editor de Saga of the Swamp Thing, em meados dos anos 80 Wein supervisionou o trabalho nela desenvolvido pelo escritor britânico Alan Moore (vide biografia já publicada neste blogue).

Monstro do Pântano, a desconcertante personagem que notabilizou Len Wein.


  Em 1972, após uma memorável passagem por Justice League of America, Wein foi, com Carmine Infantino, o cocriador da segunda encarnação do Alvo Humano (Human Target). Um audaz detetive privado e guarda-costas que assumia a identidade dos seus clientes marcados para morrer às mãos de assassinos contratados. O enorme êxito da personagem abriu caminho para a sua transposição ao pequeno ecrã por via de duas séries televisivas datadas de 1992 e 2010.

Alvo Humano, outra das cocriações bem-sucedidas de Len Wein.

  Nos anos seguintes, Wein escreveu vários títulos icónicos da Marvel. A saber, The Amazing Spider-Man, Thor, Fantastic Four, Marvel Team-Up e The Incredible Hulk. Foi, aliás, aquando da sua passagem por este último que participou ativamente na conceção daquela que se viria a tornar numa das personagens de charneira da Casa das Ideias: Wolverine.
  O carismático mutante canadiano seria, de resto, uma das coqueluches da nova encarnação dos X-Men, introduzida em maio de 1975 por Len Wein e Dave Cockrum. Entre as personagens criadas pela dupla nesse contexto sobressaíram Tempestade (Storm), Noturno (Nightcrawler), Colossus e Pássaro Trovejante (Thunderbird). Exceção feita a este último, os restantes tornar-se-iam peças-chave nas sagas vindouras dos Filhos do Átomo.
  A este propósito, em 2009 Chris Claremont (com John Byrne, um dos artífices daquela que é quase unanimamente considerada a melhor fase da história dos X-Men), teceu as seguintes considerações: "A história moderna dos quadradinhos seria muito diferente sem o contributo de Len Wein. É, portanto, lastimável que ele nem sempre seja reconhecido como devia ser. Particularmente os fãs dos X-Men têm um enorme débito de gratidão para com Len Wein e Dave Cockrum, cujo trabalho desenvolvido com a equipa foi, visto sob qualquer prisma, extraordinário".


O visual  primitivo de Wolverine desenhado por Dave Cockrum.


 Algures a meio da década de 70, Len Wein assumiu, durante aproximadamente um ano, o cargo de editor-chefe da Marvel, sucedendo assim ao lendário Roy Thomas e sendo depois sucedido pelo seu velho amigo Marv Wolfman.
  Quando nada o fazia prever, o casamento de Len Wein com a Marvel chegou ao fim. Ainda por cima, de forma litigiosa e envolvido em polémica. Facto que ditou o seu regresso à DC, na dupla qualidade escritor e editor. Além de assumir as histórias do Cavaleiro das Trevas em Batman, Wein colaborou igualmente em Green Lantern. Já depois de ter cocriado a terceira versão do vilão Cara-de-Barro (Clayface), escreveu, em 1980, a primeira minissérie do Homem-Morcego, The Untold Legend of the Batman.
  Como editor, Len Wein trabalhou numa mão cheia de séries bem-sucedidas: Camelot 3000, New Teen Titans, Batman and the Outsiders, além da aclamada saga Watchmen.
  No período pós-Crise, Len Wein foi incumbido de revitalizar o Besouro Azul (Blue Beetle) e trabalhou em estreita articulação com George Pérez em Wonder Woman.
  No início dos anos 90, Len Wein mudou-se para a Costa Oeste dos EUA. Assumindo então o cargo de editor-chefe da Disney Comics. Terminada essa experiência, dedicou-se a produzir e a editar guiões para séries de animação, como Batman, X-Men, Godzilla ou War Planets: Shadow Riders.
  Seria preciso esperar até 2012 para Len Wein fazer o seu regresso à 9ª arte. E fê-lo pela porta grande. No âmbito do projeto Before Watchmen, escreveu a minissérie Ozymandias, cuja coletânea figurou durante várias semanas na lista de best-sellers do New York Times.

O primeiro volume de Ozymandias, prequela de Watchmen que trouxe Len Wein de volta à ribalta.

 De ascendência judaica, Len Wein é atualmente casado em segundas núpcias com Christine Valada, advogada e fotógrafa. A residir na Califórnia há cerca de duas décadas, o casal viu a sua casa ser consumida pelas chamas em abril de 2009. Episódio de consequências trágicas, já que no incêndio morreu o cão da família e foram destruídos os Shazam Awards de Wein.
  Meses depois, porém, Christine amealhou 60 mil dólares na sua participação num concurso televisivo. Pecúlio que ela se comprometeu a investir na recuperação e/ou substituição dos livros e outros bens culturais que o casal perdeu no referido sinistro.
 Já este ano, Len Wein foi submetido a uma cirurgia cardíaca para a colocação de um bypass triplo, depois de sentir fortes dores no peito. Completou 68 anos no mês passado e tem ainda muito para dar à 9ª arte. E nós, leitores agradecidos, cá estaremos para fazer uma respeitosa vénia ao seu admirável legado que perdurará nos anais da história da BD.
 
Um grande senhor da 9ª arte.

Prémios e distinções: Sem surpresa, ao longo da sua longeva e prolífica carreira, Len Wein foi contemplado com diversos galardões. A abrilhantar o seu currículo, os dois Shazam Awards conquistados em 1972, nas categorias de Melhor Escritor Dramático (Swamp Thing) e de Melhor História Individual (Dark Genesis em Swamp Thing nº1). No ano seguinte, dividiria com Bernie Wrightson um terceiro Shazam Award, desta feita para Melhor Série Regular (novamente com Swamp Thing).
  Ainda na década de 70, mais precisamente em 1977, Wein foi distinguido com um Inkpot Award para Melhor Escritor. Cinco anos depois, em 1982, foi a vez de o Comics Buyer's Guide lhe atribuir o seu prémio para Melhor Editor.
  Pela sua história The Dreaming: Trial and Error, publicada na linha Vertigo da DC Comics, em 1998 Len Wein foi nomeado para o Bram Stoker Award, atribuído pela Associação Americana de Escritores de Terror. Já este século, em 2008, foi nomeado para o prestigiadíssimo Will Eisner Comics Book Hall of Fame.
   Um palmarés impressionante, condizente com toda uma vida dedicada à sua paixão pelos quadradinhos.

     

terça-feira, 26 de maio de 2015

HEROÍNAS EM AÇÃO: VAMPIRA


   Mutante de passado obscuro e vincado pela tragédia, foi perfilhada por Mística antes de se unir aos X-Men. Impedida, apesar da sua bela aparência, de levar uma vida normal, viu sempre mais como uma maldição do que como uma bênção o  seu poder de absorver as habilidades e as memórias de qualquer pessoa cuja pele toque.

Nome original da personagem: Rogue (palavra inglesa para patife ou canalha)
Licenciadora: Marvel Comics
Criadores: Chris Claremont (história) e Michael Golden (arte)
Primeira aparição: Avengers Annual nº10 (novembro de 1981)
Identidade civil: Anna Marie (apelido verdadeiro desconhecido)
Local de nascimento: Caldecott County, Mississipi
Parentes conhecidos: Owen e Priscilla (pais biológicos), Carrie (tia materna), Raven Darkholme/Mística (mãe adotiva), Irene Adler/Sina (idem), Kurt Wagner/Noturno e Graydon Creed (irmãos adotivos, o segundo já falecido)
Afiliação: Ex-integrante da Irmandade dos Mutantes, ex-aluna da Escola Xavier para Jovens Sobredotados, atualmente membro ativo dos X-Men
Base de operações: móvel
Armas, poderes e habilidades: Através do contacto físico, Vampira rouba a energia vital, as recordações e as habilidades físicas e mentais - normais ou especiais - que a sua vítima possua. Assimilando dessa forma não só eventuais superpoderes, mas também alguns dos seus traços de personalidade. Normalmente, este processo ocasiona perda de consciência e de memória no alvo. Sendo o efeito da transferência temporário: uma vez escoadas as características absorvidas, a vítima volta ao normal. Contactos prolongados podem, no entanto, causar o dreno permanente ou até a morte da pessoa vampirizada.
   Circunstâncias que explicam como conseguiu Vampira conservar durante vários anos os poderes da Miss Marvel (superforça, voo e invulnerabilidade). Além destes, a heroína mutante já demonstrou a capacidade de manifestar aleatoriamente dons anteriormente absorvidos, sem a ocorrência de novo contacto com os seus legítimos detentores. Casos, por exemplo, do fator de cura de Wolverine ou das habilidades flamejantes de Solaris.
 Hoje em dia, porém, Vampira dispõe apenas do seu poder original de absorção. Com a diferença de, ao invés do que se verificou na maior parte da sua vida, conseguir agora de forma consciente ativá-lo, desativá-lo ou direcioná-lo para o que quer drenar especificamente, podendo igualmente decidir se o seu toque causará ou não dano ao visado.
  Em consequência do exigente treino a que foi submetida na Sala do Perigo da Escola Xavier, Vampira é também proficiente em diversas técnicas de combate e autodefesa.
 
De vilã a heroína: a evolução visual de Vampira.


Histórico de publicação: A introdução de Vampira na continuidade da Casa das Ideias deveria ter ocorrido em 1979, nas páginas de Miss Marvel nº25. Contudo, o súbito cancelamento do título (numa altura em que metade da arte da história já fora finalizada) adiou a sua estreia por um  par de anos. Assim, a primeira aparição oficial da personagem verificou-se em 1981, no décimo número de Avengers Annual. No ano seguinte, a  mutante surgiu pela primeira vez numa série regular dos Filhos do Átomo: Uncanny X-Men nº158. Com a sua adesão ao grupo a ter lugar em Uncanny X-Men nº171, datado de 1983.

Avengers Annual nº10 (1981) assinalou a estreia oficial de Vampira, então integrada na Irmandade dos Mutantes.

  Não obstante tudo isso, a origem e nome verdadeiro da Vampira apenas seriam revelados mais de uma vintena de anos depois. Até setembro de 2004, data da publicação de uma história escrita por Robert Rodi no efémero título mensal Rogue, o passado da personagem permanecia envolto num denso mistério.
 Apesar da intenção clarificadora da citada narrativa, alguma da informação nela apresentada era inconsistente com dados que haviam sido divulgados ao longo da década anterior. Com efeito, dez anos antes, em X-Men Unlimited vol.1 nº4, numa história com a assinatura de Scott Lobdell, haviam sido veiculados alguns factos até aí ignorados sobre o passado familiar de Vampira.

Em X-Men Unlimited nº4 (1994) foi apresenta a primeira versão da origem de Vampira, entretanto revista.

 Era explicitado, por exemplo, que ela fugira do seu pai depois de os seus poderes mutantes se manifestarem. Em clara contradição, portanto, com a versão de Rodi, em que a jovem assume nunca ter conhecido o pai por ele a ter abandonado antes mesmo do seu nascimento, tendo sido adotada por Mística e Sina antes da eclosão das suas capacidades mutantes.
 Continua, assim, por desvendar o enigmático passado de Vampira, essa eterna inadaptada.


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Beleza sulista que não pode ser tocada, apenas vista.
Biografia: Criada pela sua severa tia materna depois da tragédia se ter abatido sobre os seus pais, a pequena Anna Marie fugiu de casa, tendo sido acolhida por Raven Darkholme (Mística) e Irene Adler (Sina).
  Anos antes, na sequência de um ritual místico fracassado levado a cabo na comunidade hippie onde vivia com a filha e o marido, a mãe de Anna Marie, Priscilla, desaparecera sem deixar rasto. Ficando, assim, a menina entregue aos cuidados da sua irmã, Carrie. Educada por ela nos preceitos da educação tradicional sulista, Anna Marie cedo se tornou fluente em inglês e francês. Sempre se pautando, porém, pela rebeldia e irreverência.
  No princípio da adolescência, os  poderes mutantes de Anna Marie manifestaram-se pela primeira vez, quando ela beijou um rapaz chamado Cody Robbins. Em consequência disso, ela teve a mente preenchida pelas memórias do namorado, com este a cair num coma permanente.
 Amargurada pela impossibilidade de levar uma vida normal, Anna Marie começou a participar nas atividades criminosas da sua mãe adotiva, entrando pela mão de Mística na Irmandade dos Mutantes.
  Logo na sua primeira missão integrada no grupo, a inexperiente Vampira chocou de frente com a Miss Marvel. Daí resultando a absorção permanente das recordações e habilidades meta-humanas da heroína: invulnerabilidade, voo e superforça.

O exato momento em que Vampira absorve os poderes da Miss Marvel.

  Perturbada pela falta de controlo sobre os seus poderes, Vampira procurou a ajuda dos maiores inimigos da Irmandade dos Mutantes, os X-Men. Apesar da renitência dos seus pupilos em aceitá-la no seio da equipa, o Professor Xavier acreditou na sinceridade da filha adotiva de Mística. No entanto, apenas depois de arriscar a própria vida para salvar a noiva de Wolverine, Mariko Yashida, é que Vampira mereceu a confiança dos seus pares.
  Mesmo sabendo que nunca poderia consumar devidamente o seu amor por Gambit, Vampira apaixonou-se pelo seu colega de equipa. Algum tempo depois, os dois  iniciaram uma demanda pelos diários de Sina, cujos poderes precognitivos lhe haviam permitido vislumbrar o futuro dos homo superior. Durante essa jornada conjunta, o casal viu-se despojado das suas habilidades mutantes, aproveitando a oportunidade para viver uma vida normal e anónima numa pacata comunidade californiana.

Vampira e Gambit: amor mutante.

  Esse quotidiano idílico seria, contudo, sol de pouca dura. Depois de recorrerem à ajuda dos X-Men para derrotarem um caçador de mutantes chamado Elias Bogan, Vampira e Gambit reingressaram na equipa.
 Readquirindo o seu poder de absorção graças à habilidade mutante do seu colega de equipa Sage, Vampira partiu numa jornada à descoberta do seu passado. Entre outras peças que lhe permitiram completar um pouco mais o seu puzzle familiar, a jovem descobriu que os seus pais haviam dedicado grande parte das suas vidas à busca pelos Bancos Distantes, uma dimensão onírica cujo acesso apenas era possível a quem atingia um elevado grau de consciência.
  Com a ajuda de Campbell - outro enigmático mutante - Vampira localizou os seus progenitores. Após a emoção do reencontro, a jovem convenceu a mãe a preservar a barreira que separava os Bancos Distantes do nosso mundo. Priscilla aquiesceu, mas foi traída pelo marido, obcecado com a  abertura de um portal entre as duas realidades. Perante estas circunstâncias, a mão de Vampira imolou-se a fim de impedir que outras pessoas mal intencionadas conseguissem futuramente aceder aos Bancos Distantes.
  De seguida, foi a vez de a própria Vampira adentrar esse mundo de sonhos, conseguindo por fim fazer as pazes com o espírito da sua mãe.
  Regressada à Mansão X, Vampira reencontrou Gambit e os dois iniciaram uma terapia telepática ministrada por Emma Frost na esperança de encontrarem uma solução para a impossibilidade de contacto físico entre o casal. As sessões redundaram, contudo, em fracasso.
  Entretanto, uma aluna de Gambit chamada Foxx tentou seduzi-lo. Falhado o ardil, a mulher revelou a sua verdadeira identidade: Mística. A mãe adotiva de Vampira tentara dessa forma apartar o casal, para que a filha pudesse tentar ter um relacionamento amoroso normal com alguém menos problemático.
  Apesar das maquinações de Mística, Vampira e Gambit permaneceram juntos, até ele ser transformado por Apocalipse em Morte, um dos seus quatro cavaleiros. Recusando-se a acreditar na corrupção da alma do seu amado, a heroína mutante quase foi morta por ele em diversas ocasiões.

Vampira encontrou em Mística uma segunda mãe.

  Quando finalmente interiorizou o facto de que o homem que amava não mais existia, Vampira aliou-se a Ciclope e a Emma Frost para resgatar mutantes de uma clínica onde estavam prestes a ser submetidos a horríficas experiências médicas. Recuperando, daí em diante, o estatuto de membro de pleno direito dos X-Men, ao lado dos quais viveu incontáveis peripécias.
   Mais recentemente, na esteira dos eventos mostrados na saga Vingadores versus X-Men (conflito em que começou por ser neutral, acabando, porém, por tomar partido da fação encabeçada por Ciclope), Vampira foi uma das escolhidas para fazer parte da Divisão Unidade dos Vingadores (DUV), força conjunta que reúne humanos e mutantes com o objetivo de promover a coexistência pacífica entre ambas as espécies.
  Culpando a Feiticeira Escarlate pela morte do Professor Xavier, a coabitação entre Vampira e a filha de Magneto na DUV foi sempre pautada por uma enorme tensão. Após assimilar os poderes de Wolverine, e convicta de que a sua colega de equipa seria uma traidora à própria espécie, Vampira assassinou a Feiticeira Escarlate. Apenas para ser logo de seguida morta pelo Ceifador.
  Meses atrás, porém, Vampira foi ressuscitada, tendo-lhe sido confiada a liderança da renovada DUV. Mais madura e determinada do que nunca, ela é hoje uma das mais formidáveis mutantes da Terra.

A morte da Feiticeira Escarlate às mãos de Vampira.

O enigma de um nome: Na trilogia cinemática dos X-Men (2000-2006), Vampira é identificada simplesmente como Marie. Nos quadradinhos, porém, ela já usou vários nomes. Um dos mais notórios e duradouros foi Anna Raven (adotando como apelido o nome próprio de Mística, sua precetora). Chris Claremont, por seu turno, crismou-a de Anna Marie Raven em X-Men Forever. De facto, só em 2004 o seu nome de batismo foi finalmente estabelecido: Anna Marie. Vampira interiorizou-o graças às memórias que absorvera da sua tia que a criara após o desparecimento da mãe. E é esse o nome que consta no prontuário da personagem no Official Handbook of the Marvel Universe (espécie de "quem é quem" da editora). Quanto ao seu apelido verdadeiro, talvez um dia venha a ser revelado...

Vampira fez parte de diversas formações dos X-Men.
Romances de alto risco: Devido à sua habilidade mutante de absorver poderes, energia e memórias alheias com um simples toque, Vampira nunca conseguiu ter um relacionamento amoroso normal. Após o trágico episódio com o seu primeiro namorado (Cody Robbins, que ficou em coma depois de ambos terem trocado o primeiro beijo), a jovem evitou ao máximo o contacto com outras pessoas de modo a evitar incidentes semelhantes. Razão pela qual nutriu durante algum tempo uma paixão platónica pelo seu ex-companheiro de equipa, Longshot. Ficando intimamente devastada quando este se envolveu romanticamente com Cristal.
 O grande amor de Vampira foi, porém, Remy LeBeau, o garboso mutante francês conhecido como Gambit. O que não a impediu de viver também uma intensa paixão com Magneto. Ironicamente, a icónica madeixa branca de Anna Marie foi resultado da sua tentativa de absorção dos poderes do Mestre do Magnetismo, vários anos antes.

Mutante de coração dividido.

Noutros media: Um dos mais carismáticos e proeminentes membros dos X-Men desde meados dos anos 1980, a notoriedade de Vampira há muito transcendeu os quadradinhos. Fora deles, a sua estreia deu-se em 1992, na série animada X-Men. Ainda no campo da animação, a filha adotiva de Mística foi figura de destaque em X-Men: Evolution (2000) e Wolverine and the X-Men (2008).
  No cinema, vem há 15 anos sendo interpretada pela oscarizada Anna Paquin, tendo marcado presença em quatro das cinco longas-metragens dos X-Men (a exceção foi X-Men: Origins). Com a particularidade de Vampira não ter qualquer ligação afetiva com Mística nesta sua versão cinematográfica.
 Em 2008, Vampira ganhou a eleição online promovida pela Comic Book Resources para escolher o melhor X-Men de sempre. Quedando-se, no ano seguinte, na 10º posição da lista das 100 Personagens Femininas Mais Sexys Dos Quadradinhos elaborada pelo Comics Buyer's Guide. Títulos que ratificam de forma incontestável a sua enorme popularidade no seio da comunidade nerd.

Anna Paquin como Vampira em X-Men 3: O Confronto Final (2006).