quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

NÉMESIS: VENOM


 
     Na vasta galeria de vilões do Homem-Aranha (que porventura só terá paralelo na do Batman), figuram várias personagens sinistras e ao mesmo tempo fascinantes. Venom, o simbionte alienígena que durante algum tempo usou Peter Parker como hospedeiro, é, sem dúvida, uma delas. Saibam mais sobre este inimigo mortal do herói aracnídeo.

Nome original: Venom
Primeira aparição (como uniforme negro do Homem-Aranha): Secret Wars nº8 (1984)
Primeira aparição (como Eddie Brock/ Venom): Amazing Spider-man nº 299 (1988)
Criadores: David Michelinie e Todd McFarlane
Licenciador: Marvel Comics
Identidade civil: Edward "Eddie" Charles Brock (atualmente Anti-Venom) e Mac Gargan (anteriormente conhecido como Escorpião).
Parentes conhecidos: Carl e Jamie Brock (pais), Anne Weying (esposa falecida que durante algum atuou como a versão feminina de Venom).
Base de operações: Nova Iorque
Poderes e habilidades: Uma vez instalado no sistema nervoso central do seu hospedeiro, o simbionte alienígena dota-o com todos os poderes do Homem-Aranha, o seu primeiro hospedeiro conhecido. Assim, quem quer que se una à criatura passa a poder escalar paredes e a dispor de um " sentido de aranha" que o alertará para qualquer perigo iminente. Passará também a ter força, velocidade e agilidade sobre-humanas. A isto acresce a capacidade de mudar de forma e de produzir uma substância semelhante a uma teia altamente resistente e flexível, composta por polímeros orgânicos. Por vezes, o simbionte consegue absorver disparos feitos a partir de armas de pequeno porte. É, todavia, vulnerável a ataques sónicos e térmicos.
Na sua atual versão, Venom é canibal.

Biografia: O que começou por ser uma arrojada mudança de visual do Homem-Aranha, acabaria por se tornar num dos seus maiores pesadelos. Com efeito, tudo começou quando, durante a lendária saga Secret Wars, o aranhiço rasgou o seu uniforme tradicional no decurso de uma batalha no planeta criado pelo omnipotente Beyonder.  Antes que pudesse substituir o fato danificado, o Homem-Aranha libertou acidentalmente um misterioso simbionte alienígena que assumia a forma de um líquido negro e viscoso. Embora alertado pelo seu "sentido de aranha", o herói aracnídeo permitiu que a criatura lhe cubrisse o corpo e lhe providenciasse um novo uniforme e um novo símbolo, inspirados nos envergados pela nova Mulher-Aranha. Para surpresa do Cabeça de Teia, a nova vestimenta providenciava um suprimento de teias aparentemente inesgotável.
               De volta à Terra, Peter Parker deleitava-se com os recursos do novo uniforme até começar a sentir-se exausto e começar a ter pesadelos. Decidiu então pedir a ajuda do Senhor Fantástico para analisar a vestimenta. Foi assim que descobriu que, na realidade, se tratava de um parasita extraterrestre que desejava fundir-se definitivamente ao seu hospedeiro e que frequentemente controlava o seu corpo durante a noite, daí resultando a sua exaustão. O Sr. Fantástico descobre igualmente as fraquezas da criatura: som e fogo. Com a ajuda do Tocha Humana, conseguiram separar o simbionte de Peter Parker. A criatura, porém,  escapa e só algum tempo depois Peter consegue desenvencilhar-se dela de uma vez por todas. O que só foi possível graças à sua enorme força de vontade e coragem. Peter arriscou a própria vida ao expor o simbionte ao som ensurdecedor dos sinos de uma igreja.  O esforço deixou Peter inanimado e à mercê da criatura. Esta, porém, poupou a vida do seu antigo hospedeiro. Mas guardou grande rancor pela rejeição de Peter, o qual transmitiu a todos os hospedeiros subsequentes.

O começo de uma nova era em Secret Wars nº8.
                Eddie Brock, um ex-repórter caído em desgraça após ter fabricado uma notícia desmentida pela ação do Homem-Aranha, foi o novo hospedeiro escolhido pelo simbionte. A criatura foi atraída pelo ódio que ambos nutriam pelo escalador de paredes. Brock, a quem fora entretanto diagnosticado um cancro, torna-se assim no primeiro Venom e não olha a meios para se vingar do Homem-Aranha, que culpava pela sua desgraça.
               Em diversas ocasiões Venom derrotou o Homem-Aranha em combate, mas optou sempre por lhe poupar a vida apenas pelo prazer de o poder continuar a atormentar.

Venom vs Homem-Aranha: duelo mortal.

               Com o passar do tempo, Brock usou esporadicamente os poderes do simbionte para agir como um vigilante, lutando em várias ocasiões lado a lado com o seu némesis aracnídeo. Depois do Homem-Aranha ter ajudado Brock a salvar a sua ex-mulher, Ann Weying, os dois decidem fazer uma trégua. Apenas temporária, contudo, pois termina com o suicídio de Ann.
               Cansado da sede de sangue do simbionte, Brock começa a rejeitá-lo. Este, por seu lado, está insatisfeito com o facto de o seu hospedeiro estar doente. Brock acaba assim por vender a criatura  num leilão onde participam vários outros supervilões. O feliz contemplado é Mac Donald "Mac" Gargan, o Escorpião. O novo Venom é, porém, facilmente derrotado no seu primeiro confronto com o aranhiço. Suspeita-se que porque Mac Gargan não o odiava com a mesma intensidade do seu antecessor.
               Gargan junta-se aos Thunderbolts, equipa com a missão de capturar os Vingadores Secretos. Pelo meio, descobre que o Governo lhe colocou implantes eléctricos com o objetivo de manter Venom sob controlo. Ao contrário do seu predecessor, que dominava o simbionte, a personalidade de Gargan é quase totalmente sobrepujada pela do parasita que alberga. Deste facto resulta, entre outras coisas, o canibalismo do novo Venom.
               Além dos três hospedeiros acima referidos, o simbionte já usou vários outros, incluindo mulheres: Ann Weying, Patricia Robertson e a Miss Marvel.
               Fora dos comics, Venom já marcou presença em várias séries de animação estreladas pelo Homem-Aranha: Spider-Man Unlimited, The Spetacular Spider-Man, etc. Embora no cinema só se tenha estreado em 2007 como um dos vilões de serviço em Spider-Man 3 (interpretado por Topher Grace), Venom esteve quase a ter direito a um filme próprio anos antes onde seria retratado como um anti-herói e teria como antagonista Carnificina.
Topher Grace foi Venom em Spider-Man 3.

              

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

HERÓIS EM AÇÃO: MOTOQUEIRO FANTASMA



     Poderá um homem fazer um pacto com o Diabo, transformar-se no Espírito da Vingança e, ainda assim, ser um herói? A poucos dias da estreia nos cinemas nacionais de Ghost Rider 2:Spirit of Vengeance, conheçam a trágica história de Johnny Blaze, o Motoqueiro Fantasma.

Nome original: Ghost Rider
Primeira aparição: Marvel Spotlight nº5 (agosto de 1972)
Criadores: Mike Ploog e Gary Friedrich
Licenciador: Marvel Comics
Identidade civil: Johnathon "Johnny" Blaze
Parentes conhecidos:  Barton Blaze (pai), Naomi Kale (mãe),Roxanne Simpson (esposa e irmã adotiva), Crash e Mona Simpson (pais adotivos), Danny e Barbara Ketch (irmãos).
Filiação: Os Campeões, Filhos da Meia-noite, Legião dos Monstros
Poderes e habilidades: O Motoqueiro Fantasma tem poderes de origem sobrenatural, decorrentes da sua condição demoníaca. Entre eles, destacam-se  força sobre-humana, regeneração espontânea, invulnerabilidade ao fogo e ao calor e o temível Olhar de Penitência (inflige à vítima igual sofrimento ao que ela causou a outros).  A par desses poderes, o Motoqueiro consegue deslocar-se em todos os tipos de superfície e até viajar entre dimensões com a sua mota de rodas flamejantes. Na sua versão mais recente, dispõe ainda de uma corrente mística.

Biografia: Os pais de Johnny Blaze, Barton e Naomi, ganhavam a vida a fazer acrobacias em duas rodas em Quentin Carnival. Foi nesse ambiente de risco e multidões ululantes que Johnny nasceu e passou os primeiros anos de vida. A família seria contudo desfeita quando Naomi abandonou Barton, levando consigo os seus dois filhos mais novos (Danny e Barbara). Na origem desta decisão, esteve a maldição que Naomi acreditava pender sobre a sua família desde o século XVIII. Nesse época, o demónio Mefisto tentara corromper Noble Kale, antepassado de Naomi e detentor de um fragmento do Medalhão do Poder que encerrava em si a essência primordial do Espírito da Vingança. Mefisto fracassara na sua missão mas manteve-se vigilante à linhagem Kale e surgia sempre que nascia novo primogénito por ser este a reencarnação de Noble. O demónio teria assim, a cada geração, uma nova oportunidade de conseguir os seus intentos.
                A dor causada pela perda abrupta da mãe, fez com que o pequeno Johnny reprimisse grande parte das memórias da progenitora e dos irmãos. Quando o pai sofreu um acidente mortal durante um espetáculo de acrobacias, o casal Crash e Mona Simpson (ex-sócios de Barton Blaze) adotaram o petiz. Para atenuar o sofrimento de Johnny, os seus novos pais fabricaram-lhe um passado, levando-o a acreditar que a sua mãe verdadeira era uma mulher de nome Clara Blaze, há muito falecida.
               Johnny passou assim a integrar o clã Simpson, tornando-se inseparável da filha biológica do casal, Roxanne. À medida que ambos cresciam, a amizade deu lugar a uma paixão proibida.

A estreia do Motoqueiro Fantasma em agosto de 1972.

              Entretanto, Naomi regressara para observar em segredo o filho. Receando que ele sucumbisse à maldição familiar, a mãe de Johnny negociou com Mefisto de modo a que este poupasse o filho. O demónio, porém, traiu-a e jurou que, mesmo que Johnny não viesse a ser o verdadeiro Espírito da Vingança, ele seria uma das suas encarnações.
              Alheio a tudo isto, Johnny, agora um adolescente, tinha em Crash Simpson uma referência paterna e este, por sua vez, treinava-o para lhe suceder como cabeça-de-cartaz do seu espetáculo acrobático. Com apenas 15 anos, Johnny quase morreu num acidente enquanto ensaiava uma perigosa manobra em conjunto com a mãe adotiva, que não resistiu aos ferimentos. Moribunda, Mona pediu a Johnny que lhe prometesse que desistiria daquela vida. Johnny aquiesceu e, nos anos seguintes, recusou-se a voltar a participar nos espetáculos organizados por Crash, o que deteriorou a relação entre ambos. A coberto da noite, contudo, Johnny continuou a praticar as acrobacias de mota até superar o seu mestre. Guardava ainda outro segredo: ele e Roxanne eram amantes.
              Quando Crash anunciou que padecia de cancro, Johnny voltou-se para o Oculto em busca de respostas. Acabaria por, acidentalmente, invocar Mefisto, desconhecendo que o demónio há muito o procurava e que fora responsável pela morte da sua mãe biológica. Em troca da  lealdade de de Johnny, Mefisto comprometeu-se a curar o cancro de Crash. Desesperado, Johnny acedeu mas viu o pai adotivo morrer pouco tempo volvido quando tentava saltar de mota sobre 22 carros. Nessa mesma noite, Johnny Blaze transformou-se pela primeira vez numa criatura esquelética e com uma caveira flamejante. Esta fusão com uma entidade demoníaca chamada Motoqueiro Fantasma, agradou muito a Mefisto que sonhava usá-lo como um peão na concretização dos seus maquiavélicos planos.
              Ludibriado por Mefisto, Johnny tentou, em vão, reaver a sua alma. O demónio recusou devolver-lha alegando que havia cumprido a sua promessa de curar o cancro de Crash Simpson. Seria assim Roxanne a salvar a alma do seu amado através da pureza dos seus sentimentos que afastaram (ainda que temporariamente) Mefisto das suas vidas.
             Num ato de vingança, porém, Mefisto uniu a alma de Johnny ao demónio Zarathos, seu ex-rival. Só muito tempo depois, quando capturado pelo vilão Pesadelo, é que Johnny descobriu a terrível verdade. Iniciou-se assim uma aguerrida disputa entre Johnny e Zarathos pelo controlo do Motoqueiro Fantasma.
             Perante qualquer manifestação do Mal, o Motoqueiro Fantasma surgia para o combater e punir. Mas o sinistro herói também salvava inocentes devido ao controlo parcial exercido por Johnny Blaze.
            Anos mais tarde, Johnny seria temporariamente substituído por Danny Ketch (seu irmão mais novo) como hospedeiro do Espírito da Vingança. Mas essa é uma história para contar noutra altura...
            Em 2007, Nicholas Cage cumpriu o seu velho sonho de encarnar um super-herói no cinema, dando vida ao Motoqueiro Fantasma no filme Ghost Rider. Longe de ter sido um êxito de bilheteira, o filme teve, ainda assim, direito a uma sequela  em 3D com estreia prevista para o próximo dia 23 de fevereiro nas salas de cinema portuguesas.
              
Poster promocional de Ghost Rider (2007).
             

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ETERNOS: WILLIAM MOULTON MARSTON (1893-1947)



      Psicólogo, inventor, escritor, feminista. A personalidade de William Moulton Marston tinha tanto de multifacetada como de excêntrica. Como legado, deixou duas invenções mundialmente famosas: o polígrafo (vulgarmente conhecido como "detetor de mentiras") e a mais icónica das super-heroínas: a Mulher-Maravilha.
      Também conhecido pelo pseudónimo Charles Moulton,  William Marston nasceu a 9 de maio de 1893 em Saugus, no estado norte-americano do Massachusetts. Estudou na prestigiada universidade de Harvard onde se doutorou em Psicologia no ano de 1921. Após lecionar nas universidades de Washington D.C. e de Tufts, mudou-se para a Califórnia em 1929 para trabalhar como diretor dos Serviços Públicos dos estúdios da Universal.
      É-lhe atribuída a invenção do teste de pressão sanguínea sistólica, usado para detetar mentiras e que se tornaria um componente fundamental no desenvolvimento do polígrafo. Embora não surja referenciada como colaboradora no estudo, julga-se que a sua esposa, Elizabeth Holloway Marston, foi quem sugeriu que iniciasse uma pesquisa nesse sentido. Especula-se igualmente quanto à existência de uma correlação entre a invenção do polígrafo por parte de William Marston e o laço mágico usado pela Mulher-Maravilha que obriga quem nele for envolvido a dizer a verdade. Confirmada é, porém, a influência da esposa e de outra mulher com quem o casal mantinha uma relação polígama, Olive Byrne, na criação do conceito original da Mulher-Maravilha.

Originalmente, a Mulher-Maravilha usava saia.

     Feminista militante, William Marston acreditava também no enorme potencial pedagógico da banda desenhada. Na sequência de uma entrevista onde defendeu essa tese, chamou a atenção de um dos editores da National Periodicals e da All-American Publications (duas das companhias que se fundiriam para dar origem à atual Detective Comics) que o contratou para consultor educacional.
      No início dos anos 1940. o panorama editorial dos comics era dominado por super-heróis masculinos como o Lanterna Verde, o Batman e, claro, o mais popular de todos: o Super-Homem. Terá por isso partido da esposa do doutor Marston a ideia de criar uma heroína superpoderosa capaz de ombrear com os seus congéneres masculinos. Já famoso pela invenção do polígrafo, Marston usou a própria esposa -que considerava um raro exemplo da mulher emancipada -  como modelo para a criação da Mulher-Maravilha (Wonder Woman).
William Marston (à esq.) com editores da National Periodicals.

       Marston pretendia criar um novo arquétipo feminino que deitasse por terra a imagem sexista de uma mulher submissa e dominada pelas emoções. Batizando originalmente a nova personagem de Suprema, Marston conjugou a força e o poder do Super-homem com a beleza e a ternura femininas. Para tal, inspirou-se na aparência da sua parceira amorosa Olive Byrne.
       Aprovada a ideia, o editor Sheldon Mayer rebatizou a nova super-heroína de Mulher-Maravilha antes da sua estreia na série All Star Comics nº8 (dezembro de 1941). As histórias eram inicialmente escritas pelo próprio Marston e ilustradas por Harry Peter, um artista com vasta experiência em desenhar tiras para jornais. Com efeito, ao longo da sua vida, Marston escreveu diversos artigos e livros sobre Psicologia mas os seus últimos seis anos de vida foram dedicados à produção de histórias aos quadradinhos. Além da Mulher-Maravilha, Marston criou várias outras personagens, quase todas femininas: Artémis, Giganta, Máscara, etc.
       As aventuras da Mulher-Maravilha escritas por Marston, não raro, versavam sobre temas associados ao bondage. Eram pois frequentes as situações em que as personagens surgiam amarradas e subjugadas. Esses elementos fetichistas foram posteriormente amenizados pelos argumentistas que lhe sucederam. A este propósito, Marston diria um dia: "Deem aos homens uma mulher deslumbrante e mais forte do que eles e ele terão todo o prazer em serem seus escravos".
         William Moulton Marston faleceria de cancro a 9 de maio de 1947, em Rye (Nova Iorque), exatamente uma semana antes de completar 54 anos. Depois da sua morte, Elizabeth e Olive continuaram a viver juntas. Em 1985, Marston seria distinguido postumamente pela DC como um dos 50 grandes criadores da editora.
Passado e presente da Mulher-Maravilha.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

FÁBRICAS DE MITOS: IMAGE COMICS

    
       No ano em que se assinala o 20º aniversário da sua fundação, a Image Comics continua a dar cartas no mercado editorial dos quadradinhos e  a intrometer-se entre as gigantes Marvel e DC.
      Tudo começou quando, em 1992, sete desenhadores dissidentes da Marvel Comics se reuniram para fundar uma nova editora onde pudessem salvaguardar os direitos autorais das suas criações. O grupo incluía pesos-pesados que haviam atingido a ribalta à frente de títulos como X-Men, The Amazing Spider-Man e Wolverine, entre outros. Todd McFarlane, Jim Lee, Erik Larsen, Marc Silvestri, Whilce Portacio, Rob Liefeld e Jim Valentino foram os "pais fundadores" da Image, que doravante revolucionaria a indústria dos comics.
      Na origem deste êxodo de artistas talentosos esteve o pouco destaque dado pela Marvel aos criadores de personagens com tanto de populares como de vendáveis. A isto acrescia o pagamento de royalties irrisórios. Assim, em dezembro de 1991, um grupo de ilustradores descontentes, liderado por Todd McFarlane e Rob Liefeld, exigiram junto do então presidente da Marvel, Terry Stewart, que a empresa lhes concedesse a propriedade e o controlo criativo sobre todas as personagens por eles criadas. Face à recusa da Marvel, oito criadores (aos sete nomes supracitados, juntou-se o prestigiado argumentista Chris Claremont), abandonaram a Marvel e fundaram a Image Comics. A nova editora, sediada  em Berkeley (Califórnia), comprometia-se a conceder todos os direitos das personagens aos respetivos criadores. Além disso, nenhum dos seus membros estaria autorizado a interferir artística ou financeiramente no trabalho de outrem.
Os 7 magníficos. Em 1º plano da esq. para dir., Marc Silvestri, Jim Valentino, Todd McFarlane e Rob Liefeld. Em 2º plano, da esq. para a dir., Whilce Portacio, Jim Lee e Erik Larsen.

      A própria Image não deteria quaisquer direitos autorais sobre as personagens e títulos entretanto lançados, exceção feita ao logótipo e nome da empresa. Cada membro fundou o seu próprio estúdio, funcionando portanto a editora como uma espécie de federação de chancelas autónomas.
      Chris Claremont acabou por não aderir ao projeto e Whilce Portacio foi obrigado a abandoná-lo devido aos problemas de saúde que afetavam então a sua irmã. Nasceram assim seis estúdios:
- Extreme Studios (propriedade de Rob Liefeld);
- Highbrow Entertainment (Erik Larsen);
- ShadowLine (Jim Valentino);
- Todd McFarlane Productions (Todd McFarlane);
- Top Cow Productions (Marc Silvestri);
- Wildstorm Productions (Jim Lee)
      Inicialmente, os títulos da Image eram produzidos pela Malibu Comics, uma pequena mas bem implantada editora que simpatizava com a luta pelos direitos de autor levada a cabo por Todd McFarlane e companhia.
      Os primeiros títulos com a chancela da Image a chegarem às bancas foram Spawn (da autoria de McFarlane), Youngblood (Rob Liefeld), The Savage Dragon (Erik Larsen) e Wild C.A.T.S. (Jim Lee). Impulsionadas pelo prestígio dos criadores e pela curiosidade dos leitores, as novas séries obtiveram recordes de vendas jamais alcançados desde o início do declínio do mercado dos comics na década de 1970. Cyberforce (Marc Silvestri), Shadowhawk (Jim Valentino) e Wetwoks (Whilce Portacio) tiveram contudo menos sucesso. Não obstante, em apenas alguns meses, a Image Comics conquistou uma quota de 10% do mercado editorial norte-americano chegando a ultrapassar a gigante DC, ainda que fugazmente. Em 1993, a situação financeira da Image era suficientemente estável para pôr fim à sua parceria com a Malibu Comics e começar a publicar os seus próprios títulos.
Spawn e Savage Dragon são as personagens de charneira da Image.
      Os fundadores da Image eram famosos pela sua arte dinâmica e extravagante, contrastando com a simplicidade das histórias. Apesar das características muito díspares dos trabalhos produzidos pelos vários estúdios, rapidamente surgiu o chamado "estilo Image" que, todavia, nunca foi consensual entre os fãs do género super-heroico.
       Com o sucesso vieram, porém, as primeiras tensões e críticas. Para fazer face ao crescente número de títulos que compunham o universo Image, foram contratados vários escritores e ilustradores freelancers, replicando assim a política contra a qual se haviam rebelado quando trabalhavam para a Marvel. Alguns dos seus membros permitiram igualmente que os seus respetivos estúdios publicassem material produzido por criadores externos (The Maxx, da autoria de Sam Kieth foi um dos exemplos).
       Outra das pechas do projeto era a inexperiência administrativa e executiva dos fundadores da Image. Na maior parte das vezes, os revendedores encomendavam títulos e séries em função das vendas obtidas. Em virtude dos recorrente atrasos do material encomendado, muitos deles acumulavam stock após consecutivas desistências de leitores que não estavam obviamente dispostos a esperar tanto tempo para ler uma história de banda desenhada. Em resposta, os revendedores reduziram drasticamente o número de edições encomendadas, o que abalou financeiramente a Image. Para retificar a situação, a Image contratou, em finais de 1993, Larry Marder para a função de diretor executivo da empresa. Marder foi relativamente bem sucedido e conseguiu disciplinar os responsáveis dos diversos estúdios, obrigando-os a fazerem uma rigorosa planificação editorial.
Wild C.A.T.S. em ação.
        Em meados dos anos 1990, Spawn e The Savage Dragon afirmaram-se como séries regulares de sucesso, ao mesmo tempo que novos títulos como Gen 13, The Darkness e Witchblade também conquistavam o seu lugar ao sol. Não tardou a que a Image se tornasse a terceira maior editora norte-americana, apenas suplantada pela Marvel e pela DC.
         Nem tudo foram rosas, porém. Disputas entre os fundadores começaram a abalar a empresa. Rob Liefeld foi acusado pelos seus pares de estar a usar o seu cargo de CEO para desviar recursos financeiros para promover a sua própria editora, a Maximum Press. Isto levou ao abandono da Image  de Marc Silvestri e da sua Top Cow em 1996. Silvestri acusava Liefeld de estar a recrutar alguns dos seus melhores desenhadores, designadamente Michael Turner (responsável artístico de Witchblade). Perante a pressão exercida pelos demais membros da empresa, Liefeld acabou por deixar a Image pouco tempo depois, o que abriu caminho ao regresso de Marc Silvestri. Em 1999, para surpresa geral, Jim Lee vendeu a Wildstorm à rival DC movido pelo desejo de trocar as suas responsabilidades editoriais pelo trabalho criativo, do qual estava praticamente arredado.
Capa do 1º número de Witchblade.
         Em 2008, a Image estabeleceu uma parceria, que se revelaria frutuosa, com Robert Kirkman cuja série a preto e branco The Walking Dead (posteriormente adaptada ao pequeno ecrã) se tornara um fenómeno de popularidade. Nos últimos anos, a Image tem enfrentado a feroz concorrência da Dark Horse Comics e da IDW Publishing pelo estatuto de terceira maior licenciadora. Grande parte das vendas da empresa derivam do merchandising das suas personagens mais famosas, como Spawn. Já The Savage Dragon continua a ser o título recordista de longevidade dentro da empresa.
          Ao longo dos anos, a Image tem diversificado os seus títulos e produtos, augurando-se-lhe um futuro radioso.

Gen 13, um grupo de adolescentes superpoderosos.