terça-feira, 3 de janeiro de 2012

NÉMESIS: BRAINIAC

    


    Quem pensa que o Super-homem não tem inimigos à altura, é porque não conhece Brainiac. Dotado de um dos mais desenvolvidos intelectos do Universo, o coluano tem um passatempo bizarro: roubar e engarrafar cidades alienígenas antes de pulverizar os respetivos planetas.

Nome original: Brainiac (combinação das palavras inglesas "brain" (cérebro) e "maniac" (maníaco) e vagamente inspirado em ENIAC, nome de um antigo computador)
Criadores: Otto Binder (escritor) e Al Plastino (arte)
Primeira aparição:Action Comics nº 242 (julho de 1958)
Licenciador: Detective Comics (DC)
Alter ego: Vril Dox/Milton Fine
Origem: Colu
Parentes conhecidos: Brainiac 5 (trineto)
Base de operações: Todo o Cosmos
Poderes e armas:Brainic possui uma inteligência de nível 12 à qual estão associadas uma memória computorizada e uma extraordinária habilidade nos campos da engenharia mecânica e da bioengenharia. Ao longo da sua existência, o vilão apropriou-se de muita tecnologia alienígena que lhe permitiu construir todo o tipo de armas e máquinas. A criação e manipulação de sistemas informáticos é outra das suas habilidades. Na sua versão mais recente, Brainiac consegue replicar os poderes do Super-homem embora seja vulnerável a infeções bacteriológicas quando fora de ambientes controlados como o da sua nave.

      Desde a sua primeira aparição, em julho de 1958, Brainiac já teve várias encarnações. Na maior parte delas, surge como um humanoide careca e de pele verde originário do planeta Colu. Como cartão de visita, além de ser portador de uma das mentes mais evoluídas e maléficas do Universo, é também o responsável pelo furto e posterior engarrafamento de Kandor, a capital de Krypton, o mundo natal do Super-homem.
    Foi justamente com o propósito de roubar e engarrafar Metrópolis que Brainiac visitou pela primeira vez a Terra. Contudo, foi impedido pelo Último Filho de Krypton que descobriu então que fora o coluano que sequestrara Kandor e o seus habitantes. Resgatada a cidade da nave do vilão, o Super-homem guardou-a em segurança na sua Fortaleza da Solidão, na esperança de um dia conseguir reverter os efeitos do raio encolhedor de Brainiac.

Brainiac estreou-se em Action Comics nº242 (1958).

      Em 1983, em plena Idade do Bronze dos comics e sob os auspícios do renomado argumentista Marv Wolfman, a personagem foi reinventada. Nesta sua versão atualizada, Brainiac assumia uma forma robótica e construía uma gigantesca nave cibernética que planeava usar para destruir o Homem de Aço. Foi esta versão que prevaleceu até à Crise nas Infinitas Terras.
       No período pós-Crise a sua origem foi novamente reformulada. Brainiac passou então a ser Vril Dox, um brilhante cientista coluano sentenciado à morte depois de ter tentado derrubar os Computadores Tiranos que governavam Colu. Momentos antes da sua desintegração, a sua consciência abandonou o seu corpo e migrou para o corpo de Milton Fine, um mentalista humano que ganhava a vida sob o pseudónimo Brainiac. Para manter a possessão de Fine, Brainiac necessitava de fluido craniano, pelo que embarcou numa espiral de assassínios. Pelo meio, descobriu que o seu hospedeiro humano possuía genuínas habilidades psíquicas, as quais não hesitou em usar contra o Super-homem.
       Capturado por Lex Luthor (com quem firmou várias alianças ao longo da sua carreira criminosa),  Brainiac usou os seus poderes mentais para dominar a LexCorp, obrigando os seus cientistas a restaurar o seu aspeto coluano.
       Mais recentemente, no arco de histórias "New Krypton" (2008), Brainiac miniaturiza a cidade kryptoniana de Kandor que manterá em seu poder durante muitos anos. Na sua chegada à Terra, após sequestrar o Super-homem e a Supergirl, o coluano encolhe também Metrópolis para assim a adicionar à sua coleção de cidades engarrafadas onde vivem os últimos sobreviventes de civilizações alienígenas extintas pelo vilão.
        Eleito o 17º melhor vilão dos comics pelo site IGN, Brainiac é presença assídua em outros media. No cinema, era suposto ter sido o mau da fita no intragável Superman III (sobre o qual escreverei numa nova rubrica a lançar brevemente). No entanto, o guião original foi rejeitado pela Warner Brothers e o Homem da Aço enfrentou um supercomputador vivo e os apupos dos fãs.
        Na quinta temporada da série Smallvile, Brainiac, interpretado por James Marsters, assume a identidade do professor universitário Milton Fine. Também participou em diversas séries animadas da DC como  The New Adventures of Superman, Challenge of the Super Friends, Justice League, etc. Brainiac foi também o principal vilão no vídeojogo Justice League Heroes, um dos muitos em que participou desde 1988 quando se estreou no jogo do Super-homem produzido pela Taito Corporation.
O Brainiac robótico pré-Crise.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

HERÓIS EM AÇÃO: OS CAMPEÕES


    
    
      Entre 1975 e 1978, Los Angeles teve, pela primeira vez, a sua própria equipa de super-heróis. Reunindo dois mutantes, um semideus, um vigilante sobrenatural e uma espia soviética, os Campeões foram um grupo pouco ortodoxo. Assim se explicando a sua curta carreira. Saibam agora como se juntou este lote de heróis improváveis:

Nome original: The Champions of Los Angeles
Criadores: Tony Isabella e Don Heck
Licenciador: Marvel Comics
Primeira aparição: Champions nº1 (outubro de 1975)
Composição: Anjo, Homem de Gelo, Hércules, Motoqueiro Fantasma e Viúva Negra. Mais tarde, Estrela Negra juntar-se-ia ao grupo e o Golias Negro tornar-se-ia membro honorário.
Base de operações: Los Angeles

      Com pompa e circunstância, os Campeões estrearam-se como a primeira superequipa de Los Angeles. A falta de liderança e de união entre os seus membros cedo traçou, porém, o seu destino.
       O grupo reuniu-se para travar o ataque lançado pelo deus Plutão ao campus da Universidade de Los Angeles onde Hércules e a deusa Vénus lecionavam na altura. O plano consistia em forçar ambos a casar com Hipólita e Ares, respetivamente com o objetivo de derrubar Zeus do trono do Olimpo.
       Com o auxílio dos antigos X-Men Anjo e Homem de Gelo, do demoníaco Motoqueiro Fantasma e da ex-espia soviética Viúva Negra, Hércules e Vénus conseguiram frustrar os planos de Plutão. Findo o conflito, Vénus regressou ao Olimpo enquanto Hércules resolveu permanecer na Terra ao lado dos seus novos aliados. Surgiam assim os Campeões. Os créditos pelo crisma da equipa são normalmente atribuídos ao argumentista e editor da Marvel Comics David Anthony Kraft. Contudo, a ideia de criar um grupo de super-heróis sediado em LA partiu do também argumentista Tony Isabella. Inicialmente, a equipa deveria integrar antigos X-Men (daí a inclusão do Anjo e do Homem de  Gelo, membros fundadores do grupo mutante) e o recém-criado Golias Negro. Este último, porém, teve direito a um título próprio pelo que Tony Isabella teve de reformular o conceito original.
Capa de Champions nº1 (1975).

       Face à insistência do editor Len Wein em que os Campeões contassem com, pelo menos, cinco integrantes, Isabella não teve outro remédio senão adicionar três personagens consagradas à equipa. Até ao último momento, o Capitão Marvel, Luke Cage e O Filho de Satã foram cogitados para ocupar a terceira vaga, antes de a mesma ser atribuída ao Motoqueiro Fantasma.
        Principiava assim a  efémera carreira dos Campeões nos comics: entre outubro de 1975 e janeiro de 1978, foram publicados apenas 17 números. Ao longo dos quais, o grupo, financiado por Warren Worthington III (alter-ego milionário do Anjo), enfrentou ameaças exóticas como os Supersoldados  criados pelo cientista louco Dr. Edward Lansing,  pseudo Sentinelas ou o Homem Titânio, entre outros. Pelo meio, outra heroína russa, Estrela Negra, juntar-se-ia aos Campeões que, todavia, sempre tiveram enormes dificuldades em funcionar como uma verdadeira equipa. Também o Golias Negro passou a colaborar ocasionalmente com a equipa como consultor científico.
Estrela Negra

        Um dos grandes equívocos em que os Campeões estiveram envolvidos foi quando tentaram travar o Hulk quando este procurava salvar Jennifer Walters (a futura Mulher-Hulk) que estava à beira da morte na sequência de uma transfusão sanguínea contaminada com radiação gama.
        No fundo, os Campeões foram os seus próprios maiores inimigos. O Motoqueiro Fantasma e Estrela Negra nunca foram aceites pelos seus companheiros; o Homem de Gelo era um herói renitente; Hércules não tinha eira nem beira e as tensões internas não tardaram a ditar o desmantelamento da equipa.
        Excetuando o Anjo, todos os restantes membros desistiram dos Campeões. Conservando a velha amizade que os unia, ele e o Homem de Gelo lutaram lado a lado em várias outras equipas (como os Novos Defensores e X-Factor). Hércules e a Viúva Negra tornaram-se amantes mas não tardaram a separar-se, embora ambos se tenham entretanto juntado aos Vingadores. Estrela Negra regressou à URSS e os Campeões perderam-se na memória dos fãs.
        Ainda houve, num passado recente, uma pouco convicta tentativa de reunir a equipa numa aventura da X-Force onde novamente frustraram os planos de Plutão. Não resultou. Mas todos sabemos que, nos comics, tudo é possível e, tal como na vida, nunca se deve dizer nunca...

Golias Negro

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

NÉMESIS: PALHAÇO / VIOLADOR




     Já repararam como um palhaço pode ser uma figura sinistra? Quem não se assustaria se se cruzasse com um numa viela escura à noite? E se na realidade ele fosse um demónio medonho nascido das profundezas infernais e que responde pelo sugestivo nome de Violador?

Nome original: The Clown/Violator
Criador: Todd McFarlane
Primeira aparição: Spawn nº1 (como Palhaço) e Spawn nº2 (como Violador) em abril e maio de 1992, respetivamente.
Licenciador: Image Comics
Alter-ego: Palhaço
Origem: Inferno
Base de operações: Móvel
Poderes e armas:  O  Violador é um demónio e como tal possui todos os poderes infernais tais como superforça, teletransporte, transformismo, fator de cura, telepatia, necromancia e telepatia. Desconhece-se a verdadeira extensão do seu poder embora seja claro que ele pode facilmente obliterar um Spawn. Está contudo proibido de o fazer sem ordens do seu mestre Malebolgia.

      O Violador é o mais velho e poderoso dos cinco demónios nascidos no Inferno conhecidos por Irmãos Flebíacos. A sua missão consiste em treinar e supervisionar os novos generais do exército infernal, o que tem feito ao longo de séculos. Esses generais são os Hellspawns. Sendo o atual Spawn Al Simmons (ver "Heróis em Ação: Spawn"), o Violador nutre uma especial antipatia por ele por considerar que deveriam ser os demónios e não os humanos a comandar as legiões infernais aquando do Armagedão. 
     Sob o disfarce de Palhaço (um anão disforme com um sentido de humor retorcido que faz o Joker parecer um menino do coro), esconde-se uma poderosa e vil criatura que figura na lista dos vilões mais temíveis de todos os tempos. A comprová-lo está o facto de o site IGN ter recentemente divulgado o top 100 dos vilões, ocupando o Violador a 97ª posição.
      Depois de se estrear  nas páginas do primeiro número de Spawn como Palhaço, foi na edição seguinte que os leitores conheceram o abominável Violador. Desde então que ele, literalmente, inferniza a vida do Spawn. O Palhaço é o alter-ego que o demónio assume sempre que precisa mover-se entre os humanos. Como imagem de marca, usa o rosto pintado de azul. Sempre  que se apodera de um corpo, o rosto da vítima assume o mesmo aspeto.

A verdadeira aparência do Violador.

      As batalhas que opuseram o Violador ao atual Spawn foram brutais e humilhantes para o vilão. Numa em particular, o demónio veio ao nosso mundo para impedir que Spawn se afastasse do caminho do Mal mas foi prontamente derrotado. Dado como morto, o Violador ressuscitou pouco tempo depois e continuou a atormentar Spawn e todos os que lhe são queridos. Muitas vezes os combates entre ambos são tanto psicológicos como físicos. Como Palhaço, obtém grande deleite em "trabalhar nos bastidores", virando do avesso a vida de Spawn. Uma das suas manobras favoritas consiste em virar amigos e aliados de Spawn contra ele, levando a que o traiam ou tentem matar.
       No filme Spawn (1997), coube ao ator John Leguizamo encarnar o Palhaço num papel que lhe valeu muitos elogios por parte dos fãs de comics. Já o Violador foi digitalmente concebido. Na série animada transmitida pelo canal HBO Todd McFarlane's Spawn, o Violador surge apenas em três episódios. Já o Palhaço marca presença em quase todos. A banda heavy metal Iced Earth compôs a canção "Violate" baseada no Violador, sendo todo o álbum The Dark Saga inspirado no universo de Spawn.

John Leguizamo como Palhaço em Spawn (1997).

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

ETERNOS: JOE SIMON (1913-2011)

   

    Com a vetusta idade de 98 anos, faleceu no pretérito dia 14 de dezembro em Nova Iorque Joe Simon, um dos decanos dos comics e cocriador do Capitão América. Desaparece assim um dos últimos representantes de uma geração extraordinária de criadores que deu a conhecer ao mundo a chamada Idade do Ouro da banda desenhada norte-americana. É com enorme pesar e respeito que lhe presto aqui a minha homenagem póstuma.
     Argumentista, desenhador e editor, Joe Simon era considerado uma lenda viva. Em parceria com Jack Kirby, criou em 1941 o Capitão América para a editora Timely Comics (antecessora da Marvel). Foi aliás da sua colaboração com Kirby que nasceu o protótipo do Homem-Aranha (cujos créditos são oficialmente atribuídos a Stan Lee e Steve Ditko).
     Crismado à nascença de Hymie Simon a 11 de outubro de 1913 em Rochester (Nova Iorque), Joe era filho de um emigrante inglês e de uma norte-americana. Na adolescência, frequentou o liceu Benjamin Franklin onde trabalhou como diretor artístico no jornal escolar e no respetivo anuário. Concluídos os estudos liceais em 1932, logo foi contratado como assistente do diretor artístico do Rochester Journal American, substituindo o seu futuro colega nos comics, Al Liederman. Dois anos depois, Simon transferiu-se para o Syracuse Herald onde trabalhou, entre outras coisas, como cartunista. O jornal contudo não tardaria a falir e Simon, então com 23 anos, resolveu tentar a sua sorte em Nova Iorque. Na Grande Maçã trabalhou como freenlancer em várias publicações e também na Broadway onde retocava as fotos publicitárias dos estúdios.
       Foi nessa época que conheceu Lloyd Jacquet, diretor executivo da Funnies, Inc. que fornecia material a pedido das editoras que ainda não dispunham das suas próprias equipas criativas. O primeiro trabalho de Simon nessa área foi um western de sete páginas.
       Não tardaria contudo a ser convidado a criar um novo super-herói para a Timely Comics depois do êxito do primeiro Tocha Humana (The Human Torch) em 1939. Usando o pseudónimo Gregory Sykes, Simon criou assim a sua primeira personagem: Fiery Mask. À qual se seguiriam muitas outras. A notoriedade, porém, só chegaria em 1941 com o patriótico Captain America, resultado da parceria de Simon e Jack Kirby. As perspetivas dinâmicas das histórias do Sentinela da Liberdade, assim como um uso arrojado dos layouts, fez furor entre os leitores. E por isso Simon convidou Kirby a juntar-se à equipa criativa da Timely.
Captain America nº1 com arte de Jack Kirby.

       Descontente com as suas condições salariais, Simon abandonaria pouco tempo depois a Timely para se juntar à arquirrival National Comics (antepassada da atual DC). Nessa nova etapa, Simon criou várias novas personagens, entre quais Sandman (1939) e Manhunter (1942).
       Durante a II Guerra Mundial, Simon serviu na Guarda Costeira norte-americana. Findo o conflito, regressou a Nova Iorque onde desposaria Harriet Feldman com a qual teria quatro filhos.
       Ao longo da década de 1950 , Simon desenvolveu um trabalho profícuo em vários géneros. Pelo meio, em 1955. chegaria ao fim a sua parceria com Kirby, embora a amizade entre ambos perdurasse. Contudo, em 1966, a dupla voltaria a juntar-se ao serviço da Harvey Comics que os encarregara de relançar a sua principal personagem: Fighting American. Dois anos mais tarde, Joe Simon teria uma nova passagem pela DC, ainda que fugaz.  Seria em 1974 que a dupla maravilha Simon/Kirby se reuniria pela última vez com o objetivo de relançar Sandman.
       Já no século XXI, Simon dedicou-se a pintar e vender reproduções de algumas das primeiras capas da sua autoria. Viveu ainda o suficiente para, em 2007, testemunhar a morte do seu filho dileto, o Capitão América, no âmbito da maxissaga "Guerra Civil" (Civil War), a qual o deixou consternado.
        Ao longo da sua prolífica carreira, apenas foi premiado em duas ocasiões: conquistou o Inkpot Award em 1998 e o Will Eisner Comic Book Hall of Fame no ano seguinte. O maior prémio contudo foi o carinho granjeou junto de várias gerações de fãs.
Sandman, outra das criações emblemáticas de Simon.