segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

ETERNOS: JOE SIMON (1913-2011)

   

    Com a vetusta idade de 98 anos, faleceu no pretérito dia 14 de dezembro em Nova Iorque Joe Simon, um dos decanos dos comics e cocriador do Capitão América. Desaparece assim um dos últimos representantes de uma geração extraordinária de criadores que deu a conhecer ao mundo a chamada Idade do Ouro da banda desenhada norte-americana. É com enorme pesar e respeito que lhe presto aqui a minha homenagem póstuma.
     Argumentista, desenhador e editor, Joe Simon era considerado uma lenda viva. Em parceria com Jack Kirby, criou em 1941 o Capitão América para a editora Timely Comics (antecessora da Marvel). Foi aliás da sua colaboração com Kirby que nasceu o protótipo do Homem-Aranha (cujos créditos são oficialmente atribuídos a Stan Lee e Steve Ditko).
     Crismado à nascença de Hymie Simon a 11 de outubro de 1913 em Rochester (Nova Iorque), Joe era filho de um emigrante inglês e de uma norte-americana. Na adolescência, frequentou o liceu Benjamin Franklin onde trabalhou como diretor artístico no jornal escolar e no respetivo anuário. Concluídos os estudos liceais em 1932, logo foi contratado como assistente do diretor artístico do Rochester Journal American, substituindo o seu futuro colega nos comics, Al Liederman. Dois anos depois, Simon transferiu-se para o Syracuse Herald onde trabalhou, entre outras coisas, como cartunista. O jornal contudo não tardaria a falir e Simon, então com 23 anos, resolveu tentar a sua sorte em Nova Iorque. Na Grande Maçã trabalhou como freenlancer em várias publicações e também na Broadway onde retocava as fotos publicitárias dos estúdios.
       Foi nessa época que conheceu Lloyd Jacquet, diretor executivo da Funnies, Inc. que fornecia material a pedido das editoras que ainda não dispunham das suas próprias equipas criativas. O primeiro trabalho de Simon nessa área foi um western de sete páginas.
       Não tardaria contudo a ser convidado a criar um novo super-herói para a Timely Comics depois do êxito do primeiro Tocha Humana (The Human Torch) em 1939. Usando o pseudónimo Gregory Sykes, Simon criou assim a sua primeira personagem: Fiery Mask. À qual se seguiriam muitas outras. A notoriedade, porém, só chegaria em 1941 com o patriótico Captain America, resultado da parceria de Simon e Jack Kirby. As perspetivas dinâmicas das histórias do Sentinela da Liberdade, assim como um uso arrojado dos layouts, fez furor entre os leitores. E por isso Simon convidou Kirby a juntar-se à equipa criativa da Timely.
Captain America nº1 com arte de Jack Kirby.

       Descontente com as suas condições salariais, Simon abandonaria pouco tempo depois a Timely para se juntar à arquirrival National Comics (antepassada da atual DC). Nessa nova etapa, Simon criou várias novas personagens, entre quais Sandman (1939) e Manhunter (1942).
       Durante a II Guerra Mundial, Simon serviu na Guarda Costeira norte-americana. Findo o conflito, regressou a Nova Iorque onde desposaria Harriet Feldman com a qual teria quatro filhos.
       Ao longo da década de 1950 , Simon desenvolveu um trabalho profícuo em vários géneros. Pelo meio, em 1955. chegaria ao fim a sua parceria com Kirby, embora a amizade entre ambos perdurasse. Contudo, em 1966, a dupla voltaria a juntar-se ao serviço da Harvey Comics que os encarregara de relançar a sua principal personagem: Fighting American. Dois anos mais tarde, Joe Simon teria uma nova passagem pela DC, ainda que fugaz.  Seria em 1974 que a dupla maravilha Simon/Kirby se reuniria pela última vez com o objetivo de relançar Sandman.
       Já no século XXI, Simon dedicou-se a pintar e vender reproduções de algumas das primeiras capas da sua autoria. Viveu ainda o suficiente para, em 2007, testemunhar a morte do seu filho dileto, o Capitão América, no âmbito da maxissaga "Guerra Civil" (Civil War), a qual o deixou consternado.
        Ao longo da sua prolífica carreira, apenas foi premiado em duas ocasiões: conquistou o Inkpot Award em 1998 e o Will Eisner Comic Book Hall of Fame no ano seguinte. O maior prémio contudo foi o carinho granjeou junto de várias gerações de fãs.
Sandman, outra das criações emblemáticas de Simon.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

HERÓIS EM AÇÃO: O FANTASMA



    Reza a lenda que o descendente de um navegante inglês aportou, há mais de 400 anos, na costa de Bengalla (África). Sobre o crânio do assassino do seu pai, jurou que devotaria a vida a combater a crueldade, a injustiça e a pirataria. Nascia assim o Fantasma, o Espírito-Que-Anda.    

Nome original: The Phantom
Criadores: Lee Falk  (texto) e Ray Moore (arte)
Primeira aparição: Edição de 17 de fevereiro de 1936 do New York American Journal
Licenciador: King Features Syndicate
Identidade civil: Christopher "Kit" Walker
Família conhecida: Diana Palmer (esposa) , Kit e Heloíse (filhos), Rex King (sobrinho)
Base de operações: Bengalla
Filiação: Patrulha da Selva e tribo Bandar
Poderes e armas: O grande poder do Fantasma reside na lenda que lhe está associada. Muitos julgam-no imortal e por isso temem-no. Na verdade, não passa de um atleta altamente treinado, perito em várias artes marciais e com uma astúcia acima da média. Como companheiras inseparáveis, tem duas pistolas que evita usar de forma letal. Conta ainda com a prestimosa ajuda do cavalo Herói e de um lobo chamado Diabo. Na versão moderna, usa um uniforme de kevlar.

     Na esteira do sucesso alcançado dois anos antes por Mandrake, Lee Falk apresentou ao mundo em 1936 a sua segunda criação. Considerado o primeiro super-herói mascarado da história dos comics, o Fantasma é ainda hoje uma das personagens mais populares da nona arte e as suas aventuras encantaram sucessivas gerações.
    Influenciado pelo seu antigo fascínio por mitos e lendas como a do Rei Artur ou a de El Cid, assim como pelas aventuras de Tarzan, Zorro e Mowgli (personagem de "O Livro da Selva"), Lee Falk imaginou inicialmente um playboy milionário que à noite combateria o crime como o misterioso Fantasma (seria esta, curiosamente, a premissa para a criação do Batman por Bob Kane em 1939). Sem nunca revelar a verdadeira identidade do herói na sua primeira história - "The Singh Brotherhood" - Falk logo transportou o Fantasma para as profundezas da selva, dando-lhe uma aura de imortalidade. Dada a existência na literatura de várias personagens com o nome fantasma associado, Falk desisitiu de batizar o herói de "Gray Ghost".
     Numa entrevista concedida muitos anos depois, Lee Falk revelaria que se inspirou no visual clássico de Robin Hood para conceber o uniforme colante do Fantasma. Já a ausência de pupilas (que ditaria uma tendência na indústria dos super-heróis) decorreu dos bustos esculpidos na Grécia antiga que também não tinham pupilas. Falk achou que esse pormenor daria um aspeto inumano e enigmático à sua nova personagem.
      A sua história começou 400 anos atrás quando, após um ataque pirata, um naúfrago alcançou a costa de Bengalla, um país africano fictício. Filho de um marinheiro inglês que na sua juventude navegara com Cristóvão Colombo, Cristopher Standish jurou, sobre a caveira do assassino do seu pai, lutar pela justiça e combater a pirataria. O apelido Standish seria posteriormente alterado para Walker por Lee Falk, decorrendo do epíteto "The Ghost Who Walks" (Espírito-Que-Anda) numa alusão à sua suposta imortalidade. A verdade, porém, é que o atual Fantasma é o 21º de uma linhagem de justiceiros cuja missão foi sendo transmitida de pais para filhos ao longo de várias gerações.
      O Fantasma usa dois anéis: um com a forma de caveira e outro com a imagem de duas espadas cruzadas. O primeiro deixa uma marca indelével em quem é esmurrado pelo herói; o segundo assinala que determinada pessoa ou local estão sob sua proteção. Segundo a lenda, o primeiro usuário do anel da caveira foi o imperador romano Nero, sendo a joia feita a partir dos pregos que prenderam Jesus Cristo à cruz. A Marca da Caveira é um estigma para os que enfrentam a ira do Fantasma.
      Como base de operações, o Espírito-Que-Anda tem a selva de Bengalla (país entretanto rebatizado de Bengali) que Lee originalmente localizou na Ásia mas que na década de 1960 transferiu para o continente africano.
      O Fantasma tem dois ajudantes: um lobo da montanha chamado Diabo e Herói, um magnífico corcel branco. Em 1978, casou com a sua eterna namorada Diana Palmer (numa história que contou com a participação especial de Mandrake), daí resultando o nascimento dos gémeos Kit e Heloíse (cabendo ao primeiro dar continuidade ao legado do Espírito-Que-Anda).
     Em todos os países onde foi publicado, o uniforme do Fantasma sempre foi roxo, exceto no Brasil. Para conseguir obter essa cor, as gráficas brasileiras teriam de sobrepor várias vezes as cores o que acarrateria um aumento do custo de produção. Optaram assim pelo vermelho. Já equipadas com impressoras modernas, as gráficas tentaram, após muitos anos de publicação, obter o padrão da cor original do uniforme mas os leitores estranharam a mudança. O Fantasma continuou assim a ter uma versão exclusiva para o Brasil (e também para Portugal onde foi publicado por editoras como a RGE).

A exclusiva versão brasileira do Fantasma.

     Antes de saltar para as páginas dos comics, o Fantasma foi lido diariamente por milhares de pessoas sob a forma de tiras publicadas em vários jornais norte-americanos. A partir de meados da década de 1940, a série passou a ser publicada por várias editoras como a Harvey Comics, a King Comics, entre outras. Em 1987, foi a vez da Marvel Comics lançar uma minissérie escrita por Stan Lee e baseada na série de animação Defenders of the Earth.
     O Fantasma protagonizou ainda várias novelas escritas por diferentes autores,entre os quais o próprio Lee Falk. Logo em 1943 teve direito a uma série televisiva de 15 episódios com Tom Tyler no papel principal. A série fez furor e em 1955 tentou lançar-se uma segunda temporada com um novo ator (John Hart) a dar vida ao Fantasma. Devido a problemas relacionados com direitos autorais, a série seria apressadamente reescrita e rebatizada de "As aventuras do Capitão África"(!).
     Seria preciso esperar mais de 40 anos para voltar a ver o Fantasma no grande ecrã. Em 1996, com Billy Zane vestindo o lendário uniforme roxo, estreou a primeira longa-metragem do herói, a qual esteve longe de ser um sucesso de bilheteira, apesar de contar no elenco com nomes sonantes como Catherine Zeta-Jones e Timothy Dalton.
     Em março de 2009, o canal SyFy anunciou que encomendara uma minissérie em dois episódios baseada na história do 22º Fantasma (ainda inédita em Portugal).
Billy Zane em The Phantom (1996).
    
     

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

HERÓIS EM AÇÃO: ZATANNA



   Hocus pocus. Abracadabra. Palavras mágicas que habitualmente acompanham os truques de ilusionistas e prestidigitadores. Meros aprendizes de feiticeiros quando comparados com Zatanna, mestra das artes arcanas que tem uma forma muito peculiar de conjurar os seus encantamentos: dizendo as frases de trás para a frente. Não se deixem, porém, iludir pelo seu visual pitoresco (misto de Mandrake e coelhinha da Playboy) pois Zatanna é uma poderosa feiticeira, descendente de uma longa linhagem de magos e alquimistas. Sem truques na manga, fiquem agora a conhecê-la melhor...
 
 
Criadores: Gardner Fox e Murphy Anderson
Primeira aparição: Hawkman nº4 (novembro de 1964)
Licenciador: Detective Comics (DC)
Identidade civil: Zatanna Zatara
Parentes conhecidos: Giovanni "John" Zatara e Sindella Zatara (pais falecidos), Zachary Zatara (primo), Nostradamus, Cagliostro e Leonardo Da Vinci (antepassados paternos).
Filiação: Liga da Justiça da América, Sete Soldados e Sentinelas da Magia
Base de operações: Shadowcrest
Poderes e habilidades:Desconhece-se ainda a verdadeira extensão dos poderes de Zatanna. Ela já mostrou ser capaz de comandar os elementos, curar, transformar e transportar objetos, manipular mentes, etc. Além desses poderes, Zatanna consegue ler cartas de Tarô, ver o futuro numa bola de cristal e até emitir profecias. É ainda imune a ataques psíquicos. O uso excessivo dos seus poderes pode exauri-la, forçando-a a hibernar até o seu organismo se recuperar totalmente.

     Zatanna é filha do famoso mágico Giovanni "John" Zatara e de Sindella, da raça mística Homo Magi. Na sua árvore genealógica, pontuam alquimistas, profetas e magos como Leonardo Da Vinci (de quem herdou o gosto pela escrita invertida), Nostradamus e Cagliostro.
     Algum tempo após o nascimento de Zatanna, Sindella simulou a sua própria morte num acidente de carro e voltou para o seu povo, na Turquia, evitando assim, que a filha fosse capturada por membros da Homo Magi.
     Antes de descobrir os seus poderes mágicos, Zatanna era uma bem-sucedida ilusionista. Isto aconteceu quando ela investigava o misterioso desaparecimento do seu pai. Com a ajuda de Batman e de outros heróis, conseguiu encontrar o progenitor que lhe ensinou tudo  o que sabia sobre ilusionismo e feitiçaria. Zatanna revelou ter mais potencial do que os seus pais juntos.
     Nesse período, a jovem Zatanna teve uma relação romântica com John Constantine quando ambos se encontraram num grupo de estudos tântricos em São Francisco. Como Zatanna ainda era uma adolescente, Zatara desaprovou esta união por achar que a sua filha merecia um homem melhor, mais inteligente e mais honrado que Constantine. O casal separou-se logo após um incidente em Newcastle onde Constantine, com a ajuda de três anjos, destruiu o demónio Nergal e foi em seguida internado num hospício.
     Ainda durante a adolencência de Zatanna, Giovanni Zatara foi atacado e amaldiçoado pela metade maligna de um ser chamado Allura. A maldição dizia que Zatanna e Zatara morreriam se os dois se tornassem a olhar fixamente . Incapaz de quebrar a maldição, Zatara decidiu então deixar Terra e viajar por entre vários reinos místicos na tentativa de encontrar um meio de reverter a mesma.
     Zatanna cresceu e iniciou uma carreira como ilusionista, seguindo os passos do seu pai. Rapidamente ela se tornou uma super-heroína (como o pai). Nesse período, Zatanna aprimorou com mestria os seus poderes e passou a figurar entre os principais ocultistas da Terra. Quando achou que já estava pronta, iniciou uma busca para resgatar o seu pai. Para isso, reuniu alguns heróis da Liga da Justiça da América (LJA) e juntos foram para a dimensão mística de Kharma, onde Zatara estava. Lá, encontraram a contraparte heroica de Allura que forçou a sua parte maligna a remover a maldição.
    De volta ao nosso mundo, Zatara decidiu aposentar-se, deixando o legado da família para a sua filha, que passou a dividir a agenda das suas apresentações com o combate ao crime, lutando ao lado da LJA por várias vezes até se tornar membro efetivo da equipa.
Zatanna (junto ao Flash e com o antigo visual) com a Liga da Justiça.
     
     Durante o seu período na LJA, Zatanna descobriu que a sua mãe estava viva e, juntamente com seu pai, foi procurá-la na Turquia. Mas esta história não teve um final feliz pois Sindella  sacrificou-se destruindo o seu povo para salvar Zatanna.
    Na série televisiva "Smallville", Zatanna é interpretada por Serinda Swan e prega algumas partidas ao jovem Clark Kent não deixando contudo de ser uma prestimosa aliada no combate ao Mal.
Serinda Swan é Zatanna em "Smallville".

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

NÉMESIS: DOUTOR DESTINO

  
     Victor von Doom, monarca da Latvéria, é também o Doutor Destino (Doctor Doom), inimigo visceral, entre outros, do Quarteto Fantástico. Uma das mentes mais brilhantes e maquiavélicas do universo Marvel, o seu intelecto superior só é suplantado pelo do seu ex-amigo Reed Richards, o Senhor Fantástico.
     Mas como um órfão cigano se tornou rei e um dos vilões mais temíveis do mundo dos quadradinhos? Lê abaixo para conheceres a resposta a essa e a muitas outras perguntas...

Criadores: Stan Lee e Jack Kirby
Primeira aparição: Fantastic Four nº5 (julho de 1962)
Licencidadora: Marvel Comics
Identidade civil: Victor von Doom
Origem: Latvéria
Família conhecida: Werner e Cynthia von Doom (pais falecidos)
Base de operações: Latvéria
Poderes e armas: Embora possua um Q.I. muito acima da média, o Doutor Destino é apenas humano. Por isso desenvolveu uma poderosa armadura (em tudo semelhante à do Homem de Ferro) que lhe concede força sobre-humana além de outros atributos como poder de voo ou de disparar rajadas energéticas. Após o contacto com um alienígena, desenvolveu também a capacidade de trocar mentalmente de corpo com outra pessoa através de um mero contacto visual. Possui ainda habilidades místicas ensinadas por monges tibetanos e pela sua amada Morgan Le Fey e que só em resultado da sua arrogância não são mais poderosas.

     Victor von Doom nasceu na Latvéria, filho de Werner von Doom, um conhecido curandeiro cigano e Cynthia von Doom, que diziam ser uma bruxa. A sua mãe foi morta quando ele ainda era uma criança por  tentar adquirir poder para proteger o seu clã da perseguição que sofria por parte do governo latveriano. Cynthia tentou obter esse poder através de um pacto com o demónio Mefisto, e acabou sendo traída e morta. Mais tarde, as autoridades latverianas caçaram o pai de Victor por ter falhado em salvar a esposa de um barão, que sofria de um cancro terminal. Werner von Doom foi morto enquanto fugia e o jovem Victor ficou aos cuidados de Bóris, um dos membros da comunidade cigana a que pertencia. Victor jurou vingança pela morte dos pais.
    Ainda em criança, ele descobriu os artefactos místicos da mãe e começou a estudar as artes ocultas e também a desenvolver o seu talento inato para a ciência. Conseguiu uma reputação impressionante que chegou ao conhecimento da Universidade Empire State nos Estados Unidos, da qual recebeu uma bolsa de estudos integral. Na universidade, von Doom encontrou-se pela primeira vez com Reed Richards e Ben Grimm (o Sr. Fantástico e o Coisa, respetivamente), dois homens que se tornariam seus inimigos alguns anos depois. Richards representava uma ameaça substancial à superioridade intelectual que Victor imaginava ter. Na tentativa de se destacar, Doom começou a conduzir experiências extra-dimensionais muito perigosas.
   O foco da pesquisa de Doom era a construção de um dispositivo transdimensional de projeção com que poderia comunicar com sua falecida mãe. Havia uma falha no projeto que Richards lhe indicou, mas o orgulho de Doom impediu-o de aceitar o conselho do amigo e consertar o dispositivo antes de o testar. A máquina trabalhou perfeitamente por breves instantes, durante os quais Doom descobriu que sua mãe estava presa na região do Inferno controlada por Mefisto. Em seguida o dispositivo explodiu, marcando a sua face com uma longa cicatriz que a sua vaidade encarava como uma desfiguração horrenda. Recusando-se a reconhecer a  sua própria culpa no ocorrido, Doom responsabilizou Richards pelo acidente, achando mais fácil acreditar que este sabotara o seu trabalho por inveja.
      Mais tarde Doom foi expulso da escola e viajou pelo mundo à procura de uma cura para seu rosto marcado. Nas primeiras versões da personagem,  a cicatriz não era particularmente feia, mas Doom era exageradamente sensível sobre ela por ser um símbolo do seu fracasso. Doom acabou descobrindo um templo de monges tibetanos e viveu entre eles durante alguns anos. Eles ajudaram-no a construir uma armadura que escondesse a sua "deformidade" e foi nesse momento que se queimou seriamente quando pediu que a máscara fosse colocada no seu rosto quando ainda estava em brasa. Essa armadura  transformar-se-ia na sua imagem de marca e, graças aos requintes tecnológicos posteriormente instalados, o Doutor Destino pode enfrentar de igual para igual a maioria dos super-heróis da Marvel. Depois disto, retornou à sua terra natal, derrubou o seu governo e declarou-se soberano absoluto da Latvéria. Governando com mão de ferro, Destino começou a direcionar os recursos da pequena nação para realizar os seus objetivos pessoais. Apesar do seu povo o considerar um governante justo, ele na verdade revela em dadas histórias que não veria problema algum em trocar a vida de todos os latverianos por mais poder. E também não demonstra qualquer misericórdia para com seus próprios soldados, a quem pune com a morte por qualquer falha.
Na BD ou fora dela, Destino e o Quarteto já
se enfrentaram vezes sem conta.

   Apesar dos seus avançados conhecimentos científicos e de usar o título de Doutor, Doom não possui qualquer título académico já que foi expulso da universidade antes de completar o seu curso. Sugeriu-se numa história que Destino tenha concedido a si mesmo um doutoramento honoris causa através de uma universidade da Latvéria.
    Uma das maiores características de Destino é, com efeito, o seu orgulho desmesurado. É narcisista, traiçoeiro e impiedoso até mesmo com os seus servos, e é cruel a ponto de matar qualquer pessoa que não o reconheça como um ser supremo. Não mede esforços para conseguir poderes cada vez maiores, pois a sua meta é o controlo do Universo. Tem total lealdade do seu povo que o considera um líder magnânimo.
    Fora da banda desenhada, o Doutor Destino já marcou presença em inúmeras séries de animação com a chancela da Marvel como The Marvel Super-heroes (1966), The New Fantastic Four (1978) ou, mais recentemente, num episódio especial de The Avengers: Earth's Mightiest Heroes (2011). Foi também o antagonista escolhido para os dois filmes do Quarteto Fantástico já produzidos. Neles, era encarnado pelo ator Julian McMahon cujo desempenho esteve longe de fazer jus ao carisma do vilão. Destino também figura em diversos vídeojogos baseados na mitologia Marvel.
A versão cinematográfica do Dr. Destino em Fantastic Four (2005).