quinta-feira, 1 de março de 2012

BD CINE APRESENTA: GHOST RIDER

     
         No dia em que estreia nas salas de cinema portuguesas o segundo filme do Motoqueiro Fantasma, pareceu-me apropriado recordar a primeira incursão no grande ecrã deste herói pouco ortodoxo.
         Cumprindo o seu velho sonho de encarnar um super-herói no cinema,  em 2007 Nicholas Cage vestiu a pele (metaforicamente falando, claro) do Motoqueiro Fantasma numa produção milionária e com um elenco de luxo. O que não evitou, porém, que o filme fosse arrasado pela crítica e que fosse recebido com relativa indiferença pelos fãs. Ainda assim, obteve uma considerável receita de bilheteira abrindo caminho para o lançamento da atual sequela.

Título original: Ghost Rider
Ano: 2007
País: Estados Unidos da América
Duração: 114 minutos
Argumento e realização: Mark Steven Johnson
Elenco: Nicholas Cage (Johnny Blaze/Motoqueiro Fantasma), Eva Mendes (Roxanne Simpson), Peter Fonda (Mefistófeles) e Wes Bentley (Darkheart)
Orçamento: 110 milhões de dólares
Receita: 228.738 milhões de dólares
Sinopse: Johnny Blaze ( Nicholas Cage) é um famoso acrobata de duas rodas que na adolescência fez um pacto com um demónio de nome Mefistófeles (Peter Fonda) para salvar a vida do seu pai. Em troca, recebe a maldição secular do Ghost Rider, um agente ao serviço do Diabo. A sua missão consiste em caçar almas maldosas na Terra e levá-las para o Inferno.
Johnny Blaze recebe a visita de Mefisto.
              Quando Roxanne Simpson (Eva Mendes), o seu primeiro grande amor, regressa inesperadamente à vida de Johnny, este acredita que poderá ter uma segunda oportunidade de ser feliz. Para isso terá de derrotar Blackheart (Wes Bentley),  o filho rebelde de Mefistófeles, que fugiu  do Inferno com o fito de conquistar a Terra. Conta  para isso com a ajuda dos demónios chamados The Hidden. Muito tempo atrás, cada um eles fora  preso por São Miguel nos elementos da Natureza -Terra, Ar e Água. O demónio Gressil possui a Terra, Abigor o Ar e Wallow a Água, sendo que o Motoqueiro Fantasma é o possuidor do Fogo.
            Enquanto Mefistófeles e o Motoqueiro Fantasma usam e abusam do tradicional fogo infernal, Blackheart parece congelar tudo à sua volta, petrificando as suas vítimas.
            Johnny terá assim que usar a sua maldição para o bem, detendo os planos de Blackheart com a ajuda de Carter Slade, seu antecessor.
Darkheart e os seus comparsas demoníacos.
Curiosidades: A personagem Carter Slade é um tributo ao Ghost Rider original, entretanto rebatizado de Phantom Rider pela Marvel (vide "Heróis em Ação: Motoqueiro Fantasma"). Sucede que na banda desenha homónima, Carter é um homem comum que usa um uniforme branco e monta um cavalo da mesma cor, ambos cobertos com um pó fosforecente para produzir um efeito fantasmagórico.
Minha avaliação: Embora não seja completamente intragável e de, no essencial, se manter fiel à história original, a trama é demasiado previsível e não explora devidamente a interessante premissa de um jovem que, num gesto simultaneamente altruísta e desesperado, vende a alma ao Diabo para salvar alguém que ama. Mesmo para quem não é fã do género super-heroico, o Motoqueiro Fantasma, por estar mais próximo do arquétipo de anti-herói do que do tradicional escuteiro superpoderoso, é uma personagem apelativa a um público mais adulto. Contudo, a abordagem de Cage à mesma é, no mínimo, ridícula (alguém imagina um homem de barba rija como Johnny Blaze a beber cocktails de gomas?). O ambiente sobrenatural em que o Motoqueiro se move decerto atraiu um público composto por pré-adolescentes obcecados com vampiros e afins, o que não deixa de representar uma mais-valia para o filme. No final, salvam-se os efeitos especiais e alguma cenas de ação. Daí a minha nota ser 50% na esperança de que  Ghost Rider 2 não se limite a trazer mais do mesmo... 
     
O Motoqueiro Fantasma em ação.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

NÉMESIS: VENOM


 
     Na vasta galeria de vilões do Homem-Aranha (que porventura só terá paralelo na do Batman), figuram várias personagens sinistras e ao mesmo tempo fascinantes. Venom, o simbionte alienígena que durante algum tempo usou Peter Parker como hospedeiro, é, sem dúvida, uma delas. Saibam mais sobre este inimigo mortal do herói aracnídeo.

Nome original: Venom
Primeira aparição (como uniforme negro do Homem-Aranha): Secret Wars nº8 (1984)
Primeira aparição (como Eddie Brock/ Venom): Amazing Spider-man nº 299 (1988)
Criadores: David Michelinie e Todd McFarlane
Licenciador: Marvel Comics
Identidade civil: Edward "Eddie" Charles Brock (atualmente Anti-Venom) e Mac Gargan (anteriormente conhecido como Escorpião).
Parentes conhecidos: Carl e Jamie Brock (pais), Anne Weying (esposa falecida que durante algum atuou como a versão feminina de Venom).
Base de operações: Nova Iorque
Poderes e habilidades: Uma vez instalado no sistema nervoso central do seu hospedeiro, o simbionte alienígena dota-o com todos os poderes do Homem-Aranha, o seu primeiro hospedeiro conhecido. Assim, quem quer que se una à criatura passa a poder escalar paredes e a dispor de um " sentido de aranha" que o alertará para qualquer perigo iminente. Passará também a ter força, velocidade e agilidade sobre-humanas. A isto acresce a capacidade de mudar de forma e de produzir uma substância semelhante a uma teia altamente resistente e flexível, composta por polímeros orgânicos. Por vezes, o simbionte consegue absorver disparos feitos a partir de armas de pequeno porte. É, todavia, vulnerável a ataques sónicos e térmicos.
Na sua atual versão, Venom é canibal.

Biografia: O que começou por ser uma arrojada mudança de visual do Homem-Aranha, acabaria por se tornar num dos seus maiores pesadelos. Com efeito, tudo começou quando, durante a lendária saga Secret Wars, o aranhiço rasgou o seu uniforme tradicional no decurso de uma batalha no planeta criado pelo omnipotente Beyonder.  Antes que pudesse substituir o fato danificado, o Homem-Aranha libertou acidentalmente um misterioso simbionte alienígena que assumia a forma de um líquido negro e viscoso. Embora alertado pelo seu "sentido de aranha", o herói aracnídeo permitiu que a criatura lhe cubrisse o corpo e lhe providenciasse um novo uniforme e um novo símbolo, inspirados nos envergados pela nova Mulher-Aranha. Para surpresa do Cabeça de Teia, a nova vestimenta providenciava um suprimento de teias aparentemente inesgotável.
               De volta à Terra, Peter Parker deleitava-se com os recursos do novo uniforme até começar a sentir-se exausto e começar a ter pesadelos. Decidiu então pedir a ajuda do Senhor Fantástico para analisar a vestimenta. Foi assim que descobriu que, na realidade, se tratava de um parasita extraterrestre que desejava fundir-se definitivamente ao seu hospedeiro e que frequentemente controlava o seu corpo durante a noite, daí resultando a sua exaustão. O Sr. Fantástico descobre igualmente as fraquezas da criatura: som e fogo. Com a ajuda do Tocha Humana, conseguiram separar o simbionte de Peter Parker. A criatura, porém,  escapa e só algum tempo depois Peter consegue desenvencilhar-se dela de uma vez por todas. O que só foi possível graças à sua enorme força de vontade e coragem. Peter arriscou a própria vida ao expor o simbionte ao som ensurdecedor dos sinos de uma igreja.  O esforço deixou Peter inanimado e à mercê da criatura. Esta, porém, poupou a vida do seu antigo hospedeiro. Mas guardou grande rancor pela rejeição de Peter, o qual transmitiu a todos os hospedeiros subsequentes.

O começo de uma nova era em Secret Wars nº8.
                Eddie Brock, um ex-repórter caído em desgraça após ter fabricado uma notícia desmentida pela ação do Homem-Aranha, foi o novo hospedeiro escolhido pelo simbionte. A criatura foi atraída pelo ódio que ambos nutriam pelo escalador de paredes. Brock, a quem fora entretanto diagnosticado um cancro, torna-se assim no primeiro Venom e não olha a meios para se vingar do Homem-Aranha, que culpava pela sua desgraça.
               Em diversas ocasiões Venom derrotou o Homem-Aranha em combate, mas optou sempre por lhe poupar a vida apenas pelo prazer de o poder continuar a atormentar.

Venom vs Homem-Aranha: duelo mortal.

               Com o passar do tempo, Brock usou esporadicamente os poderes do simbionte para agir como um vigilante, lutando em várias ocasiões lado a lado com o seu némesis aracnídeo. Depois do Homem-Aranha ter ajudado Brock a salvar a sua ex-mulher, Ann Weying, os dois decidem fazer uma trégua. Apenas temporária, contudo, pois termina com o suicídio de Ann.
               Cansado da sede de sangue do simbionte, Brock começa a rejeitá-lo. Este, por seu lado, está insatisfeito com o facto de o seu hospedeiro estar doente. Brock acaba assim por vender a criatura  num leilão onde participam vários outros supervilões. O feliz contemplado é Mac Donald "Mac" Gargan, o Escorpião. O novo Venom é, porém, facilmente derrotado no seu primeiro confronto com o aranhiço. Suspeita-se que porque Mac Gargan não o odiava com a mesma intensidade do seu antecessor.
               Gargan junta-se aos Thunderbolts, equipa com a missão de capturar os Vingadores Secretos. Pelo meio, descobre que o Governo lhe colocou implantes eléctricos com o objetivo de manter Venom sob controlo. Ao contrário do seu predecessor, que dominava o simbionte, a personalidade de Gargan é quase totalmente sobrepujada pela do parasita que alberga. Deste facto resulta, entre outras coisas, o canibalismo do novo Venom.
               Além dos três hospedeiros acima referidos, o simbionte já usou vários outros, incluindo mulheres: Ann Weying, Patricia Robertson e a Miss Marvel.
               Fora dos comics, Venom já marcou presença em várias séries de animação estreladas pelo Homem-Aranha: Spider-Man Unlimited, The Spetacular Spider-Man, etc. Embora no cinema só se tenha estreado em 2007 como um dos vilões de serviço em Spider-Man 3 (interpretado por Topher Grace), Venom esteve quase a ter direito a um filme próprio anos antes onde seria retratado como um anti-herói e teria como antagonista Carnificina.
Topher Grace foi Venom em Spider-Man 3.

              

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

HERÓIS EM AÇÃO: MOTOQUEIRO FANTASMA



     Poderá um homem fazer um pacto com o Diabo, transformar-se no Espírito da Vingança e, ainda assim, ser um herói? A poucos dias da estreia nos cinemas nacionais de Ghost Rider 2:Spirit of Vengeance, conheçam a trágica história de Johnny Blaze, o Motoqueiro Fantasma.

Nome original: Ghost Rider
Primeira aparição: Marvel Spotlight nº5 (agosto de 1972)
Criadores: Mike Ploog e Gary Friedrich
Licenciador: Marvel Comics
Identidade civil: Johnathon "Johnny" Blaze
Parentes conhecidos:  Barton Blaze (pai), Naomi Kale (mãe),Roxanne Simpson (esposa e irmã adotiva), Crash e Mona Simpson (pais adotivos), Danny e Barbara Ketch (irmãos).
Filiação: Os Campeões, Filhos da Meia-noite, Legião dos Monstros
Poderes e habilidades: O Motoqueiro Fantasma tem poderes de origem sobrenatural, decorrentes da sua condição demoníaca. Entre eles, destacam-se  força sobre-humana, regeneração espontânea, invulnerabilidade ao fogo e ao calor e o temível Olhar de Penitência (inflige à vítima igual sofrimento ao que ela causou a outros).  A par desses poderes, o Motoqueiro consegue deslocar-se em todos os tipos de superfície e até viajar entre dimensões com a sua mota de rodas flamejantes. Na sua versão mais recente, dispõe ainda de uma corrente mística.

Biografia: Os pais de Johnny Blaze, Barton e Naomi, ganhavam a vida a fazer acrobacias em duas rodas em Quentin Carnival. Foi nesse ambiente de risco e multidões ululantes que Johnny nasceu e passou os primeiros anos de vida. A família seria contudo desfeita quando Naomi abandonou Barton, levando consigo os seus dois filhos mais novos (Danny e Barbara). Na origem desta decisão, esteve a maldição que Naomi acreditava pender sobre a sua família desde o século XVIII. Nesse época, o demónio Mefisto tentara corromper Noble Kale, antepassado de Naomi e detentor de um fragmento do Medalhão do Poder que encerrava em si a essência primordial do Espírito da Vingança. Mefisto fracassara na sua missão mas manteve-se vigilante à linhagem Kale e surgia sempre que nascia novo primogénito por ser este a reencarnação de Noble. O demónio teria assim, a cada geração, uma nova oportunidade de conseguir os seus intentos.
                A dor causada pela perda abrupta da mãe, fez com que o pequeno Johnny reprimisse grande parte das memórias da progenitora e dos irmãos. Quando o pai sofreu um acidente mortal durante um espetáculo de acrobacias, o casal Crash e Mona Simpson (ex-sócios de Barton Blaze) adotaram o petiz. Para atenuar o sofrimento de Johnny, os seus novos pais fabricaram-lhe um passado, levando-o a acreditar que a sua mãe verdadeira era uma mulher de nome Clara Blaze, há muito falecida.
               Johnny passou assim a integrar o clã Simpson, tornando-se inseparável da filha biológica do casal, Roxanne. À medida que ambos cresciam, a amizade deu lugar a uma paixão proibida.

A estreia do Motoqueiro Fantasma em agosto de 1972.

              Entretanto, Naomi regressara para observar em segredo o filho. Receando que ele sucumbisse à maldição familiar, a mãe de Johnny negociou com Mefisto de modo a que este poupasse o filho. O demónio, porém, traiu-a e jurou que, mesmo que Johnny não viesse a ser o verdadeiro Espírito da Vingança, ele seria uma das suas encarnações.
              Alheio a tudo isto, Johnny, agora um adolescente, tinha em Crash Simpson uma referência paterna e este, por sua vez, treinava-o para lhe suceder como cabeça-de-cartaz do seu espetáculo acrobático. Com apenas 15 anos, Johnny quase morreu num acidente enquanto ensaiava uma perigosa manobra em conjunto com a mãe adotiva, que não resistiu aos ferimentos. Moribunda, Mona pediu a Johnny que lhe prometesse que desistiria daquela vida. Johnny aquiesceu e, nos anos seguintes, recusou-se a voltar a participar nos espetáculos organizados por Crash, o que deteriorou a relação entre ambos. A coberto da noite, contudo, Johnny continuou a praticar as acrobacias de mota até superar o seu mestre. Guardava ainda outro segredo: ele e Roxanne eram amantes.
              Quando Crash anunciou que padecia de cancro, Johnny voltou-se para o Oculto em busca de respostas. Acabaria por, acidentalmente, invocar Mefisto, desconhecendo que o demónio há muito o procurava e que fora responsável pela morte da sua mãe biológica. Em troca da  lealdade de de Johnny, Mefisto comprometeu-se a curar o cancro de Crash. Desesperado, Johnny acedeu mas viu o pai adotivo morrer pouco tempo volvido quando tentava saltar de mota sobre 22 carros. Nessa mesma noite, Johnny Blaze transformou-se pela primeira vez numa criatura esquelética e com uma caveira flamejante. Esta fusão com uma entidade demoníaca chamada Motoqueiro Fantasma, agradou muito a Mefisto que sonhava usá-lo como um peão na concretização dos seus maquiavélicos planos.
              Ludibriado por Mefisto, Johnny tentou, em vão, reaver a sua alma. O demónio recusou devolver-lha alegando que havia cumprido a sua promessa de curar o cancro de Crash Simpson. Seria assim Roxanne a salvar a alma do seu amado através da pureza dos seus sentimentos que afastaram (ainda que temporariamente) Mefisto das suas vidas.
             Num ato de vingança, porém, Mefisto uniu a alma de Johnny ao demónio Zarathos, seu ex-rival. Só muito tempo depois, quando capturado pelo vilão Pesadelo, é que Johnny descobriu a terrível verdade. Iniciou-se assim uma aguerrida disputa entre Johnny e Zarathos pelo controlo do Motoqueiro Fantasma.
             Perante qualquer manifestação do Mal, o Motoqueiro Fantasma surgia para o combater e punir. Mas o sinistro herói também salvava inocentes devido ao controlo parcial exercido por Johnny Blaze.
            Anos mais tarde, Johnny seria temporariamente substituído por Danny Ketch (seu irmão mais novo) como hospedeiro do Espírito da Vingança. Mas essa é uma história para contar noutra altura...
            Em 2007, Nicholas Cage cumpriu o seu velho sonho de encarnar um super-herói no cinema, dando vida ao Motoqueiro Fantasma no filme Ghost Rider. Longe de ter sido um êxito de bilheteira, o filme teve, ainda assim, direito a uma sequela  em 3D com estreia prevista para o próximo dia 23 de fevereiro nas salas de cinema portuguesas.
              
Poster promocional de Ghost Rider (2007).
             

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ETERNOS: WILLIAM MOULTON MARSTON (1893-1947)



      Psicólogo, inventor, escritor, feminista. A personalidade de William Moulton Marston tinha tanto de multifacetada como de excêntrica. Como legado, deixou duas invenções mundialmente famosas: o polígrafo (vulgarmente conhecido como "detetor de mentiras") e a mais icónica das super-heroínas: a Mulher-Maravilha.
      Também conhecido pelo pseudónimo Charles Moulton,  William Marston nasceu a 9 de maio de 1893 em Saugus, no estado norte-americano do Massachusetts. Estudou na prestigiada universidade de Harvard onde se doutorou em Psicologia no ano de 1921. Após lecionar nas universidades de Washington D.C. e de Tufts, mudou-se para a Califórnia em 1929 para trabalhar como diretor dos Serviços Públicos dos estúdios da Universal.
      É-lhe atribuída a invenção do teste de pressão sanguínea sistólica, usado para detetar mentiras e que se tornaria um componente fundamental no desenvolvimento do polígrafo. Embora não surja referenciada como colaboradora no estudo, julga-se que a sua esposa, Elizabeth Holloway Marston, foi quem sugeriu que iniciasse uma pesquisa nesse sentido. Especula-se igualmente quanto à existência de uma correlação entre a invenção do polígrafo por parte de William Marston e o laço mágico usado pela Mulher-Maravilha que obriga quem nele for envolvido a dizer a verdade. Confirmada é, porém, a influência da esposa e de outra mulher com quem o casal mantinha uma relação polígama, Olive Byrne, na criação do conceito original da Mulher-Maravilha.

Originalmente, a Mulher-Maravilha usava saia.

     Feminista militante, William Marston acreditava também no enorme potencial pedagógico da banda desenhada. Na sequência de uma entrevista onde defendeu essa tese, chamou a atenção de um dos editores da National Periodicals e da All-American Publications (duas das companhias que se fundiriam para dar origem à atual Detective Comics) que o contratou para consultor educacional.
      No início dos anos 1940. o panorama editorial dos comics era dominado por super-heróis masculinos como o Lanterna Verde, o Batman e, claro, o mais popular de todos: o Super-Homem. Terá por isso partido da esposa do doutor Marston a ideia de criar uma heroína superpoderosa capaz de ombrear com os seus congéneres masculinos. Já famoso pela invenção do polígrafo, Marston usou a própria esposa -que considerava um raro exemplo da mulher emancipada -  como modelo para a criação da Mulher-Maravilha (Wonder Woman).
William Marston (à esq.) com editores da National Periodicals.

       Marston pretendia criar um novo arquétipo feminino que deitasse por terra a imagem sexista de uma mulher submissa e dominada pelas emoções. Batizando originalmente a nova personagem de Suprema, Marston conjugou a força e o poder do Super-homem com a beleza e a ternura femininas. Para tal, inspirou-se na aparência da sua parceira amorosa Olive Byrne.
       Aprovada a ideia, o editor Sheldon Mayer rebatizou a nova super-heroína de Mulher-Maravilha antes da sua estreia na série All Star Comics nº8 (dezembro de 1941). As histórias eram inicialmente escritas pelo próprio Marston e ilustradas por Harry Peter, um artista com vasta experiência em desenhar tiras para jornais. Com efeito, ao longo da sua vida, Marston escreveu diversos artigos e livros sobre Psicologia mas os seus últimos seis anos de vida foram dedicados à produção de histórias aos quadradinhos. Além da Mulher-Maravilha, Marston criou várias outras personagens, quase todas femininas: Artémis, Giganta, Máscara, etc.
       As aventuras da Mulher-Maravilha escritas por Marston, não raro, versavam sobre temas associados ao bondage. Eram pois frequentes as situações em que as personagens surgiam amarradas e subjugadas. Esses elementos fetichistas foram posteriormente amenizados pelos argumentistas que lhe sucederam. A este propósito, Marston diria um dia: "Deem aos homens uma mulher deslumbrante e mais forte do que eles e ele terão todo o prazer em serem seus escravos".
         William Moulton Marston faleceria de cancro a 9 de maio de 1947, em Rye (Nova Iorque), exatamente uma semana antes de completar 54 anos. Depois da sua morte, Elizabeth e Olive continuaram a viver juntas. Em 1985, Marston seria distinguido postumamente pela DC como um dos 50 grandes criadores da editora.
Passado e presente da Mulher-Maravilha.